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O Tio da Minha Melhor Amiga

O Tio da Minha Melhor Amiga

Autor:: Krys Torres
Gênero: Romance
Aos 42 anos, Alessandro Spinola retorna à cidade onde jurou nunca mais pisar. CEO de um império construído à própria sombra, ele carrega no peito a dor da perda do irmão gêmeo e a inesperada responsabilidade de criar sua jovem sobrinha, Caterina, uma adolescente que ele mal conhece. O que Alessandro não esperava era o impacto arrebatador de Nina Sanchez - a melhor amiga de Caterina. Nina é uma universitária intensa, de olhar inquieto e alma marcada por segredos que ninguém ousa decifrar. O que começa como um simples encontro casual, logo se transforma em uma atração avassaladora, perigosa... e proibida. Envolvidos em um jogo silencioso de provocações, Alessandro e Nina cruzam linhas que não deveriam ser ultrapassadas. Ele, dividido entre o dever e o desejo. Ela, entre a lealdade e uma sede de liberdade que só ele parece compreender. Em meio à dor, culpa e redenção, os dois se encontram onde não deveriam e o que sentem ameaça destruir tudo ao redor. Até onde uma paixão proibida pode resistir antes de se tornar destrutiva? Nina está realmente pronta para se entregar a um homem que carrega tantas cicatrizes? E Alessandro... conseguirá controlar seus instintos ou será dominado por eles? Quando a luxúria se confunde com amor, existe caminho de volta? Ou só resta se perder?

Capítulo 1 O Amor Que Me Machucou

Alessandro Spinola

O amor é a mais perversa das sentenças. Quem o prova com o coração nu corre o risco de sangrar para sempre.

Eu acabei de enterrar meu irmão.

As últimas 48 horas foram as piores da minha vida e eu não digo isso com exagero. Digo com a dor real de alguém que perdeu sua âncora, seu reflexo, sua metade.

Quando atendi aquele telefonema do meu pai, no fundo, eu já sabia. Na noite anterior ao acidente, tive um sonho estranho. Nele, meu irmão me olhava com uma expressão que eu nunca havia visto antes, pesarosa, calma e infinitamente triste. Ele me pedia para ter paciência com nosso pai, para tentar perdoá-lo. Eu não entendi na hora, mas os olhos verdes de Pietro estavam diferentes. Ele sorriu, e eu senti uma pontada profunda no peito. Uma dor dilacerante que me arrancou do sono aos gritos.

No minuto seguinte, o telefone tocou e meu mundo desabou.

O destino, esse canalha impiedoso, já havia me arrancado minha mãe cinco anos atrás. Achei que nada mais pudesse me derrubar da forma como aquela perda me destruiu. Mas estava errado. O universo ainda tinha mais uma peça a mover e, dessa vez, foi meu irmão. Meu melhor amigo, meu espelho.

Pietro Spinola era tudo que eu nunca fui: gentil, generoso, esperançoso. E agora estava ali... imóvel, com o corpo frio e a expressão serena demais para quem havia vivido com tanta intensidade. O homem que costumava gargalhar alto, chorar pelos filmes da Disney e abraçar forte como se o mundo pudesse desmoronar a qualquer segundo... agora jazia sob um caixão fechado.

A chuva caía sobre o cemitério com uma constância dolorosa. O cheiro da terra molhada me invadia as narinas enquanto o vento cortava minha pele como navalhas. Mas eu não me movia. Não queria sair dali, me recusava a aceitar.

Desviei os olhos do caixão e vi Catarina, minha sobrinha, sendo amparada pela mãe. Meu coração se partiu mais uma vez. Eu queria correr até ela, abraçá-la, prometer que tudo ficaria bem. Mas não consegui. Porque nem eu acreditava nisso.

Dentro de mim, havia um grito. Um urro desesperado que não encontrava voz. Eu não era mais um homem, eu era uma sombra, um corpo vestido de luto.

Ali, diante do túmulo do meu irmão, fiz uma promessa silenciosa. Não amarei mais ninguém. Porque todos que amo são arrancados de mim. Um por um.

Primeiro, minha mãe. Agora, Pietro.

