Todas as vezes que eu errei foi tentando acertar
Se eu te deixar sem meu amor declarar
A sua dor me afogará
Amanda
Logo após o sequestro de Willow
Estranhei a reação de André quando Alexandre falou sobre o traidor. Foi tão forte o seu sentimento de culpa que o segui quando ele saiu.
Nos últimos meses venho sentindo emoções estranhas emanando do meu irmão. Ele não quis conversar a respeito e não insisti porque somos assim, aceitamos o espaço do outro. Mas agora está indo longe demais.
― O que foi isso que senti? Culpa? ― chamei sua atenção antes que entrasse no carro.
Ele parou, mas não se virou para mim, ficou segurando a porta aberta.
― Eu vou embora da cidade por um tempo. Preciso resolver uma coisa. ― Ignorou minha pergunta.
― Você tem algo a ver com o que aconteceu com a mulher do nosso irmão? ― fui direta.
― Fique fora do que acontecer comigo, Amanda. ― Novamente ele não respondeu. Mas eu não precisava de respostas diretas e ele devia se lembrar disso.
― Somos uma família. Você sabe que se trair a família, serei eu a arrancar sua cabeça nem que com isso arranque junto o meu coração. Você não pode nos trair.
― Não importa o que tenha que fazer. É justamente pela família que estou fazendo isso.
― Fazendo o que, André?
Ao contrário de me responder, ele entrou no carro e bateu a porta.
― Espero que um dia me entenda.
Esse dia não seria hoje. André ligou o carro e fugiu da resposta.
Foi a última vez que falei com ele antes de conhecer o motivo de tudo: seu filho.
Beatriz
No casamento de Willow e Alexandre
Jamais imaginei que levar Willow em uma boate ocasionaria nisso. Tenho que ficar esperta, não posso colocar tudo a perder. Já não tinha interesse de me aproximar de ninguém, agora mesmo que uma amizade com essa mulher não deslancha. Os Rodrigues e os Albuquerque se conhecem. E o idiota do meu primo está aqui. Duvido que esteja aqui pelo mesmo objetivo que eu. Encontrar sua irmã nunca foi prioridade para ele. Deve estar feliz em se tornar filho único, único herdeiro.
Quase deixei o champanhe cair quando ele apareceu do nada onde eu estava, tentando manter distância do branquelo. Por sorte consegui me esconder.
Deixei o champanhe de lado e decidi encerrar a festa. Só vim porque Willow insistiu que não conhecia praticamente ninguém, já sabia que era quase impossível conseguir alguma informação sobre Marcela aqui. Agora que Willow fugiu para a lua de mel estou livre, não há nada aqui que me ajude na localização da minha prima.
O casal da pensão que veio comigo ficou se divertindo e eu fui para o quarto que dividiria com eles.
Sinceramente, hoje foi um dia tão cansativo. Os últimos meses foram. Tudo que mais queria agora era uma boa foda que me levasse até a última gota de energia... Meses sem transar, vou acabar tendo alucinações.
Marcela, quando eu te encontrar você vai ter que passar meses me mimando para compensar.
Pensava em formas de ser mimada por minha prima quando... Ele apareceu do nada. Não sabia que um desejo nesse castelo poderia se materializar.
O homem negro e perfeito, pouco mais alto que eu com salto, chegou como um furacão e me puxou contra si.
― Finja comigo ― pediu encarando a entrada.
Foi quando vi a mulher vindo em nossa direção. Era uma ruiva magra e pequena.
― André. O que está fazendo? ― perguntou parando perto de nós.
― Vim encontrar minha namorada ― ele respondeu com convicção.
― Namorada? ― a decepção era evidente em seu rosto.
― Querida, essa é minha amiga, Katy. ― Me apresentou a outra me chamando de querida para evitar o fato de não saber meu nome.
Decidi entrar no jogo. Não custa nada ajudar uma pobre pessoa e ele ficar me devendo.
― Oi, Katy. ― Sorri para ela e passei o braço pela cintura dele, colando um pouco mais nossos corpos. ― Pode me chamar de Bia. É como meus amigos me chamam.
― É um prazer ― disse. Pela sua expressão pude ver que estava longe de ser um prazer. Ela queria era prazer com ele.
