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O noivo da mãe

O noivo da mãe

Autor:: Dado Martins
Gênero: Romance
Fabiane nunca poderia imaginar que o motorista daquele aplicativo fosse lhe proporcionar a noite mais incrível, recheada de paixão, prazer... A melhor de sua vida! O que ela não sabia era que aquele misterioso homem fosse noivo de sua narcisista mãe e que por trás daquele noivado existia um acordo que a mãe não estava disposta a abrir mão e muito menos cumpri-lo. Uma história de amor, traição e uma morte que precisará ser desvendada!

Capítulo 1 A vingança

Fabiane tirou a calcinha e jogou na cama. Aquele vestido não pedia uma calcinha.

Ele se moldava sob seu corpo delgado dando aparência sexy e arrebatadora.

Até a data de hoje ela havia ficado calada, vendo as loucuras e maldades da mãe.

Dessa vez ela veria quem era Fabiane e que também sabia chamar atenção quando queria. Não gostava de escândalos, porém seria isso que ela faria na festa de cinquenta e cinco anos de sua mãe.

Elas nunca tiveram bom relacionamento e nunca ligou em não ser convidada para nenhuma de suas festas fúteis, mas naquela ela queria ir!

Ahh como queria!

Dez anos haviam se passado sem que elas tivessem algum tipo de contato físico. Ela não se importava e tinha certeza que a mãe também. Dez longos anos!

Olhou sua imagem no espelho e fez uma leve careta.

Ela era muito parecida com sua mãe.

A beleza era idêntica.

E por muitos anos ela odiava olhar-se no espelho e ver a imagem daquela mulher que sempre a tratou com desprezo.

Ela sempre havia sido humilhada e desprezada pela mãe. Durante anos Marlene Costa havia feito piadas de sua aparência, voz ou qualquer coisa que fazia, ela não cansava em ridicularizá-la na primeira oportunidade.

Fabiane possuía a beleza da mãe, mas o temperamento do pai. Um escritor calmo que havia se divorciado após várias traições. Um homem culto e inteligente, porém fora manipulado pela mulher durante anos.

Após a separação ele havia comprado uma casa no sul da Itália e desde então eles se encontravam duas a três vezes durante o ano. Ela amava o pai. Não entendia como um homem igual a ele havia conseguido viver com aquela mulher tão egoísta e má.

Um verdadeiro inferno conviver com Marlene Costa, com seu ego inflamado, sua altivez e maldade.

Foi o pai que lhe contou que a casa que um dia fora deles, aonde ela cresceu e teve sua infância e adolescência havia sido vendida pela mãe. Ele havia assinado documentos abrindo mão da casa e dando a bela propriedade que seria herança para Fabiane para Marlene. E por mais que ele havia suplicado que ela devolvesse, sua mãe havia se negado e posto a mesma a venda. Fabiane estava possessa, pois aquela casa era seu sonho. Ela planejara mudar-se, assim que terminasse seu doutorado. Mas seus planos foram interrompidos pela ambição de sua mãe e claro, ela nunca poderia aceitar que a filha herdasse alguma coisa e ela ficasse de fora. A mãe sabia que a casa era importante para ela. Ela amava aquela casa e sempre sonhou em construir uma linda família ali, família, aliás, bem diferente da dela. Um lar com amor, onde seus filhos teriam sua atenção e carinho. Ela contaria lindas histórias, faria bolos e doces deliciosos e esconderia os brinquedos na época de Natal, igual sempre sonhou, mas nunca teve, pois sua mãe achava todas aquelas datas detestáveis. Marlene nunca aceitou que a filha herdasse a propriedade sozinha. Aliás, tudo que a filha ganhava, ela fazia de tudo para ter algo igual, ou melhor.

Fabiane balançou a cabeça irritada! Como o pai pode ter assinado papeis tão importante? Ele havia ficado tão chateado e envergonhado que só havia contado para ela o que havia acontecido duas noites atrás.

Ele não contou, mas ela sabia que a mãe devia ter feito algum jogo de sedução para fazê-lo dar a propriedade assim, de mãos beijadas.

Por isso decidiu ir à festa e confrontá-la.

Se a mãe a humilhasse, como estava acostumada a fazer iria enfrentá-la. A menina boba que corria e se escondia em seu quarto não existia mais. A menina que chorava tentando entender o porquê de tanto ódio e desprezo havia crescido e se tornado uma mulher independente e disposta a tudo.

E também queria conhecer seu novo namorado.

Ou melhor: Noivo!

A mãe estava noiva de um homem vinte anos mais novo que ela.

