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O amor que os destruiu

O amor que os destruiu

Autor:: Shallow Life
Gênero: Moderno
Como torturar uma pessoa? A escolha de Vincent era prendê-la em um casamento humilhante, agonizante e devastador. Ele acreditava que Kaitlin - aquela mulher falsa, traiçoeira e vulgar - merecia exatamente isso. Aos vinte anos, Kaitlin se apaixonou por Vincent à primeira vista. Nos três anos de casamento, ela se diminuiu e o ajudou a alcançar o sucesso, mas o que recebeu em troca? Ódio e sofrimento sem fim... Nos últimos momentos de Kaitlin, Vincent até cuspiu: "Amor? Nunca existiu." Como destruir uma pessoa? A escolha de Kaitlin era fazê-la perceber que o que meticulosamente esmagou era exatamente o que mais desejava. E ela sabia - Vincent já estava destruído.

Capítulo 1 O peso do desespero

Vincent Roberts chegou em casa no momento em que eu desligava o telefone.

Segundos depois, alguém bateu suavemente na porta.

Era a governanta, Janice Simpson, que disse: "Senhora Roberts, o senhor Roberts chegou."

Voltando à realidade, me levantei, enxuguei as lágrimas do meu rosto e disse: "Obrigada."

Quando eu estava prestes a sair do quarto, ela disse abruptamente: "Senhora Roberts, o senhor Roberts..."

Ela parou no meio da frase e me lançou um olhar de compaixão.

Sorri para ela, mas desviei o olhar.

Como esperado, ouvi a risada descarada e sedutora de uma mulher quando abri a porta do quarto de Vincent.

Pelos sons que eles estavam fazendo, pude perceber que eles estavam transando.

Parada na porta, observei as roupas espalhadas pelo chão.

Algumas delas pertenciam a Vincent, já que ele preferia usar ternos para exibir sua riqueza e autoridade.

As outras roupas eram um vestido de uma peça e uma calcinha de renda preta, que exalavam uma aura sedutora.

Vincent tinha uma preferência por mulheres atraentes e sedutoras que pudessem facilmente chamar a atenção dos homens.

Infelizmente, ele me achava desinteressante e sem graça, já que eu não tinha nada a oferecer além de ter um pai rico, o que na época não era o caso.

Fechei a porta silenciosamente e esperei do lado de fora do quarto. Duas horas depois, os sons cessaram, sinalizando o fim do romance deles.

Rapidamente, ajeitei minha roupa, me aproximei da porta e bati suavemente.

A voz preguiçosa de Vincent disse: "Entre."

Pude perceber que ele estava de bom humor.

Enquanto ele não me visse, seu humor permanecia agradável.

No entanto, tive que interromper seu momento de alegria ao entrar no quarto.

O quarto estava uma bagunça, impregnado com o cheiro de cigarro.

Vincent estava deitado na cama, com os lençóis cobrindo sua cintura.

Ele segurava uma mulher bonita com cabelos esvoaçantes. Sua pele era delicada e seus braços finos. Havia uma tatuagem de pavão verde vívida e realista nas suas costas.

Quando entrei, ela sorriu enquanto colocava um cigarro aceso entre os lábios de Vincent.

Vincent virou a cabeça, cerrando os olhos em meio à fumaça, e me encarou friamente.

"Querida..." Era a primeira vez na minha vida que eu pedia ajuda, e tive que implorar a Vincent. "Preciso da sua ajuda. A empresa do meu pai está enfrentando alguns problemas."

Vincent fechou os olhos, sem dizer uma palavra em resposta.

A mulher lançou um olhar de desdém para mim, com seus olhos encantadores revelando seu desprezo.

Sem me intimidar, continuei explicando: "Meu pai precisa de um fluxo de caixa de quinhentos milhões de dólares. Sei que você tem condições de fornecer isso. É claro que utilizaremos seu dinheiro e te compensaremos com juros... Você sabe que não voltamos atrás nas nossas palavras. Ao longo dos anos, minha família sempre te tratou com o maior respeito."

Apesar das adversidades que assolaram a empresa de Vincent e do nosso casamento posterior, meu pai sempre se esforçou para ajudá-lo.

"Saia!", Vincent falou por fim.

Mas eu não podia simplesmente sair.

Persisti, implorando: "Querido, por favor. Meu pai está no hospital. Se até você se recusar a ajudá-lo, eu..."

Enquanto eu falava, ele pegou abruptamente o cinzeiro de cristal da mesa de cabeceira e o jogou em mim.

