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O amor do senhor Comissário

O amor do senhor Comissário

Autor:: Clementine
Gênero: Moderno
Kaelyn passou três anos cuidando do seu marido, que estava em estado vegetativo após um acidente horrível. Mas quando ele se recuperou completamente, a deixou de lado para ficar com seu primeiro amor. Enquanto os outros zombavam dela por ter sido abandonada, Kaelyn, arrasada, decidiu se divorciar. Ela então se reinventou, tornando-se uma médica requisitada, uma campeã de corridas e uma designer de arquitetura de renome internacional. Mesmo assim, algumas pessoas não praravam de desprezá-la, acreditando que nenhum homem a aceitaria. Porém, inesperadamente, o tio de seu ex-marido, um comissário militar, apareceu e pediu Kaelyn em casamento.

Capítulo 1 Divórcio e divisão de bens

"Hmm... Landen..."

A voz suave, carregada de desejo, veio de dentro do quarto e se espalhou pelo corredor, paralisando a mão de Kaelyn Barnett no meio da batida na porta.

O som atravessou seu corpo, gelando sua espinha e paralisando seus dedos, como se ela tivesse sido subitamente imersa em água congelante.

Durante anos de casamento, ela e seu marido, Landen Barnett, nunca haviam se relacionado sexualmente.

Mas agora, ouvindo esses ruídos, Kaelyn sabia exatamente o que estava acontecendo.

Sua respiração ficou suspensa, e um peso se instalou no seu peito. Landen... Não, ele não iria... Não poderia...

Quando se casaram, ele havia confessado sua condição, algo que o impedia de compartilhar com ela o que normalmente se esperava de um marido. Então nesse momento, ela se recusou a acreditar que quem estava lá dentro era ele.

Kaelyn pressionou a mão trêmula na testa, como se tentasse afastar um pesadelo. Mas quando profundos gemidos masculinos se seguiram, o conforto instável ao qual ela se agarrava se despedaçou em mil pedaços.

Era a voz dele. Ela sabia disso muito bem.

Sua visão embaçou, lágrimas quentes escorrendo sem controle, enquanto ela tentava se apoiar na parede fria do corredor. Sua mão se apertava contra a boca, abafando os soluços que teimavam em escapar.

Três anos atrás, após o acidente de carro que deixou Landen em coma, Kaelyn se entregara aos cuidados dele sem hesitar, se dedicando ao homem por dois longos anos, sem se importar com os olhares de julgamento dos outros, porque ele havia sido o herói que a salvara quando ela também esteve à beira da morte.

Na superfície, ela apenas cuidava de Landen, mas secretamente, sua habilidade médica o trouxe de volta à vida. Naquele dia, ele havia despertado, e o calor da sua mão ao segurar a dela e o peso da sua promessa ficaram gravados na alma dela.

Ele havia prometido amá-la, se casar com ela, e estar ao seu lado para sempre.

Ela havia sacrificado tudo por ele, dedicando seu coração e alma para se tornar uma esposa atenciosa. Agora, ele a pagava com infidelidade.

Kaelyn sentiu o peso do próprio peito, a respiração curta e descompassada, como se uma lâmina afiada estivesse se enterrando no seu coração. Tudo o que ela havia dado, tudo o que havia sacrificado por ele, parecia agora uma cruel piada de mau gosto.

Ela se virou, pronta para fugir desse pesadelo, mas seus pés congelaram com as palavras que vinham do outro lado da porta.

A mulher, com a voz cheia de falsa preocupação, comentou: "Landen, hoje é seu aniversário de casamento com Kaelyn. Ela deve estar lá, sentada, esperando por você, como a esposa dedicada que é. Não é... estranho estar aqui comigo em vez de com ela? E se ela descobrir..."

"Não se preocupe, Claire. Já te disse, meu coração só tem espaço para você. Quanto a Kaelyn, ela é só uma decoração. Eu nunca toquei nela."

A voz de Landen era suave, quase terna, mas suas palavras atingiram Kaelyn como uma faca, frias e implacáveis.

Kaelyn não podia mais suportar isso. Com as mãos trêmulas e o peito queimando, ela abriu a porta com um estalo seco.

"Landen, o que eu fiz de errado? Por que você me enganou?"

