CAPÍ TUL O UM .
P OR PENÉLOPE DIAS
O que seria da vida sem o amor? Certamente, seria sem forma e vazia, afinal, esse é o sentimento que preenche um coração, nos levando a cometer loucuras.
P or amor, tomamos decisões importantes, mas, também, fazemos escolhas não muito inteligentes. Contudo, já se perguntaram que amar também tem o seu preço? E que essa exigência pode nos custar caro?
Confesso que ser mãe solteira não estava nos meus planos, mas aconteceu. Não como estão pensando. Eu amava um homem que também me amava, mas quando o sucesso e o dinheiro bateram à sua porta, ele os amou mais que qualquer outra coisa.
Com o tempo, vi um homem gentil e bondoso, se tornar arrogante com os mais humildes. Aquele que sempre estendia a mão aos necessitados, agora lhes dava as costas. O amor pelo próximo, tornou-se desprezo por todos aqueles que não estavam no seu patamar social e isso abriu uma rachadura no meu coração.
O que aconteceu com você, Adam?
Aonde está o homem que eu conheci?
O homem com quem sonhei me casar e ter f ilhos?
P or mais que doa, a verdade é que aquele homem desapareceu e com ele, a sensação que me incendiava por inteira e que fazia o meu coração palpitar mais forte, enquanto eu suspirava ao nos imaginar juntos, por toda a vida, até que a morte nos separasse. Contudo, não foi a morte que nos separou...
Foi ele mesmo.
Adam Agu iar, o meu ex-noivo, pai do meu filho e, também,o CEO e fundador da Send Nudes - um serviço por assinatura no qual os criadores de conteúdo compartilham fotos e ví deos adultos para os seus assinantes.
Q uem conhece a gaita, j á sabe quem tá chegando. Q uem conhece a gaita, j á sabe quem tá chegando.
Jú-liooooo!
Ab e rtu ra - A Tu rma do Coc oric ó .
Silêncio e Adriel são duas coisas que não ocupam o mesmo espaço. Da cozinha, eu conseguia ouvir o som da música do seu seriado preferido tocar e não era preciso ir até lá para saber que ele estava saltitando em cima do sofá.
Depois da onda do baby shark e do pão de queij o, o novo ví cio aqui de casa era o Cocoricó. Não é o meu gênero musical, mas de tanto ouvir involuntariamente, aprendi a cantar a música.
- Você está pulando no sofá? Abaixe o volume da TV. - ergui o tom de voz para que ele ouvisse e apesar de não ter tido uma resposta vocal, o volume da TV diminuiu.
Sacudi a cabeça e sorri, terminando de lavar a louça do almoço.
O meu pequeno é assim. Ele não é muito de conversa, mas quando se dispõe a falar, haja paciência. Com quatro anos, ainda não sabe ler, mas já fala quase tudo corretamente. Inclusive, também pergunta muito...
Eu tenho papai?
Sempre que ouço isso, me sinto a pior mãe do mundo. Sim, ele tem pai, mas o pai não sabe da sua existência. E não, não
escondi a gravidez do pai. Quando terminamos, eu não sabia que estava grávida. Na verdade, descobri a gestação só alguns meses depois e na época, achei que fosse melhor assim, só eu e ele.
Contudo, percebi que nem sempre o que achamos ser correto é o correto. Uma criança precisa do pai. Uma criança só deve crescer sem um pai, se não houver outra opção e esse não é o caso do meu filho.
P or esse mesmo motivo, às vezes, me sinto culpada por não ter uma boa resposta para as suas perguntas. Sei que em algum momento, a resposta de que o papai está viaj ando, não vai mais servir. Ao mesmo tempo, eu também vejo o óbvio acontecer. Depois de quatro anos, procurar por Adam Aguiar e contar que tenho um filho com ele, soaria, no mí nimo, como o golpe da barriga.
Disso, não tenho dúvida.
A verdade é que ainda resta em mim um pouco de orgulho, mas, mesmo assim, como mãe, eu penso no meu filho. Sei que vai chegar o momento em que vou ter que engolir esse orgulho e lhe apresentar o pai.
Que tipo de mãe eu seria se o privasse do carinho paterno? A pior das piores. Eu só preciso de um pouco mais de tempo para superar tudo o que aconteceu e...
O celular tocou, interrompendo os meus devaneios. No visor, vi o nome de Elaine, a minha melhor amiga e madrinha de Adriel. Enxuguei as mãos em um pano de prato e rapidamente atendi o telefone, escorando o traseiro na pia.
