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O monstro da Calabria

O monstro da Calabria

Autor:: Mi souza
Gênero: Romance
Um pacto de sangue. Um casamento forçado. Um jogo onde o medo e o desejo andam lado a lado. Quando a dívida de seu pai com a máfia italiana bate à porta, Bianca De Angelis se vê presa em um destino que nunca escolheu: tornar-se esposa de Alessandro Vitale, o homem mais temido da Calábria. Conhecido como Il Mostro, Alessandro é frio, implacável e letal - um nome que carrega sangue e poder nas ruas silenciosas da Itália. Nenhuma mulher jamais ousou desafiá-lo... até agora. Debochada, impulsiva e sem papas na língua, Bianca não se curva facilmente, mesmo com o medo latejando em sua garganta. Mas Alessandro não é o tipo de homem que aceita insolência - e muito menos rejeição. Entre ameaças veladas, olhares cortantes e noites carregadas de tensão, dois mundos opostos colidem num casamento forçado que tem tudo para explodir. Mas por trás da máscara de monstro, existe um homem quebrado. E por trás das provocações de Bianca, um coração tentando sobreviver. Só há uma certeza: ou esse casamento vira guerra... ou acaba em chamas.

Capítulo 1 1

Bianca

Existem lugares onde o silêncio grita mais alto que qualquer explosão. E o carro preto que parou na frente da minha casa trouxe exatamente isso: um silêncio pesado, sufocante, quase fúnebre.

Meu pai estava na sala, camisa aberta, suor escorrendo pela testa. Ele sabia. Eu sabia. E mesmo assim, ele não disse uma palavra. Apenas me olhou com olhos desesperados, como se pedisse perdão com o olhar.

Covarde.

- Vai me vender, é isso? - cuspi com desprezo, cruzando os braços. - Igual se vende um carro velho?

Ele não respondeu. Só baixou os olhos. Nem teve coragem de me encarar.

Dois homens enormes desceram do carro, ternos pretos, óculos escuros, a cara de quem mata antes do café da manhã. Um deles fez um gesto seco com a cabeça, e meu pai assentiu. Como um cachorro treinado.

Engoli o gosto amargo da traição e me levantei.

- Me dá cinco minutos. Quero pelo menos ir bonita pro abate.

Subi as escadas de cabeça erguida, mas por dentro... por dentro, eu estava tremendo. A mão suava, o coração batia descompassado. Eu sabia quem era ele. Todo mundo sabia. Alessandro Vitale. O Monstro da Calábria. O homem que transformava dívidas em sentenças de morte.

Mas eu não ia chorar. Não ia me ajoelhar. Se era pra entrar no inferno, que fosse com salto alto e rímel borrado de raiva, não de medo.

Coloquei meu vestido preto mais justo. Nada vulgar, mas suficiente pra lembrar que eu ainda tinha algum controle. Batom vermelho. Brincos pequenos. E o cabelo solto, como eu gostava.

Se ele quisesse uma esposa submissa, teria que me matar primeiro.

Quando desci, os capangas só me encararam por dois segundos antes de abrirem a porta do carro.

Entrei sem dizer nada.

A viagem até a mansão dele foi feita em silêncio. Mas o medo... o medo falava comigo o tempo todo. Sussurrava. Gritava. Me lembrava de cada história que já ouvi sobre aquele homem.

Dizem que ele matou o próprio irmão por desrespeitá-lo. Que fez um juiz comer a sentença falsa que assinou. Que enterra traidores vivos.

E era com ele que eu ia me casar.

A casa - ou melhor, o castelo - surgiu no topo de uma colina. Muros altos, câmeras por todo lado, portões de ferro com o brasão da família Vitale. Me senti entrando em uma prisão de luxo.

Ou num cemitério de sonhos.

Quando desci do carro, os degraus que levavam até a porta principal pareciam infinitos. E ele estava lá.

Alessandro.

Alto, ombros largos, barba bem feita, olhos tão negros que pareciam feitos de pecado. Um terno cinza escuro impecável. E um olhar... Deus, aquele olhar.

Era como ser dissecada por dentro. Como se ele pudesse ver cada medo meu, cada fraqueza, cada segredo.

- Bianca De Angelis. - A voz dele era grave, firme. - Bem-vinda à sua nova vida.

Cruzei os braços, mantendo a cabeça erguida.

- E você deve ser o monstro. Esperava algo mais... peludo.

O silêncio ao redor congelou. Os capangas se entreolharam. Um deles até engasgou com a própria saliva. Mas Alessandro não se moveu. Não piscou. Só sorriu.

Um sorriso frio. Cruel. Sem um pingo de humor.