A explosão da sua voz paralisou Landen no meio do movimento.

Ele se virou rapidamente, pegou um casaco e o jogou sobre seus ombros e sobre a mulher ao seu lado. Irritado, ele fuzilou Kaelyn com os olhos. "O que você está fazendo aqui? Eu não disse para você esperar na Mansão Barnett?"

Os joelhos de Kaelyn vacilaram, como se o peso da realidade tivesse se tornado insuportável demais para suportar. A indiferença de Landen lhe deu a sensação de um golpe no rosto.

Então era isso? Ele não iria nem fingir?

Os lábios de Kaelyn se curvaram numa expressão amarga, e as lágrimas surgiram, incontroláveis, turvando sua visão enquanto escorriam livremente. "Se eu não tivesse vindo, por quanto tempo você planejava continuar me enganando?"

Landen permaneceu calado. O silêncio entre eles era sufocante, e a irritação dele tão evidente que roubou a pouca compostura que restava em Kaelyn.

Foi então que a mulher ao lado de Landen se atreveu a romper o silêncio. Sua voz trêmula, carregada de uma espécie de medo, soou baixa, quase como um sussurro: "Não culpe Landen. A culpa é minha. Se alguém tem culpa aqui, sou eu."

O olhar de Kaelyn se direcionou imediatamente para a mulher, e uma sensação estranha se instalou dentro dela. Ela já a conhecia de algum lugar.

Ah, claro. Era Claire Hewitt, amiga de infância de Landen.

Kaelyn se lembrava vagamente de uma foto que tinha visto uma vez na mesa de Landen quando eles se casaram. A foto, no entanto, desaparecera depois de algum tempo, e ela ingenuamente acreditava que aquela parte do passado dele tivesse sido superada.

Agora, ali, diante dela, estava a mulher que tomara seu lugar.

Kaelyn mantinha os olhos fixos em Landen, ignorando completamente Claire. Sua respiração estava difícil, e as palavras saíram quase inaudíveis. "Se você não queria ficar comigo mais... poderia simplesmente ter dito. Por que fazer isso agora... por que no nosso aniversário?"

O sorriso sarcástico de Landen cortou o ar entre eles, gelado e cruel, como uma lâmina afiada. Com o tom carregado de desprezo, ele disse: "Ah, então tá! Vamos deixar claro agora. Quero o divórcio. A posição de senhora Barnett sempre deveria ter sido de Claire."

Ao encontrar o olhar frio do marido, Kaelyn sentiu uma dor aguda no peito, mas de alguma forma, sua voz se manteve controlada. "Então que seja, vamos nos divorciar. Mas saiba que vou exigir metade de tudo. Nem um centavo a menos."

A reação de choque de Landen foi instantânea, e o queixo de Claire quase caiu. Eles trocaram um olhar assustado, a descrença nublando seus rostos.

Kaelyn, uma órfã sem nada, estava ousando exigir metade da fortuna da família Barnett?

Que absurdo!

Claire, sem perder tempo, tentou recuperar a compostura, baixando o olhar e adotando um tom de falsa simpatia: "Kaelyn, você não acha que isso é um pouco... injusto? Landen tem se dedicado aos negócios da família, enquanto você fica em casa aproveitando a vida. A família Barnett tem sido boa para você, como você pode ser tão gananciosa e ingrata? Por favor, não transforme os Barnetts em seus inimigos."

Os lábios de Kaelyn se curvaram num sorriso de puro desprezo, enquanto seus olhos, frios e implacáveis, perfuravam os dois à sua frente. "Uma destruidora de lares não tem moral para me dar sermão sobre justiça. Entenda de uma vez: não estou pedindo permissão. Estou apenas informando. E acredite, se isso vier à tona, a reputação destruída não será a minha."

Suas palavras cortaram como um chicote, deixando os dois num silêncio petrificado.

Sem sequer lançar um último olhar para trás, Kaelyn girou nos calcanhares e se afastou da vila, sentindo o ar frio da noite envolver seu rosto como um lembrete de que essa batalha estava longe de terminar.

Com um suspiro controlado, ela puxou o celular do bolso. Seus dedos pairaram sobre a tela, uma hesitação breve antes de finalmente digitar um número que não discava há anos.

