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O abismo do afeto

O abismo do afeto

Autor:: Vency
Gênero: Moderno
Natalie caiu na armadilha da madrasta e se tornou a noiva de Jarvis, um desfigurado e aleijado. Felizmente, ela fugiu na noite de núpcias, mas por um capricho do destino, acabou se apaixonando justamente por seu próprio noivo. Sob a identidade de um homem pobre, Jarvis a mimou de todas as formas até que, um dia, ela descobriu o segredo. "Um 'homem pobre' que vale bilhões, é?" "Aleijado e desfigurado, né?" "Estava com os dias contados, certo?" Com um sorriso frio, Natalie cerrou os dentes. Imediatamente, Jarvis se ajoelhou. "Querida, foi um mal-entendido... Por favor, mantenha a calma, pois está grávida."

Capítulo 1 A armadilha da madrasta

Logo, a noite caiu.

As duas irmãs Rivera estavam prestes a se casar na mesma cerimônia.

Vestindo um vestido de renda branco, Natalie Rivera olhou para seu reflexo no espelho. Sua maquiagem estava delicada e seus olhos brilharam de felicidade.

Naquele dia, ela iria se casar com Rowley O'Brien.

Eles estavam apaixonados há um ano e finalmente iriam subir ao altar.

"Natalie, que sorte a sua. Você vai entrar para a família O'Brien, uma família aristocrática de Bloridge."

Vestindo o mesmo vestido de noiva, Alisha Rivera entrou e disse num tom cheio de sarcasmo.

Vendo como sua irmã estava linda, Alisha ficou verde de inveja. Como ela queria poder arranhar o rosto encantador de Natalie!

Diante do comentário da irmã, a expressão de Natalie se enrijeceu. "Quero te parabenizar também, Alisha. Em breve você será a quarta esposa de Jarvis Braxton. A propósito, soube que ele se feriu gravemente num acidente de carro recentemente, que não consegue andar e que morreria em poucos anos. Se você se casar com ele, em breve se tornará uma viúva."

"Natalie Rivera!"

Alisha ficou tão irritada que ficou roxa de raiva. Só de pensar que ela iria se casar com um homem deficiente enquanto Natalie iria entrar para a família O'Brien, ela cerrou os punhos com força.

"Natalie, você não sabe o que o futuro nos reserva. Acha mesmo que será a senhora O'Brien para sempre?"

"Natalie, Alisha, vocês já estão aqui!" Segurando duas xícaras de café, Flora Rivera entrou com um sorriso no rosto. "Tomem um pouco de café enquanto esperam. Os carros dos noivos ainda estão a caminho."

O sorriso hipócrita da madrasta fez com que Natalie franzisse a testa. Elas viviam sob o mesmo teto há mais de uma década. Como ela poderia não saber que tipo de pessoa Flora era?

Natalie se consolou pensando que logo sairia de casa e não precisaria mais ver Flora e sua filha, então pegou a xícara de café, mesmo hesitante.

"Obrigada." Natalie tomou apenas um gole.

"De nada, querida." Vendo que Natalie havia bebido, Flora soltou um suspiro de alívio. "Embora você não seja minha filha biológica, sempre te tratei como se fosse. Fico triste que você esteja indo embora."

Enquanto falava, seus olhos se encheram de lágrimas.

Natalie se conteve para não revirar os olhos. Não era à toa que essa mulher havia ganhado o prêmio de Melhor Atriz, já que era realmente talentosa.

Quando Natalie tinha oito anos, sua mãe faleceu. Em menos de um mês, seu pai levou Flora e Alisha para casa. Alisha era apenas um mês mais nova que Natalie.

Foi só então que Natalie percebeu que seu pai já havia traído sua mãe há muito tempo.

"Senhora, o carro da família O'Brien chegou", uma empregada bateu na porta e avisou Flora.

"Ah!", Flora abriu um sorriso. Após piscar para a empregada, ela ordenou: "Elva, leve Natalie até o carro."

