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O destino bate à porta

O destino bate à porta

Autor:: Anna Mariano
Gênero: Bilionários
Anna estava feliz, depois de tantos contratempos, sua vida estava entrando nos eixos. Poderia até concluir seu curso de marketing, que por motivos financeiros, teve que trancar, faltando apenas um semestre para concluir. Agora, passados dois anos de tanta turbulência, enfim podia respirar tranquilamente. Seu pai estava bem, a pequena Luiza crescia saudável e logo teriam um novo CEO na empresa. Ela só não sabia que o novo chefe, era alguém que povoada seus sonhos mais ousados e também seus piores pesadelos...

Capítulo 1 Deslumbrada!

Capítulo 1:

-- Anna, Anna banana, acorda.- Liz gritou, puxando o edredon da irmã.

-- Me deixa dormir. - resmungou Anna, puxando a coberta de volta. - é sábado, não tenho aula.

-- Sua dorminhoca, acorda, tenho novidades pra você.

-- Liz, por favor, fiz um extra ontem no café do campus, cheguei super tarde, tive que terminar o trabalho de computação gráfica, que é para segunda, e daqui a pouco pego turno dobrado na lanchonete da Martha. - desabafou ela sentando-se na cama e encarando a irmã com olhos vermelhos.

-- Você vai é morrer de tanto esforço pra ganhar uns trocados, você é igualzinha ao velho rabugento.

-- É. Mas são esses trocados que o papai e eu ganhamos, que botam comida na mesa e pagam as contas. - nem se deu o trabalho de se magoar pelas palavras de Liz. Ela sempre deixou claro que não pretendia se matar de trabalhar, e que o segredo do sucesso era se casar com um cara muito rico.

-- Detalhes. - desdenhou Liz, abanando a mão, como se tivesse espantando um inseto. - Adivinha com quem passei uma noite maravilhosa.

-- Com o gênio da lâmpada? - perguntou ela - Está toda amarrotada, como se tivesse saído de uma garrafa. E que roupa é essa? Você parece uma prostituta, no final de uma longa noite. Se papai te ver assim, vai ter um infarto.

-- o velho já saiu. É lindo né? Disse Liz, passando as mãos pelo vestido curto e justo. - peguei emprestado com a Mayra.

-- É vulgar e uns dois números menor que o seu.

-- É sexi, não vulgar! Você tá é com inveja, porque um homem como Sam, nem olharia para você.

-- E quem é Sam?

-- Aquele cara riquíssimo, lindo e maravilhoso que te falei semana passada. O da loira magrela, aquela modelo famosa. Lembra?

-- Vagamente. - asentiu Anna.

-- Então, desde que eu o conheci, em todos os lugares que ele ia, eu dava um jeito de estar também e ontem ele estava sozinho. Aparentemente deu um pé na magrela. Eu aproveitei pra me aproximar e...

-- Como você conseguiu ir aos lugares que ele frequenta? Se ele é da alta sociedade? - cortou ela.

-- Como você é ingênua, maninha. Sempre tem um babaca com dinheiro pra me bancar. É só fazer uns agradinhos nele.

-- Porque não se casa com um desses babacas então? Aí não precisa correr atrás do tal do Sam.

-- Eca!! - fez Liz - Jamais me casaria com um desses caras babões, e além disso nem todos são solteiros. - continuou falando sem perceber a expressão enojada da irmã. - Sam é diferente, além de mega rico, é lindo, gostoso, educado...

-- Mas ele nem mora aqui. Você não disse que ele mora em Londres? Como vai ser?

-- Aí é que está! Ontem fizemos amor a noite inteira e dei a entender que iria com ele, pra onde ele quiser.

-- Você quer dizer que fizeram sexo a noite inteira, não é? - Disse Anna, levantando-se. Aquela conversa já a estava cansando.