O toque mal havia soado quando a chamada foi atendida, e a voz do outro lado transbordava uma excitação mal disfarçada. "Kaelyn? Não acredito! É você mesmo? Finalmente se lembrou de mim!"

"Sim. Estou do lado de fora da vila particular de Landen. Pode vir me buscar? Vou te enviar o endereço."

"Claro! Estou a caminho."

Em apenas dez minutos, o silêncio da rua foi engolido pelo ronco dos motores enquanto vários carros de luxo paravam na frente dela.

O veículo da frente parou suavemente, e o motorista desceu com passos firmes. Kaelyn reconheceu o rosto imediatamente, e uma sensação amarga de ironia a tomou por inteiro.

Durante anos, ela se apagou, se sacrificando por um homem que nunca a mereceu.

Como pôde ser tão cega? Que ridículo!

Mas agora, o véu finalmente havia caído e, ao menos dessa vez, ainda havia tempo para reescrever sua história.

Preocupado, Sebastian Gill, subordinado de Kaelyn, se aproximou dela. "Kaelyn, o que aconteceu? Por que você está chorando?"

Seus olhos se arregalaram ao notar os rastros de lágrimas marcando o rosto dela.

Kaelyn sempre foi inflexível e inabalável, então vê-la assim era quase inconcebível.

Ela respirou fundo, passando os dedos pelo rosto para apagar os últimos vestígios de emoção antes de responder com a voz firme: "Não é nada. Só decidi me divorciar daquele canalha."

A declaração ecoou no ar, atingindo Sebastian como um raio.

"Se divorciar dele?" Ele piscou algumas vezes, processando a informação, e então, no segundo seguinte, uma gargalhada calorosa preencheu o espaço entre eles. "Isso é maravilhoso! Finalmente você enxergou a verdade! Bem-vinda de volta a si mesma."

Capítulo 2 Você é a intrusa nessa história!

Meia hora depois, na vila suburbana.

Sebastian pousou um prato fumegante de espaguete sobre a mesa com um movimento brusco, a frustração evidente em cada gesto. "Aquele maldito Landen! Se não fosse por você tê-lo tratado todos esses anos, ele já estaria morto há tempos! E, em vez de demonstrar um mínimo de gratidão, ele teve a audácia de te trair. Ele é apenas um..."

A voz de Kaelyn cortou a indignação dele com firmeza: "Chega! Não quero mais falar sobre ele."

Massageando as têmporas, ela fechou os olhos por um instante, deixando escapar um suspiro carregado de exaustão.

Sebastian segurou a própria língua, sua raiva sendo rapidamente substituída por preocupação ao notar o cansaço estampado no rosto dela. "Tudo bem, tudo bem. Vamos mudar de assunto."

Depois de um breve silêncio, ele lançou a pergunta que vinha guardando: "Aliás, nesses três anos em que você ficou afastada da área médica, as pessoas praticamente enlouqueceram tentando te encontrar. Agora que finalmente se separou do Landen... está pensando em voltar ao setor?"

Depois de sustentar o olhar dele por um instante, pensativa, Kaelyn respondeu: "Espalhe a notícia da minha volta. Está na hora de a renomada médica, Egret, retornar."

Um sorriso lento e cheio de empolgação se desenhou no rosto de Sebastian. "Finalmente! Essa é a melhor notícia que ouvi em anos!"

Ele não pôde evitar um sorriso diante da ironia. O Grupo Barnett estava desesperado por qualquer pista sobre Egret, disposto a pagar fortunas pelas suas habilidades.

No entanto, Landen, casado com ela há três anos, continuava cego, incapaz de enxergar a verdade que dormia ao seu lado todas as noites.

...

Na manhã seguinte, Kaelyn dormia profundamente quando o toque estridente do celular rompeu o silêncio do quarto. Tateando às cegas, ela encontrou o aparelho e atendeu com um suspiro enquanto tentava sair da sua névoa sonolenta.

Do outro lado da linha, a voz fria e cortante de Kathy Barnett, sua sogra, atingiu seus ouvidos como um golpe seco: "Onde diabos você se meteu dessa vez, sua ingrata? Volte agora mesmo e faça seu trabalho doméstico!"

Antes, Kaelyn teria se encolhido diante dessa fúria, murmurando desculpas e baixando a cabeça, como sempre fazia. Mas agora as coisas haviam mudado.

