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O Véu Do Destino: A Mulher Do CEO

O Véu Do Destino: A Mulher Do CEO

Autor:: Vania Grah
Gênero: Romance
Raniele, uma jovem determinada e dedicada, nunca poderia imaginar que um simples escorregão na empresa em que trabalha poderia levar a uma reviravolta emocionante em sua vida. No momento em que ela menos espera, seu destino cruza com o do enigmático CEO da empresa, Uziel Moura, quando ele desliza sobre o piso molhado e caí diretamente sobre ela. Esse encontro desastrado é apenas o começo de uma história cheia de surpresas e emoções. Apesar do primeiro impacto, Raniele fica desconfiada das verdadeiras intenções de Uziel, especialmente devido aos rumores que circulam entre os funcionários sobre seu estilo de vida e personalidade. No entanto, à medida que o tempo passa, Uziel revela um lado surpreendentemente encantador e genuíno. Ele se interessa genuinamente por Raniele, mostrando uma atenção e cuidado que vão além de qualquer expectativa. Conforme os dois se aproximam, Raniele descobre uma nova faceta do CEO e percebe que ele é muito mais do que os boatos sugerem. Enquanto lidam com as adversidades do mundo corporativo e lutam contra as fofocas e desconfianças, Raniele e Uziel embarcam em um romance inesperado e apaixonante. Eles aprendem a confiar um no outro, superando obstáculos profissionais e pessoais, provando que o amor verdadeiro pode surgir nos lugares mais improváveis. "O véu do destino: A mulher do CEO" é uma história repleta de reviravoltas, romance e superação. Nesta envolvente trama, Raniele descobre que às vezes é preciso arriscar-se e confiar no inesperado para encontrar a verdadeira felicidade e um amor capaz de transformar vidas.

Capítulo 1 Vergonha-Alheia

.。.:*✧Raniele✧*:.。.

Acordo de manhã cedo, pronta para começar o dia de trabalho na empresa em que eu trabalhava. No entanto, percebo que meu irmão Davi ainda está na cama, aparentemente relutante em se levantar. Com o tempo limitado e ciente das regras rígidas de pontualidade na empresa, sinto minha paciência se esgotando.

Decidida a garantir que não chegarei atrasada, me aproximo dele e, com um pouco de frustração, dou um leve pontapé na perna dele, na esperança de que ele acorde rapidamente. Davi resmunga, tentando ignorar meu chamado, e eu começo a expressar minha insatisfação com a situação.

Argumento com ele, lembrando-o de que bebeu demais na noite anterior e como isso pode prejudicar seu compromisso comigo. Explico que não posso atrasar, pois isso poderia impactar negativamente minha reputação na empresa. Nossa discussão esquenta um pouco, mas meu objetivo principal é incentivá-lo a se levantar e me levar ao trabalho, mesmo com sua resistência inicial.

Enquanto conversamos, percebo que Davi começa a entender a importância da minha situação. Ele finalmente cede e levanta da cama, assumindo a responsabilidade de me acompanhar até o trabalho. Agradecendo-lhe pela cooperação, nos apressamos para nos preparar e sair de casa a tempo.

Embora nossa interação possa ter sido tensa, sei que, no fundo, meu irmão se preocupa comigo e entende a importância da pontualidade em minha carreira. Espero que, no futuro, possamos evitar situações semelhantes, trabalhando juntos para manter uma rotina mais equilibrada e garantindo que cada um cumpra suas obrigações sem conflitos desnecessários.

- Raniele, ouvi alguns boatos preocupantes sobre o novo dono da empresa em que você trabalha. Aparentemente, ele é um verdadeiro carrasco e não tem piedade com os funcionários. Eu realmente acho que seria melhor você pedir demissão e procurar outro emprego antes que as coisas piorem.

- Davi, entendo suas preocupações, mas não acho que seja necessário tomar uma decisão tão drástica. Primeiro, gostaria de deixar claro que o setor em que trabalho é completamente diferente do setor que supostamente está sofrendo com o novo dono. Não tenho informações concretas sobre o comportamento dele em relação aos funcionários.

