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O desconhecido que me salvou

O desconhecido que me salvou

Autor:: Evy Maze
Gênero: LGBT+
Song JaeMin, um jovem pintor com apenas vinte e seis anos, descobre que está à espera do seu primeiro bebê. Ele vê o sonho de ter a própria família no pequeno teste positivo de gravidez no momento em que o segura entre os dedos, mas a recusa de seu noivo, In LinHyun, põe tudo a perder quando a única saída para o homem é a realização de um aborto, pois a gestação é indesejada para si. Porém, decidido a seguir com aquilo, Song resolve manter a gravidez e romper o noivado, e se vê encorajado a persistir pela nova vida que carrega dentro de seu ventre. Mas existe um ditado que diz que alegria demais não dura muito, certo? E é numa certa tarde de compras pelo centro, que JaeMin vê como aquilo realmente é verdadeiro. Sozinho, ele sente a dor da perda do seu bem mais precioso. Seu bebê está prestes a permanecer apenas em seus sonhos, tornando-se realidade o que LinHyun quis desde o início. Mas talvez o destino apenas esteja brincando, já que é em meio ao desespero que JaeMin encontra sua alma gêmea. É em meio ao desespero que ele encontra Lee Junkoo. (Instagram da autora para adquirir o livro: @evy_maze)

Capítulo 1 Você será papai

!! Esse é apenas uma curiosidade sobre a história antes de seguirmos para o primeiro capítulo !!

Como notado no título, essa é uma história MPREG (Onde homens engravidam) e para não ficarem confusos e navegarem tranquilos na incrível história de superação e romance, leiam a explicação a seguir:

O Mundo passou por uma incrível mutação durante anos, e no mundo de "O desconhecido que me salvou", homens também podem engravidar.

Isso acontece devido à mutação natural onde todos os seres humanos têm um sistema reprodutor, mas os dos homens "cis" apenas se "ativam" durante relações sexuais e isso possibilita a fecundação do óvulo que liberam em todas às vezes.

Mas isso deve criar pensamentos do tipo: como o bebê pode nascer?

É simples! Como um mundo que passou por mutação, a forma em como o bebê pode nascer também teve mudanças.

Todas as pessoas humanas tem uma parte em seus corpos que é chamada de "períneo" ou "assoalho pélvico". Tanto existe em homens, quanto em mulheres. E popularmente falando, é a parte muscular que fica entre as intimidades traseiras e frontal.

Esse "local" citado, se transforma em uma "fenda" que dará passagem ao bebê caso seja um parto natural/normal.

Agora, boa leitura.

!! Essa é uma história que envolve cultura sul-coreana !!

Outra coisinha é sobre o dialeto usado no Livro!!

Existem termos que serão citados ao longo da leitura e deixarei neste capítulo para que não se percam.

A história é desenvolvida na cultura coreana como já foi dito, e desse modo, usaremos o dialeto coreano traduzido.

Alguns termos como: hyung, noona, oppa, unnie e Saeng serão vistos ao decorrer da leitura, mas explicarei brevemente o que significa cada um.

Hyung = é o termo usado de um homem para outro mais velho.

[Como JunKoo sempre chama JaeMin e seus amigos, por ele ser o mais novo entre todos]

Noona = é usado de um homem para uma mulher mais velha.

Oppa = usado de uma mulher para um homem mais velho.

[Mas lá no início JunKoo brincou e usou desse termo para chamar atenção de JaeMin, já que ele se recusava a ser chamado de Hyung por ser mais velho.]

Unnie = é usado de uma mulher para outra mais velha.

Saeng/Dongsaeng = É usado de uma pessoa mais velha para outra mais nova, podendo ser tanto homem quanto mulher.

Desse modo, espero que a leitura se torne mais facilitada e atrativa. Espero que curtam bastante o livro.

POV: JaeMin

Há alguns dias eu não vinha me sentindo bem.

Há exatas duas semanas, estou sentindo muito enjoo e tonturas.

Tive que ir ao médico e fiz vários exames. Meu noivo, LinHyun, ficou bastante preocupado comigo, mas não pôde fazer muita coisa porque estava em uma viagem a negócios no Japão.

O resultado dos exames veio no mesmo dia, e foi trabalho do doutor Kim me explicar o que estava acontecendo comigo, e principalmente me acalmar depois do meu surto logo após o resultado.

Estou grávido de 4 semanas, LinHyun ainda não sabe, deixei para contar quando ele retornasse de viagem.

Minha mãe, que mora na cidade de Busan, surtou quando soube e se ela pudesse me bater por ligação, teria batido, mas depois de muita reclamação e gritos, ela começou a chorar de felicidade com a realidade de que logo, logo seria vovó.

Decidi fazer uma surpresa. Comprei uma roupinha de bebê, com o nome papai bem grande na frente, e coloquei em uma caixinha vermelha, em cima da cama. Quando LinHyun chegou a nosso apartamento, o recebi com um abraço cheio de saudade e um beijo gostoso.

- Senti sua falta. - ele disse rindo, deixando a mala de lado, e me abraçando de volta. - Como você está? Melhorou?

Assenti ainda abraçado nele, sentindo uma necessidade absurda de carinho.

- Vou tomar um banho, e pedimos algo para comer em seguida, ok?