Fui pega totalmente de surpresa. O cinzeiro passou por pouco da minha orelha, produzindo um estrondo ao colidir com a porta atrás de mim.

Me estremeci, o olhando com descrença.

Vincent abriu os olhos e me olhou com uma expressão vazia.

"Saia!", ele repetiu.

Prendi a respiração.

Depois de um tempo, cerrei os dentes e me ajoelhei.

"Querido...", comecei, dizendo palavras que nunca havia dito antes. "Você sabe que nos últimos três anos nunca te prejudiquei. Evitei fazer qualquer exigência ou pedido a você. Estamos pedindo sua ajuda e, fique tranquilo, reembolsaremos prontamente qualquer valor. Se a empresa funcionar bem, devolveremos rapidamente o valor principal e os juros devidos a você."

Capítulo 2 Um amor não correspondido

Vincent continuou me olhando com indiferença e ordenou: "Vem aqui."

"Eu..."

"Eu disse para você vir aqui!" Os olhos dele se estreitaram um pouco, revelando sua raiva crescente.

Rapidamente, me levantei e me aproximei dele com cautela.

Nesse momento, ele ergueu o queixo e fixou seu olhar em mim.

Após um instante, ele fez um sinal com o dedo para que eu me aproximasse.

Ao me inclinar, encontrei seu olhar zombeteiro. Em um tom brando, ele disse: "Posso te dar o dinheiro."

Ao ouvir isso, senti uma onda de euforia. "Obrigada...", comecei a dizer, mas ele de repente agarrou meu pescoço.

No instante seguinte, não consegui respirar. Senti minha garganta se fechar, me consumindo em uma agonia sufocante.

Minha mente ficou confusa. Ouvi a voz dele: "Mas você tem que morrer!"

Após dizer isso, ele me empurrou contra o armário e eu caí no chão. Nesse momento, minha visão ficou embaçada e uma fraqueza entorpecente me envolveu, quase me levando a perder a consciência.

De súbito, um farfalhar quebrou o silêncio. A mulher perguntou suavemente: "Senhor Roberts, quem é ela?"

"É uma porca nojenta e estúpida!", ele respondeu.

Com a ajuda de Janice, consegui me levantar.

Ela disse: "O senhor Roberts já foi embora."

Depois de agradecê-la, voltei para o meu quarto e coloquei um casaco de gola alta. Quando desci as escadas, Janice se aproximou de mim, hesitante, segurando um frasco de remédio. "Senhora Roberts, encontrei isso no seu quarto..."

Embora seu rosto demonstrasse preocupação, ela parou, relutante em continuar a falar.

Peguei o frasco com um sorriso e disse: "Uma amiga de outra cidade me pediu para comprar para a família dela. Ela disse que não estava disponível na farmácia de lá. Você conhece esse remédio?"

Janice sorriu e disse: "Sim. Meu marido tomava esse remédio antes de falecer. Fiquei surpresa ao vê-lo no seu quarto. Não pude deixar de me perguntar como alguém tão jovem poderia ter uma doença dessas..."

Meu sorriso se desfez e respondi em um tom brando: "Não se preocupe. Estou bem."

Eu tinha que ficar bem.

Enquanto ia para o hospital, eu repetia isso para mim mesma.

Quando cheguei, a luz da sala de cirurgia ainda estava acesa.

Para evitar mais prejuízos à empresa, a internação do meu pai permaneceu em sigilo.

Fiquei sozinha no corredor deserto do hospital.

Senti uma leve tontura e me sentei num banco próximo. Coloquei a mão no bolso, peguei um comprimido e o engoli.

Fechei os olhos e me recostei na parede. As palavras ameaçadoras de Vincent ressurgiram na minha mente.

"Mas você tem que morrer!"

Eu o conheci quando tinha vinte anos, e ele tinha 24 na época.

Naquela época, a empresa dele tinha pouco mais de cem funcionários.

Naquele dia fatídico, ele foi ao Grupo Bailey para uma reunião de investimento e o encontrei por acaso, pois estava na empresa com meu pai.

Fiquei imediatamente encantada por ele.

Finalmente, ele conseguiu o investimento e nos casamos.

Mas, na nossa noite de núpcias, ele desapareceu, me deixando sozinha.

O encontrei em um hotel, abraçado com uma mulher com uma tatuagem de pavão enquanto bebiam juntos.

Esse cenário se repetia semanalmente na nossa casa nos últimos três anos.

Ele sempre me humilhava, zombava de mim e insistia para que eu fosse embora quando bem entendesse.