Se o amor tem preço, o meu já custou mais do que qualquer um pode pagar. Não suporto mais perder. Não suporto mais sentir. Viverei... mas jamais me permitirei amar outra vez.

Porque para mim, o amor morreu junto com ele.

✦ ✦ ✦

Madrid, Espanha

Nina Sanchez

Sempre ouvi dizer que o amor era a resposta. Que era abrigo, que era cura. Mas tudo que o amor me deu... foi trauma.

Mahatma Gandhi dizia: "Onde há amor, há vida." E eu só consigo pensar no quanto ele estava enganado.

Estou sentada no banco de um aeroporto frio e silencioso, esperando um voo que me levará para longe da cidade onde vivi os piores dias da minha vida. A mala ao meu lado é pequena, mas carrega tudo que me sobrou: alguns livros, uma blusa da minha mãe, uma fotografia antiga... e pedaços do que um dia fui.

Dezesseis anos vividos dentro de uma casa onde o amor era confundido com obsessão. Onde o toque que deveria acalmar, marcava. Onde a palavra "filha" era dita com cobrança, nunca com afeto.

Minha mãe morreu de amor. Amor por um homem que a destruiu lentamente, que a consumiu até que nada mais restasse além de silêncio. E quando ela partiu, eu também morri um pouco. Ela escolheu amar alguém mais do que a mim e pagou o preço.

Desde então, eu jurei que nunca mais amaria ninguém. Porque o amor prende. O amor fere, o amor... mata.

"Última chamada para o voo 135, destino: Boston. Embarque imediato pelo portão F."

A voz metálica ecoa pelo alto-falante, interrompendo meus pensamentos. Aperto a alça da mala com força e me levanto, sentindo o corpo pesar com memórias. Antes de atravessar o portão, olho uma última vez para trás.

Não há ninguém para me desejar boa viagem.

Não há ninguém chorando pela minha partida.

E isso... me liberta.

Agradeço mentalmente aos meus padrinhos. Foram eles que compraram a passagem. Que abriram as portas, que prometeram me acolher como filha. É para a casa deles que estou indo. Um novo país, uma nova chance, uma nova Nina.

Mas uma coisa é certa: na minha nova vida, não haverá espaço para o amor.

Porque eu não sou mais aquela que sonhava com finais felizes. Sou feita de cicatrizes. E nelas, o amor não tem permissão para habitar.

Capítulo 2 No Palco da Minha Promessa

Catarina Spinola

Hoje é o dia.

O dia que eu imaginei nos meus sonhos mais doces. O dia que me perseguiu nos meus pesadelos mais cruéis.

O dia em que finalmente concluo o ensino médio. Um passo enorme, um marco. E ainda assim, tão pequeno diante do buraco que existe dentro de mim.

Eu queria estar feliz. Eu queria me sentir vitoriosa, radiante, como as outras garotas da minha idade que passam horas escolhendo o vestido, os sapatos, o penteado. Mas tudo em mim dói. Porque tudo em mim grita por ele.

Meu pai.

Meu herói. Meu refúgio. Meu melhor amigo.

Hoje é o dia em que mais queria sua presença. Seu abraço. Seu sorriso orgulhoso no fim da plateia. A forma como ele sempre fazia sinal de positivo com o polegar quando eu subia ao palco da escola, como se dissesse "vai, minha pequena, brilha".

Mas ele não está aqui.

E a verdade é que desde que ele se foi, o mundo perdeu o brilho.

Puxo o zíper do vestido azul-escuro com mãos trêmulas. Olho meu reflexo no espelho e não vejo uma garota prestes a vencer. Vejo uma filha despedaçada, tentando manter a postura enquanto tudo dentro de si desmorona.

- Você está linda, Cat - digo a mim mesma. Mas a voz sai baixa, insegura, como se até minha imagem no espelho duvidasse disso.

Tento sorrir e falho miseravelmente.

Respiro fundo.

Toc. Toc. Toc.

- Pode entrar - murmuro.

A porta se abre devagar e Maria, nossa governanta, ou melhor, o anjo da guarda que sobrou ao meu lado, surge com os olhos úmidos e o sorriso terno.

