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O Vazio Que Ele Deixou

O Vazio Que Ele Deixou

Autor:: Blue
Gênero: Moderno
Acordei com cheiro a desinfetante e um vazio na barriga. Onde estava o meu bebé? Onde estava o Leo? A enfermeira confirmou a reação alérgica. O médico anunciou: "Perdemos o bebé." O mundo desabou. No Instagram, a verdade cruel: o Leo com a Sofia, rindo na festa dela. No suposto "negócio", ele encomendou o marisco que quase me matou. Ele chegou exigindo saber o que eu "fizera", culpando-me. «O bebé morreu, Leo», disse. A sua fúria esvaiu-se ao revelar Sofia e a sua traição. A sogra Helena ligou, acusando-me, defendendo "acidentes" e "outros filhos". Desliguei, em chamas de raiva. Como fui tão cega? Enquanto eu sufocava, ele celebrava com a amante no mesmo prédio. Meu filho perdido doía, mas a traição e a crueldade eram um veneno. Queria ele a minha morte e a do bebé? Não havia lágrimas, só determinação. Arranquei o soro. «Clara, preciso de ajuda.» Eu queria justiça. O melhor advogado faria o Leo pagar por cada segundo. A Ana frágil morreu. Nasceu uma mulher que o faria arrepender-se.

Introdução

Acordei com cheiro a desinfetante e um vazio na barriga.

Onde estava o meu bebé? Onde estava o Leo?

A enfermeira confirmou a reação alérgica.

O médico anunciou: "Perdemos o bebé."

O mundo desabou.

No Instagram, a verdade cruel: o Leo com a Sofia, rindo na festa dela.

No suposto "negócio", ele encomendou o marisco que quase me matou.

Ele chegou exigindo saber o que eu "fizera", culpando-me.

«O bebé morreu, Leo», disse.

A sua fúria esvaiu-se ao revelar Sofia e a sua traição.

A sogra Helena ligou, acusando-me, defendendo "acidentes" e "outros filhos".

Desliguei, em chamas de raiva.

Como fui tão cega?

Enquanto eu sufocava, ele celebrava com a amante no mesmo prédio.

Meu filho perdido doía, mas a traição e a crueldade eram um veneno.

Queria ele a minha morte e a do bebé?

Não havia lágrimas, só determinação.

Arranquei o soro.

«Clara, preciso de ajuda.»

Eu queria justiça.

O melhor advogado faria o Leo pagar por cada segundo.

A Ana frágil morreu.

Nasceu uma mulher que o faria arrepender-se.

Capítulo 1

Acordei com o cheiro de desinfetante e o som de um bip constante.

Uma luz branca e fria feria os meus olhos, e eu senti um vazio estranho e oco na minha barriga.

O meu bebé. Onde estava o meu bebé?

Tentei sentar-me, mas uma dor aguda atravessou o meu corpo. Uma enfermeira entrou a correr.

"Calma, menina Ana. Não se esforce. A senhora teve uma reação alérgica muito grave."

A voz dela era suave, mas as palavras eram pesadas.

"O meu marido," consegui dizer, com a garganta seca. "O Leo. Ele está aqui?"

A enfermeira evitou o meu olhar, o que já era uma resposta.

"Tentámos contactá-lo várias vezes. O seu telemóvel está desligado."

O meu coração, que eu pensava já estar partido, afundou-se ainda mais.

Lembrei-me da noite anterior. O jantar que o Leo encomendou para mim, dizendo que tinha uma reunião de trabalho de última hora.

"É o teu restaurante favorito, amor. Pedi o prato do costume."

O prato do costume não tinha marisco. Eu era mortalmente alérgica a marisco. O Leo sabia disso melhor que ninguém.

Lembrei-me da primeira garfada, do sabor estranho, da minha garganta a fechar-se.

Liguei-lhe. Uma, duas, dezoito vezes. Cada chamada ia para o correio de voz.

A última coisa de que me lembro é de rastejar até à porta e de a abrir, antes de tudo ficar preto. A minha vizinha, a Dona Elvira, encontrou-me. Foi ela que chamou a ambulância.

Não o meu marido.

Um médico entrou no quarto, com uma expressão séria. Ele olhou para os meus exames e depois para mim.

"Senhora Ana, conseguimos estabilizá-la. A reação foi severa, mas a senhora vai recuperar."

Ele fez uma pausa.

"Mas lamento informar. Devido ao choque anafilático e à falta de oxigénio... perdemos o bebé."

As palavras dele não fizeram barulho. Elas simplesmente pousaram no silêncio do quarto e esmagaram tudo.

Eu não chorei. Apenas assenti.

O vazio na minha barriga agora fazia sentido. Era um túmulo.

Peguei no meu telemóvel, que a enfermeira tinha colocado na mesa de cabeceira. Abri o Instagram.

