Eu estou voltando para cordonelia faz oito anos que não piso nesta cidade, eu tinha acabado de fazer 18 anos e decidi que aqui era pequeno demais para os meus sonhos. " Que piada" eu que sou pequena demais para os meus sonhos, a sonhadora e magnífica liz voltar com rabinho entre as pernas para a cidade que ela jurou nunca mais pisar.
" eu sou mesmo uma piada pronta" e para piorar meus pais estão no sítio dos Oliveiras e como eu ia recusar o convite? Como eu diria que não ia querer ver aqueles que eu prometi esquecer, como dizer que ainda não estou pronta para vê-lo? Essa é a pior parte, ter que encará-lo, ter que deixá-lo avaliar os meus fracassos e usar de tom sarcástico para apontar o quanto eu falhei.
Escuto a buzina alta
- Presta atenção!!!! - Alguém gritar, eu tinha passado o farol vermelho, sinto meu coração acelerar e perco por um momento o controle do volante, mas consigo frear, e encostar o carro. Eu podia ter morrido, nesse exato momento eu podia bater em outro carro e ter morrido e talvez fosse o melhor, talvez isso acabasse assim, quase como uma justiça divina, com toda a certeza seria isso que iriam falar " a justiça divina não falha". Mas estou viva e talvez eles não saibam, mas isso é mil vezes pior.
- Tudo bem moça? - Um rapaz muito bonito se aproximou do carro, ele tinha lindos olhos verdes, o que me deixou um pouco desnorteada. - Quer ajuda?
- Não, eu só perdi o foco. - Olhei para trás para ver se tinha feito algum estrago, mas o bom de cidade pequena é isso, os erros são menos trágicos nos transito. - Não existia semáforo quando estive aqui pela última vez.
- Assim, colocaram á uns dois anos, o prefeito quer atrair turistas, precisamos deixar a cidade mais organizada né. - Ele fala mexendo-os ombros, como se isso fosse algo superficial, apenas paras os turistas.
- O prefeito! - Sim, bem a cara dele odeia-a cidade grande, mas quer tirar dinheiro dos que moram lá.
- O conhece? - Talvez o meu tom tenha sido um pouco arrogante.
- Sim, estudamos juntos. -- Engoli em seco, tem coisas que não podemos mudar e conhecer aquele homem era uma dessas.
- Então é daqui, logo vi, como seus pais se chamam? - Ele sorriu alegre, e aquilo era reconfortante, o lado bom da cidade pequena era isso, as pessoas eram gentis e adoráveis, ao menos quando não te conheciam.
- Lucrécia e Juliano. - Falei tímida, minha-adorável família era muito bem conhecida, por um pequeno detalhe.
- Não acredito que é a Liz a noiva fujona! - O apelido que minha mãe me disse aos prantos por telefone tinha me assombrado por anos, mas agora não doía mais.
- Posso sair com o carro? - Falei olhando para os cotovelos dele que estavam encostados na janela do carro.
- Claro, desculpa, eu .....
Ele ficou vermelho e se afastou, não conseguia dizer nada, apenas arrancar com o carro, então era isso, eu era de fato a piada da cidade. E agora teria que conviver com os cochichos e piadas, além de lidar com ele, eu estava indo direto para o covil dele, claro nossas mães amigas de infâncias, mesmo depois tudo se mantiveram amigas, e no fim a mãe dele, me perdoou, afinal era minha madrinha e por vezes me ligava na cidade, gostava de saber como eu estava, eu a amo, amo minha madrinha, mas eu nunca queria te que vê-la novamente,não queria ter que encará-la e saber que falhei com ela, falhei com todos, e coloquei o nome da minha família e o do dela na lama.
E ao pensar nisso parei o carro novamente, eu devia voltar, devia ir para minha vidinha medíocre e viver lá, porque eu merecia aquela vida, eu mereci tudo que me aconteceu, as lágrimas começaram a brotar.
- A vida na cidade ter amoleceram Liz. - Reconheci aquela voz no ato, olhei para o lado e um fusca amarelo estava parado, era John, meu doce e adorável John, eu não o via a tanto tempo, eles estava bem mais velho.