- Mas, Raniele, é arriscado ficar em uma empresa com um dono tão autoritário. E se a situação se espalhar por toda a empresa? E se você acabar sendo afetada indiretamente?

- Compreendo sua preocupação, Davi, mas até agora meu trabalho tem sido bom, meu desempenho tem sido reconhecido e minha equipe é muito unida. Além disso, tenho um relacionamento próximo com meus superiores e acredito que, se houver algum problema, eles estarão dispostos a ouvir e tomar medidas adequadas.

- Eu só não quero ver você passando por dificuldades por causa desse novo dono. E se ele começar a impor metas impossíveis ou adotar práticas injustas?

- Se isso acontecer, Davi, estarei pronta para agir e proteger meus interesses. Tenho confiança nas minhas habilidades e sei que posso encontrar soluções caso algo negativo aconteça. Além disso, estou aberta a explorar outras oportunidades se a situação realmente piorar. Por enquanto, não quero tomar decisões precipitadas sem ter mais informações concretas.

- Bem, eu só quero o melhor para você, Raniele. Prometa-me que vai ficar de olho na situação e, se sentir que está em risco, considerará seriamente sair da empresa.

- Prometo, Davi. Agradeço por se preocupar comigo. Estou ciente dos possíveis riscos e vou avaliar constantemente a situação. Se chegar a um ponto em que eu sinta que minha segurança ou bem-estar estão ameaçados, não hesitarei em tomar medidas para proteger-me. Por enquanto, vamos nos manter focados e esperar que os boatos não se confirmem.

Meu irmão, Davi, sempre foi uma figura protetora na minha vida. Ele assumiu a responsabilidade de cuidar de mim quando nossa mãe nos abandonou e nosso pai faleceu quando eu tinha apenas um ano de idade. Desde então, ele se tornou meu porto seguro, meu guardião.

Ao longo dos anos, Davi abriu mão de muitas coisas para se dedicar a mim. Ele deixou os estudos de lado para trabalhar e garantir que não faltasse nada em nossa vida. Ele abraçou a responsabilidade de ser um pai e um irmão mais velho para mim.

Agora, eu já era uma adulta capaz de cuidar de mim mesma, mas Davi continuava a se preocupar profundamente com o meu bem-estar. Ele não conseguia deixar de ficar de olho em mim, garantindo que eu estivesse segura e feliz.

Após meu irmão Davi me deixar na empresa, senti um alívio momentâneo. Apressada para entrar, estava disposta a começar o dia de trabalho sem contratempos. No entanto, assim que coloquei o pé dentro do prédio, minha confiança foi abalada.

Sem perceber, pisei em um piso liso que havia sido recentemente molhado. Meus pés escorregaram rapidamente, e minha tentativa desesperada de me equilibrar foi em vão. Acabei perdendo o equilíbrio completamente e fui ao chão de forma desajeitada.

O impacto com o piso me deixou tonta por um momento, e antes que pudesse me recuperar completamente, senti o peso de outra pessoa caindo sobre mim. Meu coração acelerou e uma onda de desespero tomou conta de mim. Eu não fui a única que não viu o aviso de piso molhado.

Tentando controlar minha ansiedade, levanto a cabeça para ver quem caiu em cima de mim. Meus olhos se encontraram com os olhos mais cativantes que já vi na vida. Eram olhos azuis profundos, que capturaram minha atenção instantaneamente. Era um homem robusto, com cabelos loiros e trajando um elegante terno preto.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se levantou apressadamente e saiu de perto de mim, sem nem ao menos me oferecer ajuda para levantar. Fiquei surpresa e um pouco indignada com sua atitude. Passei a vê-lo como um homem mal-educado, alguém que parecia se importar apenas consigo mesmo.

Fiquei parada por um momento, observando-o se afastar rapidamente, com uma expressão de frustração no rosto. Eu não sabia quem ele era ou o motivo de sua pressa, mas sua reação me deixou com uma sensação de desapontamento. Eu esperava um mínimo de cortesia e consideração, especialmente depois do ocorrido.