Com a voz firme e despida de emoção, ela respondeu: "Landen e eu decidimos nos divorciar. Não tenho mais qualquer obrigação com sua família."

"O quê? Divorciar?"

O silêncio do outro lado durou apenas um instante, seguido por uma risada seca e incrédula.

"Aposto que essa decisão partiu de você. Kaelyn, não esqueça seu lugar! Você não tem o direito de fazer birra comigo! Volte para casa em meia hora, ou vou jogar todas as suas coisas fora!"

Dito isso, Kathy desligou sem hesitar, encerrando a ligação abruptamente.

Kaelyn permaneceu imóvel por um instante, os lábios comprimidos numa linha fina. Então, sem pressa, ela se levantou da cama e começou a se vestir.

Havia pertences importantes que ainda estavam no seu antigo quarto na Mansão Barnett, e aquele parecia o dia ideal para recuperá-los - era hora de cortar, de uma vez por todas, os laços que a prendiam àquela família.

O táxi a deixou diante da imponente residência, e assim que ela cruzou a porta de entrada, uma voz estridente ecoou da sala de estar.

"Ora, ora, veja só quem teve a ousadia de aparecer! Passou a noite fora? Deve ter aprontado alguma coisa bem suja."

Kaelyn ergueu o olhar para o sofá, onde Kathy e sua filha, Verena Barnett, estavam sentadas lado a lado, elegantemente vestidas, mas exalando a arrogância mesquinha de pessoas comuns.

A expressão de Kaelyn endureceu quando ela encontrou os olhares desdenhosos. "Ah, você tem razão. Algo realmente sujo aconteceu. Landen foi pego me traindo com Claire, no nosso aniversário de casamento e bem diante dos meus olhos. Se isso vier à tona, a reputação dos Barnetts será destruída."

"O quê? Claire voltou?"

Kathy arregalou os olhos, mas logo sua expressão se fechou num sorriso carregado de desprezo.

"Bem, o que mais você esperaria? Você sempre é inútil. Três anos fazendo parte desta família e nem sinal de um filho. Achou que Landen ficaria parado, vendo a linhagem da família morrer?"

Verena lhe lançou um olhar carregado de veneno antes de falar, cada palavra impregnada de desprezo: "Exatamente! Se não fosse pelo acidente de Landen e pelo último desejo da vovó, você realmente acha que uma órfã como você teria alguma chance de se casar com um Barnett? Comparada a Claire, sua origem e seus talentos são patéticos! Uma mulher estéril como você não merece sequer a atenção de Landen."

Kaelyn quase soltou uma risada diante da audácia de Verena e Kathy. A falta de vergonha delas era tão revoltante quanto divertida.

Mas em vez de perder tempo com discussões inúteis, Kaelyn enfiou a mão na bolsa e puxou um antigo relatório médico que Landen lhe entregara anos atrás. Sem hesitar, ela o jogou no colo de Verena. "Landen nunca teve intimidade comigo, nem uma vez. Vocês realmente acham que eu poderia ter um filho sozinha?"

Verena abriu a boca para disparar outro insulto, mas a voz morreu na sua garganta assim que seus olhos pousaram no relatório. A palavra "IMPOTENTE" em negrito, destacada no documento, parecia gritar para ela.

"Como... como isso é possível?" Suas mãos tremiam enquanto ela agarrava o papel, visivelmente chocada.

Ao lado dela, Kathy ergueu uma sobrancelha ao ler o relatório. Sua expressão vacilou apenas por um instante antes de ela recuperar o controle.

Com a voz ríspida, ela declarou: "Se Landen consegue ter intimidade com Claire, isso prova claramente que o problema nunca foi dele. Ele mentiu sobre ser impotente porque não suportava a ideia de tocar em você."

Diante da afronta, um sorriso frio se desenhou nos lábios de Kaelyn, e seus olhos brilharam com sarcasmo. "Será mesmo? Você se esqueceu de quem ficou ao lado de Landen, estabilizando o caos no Grupo Barnett quando ele sofreu o acidente e Claire fugiu para o exterior?"

