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O Vazio do Altar

O Vazio do Altar

Autor:: Carol
Gênero: Romance
No dia mais importante da minha vida, quando trocava olhares com convidados felizes e a música preenchia a igreja, o altar permaneceu assustadoramente vazio. O meu noivo, Pedro, desapareceu. Depois de dezenas de chamadas ignoradas, a mãe dele ligou, a voz uma mistura de pânico e raiva: "Ele não pode casar! A Sofia tentou suicidar-se! Estamos no hospital com ela agora mesmo!" Sofia, a ex-namorada que ele jurou ter esquecido, era a razão para a minha humilhação pública. A sua família exigia que eu sentisse orgulho por ele ter "salvo uma vida", mesmo que isso significasse destruir a minha. Não me preocupei, disse ele. Mas como não me preocupar quando o homem que prometeu amar-me correu para os braços de outra mulher, que, descobri mais tarde no supermercado, estava perfeitamente saudável, sem uma única ligadura nos pulsos? Ele nem sequer teve a coragem de me largar; foi ela, a manipuladora Sofia, quem supostamente "cortou os pulsos" para ter a atenção dele. E quando finalmente cortou o Pedro da minha vida, ele não aceitou. Começou a perseguir-me, a deixar flores na minha porta, a aparecer perto do meu trabalho, transformando a minha nova rotina num pesadelo. Ele queria o perdão que não merecia, a minha presença na vida dele pelo drama, não pelo amor. Mas ele não sabia que debaixo da noiva abandonada, uma nova mulher estava a nascer. Chega de fugir. Chega de sofrer em silêncio. Era hora de parar de ser a vítima e de lutar pela minha paz.

Introdução

No dia mais importante da minha vida, quando trocava olhares com convidados felizes e a música preenchia a igreja, o altar permaneceu assustadoramente vazio.

O meu noivo, Pedro, desapareceu.

Depois de dezenas de chamadas ignoradas, a mãe dele ligou, a voz uma mistura de pânico e raiva: "Ele não pode casar! A Sofia tentou suicidar-se! Estamos no hospital com ela agora mesmo!"

Sofia, a ex-namorada que ele jurou ter esquecido, era a razão para a minha humilhação pública.

A sua família exigia que eu sentisse orgulho por ele ter "salvo uma vida", mesmo que isso significasse destruir a minha.

Não me preocupei, disse ele. Mas como não me preocupar quando o homem que prometeu amar-me correu para os braços de outra mulher, que, descobri mais tarde no supermercado, estava perfeitamente saudável, sem uma única ligadura nos pulsos?

Ele nem sequer teve a coragem de me largar; foi ela, a manipuladora Sofia, quem supostamente "cortou os pulsos" para ter a atenção dele.

E quando finalmente cortou o Pedro da minha vida, ele não aceitou. Começou a perseguir-me, a deixar flores na minha porta, a aparecer perto do meu trabalho, transformando a minha nova rotina num pesadelo.

Ele queria o perdão que não merecia, a minha presença na vida dele pelo drama, não pelo amor.

Mas ele não sabia que debaixo da noiva abandonada, uma nova mulher estava a nascer.

Chega de fugir. Chega de sofrer em silêncio.

Era hora de parar de ser a vítima e de lutar pela minha paz.

Capítulo 1

No dia do meu casamento, o noivo, Pedro, desapareceu.

A igreja estava cheia de convidados, a música soava, mas o altar onde ele deveria estar, estava vazio.

Liguei para o telemóvel dele. Uma, duas, dez vezes. Ninguém atendeu.

O meu pai, furioso, agarrou no seu próprio telemóvel e gritou com o padrinho, o primo do Pedro.

"Onde é que ele se meteu? Diz-lhe para aparecer aqui agora mesmo ou eu acabo com ele!"

A minha mãe tentava acalmar os convidados, o seu sorriso forçado a tremer nos cantos. Eu fiquei ali, no meu vestido branco, a sentir-me a pessoa mais ridícula do mundo.

Finalmente, o telemóvel do meu pai tocou. Era a mãe do Pedro, a minha futura sogra, a Lúcia. A sua voz era um misto de pânico e raiva.