Não precisei de procurar muito.

Sofia, a afilhada dos pais do Leo, a sua "irmãzinha", tinha publicado uma story há poucas horas.

Era uma foto de um bolo de aniversário, com velas acesas. Na legenda, "Obrigada ao melhor homem do mundo por esta surpresa! @LeoMartins".

Na foto seguinte, o Leo estava ao lado dela, a sorrir, com o braço à volta dos ombros dela. No fundo, via-se o logótipo do restaurante de luxo onde ele supostamente tinha a sua "reunião de trabalho".

Ele não desligou o telemóvel. Ele simplesmente ignorou as minhas chamadas para a morte.

Fechei a aplicação.

Abri os contactos.

Apaguei o nome "Amor <3".

Digitei "Leo Martins".

E bloqueei o número.

Capítulo 2

Passei as horas seguintes num torpor silencioso. As enfermeiras entravam e saíam, verificavam os meus sinais vitais, trocavam o soro.

Eu respondia com monossílabos.

"Sim."

"Não."

"Obrigada."

Por volta do meio-dia, a porta do quarto abriu-se de rompante.

Era o Leo. Tinha o cabelo despenteado e uma expressão de preocupação forçada no rosto.

"Ana! Meu Deus, o que aconteceu? A tua vizinha ligou-me agora! Diz que passaste a noite no hospital. O meu telemóvel ficou sem bateria, só o vi agora."

Ele aproximou-se da cama, tentando pegar na minha mão.

Eu afastei-a.

O meu silêncio pareceu desconcertá-lo. Ele olhou à volta do quarto, para o monitor, para o saco de soro.

"Então? O que disse o médico? Estás bem? E o bebé?"

A sua voz era leve, quase casual, como se estivesse a perguntar pelo tempo.

Olhei diretamente para ele, pela primeira vez. Vi os seus olhos, não a preocupação que ele tentava fingir, mas a impaciência por baixo.

"O bebé morreu, Leo."

A minha voz saiu fria e sem emoção, como se estivesse a ler uma lista de compras.

A cara dele mudou. O choque pareceu genuíno por um segundo, mas foi rapidamente substituído por outra coisa. Fúria.

"O quê? Como assim, morreu? O que é que tu fizeste?"

Eu ri. Um som seco e feio que arranhou a minha própria garganta.

"Eu? O que é que eu fiz?"

"Sim, tu! Foste descuidada? Comeste alguma coisa que não devias? Eu disse-te para teres cuidado!"

Ele estava a andar de um lado para o outro no pequeno quarto, a gesticular, a sua voz a subir de tom.

"Tu encomendaste a comida, Leo."

Ele parou. Olhou para mim, confuso.

"O quê?"

"Tu encomendaste o jantar. Do restaurante. Disseste que era o prato do costume."

"Sim, e então? Eu fiz-te um favor! Estava ocupado numa reunião importante!"

"A festa de aniversário da Sofia era uma reunião importante?"

O sangue fugiu do rosto dele. Ele ficou pálido, a boca a abrir e a fechar sem emitir som.

"Eu vi as fotos, Leo. Tu e ela. A sorrir. Enquanto eu estava aqui, a sufocar no chão do nosso apartamento."

"Não é o que parece," ele gaguejou. "A Sofia estava a sentir-se em baixo, os pais pediram-me para a animar. Foi só um jantar rápido."

"Dezoito chamadas, Leo. Eu liguei-te dezoito vezes. O meu telemóvel regista a duração de cada tentativa. Nenhuma foi atendida. Nenhuma foi retornada. Não estava sem bateria. Estava no silêncio, para não te incomodar enquanto cantavas os parabéns."

Ele ficou sem palavras. A culpa estava estampada na sua cara.

"Eu... eu não sabia que era tão grave."

"Tu sabias da minha alergia. Sabias o que o marisco me faz."

"Foi um erro! O restaurante deve ter trocado os pedidos! Não foi culpa minha!"

Ele estava a gritar agora, a sua defesa a transformar-se em ataque.

"Divórcio," eu disse, com a mesma calma gelada de antes.

Ele olhou para mim como se eu tivesse enlouquecido.

"Divórcio? Estás a brincar? Por causa de um acidente? Vais deitar fora o nosso casamento por causa disto?"

"Não foi um acidente. Foi uma escolha. Tu escolheste a Sofia em vez de mim e do teu filho. E agora o teu filho está morto. Portanto, sim. Divórcio."

Virei o rosto para a janela, a conversa terminada.

Ele ficou ali parado por um longo momento, a respirar pesadamente. Depois, saiu do quarto, batendo a porta com força.

Sozinha outra vez, finalmente permiti que uma única lágrima escorresse pelo meu rosto.

Não de tristeza. De raiva.

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