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O amor de um Invisível

O amor de um Invisível

Autor:: FannyMotta
Gênero: Romance
Amar alguém não é fácil, ainda mais quando esse alguém nem sabe da sua existência. Hoje quem olha para o homem poderoso, dominante, charmoso, conquistador e autoconfiante nem imagina o quanto ele sofreu. O bulliyng marcou toda a sua infância, mas grandes e redondos olhos violetas salvaram seu pequeno mundo quando ele tinha apenas seis anos de idade, e desde então seu coração se decretou pertencente a ela. Alguns anos se passam, eles vão para a mesma escola, determinado a não ser mais um invisível na vida da garota, as coisas só podiam da errado. Agora é ela que está com o mundo virado de cabeça para baixo, vítima da maldade dos adolescentes de sua classe, seus pais a deixam na sarjeta e todos viram as costas para ela, Iuri tenta ir atrás dela, mas ela o despreza e o humilha. Sete anos após o incidente na escola, eles voltam a se encontrar, Iuri decidido a se vingar dela e ela decidida a conquistar o perdão dele. Ele é agora o CEO das empresas Stevens Construções e ela é sua secretaria. Ele conseguirá abandona-la depois de uma noite?

Capítulo 1 Prefácio Prólogo

- Aya Millenis, você aceita Iuri Stevens como seu marido, para honrá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, prometendo fidelidade até que a morte os separe?

Sorriu diante da pergunta do pastor para ela, todos os olhares estão na gente. Minha noiva me olha com os olhos cheios de lágrimas, lágrimas de felicidade, um sorriso largo estampado em sua face e isso faz meu coração se aquecer de alegria. Nunca pensei que estaria vivendo esse momento, um sonho que pensei que nunca sairia de lá, do mundo dos sonhos, mundo que criei aos seis anos de idade.

Nunca imaginei que um dia, a minha casca de homem frio e pegador seria quebrado pela mesma mulher que me fez criá-la para me proteger das outras. Durante toda a minha vida fui apaixonado por apenas uma mulher, a mulher que segurou o meu mundo quando ele estava desabando, anos depois o destruiu e após mais alguns anos o reconstruiu novamente. Nossa história foi feita arduamente, mas no fundo eu sempre soube que era ela a mulher certa para minha vida, não importa quantas vezes eu tenha tentado recusar esses sentimentos e me negado a acreditar que as coisas poderiam ter sido diferentes.

Lembro de tudo o que passamos para estarmos aqui hoje. Das palavras dolorosas que nós dois ouvimos, ela de seus pais e eu dela. Mesmo eu estando destroçado pelas palavras dela, não fui capaz de deixá-la à mercê do mundo, então decidi me afastar e escondi tudo o que sentia por ela, até que voltamos a nos encontrar e eu fiz algo que me arrependo até hoje, porém, levarei isso ao túmulo comigo. Mas hoje nada disso importa. Quero fazer o meu melhor para nunca mais vê-la chorar de sofrimento novamente. Darei a ela o mundo.

- Eu, Aya Millenis, aceito Iuri Stevens como meu marido, prometo honrá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, e prometo fidelidade até que a morte nos separe.

Meu coração se enche de alegria, posso sentir as mãos trêmulas dela por dentro das luvas. Eu mais que ninguém sei o quanto ela é tímida.

- Iuri Stevens, você aceita Aya Millenis como sua esposa, para honrá-la e respeitá-la, na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, prometendo fidelidade até que a morte os separe?

Um filme de tudo o que vivemos passa por meus olhos, a nossa história começou assim:

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~Prólogo~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

28/01/ 2006 - Nova York, Manhattan, Central Parck.

Fecho minhas pequenas mãos em formato de concha, elevo elas até minha boca e assopro dentro das duas, está tão frio que é possível ver o ar quente escapando por entre elas como um vapor branco. Uso luvas felpudas na cor azul escuro.

Caminho devagar pelo Parck, apesar de já ter seis anos, não tenho amigos para brincar na neve, ou para brincar de qualquer outra coisa.

Isso é triste, mas sempre quem vem falar comigo é apenas para rir de mim, nunca entendi o motivo e por isso eu não falo muito. Não entendo o porquê das crianças serem assim comigo, elas vivem me pregando peças bem maldosas em mim, elas podem ter pouca idade, mas já sabem como deixar outra criança com sentimento de exclusão e tristeza.