Liz era deslumbrada, achava que todos os homens caiam aos seus pés e se apaixonariam perdidamente por ela. Ia quebrar a cara! Não que desejasse o mal da irmã, mas, era realista demais para achar que um milionário casaria com a filha um mero professor de ensino médio.

-- Não foi só sexo, tivemos uma conexão, eu senti e tenho certeza que ele sentiu também! - gritou Liz, para que a irmã a ouvisse, já que esta saiu do quarto e fechou a porta.

Capítulo 2 Realidade.

Sam acordou com a boca seca. Abriu os olhos devagar. Parecia que mil agulhas alfinetavam sua cabeça. Havia bebido demais na noite anterior. Maldita tequila! Virou a cabeça e notou a mulher nua e adormecida ao seu lado. Quem diabos era? Geralmente, quando bebia, ninguém, a não ser seu primo Allan, percebia que estava bêbado. Podia andar em linha reta, falar sem enrolar a língua, agir normalmente. Mas a ressaca no dia seguinte e a amnésia alcoólica eram fatais. Não era um blecaute total, flashbacks da noite pontuaram seu cérebro. Mas em nenhum aparecia a garota de cabelos castanhos.

Ela estava de bruços. O lençol cobria uma perna e metade do traseiro. Puxou o lençol com cuidado. E que belo traseiro! Sentiu seu pau se agitar. Mas que merda! Controle se, Sam! Você precisa de uma ducha e analgésicos.- Pensou dirigindo-se para o banheiro.

Quando saiu do banho, ela ainda dormia. Vestiu-se e saiu silenciosamente. A última coisa que queria era conversar com a desconhecida sobre uma transa que nem lembrava.

-- Bom dia, senhor Baxter. - disse Eidan, quando Sam entrou na sala de jantar. - Como está passando esta manhã?

-- Com dor de cabeça. - respondeu seco - Espero que tenha café.

-- Sim senhor. Fresquinho, Madalena acabou de passar. Ela sabe que, independente da hora e do estado, que o senhor chegue, sempre acorda às 8 horas. Vou trazer agora mesmo.

-- Não precisa, tomarei na cozinha.

Começou a dirigir-se para cozinha, com Eidan em seu encalço, quando virou-se de repente, fazendo com que o mordomo esbarrasse nele e quase caísse.

-- Perdão senhor. - disse atônito, tentando se equilibrar, segurando o braço do patrão.

-- Está perdoado. - disse Sam, tentando esconder o riso. - O que quis dizer com independente do estado que eu chegue?

-- Que o senhor não estava em seu estado normal quando chegou ontem à noite.

-- Não?

-- Não, senhor.

Sam ficou encarando o mordomo.

-- Eidan, me diga o que eu fiz ontem.

-- O senhor não lembra?

-- Acha que perguntaria se lembrasse? Você está ficando senil, Eidan!

-- Eu lembro o que fiz ontem à noite.- Retrucou o mordomo.

-- E eu me pergunto se você é insolente só comigo ou se é com meu pai também. Duvido que ele aceite esse comportamento.

-- Não vai tomar o café? - perguntou o mordomo.

Vendo o divertimento no olhar de Eidan, Sam perdeu a paciência e falou entre dentes:

-- Eidan, se não começar a falar logo, vou chutar seu traseiro daqui até a China.

-- Muito bem então. O senhor chegou por volta das 22 horas, com a senhorita Martin e...

-- Martin? Esse é o nome dela? - cortou Sam.

-- Liz Martin, senhor. Vocês estavam rindo muito alto e...- Eidan parou de falar, parecendo constrangido.

-- E? Vamos continue. - incentivou Sam.

-- Bem senhor, vocês estavam se agarrado no sofá da sala de estar e quando perguntei se precisavam de alguma coisa, o senhor me convidou para me sentar e conversar. Como me recusei, o senhor me puxou pela mão e me fez sentar ao seu lado. Disse que iria para Londres semana que vem e levaria a senhorita Martin junto para conhecer o senhor seu pai, antes que ele se mudasse para a Grécia. Depois subiram para o quarto e... foi isso . Como o senhor jamais traria uma mulher como a senhorita Martin aqui na casa da família, eu deduzi que não estava agindo racionalmente. - concluiu o mordomo.