Ao ouvir isso, Natalie se levantou, mas de repente se sentiu um pouco tonta. Sua visão estava embaçada, então ela só pôde deixar a empregada guiá-la.

Um carro preto estava estacionado no portão. A empregada, Elva, a colocou no banco de trás.

Da varanda, Flora observava o carro se afastar. Enquanto isso, seu sorriso se alargou.

"Mãe, tem certeza de que isso vai dar certo? E se Natalie descobrir que há algo de errado?" perguntou Alisha, mexendo no seu vestido ansiosamente.

"Não se preocupe, minha querida. Já cuidei de tudo. Ela ocupará seu lugar e se casará com alguém da família Braxton."

Acontece que o carro preto pertencia à família Braxton, não à família O'Brien.

Alisha não estava convencida. "Mas como vou enganar Rowley hoje à noite?"

Sua mãe a avisou com cautela: "Contanto que você transe com Rowley hoje à noite, a família O'Brien não poderá fazer nada. Lembre-se de não deixar que eles vejam seu rosto."

"Está bem, mãe." Então, a expressão de Alisha se obscureceu, seus olhos cheios de ciúme e ódio. "Mãe, tenho que fazer da vida de Natalie um inferno. Assim, ela saberá as consequências de roubar meu homem."

Sua mãe zombou friamente. "Acho difícil que Natalie sobreviva esta noite. Você sabe o que aconteceu com as antigas esposas de Jarvis? Todas elas desapareceram misteriosamente."

...

Sentada no banco de trás do carro, Natalie ainda se sentia extremamente tonta. Sua temperatura corporal continuava subindo e suas bochechas estavam ficando vermelhas.

Ao pensar no café que sua madrasta lhe dera, ela teve um pressentimento ruim.

Foi só então que ela percebeu que havia caído na armadilha da mulher, que devia ter batizado o seu café.

Olhando pela janela, Natalie notou que eles não estavam indo na direção da residência da família O'Brien. Imediatamente, ela ficou em alerta e começou a entrar em pânico.

"Pare o carro! Pare o carro agora mesmo!" ela gritou para o motorista, desesperada. "Quem é você? Para onde está me levando?"

Ao ouvir isso, o motorista olhou para ela pelo retrovisor com uma expressão de confusão no rosto. "Senhorita Rivera, sou o motorista da família Braxton. Fui enviado para buscar a noiva do senhor Braxton."

"O quê? A família Braxton?"

De repente, a ficha de Natalie caiu.

O plano de sua madrasta era fazer com que ela substituísse Alisha e se casasse com Jarvis!

"Pare o carro agora! Vou me casar com alguém da família O'Brien! Você cometeu um erro!"

Ela não queria se casar com alguém da família Braxton, se recusando a deixar Flora e Alisha vencerem.

No entanto, o efeito da droga no seu corpo a fazia se sentir agoniante. Claramente, a mulher não só queria que ela se casasse com alguém da família Braxton, mas também destruir sua vida completamente.

"Pare o carro agora!" Natalie fez o possível para se manter sóbria e gritou com a voz embargada.

"Senhorita Rivera, já estamos quase chegando. O que está fazendo?"

O motorista levou um susto quando a jovem abriu a porta e pulou do carro.

Ela rolou no chão várias vezes antes de parar completamente. A dor intensa a fez ficar sóbria imediatamente.

"Senhorita Rivera, por favor, volte para o carro!"

Vendo que o motorista parou e saiu para ir atrás dela, Natalie cerrou os dentes e saiu mancando, enquanto suportava a dor lancinante.

A dor manteve sua mente lúcida.

Natalie estava desesperada, sabendo das terríveis consequências se fosse pega.

"Senhorita Rivera, por favor, não corra! Volte comigo!"

Ouvindo os gritos do motorista atrás dela, Natalie correu ainda mais rápido. Ela estava tão desesperada que quase começou a chorar. Ela não queria se casar com Jarvis.