O maxilar de Kathy se retesou, e seu olhar afiado se cravou em Kaelyn. Por um instante, ela pareceu sem palavras, mas logo sua expressão endureceu, carregada de desprezo. "Não pense que eu não percebi seu joguinho! Desde o começo, você sempre tinha um único objetivo: entrar para a família Barnett. Você não é diferente de Claire... As duas são igualmente gananciosas, obcecadas pela nossa riqueza!"

Verena, que sempre se dava muito bem com Claire, se enrijeceu com a comparação da mãe.

Irritada, ela defendeu a amiga rapidamente. "Mãe, não se atreva a colocar Claire no mesmo nível dessa mulher. Ela foi para o exterior naquela época para procurar médicos para Landen, não porque estava fugindo. Ela é diferente de Kaelyn!"

Verena então se virou para Kaelyn, os olhos carregados de desprezo, e disparou com veneno na voz: "Se você não tivesse se metido e se casado com Landen, Claire nunca teria tido o coração partido, nunca teria passado anos longe! Ela voltou porque ainda se importa com ele. Kaelyn, você deve muito a Claire. Afinal, você é a intrusa nessa história!"

Kaelyn soltou uma risada seca, balançando a cabeça, como se estivesse farta dessa ladainha. Sem perder tempo com palavras desnecessárias, ela abriu a bolsa, puxou um contrato de divórcio e ergueu o documento diante das duas. "Estão vendo isso? Estou determinada a me divorciar. Digam a Landon para se preparar e comparecer ao cartório comigo. Assim, ele estará livre... e esse casal ridículo poderá fazer o que bem entender."

Sem dar espaço para mais discussões, Kaelyn se virou e subiu as escadas, deixando Kathy e Verena atônitas, sem saber o que dizer.

Capítulo 3 O outro lado de Kaelyn

Até Kaelyn terminar de arrumar suas malas e cruzar a porta, Kathy e Verena continuaram paralisadas, como se o tempo houvesse congelado ao redor delas. No silêncio pesado, o contrato de divórcio sobre a mesa parecia queimar sob seus olhares incrédulos.

"Ela realmente vai se divorciar de Landen?", Verena murmurou, desconfiada.

Com um movimento brusco, ela pegou o documento e o examinou mais de perto. Seus olhos correram pelas palavras, e a fúria que subiu pelo seu peito logo transpareceu na sua expressão quando ela exclamou: "Há! Exatamente como eu pensava! Ela só quer dinheiro! Veja isso! Ela quer metade dos bens da família Barnett! Sem vergonha!"

Antes que Kathy pudesse responder, o som da porta da frente se abrindo ecoou pela casa. Landen entrou, os ombros pesados pelo cansaço, mas sua expressão permanecia composta, impenetrável.

No instante em que o viram, Kathy e Verena se moveram como predadoras, o cercando sem dar tempo para que respirasse.

"Landen, você precisa acabar com essa loucura agora mesmo! Essa mulher sugou tudo o que podia da nossa família e agora quer arrancar ainda mais! Esse divórcio não passa de um golpe para nos extorquir!", Kathy disparou, a indignação fazendo sua voz soar ainda mais estridente.

Verena emendou, a voz tremendo de fúria: "Sim, e não é só isso! Ela não apenas nos desrespeitou, como também esfregou esse pedido de divórcio na nossa cara, como se fôssemos insignificantes! Deveríamos expô-la ao público e deixar que todos saibam que ela não passa de uma vergonha! Quando ela for rejeitada por todos, não terá escolha a não ser voltar rastejando para nós!"

Landen estreitou os olhos, processando as palavras que acabara de ouvir, e disse com firmeza: "Não."

O Grupo Barnett atravessava um momento crucial e, agora, figurava entre as 100 maiores empresas do mundo. Se pudesse conquistar o apoio de Rodger Barnett, o chefe da família e uma figura de influência inquestionável tanto no meio militar quanto no financeiro, o futuro da empresa poderia alcançar níveis sem precedentes. Portanto, em tempos como esse, qualquer deslize, qualquer escândalo, poderia ser catastrófico.

Antes que Landen pudesse acrescentar mais alguma coisa, o celular no seu bolso começou a tocar. Com um olhar carregado de irritação, ele atendeu, já prevendo um incômodo.