Ele me deu um beijo na testa, e seguiu para o quarto.

O segui, louco para ver qual seria a sua reação.

Possivelmente choraria. Nós nunca conversamos a respeito de termos um filho, mas acho que a ideia não parece nada ruim. Acho que ele ficará feliz.

Assim que entrou no quarto, parei na porta, o observando. Ele olhou para a caixa, e olhou para trás, sorrindo.

- O que é isso? - segurou a caixa nas mãos.

- Abre. - Cheguei mais perto, sentindo minhas mãos tremerem em antecipação. Estava muito nervoso.

- É alguma peça de renda? Você sabe como eu amo ver você com elas né? - me beijou e sorri, negando.

- Abre logo seu safado. - ele me olhou uma última vez, e abriu a caixa.

No primeiro momento a reação dele foi neutra. Ele olhou para dentro da caixa, parado, por muitos segundos e me olhou sério. Depois sentou na cama, retirou a roupinha de dentro dela, e colocou na cama. Eu estava tremendo demais, me aproximei tentando tocá-lo, mas ele levantou rápido e se afastou.

- O que é isso? - perguntou de costas para mim, eu estava sorrindo, mas meu sorriso morreu no mesmo segundo. - JaeMin, o que é isso?

O olhei assustado. Tentei o tocar novamente, mas ele segurou minhas mãos.

- JaeMin... Nós não podemos.

Me afastei. Ele me olhou sério novamente.

- E-Eu pensei q-que nós...

- Não, JaeMin, nós não podemos. Eu... não posso.

- LinHyun calma, eu...

- Não!

- E o que quer que eu faça? LinHyun, eu estou grávido. Estou com quatro semanas, amor.

- Quatro semanas? Mas como eu pude me descuidar assim... merda. JaeMin eu vou arrumar um jeito ok? Não vou deixar esse... essa coisa mudar tudo.

- Essa coisa? - senti meus olhos se encherem de lágrimas. - essa coisa é nosso filho!

- Não, não pode. E-Eu conheço um ótimo médico que... que consegue arrumar isso. Nós-

- Eu não estou acreditando que está falando isso LinHyun. - o interrompi sentindo minhas mãos trêmulas

- Eu estou! - começou a retirar as roupas para tomar banho. - Nós não podemos deixar isso acontecer. Amanhã mesmo nós iremos ao médico e resolveremos.

- Eu não irei a lugar algum. É meu filho.

- Eu não quero essa criança, Song! - falou mais alto, me dando um leve susto pelo tom de voz.

- Mas eu quero, Hyun! O corpo é meu, e nem você, nem médico algum irá tocar nessa criança! - gritei, estava tremendo muito, o que possivelmente não faria bem para o bebê.

Ele me olhou e sorriu de um modo completamente desconhecido por mim, vindo até onde eu estava e parando de frente.

- E como você irá criar essa criança sozinho? Esqueceu que você vive todo esse luxo graças a mim? Se quer que isso continue, será assim. Será assim até o fim.

As lágrimas começaram a descer pelo meu rosto. O homem no qual eu amo, e que estava pronto para formar uma família, estava me humilhando?

- Eu sou um artista e consigo viver com meus quadros. - disse em meio às lágrimas.

Ele riu negando. Meu sofrimento parecia o animar.

- Pare com esse choro, e eu já disse, eu não quero essa criança JaeMin. Está decidido.

- Eu não irei tirar! - gritei

- Então terá que me esquecer! - o olhei sem acreditar nas palavras. - ou fica comigo enquanto der, ou com esse... com esse bebê e sozinho no mundo.

Me levantei sentindo as lágrimas molharem todo meu rosto e parte do meu pescoço de forma desesperada e fui até o closet para buscar minha mala.

- Irá mesmo fazer isso? - LinHyun perguntou.

Ele estava bem atrás de mim. Abri a mala e coloquei em cima da cama. Voltando para o closet para buscar minhas roupas.

- JaeMin, olha o que você está fazendo! Irá mesmo estragar tudo, por causa de algo tão pequeno? Eu te amo, podemos viver bem pelo tempo que temos, só nós dois.

- Você quem está estragando tudo! Você só pensa em você! - Gritei jogando as roupas dentro da mala e olhei-o - Esse era para ser um momento lindo LinHyun. Sabe quantas vezes eu chorei em dois dias? Eu imaginei a sua melhor reação! Eu pensei que me amava, e que todas às vezes que disse que eu era a única família ao seu lado, fosse real! Mas não, para você eu sou apenas o namoradinho relaxado que vive do luxo que você proporciona.

- Eu não quis dizer isso, Minnie. Eu-

Passei as mãos pelo meu rosto, enxugando as lágrimas e olhando-o nos olhos.

- Eu tenho uma carreira também, pode não ser grande como a sua, mas é o meu orgulho. Eu estou indo, porque amo o meu filho. Eu o descobri a dois dias, mas já o amo muito e não desistirei de algo que quero por causa de você!

- Você está sendo tolo.

- Eu estou fazendo a coisa certa. Eu pensei que amava um homem, mas amo um covarde. Eu não fiz essa criança sozinho, LinHyun, mas irei cuidar dela, dessa forma.

- JaeMin, por favor. - ele segurou meu braço quando fechei a mala, e a coloquei no chão, calçando meus sapatos em seguida.

