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O amor que não mereço

O amor que não mereço

Autor:: Evelyn Reed
Gênero: Romance
Sou Vivian Nelson, uma mãe solteira. Apesar de todos os contratempos, ainda tenho esperança pela vida, porque meu filho é um anjo, embora ele esteja gravemente doente. As despesas da cirurgia é um fardo pesado, mas não posso desistir dele. No abismo de desespero, reúno coragem e peço a ajuda do meu chefe,Carlos Rogers. Para minha surpresa, ele concorda em ajudar, mas tenho que... Sem escolha, aceito a proposta de Carlos. Não sei como vou encarar meu filho no futuro, mas a vida nunca foi gentil comigo, não é? Felizmente, a cirurgia foi um sucesso e meu anjo está se recuperando. Como Carlos sempre é arrogante e sei que não mereço o amor de ninguém, penso que eu e ele seremos apenas o chefe e a subordinada. No entanto, ele parece não sentir o mesmo e invade meu coração...

Capítulo 1 No.1

Vivian

Lá fora, relâmpagos e trovões batem palmas, sinalizando uma tempestade que se aproximava.

- Tire suas roupas e se deite, Vivian! - ordenou Carlos Rogers, meu chefe, que me encara com seu olhar penetrate.

- Contanto que eu esteja satisfeito, terá o dinheiro. - sussura no meu ouvido.

Minha respiração acelera e começo a tirar o vestido. Mas minha movimento devagar parece acender um fogo nos olhos de Carlos, que se aproxima e me puxa para seus braços, rasgando meu vestido e minha lingerie.

Ao me lembrar do motivo que me levou até aqui, fecho os olhos e envolvo meus braços ao redor de seu pescoço, tomando seus lábios com os meus.

- Nossa, queridinha, continue!

......

Deitada na cama de um hotel, sinto na carne que tudo tem um preço.

Capítulo 2 No.2

Vivian

Oito anos atrás...

Sou Vivian Nelson, uma arquiteta e a esposa de Lawrence Nelson.

Éramos apaixonados e, muitas vezes, eu pensava que nosso casamento seria o começo para uma felicidade sem fim, até que um maldito acidente arruinou tudo.

- Cuidado! Lawrence! - gritei quando vi um caminhão aparecer de repente na nossa frente.

O tempo não desacelerou, pelo contrário, acelerou de forma aterradora, comprimindo segundos em decisões que ecoariam para a eternidade.

Em um único, fluido e decisivo movimento, o braço direito de Lawrence se esticou, não em direção ao volante para desviar, mas em direção a mim. Sua mão, larga e familiar, a mesma que acariciara minha face horas antes, pressionou-me com força brutal contra o encosto do meu banco. Ao mesmo tempo, com a mão esquerda, ele puxou o volante para a direita, com toda a força que tinha.

O mundo explodiu em um cacofonia de horror. O mais aterrador era o som: o impacto surdo do metal contra o corpo de Lawrence, o estilhaçar do vidro temperado em milhares de fragmentos, o gemido agônico da estrutura do carro se contorcendo. Uma força invisível e brutal arremessou-me contra o cinto de segurança, que me cortou o peito como uma lâmina. Minha cabeça quase bateu no vidro da janela lateral, mas uma mão a segurou com firmeza.

Quando a poeira e o silêncio se assentaram, a primeira coisa que percebi foi o peso do seu braço, ainda esticado em minha direção, protetor.

O sangue... uma linha escarlate e insistente escorria de sua têmpora, traçando um caminho horrível por seu rosto pálido.

- Lawrence? - Minha voz era um sopro fraco no meio do caos.

Não houve resposta, e percebi que seu nariz já parou de respirar. Seus olhos, aqueles olhos que sempre me olharam com tanto amor, estavam abertos, mas vazios.

Toquei seu rosto, minhas mãos tremendo descontroladamente. Sua pele ainda estava quente, mas era uma temperatura que se esvaía rapidamente, cedendo lugar a um frio que me queimou os dedos.