Marlene adorava rapazes mais novos! Era mentira! Ela adorava ser centro das atenções, e não se importava se os homens eram casados, novos ou velhos.

Sempre havia sido assim.

Seus namorados ficavam encantados com o corpo escultural de sua mãe. Comparava sua mãe a ela e isso a deixava louca de raiva.

Ela era engraçada e encantadora e adorava roubar a cena, principalmente quando os amigos da filha era a platéia. Ninguém acreditava que aquela mulher sorridente, bem humorada em casa era fria, calculista e extremamente cruel.

Seus amigos diziam que ela sentia ciúmes da mãe e era impossível faze-los acreditar nela.

Fabiane sentia-se impotente e preferia não levar mais seus amigos para sua casa.

O tempo ia passando e cada vez mais a beleza dela ia sobressaindo, seu corpo tomava formas e as pessoas, principalmente os rapazes ficavam também impressionados com sua beleza.

E Marlene sabia que a filha ganhava esses atributos, por isso não suportava viver com alguém que pudesse ofuscá-la.

Típica mãe narcisista!

Desde pequena Fabiane convivia com a mãe querendo chamar atenção de todos a sua volta, competindo com a filha em tudo. Sempre querendo prová-la que ainda continuava bela e desejada. Tudo que Fabiane fazia era motivo para deboche e provocação. Nada que ela fazia era bom suficiente para a mãe. E quando ela a confrontava sua mãe a esbofeteava, e depois chorava, dizendo que Fabiane que havia provocado. Colocava-se como vítima, como a mãe incompreendida e então todos se voltavam contra ela. Normalmente as brigas acabavam com Fabiane gritando e a mãe chorando se fazendo de coitadinha.

- Que se dane Marlene! – Disse dando retoque final na maquiagem.

Naquela noite ela faria da festa da mãe um inferno.

Iria flertar com seu noivo, assim como ela fazia com os seus namorados.

Iria dançar e chamar a atenção de todos na festa!

Iria mostrar que era a filha desprezada que poucos conheciam!

Ah se ia...

A mãe podia ser bela, mas ela faria de tudo para que ela não fosse o centro da atenção justamente no seu aniversario!

Viu sua imagem no espelho:

O vestido preto deslizava por seu corpo, mostrando sutilmente suas curvas.

Suas pernas ficavam à mostra devido a abertura até a coxa.

Seus seios ficavam emoldurados sob o fino tecido.

Ela estava gostosa, sabia disso!

As sandálias davam o toque final sexy que precisava.

Escovou os cabelos negros até que ficassem brilhosos caindo no ombro. Havia dado corte neles naquela semana no intuito de ir à festa. Olhos verdes e cabelos negros!

Essa era sua marca!

Pegou sua bolsa e saiu. Voltou correndo pegando a calcinha em cima da cama e a guardando na bolsa.

Covarde, pensou ela sorrindo.

Ela havia chamado carro pelo aplicativo e ele chegou bem na hora programada.

Entrou no carro dizendo o endereço para o motorista.

Percebeu que o homem olhava admirado, porém discretamente pelo retrovisor.

Ela se ajeitou no banco, cruzando as pernas.

Ele ficou desconcertado e desviou o olhar de seu rosto.

Ela começou a reparar nele: Um belo homem, nos seus trinta e poucos anos.

Moreno, olhos escuros, cabelos curtos e deixando a barba crescer.

Oh Deus!

Fabiane amava homens com barba!

E a dele estava impecavelmente cortada.

Ele era cheiroso, ela pôde sentir isso assim que entrou no carro.

Seus olhares se cruzaram pelo retrovisor e ele disse:

- Coloque o cinto senhora, por favor!

A voz dele era rouca e sensual e ela adorou aquele som.

Ela chegou mais perto do banco dele e reparou na sua mão que segurava firmemente o volante, ele não tinha aliança. Continuou observando o motorista e percebeu que seus músculos eram firmes e que ele era com certeza um homem que praticava algum esporte ao ar livre. A calca jeans estava combinando com a camisa polo verde. Os pelos do braço eram espessos e brilhosos. E ele estava bronzeado. E estava prestando atenção nela.

Bom sinal Fabiane! Pensou ela, sentido feliz em perceber que era também inspecionada por ele.

- Ah sim, desculpe-me... Eu sempre coloco... Mas dessa vez eu pisei na bola, foi mal...

- Tudo bem...

- Eu queria muito ir com meu carro, mas ele não ficou pronto.

Normalmente ela não puxava assunto com os motoristas de aplicativos. Ela sempre ficava calada pedindo a Deus que chegasse a seu destino, mas aquele motorista estava despertando nela algo diferente e ela queria saber mais sobre ele e especialmente continuar ouvindo a sua voz e que voz!