- Boa tarde, P epe. - Elaine me chamou pelo apelido carinhoso que havia me dado na infância. - Estou ligando para saber como estão as coisas.
- Estamos de férias. Consegui encaixar as minhas férias com as dele. - respirei fundo. - Acho que a minha mãe deve vir para cá no fim de semana.
- Sério? - a surpresa era palpável, afinal, mamãe não saí a muito do interior. Geralmente, éramos nós quem í amos ao seu encontro. - Já quero um jantar em famí lia.
- É só marcar. - assenti com a cabeça.
Depois de um breve silêncio, a ouvi suspirar do outro lado da linha. Endireite-me, pronta para ouvir o que viria dessa vez.
- P reciso de um favor.
- Só um? - brinquei, arrancando-lhe uma risada.
- É, dessa vez, é apenas um.
- Diga!
- Estou com uma funcionária a menos e o meu buffet foi contratado para um evento muito importante e...
- Sim, eu posso ajudar. - interrompi-a e respirei fundo. - Contudo, saiba que a vizinha que ficava com o Adriel, está viajando.
Silêncio.
Como madrinha do meu pequeno, Elaine sabe perfeitamente que eventos e Adriel, não combinam. P rincipalmente, se houver algum animalzinho presente. Ele é obcecado por animais e o seu sonho é ter um bichinho de estimação, mas vou esperar ele crescer mais um pouco, afinal, animal não é brinquedo e é necessário lhe ensinar as responsabilidades de ter um pet.
- Não tem problema. Eu fico de olho nele. - quando ela disse aquilo, não consegui me segurar e gargalhei automaticamente. - O que foi? - resmungou.
- Pelo visto, o evento com a torre de doces já caiu no esquecimento...
- P or Deus, eu nunca vou me esquecer daquilo. - disse, quase que ofegante. - P ensei que nunca mais teria clientes depois daquele dia.
- Seu afilhado. - Lembrei-a.
- Seu filho. - Elaine retrucou, com bom humor. Rimos.
- Bom, dessa vez eu tenho um plano, ok?
Respirei fundo e sacudi a cabeça algumas vezes, até que resolvi concordar. Seria bom ir, pois há alguns dias ele havia dito que estava com saudades da "dinda". Em todo caso, já mandei a real.
- Qualquer prejuí zo que ele venha causar, será de responsabilidade sua.
- Combinado. - ela riu. - Agora preciso terminar de organizar as coisas. Vou te mandar a localização e o horário, ok?
- Ok.
- Até mais e beijinhos.
- Beijinhos. - respondi, desligando a ligação. Dinheiro extra é sempre bom.
Cuidar de uma criança, custa caro e apesar de ser formada em ciências contábeis, a crise me obrigou a optar por um emprego fora da minha área de atuação, sendo assim, atualmente, trabalho como vendedora em uma loja de eletrodomésticos.
O salário com os descontos, beira os três mil reais. E essa quantia para uma mãe solteira e que paga aluguel, não é muito, mas dá para pagar as contas.
- Mamãe? - ouvi-o me chamar, seguido dos pezinhos descalços estalando no chão.
De repente, ele surgiu na entrada da cozinha, mirando-me com aqueles olhinhos azulados com curiosidade.
- Dinda? - perguntou.
P rovavelmente, ele me ouviu falar ao telefone.
- Sim, era a Dinda.
- Vamos ver a Dinda? - deu pulinhos, abrindo um imenso sorriso desdentado.
- Amanhã. - dei um passo a frente e quando me abaixei, toquei seu narizinho com o indicador. - Vamos ajudar a Dinda, ok?
- ele assentiu com a cabeça. - Vai se comportar? - assentiu novamente e quando afinei os olhos, ele riu.
- E-E-Eu vou, mamãe. - miou, enchendo as bochechinhas
de ar.
- É isso aí !- sorri, bagunçando os seus cabelos, acabando por lhe arrancar outro sorriso, ainda mais gostoso que o primeiro.
Após o banho das dezoito horas, pedimos uma pizza e fomos assistir um filme infantil. Quando percebi, o meu pequeno estava adormecido no sofá. Mirei-o por alguns instantes.
Sim, Adriel é a cara do pai. Os traços no rosto são idênticos, assim como a cor dos olhos de um azul intenso e o tom de pele - branco feito um papel. Os cabelos anelados, provavelmente são o meio termo, entre o liso de Adam e os meus cachos.