Já era tarde da noite, envolvendo a cidade na escuridão. Ela percebeu que o motorista estava se aproximando rapidamente. Pior ainda, a tontura na sua cabeça era quase insuportável.

Natalie estava tão desesperada que não sabia para onde correr. De repente, ela avistou um carro preto estacionado não muito distante. Um homem de terno casual estava encostado nele, ocupado falando ao celular.

Quando o homem estava prestes a entrar no carro e ir embora, Natalie se aproximou mancando com o restante de suas forças. Ela implorou: "Me ajude, por favor. Me ajude..."

Perplexo, o homem olhou para ela com seus olhos profundos.

Nesse momento, a pessoa do outro lado da linha gritou ansiosamente: "Sua noiva está prestes a chegar. Por que ainda não está aqui?"

"Cale a boca!" Sem dar chance para a pessoa responder, o homem encerrou a ligação com uma expressão indiferente.

Nesse momento, o motorista se aproximou correndo. Sem tempo para pensar, ela abriu a porta e entrou no carro. Juntando as mãos, ela implorou: "Por favor, me ajude! Estou te implorando!"

O motorista se aproximou do carro. "Senhorita Rivera, por favor, saia do carro. Estamos muito atrasados."

O motorista ficou chocado ao ver o rosto do homem claramente.

Antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, o homem lançou um olhar frio para ele e gritou: "Vá se foder!"

Capítulo 2 A noiva fugiu

O incômodo era tão insuportável que Natalie teve a sensação de que suas veias estivessem prestes a explodir.

Como Flora podia ser cruel! Natalie havia tomado apenas um gole do café, mas a droga já estava fazendo efeito. Ela detestava só de pensar no que teria acontecido se tivesse bebido mais de um gole.

Natalie teve a sensação de que sua cabeça estivesse prestes a explodir, mas, ao mesmo tempo, sentia um entorpecimento evidente. Além disso, ela começou a sentir uma sede incontrolável, como se tivesse andado num deserto árido por horas.

"Água... preciso de água...", conseguiu balbuciar. A garganta dela estava tão seca e seu corpo tão quente que ela desejou se afundar numa banheira de gelo.

"Vou te levar para o hospital agora mesmo."

O homem percebeu o que estava acontecendo com Natalie só de olhar para ela.

"Me ajude! Por favor! Farei qualquer coisa por você...", num ato de desespero, Natalie segurou a mão do homem. Ele era sua última esperança nesse lugar desolado e isolado.

"Aguente só mais um pouco", disse o homem com uma expressão fria. Ele nunca havia se intrometido nos assuntos alheios. Em qualquer outra situação, ele a teria jogado para fora do carro. Contudo, por algum motivo, quando viu o desespero nos olhos de Natalie, ele acabou sentindo pena dela.

"Obrigada...", Natalie expressou sua gratidão sinceramente. Na verdade, nunca lhe passou pela cabeça que o homem à sua frente pudesse fazer algo ruim com ela.

A única coisa que a mantinha acordada era a pura vontade de sobreviver.

Natalie apertou a mão do homem e choramingou. "Não quero morrer!"

Os olhos dele se estreitaram e os cantos da sua boca se inclinaram levemente para cima. "Você é uma mulher de sorte. Não vai morrer hoje."

Naquele momento, Natalie parecia uma bela sereia encalhada. Com um vestido de renda branco e o rosto corado, ela estava encantadora.

O homem ficou tenso, pensando que a mulher indefesa no banco de trás era incrivelmente tentadora.

De repente, sua voz ficou rouca quando disse: "Meu nome é Jarvis Braxton. Você está me devendo."

Natalie estava entre a lucidez e a inconsciência, e as palavras do homem não foram registradas.

Jarvis pisou fundo no acelerador e foi às pressas para o hospital do Grupo Braxton. Minutos depois, ele entregou Natalie ao médico.