Uma voz tão marcante e sensual que ela sentia um arrepio no corpo.

- E o que aconteceu com ele? - Perguntou o motorista interessado no assunto a olhando pelo retrovisor.

- Eu fui visitar meu pai e no caminho para o aeroporto eu entrei nesses buracos e... Bem, acabei quebrando alguma coisa, acho que ele falou sobre...

- Suspensão!

Os dois falaram juntos e caíram na risada.

E se ela estava encantada com a voz dele, sentiu um frenesi quando o som de seu riso chegou até seus ouvidos. Meu Deus que risada gostosa, pensou ela desviando o olhar do retrovisor.

- Malditos buracos! -Disse ele ainda sorrindo.

- Sim...

Ela era tímida, sempre fora, mas perto dele sentia um frisson, uma coisa estranha, uma atração assustadora. Sem perceber começou a tagarelar na intenção de saber mais dele, de ouvir com atenção cada coisa que falasse.

- Mas creio que amanhã ou depois estará pronto!

- E não vai mais precisar de mim.

- Perdão? - Perguntou ela surpresa. Ele sorriu percebendo a confusão e completou:

- Quis dizer que, quando pegar seu carro, não vai mais precisar de um motorista. Esse carro é de um amigo. Essa noite a esposa dele teve o quarto bebê e o danadinho me pediu para quebrar esse galho para ele...

Ela ouvia a tudo interessada:

- Caramba, quatro crianças... Eu sou filha única, mas sempre quis ter irmãos.

A voz dela estava melancólica e ele reparou. Mas ela sorriu e continuou a conversa:

- Quem sabe? Talvez eu precise sim de você, quero dizer do serviço - Respondeu rápido – Eu às vezes deixo o carro na garagem...

- Entendo... Bom, nesse caso - Ele abriu a porta luvas e retirou um cartão e lhe entregou – Fique com o número, pode ser que precise outro dia.

E piscou.

Fabiane sorriu de volta.

Gostava dele.

Ele era bonito, interessante e parecia muito inteligente.

- Mas me diga: Aonde uma mulher tão bonita vai sozinha a essa hora da noite?

Ahh se ele soubesse. De repente a vontade dela de ir a festa passou. Ela preferia mil vezes ficar conversando com aquele desconhecido. Sentar em algum lugar e jogar conversa fora tomando alguma bebida.

Por mais que quisesse terminar com a festa da mãe, chamar a atenção ou sei lá mais o que ela faria lá, toda vontade acabou, passou, como num passe de mágica! Ela queria ficar ali, batendo papo com o motorista desconhecido.

- Em uma festa... - Não deu maiores detalhes, afinal quem entenderia aquela loucura do relacionamento dela e da mãe?

- Ah festa! Hoje é o dia das festas... – Ele pareceu profundamente irritado.

- É, faz parte da vida! Você não gosta de festas?

Ele sorriu e respondeu:

- Eu preciso trabalhar. Então, finais de semanas eu estou esgotado, querendo comer uma pipoca e me encher de coca cola!

- E você trabalha em quê?

Ele a olhou pelo retrovisor e pareceu pensar na resposta.

- Em um escritório.

Ela não insistiu, era claro que ele não desejava falar sobre.

-Você é muito bonito e não parece que se entope de pipocas e coca cola finais de semana!

Ele riu com vontade, porque era exatamente o que fazia.

- Sério? E por que você acha isso? Eu sou um cara bem comum. Eu e meu amigo adoramos jogar bola aos domingos e voltarmos sujos pra casa e fazemos churrasco em seu quintal, com os filhos dele correndo e a esposa dele gritando com elas...

Ele ria com vontade e ela achava lindo aquele jeito descontraído e ao mesmo tempo sexy dele.

- Eu duvido... Deve ter um monte de mulheres aos seus pés e você não pára com nenhuma...

Ele riu de novo levantando a sobrancelha se divertindo e lisonjeado com as opiniões dela.

- Moça às vezes as aparências enganam. -Piscou para ela e tentou se concentrar na estrada. Aquela mulher mexia com ele, não somente aquele corpo maravilhoso, mas ele toda mexia com ele.

- Pois eu não me engano nas minhas deduções. Eu poderia apostar todo meu salário que... - ela parou o que ia dizer e viu que ele a olhava, rindo pelo retrovisor.

- O quê? Estou curioso para saber o que ia dizer.

- Que você é daqueles que... - Ela não conseguia mais terminar a frase. Estava mergulhada naqueles olhos escuros a observando pelo retrovisor. - Deixa pra lá é só uma opinião! Eu e minha boca grande...

