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O filho de um segredo

O filho de um segredo

Autor:: Bencannan
Gênero: Romance
Amber nunca pensou que fosse voltar a ver aqueles olhos negros . Sua mente volta para exatos oito anos atrás quando deixou sua pequena cidade sozinha e com medo, na pequena mochila somente algumas mudas de roupas e dentro de seu coração uma mágoa impossível de esquecer . Naquela noite haveria a formatura mas Amber não estaria nela, a noite anterior lhe mostrou que não adiantava sonhar, naquela cidade ela seria sempre a menina mais feia da escola, aquela que caçoavam, ao pensar nisso seus olhos queimam com lágrimas não derramadas ao lembrar a cena da noite anterior, todas aquelas líderes de torcida e os garotos do time rindo enquanto Amber tentava em vão cobrir seu corpo nu. E ele, Peter Calahan parecendo constrangido e fingindo-se assustado ao mesmo tempo, como se a "brincadeira" fosse engraçada e ser pego ali de propósito lhe fizesse lembrar que ela era a menina mais horrorosa e que ele teve que fazer o sacrifício pro divertimento dos colegas . Mas tudo isso parecia ter ficado pra trás, até aquele dia , até Amber olhar aqueles olhos negros vasculhando se ali havia algum reconhecimento, afinal de contas Amber a menina feia desengonçada filha do bêbado agora é uma pessoa completamente diferente.... Será que o seu segredo está protegido ? Será que Peter ainda se lembra dela ? Será que ele consegue imaginar as consequências que aquela brincadeira deixou em sua vida ? Será que o rico e poderoso Peter agora se sente tão poderoso sem poder mais andar ? Amber respira fundo decidida a enfrentar seja lá o que for pelo cheque mensal que vai salvar sua vida, Porém ela precisa proteger a todo custo seu segredo , Peter Calahan não pode jamais imaginar que eles têm um filho e que Amber é a mesma garota que ele humilhou e pisou no passado

Capítulo 1 Prólogo

Ele a despe com suas próprias mãos ainda sentado nu na cadeira simples , com um pouco de esforço ele a faz andar um pouco para a frente enquanto pede a Amber que se sente na beirada da cama.

- Altura perfeita pra que eu me divirta ! ele fala separando as pernas de Amber .

Ela arqueia o corpo ao sentir o primeiro contato da língua morna em seu centro e nos próximos minutos ela tem dificuldade em conter seus gemidos enquanto ele a leva ao prazer com sua língua e dedos . E mesmo sem querer Amber relembra quando fugiu de Peter e de tudo que ele havia feito à anos atrás....

A noite estava escura e Amber olhava a fina chuva pela janela do ônibus, seu coração era como o ambiente lá fora , depois de uma tempestade imensa, agora só resta a garoa fina de um choro leve e sentido. Ela tenta se concentrar na paisagem escura do lado de fora para esquecer os eventos do dia anterior, porém ela não sabe se por culpa da chuva,da escuridão ou mesmo das lágrimas que teimam em encher seus olhos, nada consegue captar sua atenção.

A todo momento as lembranças da noite anterior vem em sua mente junto com a imaginação do que estará acontecendo agora em sua pequena cidade Natal, com pouco mais de dez mil habitantes Sonoma é pequena o suficiente para que sua humilhação já tenha se tornado pública. Ela jamais imaginaria que Peter roubaria sua virgindade e tornaria isso um circo público, como se fosse um filme pornô ao vivo para toda a cidade.

Ela se concentra em seu destino tentando não pensar no que está deixando pra trás, afinal de contas ela nunca pertenceu a cidade mesmo .

Amber estremece em imaginar como será Los Angeles, ela se lembra muito pouco da cidade em uma visita antes da morte de sua mãe, por algum tempo o medo e assombro em estar indo pra maior cidade do estado a fazem esquecer a fatídica noite anterior e Amber se vê perdida em uma tentativa de lembrar algo sobre a cidade.

Mais do que a humilhação pública as palavras de seu pai na noite anterior ainda a magoam , entre todas as mágoas de uma vida os gritos de : Vagabunda , você é uma vagabunda como sua mãe! ainda a machucam de uma forma mais profunda.

Amber tenta achar uma posição confortável no banco do ônibus , depois de dez horas de viagem seu corpo todo protesta em agonia , ela olha o relógio do ônibus e constata que ainda faltam duas horas pro término de sua viagem .