Naquela noite, Natalie teve um sonho erótico, no qual ela sonhava com a noite fatídica de alguns anos atrás.

Ao acordar, já era meio-dia do dia seguinte.

As lembranças da noite anterior começaram a inundar sua mente. Quando se deu conta de onde estava, um nó se formou na garganta dela.

Apesar de ter conseguido sobreviver, seria impossível para ela ficar com seu amado Rowley.

De repente, Natalie percebeu que havia um homem recostado na beirada da cama, adormecido. Ele era um homem bem bonito, e até ela não pôde deixar de se maravilhar com sua aparência deslumbrante.

Seus traços eram marcantes, como os de um deus da mitologia grega.

O olhar dela se voltou para os braços musculosos dele.

Na noite anterior, ela se encontrava numa situação tão indefesa, mas esse homem não havia a tocado. Pelo contrário, ele até a levou para o hospital.

Ao pensar nisso, as bochechas de Natalie se coraram imediatamente.

O que ela estava pensando?

Será que ela estava esperando que algo tivesse acontecido?

Ela só podia estar louca!

Percebendo que o homem ainda não havia acordado, Natalie se sentou com cuidado na cama. Esse leve movimento fez com que o homem se mexesse, acabando por acordá-lo.

"Tentando sair de fininho depois de eu ter te salvado?"

Jarvis se espreguiçou e lançou um olhar para Natalie com um sorriso discreto.

Se ele tivesse continuado dormindo, ela teria fugido.

"Você está me devendo pela noite passada. Estava pensando em fugir assim?"

"Hã? Não, eu... eu não...", Natalie ficou sem palavras. De fato, aquele homem havia a salvado no momento mais sombrio da sua vida, e ao ouvir suas palavras diretas, ela acabou se sentindo culpada. "Obrigada."

"Essa foi a primeira vez. Você acha que um simples 'obrigada' é suficiente?", perguntou Jarvis, olhando para Natalie com um olhar de coitado.

"Primeira vez em quê?"

Ele disse isso como se algo tivesse acontecido entre os dois.

"A primeira vez que me intrometi nos assuntos de outra pessoa."

Ao ouvir isso, Natalie soltou um suspiro de alívio. Após recuperar a compostura, ela explicou: "Minha madrasta queria que eu me casasse com um homem moribundo e inválido. Prefiro morrer a me casar com ele. De qualquer maneira, muito obrigada por ter me salvado."

Ela preferia morrer do que se casar com aquele homem?

Ao ver a expressão de nervosismo no rosto de Natalie, Jarvis abriu um sorriso brincalhão. "Ontem deveria ter sido o dia do meu casamento. No entanto, depois do que aconteceu, receio que não poderei me casar mais com minha noiva. Você terá que me dar uma nova noiva."

"Como assim? Ah, meu Deus! Sinto muito por isso. Não sabia que você ia se casar ontem à noite!" Ao ouvir isso, Natalie se sentiu péssima. Contudo, como ela poderia dar a ele uma nova noiva? Obviamente, ele estava complicando as coisas para ela.

"Deixe para lá. Você é tão linda, e seu vestido de noiva parece ser bem caro. Você não iria querer um homem pobre como eu", disse Jarvis, estalando a língua em desapontamento.

Quando Natalie viu o quanto ele parecia chateado, ela soltou: "Não é o que está pensando."

Com um sorriso no rosto, Jarvis segurou a mão dela. "Então venha comigo para conhecer meus pais."

"Como assim? Não, agora não..." Natalie retirou a mão desajeitadamente. "Tenho algo para resolver primeiro. Vou deixar meu número de celular com você para entrarmos em contato depois."

Antes de mais nada, ela precisava confrontar sua madrasta.

"Tudo bem." Jarvis assentiu e parou de provocá-la.

Após anotar seu número, Natalie saiu às pressas. No entanto, mal sabia ela que havia cometido um erro e um dos números que anotou estava errado.

Jarvis observou Natalie ir embora com muito interesse.