- Não... não! Por favor, acorde! Não me deixe! - Minhas palavras eram um mantra de desespero, sussurradas contra sua pele, contra o sangue, contra a injustiça do universo, enquanto o sacudia levemente.

O cheiro de gasolina invadia o carro, um odor nauseante que se misturava ao cheiro de sangue. Gritos começaram a vir de fora, vozes distantes e abafadas, como se eu estivesse no fundo de um poço. Luzes azuis e vermelhas piscavam, pintando o interior destruído do carro com cores de um pesadelo.

Mas tudo isso era irrelevante e o mundo exterior não existia para mim. Naquele momento, só senti o silêncio dele, o peso do seu braço sobre meu peito e a verdade horrível que se instalava em mim, lenta e inexorável como um veneno.

Ele me salvou, com um gesto instintivo, corajoso e final. Em um momento crítico, tinha puxado o volante para o seu lado, atraindo o impacto fatal para si.

- Tirem ele daqui primeiro! Salvem ele! Por favor!

Pedi em lágrimas quando vi bombeiros e médicos chegando, ainda me agarrando a um frágil fio de esperança, embora no fundo soubesse que era tarde demais.

Com a ajuda deles, fui puxada para fora, para o ar frio da manhã. Envolveram-me em um cobertor, mas nenhum calor poderia derreter o gelo que se formava meu coração.

Eles cobriram meu marido com um lençol. Aquele pedaço de tecido branco, manchando-se rapidamente de vermelho, foi a última imagem que tive dele, a confirmação visual do meu pesadelo, um mundo sem seu sorriso, sem sua voz, sem o seu corpo reconfortante ao meu lado na cama.

Em meio a dor da perda, toquei minha barriga, onde crescia silenciosamente o fruto do nosso amor.

- Meu pequeno, seu pai nos salvou. De agora em diante, te darei todo o meu amor. Seja bomzinho com a mamãe, OK?

Embora desesperada, eu teria que seguir para frente, já que meu bebê ainda precisava de mim.

Uma determinação se formou no meu coração: custe o que custar, vou dar a melhor vida possível a ele, tanto para mim quanto para Lawrence!

Capítulo 3 No.3

Vivian

Oito anos voaram num piscar de olhos.

Balões azuis, vermelhos e prateados tremulam nas paredes, presos por fitas que capturam a luz do fim de tarde. A mesa era um monumento à alegria infantil: um bolo decorado com pequenas naninhas de açúcar, cercado de cupcakes, pirulitos de chocolate e um exército de salgadinhos. O ar estava impregnado do aroma da celebração e da felicidade.

- Está tudo perfeito, Vivian. - disse Neil, meu amigo e vizinho. - Leo vai gostar.

Abro um sorriso largo e genuíno. Organizar essa festa de oito anos para o meu filho tinha sido uma terapia. Um ano difícil de desemprego, de contas apertadas, mas eu tenho economizado cada centavo para que hoje seja mágico.

Afinal, Leo é a luz que insiste em brilhar mesmo nos meus dias mais nublados. Ele merece.

- Ele chegou! - informo, espiando pela janela da sala.

Lá está ele, meu menino. Seus cabelos cacheados, tão parecidos com os do pai que nunca conheceu, balançam enquanto ele corria atrás de seus amigos e Emily Morris, minha melhor amiga. Seu riso, um som cristalino e contagiante, aquece o ar, fazendo com que meu coração se apertasse de amor. Tudo vale a pena.

A festa começa como um turbilhão de alegria. A casa logo se enche de gritos, risadas e o barulho de pés descalços correndo de um lado para o outro.

Leo era o centro do universo, o anfitrião orgulhoso, mostrando seus brinquedos e liderando as brincadeiras. Cantamos "Parabéns" com vozes desafinadas e entusiasmadas, e ele sopra as oito velinhas de um só assopro, os olhos fechados em concentração, com um sorriso de orelha a orelha.