― Amor, eu quero dormir. Estou cansada. ― Fiz a minha melhor voz de namorada manhosa.
― Katy, queria me dizer algo? ― ele se virou para a mulher que ainda esperava. Coitada! ― Vou levar essa preguiçosa para descansar.
Finalmente ela pareceu sair do transe e entender que ele não estava disponível.
― Não. Boa noite para vocês.
Comecei a alisar o rosto bonito dele para o caso dela olhar para trás ou voltar. E, de repente, meus olhos focaram seus lábios grossos e ao subir o olhar, percebi que ele também me encarava com seus incríveis olhos negros. Esqueci completamente porque estava nos braços dele.
Nossos lábios se aproximavam. E infelizmente um barulho de uma porta batendo me fez afastar.
― Acho que ela já foi ― ele disse sem jeito. ― Obrigado por me ajudar.
Ele falava, mas não se afastava. Suas mãos continuavam em mim.
Eu posso ir embora agora e perder essa chance ou posso aproveitar a possibilidade de um sim.
Aproveitei nossas posições e o pressionei contra a parede. Ele sorriu malicioso. Homens! Tão disponíveis.
― Eu te fiz um favor. Hora de retribuir.
― O que quer em pagamento? ― podia sentir o tesão emanando dele.
― Orgasmos.
Foi impossível não rir da sua expressão.
― O que foi? Uma mulher não pode usar a palavra orgasmo?
― Claro que pode. Eu só não sabia que Papai Noel entregaria meu presente adiantado.
― Ao invés de estar falando, poderia estar desembrulhando ele ― provoquei.
― Venha! ― ele me puxou pelo braço e me levou para um dos quartos. Era exatamente como o meu só que no lugar de duas camas, só havia uma.
Foi só fechar a porta para sua boca esmagar a minha e suas mãos me agarrarem com uma pegada muito gostosa.
As roupas ficaram espalhadas pelo quarto e dois corpos nus caíram na cama.
Esse tal André é gostoso demais. O pau dele é meio torto de um jeito que alcança lugares tão.. tão.. só posso descrever com um gemido. Talvez um ai meu Deus.
Em minha vida sexual toda ninguém nunca me mostrou o paraíso que esse Rodrigues me apresenta. Orgasmos múltiplos, isso sim é um fim de noite digno.
Nem vi a hora em que pegamos no sono. Acordei com o dia amanhecendo. André ainda dormia.
Me vesti, beijei seus lábios de dorminhoco e fui para o meu quarto. Em poucas horas seria a volta para o Brasil. Algumas pessoas ficariam para curtir a cidade, enquanto outras voltariam para suas vidas. Escolhi voltar. Já conheço mais de Paris que seus pontos turísticos.
Hora de voltar ao Brasil e continuar minha busca, com forças renovadas depois desse sexo maravilhoso. André Rodrigues, o melhor sexo da minha vida. Talvez depois que encontrar Marcela eu passe a procurar por ele para repetir a dose.
Beatriz
Meses antes do casamento do Willow
É tão bom chegar em casa. Não via a hora do avião aterrissar e encontrar minha família. É quase cinco anos sem vê-los. Férias não conta. Gosto de ficar com meus pais, meus tios, principalmente minha prima Marcela.
Há tempos ela não me manda uma mensagem, nem me liga. Vai ter que me dar uma ótima explicação. Simplesmente parou de responder minhas mensagens e ligações.
― Seja bem-vinda, senhorita. ― Clovis, o senhor de setenta anos, veio me receber. Já aposentado, ele ainda trabalha como nosso mordomo. Diz não conseguir deixar a casa onde conheceu sua esposa, que também continua trabalhando aqui. Eles se tornaram da família. Como não fazem nada pesado ou prejudicial na idade, mamãe e tia Vivi deixam que continuem conosco.
― Obrigada, Clovis. ― Sorri para ele. ― Como o senhor está? Cuidando da saúde?
Ele devolveu o sorriso.
― Estou bem, menina. Sempre cuidando para viver até os cem anos.
― Você vai conseguir passar disso.
Entrei sorrindo na sala e encontrei meus tios e meus pais reunidos, além do meu primo chato. Nunca nos demos bem. Ele sempre foi um ser egoísta.