-- E não estava mesmo! - disse Sam passando a mão na nuca, deixando o cabelo arrepiado naquele lugar. - Eidan, mande uma arrumadeira acordar a garota, peça que seja sutil, mas que a dispense o mais rápido possível. - tirando a carteira do bolso, pegou mil dólares. - coloque num envelope e entregue isso a ela. Diga que é para o táxi. Cuide para não ofender a moça. Diga que tive uma emergência e que sai às pressas. Vou sair agora. Pode resolver isso pra mim?

-- Claro senhor, farei isso.

-- Obrigado Eidan- disse dirigindo-se à porta- fico devendo mais esse favor a você.

-- Senhor o café.

-- Tomo na rua, na empresa, em qualquer lugar. Tenho que sair rápido daqui antes que descubra que fomos pra Las Vegas ontem e me casei com a maluca.

Capítulo 3 Gota d'água

Anna estava exausta. O turno duplo, que sempre fazia aos sábados na lanchonete de sua amiga Martha, era puxado, mas o dinheiro extra compensava o cansaço. E ainda tinha as gorjetas. Olhou desanimada os lances de escadas que faltavam para chegar ao terceiro andar, onde morava com seu pai e sua irmã.

O pequeno apartamento de cinco cômodos, era o único bem da família que sobrou. Seu pai, Edgar, não pensou duas vezes, antes de vender a bela casa da família Martin, quando sua esposa Lídia, foi diagnósticada com um tumor agressivo no pâncreas. Comprou o pequeno apartamento em Crown Heights , no Brooklyn, e se mudou com sua mulher e suas filhas Liz, que na época tinha 18 e Anna com 16 anos. O restante do dinheiro, usou para pagar o tratamento de sua esposa. Tentou de tudo. Desde os tratamentos convencionais, quimio e rádio terapia, até os não

convencionais, que os planos de saúde não cobrem. O dinheiro escasseava rápido e a esperança de cura diminuía. Largou o emprego de historiador no Museu Americano de história, para ficar mais tempo com a mulher. Lídia faleceu 11 meses depois do primeiro diagnóstico.

A família Martin estava desgasta. O pai caiu em depressão. Liz revoltada, abandonou o último ano do ensino médio e fazia acusações, dizendo que o pai se afundou em dívidas por uma doença que não tem cura. Anna, sempre pragmática, se esforçou. terminou o ensino médio com ótimas notas, ganhou uma bolsa de 80% na Universidade de Colúmbia. E desde então sempre trabalhando pra pagar a faculdade e ajudar em casa. O pai arrumou um emprego de professor de história, numa escola de ensino médio. E assim, cinco anos depois da morte de Lídia, Edgar Martin e as filhas seguem morando no Brooklyn.

Quando estava girando a chave na fechadura, Anna ouviu os gritos do pai. O pai sempre fora calmo, tanto que Liz sempre abusava da paciência dele.

-- Se não está bom pra você, vá. Saia e não precisa voltar. Esqueça que tem um pai. Esqueça que tem uma família. Vá viver a sua vida de luxo que tanto sonha. Saia do lixo que você tanto odeia. Vá!

Edgar estava vermelho de fúria. Anna nunca viu o pai assim. Tão exaltado.

Liz passou raivosa por ela e saiu pela porta aberta, esbarrando em uma Anna estupefata pela cena que presenciara. Ficou ali, em frente a porta ainda aberta, sem reação.

-- Anna - disse Edgar com voz fraca - chame uma ambulância.

Ela demorou uns segundos pra entender o que o pai dizia, parecia surreal que, depois da gritaria, sua voz soasse tão baixa e fraca. Até que ele caiu de lado no sofá.

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