- Eu venho buscar o resto das minhas coisas depois. - Avisei antes de sair.

Estava chorando, deixando-o para trás e seguindo com apenas minhas roupas, e o meu bebê.

Tudo o que agora eu tinha.

Continua...

Capítulo 2 Sozinho

16 semanas de gravidez.

Faz mais de dois meses que eu e LinHyun terminamos.

Soube que ele retornou ao Japão recentemente, mas em nenhum momento antes disso, procurou saber como eu ou o bebê estávamos. Era como se nós não existíssemos mais para ele.

Não contei sobre meu término de relacionamento para minha mãe, ela iria surtar.

Então apenas procurei um lugar para ficar, e começar minha nova jornada da vida.

Consegui alugar um apartamento, não muito grande, no centro de Seul, ótimo para mim e meu bebê.

Havia três quartos, o meu, o que seria do bebê, e o meu ateliê.

Estava com alguns quadros inacabados, então ficar trancado a maior parte do dia no cômodo era quase normal.

Também comecei meu pré-natal. O doutor Kim, me prescreveu alguns remédios e vitaminas que são necessários na gravidez e alguns exames para verificar como estava o desenvolvimento do bebê.

Já havia marcado e iria fazê-los em breve, mas a ansiedade da primeira ultrassom estava me deixando sem dormir.

Só pensava em como meu bebê estava, e em como seria.

Para não correr nenhum risco, o doutor me pediu para usar máscaras enquanto pintava, e que não ficasse mais que quatro horas inalando o cheiro de tinta, pois poderia fazer algum mal para o bebê, mas essa era uma parte um pouco difícil.

Havia algumas ideias que vinham em minha mente, sobre as pinturas na qual estava fazendo, e a maioria eram sobre a vida e o nascimento.

Estava pintando alguns traços, como uma flor desabrochando, e um brotinho no meio, como se fosse um pequeno bebê, ligado à flor.

Eu me sentia assim, ligado ao bebê e ele a mim, e mesmo sabendo tão pouco sobre ele, eu já o amava tanto, que ficava horas imaginando um futuro.

A vida de pai solo não estava tão ruim. Sentia-me bem na verdade.

Houve uma recente exposição de arte, onde consegui pôr a mostra 9 quadros, e desses vendi 7.

Minhas obras não eram nada muito elaboradas, mas tinham um toque único, que as faziam valer muito.

Com o dinheiro das vendas, consegui o necessário para o quarto do bebê e do enxoval.

Ele iria precisar de um quartinho, fraldas, roupas, e todas as coisas que um bebê precisa, e eu iria fazer questão de comprar tudo sozinho, porque como o LinHyun deixou bem claro, esse bebê é meu. Ele disse com todas as palavras que não queria a "coisa".

Coisa... Como ele chama uma criança que tem o mesmo DNA que ele de "coisa"? Inaceitável.

Segui minha vida calmamente. Pintando, e vez ou outra parando em frente ao espelho apenas para verificar minha barriga ainda pequena, mas que já marcava por eu ser bem magro e que logo, logo estaria enorme.

ㅡ Você já me ouve? ㅡ alisei a barriga, falando com o bebê. ㅡ acho que ainda não, né? ㅡ sorri bobo. ㅡ Espero que esteja tudo certinho aí dentro. O papai já tomou todos os remedinhos que o doutor passou, para você ficar bem fortinho.

O papai está muito ansioso para ver você... Semana que vem será nossa primeira ultrassom.

Deitei no chão do ateliê, e ergui a camisa, alisando o voluminho que tinha em minha barriga.

ㅡ Será que já dá para ver o sexo? -- Perguntei para mim mesmo. ㅡ O papai ainda não escolheu um nome para você, mas prometo pensar em um bem bonito ok?

Sorri alisando a barriga, e pensando em quando sentiria o primeiro chutinho.

Depois do meu diálogo, que durou alguns longos minutos, voltei ao meu trabalho nas telas.

Já havia terminado algumas, e estava finalizando outras.

Nesses últimos meses, as coisas estavam andando muito bem em relação às pinturas. Depois que descobri sobre o bebê, minha mente pareceu abrir, e ideias maravilhosas estavam saindo constantemente dela, parando em telas, e quase todas sempre eram sobre nascimento.

Encostei a última tela que havia acabado de pintar, para secar no canto e olhei o relógio.

15:40

ㅡ Vamos dar um passeio? ㅡ falei com meu brotinho dentro da barriga.

Tomei um banho, tirando as marcas de tinta do corpo, e vesti uma roupa confortável, com um, sobretudo por cima.

Então sem um destino certo, sai de casa.

[...]

Estava andando sem um rumo certo.

Como moro praticamente no centro, decidi apenas andar, procurando por algo interessante.

Depois de alguns minutos de procura, vi uma loja especializada em artigos para bebês e não consegui resistir à vontade que surgiu de entrar.

Havia tantas roupinhas minúsculas coloridas, cheias de desenhos e babados, que faltei morrer de amor.

As mamadeiras minúsculas eram as coisinhas mais fofas que já havia visto, e os brinquedinhos então... Fiquei tão encantado com tudo aquilo, que gastei horas ali dentro, o que resultou em minha saída da loja carregando enormes sacolas de compras.