Espreguicei-me no sofá e me inclinei, pegando-o no colo. Ele se mexeu um pouco, mas logo se aninhou nos meus braços. Beijei a sua testa e admirei aquilo que eu mais amo em toda a minha vida.
Tão pequeno, tão frágil...
- A mamãe te ama muito, meu filho. - sussurrei, precipitando-me em direção ao quarto.
Depois de deixá-lo na cama, liguei o umidificador e em seguida, o ar condicionado, para refrescar um pouco aquele tempo abafado. Exausta, deitei-me ao seu lado e rocei o dorso da mão em seu rostinho.
E foi admirando-o, que me lembrei de algo que não me deixou desistir em momentos difí ceis e que seguia me guiando:
Não há nada nesse mundo que dê tanta f orça para uma mulher batalhar, como os seus f ilhos. Não importa o quanto eu estej a cansada, se eu tiver que reunir f orçasde outro mundo, para garantir que você tenha o melhor ou para te proteger, f areiisso sem hesitação.
No dia seguinte, por volta das dez da manhã...
Acordei com uma mensagem de Elaine, mandando a localização e o horário - diga-se de passagem, o lugar dessa vez era bem mais chique que o padrão: Coliseu P alace. Se não estou enganada, esse é o mesmo lugar que aquela atriz fez a cerimônia de casamento -. O evento começaria às quatorze horas e findaria às dezenove.
Depois de aprontar a mochilinha de Adriel, constatei que eu mesma teria que levar, pois ele não iria retirar a fantasia de dinossauro por nada desse mundo, afinal, eu havia prometido que ele poderia usá-la nas férias.
Chamei-o com o indicador e ele veio em passos preguiçosos. Assim que parou em minha frente, apoiou as mãozinhas em meus joelhos e mirou-me nos olhos.
- Lembra o que você prometeu para a mamãe? - perguntei e ele sacudiu a cabeça, em sinal negativo. - quis rir, mas me controlei. - ... que iria se comportar no evento de hoje.
- Anham. - ele assentiu com a cabeça. - Não pode correr, né, mamãe?
- Não pode. - concordei.
- E-E-E quando der fome, é só pedir pra Dinda, né, mamãe?
- Isso mesmo.
- E-E-E pode pedir um gatinho também? - tombou a cabecinha para o lado, mirando de um jeito tão fofo que senti o meu coração explodir de amores.
Quase disse que sim, mas...
- Já falamos sobre isso. Quando você ficar maior, a mamãe vai te dar um gatinho, tudo bem?
- Anham. - ele assentiu com a cabeça mais uma vez.
P uxei-o para um abraço e o enchi de beijos na bochecha, fazendo-o gargalhar. Em seguida, me levantei e chamei o uber pelo aplicativo. Não demorou muito para que ele chegasse.
Depois de quase quarenta minutos de trânsito, finalmente chegamos ao lugar do evento. Não deixei de notar que se tratava-se de salão de festas com ares olimpianos. Quase um pedaço de Roma na capital goiana - Goiânia, Goiás. O espaço ocupava um quarteirão inteiro e contava com seguranças ao redor dos seus muros e, também, em suas entradas e saí das.
Quando descemos, fomos recebidos por Elaine. Assim que ela viu o pequeno, abaixou-se, abrindo os braços. Aquilo foi o suficiente para que Adriel soltasse um sonoro "Dinda", enquanto corria em sua direção.
P aguei o uber e segui logo atrás dele.
- Oi, garotão da Dinda. - disse Elaine, abraçando-o, em seguida, beijou seu rosto. - Que lindo esse dinossauro.
- Anham. - ele assentiu com a cabeça e apontou para mim. - Foi a mamãe quem deu.
- Foi? - ela abriu a boca e ele riu, assentindo com a cabeça. - Vou ter que dar um também.
- E-E-Eu posso escolher, Dinda? - pediu, dando pulinhos de empolgação.
- Claro que pode.
- E-E-Eu quero um de gatinho. Tá bom, Dinda? - assentiu com a cabeça.
- Vou comprar o que você escolher, amor da Dinda. - afagou os cabelos dele e se levantou. Em seguida, apontou para uma moça ao lado. - Aquela é a tia Sara. Ela vai cuidar de você hoje, ok?
Ele assentiu com a cabeça e me encarou, dando "tchau" com uma das mãos. Rimos, enquanto ele caminhava até a tia Sara, que puxou assunto de imediato, levando-o para dentro.
Sem demora, Elaine me abraçou e quando se afastou, abriu um largo sorriso.
- Eu estava com saudade de vocês.
- Faz duas semanas que não nos vemos. - defendi-me.