Minha mãe está conversando com uma amiga, as duas estão sentadas no banco, à alguns metros atrás de mim, a senhora Millenis parece ser bem gentil, ela não é de muitos sorrisos; conversei com ela apenas uma vez, minha mãe me contou que ela tem duas filhas e que a diferença de idade são entre nós é muito pouca, nunca as vi, elas chegaram primeiro no Park, e já tinham corrido para se divertirem juntas, e agora estou aqui, andando sozinho. Infelizmente não tenho nenhum irmão ou irmã, já pedi aos meus pais, mas minha mãe disse que não podia me dar um irmãozinho. Eu notei que ela ficou triste quando me disse isso, então nunca mais pedi, odeio ver minha mãe triste.

- Olha lá galera, o chorão! - o grito de Leandro entra por meus ouvidos, olho para ele que está vestido com seu casaco cor creme e sua touca e luvas de cor vermelha. Solto o ar pela boca, estou cansado disso, deixo minhas mãos caírem pesadas uma em cada lado do meu corpo.

- O gato comeu sua língua, foi ? - agora quem fala debochada é Suzana, com todas as suas roupas de cor rosa.

Prefiro não responder, apenas continuo andando fingindo que não é comigo que eles estão falando, um arrepio corre toda a minha espinha me fazendo parar de andar, sinto os resquícios de neve gelada na minha nuca, coloco minha mão nela e viro minha visão para Leandro que já está com outra bola de neve pronta em suas mãos.

- Sua mãe não te ensinou que é feio fazer os outros de cachorro? - indaga de forma cínica e joga a bola de neve em suas mãos, ela acerta em cheio meu rosto, por causa do impacto dou alguns passos para trás, mas não perco o equilíbrio.

- Vamos dar uma lição nele pessoal! - enuncia alto e começa a correr em minha direção junto com as outras crianças.

Sou jogado no chão e sinto os chutes em minha barriga, o primeiro me fez perder o ar, me encolho e abraços meus joelhos a fim de me proteger nem que seja um pouco. Depois de alguns minutos eles finalmente cessam os golpes, escuto o som deles correndo; respiro aliviado. Me levanto e caminho até a árvore mais próxima, sento no chão branco por conta da neve, apoio meus braços sobre meus joelhos e ali abaixo minha cabeça, sentindo uma tristeza enorme começo a chorar.

Eu tento ser forte, tento não me importar com o que fazem comigo, mas é muito difícil. Eu queria poder brincar, correr e gritar junto a todos, mas ninguém me quer por perto e isso me dói tanto.

- Olha mana, tem alguém triste lá - ouço uma voz suave, eu gostei da voz, mas não dou bola e continuo com o meu vazamento de água.

De repente as lágrimas cessam, sinto braços me rodearem em um quente abraço, levanto minha cabeça com a surpresa e me deparo com olhos meigos e sem maldade, nunca tinha visto olhos com essa cor, violeta, são extremamente lindos e também são os mais gentis que já vi em toda a minha vida. Minha atenção cai em sua boca que tem um sorriso enorme, noto que um de seus dentes está em falta, mas isso não impede dela ter um sorriso lindo.

- Não chora, as coisas vão melhorar - ela fala simpática, é como se ela soubesse que o meu mundo está desmoronando.

- Qual seu nome? - pergunto agora distraído daquela tristeza e hipnotizado por sua beleza. Anjo, é o que ela parece.

- Me chamo Aya, tenho cinco anos! Olha - ela mostra os cinco dedos da sua mão para me dizer sua idade, tão fofa - Agora preciso ir, mamãe falou que não era para demorar, papai chega hoje em casa - ela dá um beijo em minha bochecha e correndo vai para longe, noto que mais uma menina corre ao seu lado, mas ela é um pouco maior que Aya.

Sinto meu coração se aquecer, jamais vou esquecer essa menina, sinto que foi um sinal de Deus me dizendo para não desistir, ainda existem pessoas boas no mundo. Espero poder vê-la de novo.

Agora, mais calmo, levanto do chão e bato minhas mãos sobre minha calça tirando o excesso da neve. Ando um pouco mais rápido e vou ao encontro de minha mãe, que sorri ao me ver aproximando.

- Uma pena meu filho, se tivesse chegado uns dois minutos mais cedo você teria conhecido as filhas da senhora Millenis, elas são muito fofinhas - minha mãe fala enquanto segura minha mão.