Oscar fitou sua boca. Ela tinha uma boca carnuda e aquele batom realçava mais ainda a sensualidade dele. Ele engoliu em seco tentando se concentrar no percurso. Ah, aquela boca, pensou ele desnorteado, sentindo que estava entrando numa batalha vencida. O carro parecia agora que estava em chamas e sentia seu corpo arder. Seria perceptível o que ele sentia?

Ela encarava aqueles olhos escuros querendo ter coragem de dizer o efeito dele sobre ela.

- Fica tranquila sou apenas um motorista...

Fabiane não sabia como, mas, ouviu-se dizendo: - Eu acho você muito atraente e acho um desperdiço eu estar sentada aqui atrás!

Pronto! A coragem dessa vez veio a galope e ela percebeu quando seu olhar passou de confuso para surpresa. Seus olhos tinham agora adquiriu um brilho perigoso. Um olhar felino!

Ela estava saindo para fazer um escândalo na festa da sua mãe, porque não ser atrevida com aquele homem lindo? Mesmo sendo ele um desconhecido!

Ela estava flertando com ele e gostando de tudo aquilo!

Os olhos dele eram um misto de sentimentos. Ele visivelmente travava uma luta interior. Mas dando uma última olhada para Fabiane e suspirando ele estacionou o carro e disse com voz rouca:

- Então está esperando o que? Venha aqui para frente!

A mão de Fabiane tremia quando abriu a porta e sentou do seu lado. Não acreditava que estava sendo tão ousada e insinuante para um total e melhor, gostando demais daquilo.

Ele a comeu com os olhos e disse:

- Pronto! Agora está satisfeita? -A voz dele estava rouca e ela adorava aquilo.

Como ficar imune aquela coisa irresistível sentado ali? Como terminar a noite e não experimentar aquela boca?

Ousada respondeu:

- Não!

- Sei... E o que você quer? O que eu posso fazer para que fique totalmente satisfeita?

Seus olhares se cruzaram, e ela sentiu como se um raio a atingisse. Ele se aproximou e a beijou.

Deus do céu!

Ela deveria estar muito louca, a raiva e adrenalina misturadas com aquele homem lindo haviam destruído todo juízo que ela um dia teve.

A boca do desconhecido era tão gostosa que poderia ficar beijando ele a noite toda.

Ele a puxou para cima dele e ela sentiu toda a sua excitação, ficou assustada, mas retribuía os beijos com a mesma intensidade.

- E então? Ainda tem a mesma impressão sobre mim? - Ele quis saber enquanto mordiscava seu pescoço.

- Sim... Eu sabia que você beijava como ninguém! Soube disso assim que bati os olhos nessa boca!

- Eu juro que pensei o mesmo!

Ela sentiu suas mãos passeando nas suas pernas e coxa.

Ela levantou o corpo pra ele sentir que estava sem calcinha.

- O quê? – Começou ele quando suas mãos entraram no vestido e não encontrou a parte de baixo de sua roupa.

Eles se entreolharam e ele meneando a cabeça disse:

- Sua louca! Você está sem calcinha... Que delicia, venha cá... - Ele a puxou para mais perto. E suas carícias eram deliciosas. Ela queria sentir mais e mais sua boca em seu corpo. Ele deitou o banco do carro e ela aproveitou para tocar em seu membro.

O homem estava excitado, muito excitado e ela também.

Ele fechou os olhos e gemeu quando sentiu sua mão o tocando. Aquilo era um martírio!

Ousando mais e mais ela desceu e agora sua boca e língua estavam no lugar se suas mãos. Ele gemia.

Fabiane adorava aquilo.

Adorava homens que não se reprimiam e gemiam. E ele não se importava em demonstrar o que estava sentido. Ela não estava acostumada com aquilo. Normalmente os caras com quem saía ou eram muito cheios de si e não faziam nada certo ou eram reprimidos. Ele simplesmente se entregava cada toque que ela dava em seu corpo.

Adorava saber que ele gostava das suas caricias.

- Você gosta né? – Ele provocou-Adora me ver assim... Oh Deus, que boca deliciosa que você tem menina... Vem cá!

E a puxou de novo para sua boca. A devorando.

Fabiane não estava preparada para o que veio a seguir, ele mudou de posição com ela.

Antes olhou para fora da janela e percebeu que estava a sós, não havia risco de ninguém vê-los.

Aquilo a encantou ainda mais.

Se bem que a ideia de que pudessem ser vistos a enchia mais de tesão.