- Querida Catarina, o carro já aguarda pela senhorita - diz com aquela voz calma, de quem aprendeu a ser colo em dias de tempestade. - Está linda, minha princesa.

Sorrio, mas é um sorriso cansado.

- Obrigada, Maria...

Ela se aproxima, ergue a mão enrugada e encosta de leve no meu rosto. Aquele toque... tem mais amor do que qualquer gesto que recebi da minha mãe nos últimos três anos.

- Não fique triste - sussurra. - Ele vai estar lá.

Os olhos ardem e o peito aperta.

- Eu sei, Maria - respondo com um fio de voz, tentando não chorar. - Eu sei...

Mas a verdade é que não sei. Que parte de mim ainda grita em silêncio: "por que você me deixou?". Não há um só dia em que eu não volte para aquele momento. Aquele instante sombrio antes de tudo desmoronar.

A gente discutiu. Uma briga boba. Eu queria sair com minhas amigas naquela noite, ele disse que estava preocupado, que era tarde, que havia previsão de tempestade.

Eu disse coisas horríveis. Fui cruel. Injusta. Impulsiva, fechei a porta com força e ele saiu. Para nunca mais voltar.

A ligação chegou horas depois. E desde então, tenho vivido nessa prisão de arrependimento que nenhum diploma, festa ou cerimônia será capaz de apagar.

Meu pai morreu achando que eu o odiava. E isso... isso me consome um pouco todos os dias.

Desço até a cozinha, e o cheiro das panquecas de mirtilo que Maria preparou, as minhas favoritas, me arranca um suspiro. É como um carinho silencioso, uma tentativa de conforto em meio à dor.

- Maria... - murmuro, sentando-me à mesa.

Ela se apressa em me servir, o rosto gentil, sempre tentando manter a rotina viva.

- Pedi para Lohany fazer aquelas panquecas com mirtilos que você adora - diz, ajeitando o guardanapo ao meu lado.

- Obrigada - respondo. Mas não como. Não sinto fome, só saudade.

- Onde está a mamãe?

O silêncio pesa no ar. O rosto de Maria se entristece, mas ela não hesita.

- Ela disse que precisava de um tempo. Disse que vai tentar chegar a tempo da cerimônia.

Tento não reagir. Tentei tantas vezes não me importar, mas a dor sempre volta.

- Ela não vem, não é? - pergunto, encarando a mulher que, apesar de não ser minha mãe, é quem secou minhas lágrimas por tantas noites.

Maria respira fundo, se senta ao meu lado e segura a minha mão.

- Não sei, querida. Mas sei que você não está sozinha. Nunca esteve. Ele... - ela olha para cima, com os olhos marejando, - ele vai estar com você. Eu sinto isso.

Fecho os olhos e deixo uma lágrima escorrer.

- É tão difícil, Maria. Tão difícil carregar esse vazio. Às vezes, parece que ele vai me engolir inteira.

- Mas você é mais forte do que imagina. E seu pai sabia disso. Foi por isso que te amou tanto. Ele via em você o que ninguém mais via.

Soluço.

Me agarro a ela, como se fosse o único pilar que me sustenta.

- Eu só queria mais um dia com ele - confesso. - Só um.

- Ele está em tudo o que você faz, Catarina. Em cada passo que você dá. Você está realizando o sonho dele. Hoje... é por vocês dois.

Assinto. Porque é tudo o que posso fazer.

✦ ✦ ✦

Na porta da escola, flashes, risos, euforia. Mas dentro de mim, um vendaval.

Vestido azul, sapato novo, cabelos presos em um coque simples. Mas o rosto... o rosto de quem perdeu mais do que pode dizer.

- Cat! - grita Nina, minha melhor amiga, se aproximando com os braços abertos.

Ela me abraça forte, girando-me no ar, como se quisesse me arrancar do abismo só com sua alegria. Nina foi o raio de sol que surgiu no inverno mais sombrio da minha vida. Vinda da Rússia, cheia de opiniões, sarcasmo e coração enorme, ela me acolheu com mais lealdade do que qualquer pessoa da minha família.

- Nervosa? - pergunta ela, me empurrando levemente pelos ombros.

- Um pouco... Muito. Sei lá.