A todo tempo ela tenta não pensar na sua formatura que deveria estar acontecendo essa noite, menos ainda na festa do dia anterior e tudo que aconteceu nas duas semanas antes da fatídica festa , mais sua mente fica lhe pregando peças a fazendo voltar até mesmo a um tempo muito anterior , tentando achar respostas pra sua vida ser tão ruim , talvez seja sua culpa ou só tivesse que ser assim mesmo , mais de uma coisa Ela tem certeza , ela jamais voltará a Sonoma e deseja nunca mais voltar a ver ninguém de lá, com exceção de Devon seu único amigo de uma vida inteira , o único que sempre a defendeu mesmo sendo ele um alvo como ela pras maldades dos outros , o querido Devon que deu a ela todas as suas economias pra que ela escapasse . Dele Amber nunca se esqueceria, e talvez um dia ele pudesse vir também e sair da cidade que tanto os machucou.

Amber se põe a imaginar o que sua avó dirá, fazem pelo menos uns 10 anos que elas não se veem e Amber está ansiosa em saber o que ela dirá ao vê-la surgir em sua porta .

Afastando seus temores ela se ajeita pra enfrentar as duas horas que ainda faltam e mesmo sem querer ela começa a lembrar passo a passo tudo que culminou na noite anterior.

Capítulo 2 Parte 1- O início

Amber está de pé enquanto um pastor fala algumas palavras como se conhecesse sua mãe, nenhum deles a conhecia , ninguém ali presente sabia como era o seu sorriso luminoso , seus cabelos loiros da cor de sorvete de creme e seus luminosos olhos azuis .

Nenhum daqueles estranhos sabe como ela era feliz quando estava sozinha com a filha, nenhum deles sabe nada além das intermináveis ligações pra emergência após seu pai chegar bêbado, ninguém sabe das histórias que ela e Amber gostavam de ler enquanto seu pai estava viajando e a paz da casa era inteiramente delas.

A menina de 13 anos limpa discretamente uma lágrima solitária que teima em cair, enquanto permanece de pé em uma postura de dignidade ouvindo um estranho falar sobre a mulher que sua mãe foi .

Dois dias atrás ela estava ali viva e mesmo com todas as adversidades Amber tinha seu conforto, agora um motorista imprudente tirou sua mãe e a colocou ali no túmulo frio.

Seu pai fez questão de não avisar sua avó, e enterrar sua mãe as pressas como se a quisesse fora de sua vida o mais rápido possível.

Em poucos minutos estava tudo acabado e os coveiros desceram o caixão simples a cova enquanto Amber permanecia até o último minuto antes de sentir a mão de seu pai em seu braço a chamando pra irem pra casa .

Ela segue em silêncio no carro enquanto seu pai escuta um jogo de futebol como se estivessem voltando de um passeio.

- Amber estamos quase chegando e eu não como uma refeição descente a dias , será que você consegue preparar algo ? seu pai william folks mais conhecido como Bill pergunta como se nada tivesse acontecido. Amber sacode a cabeça em um gesto afirmativo e continua em seu silêncio, fazendo força pra lembrar cada detalhe do rosto de sua mãe, como se o fato de esquecer algum detalhe fosse tirá-la ainda mais de si .

Ela observa enquanto passam em frente ao bonito prédio de tijolos vermelhos com suas Torres que abriga a prefeitura de Sonoma, lembrando quantas vezes sua mãe criou estórias pra ela de que ali era um castelo onde morava um príncipe encantado que a levaria ao baile quando ela crescesse . Quando cresceu mais um pouco Amber soube que aquele lindo castelo na verdade era a prefeitura e que tinha sido doado a cidade pela família Calahan que tinha uma casa nos mesmos moldes porém menor na área nobre da cidade e toda em tijolos brancos como um Palácio de cristal .

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- Papai estou indo , o almoço está no fogão, hoje terei aulas até as 15:00 !

Amber sai sem esperar resposta e corre até o ponto de ônibus, menos de dois minutos depois o grande e velho ônibus amarelo aparece e Amber embarca em silêncio, ela caminha até a poltrona nos fundos e se senta ao lado de seu amigo Devon, um dos poucos meninos negros de sua escola e seu melhor amigo no mundo. Dois pontos além Luana uma menina magricela sobe no ônibus e em uma tentativa de ser popular ela cumprimenta alguns outros alunos, mais é ignorada como sempre e vai se sentar próximo de Amber e Devon os dois outros excluídos.

Aos 15 anos Amber não lembra em nada a bonita garotinha loura bonita que foi , seu cabelo parece uma massa rebelde que não para preso em nenhum penteado , os óculos feios e antiquados combinados ao corpo magro e quase sem nenhuma curva com pernas compridas demais pra seu tamanho a fazem junto com as espinhas no rosto uma das meninas menos atraentes de toda a escola , Devon apesar de ser um belo menino de sorriso fácil também não é nada popular , o fato de ser um dos mais inteligentes e ser negro o fazem alvo de zombarias e o excluem dos alunos considerados populares.