Ele retirou seu vestido com cuidado e beijou seus seios, lambendo os mamilos já intumescidos. Ela estava lânguida! E quando ele a tocou, gemeu mais forte sentindo sua umidade entre as pernas.

- Que delicia! Você é uma delicia...

E a invadiu com sua língua macia.

Fabiane se contorcia de prazer e não sabia quanto tempo mais iria suportar aquela carícia.

Ele continuava vasculhando sua parte íntima. Louca de prazer ela alisava seus cabelos segurando sua cabeça na esperança que ele continuasse aquela magia erótica entre suas pernas e ele continuou. Sem conseguir mais controlar aquele frenesi ela se entregou ao momento final, cravando suas unhas em sua cabeça, suplicando que ele não parasse. Ele rapidamente sentou e a colocou sob ele, fazendo movimentos fortes e rápidos.

Ela não podia acreditar que sentiria aquele gozo novamente com aquele desconhecido, ali dentro daquele carro.

E foi o que aconteceu.

E os dois chegaram ao ponto ápice exatamente no mesmo instante. Ela tombou sobre seu corpo suado enquanto ele gemia em seu ouvido falando coisas desconexas e ora obscenas.

Tremendo, ambos nada diziam. Estavam apenas mergulhados naquele prazer que os havia transportado para o mesmo lugar.

Ela queria dizer algo, mas o que dizer?

Ofegantes eles se beijaram e ela deitou a cabeça sobre seu ombro forte.

Ele acariciava suas costas devagar.

Apertando sua pela, sentindo a textura e percebendo a loucura que havia feito.

Oscar cheirou a desconhecida e mordeu levemente seu ombro.

Ela estava calada, mas ele percebeu que ela também estava assustada com o que havia acabado de acontecer com eles.

Ele tirou os cabelos dela de seu rosto bonito e a beijou novamente.

Era tudo o que ele queria:

Beijar aquela mulher!

E aquilo foi seu maior erro, pois ele de novo sentiu seu sangue correr por suas veias e seu membro ficar completamente ereto novamente. Ele esperava as carícias daquela mulher e ela como uma gata no cio correspondeu ao beijo e de novo os dois estavam se agarrando e transando pela segunda vez.

Exaustos, depois que terminou o ato, ela escorregou para o banco carona sorrindo.

Ele estava sério. Ela feliz e realizada. Sentindo arder cada parte do seu corpo.

Ahh dane-se, a gente não vai se ver de novo mesmo, pensou ela agora triste com essa possibilidade.

- Olha... Assim eu terei que te chamar de novo hein! – Ela tentou brincar, mas percebeu o quanto ele parecia distante e até mesmo arrependido. Fabiane engoliu seco e tentou parecer calma quando falou: - Você parece arrependido! E eu que sou a mulher aqui...

Ele riu nervoso.

- Eu, eu nem sei por que fiz isso. Normalmente eu sou mais cuidadoso!

Ela arregalou os olhos agora entendendo que não usaram preservativos nas duas vezes.

- Fique tranquilo, eu tomo remédio... E sou saudável...

Como agora os dois pareciam dois estranhos? Deixe de ser tola! Vocês são estranhos, tenha agora um pouco de dignidade e saia de cabeça erguida, pensou ela olhando para fora do carro, tentando aceitar que a magia do momento se fora.

A coisa parecia ter sido tão natural e gostosa. Porque ele estava tão distante agora? E por que ela estava envergonhada?

Pra ela também havia sido bom.

E ponto. Mentira!

Ela não queria um ponto. Queria uma vírgula, reticências.

Qualquer coisa, menos nunca mais vê-lo.

- Fica tranquilo... - Ela abriu a bolsa e retirou de lá seu celular. -Olha! Eu acho que te dei o endereço errado, na correria. Esqueci que minha a festa é em outro endereço. Deixa te passar... - Ela começou a vasculhar no celular o endereço correto e passou para ele. Fabiane estava nervosa em perceber que o desconhecido ficava a cada minuto desconfortável. Que droga! Ela havia saído para tentar ferrar a festa da mãe e se envolve naquilo? Acabou transando com um desconhecido, num táxi e nem mesmo se protegido... Envergonhada ela se reclinou na cadeira tentando parecer tranquila. Mas seu coração parecia que ia sair pela boca. Ela estava envolvida em mistos de sensações: Deliciada com tudo que passou e envergonhada e surpresa com a atitude dele agora.

Mas o que você esperava? Um pedido de namoro? Recriminava-se.

- Ok, sem problemas... - Ele arrumava a roupa e ela não pôde deixar de olhar de novo aquele corpo maravilhoso. Vontade de mandar aquela festa pro inferno e convidá-lo para ir pro seu apartamento e fazer amor à madrugada toda.