Não digo nada, e caminhamos até o carro. Em minha mente, a imagem dos olhos cor violeta de Aya novamente aparece, e isso me faz sorrir.

Capítulo 2 Primeiro

10/05/2019 - Nova York, Manhattan, Upper East Side.

[ Visão de Iuri Stevens]

Mais uma vez acordo atrasado, esqueci de alarmar o despertado ontem, virei a noite assistindo anime. Quando fui dormir já passavam das quatro da manhã, e agora são exatamente sete e dez, tenho apenas vinte minutos para chegar na escola.

Olho no espelho, nada mudou, meu rosto cheio de espinhas, corpo esguio, altura mediana. Meus olhos estão cheio de olheiras, estou maratonando animes a uma semana, mas não me importo. Pego minha mochila em cima da cadeira na mesa do computador e a jogando sobre o ombro desço correndo os degraus da escada, a passos rápidos sigo para a copa e encontro com a governanta da casa.

- Bom dia Iuri - senhora Lueni me cumprimenta.

Ela é uma senhora de sessenta e nove anos, trabalha para meus pais desde antes do meu nascimento, creio eu ela ser desde a época de meu avô, que infelizmente já não está mais entre nós, morreu de causas naturais enquanto dormia, já estava com noventa e sete anos.

O semblante da senhora Lueni é de cansaço, seus cabelos estão completamente brancos, mas seus olhos azuis e o seu sorriso ainda são bem jovens. Tenho muito carinho por ela.

- Bom dia! - falo rápido.

- Atrasado mais uma vez?

- Sim, ontem perdi o horário assistindo anime - falo e mordo a maçã.

- Você precisa parar de assistir tantos animes, pode acabar deixando suas notas caírem! - fala preocupada.

- Não se preocupe, eu sou um gênio - falo e pisco para ela.

- Ainda bem! - sorri com minha graça.

- Vou me indo, senão perco o primeiro horário - dou um beijo em sua testa e ando para fora da casa.

- Vá com Deus - ouço seu grito antes de fechar a porta.

Já estou com dezoito anos de idade, deveria ter saído do ensino médio no ano passado, mas no ensino fundamental acabei repetindo um ano, fizeram uma brincadeira pesada comigo, misturaram ovos e estrume de cavalo dentro de um balde e fizeram uma armadilha na porta da sala, quando eu a abrir o balde caiu sobre a minha cabeça, todos dentro da sala começaram a rir e jogavam resto de comida e papel em mim. Depois disso fiquei o resto do ano sem pisar lá, meus pais processaram a escola.

Troquei mais uma vez de escola, esse é o meu primeiro ano na Birch Wathen Lenox Shool, se nada der errado me formo esse ano. Apresso meus passos, fica apenas a quinze quadras de distância da minha casa. O ano letivo já está quase no final, minhas notas são altas, sou considerado um nerd pelos meus amigos, no caso, apenas Jorge. Somente ele me enxerga naquela escola.

Quando me transferi para lá, não esperava que na minha turma também estivesse Aya Millenis, a garota de olhos violetas gentis. Nós nos vimos apenas duas vezes, a segunda foi em uma social na empresa onde nossos pais trabalhavam há sete anos atrás, mas ela não trocou nenhuma palavra comigo.

Fico de longe apenas a observando, seus cabelos estavam soltos e iam até a sua cintura, sua coloração era preta. Seus olhos não mudaram, tais como me lembro quando éramos crianças, continuaram gentis, ela vestia um vestido infantil muito bonito, na cor rosa bebê, me lembro que tinha um laço bem grande de cor lilás em suas costas. Para a minha tristeza, ela não se lembra de mim, não lembra do nosso encontro quando pequenos e nem da social. E por eu ser tímido, nunca falei com ela na escola, apenas a observo de longe.

Bem, na escola eu sou completamente invisível, nunca chamei atenção e também nunca fui bom nos esportes, gosto de matemática. Mas nunca fui ao quadro quando o professor pedia voluntários, e para minha sorte, nunca fui um dos escolhidos., enfim, nunca tive nenhum tipo de destaque. Odeio a sensação de muitos olhares em mim, fico com a impressão que estão segurando o riso.

Olho para o relógio no meu pulso e faltam exatamente cinco minutos para o porteiro fechar o portão. Apresso meus passos, estou quase correndo, ainda faltam duas quadras. Faltando exatamente um minuto consigo alcançar o portão do edifício.