- olá esquisitos vocês fizeram o dever de álgebra? pergunta Luana tentando ser engraçada. Amber afirma ter feito e Luana se apressa em copiar as respostas da amiga .

Mal ela devolve o caderno de Amber e o ônibus para no pátio da escola , os três desembarcam praticamente sem serem molestados a não ser por um dos garotos que pós o pé na frente de Devon dando risadinhas se sentindo o mais engraçado do mundo enquanto seus amigos riem como hienas .

Amber segura o braço do amigo sem nada dizer e eles descem pro início da manhã na escola .

Juntos eles caminham pelos corredores até a sala e se sentam juntos também em carteiras próximas da porta de forma discreta .

A professora entra e começa a aula monótona sobre história americana e com um atraso de quase a metade da aula a porta se abre e a menina mais popular e rica da escola entra na aula seguida de Peter Calahan. Os dois pareciam estar atrasados fazendo algo juntos e a professora finge não se aborrecer com o atraso , afinal de contas ele além de ser um Calahan também é o astro do time da escola e rumores dizem que ele irá pra universidade dali a alguns anos com uma bolsa íntegral se continuar jogando bem como joga , Martina Schneider também não ganha uma repreensão, afinal de contas ela mesmo tendo somente 15 anos é a líder das líderes de torcida e filha de um rico industrial alemão que emprega mais de duas mil pessoas da cidade , aparentemente há um romance entre os filhos duas famílias mais ricas da cidade . Mas Amber e Devon não prestam nenhuma atenção ao casalzinho atrasado concentrados na aula e mais ainda não desejando atrair a atenção da turminha popular que os acompanha a todos os lugares e tem por diversão implicar com os alunos considerados inferiores . As horas passam de forma rápida e na saída Luana os acompanha , ao contrário dos dois amigos ela está sempre tentando chamar a atenção dos alunos mais populares o tempo todo , embora seja tão excluída quando Devon e Amber .

Capítulo 3 Parte 2- Eu sei que sou invisível

Depois da morte da mãe Amber continuou sua rotina , o pai deixou de viajar a trabalho e montou uma oficina mecânica, pouco dinheiro e muitas garrafas de uísque barato. Amber cuidava da casa e estudava, raramente tinha dinheiro ou lhe era permitido algum lazer . Seus tesouros eram os livros a maioria presente de professores ou de Devon.

- Amber eu disse não! Fala o pai de forma grosseira sobre o pedido insistente de Amber pra trabalhar meio período na loja de ferragens dos Clark.

- Papai já tenho 17 anos e gostaria de trabalhar e ter algum dinheiro!

Bill em sua névoa de bebida as nove da manhã de um domingo conjectura ao ouvir a palavra dinheiro e surpreendendo Amber diz :

- Talvez eu permita, mas você não irá descuidar de seus afazeres em casa, e vai ajudar a pagar por seu sustento .

A moça abre um sorriso feliz, mesmo sabendo em seu íntimo que o pai irá lhe tirar uma parte de seus ganhos ,ela fica feliz em saber que poderá esconder algum dinheiro e talvez sonhar em comprar algo pra si mesma e não as horríveis roupas que seu pai lhe trás e ela desconfia que sejam pegas gratuitamente mas doações da igreja.

Em um gesto raro de carinho Amber se adianta e abraça o pai que parece desconcertado e a afasta como se não estivesse acostumado a demonstrar nenhum afeto .

Logo depois de Bill sair pra casa de uma das muitas mulheres que ele visita ,até bem antes da morte da mãe de Amber, ela corre animada pro telefone pra contar a boa nova a Devon.

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No seu segundo mês de trabalho Amber está imensamente contente , faltam poucos meses pra que ela complete 18 anos e a vida parece estar contribuindo com ela , seus patrões os Clark não são afetuosos mais dão muitas gratificações por todo trabalho extra que ela faz . Suas notas são altas e em poucas semanas ela irá enviar seu boletim e fazer as provas pra tentar uma vaga em algumas das universidades públicas, ela tem estudado muito sabendo que seu pai jamais pagaria por seus estudos , nas palavras dele a universidade é uma perda de tempo . Ela deveria dar um jeito de não ser tão estranha e sossegar arranjando um marido e o livrando da responsabilidade de sustentá-la, embora ela tenha contribuído com mais dinheiro pras despesas do que o pai nos últimos dois meses .