- Olha moça, não me olhe assim. Confesso que está bem difícil, manter as mãos longe de você... Se continuar, eu juro que rasgo esse seu vestido e te possuo de novo!

Fabiane olhava para ele num misto de espantada e extasiada, na verdade ela adorou ouvir aquilo.

- E porque não faz? A gente pode comprar preservativos dessa vez e irmos pro seu apartamento ou o meu.

Ele arregalou os olhos, perplexo, mas ela viu todo seu desejo por ela também.

Ela não sabia por que, mas ele lutava agora com os sentimentos.

- Sua louca! – Ele resmungou. -Se ajeita e me passa o endereço certo!- Ele evitava olhar as curvas daquele corpo tentador.

Ela lentamente colocou o vestido.

Não havia percebido que estava sem a roupa. Ficar nua na frente dele parecia algo tão natural e normal para ela. Fabiane colocou o vestido sentindo o corpo em chamas. Sabia que a noite seria muito difícil, estava frustrada e cheia de tesão ainda por aquele homem e pelo que tudo indicava ele também por ela. Ela podia ver isso em seu olhar, no modo como ele a olhava.

Vestiu-se o olhando dentro dos olhos. Demorando mais que o suficiente, provocando-o.

Ele aguardava com os olhos sob seu corpo e os dedos presos no volante, pedindo a Deus força para não agarra-la novamente.

Ela riu, gostando do efeito que exercia sob ele. Mas de repente a verdade caiu sobre ela e se...

- Qual o nome dela?- Perguntou ela, sabendo que o que o incomodava era alguma mulher que deveria estar aguardando-o em casa com seus filhos. Aquela visão a deixou chateada.

Ele pareceu surpreso, mas não respondeu. Mas também não desmentiu.

- Me passe o endereço, por favor.

Ela mostrou o endereço e ele em seguida começou o trajeto em silêncio.

Capítulo 2 Depois daquela noite

Oscar não podia acreditar!

Adorou ter aceitado ficar no lugar de seu amigo de faculdade. Eles haviam apostado que ele nunca suportaria uma noite trabalhando como motorista de aplicativo, afinal um cara que era um dos melhores advogado do país, filho de uma tradicional família de advogados, jamais aceitaria aquele trabalho.

Juan teria que passar a noite no hospital com sua esposa, que acabara de ganhar o quarto bebê do casal e eles haviam rido imaginando Oscar como motorista. O amigo havia falado que ele nunca aceitaria ou aguentaria a função. E ele acabou aceitando para ganhar a aposta e ajuda.

Ele sabia que suportaria. E talvez até fosse divertido. Tudo para não ir a uma determinada festa!

Ele olhou para fora da janela vendo o movimento. Pessoas de todo tipo indo e vindo. Ser motorista era até mais tranquilo que ser advogado. Então ele estava tirando de letra e podia dizer que estava até se divertindo.

Naquela noite conhecera bastantes pessoas bacanas e estava voltando quando recebeu uma mensagem de nova corrida.

Quando a viu parada na portaria de seu prédio, com aquele vestido provocante, ele soube que estava atraído por ela e que em outra ocasião a chamaria para sair.

Ele a achou atraente, certo, mas nunca poderia imaginar que faria amor ali com ela.

Ele sempre teve sorte com as mulheres, mas jamais quis que as coisas tivessem tomado aquele rumo.

Mentiroso! Gritou sua consciência.

É claro que queria. Ela era maravilhosa. Olhou discretamente para aquelas pernas, lembrando que estivera ali no meio alguns minutos atrás. Que provara seu sabor e que a virá gozar feita louca em seus braços. E ele havia adorado todos os instantes com ela.

Droga! Engoliu em seco sentindo aquele fogo subindo por sua pele.

Mas o pior: Ele reconhecera o endereço que ela havia dado.

Era o mesmo que de Marlene. Sua noiva!

Ele sentiu o corpo enrijecer e um temor tomou conta de si.

Poderia ser apenas uma coincidência? Ou ela estava indo para a mesma festa?

Queria perguntar, mas como? Ela não entenderia nada e ele teria que explicar demais. Coisas que ele não desejava.

Ele estava comprometido, pelo menos até que aquela farsa terminasse, ele não poderia se envolver com ninguém. Ele saia furtivamente com algumas garotas, mas sem nenhum envolvimento, mas aquela era inesquecível!

Ele olhou sorrateiramente para a mulher ao lado e concluiu que ela era muito parecida com Marlene.

Como ele não se atentou para aquilo?

Seria ela alguma parenta?

Ele encostou o carro.

Sua garganta estava seca.