Havia comprado várias roupinhas, a maioria coloridas, pois nunca gostei disso de cor de menino ou de menina, então havia roupinhas de todas as cores e de todos os jeitos na sacola.

Quando comecei a andar de volta para meu apartamento, senti uma dorzinha incômoda no pé da barriga, mas julguei ser apenas cansaço, por estar o dia inteiro de pé.

Decidi sentar em um dos bancos que tinha no meio do centro, respirando fundo, para aquele incômodo passar.

A dor foi se intensificando, cada vez mais forte, e eu tentei controlar. Quando senti uma pontada mais forte, me preocupei, então busquei meu celular para chamar um táxi e me levar o mais rápido possível para o hospital.

Quando estava discando o número, uma pontada mais forte me fez dar um grito agudo. A dor era insuportável, e meus olhos já estavam enchendo de lágrimas, imaginando que o pior estava acontecendo com meu bebê.

Eu poderia não entender quase nada sobre gravidez ou paternidade, mas entendia que se uma pessoa está à espera de um bebê, e a mesma sente a dor que estou sentindo, isso não é um bom sinal.

Com meu grito de dor, algumas pessoas que estavam passando na rua me olharam, mas nenhuma parou para averiguar a situação.

Encolhi-me um pouco, sentindo a dor retornar. Minhas mãos tremeram, e com desespero, tentei buscar meu celular que havia caído ao meu lado.

Meus olhos pesaram, e uma lágrima correu pelo meu rosto. O pensamento que ocupava minha mente era apenas um:

Estou perdendo meu bebê.

Chorei mais um pouco, me apertando, tentando controlar a dor, mas não passava. O celular havia caído um pouco longe e com a dor me assombrando, eu não conseguia pegá-lo.

As pessoas passavam e algumas até olhavam assustadas, mas na lotada Seul, era difícil alguém parar.

Tentei respirar fundo e alcançar meu celular mais uma vez, mas antes que eu pudesse falhar miseravelmente mais uma vez, um rapaz parou ao meu lado, e se ajoelhou buscando o aparelho.

ㅡ Está tudo bem?

ㅡ M-meu bebê!

ㅡ Como? ㅡ ele segurou meu braço, tentando me dar algum sustento, mas era inútil. Meu corpo estava curvado, sentindo a dor enorme se intensificar cada vez mais; Dei um novo grito de dor, sentindo novamente mais uma forte pontada.

ㅡ Me ajuda p-por favor... ㅡ me agarrei a ele. ㅡ meu bebê, eu não p-posso... Eu estou perdendo meu bebê...

Ele me olhou por breves segundos, até parecer entender, e em um impulso segurou meu corpo, me erguendo e me pondo no colo e segurando a sacola junto.

Agarrei-me no pescoço dele, mesmo sem o conhecer, chorando de dor.

Ele me colocou em um carro, que julguei ser dele, e correu em seguida para o banco do motorista.

Ele deu partida no veículo, e sem aviso, apenas arrancou com ele, saindo como louco.

ㅡ calma, eu vou te levar ao hospital.

Ele segurou minha mão todo agoniado, e eu nem pude dizer nada, apenas me encolhi no banco, sentindo a dor se intensificar.

Coloquei a mão sobre a barriga, tentando de algum modo amenizar aquilo, mas nada adiantava.

Depois de alguns minutos, o carro estacionou rápido, mas antes de sequer pararmos, ele já buzinava alto, sem intervalo, fazendo o máximo de barulho possível, avisando que aquilo era uma emergência.

ㅡ Já estão vindo. ㅡ ele disse segurando minha mão.

Vi quando saiu do carro, e deu a volta. Meu corpo foi puxado, com cuidado, e ele novamente me carregou em seu colo, enquanto corria.

Alguns enfermeiros vieram correndo já com uma maca, e sem perguntar algo me colocaram deitado sobre ela.

ㅡ Ele está sangrando! ㅡ um deles gritou, e meu desespero aumentou.

ㅡ O que houve? ㅡ um enfermeiro perguntou ao rapaz.

ㅡ Eu o encontrei no centro assim... Ele estava gritando de dor... Acho que está grávido. Ele não para de apertar a barriga. ㅡ o rapaz que me trouxe disse, correndo junto à maca e aos enfermeiros, hospital adentro.

ㅡ Ok, senhor. Preciso que espere aqui.

O enfermeiro falou passando por uma porta grande, o deixando para trás.

ㅡ O meu bebê... p-por favor... Meu bebê.

Choraminguei, implorando para que o salvassem.

ㅡ Fique calmo, nós iremos fazer o possível para que isso passe, ok? ㅡ uma enfermeira que estava ao lado disse sorrindo.

Eu a olhei chorando e assenti desesperadamente.

A maca parou, e vi quando uma enfermeira se aproximou com uma seringa.

ㅡ É para a dor passar, tudo bem? ㅡ puxou meu braço com cuidado e injetou o líquido.

A dor foi baixando aos poucos, mas o desespero não.

ㅡ Meu bebê! Salva o meu bebê, por favor!

ㅡ A doutora já está chegando.

Não demorou muito para que uma médica entrasse na sala, e se sentasse ao meu lado, já mexendo numa máquina grande que tinha ao lado.