"Ele não pode casar! A Sofia tentou suicidar-se! Cortou os pulsos! Estamos no hospital com ela agora mesmo!"

Sofia. A ex-namorada dele. A mulher que ele jurou ter esquecido há muito tempo.

O meu mundo desabou. O barulho na igreja desapareceu, substituído por um zumbido nos meus ouvidos.

A minha mãe arrancou-me o telemóvel da mão.

"Lúcia, que raio estás a dizer? O que é que a Sofia tem a ver com o casamento do meu filho?"

Era a minha mãe, a falar com a mãe dele. O caos instalou-se.

"A Sofia está a morrer! Ela disse que não consegue viver sem o Pedro! Ele teve de ir, ele tinha de a salvar!"

Salvá-la. No dia do nosso casamento.

Eu ri, um som seco e amargo que fez a minha própria garganta doer.

"Mãe, vamos para casa."

"Mas, filha, e os convidados? E a nossa reputação?"

Olhei para ela, para o meu pai, para as caras confusas à minha volta.

"A reputação já foi destruída. Vamos embora."

Virei-me e saí da igreja, o meu vestido a arrastar-se pelo chão sujo. Não olhei para trás. Não havia nada para ver.

O casamento tinha acabado antes mesmo de começar.

Capítulo 2

Cheguei a casa e despi o vestido de noiva, atirando-o para um canto do quarto. Vesti as minhas calças de ganga e uma t-shirt velha. Senti-me mais eu mesma.

O meu telemóvel finalmente vibrou. Era o Pedro. Uma mensagem de texto.

"Desculpa. A Sofia precisava de mim. Não te preocupes, ela está estável. Vou para aí assim que puder."

Não te preocupes.

Ele disse para eu não me preocupar.

Respondi imediatamente, com os dedos a tremer de raiva.

"Não te dês ao trabalho. Quando voltares, as tuas coisas estarão à porta."

Ele ligou logo a seguir. Atendi, pronta para a batalha.

"O que queres dizer com isso? Estás a exagerar! A vida de uma pessoa estava em risco!"

A voz dele era indignada, como se eu fosse a culpada.

"A nossa vida também estava, Pedro. A nossa vida juntos. E tu escolheste-a a ela."

"Isso não é justo! O que querias que eu fizesse? Deixá-la morrer?"

"Eu queria que te casasses comigo! Eu queria que fosses o homem que prometeste ser!"

"Eu sou esse homem! Isto foi uma emergência! A Sofia é frágil, ela não tem ninguém!"

Frágil? Então e eu? O que era eu? Uma rocha?

"Ela tem-te a ti, pelos vistos. Fica com ela, Pedro. Mas não penses que eu vou ficar aqui à tua espera."

Desliguei-lhe o telemóvel na cara.

Ele tentou ligar de novo, mas eu recusei a chamada. Bloqueei o número dele.

Sentei-me no chão do meu quarto, o quarto que devíamos partilhar. O silêncio era ensurdecedor.

O meu telemóvel tocou outra vez. Desta vez, era a Lúcia, a mãe dele. Atendi, porque uma parte de mim ainda queria perceber.

"Clara, tens de entender," começou ela, com uma voz falsamente calma. "O Pedro tem um bom coração. Ele não podia simplesmente ignorar a Sofia naquele estado."

"E eu? Ele podia ignorar-me a mim? No nosso altar de casamento?"

"Não sejas dramática. Foi um imprevisto. A Sofia tem problemas, sabes disso. Ela ama-o tanto."

As palavras dela fizeram o meu estômago revirar.

"E eu? O meu amor não conta? O nosso compromisso não significa nada?"

"Claro que significa! Mas o amor verdadeiro às vezes exige sacrifícios. O Pedro sacrificou-se hoje para salvar uma vida. Devias ter orgulho nele, não estar zangada."

Orgulho. Ela queria que eu sentisse orgulho.

"Lúcia, o teu filho deixou-me plantada no altar para ir ter com a ex-namorada. A única coisa que sinto é pena. Pena de mim, por ter acreditado nele. E pena dele, por ser tão fraco."

Desliguei. Não havia mais nada a dizer. A família dele estava tão doente quanto a Sofia.

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