Haviam se passado três meses desde de que Sophia chegara a esse lugar, e para ela era o mesmo dia, suas lembranças eram sempre vagas, a única certeza que tinha era seu nome e a imagem daquela mulher.
Desde o dia em que acordou naquele quarto de hospital , ela não consegue se lembrar de nada antes disso, a não ser pelas imagens de uma mulher chamando seu nome.
Mas aqui era diferente, esse lugar era o que parecia um lar, calmo e limpo, Sophia sabia que seria bem tratada, alimentada e teria um teto enquanto estivesse aqui, o que ela não poderia imaginar era que esse lugar era protegido pelo governo e que não era um orfanato qualquer, mas ela se sentia bem.
Sophia não se importava em dividir o quarto com outras meninas, desde que, não fizessem perguntas, pois ela mesmo não saberia responder.
Sentada em um canto do quarto ela olhava para seu livro, tentando imaginar o que havia lá dentro. Intacto, era a única coisa que ha ligava ao seu passado, ela sabia o que havia acontecido até esse momento.
Lembranças que não a deixam.
Sophia acordou em um quarto de hospital rodeada por médicos e enfermeiras, fora encontrada desacordada, levada para o hospital da região por um casal.
- Você se lembra de alguma coisa?
- Sabe de onde veio?
- Como é o seu nome?
Todos faziam perguntas enquanto a apalpavam e faziam exames, ela só sabia que estava cansada.
- Estou com fome.
Todos começaram a rir, depois de dois dias ela estava bem, pelo menos o seu corpo, pois sua mente era só confusão, cheia de imagens que se repetiam e momentos em branco, flashs de uma mulher gritando e chamando seu nome.
Sophia estava perdida em meio as imagens e lembranças quando uma enfermeira entrou no quarto e a ficou observando.
A menina parecia uma divindade, pele clara, cabelos longos, ondulados e escuros, olhos entre um mel e um verde, estava sempre quieta, as raras vezes em que falava, pedia água, porém parecia sempre perdida, envolta em pensamentos.
Nesse dia, Sophia foi levada ao orfanato, junto com seu livro, seu único pertence.
Sophia olhava para seu livro, capa de couro grossa, pesado, tamanho médio, com uma fechadura a qual não lhe dava acesso as suas páginas. Quais histórias estariam nessas páginas descritas? Seria esse o livro que revelaria a ela toda verdade sobre sua vida? Sophia sabia que as perguntas não teriam resposta ao menos não por agora, pacientemente ela analizava o objeto de sua curiosidade em silêncio.
Desde que chegou ela era quieta e segura de que algo havia em especial nesse lugar, porém, aquele dia era diferente, algo iria acontecer, Sophia sentia dentro de si, mesmo sem saber de nada, algum motivo a fez saber que eataria em perigo.
Ninguém lhe havia perguntado nada desde que chegou, porém Sophia sabia que as respostas ela também almejava em sua mente.
Porém algo em especial estava acontecendo, principalmente naquele dia, Sophia sentia dentro dela que algo ruim estava para acontecer, mesmo sem saber da verdade, por algum motivo ela sabia que estava em perigo.
Mais uma noite, Sophia está sentada na janela observando as estrelas, o breu da noite atormentando seus sonhos mais uma vez, outra noite, o mesmo pesadelo.
"Sophia, corre."
Uma loira de olhos claros fala estética para ela, enquanto é puchada para trás pelos cabelos, o homem, alto, forte, com roupas escuras e capuz aponta a arma para ela, que, ipnotizada, não sabe o que fazer, até que, uma mão a pucha para o lado, enquanto se ouve o barulho estridente de um tiro, Sophia cai e logo apaga.
Acorda assustada e banhada em suor, o qual escorre por entre seus pequenos olhos e se junta com suas lágrimas que deitam em seu travesseiro.
Sophia então decide levantar, seu sono já não vai voltar tão cedo, a menina descalça senta no beiral da janela e repassa as imagens, tentando se lembrar de algo diferente dessa vez, porém, desde que os pesadelos começaram, nada de novo poderia ser atribuído, todas as noites a mesma imagem, a mesma mulher.