Eu achava que, na cabeça dele, eu o havia manipulado para um casamento que ele nunca quis.

Ele não me amava; só fora obrigado a me aceitar como sua esposa.

Desesperada para conquistar seu carinho, tentei de tudo para agradá-lo, na esperança de despertar seus sentimentos.

Mas ele disse que eu tinha que morrer.

Mal sabia ele que seu desejo logo seria realizado.

Finalmente, as luzes da sala de cirurgia se apagaram e meu pai foi levado para fora.

Me levantei rapidamente e os segui até a UTI, mas fui impedida pelo médico. "O paciente precisa ficar em observação, e os familiares não podem entrar na UTI."

Capítulo 3 O jogo acabou de começar

Passei a noite no hospital, assim como meu pai ficou durante a doença da minha mãe, embora ela não tenha sobrevivido naquela época.

Agora, eu esperava que meu pai se recuperasse.

Ao amanhecer, minha irmã Elin Bailey chegou.

Ela logo perguntou: "Seu marido concordou?"

Ela também era a CEO do Grupo Bailey.

Balancei a cabeça.

"Não consegue convencê-lo? Vocês estão casados há três anos. Quinhentos milhões não é uma quantia tão grande para ele agora!", disse Elin ansiosamente.

"Mas ele..."

"Papai dedicou toda a sua vida à empresa. Ele te deu tudo desde que você era criança! Vai deixar a empresa falir? Você precisa encontrar uma solução!", exclamou Elin. Desta vez, ao invés de ir para casa, fui para o escritório de Vincent, localizado no Edifício Oasis.

O prédio era uma impressionante obra de arquitetura moderna, recém-construído.

Me lembrei de ter ido à sua inauguração, com Vincent com o braço em volta da minha cintura, um gesto que havia me comovido profundamente em meio à loucura da mídia.

No entanto, seu comportamento mudou rapidamente depois, como se ele não pudesse se distanciar de mim o mais rápido possível.

Seu escritório ficava no último andar do prédio, e cheguei lá sem qualquer impedimento. Mas a bela secretária que estava na porta do escritório me deteve e disse educadamente: "Senhora Roberts, o senhor Roberts não está aqui."

Então, esperei na porta.

Duas horas depois, as portas do elevador se abriram.

Vincent saiu, segurando a mulher com a tatuagem de pavão nos braços.

Eles estavam conversando, e a mulher parecia se divertir, soltando risadinhas.

Quando eles se aproximaram, me levantei e chamei: "Querido!"

Vincent parou, se virando ligeiramente.

Sua expressão permanecia oculta da minha vista, mas pude perceber sua postura atenta, indicando que ele estava ouvindo.

"Preciso falar com você em particular", disse cautelosamente, evitando um confronto direto. "É sobre nosso casamento..."

"Saia daqui!", ele respondeu com irritação e desgosto.

"Quero dizer que estou disposta a me divorciar de você!", esclareci, achando que ele havia me entendido mal. Quando ele começou a sair novamente, me apressei em acrescentar: "Vincent, sei que você nunca quis se casar comigo. Agora, estou disposta a..."

De repente, Vincent empurrou a mulher para longe dele, a fazendo gritar e cair.

O medo tomou conta de mim, me levando a dar alguns passos para trás.

Mas, antes que eu pudesse reagir, senti uma dor aguda no meu rosto quando ele segurou meu queixo com força.

Seu aperto era tão forte que eu não conseguia emitir um som, e parecia que meu maxilar estava prestes a quebrar.

"Você está disposta a se divorciar de mim?" Seus olhos estavam frios, e seu tom feroz. "Você não jurou me amar para sempre? Hein? Não consegue aguentar depois de tão pouco tempo?"

Lutei para falar, mas não consegui abrir a boca.

"Não vou te dar um centavo e não vou me divorciar de você", ele continuou, com a voz baixa enquanto esfregava o nariz no meu rosto. Apesar da proximidade, seu ódio permanecia inabalável. "Kaitlin, o jogo acabou de começar. Você vai pagar por tudo o que me deve."

Com isso, ele me jogou no chão, pegou a mulher nos braços e entrou no seu escritório.

Levei um tempo para reunir forças e me levantar.

Nesse momento, a secretária de Vincent se aproximou, segurando meu braço gentilmente.

"Senhora Roberts", disse ela com preocupação, apontando para o banheiro. "O banheiro é ali."

Murmurei um agradecimento e fui, arrastando minha perna esquerda. Ao entrar, peguei alguns lenços umedecidos e me sentei no vaso sanitário.

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