ㅡ Ok, irei dar uma olhadinha no seu bebê agora ok? ㅡ perguntou, e eu só assenti nervoso.

A dor já havia passado, graças ao universo e ao remédio que me deram, mas o medo que estava sentindo era enorme, que fazia meu peito doer em antecipação.

Eu não podia perder aquele bebê, ele era meu bebê, meu tesourinho.

Ela ergueu minha camisa, e despejou um líquido gelado em cima de minha barriga. Depois pegou um aparelho que julguei ser para o ultrassom e começou a passear por ela.

ㅡ Qual o seu nome? ㅡ uma enfermeira ao lado perguntou. Possivelmente fazendo minha ficha médica.

ㅡ Song JaeMin.

ㅡ Com quantas semanas está? ㅡ a doutora perguntou sem tirar os olhos da tela. Eu ainda não conseguia olhar. Tinha medo de que meu bebê já não estivesse mais vivo...

Esse pensamento me fez sentir uma dor grande no peito, e uma lágrima desceu pelo meu rosto.

ㅡ d-dezesseis ㅡ Falei sentindo o bolo se formar em minha garganta.

Ela parou por um segundo olhando a tela em silêncio e depois me olhou.

ㅡ Seu bebê está bem, senhor Song. ㅡ sorriu. ㅡ fique calmo. O senhor já o viu?

Com o coração mais aliviado, neguei, me virando e vendo um brotinho de ser humano sob a tela.

ㅡ Ele ainda é bem pequeno, 11 centímetros. ㅡ passou a setinha por cima da imagem preta e branca do meu pequeno bebê. ㅡ Vê isso? Os bracinhos e pernas? ㅡ mexeu com o aparelho sobre minha barriga, e o bebê pareceu responder, pois mexeu agitadamente, balançando os braços e pernas, sem um ritmo formado.

Sorri encantado com a imagem.

Ele ainda era tão pequeno, mas meu coração estava todo molenga por aquele pedacinho de ser humano dentro de mim.

Ela parou a imagem por um segundo, anotando algo, e em seguida deu um clique e um som ritmado foi reproduzido.

Abri os olhos, sentindo as lágrimas se formarem, prontas para caírem em alegria.

ㅡ Esse é o...

ㅡ o coração do seu bebê senhor Song.

Sorri, ouvindo o som do coraçãozinho batendo ser reproduzido e chorei feito um louco. Aquele era o som mais lindo, perfeito e tranquilizador que já tinha ouvido.

Naquele momento eu só pensei em LinHyun, e em como ele estava perdendo cada um desses momentos e sensações únicos.

Enquanto a doutora continuava com o exame, a olhei e depois de muito pensar, decidi perguntar:

ㅡ Já dá para ver o sexo do bebê?

Ela sorriu, e mexeu um pouco mais o aparelhinho.

ㅡ Esse pequeno parece envergonhado agora. ㅡ disse e meu olhar vai para a tela, que o mostrava bem paradinho. ㅡ Vê isso? ㅡ aponta novamente. ㅡ As perninhas estão dobradinhas.

Assinto já entendendo que infelizmente o sexo não seria possível de descobrir, mas o alívio em meu peito, ao saber que meu bebê está bem é grande.

Ela guardou o equipamento que estava utilizando para o exame, e afastou a cadeira, ficando sentada de frente a mim.

ㅡ Senhor Song, seu bebê esta ótimo, onze centímetros, setenta e nove gramas e os membros parecem bem formados, mas oque ocorreu hoje não pode ser deixado de lado. O senhor teve um sangramento devido a um pequeno deslocamento da placenta. Com dezesseis semanas, isso é bem raro, e bastante perigoso. Então pedirei para o senhor repouso absoluto.

ㅡ Isso pode fazer mal ao bebê?

ㅡ Sim, muito. Seu útero ainda está se adaptando ao novo que há nele. Uma gravidez masculina cis pode ser um pouco mais complicada. Mas seu corpo manterá o bebê seguro se você se cuidar, entende? ㅡ assenti a olhando ㅡ Então pedirei repouso absoluto. Você não pode sequer pensar em fazer nada com muito esforço físico, ou tudo pode acarretar a um aborto espontâneo, ou a um parto prematuro e não queremos isso, não é?

Assenti mais uma vez, anotando mentalmente tudo o que me era passado.

ㅡ Eu trabalho com pintura, sou um artista... Isso significa que não posso pintar até o bebê nascer?

ㅡ Não, o senhor poderá, contanto que não faça esforço e que não fique muito tempo de pé. O essencial, é que fique relaxado. Sem estresse ou esforço.

Assenti agradecendo-a.

ㅡ O senhor terá que ficar aqui hoje, em observação. Mas avisarei ao rapaz que está te esperando, que já pode entrar.

ㅡ O rapaz?

ㅡ Sim, está aqui fora. Ele estava bem nervoso, mas falarei com ele, e pedirei que entre.

ㅡ Mas... ㅡ eu nem sabia o que pensar ou falar, mas sabia que precisava agradecê-lo. ㅡ obrigado. Muito, muito obrigado.

Ela sorriu se despedindo e saindo.

Alguns minutos depois o rapaz entrou.