- Bom dia, senhor Mouares - cumprimento o porteiro.

- Bom dia, senhor Stevens, por pouco não ficou do lado de fora!

- Acho que estou com sorte - falo sorrindo.

- Sorte a semana toda, você mora tão perto, não entendo por que se atrasa.

- Tive que resolver alguns problemas - minto na maior cara de pau - Até depois senhor Mouares!

- Boas aulas senhor Stevens! Opa! Mais uma que quase perde o horário.

Sua fala me chama atenção e olho novamente para o portão, estou segurando o corrimão da escada com meu pé esquerdo pausado no primeiro degrau. Me sinto hipnotizado ao ver Aya passando pelo portão.

- Bom dia, senhor Mouares - ela falou simpática.

- Bom dia, senhorita Millenis, melhor se apressar.

- Assim farei!

Ela fica de costas para o porteiro e de frente para mim, mas não dirige seu olhar em minha direção, e nem me cumprimenta, passar por mim avoada correndo pelas escadas acima. Suspiro.

- Se continuar assim, não vai conseguir chamar atenção da menina - fala risonho o porteiro.

Se eu fosse mais bonito, bom em esportes, tivesse mais destaques entre os alunos, talvez ela olhasse para mim. Mas como sou um simples invisível no fundão da sala, tudo o que me resta é observá-la de longe. Na sala ela senta na primeira cadeira da última fileira perto da janela; eu me sento na última cadeira da primeira fileira perto da porta de entrada, escolhi me sentar lá porque assim tenho uma boa visão de suas costas.

Conformado, subo preguiçosamente os degraus, minha sala é a última porta à esquerda do corredor. O corredor não é tão longo, tem cerca de seis portas em cada lado do recinto, sou do segundo ano, sala-D. A porta já está aberta, entro na sala e todos já estão em seus devidos lugares, sobrando apenas o meu.

Leandro também está na mesma sala que eu, não sei o que fez ele repetir o ano, mas tenho para mim, que ele provavelmente deve ter sido expulso de alguma escola, apenas teoria.

Olho para Aya, ela está com seus fones de ouvido, eles tem orelhinhas de gato na colocação azul. Ela também não tem tanto destaque quanto as outras meninas, ela não usa maquiagem e nem uniforme curto como as outras, as capas de seus cadernos sempre são de animes, quando vi a primeira vez, fiquei feliz, pensei que sabendo desse fato que tínhamos em comum me faria criar coragem para conversar com ela, mas não consegui, desistir no meio do caminho.

Ela teve mais destaque por que a algumas semanas, ela se declarou para Leandro, ele apenas virou as costas e deixou ela falando sozinha. Isso me partiu o coração, ela gosta de outro, isso me doe. Leandro é alto, musculoso e bons nos esporte, burro nas matérias dentro da sala. Mas isso não impede das garotas caírem de amores por ele.

Ainda bem que ele nunca falou comigo, não gosto dele e nunca vou esquecer das maldades que ele e sua turma faziam comigo quando era mais novo.

- Terra chamando Iuri - saio de meus devaneios ao ouvir a voz de George.

- Oi, o que foi? - pergunto meio desnorteado.

- Você fez a atividade de matemática?

- Sim, por quê? - pergunto por pergunta, eu já sei qual é a resposta.

- Me empresta? Por favor, eu acabei esquecendo - faz carinha de cachorro sem dono.

- Novidade seria você se lembrar.

Abro a mochila, pego o caderno e abro na matéria de matemática.

- Bom dia turma! - o professor entra.

- merda! - George fala baixinho para o professor não escutar.

- Bom dia, professor Marcus! - todos, com exceção de mim e George, cumprimentam o professor.

- Tragam suas atividades, elas são equivalentes a dois pontos da unidade.

- Já vi que vou ficar de recuperação, ninguém merece - George reclama e abaixa a cabeça.

De certa forma eu até sinto pena dele, ele não é bom em praticamente todas as matérias, mas manda super bem no desenho. Eu espero todos entregarem, e aí por fim me levanto, levo o volto para meu assento o mais rápido possível.

- Antes de eu começar a correção, quero conversar com vocês que o baile de verão será para o final deste mês, todos já tem par?