- Ah meu Deus, que saudade de você. - Comecei a tirar o cinto, queria abraçá-lo, eu não tinha ligado para ele, nesses últimos anos, mesmo sabendo que ele não teria me julgado, mas minha família culpou John por colocar sonhos na minha cabeça, ele é o bibliotecário da cidade, e eu passei grande parte das minhas férias enfiada na biblioteca com john
Ele saiu do carro e me abraçou, ele parecia mais baixo do que na última vez, sua barba longa ainda estava ali, ele tem olhos grandes e negros, são os olhos mais gentins que já vi..
- Minha pequena sonhando Liz, achei que nunca mais haveria novamente, foi muita covardia sua não me ligar e contar suas aventuras. - Sua voz não era de julgamento, mas com toda certeza o magoei.
- Se soubesse o que passei, queria ter ficado aqui com você, o mundo nos livros é tão mais fácil John. - Os livros são tão quentes e reconfortantes a certeza que no final tudo vai se resolver, nos faz ficar até o final.
- Não saberia disso se não tivesse passado, mas vamos, posso te fazer um café e te fazer um tapioca, sei que sente saudade disso.
E como eu sentia, mas precisava ir ao sítio dos oliveiras e teria que lidar com meus erros, e teria que vê-lo novamente, então tomei a decisão mais covarde.
- Claro, dirigir a madrugada toda, estou faminta, e meus pais devem está acordando ainda. - Ele sorriu.
- Sua tática era chegar o mais cedo possível e não se vista. - Ele disse me encarando, como se eu tivesse fazendo uma travessura.
- Faria o mesmo? - Ele abriu um sorriso de lado.
- Teria chegado de madrugada, velhos como eu já estão acordados antes do galo cantar, teria me-evitado.
- Seria o último que eu iria querer evitar.
- Sim, minha pequena, eu sou o menor dos seus problemas.
- Muita gente magoada comigo, né?
- Não tem como seguir nossos sonhos, sem deixar lágrimas pelo caminho.
- E eu inundei a cidade.
- Não tem porque falar disso agora, porque não tem como alterar o passado, nem prever o futuro, mexemos com o que está acontecendo agora.
- Agora estou faminta.
- Então siga o meu carro, e prometo que esse seu problema eu tenho a solução.
- Queria que meus problemas se resolvessem com tapioca.
- E quem não quer minha pequena?
E eu me escondi na parte da manhã na casa do John, mas minha mãe começou a ligar, e tem um número razoável em que se ignora sua mãe antes dela surtar, então eu atendi.
- Pensei que teria que procurar seu corpo em algum hospital! - A voz estridente da minha mãe me fez sorrir, era terrível, mas eu a adorava assim.
- Encontrei o john, vim tomar café.
- Claro, não pisa na cidade há anos, e a primeira pessoa que quer ver é o velhote do John.- John dá seu sorriso amarelado, ele já havia se acostumado com a minha mãe.- O cumadre para de arrumar as coisas, ela já tomou o café na casa do John, pouco se importou com nossa recepção, sempre te disse que ela é uma ingrata.
Ouvir minha madrinha ao fundo. " Mas diga que venha logo, estou com saudade"
- Diga que já estou indo.
- Te dou vinte minutos, Elizabete, se não estiver aqui, vai conhecer a fúria de sua mãe.
- Já estou indo, mãe. - Olhei para John que sorriu.
- Me visite na velha biblioteca. - Eu balancei a cabeça, sorrindo e acenando com a mão,, eu sabia que minha mãe só pararia de falar quando ouvisse o carro em movimento.
- Pronto, girei a chave, estou a caminho. - Pronto, agora eu podia continuar ou dar meia volta e fugir, e nunca mais voltar. Respirei fundo, e decidi que já tinha fugido por muito tempo.
Ela está chegando, ouvir sua mãe falar com ela pelo telefone, então ela teria coragem de vim até mim, Liz se tornou mesmo uma desavergonhada, é isso que se espera de alguém que vai para cidade grande, nunca achei que veria novamente, eu sonhei tanto que um dia ela voltaria para implorar meu perdão, desejei tanto que ela se arrependesse, estive por vezes tentado em ir buscá-la, mas não fui, ela tomou uma decisão e achei que manteria, ela prometeu que nunca mais pisaria aqui novamente, que nunca mais teria que vê-la.
Ela havia prometido e eu tolo acreditei novamente em sua palavra, acreditei que eu poderia seguir minha vida, e deixar de ser a piada da cidade, mas agora ela volta sem pensar nas consequências, pronta para tirar o resto de paz que eu conseguir.
- Ouvido atrás da porta? - Matheus disse rindo.