Sacudi a poeira imaginária das minhas roupas e respirei fundo, tentando deixar de lado o desconforto causado por essa breve interação. Embora intrigada com a sua reação, decidi que não valia a pena gastar minha energia pensando nele.

Com determinação, reuni minha coragem e aceitei a ajuda das pessoas ao meu redor para me levantar. Agradeço a gentileza dos colegas que se aproximaram para oferecer auxílio, deixando claro que apesar do incidente, eu não permitiria que isso abalasse meu dia.

Enquanto sigo meu caminho para cumprir minhas obrigações na empresa, deixo para trás aquele encontro breve e estranho. Embora suas ações possam ter me deixado com uma impressão negativa, não deixarei que isso afete minha confiança e meu profissionalismo. Opto por focar nas pessoas amáveis e solidárias que encontro todos os dias e no trabalho que tenho pela frente.

Capítulo 2 Vexame

.。.:*✧Uziel ✧*:.。.

Naquela manhã, meus pés traíram minha confiança e escorregaram no chão molhado. Meu corpo perdeu o equilíbrio e, acabei caindo em cima de uma das minhas funcionárias que também havia caído naquele piso molhado. Um momento de pura vergonha e constrangimento se desenrolou diante dos nossos olhos.

Ao cair por cima dela, pude sentir meu coração acelerar como um tambor em uma batida descompassada. O susto e a surpresa se espalharam pelo meu rosto, enquanto tentava recuperar a compostura. Olhei para os olhos dela, que refletiam o mesmo espanto e embaraço que eu sentia naquele instante.

Sem tempo para recuperar a dignidade perdida, imediatamente me levantei do chão, com uma agilidade quase desesperada, e comecei a me afastar da situação constrangedora. Minhas pernas pareciam mover-se por vontade própria, impulsionadas por uma mistura de nervosismo e vergonha excessiva.

Sem olhar para trás, caminhei apressadamente em direção ao elevador. Cada passo era um lembrete doloroso daquele episódio embaraçoso. A mente girava em torno das palavras não ditas e das ações desajeitadas que agora me assombravam. A vontade de desaparecer dava lugar à esperança de que o chão pudesse se abrir e me engolir, poupando-me de qualquer olhar julgador.

Assim que cheguei ao elevador, meus dedos ansiosos pressionaram o botão de chamada repetidamente, como se a rapidez do transporte pudesse me levar para longe daquele momento constrangedor. As portas se abriram e entrei, solitário e aliviado por deixar para trás aquela cena vexatória.

Enquanto o elevador subia, minha mente voltava repetidamente ao encontro desastroso. A vergonha ainda pairava sobre mim, como um manto pesado que parecia não ter fim. Prometi a mim mesmo que tomaria precauções extras para evitar futuras situações embaraçosas, mas, por enquanto, o episódio permaneceria como uma memória dolorosa e inesquecível.

- Eu deveria ter ajudado ela. Agora é tarde e todos viram o que aconteceu. - resmunguei sozinho.

Quando as portas do elevador se abriram, eu não perdi tempo e segui direto para o meu escritório, desejando deixar para trás o constrangimento que havia acontecido momentos antes. No entanto, assim que entrei, minha secretária se aproximou com um ar profissional e começou a me informar sobre as reuniões agendadas para aquela manhã.

Ainda tomado pela vergonha e pelo desconforto, acabei sendo abrupto e grosseiro com ela, interrompendo-a no meio de suas explicações. Minhas palavras saíram com uma tonalidade áspera e impaciente, enquanto eu ordenava que ela saísse da minha sala. Percebi o olhar surpreso e magoado em seus olhos, mas meu orgulho ferido não me permitiu voltar atrás naquele momento.

Assim que ela obedeceu ao meu pedido e deixou a sala, um sentimento avassalador de remorso e arrependimento tomou conta de mim. Eu me senti como o pior dos seres humanos, incapaz de controlar minhas emoções e agindo de forma tão desrespeitosa com uma pessoa que merecia o meu respeito e consideração.