Mais um baile em que eu não vou ter nenhuma participação, talvez eu até apareça, mas apenas para ver Aya. Talvez essa seja a última vez que eu a veja. O professor fala mais algumas coisas sobre o baile e então volta sua atenção para os cadernos em cima da mesa.

- Por que não convida a Aya para ser seu par no baile? - George se vira para me perguntar, ele está sentado na cadeira da fileira ao lado da minha.

- Ela nunca aceitaria - afirmo me sentindo triste.

- O não você já tem, peça antes que outro o faça, eu nunca a vi com um par nos últimos bailes em que estive!

Nada o respondo, sei que não sou bonito, e as chances dela me aceitar são praticamente nulas, mas vou tentar, ao menos uma vez vou me arriscar, é melhor tentar e ouvir um não do que ficar com essa duvida me corroendo pelo resto da minha vida. Quando a aula acabar vou criar coragem e irei pedi-la para ser meu par no baile de verão.

Capítulo 3 Segundo

10/ 05/ 2019 - Nova York, Manhattan, Upper East Side.

[ Visão de Aya Millenis]

" - O que diabos há com sua família? Eles não só me desrespeitam, mas fazem de mim seu brinquedo, eu faço os outros de brinquedo, não quero ser um! - Livius I fala para Nike."

- Vai perder o horário, Aya? - desvio minha atenção da grande tela de vidro presa na parede de cor verde água ao ouvir a voz da minha irmã mais velha.

Fico alguns segundos a olhando sem entender, ela apenas ergue as sobrancelha sem me dizer nenhuma palavra, mas como uma luz brilhando no fundo da minha mente me lembro da escola, olho no relógio da parede e vejo marcando sete e cinco da manhã, arregalo os meus olhos, virei a noite assistindo esse anime e nem se quer fiz a lição de casa e tenho apenas vinte e cinco minutos para chegar na escola.

- Merda! - xingo em voz baixa, mas os tímpanos de minha irmã são afiados, isso não é normal.

- Olha a boca Aya, ou conto pra mamãe - ela me ameaça e sai do quarto.

Com os anos se passando, eu e minha irmã não temos mais nada em comum, antes éramos amigas, mas hoje a gente se trata apenas com implicâncias, não sei se fiz algo para ter afundando a nossa cumplicidade de pequenas. Mas enfim, se fiz algo, ela deveria ter me contado, como não falou, também não vou ficar perguntando.

Com dor no coração desligo a televisão, ontem comecei a assistir o anime "Soredemo Sekai wa utsukushii", é sobre um jovem rei, que mal saiu das fraudas, ele casa com uma princesa de outro reino bem mais velha que ele e que ainda por cima ela tem o poder de fazer chover quando canta, e sua voz é muito linda. estou roendo as unhas ansiosa para saber como isso termina.

Corro para o banheiro do meu quarto e nem tomo banho, apenas jogo uma água no rosto e escovo meus dentes, pego meu uniforme, a blusa tem sua coloração azul marinho e a saia é de cor preta, ela vai até um pouco acima dos joelhos. Volto para o quarto e pego minha mochila e o fone de ouvidos que estavam encima da cama. Amo eles, eles tem duas orelhinhas de gato na cor azul, pra mim essa é a melhor cor do mundo, deixo meu cabelo solto e passo pela porta indo para o corredor que me levará para a sala, lá não tem ninguém, meus pais já foram trabalhar e minha irmã com certeza já deve ter ido pra faculdade.

Saio de dentro de casa, a escola fica a oito quarteirões, apresso meus passos, andar enquanto se ouve música é relaxante, tenho um gosto peculiar para música, gosto de ouvir sobre animes, raps de animes para ser mais exata, nunca encontrei ninguém além de mim que gostasse disso. Mas enfim, é o que eu gosto e fim.

Não sou muito sociável, não tenho amigas, estranho não? Mas depois de certos ocorridos prefiro ficar longe das meninas, elas são falsas e só pensam em si mesmas.

Não tenho amigos homens, sou feia demais para algum querer ao menos que fosse amizade. Mas esse fato não me impediu de manter uma paixão em segredo por cinco anos. Conheci ele em uma social da empresa onde meus pais trabalham, eu já estava com doze anos de idade, me encantei por ele e dois anos depois, ele foi transferido para o mesmo colégio que eu, só faltei pular de alegria no meio da sala. Mas me contive.