Passos são ouvidos vindos do corredor, acompanhadopor vozes, Sophia num ato de medo, corre para sua cama, se cobre e fecha os olhos, na tentativa de fingir que está dormindo.
Um barulho e a porta se abre, uma mulher de meia idade, baixa e magra está observando o quarto, enquanto o outro, um homem, alto, pele clara, forte, já repousa os olhos em seu alvo, que parece estar dormindo.
- Ela não se lembra não é? ( perguntava o homem já sabendo a resposta).
- Não. Nada. ( falava a mulher em um tom já sem paciência).
- Ela nunca falaou sobre?
- Nada, agora vamos.
A mulher sai e fecha a porta atrás de si.
Sophia sabe que o assunto daquela conversa é ela, porém, poderia ser sobre qualquer garota daquele quarto, o orfanato onde Sophia está é bem grande e em seu quarto há muitas garotas como ela, sem história, sem passado, sem família.
Por alguma razão, Sophia sabe que com ela é diferente, pois ela possui algo, escondido, embaixo do lençol, em uma fenda do colchão, um livro, O Livro de Sophia.
Deve haver algo neste livro, pensa a menina, preciso encontrar um jeito de abrir, porém precisa de uma chave, e onde ela poderia encontrar essa chave?
Sophia precisava se lembrar de algo que a fizesse encontrar uma solução para o problema, uma lembrança algo.
Perdida em pensamentos acaba adormecendo, perdida, sozinha, vulnerável.
O dia parece incrível, o sol está alto e seus raios adentram o quarto e invadem a cama. Sophia não sabe a hora, mas parece que perdeu o café da manhã, olhando pros lados percebe que está sozinha no quarto.
- Está atrasada, levante-se logo ou ficará sem refeição por ser desobediente, á regras por aqui, todas devem seguir mocinha. (A velha gorda de meia idade fala entrando no quarto segurando uma garota pelo braço) Essa é a novata, mostre a ela sua cama.
A mulher sai deixando as duas meninas sozinhas em silêncio, que logo é quebrado.
- Que mulher mais estúpida, prazer sou Anna e você, como se chama? A quanto tempo está aqui? Quantos anos tem? Como veio parar aqui?
Sophia a olha assustada.
- São muitas perguntas.
- Grrrrf e então?
- Me chamam de Sophia
- E?
- E .... o que?
- O resto, as outras respostas?
- Sua cama é essa ( fala Sophia apontando para a única cama vaga ao ladoda sua).
- Sim, mas e a sua história?
- Que história? Não sei nada sobre mim, nem mesmo sei se esse é realmente o meu nome, e minha idade, bem, penso que pelo meu tamanho, deve ter entre 10 e 12 anos.
Enquanto falava Sophia era observada muito atentamente pela garota a sua frente, que simplesmente não entendia porque a menina descalça não se lembrara de nada.
Sophia estava certa, em partes, esse era realmente seu nome, pelo menos o primeiro, e ela acabava de completar 10 anos.
Quanto a sua história, ela descobriria muito em breve que era mais complicada do que realmente ela poderia esperar.
Sophia e Anna passaram um tempo conversando, aos olhos de Sophia a novata era legal e lhe passava um sentimento bom, embora não confiasse nela , nem em ninguém.
Sophia ouvia atentamente sua amiga falar enquanto imaginava como ela mesma havia acabado naquele lugar.
- Meus pais tinham um grande negócio no ramo de transportes, estavamos sempre viajando, bom, pelo menos até dois meses atrás.
- O que aconteceu ?
- Minha mãe e eu fomos obrigadas a fugir de casa, meu pai, bem ele, estava sempre bravo, e fez alguns negócios que não deram como esperado, então as coisas não ficaram bem.
- Mas , se você tem mãe, o que faz aqui?
- Proteção, eu vi .... não posso falar sobre isso.
Sophia assentiu com a cabeça.
- Não se preocupe Anna, todos temos segredos.
Sophia não revelara a ela nada que não soubesse ser superficial, porém seus sonhos e seu livro era algo que ela não cogitara em contar.
Ficaram em silêncio por um momento, até que algumas meninas retornaram ao dormitório para pegar algumas roupas e objetos que haviam esquecido.