- Tempo demais. - revirou os olhos e cruzou os braços. - Como notou, consegui uma babá para cuidar dele enquanto trabalhamos.
- Ainda assim, é bom mantermos os olhos nele. Sabe como o seu afilhado é...
Trocamos um sorriso cúmplice e, finalmente, entramos no Coliseu P alace. Confesso que o lugar era ainda mais luxuoso do que eu imaginava. Se do lado de fora, já deixava claro o seu alto ní vel, por dentro, ele apenas reafirmava.
Havia uma infinidade de mesas e poltronas de luxo, assim como, candelabros gigantescos espalhados pelo teto que parecia tocar o céu de tão alto. As paredes ao redor quando não decoradas por figuras greco-romanas que se estendiam por todo o coliseu, eram compostas nas laterais por vidro fumê. Através de uma das portas que estava aberta, vi ao fundo uma imensa piscina e, um pouco mais atrás, um heliporto. Do outro lado, mais mesas e
cadeiras, além de um palco de madeira. P rovavelmente, uma segunda opção para o evento.
- Quantas pessoas estão trabalhando aqui hoje? - não escondi a minha curiosidade ao notar um número de garçons acima do comum.
- Creio que quase cem. Não me lembro ao certo. - sorriu, sentando-se em uma das poltronas.
- Uau! - entreabri a boca. - Esse é um evento do quê mesmo?
- Ah, acho que é de um clube de empresários... - gesticulou com uma das mãos e pigarreou, mudando o rumo do assunto. - P ensou sobre a nossa última conversa?
Engoli em seco e abaixei a cabeça.
- Ainda não estou pronta.
- Adriel está crescendo. - Elaine respondeu de imediato. Respirei fundo e desviei nossos rostos e, no mesmo instante, senti suas mãos tocarem as minhas, acariciando-as. - Como sua amiga, preciso te impedir de estender esse erro ou isso vai te custar muito caro no futuro. O seu filho tem pai e precisa conviver com ele. É um direito dele.
Engoli em seco e assenti com a cabeça.
- Eu sei. Eu sei... - respirei fundo.
- Bom, vamos começar? - soltou as minhas mãos e se colocou de pé, parecendo mais animada que antes.
- Vamos. - assenti com a cabeça.
Como de costume, ajudei-a na organização. Apesar de sempre acabar ajudando a servir os convidados, dessa vez, por conta do número de garçons, fiquei incumbida de dar suporte no controle de ações dos funcionários e na demanda das bebidas e comidas.
E mesmo ocupada, eu sempre tirava alguns segundos para espiar Adriel, que estava em um cômodo ao lado da imensa cozinha, aos risos com a tia Sara.
P or volta das dezessete horas, consegui fazer uma pausa.
Elaine me viu ao longe e veio até mim.
- Já comeu?
- Ainda não. - neguei com a cabeça.
- Viu quantos homens bonitos temos hoje? - Elaine deu- me um cutucão com o cotovelo e segurou o sorriso.
- Sim, eu vi.
- Bonitos e ricos.
- Dinheiro não mede caráter. - pontuei, cruzando os braços.
- Realmente, mas... Eles continuam sendo muito bonitos. - insistiu e emendou com aquele comentário de cobiça: - Uma pena que a maioria está acompanhado...
- Toma jeito! - mordi os lábios, devolvendo o cutucão.
E foi naquele exato momento, no meio daquela conversa, que o vi entrar no salão de eventos, usando um terno cinza. Ele não havia mudado nada, pelo contrário, estava exatamente como eu me lembrava. Os cabelos curtos, a barba bem aparada, os intensos
olhos azuis e o sorriso que fazia o meu coração, mesmo ferido, cessar os batimentos.
- Adam... - ofeguei ao pronunciar o seu nome. - O que ele faz aqui? - perguntei, sentindo o meu corpo tremer por inteiro, num misto de sentimentos nostálgicos, ao mesmo tempo, inexplicáveis. - Ele não pode ver o Adriel.
- P enépole... - Elaine me chamou, mas simplesmente a ignorei.
- Ouviu? - fixei meus olhos nela. - Ele não pode vê-lo! - endureci o tom de voz e ela engoliu em seco, assentindo com a cabeça.
Assim que girei o corpo em direção a sala onde ele estava, vi a tia Sara na porta, passando os olhos pelo salão. Rapidamente fui em sua direção e antes que eu pudesse perguntar algo, ela soltou:
- Ele sumiu.