Fiquei três anos apenas o observando de longe, ele é ótimo nos esportes e chama atenção de todas as meninas, elas praticamente babam quando ele passa, mas também, com o físico que ele desenvolveu é quase impossível não admirar.

A algumas semanas atrás, criei coragem e me declarei a ele, estávamos no corredor, era o final das aulas, quase todos já tinham ido embora. Fiquei parecendo um tomate mas botei em palavras tudo o que guardei por cinco anos. Nunca irei esquecer o seu olhar, frio... Ele se virou e foi embora sem me dizer uma palavra se quer. Não consegui segurar as lágrimas e elas caiam grossas pelo meu rosto.

Suzana apareceu com várias outras meninas, todas usando o uniforme muito mais curto do que o permitido, ela desfilou em seus sapatos e parou ao meu lado, ela disse que Leandro era muita área para o meu carrinho de mão, ela e as outras riram. Sai correndo de lá e fui pra casa, essas são lembranças que não gosto de lembrar.

Descido correr, ainda faltam três quarteirões, olho no relógio e faltam seis minutos, preciso me apressar. Quando chego o portão está quase se fechando, o porteiro está falando com alguém mas ele me ver correndo e novamente abre o portão falando:

- Opa! Mais uma que quase perde o horário.

Entro na escola e sugo o máximo de ar que minhas narinas permitem, estou muito sedentária, preciso resolver isso na minha vida.

- Bom dia, senhor Mouares - falo simpaticamente.

- Bom dia, senhorita Millenis, melhor se apressar - ele fala e sei que está com toda razão.

Eu odeio chegar atrasada, preciso me apressar antes que o professor chegue e peça a atividade, não quero ter nenhuma nota vermelha só porque exagerei na doze de animes.

- Assim farei! - falo já recuperado parte do meu fôlego.

Não tenho tempo a perder, de cabeça baixa corro avoada pelas escadas, eu senti que tinha mais alguém lá, mas não tive tempo de ver e acabei passando sem nem cumprimentar a pessoa que fosse. Sei que foi falta de educação da minha parte, mas eu realmente preciso me apressar. Nota baixa, não é algo admissível para os meus pais. Eles sempre jogaram na minha cara que se tenho algo é graças a eles, e que o mínimo que posso fazer é honrá-los de todos os modos possíveis.

Corro até minha sala e me sento em minha cadeira, gosto de sentar na primeira cadeira da última fileira perto da janela. Tiro meu caderno da mochila e faço a atividade o mais rápido possível, está bem fácil, sempre tirei notas altas em matemática e em qualquer matéria que necessitasse da matemática.

Quando termino a última questão começo a guarda meu material sinto alguém me cutucar com a ponta de uma caneta. Olho para trás e me deparo com grandes olhos verdes e curtos fios loiros que vão apenas até a altura do queixo em um corte chanel.

- Vi que fez a atividade de matemática, quero as respostas - ela fala me dando "ordem".

Olho para ela com a minha melhor cara de desdém, só pode ser brincadeira. Ela é a garota mais popular da sala, talvez até mesmo do colégio, sua beleza não passa desapercebida por ninguém e as suas roupas sempre são de cores roses, definitivamente, ela é apaixonada por rosa. Mas tento controlar o ódio que quer sair por minha boca, respiro fundo e para Suzana apenas respondo:

- Não - grossa mesmo, com isso volto a aguarda o caderno na mochila.

- Não esqueça que eu sou amiga bem íntima de Leandro e q....

Sua fala é interrompida com a entrada do professor.

"- O que ela quis dizer com amiga bem íntima?" - saiu de meus pensamentos ao ouvir a voz do professor que agora fala sobre o baile de verão.

O último baile de verão, ele será realizado daqui a duas semanas, e provável eu também não participar dele. Nunca tenho par... Sou tão feia assim?

Pensar nisso me deixar triste, saber que todos me consideram feia e estranha é deprimente. Me refúgio em meus animes e pronto. Lá não sou julgada e nem cobrada. É perfeito.

As aulas passam rápido, os cinco primeiros horários já voaram e agora é a hora do almoço. A cantina fica no terio, a passos preguiçosos desço novamente os degraus da escada. Mas no último degrau sou surpreendida, Leandro está parado bem na minha frente e está me olhando, e seu olhar não é frio como antes.

- Preciso falar com você - ele pronuncia com sua voz rouca.

- So..bre o quê? - sinto as pontas de meus dedos gelarem e meu coração acelerar um pouco.

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