- Não, apenas estava passando.
- E decidiu ficar ouvindo as conversas. - Ele era mesmo, um idota, arrumei minha postura e saí de perto dele, sem dizer nada.
Eu teria que me manter distante dela, não sei se vou conseguir me segurar e não dizer tudo que penso sobre ela, sobre o que ela fez comigo e com toda a nossa família, e agora ela será recebida como uma lady, minha mãe passou a manhã toda fazendo os doces favoritos da Liz, como se ela não tivesse nos tornado a piada da cidade por anos, como se ela não tivesse me arruinado. Mas agora ela volta como se não tivesse feito nada, sem consequências, porém eu não esqueci o que ela me fez passar, jamais a perdoarei de mim ela não terá nada.
- Vai mesmo ficar? - Leila pergunta, ela sabia o que eu tinha passado, minha irmã mais nova tinha sofrido como eu, e não estava tão tentada a perdoar Liz tanto quanto eu.
- É renovação de votos dos nossos pais, não vou faltar com eles, ela que devia saber que não é bem vinda.
- Mamãe me proibiu de ignorá-la.
- Não seria cortês de nossa parte, devemos tratá-la como qualquer outro convidado, nem pior nem melhor, como qualquer um. - Falei certo que isso é o melhor que eu conseguiria dar a ela, apenas a indiferença de ser como todos os outros, ela não merece sequer ser lembrada de que algum dia foi importante para mim.
- Podemos ir ao lago, seria divertido e não precisávamos esperar ela aqui, feitos cachorros ansiosos.- Leila falou fazendo careta, ela era minha irmãzinha e eu que devia protegê-la, mas ela era extremamente protetora, nós dois tínhamos concordo que a felicidade do matrimônio dos nossos pais, não foi passado para nós. A pouco tempo ela também levou uma rasteira do amor, "essas coisas acontecem" eu falei e ela se virou para mim e disse com a cara mais lavada do mundo " ao menos ele não me deixou no altar".
Leila era a única que brincava com isso, a única que eu permitia trazer essa lembrança, porque ela foi a única que sentiu tanto quanto eu.
- Nossa mãe iria nos matar. - Falei, Matheus que até então ouvia a conversa, pegou Leila no colo.
- Por isso a ideia é boa, bem que eu quero ver você tomando uma surra da sua mãe. - Os dois riram quando revirei os olhos.
- Apenas por 1h ou 2h, mas que isso nossa mãe nos mata e eu não irei pensar duas vezes em entregar você Leila, e dizer que foi você que quebrou a porcelana de nossa avó.
- Prometeu que nunca diria! - Seus olhos verdes se encheram de fúria e Matheus a soltou.
- Vamos o sol já está esquentando. - Ele diz revirando os olhos, Matheus é quase como irmão para mim, ele veio passar um tempo com sua tia, porém se apaixonou pela cidade e decidiu ficar, e com sua ajuda consegui erguer os negócios da minha família.
Cada som de carro que eu ouvia ao longe, eu pensava que podia ser ela, o lago era pequeno e ficar um pouco distante da nossa casa, era um lugar quase escondido, apenas minha família tinha acesso, Leila se balançou no pneu que estava pendurada em uma árvore perto do lago e se jogou, eu já não tinha mesma disposição que ela, então apenas tirei o sapato e coloquei os pés na água, Matheus tirou a camisa e pulou na água fria, ele gostava mais disso aqui do que eu.
- Marcos, não seja chato, vamos pular também água, está uma delícia. - Leila disse, jogando água em mim, mas eu não cairia na implicância dela.
- Ele está chato hoje, porque aquela que não deve ser mencionada está voltando. - Matheus fala afogando a cabeça de Leila na água.
- Vocês são ridículos. - Falei me levantando, resolvi dar uma volta, por ali, não queria provocações hoje.
Me distanciei o máximo que puder das vozes deles, sempre amei o ar do campo, gosto das coisas simples, e esse sempre foi o problema entre Liz e eu, ela sempre sonhou alto e por muito tempo eu estive disposto a largar tudo por ela, mas a vida não é tão simples e quando eu me neguei a seguir seu sonho e pedir que ela seguisse o meu, vi que ela não estava tão disposta a abrir mão dos seus sonhos por mim, tanto quanto eu estava disposto abrir por ela.