- Você vai arrasar. E eu vou estar lá, gritando feito uma doida quando chamarem seu nome.

- E a sua bolsa para Harvard? - pergunto, mudando de assunto.

- Foi aprovada e a sua?

Sorrio pela primeira vez com verdade.

- Também.

Ela grita, me abraça de novo, e juro que por um segundo, sinto ele ali. Meu pai, sorrindo junto comigo e orgulhoso.

Hoje é por ele.

Hoje é por mim.

Hoje é o começo de uma nova história.

Mas, mesmo com o diploma nas mãos e o mundo me esperando... Sempre haverá um espaço dentro de mim onde ele ainda vive.

E é nesse espaço, sagrado e intocável, que vou carregar meu pai... Para sempre.

Capítulo 3 Quando Ela Chegou

Três anos atrás

Catarina Spinola nunca esqueceria aquele dia.

O céu estava absurdamente azul, o ar era leve, mas dentro do peito dela... uma tempestade.

Seu primeiro dia na nova escola. Um recomeço, ou pelo menos, era o que todos insistiam em dizer. Mas ninguém sabia como era recomeçar carregando um luto que ainda tinha cheiro, voz, risos... e dor.

Ela saiu do carro com passos firmes, apesar das mãos trêmulas, apertando os livros contra o peito como se eles pudessem proteger o que restava de seu coração. Sorriu para Albert, o motorista de seu pai, que ainda insistia em levá-la todos os dias, mesmo após a morte de Pietro. Ele era mais do que um funcionário, era uma espécie de anjo disfarçado de homem grisalho, que sabia quando não dizer nada.

- Boa sorte, senhorita Catarina - disse ele, com um sorriso que tentava esconder a compaixão.

- Obrigada, Albert. Volto às 16h. Pode ficar tranquilo.

Ela respirou fundo e seguiu pelos corredores.

Foi quando, num piscar de olhos, uma garota esbarrou em seu ombro com a força de um furacão, quase derrubando os livros que ela segurava.

- Des-desculpa! Mas eu preciso correr! - disse a morena, sem sequer parar. Seus cabelos negros voaram atrás de si como bandeiras de liberdade.

Catarina piscou, confusa, e murmurou:

- Que maluca... - mas sorriu, porque pela primeira vez em dias, algo dentro dela pareceu... desperto.

Ao chegar à secretaria, Catarina congelou por um instante ao vê-la de novo. A mesma morena estava discutindo de forma tão determinada com a secretária que até a coordenadora Clarice havia sido chamada. O assunto? A troca de turma.

- Por favor, senhorita Clarice! Eu preciso estar na turma 365. A professora Manuela é minha inspiração. Eu li todos os artigos dela, já fiz resenhas, debates online... eu até fiz uma tatuagem com uma das frases dela! - insistia a garota, com olhos grandes, suplicantes.

Catarina quase riu. Ela era tão intensa que hipnotizava qualquer um.

- Senhorita Sanchez... - começou Clarice, exasperada. - Normalmente não fazemos alterações em turmas recém-formadas.

- Mas eu não sou normal, senhora Clarice. Sou uma aspirante a psicóloga com TOC por planejamento e paixão descontrolada por mulheres inteligentes! A senhora não pode negar isso a mim!

A coordenadora lançou um olhar para a jovem e, diante da cena inusitada, soltou um suspiro resignado.

- Tudo bem. Você está na 365. Só espero não me arrepender.

- Eu vou te dar orgulho, Clarice! Prometo! - respondeu a morena, animada, já se virando para sair. E então seus olhos bateram nos de Catarina.

- Ei! Você de novo! A menina que eu quase derrubei no corredor - disse com um sorriso tão largo que desarmaria qualquer bomba. - Desculpa mesmo. Eu fico meio... exaltada.

- Percebi - respondeu Catarina, sorrindo.

- Nina Sanchez. Vinda direta da Espanha, com escala em Boston e objetivo final: Harvard, baby.

Catarina riu. Não teve escolha.

- Catarina Spinola. Boston mesmo. Objetivo final: também Harvard. Psicologia.

Nina arregalou os olhos e gritou como se tivesse ganhado na loteria.