Eu ainda não tinha reparado em seu rosto, até porque estava sofrendo com uma dor horrível e gritando como um louco banhado com o medo de perder a única coisa que ainda tinha naquela cidade, mas agora, vendo-o assim de perto, seu rosto é jovem e assustado, mas muito bonito.

Ele entrou meio acanhado, e parou ao lado da maca.

ㅡ Obrigado por ter me ajudado. ㅡ falei.

Ele sorriu envergonhado e assentiu.

ㅡ Está tudo bem com você e com o seu bebê agora?

ㅡ Sim, estamos bem. ㅡ alisei minha barriga olhando-a e sorrindo. Logo me lembrei da imagem do pequeno serzinho que estava crescendo dentro de mim. ㅡ Graças a você.

ㅡ Eu... Eu fiquei muito assustado. ㅡ coçou a nuca sorrindo. ㅡ de verdade mesmo. Mas agora... fico feliz e tranquilo que estejam bem.

Assenti olhando. Ele parecia inquieto e sem que tivéssemos algo a mais para falar ali, logo um silêncio constrangedor veio em seguida.

ㅡ Você... Você quer que eu ligue para alguém? ㅡ ele perguntou ㅡ O pai ou a... mãe do bebê, talvez?

ㅡ Não. Não precisa, somos só nós dois ficaremos bem. ㅡ falei encarando minha barriguinha ㅡ Amanhã mesmo teremos alta.

Ele assentiu e me olhou em silêncio por mais alguns segundos.

ㅡ Bom, eu... ㅡ ele disse rindo e ergueu a mão para mim. ㅡ Me desculpe os modos, me chamo Junkoo. Lee Junkoo.

Com a mão estendida para mim, percebi que minhas sacolas com as compras do bebê estavam na outra.

Ele se preocupou até em recolhê-las.

ㅡ Prazer, sou Song JaeMin. ㅡ apertei sua mão de volta, me apresentando devidamente.

Ele sorriu e seus dentes avantajados ficaram à mostra. Sorri com a semelhança que ele tinha com um coelho. Parecia um coelho bem fofo.

Ele pigarreou soltando devagar minha mão.

ㅡ Então... Eu tenho que ir.

ㅡ Ah, ok... Se existir algum jeito de te agradecer pela ajuda eu ficaria muito feliz.

ㅡ Não, está tudo bem...

Assenti para Junkoo, mas ele ainda permaneceu de pé ao meu lado.

ㅡ Hm... Eu sei que não tenho nada a ver com isso, e que não te conheço... Mas, a médica me contou um pouco do que houve com você... Acho que ela pensou que éramos conhecidos ou algo assim. ㅡ ele sorriu mostrando os dentes de coelho novamente. ㅡ Mas... Você tem alguém para te buscar? Digo, ela falou que precisará de repouso absoluto e que não pode fazer esforços nenhum.

ㅡ Ah... ㅡ sorri meio sem graça para o rapaz. ㅡ Eu ficarei bem, amanhã chamarei um táxi para me levar até em casa... Está tudo bem.

ㅡ Olha, se você quiser eu posso te buscar... Ficaria feliz em saber que o rapaz o qual ajudei está bem, e o bebê também, claro.

Ok... Ele é um desconhecido, que está me oferecendo carona. Minha mãe já havia me ensinado para nunca falar com estranho, muito menos aceitar uma carona... Mas e quando o desconhecido salva você?

Eu estava cercado de pessoas no centro, mas somente ele me ajudou. Isso significa que ele é uma pessoa do bem, né? Talvez um anjo...? Sei lá, mas eu acho que sim... Mas mesmo assim neguei.

ㅡ Eu não quero te incomodar. ㅡ sorri educadamente. ㅡ Mas agradeço muito.

ㅡ Ah não incomoda de jeito nenhum... Amanhã posso te buscar e te levo em casa em segurança.

Ok, ele insistiu... Eu deveria aceitar, né? Talvez não. Mas o sorriso dele é tão bonitinho... Ok, isso não tem nada a ver com a carona oferecida, mas é que ele tem cara de bom moço.

Pensei por alguns longos segundos, até ter uma resposta.

ㅡ Tudo bem então... ㅡ digo meio baixo, com certa vergonha, mas o rapaz me abre um sorriso tão bonito, que tenho quase a certeza que ouviu a resposta que queria.

ㅡ Então, amanhã eu te busco, ok?

Assenti sorrindo e o observei melhor. Ele deve ter uns 19 ou 20 anos, não tem jeito de ter mais que isso.

ㅡ Até amanhã. ㅡ disse se afastando.

ㅡ Até amanhã.

Sorri educadamente para ele, e recebi um último sorriso acompanhado de um aceno de despedida.

Assim que o rapaz saiu, deitei a cabeça no travesseiro e respirei fundo, sentindo um cansaço enorme sobre meu corpo e julguei ser por conta do remédio que recebi.

Ainda olhando para minha barriga, a alisei e decidi conversar um pouquinho com o pequeno bebê ali dentro.

ㅡ Você me assustou hoje, não faça mais isso, por favor... ㅡ suspirei. ㅡ apesar de o culpado ser eu... Eu fiquei com medo de te perder pequeno.

Continuei o diálogo com meu bebê, e naquela sala de hospital sozinho, eu vi quem eu tinha ao lado.