Decidir que eu devia ir um pouco mais longe, talvez ir tão longe que fosse difícil de voltar ainda hoje " isso é covardia", claro que todos vão achar que sinto algo por ela, e eu terei que lidar com olhar de pena novamente, ela se foi e me deixou como o coitadinho, o homem que não conseguiu segurar uma mulher. Como se alguém pudesse segurar Liz, mas não foi o abandono que me magoou, não foi ela ter escolhido seu sonho, mas foi a covardia dela. Foi a falta de coragem de me dizer que tinha tomado-outra escolha, foi ela ter me deixado lá com uma maldita-aliança na mão achando que ela logo chegaria.
"Maldita"
Percebi que eu já estava saindo da trilha, decidir voltar, ela merecia me olhar, merecia sentir o meu desprezo por ela, saber que agora ela não pode me afetar, que eu não sinto nada por ela, eu a enterrei naquele dia, naquela tarde em que ela me deixou, ela morreu para mim.
Escutei uma voz familiar, parecia estar extremamente irritada.
" Como eu tenho sorte!"
Ela falava alto, ela sempre fala alto demais e vive por falar sozinha, sentir meu coração acelerado, eu ainda não estava preparado para ir vê-la, mas parecia que ela tinha tido algum problema, com certeza tentou cortar caminho para ver o lago antes de ir para casa, ela é tão previsível como não pensei nisso.
Andei em direção da sua voz, e a vi, tão linda como sempre.
Eu devia ter ido direto, mas não tinha que cortar caminho, queria ver o lago, queria lembrar da minha infância de quando as coisas eram simples, quando eu era a pequena Liz, que passava as férias no sítio da sua madrinha e brincava com Marcos, nessa época não havia dor, éramos só crianças. E só porque eu queria me apegar um pouco nessa menininha que ainda não tinha quebrado o coração de Marcos, que me enfiei nessa enrascada.
"Como eu tenho sorte!"
O carro atolou e por mais que eu tentasse não saia do lugar, peguei meu celular para tentar achar sinal, precisava pedir para alguém ir ao meu encontro, quando ouvir uma voz de longe.
- Sempre procurando o jeito mais fácil Liz.
Me virei e senti minhas pernas fraquejarem, ele estava lindo, seus cabelos continuavam com o mesmo corte da adolescência, mas ele não era o garoto magricela que eu deixei, ele agora adquiriu músculos " e que músculos". Ele usava uma regata branca, que estava um pouco molhada, como se alguém tivesse jogado água nele e uma bermuda preta, seus olhos cor de mel brilhavam com a zombaria, e havia um sorrisinho de triunfo que simplesmente não entendi.
- Pode não parecer, mas pessoas normais pedem ajuda. - Enfim conseguir dizer, havia uma tensão sobre nós, ele não desviou o olhar, parecia determinado a me encarar a ler minhas expressões, se ele está esperando um pedido de desculpas está muito enganado.
- Pessoas fracas, pedem ajuda sem ao menos tentar antes. - Ele se aproximou e eu senti meu coração indo á boca, eu não devia mais sentir isso, não devia sentir como se houvessem borboletas no meu estômagos, eu as matei, matei todas elas quando decidir ir embora, mas lá estavam elas revivendo só com olhar dele sobre mim.
- Então porque não tenta sozinho. - Balancei a chave para ele, que veio até mim, com certa fúria, aproximou seu corpo do meu, não o bastante para encostar, mas o suficiente para me deixar sem ar.
- Não tenho nada com seus problemas Liz. - E então sorriu se afastando e se encostando em uma árvore. - Não tem sinal de celular por aqui, mas pode subir em alguma árvore, talvez alguma desses pássaros se a padeça de você e leva o seu recado, ou se preferir pode ir até a casa andando.
Olhei para os meus pés , estava com uma sapatilha que com certeza não tinha sido feita para caminhadas longas, não imaginei que iria precisar andar. Mas se ele acha que vou implorar por sua ajuda, ele está muito enganado, eu me virei, peguei a minha bolsa, o encarei e elevei o queixo e sai.
"Devo avisá-la que está indo pelo caminho errado"
Ele sussurrou, me virei para encará-lo novamente.
- Continua infantil!
- Sou o mesmo Liz, quem foi para cidade grande foi você, eu sou o mesmo Marcos de sempre, sem qualquer alteração. - Olhei para os músculos novamente, não exatamente o mesmo.
- Estou vendo. - Falei seguindo por outro caminho, fazia muito tempo que estive aqui, possivelmente vou me perder antes de conseguir achar a casa.