Ele estava nervoso.

Viu que ela abria a bolsa para pagá-lo e ele odiou aquilo, sabia que ela sairia daquele carro e depois de sua vida. E que possivelmente eles nunca mais se veriam.

Ele queria levá-la para jantar em algum restaurante e depois terminar a noite com ela.

Mas ele não podia!

Lembrou de Marlene sua noiva, a mulher que praticamente o comprara e exigira que ele assinasse aquele contrato ridículo. Ele aceitou. Afinal a vida se sua família dependia dele. E ele não perderia os escritórios que sempre pertencera a sua família, por causa de uma irresponsabilidade de seu pai. Por causa de uma traição.

- Hei... Não quer o dinheiro? – Ela estendia o dinheiro para ele com um sorriso no rosto. Um sorriso tímido, mas cheio de insinuação. Ela ali, estendendo aquela grana, parecia uma garota de programa que havia lhe proporcionado uma noite de incrível prazer.

Aquilo estava ficando cada vez pior, concluiu ele pegando o dinheiro rapidamente, antes que fosse traído pela atração avassaladora e a agarrasse ali mesmo: No mesmo condomínio que a noiva morava. Seria ela alguma amiga ou parenta?

- Tudo bem – Disse ela colocando a mão em sua coxa. Ele não esperava por aquilo e seu corpo traiçoeiro o traiu. Ele sem jeito retirou sua mão, mas, era tarde demais, ela também havia percebido o quanto ele estava excitado.

Incrível! Com um simples toque.

Ele sempre mantinha as rédeas nos relacionamentos, nas transas, mas com ela estava perdido. Aquela mulher conseguia fazer seu corpo derreter com um simples toque.

Ela era... Procurava palavras para descrevê-la: Deslumbrante!

E Deus, como ele a queria!

Seus olhares se encontraram. Ela com certeza sentindo o mesmo que ele.

- Eu tenho seu cartão, posso chamá-lo se precisar de você?

- Bom, na verdade, esse carro é de meu amigo... Sim, ele poderá ajudá-la com certeza. Estou encerrando a noite aqui.

Ele esperava que ela entendesse o duplo sentido daquela frase.

Ela pareceu entender, pois fechou a cara e retirou o sinto de segurança. E ele sem saber se ficou triste ou aliviado.

Fabiane sentiu um ciúme da possível mulher que ele tinha. Só a existência de uma mulher faria com que um homem ficasse cheio de remoço.

Pois era isso que ele estava sentindo.

Ela sabia.

Mas o que havia acontecido entre eles fora algo muito forte.

Algo além do entendimento dela.

Eles não teriam conseguido fugir aquela atração que os pegou ferozmente. Ele também havia sentido!

Ela queria ser a mulher que o esperava em casa!

Tonta. Saiu do carro.

Sabia que não poderia mais vê-lo.

Sabia que o que havia acontecido fugiu do controle dos dois.

Eles eram adultos. E com certeza ele esqueceria aquela cena, afinal um homem lindo daquele poderia ter qualquer mulher que desejasse.

Ela se despediu rapidamente e estava se afastando quando teve uma ideia. Já que eles não se veriam mais, qual o problema em dar a ele um presente, queria que ele ficasse com algo dela.

Abriu a bolsa e voltou gritando:

- Hei espere!- Ele estava parado com o carro aguardando que ela entrasse e quando a viu voltando abaixou o vidro do carro surpreso.

O coração pulando no peito, a respiração suspensa.

Ele olhou o que ela havia jogado sobre seu colo e sentindo um calor percorrer todo seu corpo. Ela o olhava com aquele sorriso maroto e cheio de convite. Porem quando ele achou que fosse abrir a porta do carro e a jogar ali dentro e a possuí-la, ela virou e foi a caminho da entrada do condomínio.

Ele ficou ali, olhando aquele traseiro apetitoso e logo depois deu partida no carro, totalmente frustrado.

Oscar estacionou o táxi na garagem do amigo.

Estava suando e nervoso.

As últimas horas haviam sido bastante emocionantes e tensas. E ele não pôde dizer que estava arrependido!

Ele havia dado graças a Deus quando sua passageira misteriosa havia deixado o táxi e ido embora. Mas a bandida havia retornado ao táxi e jogado em seu colo uma calcinha.

A bendita calcinha agora estava no bolso de sua calca, fazendo-o lembrar da noite incrível que tivera com ela. Uma das melhores horas de sua vida.

Mas e se elas tivessem realmente algum parentesco com Marlene Costa?

Marlene nunca havia falado de filhas ou sobrinhas.

A vida daquela mulher era um mistério.