Sentei-me em minha cadeira, olhando para o vazio à minha frente, enquanto refletia sobre a sequência de eventos desafortunados que haviam ocorrido naquela manhã. A queda, o encontro desajeitado com minha funcionária e agora a grosseria injustificada com minha secretária, tudo parecia uma cascata de erros e atitudes lamentáveis.

Com a consciência pesada, percebi que precisava lidar com essa situação. Levantei-me da cadeira e caminhei em direção à porta do escritório, decidido a me desculpar com minha secretária e admitir meu comportamento inaceitável. Afinal, ninguém merecia ser tratado dessa forma, especialmente alguém que trabalhava ao meu lado e merecia respeito.

Prometi a mim mesmo que aprenderia com aquela experiência e faria o possível para reparar os danos causados por meu ego ferido. Embora a vergonha ainda permeasse meu ser, eu estava determinado a transformar aquela manhã de humilhação em uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional.

Bati suavemente na porta da sala da minha secretária.

- Desculpe-me por interromper, posso entrar?

- Claro, por favor, entre. - respondeu.

Entrei na sala e fechei a porta.

- Quero me desculpar sinceramente pelo meu comportamento anterior. Fui grosseiro e injusto com você, e não há desculpas para isso. Estava lidando com uma manhã complicada e acabei descontando em você, o que foi totalmente inadequado. Peço desculpas.

- Eu entendo, senhor Moura. Todos temos dias difíceis e momentos em que não conseguimos controlar nossas emoções. Não levei para o lado pessoal, sei que não costuma agir assim.

- Agradeço por sua compreensão, mas isso não justifica meu comportamento. Você merece respeito e profissionalismo, independentemente das circunstâncias. Estou envergonhado por ter sido rude e gostaria de garantir que isso não acontecerá novamente.

- Sei que o senhor é uma pessoa justa e considerada. Tenho certeza de que isso foi apenas um momento isolado de estresse. Todos cometemos erros. Estou aqui para apoiá-lo e entender que todos temos nossos momentos difíceis.

De volta ao meu escritório, respirei fundo e me preparei para enfrentar o restante do dia de trabalho. A aquisição daquela empresa na indústria farmacêutica tinha sido um desafio maior do que eu poderia imaginar. Enquanto me acomodava na minha cadeira, a consciência pesada pesava em meus ombros.

Aos poucos, os murmúrios e cochichos dos funcionários que circulavam pela empresa começaram a ecoar nos corredores. Eu sabia que muitos comentavam sobre minha postura mais rígida e exigente desde que assumi a liderança. Era difícil não ouvir as palavras e os olhares carregados de descontentamento. A fofoca se espalhava como um rastro de fumaça, deixando-me ciente do desconforto que minha atitude estava causando.

Enquanto observava a porta do meu escritório, uma mistura de emoções me dominava. Sentia a pressão de equilibrar a necessidade de fazer as mudanças necessárias na empresa com o desejo de ser um líder respeitado e bem-visto pelos meus colaboradores. Era um jogo delicado, onde eu precisava estabelecer limites e garantir que as regras fossem seguidas, ao mesmo tempo, em que buscava manter um ambiente de trabalho saudável e motivador.

Por vezes, questionava-me se estava sendo muito duro ou se minhas expectativas eram demasiadas. Mas, no fundo, sabia que o futuro da empresa dependia de uma gestão eficaz e decisões assertivas. Aqueles funcionários que não seguiam as regras prejudicavam a produtividade e comprometiam a qualidade dos nossos produtos, e eu não podia permitir que isso continuasse.

No entanto, a repercussão das minhas atitudes estava me afetando. A preocupação de ser mal compreendido e julgado me assombrava. Eu precisava encontrar um equilíbrio entre ser um líder firme e respeitado, e também ser um gestor que escutava e entendia as preocupações da equipe.