E eu tinha apenas o meu bebê.

Continua...

Capítulo 3 Um estranho legal

À noite no hospital não foi nada legal.

Graças ao universo não senti nenhuma dor ou desconforto, referente ao bebê, mas o ambiente hospitalar nunca foi o meu preferido. E dormir ali, não era nada fácil.

Felizmente consegui tirar um cochilo, algo rápido, coisa de duas ou três horas, mas nada além disso.

ㅡ Com licença... ㅡ ergui meus olhos encontrando o mesmo rapaz da noite anterior, parado na porta do quarto.

Ele sorriu contido, e se curvou minimamente, me cumprimentando.

ㅡ Bom dia... JaeMin?

ㅡ Isso. ㅡ sorri ainda sem graça para ele, o respondendo. ㅡ Bom dia, Lee.

ㅡ Como passou a noite? ㅡ perguntou, se aproximando um pouco, vestindo um casaco preto gigante, de capuz, e me ajudando, a sair da cama.

O olhei rapidamente, e julguei suas vestes. Parecia um adolescente.

ㅡ Acordado... É muito difícil dormir numa cama que não é a minha.

Ele assentiu sorrindo, e ouvimos batidas leves na porta.

Olhei rapidamente para a porta e vi a mesma doutora que havia me atendido no dia anterior, entrar.

ㅡ Com licença, bom dia. ㅡ sorriu. ㅡ Como se sente, senhor Song?

ㅡ Com sono. ㅡ brinquei com ela, a fazendo sorrir também. ㅡ Não consigo dormir em uma cama que não seja a minha, é muito difícil.

ㅡ Terá muito tempo para dormir e descansar.

Ela anotou algo num papel, e logo me entregou.

ㅡ Esta é a sua liberação. Já assinei. Mas não esqueça sobre o que te pedi ok? Repouso total e imediato. Queremos que esse bebezinho e o seu papai fiquem muito bem de saúde, não é? ㅡ ela olhou para Lee, o pegando de surpresa com a pergunta, mas ele assentiu, sorrindo e me olhando também.

ㅡ Certo. A conta do hospital também já foi paga, então o senhor já está liberado para ir.

ㅡ Espera, como assim já foi paga? Quem pagou?

Lee levantou a mão rapidamente, sorrindo e mostrando seus dentes de coelho outra vez.

ㅡ Eu paguei.

ㅡ Mas... Não. Você não podia... Quanto que foi? Eu irei te pagar o prejuízo! ㅡ Busquei minha bolsa, onde estava minha carteira, mas ele me impediu, negando com a cabeça.

ㅡ Não precisa JaeMin. ㅡ ele sorriu e mesmo sem entender o porquê de sua atitude, assenti o olhando.

Esse cara é o cara mais estranho que já vi. E veja que na minha vida, ficar cercado de gente estranha é quase comum.

ㅡ Ok...

ㅡ Bom, eu vou indo. Espero não te ver por aqui. ㅡ A doutora sorriu se despedindo.

ㅡ Eu também. ㅡ ela deu um último tchauzinho e se foi.

Olhei o rapaz parado à minha frente, com as mãos juntas ao corpo, olhando tudo ao redor.

ㅡ Então... ㅡ trouxe a atenção dele para mim. ㅡ Vamos?

Ele assentiu rápido, e ainda bastante prestativo segurou meu pulso para que conseguisse calçar as sandálias ofertadas pelo hospital, e buscou todas as minhas sacolas.

Sorri, caminhando devagar para fora do quarto, seguido por ele, que carregava tudo sozinho.

ㅡ Desculpa te fazer passar por isso.

ㅡ Não é nada. ㅡ ajeitou as sacolas na mão, e se apressou em chamar o elevador.

ㅡ Eu preciso te pagar, é sério.

ㅡ Já te disse que não precisa.

ㅡ Cara, você é doido? ㅡ Entrei no elevador, e parei de frente a ele, com as mãos na cintura. ㅡ Você não pode sair pagando as dívidas dos outros assim.

Ele me olhou sério, até um pouco assustado, mas depois de 2 segundos, caiu na gargalhada.

ㅡ Desculpa, é que você ficou bem fofo com as mãos na cintura.

O olhei sem acreditar. Ele está me chamando de fofo? Eu, que Possivelmente sou mais velho que ele e estou grávido? Mereço respeito poxa.

ㅡ Eu não sou fofo. E você está errado. Diga-me o preço que pagou no hospital, que irei pagar.

O elevador abriu, e seguimos para o lado de fora.

ㅡ Irá mesmo pagar? Olha que foi bem caro viu...

ㅡ Está insinuando que eu não posso te pagar? ㅡ o olhei, pondo novamente a mão na cintura. Era uma mania minha de quando ficava nervoso.

Ele parou em frente a um carro, na qual eu não saberia dizer a marca, mas sei que com certeza, é bem caro e o destravou.

ㅡ Eu não insinuei nada.

Colocou as sacolas no banco de trás do carro, e abriu a porta do passageiro para que eu pudesse entrar.

O olhei nos olhos, e depois olhei para o carro.

ㅡ Ok, mas antes me responda o que você é...? Você tem um carro que vale mais que minha casa, e um rosto de um garoto 18, então o que você é?