No entanto, à medida que escutava do outro lado da linha, sua expressão se alterou drasticamente. A frustração foi substituída por uma súbita intensidade, e sua voz, antes controlada, ganhou um tom de urgência.

"O que você disse? Teve uma pista sobre Egret? Continue investigando. Custe o que custar, preciso da ajuda dela." Os olhos de Landen brilharam com interesse, a mente trabalhando rapidamente diante da nova informação.

...

Às dez da noite, no Bar Radiant, o ambiente vibrava com uma energia contagiante.

"Ao grande retorno de Kaelyn!"

Sebastian ergueu seu copo com entusiasmo, um sorriso largo estampado no rosto enquanto ele aproveitava a celebração. Sua alegria era evidente para todos.

Os homens ao redor não hesitaram em segui-lo e, entre risadas e cumprimentos ruidosos, ergueram seus copos, brindando em uníssono.

"Bem-vinda de volta, Kaelyn!"

"Kaelyn, você é incrível! No momento em que a notícia se espalhou, as pessoas começaram a correr para descobrir mais sobre a lendária médica, Egret!"

"É verdade! Ouvi dizer que o Grupo Barnett até ofereceu um milhão! Consegue imaginar a cara de Landen se ele soubesse quem você realmente é?"

Só de ouvir o nome de Landen, o rosto de Kaelyn se fechou instantaneamente.

Sebastian percebeu a mudança de imediato e, sem hesitar, tratou de mudar o rumo da conversa. "Um milhão? Isso não é nada. Alguém aumentou a oferta. Quinze milhões só para rastrear Kaelyn! E, se aceitar o caso, estão oferecendo setenta milhões."

Kaelyn girou a bebida preguiçosamente no copo antes de levar aos lábios, degustando o líquido com uma calma calculada.

Ela não respondeu. Qualquer um disposto a pagar tanto certamente estava envolvido em algo grande, uma rede de poder e influência que exigiria um preço alto. Ela acabara de ressurgir, então mergulhar em algo tão complexo agora não fazia parte dos seus planos.

Percebendo o silêncio dela, Sebastian desviou o assunto para temas mais leves, envolvendo o restante do grupo na conversa.

Kaelyn, por sua vez, permanecia em silêncio, saboreando sua bebida enquanto a mente vagava por pensamentos que só ela conhecia.

No entanto, não demorou para que o grupo chamasse atenção, e pessoas, curiosas e intrometidas, começaram a se aproximar, tentando se infiltrar na conversa.

As interrupções logo se tornaram irritantes. Com um suspiro impaciente, Kaelyn puxou a manga da camisa de Sebastian. "Vamos dançar."

Ela se moveu até a pista com uma confiança inabalável, os passos fluidos e naturais, como se cada movimento fosse uma extensão dela mesma. Depois de anos vivendo sob a sufocante sombra da família Barnett, tudo o que ela queria essa noite era sentir o gosto da liberdade.

A batida intensa do rock dominava o ambiente, e ela se entregou ao ritmo sem esforço, o corpo respondendo à música com uma força graciosa. O mundo ao redor se dissolveu até que nada mais importasse além da melodia pulsante e dos seus próprios movimentos.

Gradualmente, os dançarinos ao redor dela vacilaram, cativados pela aura magnética que emanava dela.

Sob as luzes piscantes, seu vestido preto, justo ao corpo, era como uma segunda pele que ressaltava suas curvas e a elegância natural. Cada passo que ela dava fazia a multidão se curvar a uma presença magnética, impossível de ignorar.

"Aquela é... Kaelyn?", Landen murmurou, paralisado na entrada.

Sua voz se perdeu no turbilhão de sons, abafada pela batida da música, mas seus olhos não conseguiam se desviar dela, que estava no centro de tudo. Seu olhar estava preso à visão deslumbrante à frente, e ele mal podia acreditar no que via.

Landen havia levado Verena e alguns amigos para celebrar o retorno de Claire do exterior, sem imaginar que encontraria Kaelyn num lugar como esse.

Como poderia uma mulher tão sem graça como Kaelyn se transformar em alguém tão fascinante?

Claire, que segurava o braço de Landen, sentiu a tensão crescente no corpo do homem assim que os olhos dele pousaram em Kaelyn. Intrigada, ela franziu as sobrancelhas em desgosto.

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