Na hora do esconde-esconde, As crianças se espalham pela casa como cotovias assustadas. Leo, eufórico, correu para o jardim, seu esconderijo favorito atrás da grande roseira. Eu o observo correr, e então vejo que ele para subitamente no meio do caminho, como se tenha batido em uma parede de vidro, e leva a mão ao peito. Seu rosto, antes corado pela animação, perde toda a cor, ficando pálido como cera.

- Leo? - chamei, minha voz ainda leve, pensando que era cansaço.

Ele não me responde e cambaleia, um movimento desengonçado e lento. Seus olhos grandes parecem perder o foco, vidrados em algo no infinito.

- Leo! - meu grito fica mais agudo, um estampido de pânico no meio da algazarra.

Não chego a tempo. Seus joelhos cedem e ele desaba no gramado, como um boneco de pano. O som do seu corpo atingindo o chão é abafado pela grama, mas ecoa dentro de mim como um trovão.

O silêncio cai sobre a festa como um manto pesado e as risadas morrem instantaneamente. As outras crianças param, confusas e assustadas, observando o amigo caído.

Eu caio de joelhos ao lado dele, minhas mãos tremendo violentamente.

- Leo! Filho, me escuta! Mamãe está aqui!

Toco seu rosto, frio e úmido, como mármore numa manhã de orvalho. Sua respiração parece um fio tênue, com um movimento quase imperceptível em seu peito. Ele não responde, seus olhos semicerrados, as pálpebras tremulando levemente.

- Vou chamar uma ambulância! - grita Neil, sua voz estridente rompendo o estupor coletivo.

O que se segue é um borrão de imagens e sensações: a chegada estridente da ambulância, os paramédicos se movendo com eficiência assustadora, a maca, os fios, o oxigênio... Eles colocam meu pequeno no veículo, e eu subo atrás, minhas pernas feitas de gelatina. A última coisa que vejo antes que o veículo parta são os rostos confusos das crianças no jardim e um bolo meio comido no fundo, uma celebração interrompida de forma brutal e grotesca.

No hospital, o tempo perde todo o significado. Ficamos numa sala de espera da emergência, um cubículo branco e impessoal que cheira a desespero. O zumbido do ar-condicionado me parece a trilha sonora do meu inferno particular, cada minuto uma eternidade. Minha mente está cheia de pensamentos catastróficos. Um desmaio devido à excitação? Hipoglicemia? Ou algo pior, algo que eu, como mãe, tenho falhado em ver?

Quando Alvin, um médico, finalmente sai, seu rosto carrega um peso que faz meu estômago embrulhar.

- Senhora, seu filho está estável. Recuperou a consciência. - ele começa, sua voz calma e firme.

Um alívio intenso e fugaz me lava por dentro, mas dura apenas um segundo.

- Porém... - ele continua, e essa palavra cai como uma lâmina. - Os exames iniciais e o relato do episódio são bastante sugestivos. Encontramos uma arritmia cardíaca significativa. O desmaio, a síncope, foi muito provavelmente causado por isso.

- Mas... ele é uma criança de oito anos. - Só consigo balbuciar.

- É por isso que fizemos um exame minucioso. Suspeitamos que ele possa ter um problema cardíaco subjacente que exija cirurgia. - ele disse, a voz suavizando-se um pouco.

Então explica, com paciência, que era uma doença do músculo cardíaco, que pode ser silenciosa por anos. Sinto que cada palavra é um prego no caixão da normalidade que eu conheço. Ele fala em ecocardiogramas e ressonância magnética, fala em risco, e fala em morte súbita.

A palavra "morte" ecoa na sala e aniquila o que resta de mim.

- Quanto custa a cirurgia? - pergunto sem hesitar.

- Cem mil, acho, e sugiro que faça a cirurgia o mais rápido possível. - responde Alvin.

Cem mil... De onde tirarei tanto dinheiro?

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