― Mamãe! Que saudade! ― deixei a bolsa no primeiro sofá a minha frente e fui abraçar minha mãe.
Depois cumprimentei todos.
Eles estavam estranhos. Geralmente eram mais sorridentes. Me olhavam como se alguém da família tivesse morrido.
― O que foi? Nem parecem felizes com minha chegada. Cadê a Marcela? Ela me deve explicações por ter sumido.
― Filha, precisamos conversar. ― Meu pai veio e segurou a minha mão.
Apesar dos sofás, ninguém parecia disposto a sentar, exceto Gustavo, claro. Juro que esse cara não parece nada ser irmão da Marcela, temos que ver se ele não foi trocado na maternidade.
― Sobre? ― meu coração doía por antecipação. ― Aconteceu alguma coisa com a minha prima?
― Marcela fugiu de casa faz quase um ano ― ele respondeu.
― O que? Isso é impossível. ― Balancei a cabeça negando.
― Sua prima tinha problemas com álcool e coisas ainda pior, você sabe. Ela simplesmente não voltou quando foi te levar ao aeroporto. ― Meu tio disse.
― Como sabem que ela não está presa em algum lugar. Ela é uma Albuquerque, pode ter sido sequestrada.
― Ela pegou uma parte do nosso dinheiro no banco e fez uma chamada de vídeo dizendo para não procurá-la. Estava com aqueles malditos amigos que sempre conseguem desviá-la.
― E simplesmente não procuraram?
― Claro que sim. Colocamos detetives atrás dela. Até agora nada.
― Deus! O que a polícia disse?
― Não envolvemos polícia. Sua prima já fez isso mais de uma vez.
Só meu tio e meu pai falavam, minha tia e minha mãe apenas olhavam, assim como Gustavo.
― Mas nunca ficou tanto tempo fora. Foram no máximo algumas semanas. ― Olhei para cada um deles segurando ao máximo as lágrimas que queimavam meus olhos. Eles realmente achavam se tratar de um capricho de Marcela. ― Vocês só podem estar loucos! Marcela precisa de ajuda não de abandono.
― Não. Estamos apenas cansados. Sim, é nossa filha, mas já tentamos de tudo. Decidimos deixar nas mãos de Deus.
― Ela pode estar com frio, com fome...
― Talvez sentindo isso, ela volte. E dessa vez vamos interná-la ― Gustavo decidiu falar. Dessa vez acho que meu primo não está tão errado assim. Realmente está na hora de colocar profissionais cuidando da minha prima.
― Por que não me contaram? Quase um ano e não me mandaram e-mail ou ligaram. Deixaram que eu ficasse lá. Justamente no período em que fazia o curso e não podia voltar.
― Você estava empolgada com o curso. Se tivéssemos te contato o abandonaria e viria correndo. ― Minha mãe disse.
E se virou para minha tia que completou:
― Não queríamos que se prejudicasse tanto com os erros de Marcela. Você mal saiu da faculdade e conseguiu realizar o sonho de estudar com o estilista que foi sua inspiração para seguir a carreira. Por mais amigas que sejam, por mais família que sejamos, Marcela não tinha o direito de fazer isso com você.
― Quero o contato dos detetives. Vou achar a minha prima. Após isso veremos o que fazer. ― Peguei minha bolsa. ― Agora me deem licença que preciso de um banho e descansar. A viagem foi longa.
Não tinha mais aquele sentimento gostoso de retorno. Se eu soubesse que o motivo do sumiço da minha prima era as malditas drogas teria voltado na primeira mensagem não respondida. Perderia a chance de estudar com Laurence, porém não estaria com essa dor no peito. Marcela precisa de ajuda. Ela começou a usar drogas quando tinha quinze anos e engravidou do seu primeiro amor. O menino não era confiável e a deixou. Meus tios, com vergonha de uma filha menor de idade grávida, ao contrário de obrigar os pais do garoto a fazer algo, obrigaram ela a abortar. A partir desse dia, minha prima perdeu o brilho no olhar. Ainda era a pessoa que eu conhecia e amava, mas quando batia a depressão, ela se refugiava em drogas e eu a perdia.
Eu vou te salvar, minha amiga, minha irmã.