Depois, ele lançou um olhar para o colar que ela havia deixado na cama e soltou uma risadinha.

Nesse momento, seu celular tocou.

"Jarvis, a noiva fugiu do casamento e não sabemos onde ela está agora. Quanto a você, onde diabos você estava ontem à noite? O que poderia ser mais importante do que o seu próprio casamento?"

"Estava com a noiva." Ao falar de Natalie, um raro toque de ternura suavizou os olhos de Jarvis.

Ele não imaginava que o destino faria com que sua noiva fugisse do casamento, só para acabar se deparando com ele, o noivo.

A declaração de Jarvis deixou Lamont Henderson, que estava do outro lado da linha, chocado.

"Está de brincadeira? Estou dizendo que sua noiva fugiu. Ah, e me deixe te dizer uma coisa: a família Rivera é bem ousada. A noiva com quem você deveria ter se casado era Alisha, mas eles enviaram Natalie no lugar dela. Alisha acabou se casando com a família O'Brien!"

Não foi difícil descobrir o que havia acontecido, então Jarvis rapidamente juntou as peças.

Lamont continuou: "Seu avô disse que está esperando por você para resolver essa situação."

"Então cancele o noivado."

Após uma ligeira pausa, ele acrescentou: "Não há necessidade de complicar as coisas para a família Rivera."

"Do que diabos você está falando? Eles te fizeram de trouxa! Alisha acabou se casando com a família O'Brien. Como pode deixar isso passar assim?"

Ao ouvir isso, Lamont ficou em choque. Não era do feitio de Jarvis deixar passar aqueles que o ofendiam.

Ele deveria guardar um profundo rancor contra a família Rivera por tê-lo enganado e trocado sua noiva.

"Faça o que eu disse", ordenou Jarvis.

Lamont não pôde deixar de lembrá-lo: "Suas três ex-esposas estão 'mortas'. Se você cancelar o noivado desta vez, as pessoas da família Braxton descobrirão que há algo errado. Nesse momento, todos os nossos esforços anteriores serão desperdiçados."

Jarvis ponderou sobre isso por alguns segundos. Por fim, ele disse: "Tenho outro plano."

"O quê?" Confuso, Lamont não conseguia saber o que se passava na cabeça de Jarvis.

Ao invés de responder à sua pergunta, Jarvis mudou de assunto. "Consiga um carro barato para mim."

"Para quê?"

"Para ir atrás da minha esposa."

...

Quando Natalie chegou ao portão da sua casa, encontrou seu pai, Garrett Rivera, e Flora se despedindo respeitosamente de um homem de meia-idade.

Esse era o homem enviado pela família Braxton para romper o noivado.

A família Braxton queria que a filha de Garrett se casasse com alguém da sua família, mas agora, de repente, eles romperam o noivado. A noiva havia fugido, mas a família Braxton não dificultou as coisas para a família Rivera. Garrett ficou chocado com a clemência deles.

Depois que o homem entrou no carro e foi embora, Garrett enxugou o suor frio da testa. Quando viu Natalie, ele gritou severamente: "Natalie, veja o que você fez! E ainda tem a audácia de aparecer aqui. Se a família Braxton não tivesse tido misericórdia de nós desta vez, teríamos falido."

Olhando para Garrett, Natalie respondeu friamente: "Pai, você sabe o que aconteceu ontem à noite?"

Capítulo 3 A crueldade do pai

Embora Natalie já soubesse a resposta de Garrett, quis lhe perguntar à queima-roupa.

Ela não conseguia acreditar que seu próprio pai a machucasse dessa forma.

Ao ouvir a pergunta incisiva de Natalie, Garrett desviou o olhar devido à culpa.

Com o passar dos anos, ele começou a se sentir intimidado pela filha mais velha.

Quando olhou para os olhos claros dela, se recordou da mãe de Natalie, o que o deixou muito constrangido.

"Como ousa falar comigo assim? Por acaso sou algum criminoso que precisa de interrogatório? Eu sou seu pai!"