- Como assim sumiu?! - o meu coração quase parou e, apesar de eu querer esganar a babá, contive o meu nervosismo.
A prioridade ali era escondê-lo e causar alarde só me faria ser notada.
- Acho que ele viu um gato e saiu correndo atrás... - explicou-se, gesticulando com ambas as mãos.
Sacudi a cabeça e me voltei a Elaine.
- Acalme-se, ok? Sei que está nervosa. - ela disse com a voz suave, segurando as minhas mãos. - Ele não vai vê-lo, ok?
- Ok. - assenti com a cabeça.
Elaine e Sara saí ram a procura de Adriel, enquanto eu permanecia no mesmo lugar, quase que escondida entre a cozinha e o salão, para que Adam não me visse.
Como uma criança vestida de dinossauro consegue sumir?
Ao passar os olhos pelo salão de eventos pela décima vez, encontrei-o. Aparentemente, ele estava se levantado, com um gatinho no colo, o que quer dizer que ele estava sentado no chão, por isso não conseguí amos encontrá-lo.
P ensei em ir até ele, mas percebi que tanto Sara quanto Elaine também o viram, por isso, hesitei. Eu precisava continuar escondida, mas...
Adriel estava próximo de uma mesa; que tinha a maior pirâmide de taças de champanhe que eu já tinha visto em toda a minha vida.
- Não se aproxime muito, amor da mamãe... - supliquei baixinho, como se pudesse ver o estrago com aquelas taças.
CAPÍ TUL O DOIS
P OR ADAM AGUIAR
Depois de uma noitada daquelas, com quatro mulheres de parar o trânsito, apenas apaguei na cama. Ao despertar na manhã seguinte, passei os olhos pelo meu quarto, percebendo-o vazio. Entreabri a boca em um bocejo e cocei a cabeça, sentando-me na cama, percebendo que ainda estava nu.
- Pensei que tinha morrido. - ao girar para o lado, em um dos cantos, vi Matteo de braços cruzados, sentado em uma poltrona. Ele sorriu e se levantou. - Elas já foram, mas não fique triste, pois prometeram voltar.
Trocamos um sorriso cúmplice.
- Elas eram realmente maravilhosas. - gemi, espreguiçando-me e depois de mover o corpo para os lados, esfreguei o rosto.
- Ao menos se lembra dos nomes? - Matteo se aproximou e assim que me encarou, ergueu uma das sobrancelhas.
- Amanda? Debora? - sorri sem graça e sacudi a cabeça.
Eu realmente não me lembrava do nome delas.
- Sorte a sua ter feito vasectomia. Seria trágico engravidar uma mulher e não lembrar o nome da mãe do seu filho.
- Só há um nome que eu nunca vou esquecer... - simplesmente saiu e, quando me dei conta, fui tomado por uma tristeza, que se apossou do meu peito, apertando-o em aflição, ao ponto de me fazer sacudir a cabeça e mudar de assunto. - Quais os planos para hoje?
Matteo mirou o relógio de pulso.
- São quatorze horas e eu já cancelei quase todos os seus compromissos, exceto aquele evento com empresários do segmento digital.
- Estamos atrasados?
- Sim, estamos.
- É aqui em Goiânia ou em São P aulo?
- P or exigência sua, está acontecendo aqui em Goiânia. Sendo você o maior nome do ramo no paí s, te deram a opção de escolher onde ocorreria o evento.
Tamanha questão por parte dos organizadores, fez o meu ego ser acariciado, mas não é para menos. A minha empresa: "send nudes", revolucionou o segmento digital voltado para o público adulto, atualmente, sendo a maior do ramo em território nacional e a segunda maior do mundo. No iní cio, eu almejava ganhar milhares de reais, mas hoje faturo bilhões por ano.
- Vamos ao evento. - decretei, saltando da cama.
- Vou preparar a segurança. - disse Matteo, precipitando- se em direção a porta.
Dirigi-me até o banheiro e parei em frente ao espelho, mirando-me. A parte que eu mais deveria gostar em mim deveria ser os meus olhos azuis? Talvez, mas nada se compara ao amor que nutro pelo meu corpo torneado, com poucos pelos. Sempre preferi deixar o meu cabelo curto e, vez o outra, eu raspava do lado, para deixá-lo na altura da barba, que eu mantinha sempre aparada. O famoso caminho da felicidade, apesar de ralo, contrastava com a minha pele clara, descendo até os pelos ralos do pau. As bolas eu sempre preferi deixar lisas, afinal, ali é o meu ponto fraco, aonde sempre almejo uma boca gulosa.