- Eu gosto de mulheres com língua afiada - ele disse, se aproximando até que estivéssemos a poucos centímetros. - Só não garanto que vá continuar gostando depois da primeira noite.

Senti meu estômago revirar. Mas não recuei.

- Que bom. Porque eu sou insuportável.

Ele segurou meu queixo com força, os dedos duros contra minha pele.

- Você vai aprender, Bianca. Aqui, quem dita as regras sou eu.

- Pode até ditar. Mas eu sou péssima em seguir.

Ele soltou meu rosto com um leve empurrão e virou as costas.

- Temos um casamento amanhã. Vista algo decente. Ou eu rasgo o vestido no altar.

Eu ri, amarga.

- Mal posso esperar pelo beijo de "felizes para sempre".

Ele não respondeu. Apenas entrou na casa, e as portas se fecharam com um estrondo atrás dele.

Ali, eu soube.

Eu não era uma esposa.

Era uma prisioneira.

Mas ele que se prepare. Porque se o monstro pensa que vai me domar fácil, vai descobrir que a garota debochada que ele comprou...

É um inferno que sabe sorrir.

Capítulo 2 2

Alessandro

Meu nome é Alessandro Vitale. Tenho trinta e seis anos, e há exatamente vinte deles carrego nas costas o peso do sobrenome que comanda a Calábria com punho de ferro.

Sou o monstro que as mães usam pra assustar os filhos.

O nome sussurrado nos becos.

O demônio que aparece quando uma dívida não é paga.

Não acredito em amor. Nem em felicidade. A vida me ensinou que tudo o que importa pode ser comprado, controlado ou destruído.

E hoje, eu compro uma esposa. Uma dívida paga com sangue e aliança.

Bianca De Angelis.

A garota debochada. A língua venenosa com um corpo de pecado e um olhar que desafia até o inferno.

Ela acha que isso é um jogo. Que pode rir, provocar, pisar no rastro de medo que deixo por onde passo.

Mas hoje... hoje eu mostro pra ela - e pra todos - quem manda.

O salão está lotado. Convidados engravatados, aliados da máfia italiana, rostos que escondem segredos, traições e sangue. Todos se calam quando eu entro.

Eles sabem.

Eu sou o Monstro da Calábria.

E ninguém ousa me contrariar.

No altar, espero com as mãos cruzadas nas costas. Meu terno é preto como a noite sem lua. O olhar firme. Frio.

Ao meu lado, o pai dela treme como um porco prestes a ser abatido. E com razão. Se não fosse útil por agora, já estaria enterrado.

A porta da igreja se abre.

E lá vem ela.

Bianca.

Usando um vestido branco... curto. Decotado. Justo.

Uma afronta costurada em cetim.

As pernas nuas, o peito quase saltando pra fora, o sorriso cínico pintado nos lábios vermelhos.

Ela cruza o corredor como se fosse dona do lugar.

Alguns convidados - idiotas - ousam desviar os olhos para as curvas dela.

E é aí que tudo para.

Dou dois passos à frente e levanto a mão.

- Baixem os olhos. Agora. - minha voz ecoa como um trovão no salão.

Ninguém se move.

- Se eu pegar alguém olhando pra minha esposa com esse vestido de puta... eu mato aqui mesmo. De cueca e calcinha. Sem cerimônia.

O silêncio é absoluto.

Todos abaixam a cabeça. Alguns tremem. Um engole em seco.

E ela ri.

A desgraçada ri.

- Calma, marido. Tá com ciúme ou medo de perder o encanto?

Meu sangue ferve.

Mas não respondo.

Não ainda.

Ela sobe os últimos degraus do altar e para na minha frente, com aquele olhar atrevido e o corpo desafiando cada maldito código de conduta que já impus em qualquer cerimônia.

Pego o microfone do padre com calma. Seguro com força. E encaro a multidão.

- Eu avisei. E cumpro o que prometo.

Agarro o vestido pela frente e rasgo o tecido de cima a baixo, arrancando o decote, a parte justa, o capricho que ela escolheu pra se exibir.

Fica de calcinha e sutiã rendado, branca como deveria ser a alma dela, se tivesse uma.

Um grito baixo ecoa na igreja.

Mas ninguém ousa se mexer.

O pai dela tenta se mover. Encosto a mão no coldre.

Ele recua. Pálido.

Bianca me encara, com um sorriso quase desafiador... mas os olhos? Os olhos vacilam.

- Você é doente.

- E agora, você é a esposa do doente.

Entrego o microfone de volta ao padre e faço sinal pra ele continuar.

A cerimônia segue. Em silêncio. Tensa.