Natalie retrucou: "Pai, você sabe que é meu pai, mas mesmo assim permitiu que sua esposa me machucasse. Você deixou Flora me casar com alguém da família Braxton!"

Natalie sabia que, sem o consentimento de Garrett, Flora não teria coragem de fazer algo tão cruel.

Agora que o assunto veio à tona, Flora parou de se fingir de desentendida e exclamou: "A família Braxton queria que uma das minhas filhas se casasse com eles, mas não especificaram qual delas. Além disso, em Bloridge, a família Braxton é poderosa e influente. Você deveria nos agradecer por termos escolhido um casamento excelente para você!"

"Então por que não permitiu que Alisha se casasse com eles?", questionou Natalie num tom ameaçador.

Antes de voltar para casa, ela havia ido à casa dos O'Brien, e eles lhe disseram que Rowley e Alisha não estavam lá.

Naquele momento, Natalie sentiu como se seu mundo tivesse desabado.

Rowley havia a abandonado.

Ele já devia saber que havia sido enganado e que sua noiva havia sido substituída. Por que ele não foi atrás dela?

"Chega!", gritou Garrett. "Alisha não está com a saúde boa. Se ela se casasse com alguém da família Braxton, só sofreria. Você é a irmã mais velha dela. O que tem de mal em você ter ficado no lugar dela e se casado com eles?"

Ao ouvir isso, Natalie encarou Garrett, com o coração cheio de amargura. Com o passar dos anos, ela percebeu que Garrett preferia Alisha, mas dessa vez, ele havia ido longe demais.

"Minha mãe faleceu há anos, mas parece que você se esqueceu de que ainda sou sua filha. Você não me apoiou nos meus estudos e fez vista grossa para a forma como Flora me tratava."

Garrett a repreendeu: "Flora é sua mãe, como ousa desrespeitá-la assim?"

"Minha mãe morreu há muito tempo", disse Natalie com os olhos cheios de dor e frieza. Desde que Flora e sua filha se mudaram para lá, Natalie nunca pôde se sentar à mesa e fazer as refeições com elas, e todos os dias, ela comia as sobras.

Após o ensino médio, ela teve que trabalhar para pagar a faculdade, pagando as mensalidades com empregos de meio período.

Embora sua família fosse rica, ela vivia uma vida pior do que a de uma garota comum.

Alisha era conhecida como a garota mimada da família Rivera. Ela só usava roupas de grife, frequentava clubes de luxo e ia a festas, enquanto Natalie usava roupas baratas e ia trabalhar de ônibus.

Em toda Bloridge, ninguém sabia que Alisha tinha uma meia-irmã.

Natalie achava que poderia pelo menos se casar com quem amava e deixar a família Rivera, mas mal sabia ela que sua madrasta e irmã a armariam.

Flora fingiu tentar amenizar a situação, mas suas palavras só botaram lenha na fogueira. "Garrett, não brigue com Natalie por causa disso. Ela tem razão. Não sou a mãe biológica dela e sei o que ela pensa de mim. Tudo bem. Não quero que você e Natalie briguem por minha causa."

"Olha só, ela ainda te defende, sua pirralha ingrata!", exclamou Garrett, ficando ainda mais decepcionado com Natalie. "A família Braxton acabou de vir cancelar o noivado, então você não precisa mais se casar com Jarvis. Esse assunto está resolvido. É melhor você voltar para o seu quarto e trocar de roupa. Pare de passar vergonha aqui. Há questões mais urgentes para resolver na empresa, então tenho que ir agora."

Após dizer isso, Garrett saiu sem olhar para trás, fazendo Natalie abrir um sorriso amargo. Mais de uma década havia se passado, mas Garrett nunca se importou com ela, então ela não se deu ao trabalho de gastar sua saliva com ele mais.