- Mentira! Jura?! Ai meu Deus, isso é o destino! - ela agarrou Catarina pelo braço. - Você é da 365 também, né? Claro que é, olha só como o universo age! Bora ver nossos horários, Cat?

- Cat?

- Sim, vou te chamar assim agora. E você pode me chamar de Nina. Mas só se quiser, tá? Ou pode me chamar de Furacão também. Aceito apelidos intensos.

Catarina gargalhou. Ela não sabia, mas naquele instante, seu mundo começou a se iluminar outra vez.

Era o início de algo raro. Forte. Inabalável.

Uma amizade que suportaria tudo.

✦ ✦ ✦

Dias atuais

Quarto de Catarina – Tarde da formatura

- Nem invente de desistir de ir com aquele vestido, Catarina Spinola! - Nina exclamou, jogando-se teatralmente sobre a cama da amiga.

- Nina, pelo amor de Deus... aquele vestido é... revelador demais! - respondeu Catarina, sentando-se na beirada da cama, abraçando o urso de pelúcia que ganhou do pai aos oito anos.

- Exatamente por isso que você vai com ele! - Nina se levantou num pulo e ficou diante da amiga com os braços cruzados, como uma general prestes a comandar a batalha. - Amiga... você tem um corpo que as deusas gregas invejam. E esse vestido... meu amor... vai causar colapso cardíaco coletivo!

- Nina! - disse Catarina, corando violentamente. - Você tá impossível hoje!

- Impossível, não. Realista! - disse se sentando ao lado dela. - Quando o Sam te ver com aquele vestido, ele vai se jogar no chão. Talvez até desmaie, ou peça você em casamento.

Catarina a encarou completamente corada.

- Meu Deus, para!

- Tá bom, tá bom. - levantou as mãos como quem se rende. - Mas posso te falar? Eu vejo como ele te olha. Como um cachorrinho apaixonado.

- Eu gosto do Sam, mas como amigo. Só isso.

Nina fez uma careta dramática e se jogou novamente na cama.

- Sei... isso tudo por causa de um certo moreno de olhos castanhos e sorriso devastador...

Catarina travou. Ela sabia exatamente de quem Nina estava falando.

- Nina! - sussurrou, num tom de alerta. - Fala baixo!

Ela gargalhou, pegando o ursinho das mãos da amiga.

- Ah, Christopher! - disse com voz melosa, abraçando o urso. - Me beije, por favor! Eu sou louca por você e preciso que me beije ardentemente!

Catarina arregalou os olhos e cobriu o rosto com as mãos.

- NINA! Para! Isso é vergonhoso!

- Esse seu bumbum na calça social me deixa louca! - continuou com uma voz caricata e teatral.

- Eu vou morrer! - Catarina ria, vermelha como um tomate, segurando a barriga.

- Amiga, olha pra mim. - Nina se sentou mais uma vez e segurou as mãos da loira. - Agora falando sério. Ele te olha diferente. Não é coisa da minha cabeça. Até a Maria já percebeu!

- Meu Deus, Maria também? - ela sussurrou em pânico.

- Sim. E vou te dizer uma coisa: se ele não te notar hoje, com aquele vestido, nessa formatura... ele é cego.

Catarina mordeu os lábios. Seu coração acelerava toda vez que ouvia o nome de Christopher. Era inevitável.

- Eu não sei, amiga... - murmurou. - Ele sempre me viu como uma criança. Como a afilhada do amigo. E eu... sou só uma garota perto dele.

- É aí que você se engana. Você é uma mulher incrível. Forte. Sensível. Inteligente. E você merece ser vista.

Nina se levantou, esticou a mão para Catarina e disse com um sorriso cúmplice:

- Agora vamos. Temos um salão nos esperando e uma noite para brilhar.

- Eu não sei o que seria da minha vida sem você, Nina - disse Catarina, levantando-se e abraçando a amiga.

- Seria uma vida entediante, claramente - respondeu com um sorriso travesso. - Mas comigo, querida... é só o começo do espetáculo.

E assim, de mãos dadas, as duas desceram as escadas. Uma noite inteira as esperava.

Mas nenhuma delas imaginava que aquele seria o começo de algo que mudaria tudo para sempre.

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