Ela responde o "sim" com o queixo erguido, mesmo exposta, mesmo humilhada.

Eu também digo sim. Não porque quero.

Mas porque exijo.

O anel desliza no dedo dela como uma sentença.

E quando o padre fala que pode beijar a noiva, eu me aproximo...

Seguro firme sua cintura, forçando-a pra perto, e murmuro:

- A partir de hoje, todo mundo vai te temer tanto quanto teme a mim.

E então beijo.

Não por amor.

Mas por domínio.

E ela não recua.

Não geme.

Não se entrega.

Ela sorri.

Um sorriso que diz:

"Você pode me rasgar, Alessandro. Mas eu vou ser o espinho na tua garganta até o fim."

Capítulo 3 3

Alessandro

Ela achou que ia pra festa. Que depois do espetáculo no altar, eu ia sorrir pros convidados e fingir que éramos felizes.

Idiota.

Assim que o padre terminou a cerimônia, puxei Bianca pelo braço. Os olhos dela arregalaram por um segundo, mas não disse nada. E se dissesse, não adiantaria.

Sem cerimônia, joguei ela sobre o ombro - como se carrega algo que se comprou, não algo que se ama - e caminhei direto até o carro.

Ignorei todos os olhares. Que se fodam. Eu não devia satisfações pra ninguém.

Joguei a porta do carro aberta e a lancei no banco de trás com a mesma frieza com que abato meus inimigos.

Ela caiu sentada, os cabelos bagunçados, o vestido - ou o que sobrou dele - subindo pelas coxas.

- Você é um animal!, ela gritou.

Ignorei. Entrei no carro. Liguei o motor.

E acelerei.

Dirigi em alta velocidade pelas curvas estreitas das colinas da Calábria. Ela se segurava no banco, assustada. Pela primeira vez... eu senti o medo nela.

E aquilo? Aquilo me agradou.

- Você tá esperando o quê pra subir? - perguntei assim que parei o carro em frente à mansão onde moraríamos. - Vai se preparar pro seu marido. A noite de núpcias começa agora.

Ela hesitou. Os lábios entreabertos. O olhar perdido.

Depois, respirou fundo e desceu do carro.

Subi as escadas com passos lentos, calculados. O som do salto dela atrás de mim ecoava como um relógio prestes a explodir.

Abri a porta. Joguei a chave sobre a mesa.

- Segundo andar. Última porta à direita.

Minha voz saiu firme. Seca.

- E não demore. Eu quero a prova.

Ela parou na escada. Me encarou.

- Prova?

- De que você é virgem. Eu exijo.

Ela empalideceu. Eu vi.

Vi o susto. O pavor.

Mas não voltei atrás.

Fiquei na sala por longos minutos. Escutando cada passo dela lá em cima. Andava de um lado pro outro, como um animal em gaiola.

E quando finalmente escutei a porta abrindo...

Subi.

Entrei no quarto. Ela estava de costas, ainda com o sutiã e a calcinha branca.

Fechei a porta com um clique pesado. E travei.

Ela virou devagar. O rosto corado. O peito subindo e descendo num ritmo nervoso.

Aproximei-me, sem dizer uma palavra.

Ela encarou o volume evidente na minha calça.

Tremeu.

- Deita. Abre as pernas. Fica parada. Se mexer, vai doer mais.

Minha voz saiu baixa, ameaçadora.

Ela mordeu o lábio inferior, hesitou... mas deitou. Abriu.

Devagar. Tensa.

Subi na cama. Me posicionei entre suas pernas.

Não houve carinho. Não houve beijo.

Houve posse.

Houve entrega forçada.

Ela tentou controlar o tremor, mas eu senti. O medo, o desconforto. E ainda assim, ela não chorou.

Forte. Orgulhosa. Arrogante.

Mas nenhuma dessas máscaras resistiu ao meu toque.

Entrei devagar, rompendo cada centímetro com brutalidade medida.

Ela gemeu. De dor. De surpresa.

E eu?

Eu aproveitei.

Levei o tempo que quis. Explorei cada parte daquele corpo que agora era meu.

E quando terminei, não saí.

Ela tentou se mover. Tentou sair da cama.

Mas minha mão a segurou pelo quadril.

- Vai aonde?

- Banho. Trocar de roupa. Acabou.

Ri. Um riso rouco, carregado.

- Acabou? Isso foi só o começo.

Inclinei-me sobre ela, roçando meus lábios no pescoço suado dela.

- Você é uma delícia, Bianca. E essa noite ainda é longa. Muito longa.

Ela fechou os olhos. A respiração descompassada.

Não havia mais provocação em seu rosto.

Havia a certeza.

De que agora...

Ela era minha.

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