Bill tem passado cada vez mais tempo na casa de uma mulher chamada Paula e na única vez que Amber a viu acompanhada do pai , achou a aparência de Paula vulgar e seu hábito de mascar chicletes enquanto fuma um cigarro atrás do outro nojento . Porém Amber foi educada e a tratou com muita cordialidade não querendo despertar a fúria do pai . As poucas vezes que ela o tirou do sério em sua vida lhe ensinaram que ele pode ser bruto e violento , Amber não esquece as vezes que sua pesada mão a deixou com marcas por dias e ela faz de tudo pra não irritar o pai , principalmente quando as garrafas de uísque já estão vazias .

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- Lá vem café e o leite , esse leite está talhado ! olhem só a quantidade de bolhas que ele tem ! caçoa Martina quando Amber e Devon entram no refeitório seguidos de Luana.

- Se você sonha em deixar de ser uma fracassada deveria escolher melhor suas companhias ! fala Lucy pra Luana enquanto todos dão risadas como se fosse uma piada muito engraçada.

- Esses dois são verdadeiramente um lixo , essa tal de Luciana ou Luana sei lá... vive fazendo os testes pra líder de torcida, hahahahah nunca uma idiota dessas poderia ser uma de nós! Não é Peter?

- Martina não sei porque você se irrita tanto com esses esquisitões! fala Peter tentando mudar o assunto .

- Você só pensa em futebol Peter, você e Jeremy não entendem nada dessas coisas !

- Ohh sim eles não pensam em mais nada a não ser futebol , como veriam o quanto essa filha do mecânico é estranha e feia , esse dias meus pais foram a loja de ferragens e eu a vi trabalhando lá, precisavam ver as roupas dela, acho que são do exército da salvação! Caçoa Carol enquanto as outras meninas dão gargalhadas ouvindo sua descrição.

Peter , Jeremy e mais dois garotos do time reviram os olhos mais acabam rindo também. Afinal de contas a garota é realmente feia e estranha, suas roupas surradas a fariam passar despercebida para os garotos e eles só se dão conta de sua presença pela evidente implicância de Martina a garota mais bonita da escola , ela e Peter são namorados desde o segundo ano , e isso já era esperado visto suas famílias serem tão ligadas e serem ambos as estrelas da escola .

Talvez a implicância de Martina tenha aumentado desde que Peter foi designado pelo treinador a fazer um trabalho de ciências junto de Amber pra melhorar suas notas e não correr o risco de ser expulso do time ! Apesar de muito inteligente Peter como todo rapaz rico acabara negligenciando algumas matérias perdido em festas e divertimentos e seu treinador o forçou a se dedicar mais , preocupado em perder seu melhor jogador do time .

- Ela até que é legal , uma nerd mais legal ! fala Peter de forma impulsiva .

Martina revira os olhos cheios de desdém antes de responder : - você diz isso só porque foi forçado a estudar com ela , eu achei tudo um absurdo ! Seus pais são os maiores patrocinadores do time , você não deveria ser tão cobrado a ponto de ter que estudar com uma fracassada dessas .

Jeremy sempre mais ponderado por vir de família humilde e ser o segundo melhor jogador do time , o que lhe garantiu ser aceito como um dos astros da escola e circular com os alunos populares , muda de assunto discretamente.

- Vocês já estão escolhendo o que usar no baile ?

O assunto aleatório muda o foco do que deixa Jeremy desconfortável e graças aos céus as meninas passam a falar compulsivamente de suas roupas . Não há ali uma só dúvida de quem fará par com quem , a maioria das garotas espera ser convidada por um dos jogadores do time , afinal são líderes de torcida e Peter certamente irá ao baile com Martina.

Mais a discussão se torna acirrada quando tentam adivinhar quem será o casal que fará o discurso de abertura dos jogos estudantis antes da formatura , como envolve desde esportes até xadrez e uma competição matemática, qualquer um pode ser escolhido e nas turmas de formandos anteriores os escolhidos eram sempre os de maior nota e nem sempre tão populares.

- Uma coisa é certa , eu não serei a escolhida ! minhas notas estão péssimas e meus pais já me colocaram de castigo até o fim da vida ! fala Lucy dando de ombros como se não importasse.

Martina fica em silêncio, desde o início do ensino médio ela sonhou em ser a rainha do baile e fazer o discurso, porém suas notas não estavam cooperando ! Ela afasta o pensamento sabendo que a rainha do baile ela certamente será, claro com Peter ao seu lado , afinal de contas não há na escola nenhuma garota mais bonita que ela . Mesmo que alguma anônima faça o discurso por ter notas altas , ela Martina será a rainha do baile !

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