Decidi que era hora de refletir sobre minhas abordagens e encontrar maneiras de melhorar a comunicação e o relacionamento com meus funcionários. Sabia que a transparência e a empatia eram ingredientes-chave para conquistar o respeito e a confiança da equipe.

Enquanto o dia seguia, comprometi-me a trabalhar não apenas para alcançar os resultados esperados, mas também para construir um ambiente em que todos se sentissem valorizados e motivados. Estava disposto a provar que minhas intenções eram positivas e que, no final, o sucesso da empresa e o bem-estar dos funcionários caminhavam lado a lado.

Com esse pensamento em mente, respirei fundo novamente, levantei-me e voltei minha atenção para as tarefas que aguardavam a minha atenção. Era hora de agir e demonstrar que meu compromisso com a empresa ia além das expectativas e rumores.

Capítulo 3 Desconforto

.。.:*✧Raniele ✧*:.。.

Quando finalmente encerrou meu expediente de trabalho, notei que meu irmão já me esperava pacientemente do lado de fora do prédio. Assim que saímos juntos, seguimos em direção à nossa casa. No entanto, algo me incomodava: eu sentia um desconforto pulsante em meus joelhos devido ao escorregão que sofri mais cedo, quando pisei no chão molhado.

Caminhávamos lado a lado, observando as luzes da cidade que começavam a ganhar vida com o cair da noite. A brisa suave acariciava nossos rostos, enquanto eu tentava disfarçar o incômodo nos meus joelhos. O ritmo tranquilo da caminhada nos permitia aproveitar a companhia um do outro, compartilhando histórias e pequenas piadas para aliviar a tensão.

A cada passo, eu sentia uma pontada de dor, lembrando-me do incidente no chão molhado. Meus joelhos pareciam frágeis e sensíveis, exigindo cautela a cada movimento. Eu tentava disfarçar o desconforto, mantendo um sorriso no rosto, mas meu irmão, sempre atento, percebia minha expressão levemente tensa. Bateu um arrependimento por não ter pedido que ele viesse de carro. É que costumávamos caminhar sempre que possível juntos.

Enquanto seguimos nosso caminho, ele colocou sua mão gentilmente em meu ombro, transmitindo apoio e compreensão. Era reconfortante saber que ele estava ali ao meu lado, disposto a me ajudar a superar esse pequeno obstáculo. Suas palavras de encorajamento ecoaram em meus ouvidos, fazendo com que eu me sentisse protegida e amparada.

Juntos, chegamos em casa e, assim que entrei pela porta, sentei-me no sofá, aliviada por poder finalmente descansar meus joelhos cansados. Meu irmão trouxe uma almofada para meus pés, oferecendo um suporte adicional ao meu desconforto.

Enquanto eu me acomodava, senti uma imensa gratidão pela presença reconfortante do meu irmão. Sua preocupação e cuidado evidenciaram o laço especial que compartilhamos como irmãos. Mesmo com os joelhos doloridos, eu sabia que poderia contar com ele para enfrentar qualquer desafio que a vida nos apresentasse.

- Ei, Raniele, preciso te contar uma coisa que aconteceu hoje no trabalho. Acredite se quiser, sua amiga Ísis começou a trabalhar na mesma empresa que eu!

- Sério? Isso é surpreendente! Eu não esperava que ela fosse trabalhar em um ambiente tão diferente, especialmente considerando que ela sempre foi um pouco frágil para atividades em obras de construção.

A paixão da minha amiga pelo meu irmão já se tornou uma obsessão.

- Eu também fiquei chocado quando a vi lá. Mas parece que ela está determinada a provar que pode lidar com isso. Admito que fiquei um tanto preocupado no início, mas acredito que ela queira mostrar seu potencial.

Meu irmão era mesmo um bobo. Ísis queria mostrar outras coisas para ele e não seu potencial em um trabalho pesado.

- Hmm, você acha mesmo? Sabe, Davi, acho que tem algo mais nessa história. A Ísis sempre foi uma pessoa que faz de tudo para chamar atenção, principalmente a sua.