Assim que Garrett saiu, Flora abandonou a fachada de madrasta gentil e olhou feio para Natalie. "Sua vadia, como ousa fugir do casamento? Onde diabos você estava? Está satisfeita com meu presente?"

Natalie se virou para ela com um olhar gélido, perguntando: "Flora, você é tão desprezível. Não tem medo do karma?"

Ao ouvir isso, Flora abriu um sorriso complacente, dizendo: "Minha filha é a nova senhora O'Brien. Quem você pensa que é? Você não merece competir com Alisha. Além disso, me pergunto se Rowley sabe que você teve um filho há alguns anos. Acha que pode esconder isso da família O'Brien para sempre?"

Diante dessas palavras, a expressão de Natalie se fechou. Seu segredo mais profundo havia sido exposto, e Flora o exibia com arrogância.

"Mais uma vez, foram você e Alisha que me armaram daquela vez."

De fato, Natalie teve um filho há cinco anos, mas a criança morreu após o nascimento, e ela ainda não sabia quem era o pai.

Por não ter tido coragem de contar isso a Rowley, foi um pesadelo que ela queria esquecer.

Flora zombou: "E daí? Mesmo se você contar ao seu pai, ele não vai acreditar em você. Natalie, tudo na família Rivera pertence à minha filha, não a você. A propósito, há mais uma coisa. A criança que você deu à luz não morreu. Ele cresceu e se tornou um menino muito bonito."

"O quê? Onde está meu filho?", perguntou Natalie, pega de surpresa. Ao pensar no bebê que carregou por nove meses, seu coração doeu.

"Você gostaria de saber, não é?", Flora perguntou com um sorriso perverso. "Se ajoelhe e me implore. Então eu te contarei."

"Flora Rivera!", Natalie sibilou entre dentes cerrados. "Um dia, você pagará por tudo o que fez."

***

No Bar La Lune, Natalie bebia taça após taça de vinho com o estômago vazio. Ela não sabia o quanto havia bebido quando sua cabeça começou a girar, e pensando em como sua felicidade havia sido roubada por Flora e sua filha e em como Rowley a abandonou, ela se sentiu sem esperanças.

"Natalie, já chega", disse Brinley Lauren, pegando a taça de vinho pela metade da mão de Natalie. Vendo a tristeza no rosto da amiga, ela sentiu pena. "Só sua madrasta e meia-irmã poderiam fazer uma coisa tão terrível. Bom, pelo menos você conseguiu escapar da família Braxton."

Jarvis Braxton era um homem misterioso e pouquíssimas pessoas já viram seu rosto. Havia todo tipo de boato sobre ele na cidade.

"Brinley, estou tão triste. Meu pai me ignora e deixa Flora e Alisha me pisotearem."

Como Natalie poderia não ficar triste? Ser abandonada e machucada pela própria família era algo terrível.

Pior ainda, ela ainda não havia conseguido falar com Rowley.

"Rowley também me abandonou, Brinley. Não tenho nada", disse Natalie, com a tristeza insuportável fazendo as lágrimas rolarem pelo seu rosto.

"Não diga isso, Natalie. Você ainda tem a mim. Vamos lá, não chore", disse Brinley, esfregando as costas de Natalie na tentativa de confortá-la. "Rowley é um canalha. Tem muito peixe no mar. Posso encontrar um homem melhor para você, um homem bom, rico, bonito e solteiro..."

Um homem bom...

De repente, o homem da noite passada veio à mente de Natalie. As lembranças da noite anterior inundaram sua mente, fazendo suas bochechas ficarem vermelhas.

Mas por que ela pensou naquele homem do nada?

"Vou encontrar alguém para você agora mesmo. Só preciso fazer uma ligação. Espere por mim aqui", disse Brinley, saindo correndo para fazer uma ligação.

Por ter bebido demais, Natalie se deitou sobre a mesa, pegando lentamente o vinho. De repente, ela avistou uma figura familiar à distância.

Era Rowley.

Imediatamente, ela ficou sóbria e tropeçou para alcançá-lo.

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