Ele arqueou uma de suas sobrancelhas me olhando, e depois olhou para o carro.

ㅡ Isso importa?

ㅡ Claro que importa. Eu terei que entrar aí, ao menos, me responda... Qual a sua idade?

ㅡ Vinte...

Minha nossa, é quase um adolescente mesmo.

ㅡ e a sua?

ㅡ vinte e seis.

ㅡ Você é meu hyung. ㅡ sorriu e eu não achei a mínima graça.

ㅡ Não me chame assim... não temos intimidade e me faz parecer velho.

ㅡ Vou te chamar de "oppa" então. Oppa você quer entrar, por favor?

Gargalhei, sem conseguir me controlar e neguei com a cabeça.

ㅡ Me chame por JaeMin.

Ele sorriu e assentiu. Entrei no carro, mesmo sem saber ao certo quem era o garoto, e ditei meu endereço para que ele pudesse me deixar em casa.

A viagem, não foi nada silenciosa. Ele adora falar, e às vezes fala sobre coisas aleatórias.

Descobri que sua ida ao centro foi para comprar telas, mas quando me animei ao pensar que pintava, apenas disse que desenhava por puro hobby.

O contei um pouco sobre mim também, em como era um pintor, e até prometi-lhe mostrar algumas de minhas telas, terminadas que iriam para a próxima exposição de Seul e Daegu.

Assim que chegamos ao meu prédio, pedi para não se importar muito com as sacolas, que pediria ajuda ao porteiro, mas ele recusou a ideia e fez questão de levá-las até meu apartamento.

Vocês agora devem estar pensando: meu deus, Song JaeMin é louco. Está indo em direção ao seu apartamento com um total estranho.

Mas era a verdade, eu realmente sou um louco que estava subindo o elevador em direção a minha casa com um total estranho, mas de algum jeito, ele não me passava a insegurança que um estranho normalmente passava.

ㅡ Onde posso deixá-las? ㅡ perguntou e apontei para o sofá. Ele me olhou, com o olhar de repreensão. ㅡ Um lugar onde você nem ouse erguer essa sacola. Está de repouso esqueceu? Aliás, toma aqui. ㅡ me estendeu seu celular. ㅡ coloca aqui teu número que a hora que você precisar, é só me ligar.

Peguei o celular de suas mãos, o olhando com estranhamento.

ㅡ Mas o correto não seria eu ter o teu número? ㅡ Coloquei meu número e salvei o entregando o aparelho de volta. ㅡ para quando "precisar" te chamar? ㅡ falei entre aspas, porque era claro, que eu não iria precisar novamente. Talvez nós nem nos víssemos mais.

ㅡ E terá. ㅡ fez uma ligação rápida para mim. ㅡ agora é só salvar. Você tem o meu, e eu tenho o seu.

Sorriu, começando a caminhar, procurando um lugar para deixar as sacolas do bebê.

ㅡ Põe no meu quarto. ㅡ Abri a porta do cômodo, e indiquei-lhe o closet.

ㅡ Ainda não comprei um lugar para guardar as coisas do bebê.

ㅡ Por falar em bebê... Eu posso te fazer uma pergunta? ㅡ falou, já saindo do quarto.

ㅡ Acho que sim.

ㅡ Com quanto tempo está? Digo... Sua barriga é pouco perceptível.

ㅡ Acabei de entrar no quarto mês. Ela ainda é bem pequena, mas daqui a uns dias irá crescer muito.

Sorri, alisando a barriga.

ㅡ Espero poder te ver assim, você irá ficar bem fofo.

Sorri desta vez, imaginando como ficaria com a barriga maior.

ㅡ Bem... Acho que está tudo certo, né?

ㅡ Já vai? ㅡ perguntei sem pensar, e ele me olhou sorrindo e assentiu.

ㅡ Não quer um café? Uma água?

ㅡ Um jantar. ㅡ disse simples.

ㅡ Como?

ㅡ Um jantar. Com você.

Pisquei várias vezes, tentando entender o que ele queria.

ㅡ É o preço, você não queria saber? Esse é o preço que cobro pelo hospital.

ㅡ Mas isso é... Você não pode... É...

ㅡ Estou brincando JaeMin, na parte do pagamento, óbvio. Mas eu realmente quero que aceite meu convite para um jantar.

ㅡ Porque quer jantar comigo?

ㅡ Eu te achei bastante interessante, e você parece ser uma boa pessoa.

ㅡ Você não está jogando uma cantada para um cara grávido, Está?

ㅡ Apenas como amigos, Song. ㅡ ele me olhou sorrindo, e semicerrei os olhos. De alguma forma as palavras dele pareciam falsas.

ㅡ Ok. ㅡ lancei a palma em sua direção e ele olhou estranhando meu ato. ㅡ É para apertar... Você sabe? Você pega a sua mão e aperta a minha.

Lee sorriu, negando com a cabeça e juntou nossas mãos, selando nosso "acordo", no qual nem eu mesmo sabia qual era.

ㅡ Te mando uma mensagem, Song. ㅡ abriu a porta, mas antes de sair por completo, me olhou e sorriu. ㅡ Não esqueça, é repouso completo.

Revirei os olhos e assenti.

ㅡ até mais.

ㅡ até mais, Lee.

Continua...

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