- O quê? Não, Raniele, não é nada disso. Vejo a Ísis como uma irmãzinha. Talvez ela só queira provar a si mesma e encontrar um novo desafio.

- Ela ama você, porém, você se faz de bobo. Davi, ela é enlouquecida por você. Vocês formariam um belo casal...

- Não sei de onde você tira isso, minha irmã. Uma menina como ela tem que ficar com alguém da idade dela. Tenho trinta e sete anos, esqueceu por acaso?

- E daí? Ela tem minha idade, vinte e seis! Vai morrer solteirão, Davi? Deveria se sentir orgulhoso de uma mulher como ela ter interesse em você que é tão rustico.

- Vou preparar nosso jantar.

Davi disse que precisava preparar o jantar e, de repente, mudou de assunto, interrompendo a conversa que tanto me intrigava. Confesso que não entendia por que ele se segurava tanto em relação à Ísis, especialmente considerando o interesse que ela demonstrava por ele há tanto tempo. Eu sentia uma curiosidade genuína para descobrir o que Davi realmente sentia por ela.

Eu o observei enquanto ele se afastava em direção à cozinha, parecendo um pouco desconfortável com a situação. Seus olhos evitavam o contato com os meus, e isso só aumentava minha suspeita de que havia algo mais a ser revelado.

Com uma mistura de frustração e curiosidade, decidi seguir Davi até a cozinha, determinada a obter respostas. Encontrei-o mexendo em panelas, tentando disfarçar seu nervosismo. Respirei fundo antes de começar a falar.

- Davi, sei que você tentou mudar de assunto, mas não consigo evitar essa sensação de que há algo que você não está me contando sobre a Ísis. Ela está interessada em você há tanto tempo, e eu gostaria de saber de verdade o que você sente por ela.

Davi parou por um momento, seus olhos encontraram os meus e pude ver uma mistura de emoções passando por seu rosto. Ele soltou um suspiro antes de finalmente responder.

- Raniele, pode parar com isso? Não sinto nada pela sua amiga! Odeio quando você se intromete assim na minha vida.

- Eu não acredito que você não sinta nada. Se você for gay, meu irmão, pode me contar. Não vou julgá-lo e vou te dar meu apoio.

- Gay? Eu não sou gay! Vai cuidar da sua vida!

Após desistir de tentar arrancar a verdade dos sentimentos do meu irmão em relação à minha amiga, saí frustrada da cozinha e segui para o meu quarto. Precisava de um momento de tranquilidade para colocar meus pensamentos em ordem. Assim que entrei, fechei a porta atrás de mim e me deixei cair na cama, sentindo o colchão macio abaixo de mim.

Fechei os olhos, buscando um alívio momentâneo na escuridão suave que se formou. No entanto, meu cérebro teimoso não conseguia deixar de relembrar o loiro idiota que havia caído em cima de mim na empresa. Xinguei-me mentalmente por permitir que aquele incidente invadisse meus pensamentos.

Suspirei profundamente, tentando afastar aquelas memórias indesejadas. Afinal, por que eu estava pensando nele? Ele era apenas um estranho que cruzou meu caminho e causou um pequeno desastre. Não havia razão para ocupar minha mente com aquele incidente constrangedor.

Tentei redirecionar meus pensamentos para algo mais produtivo. Pensei nas atividades que eu gostava, nas minhas metas pessoais e nos projetos em que estava envolvida. Era hora de me concentrar em coisas positivas, deixando para trás aqueles momentos embaraçosos.

Respirei fundo novamente, sentindo minha mente se acalmar aos poucos. Eu estava decidida a não permitir que pensamentos irrelevantes e pessoas inoportunas roubassem minha paz interior. Levantei-me da cama com uma nova determinação, pronta para enfrentar o que viesse pela frente.

Saí do meu quarto e decidi me concentrar nas coisas que realmente importavam: minha família, meus amigos e meus próprios sonhos. Afinal, minha vida estava repleta de possibilidades e experiências muito mais significativas do que encontros fortuitos com estranhos loiros.

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