- E a fascinante Liz, não consegue admitir que está perdida, tão orgulhosa. - E não me virei, mas sabia que ele sorria. - Se orgulha do que fez Liz?
Senti meu coração acelera, eu sabia que chegaria o dia que estaríamos frente a frente e que ele iria me cobra uma explicação, mas eu não a tinha, nada justificava a partida sem despedida, sem uma explicação, além de que se eu olhasse para trás, se eu tivesse que escolher entre seu abraço e meu sonho, talvez eu ficasse com seu abraço, eu precisei ser fria, precisei de toda as minhas forças para ir sem olhar para trás.
- Se orgulha da dor que causou a toda a sua família? A dor que causou na minha família Liz? - Eu me virei e vi que ele estava indo até o carro, pegou a chave que eu tinha deixado no chão.
- Não, mas não importa, não posso mudar isso, não tem conserto, então apenas vamos esquecer. - Ele me entregou a chave, tinha pegado algumas das minhas malas.
- Tranque o carro, te darei uma carona até a casa, minha mãe mandará alguém vim buscar o seu carro. - E foi isso, ele não me encarou, mal me olhou quando disse isso, apenas continuou andando e eu o segui em silêncio.
O silêncio entre nós era como uma navalha percorrendo-o meu corpo,a sensação que a qualquer momento ele perfumaria minha pele, com suas perguntas afiadas. Porque foi sem despedida? Porque não ligou? Porque agiu como se nunca tivéssemos sido nós? E o medo de não conseguir negar que foi porque se-eu ouvisse sua voz, se-ele me olhasse daquele jeito, como se-eu fosse o mundo dele, eu largaria tudo e ficaria com ele, eu voltaria se-ele pedisse, que não era tão forte como ele pensa. Se Marcos tivesse dado qualquer sinal que ainda me queria, teria voltado correndo. Isso me assustava, morria de medo de me perder naquele amor e me tornar apenas a esposa de Marcos, apenas uma esposa, eu queria mais que isso, muito mais que ser uma esposa. .
Quando me aproximei vi que Leila estava lá, a pequena Leila tinha se tornado uma linda mulher, claro ela devia ter apenas dezoito anos agora, mas estava linda seu cabelos negros caia em cascatas por suas costas, ela ria junto ao que parecia ser seu namorado, ele era muito bonito e parecia ser mais velho, tinhas lindos olhos azuis e seus cabelos eram cacheados e loiros, ele parecer se aquelas pessoas que tudo sempre ta bem. Fiquei feliz por ver Leila tão bem, mas quando seus olhos verdes se ergueram em minha direção, consegui perceber que ela não sentia o mesmo.
- Falei que Marcos iria voltar, sua irmã queria que eu fosse atrás de você nessa mata. - O homem sorri para mata. - Ela realmente achou que eu voltaria se fosse atrás de você.
- Ele é um covarde, disse que preferia ir buscar ajuda, está sempre se aproximando de pessoas que não se importam tanto assim com seu bem estar Marcos, acho que devo começar a escolher suas amizades e talvez seus amores, já que já provamos que é péssimo nisso. - Leila diz, me avaliando por um momento. - Liz ficou tanto tempo fora, que não sabe o caminho da casa?
- Meu carro atolou. - Falei, mas ela pareceu nem me ouvir, apenas olhou para as mão de Marcos.
- Ao menos arrumou um chofer para ajudá-la.
- Não comece Leila, vamos para o carro, nossa mãe já deve tá surtando. - Marcos começou a caminhar sem nem ao menos me olhar.
- Eu me chamo Mathew. - O homem gentilmente tirou a mala que eu segurava da minha mão e sussurrou. - Você é a famosa Liz, a noiva fujona, sei muito de você, não são coisas boas.
E então caminhamos até o carro, eu me sentia completamente desconcertada com a forma que Leila me olhava, não esperava por isso, claro que não esperava flores, mas ela era tão apegada a mim, sempre estava me seguindo por aí, ela chorava para dormir na minha casa, mas agora havia um desprezo em seus olhos.
- Não vai entrar? - Matheus me perguntou, e percebi que eu estava esperando pelo convite, parecia tão impróprio entrar naquele carro, parecia errado está com aqueles dois de novo, mas Matheus me deu um sorrizinho. - Nos resta o banco do carona, Leila se sente adulta indo na frente.