Ele poderia facilmente descobrir. Bastavam algumas perguntas aqui e ali.

Ponderou que ele jamais se interessou por sua vida, sua família, pouca coisa sabia dela. E aquilo não era bom. Seu avô sempre falara da necessidade de se conhecer o inimigo.

A única coisa que ele queria era pagar a dívida da família e depois sumir.

Ele nunca concordaria em casar com ela. Ia levar aquele noivado de mentira até que o último centavo fosse depositado em sua conta e as fotos dela com seu pai estivessem com ele.

Apenas aceitou aquele acordo idiota, pois se não fizesse isso ela mostraria as provas da traição para sua mãe. E sua mãe estava terrivelmente depressiva. Um escândalo daquele a mataria. E ele não queria correr esse risco, afinal nada era mais importante que sua adorada mãe.

Seu pai havia se apaixonado por aquela vigarista e com grandes dívidas também pegou uma quantia considerável com sua nova amante. E deu a ela as escrituras dos escritórios como garantia. Oscar não entendia como o velho Oscar havia caído nisso! Como pôde ter colocado as conquistas da família nas mãos daquela mulher?

Assim que a conhecera ele soube como ela era perigosa.

Uma mulher incrivelmente bela, mas ambiciosa e cruel. Que conseguia tudo que queria.

E ela tinha amigos influentes, que fariam tudo que ela pedisse em troca só Deus sabe de quê.

Assim que conheceu Oscar, havia dito que precisava de um noivo influente para acompanhá-la em eventos e não via ninguém melhor que Oscar Junior. Ela havia perdido o interesse pelo Oscar pai e queria o jovem filho. O promissor advogado. Mas ele não havia caído no jogo de sedução dela. Havia concordado em casar, mas a detestava e a desprezava.

Seu pai havia suplicado que aceitasse. Ele não queria que a esposa soubesse de sua traição, afinal um divórcio milionário estava fora da questão, fora que a fama de bom pai e marido, do respeitado advogado que havia herdado aquele legado de três gerações. Ele estava arruinado e a única chance em rever as escrituras do escritório estava nas mãos do filho. Agora Oscar teria que fazer aquele sacrifício! E odiava o pai por isso!

O idiota dizia que havia caído numa ilusão e que fora apenas uma diversão sem importância.

Pois o divertimento dele havia colocado todos em perigo e ele naquela missão desprezível. Caso eles não conseguissem pagar o valor na data de um ano, teria que casar com ela.

E ficar com Marlene era penoso. Ela era atraente, ele não podia negar, mas jamais conseguiria imaginar tendo com ela o que aconteceu com a estranha.

Em público deveria mostrar-se o noivo apaixonado. Mas sozinhos, ele se mantinha frio e distante.

Nunca tiveram nenhum envolvimento sexual.

Ela havia lhe dito que seria muito divertido e interessante levá-lo para cama. Ele não concordou e desde então apenas cumpre parte do acordo. Naquela noite, por exemplo, ela festejava o seu aniversário. Mas ele não estava com vontade de ficar desfilando com ela na frente de seus convidados, fingindo ser o homem mais feliz da face da terra.

Seu pai dizia que até seria divertido. Costumava falar dos dotes dela na cama. Mas um dia após uma discussão calorosa entre os dois, Oscar havia proibindo-o de falar de seus casos extras conjugais, e que respeitasse pelo menos sua mãe.

Que ele estava naquela situação ridícula graças à irresponsabilidade dele.

Oscar suspirou fundo e saiu do carro.

Deixou a chave no local combinado e foi para seu carro, que ficara estacionado na calçada.

Conhecia Juan dos tempos da faculdade. Ele era seu melhor amigo e além de ótimo advogado trabalhava durante a noite como motorista de aplicativo. Ele dizia que a família de quatro filhos não permitia que ele parasse. Além do que ele queria investir numa empresa de aplicativo de transporte particular. E fazia alguns testes durante a noite.

Oscar concordou. O amigo talvez tivesse razão e aquele negócio poderia ser algo rentável. Há algum tempo que Juan havia conversado com ele e comentado que iria desistir de ser advogado e começar algo totalmente fora da sua área. Convidou ele para uma sociedade, mas Oscar havia batalhado tantos anos para ter o respeito de várias pessoas, não por seu filho de quem ele era, mas por seus méritos. Mas iria pensar na possibilidade de ser sócio do amigo, por exemplo. Quem sabe?

Ele não queria nada além dos escritórios. Havia trabalhado tanto para conseguir ser reconhecido pelos amigos do pai e avô. E quando soube que eles poderiam perder tudo, pois o pai estava sendo chantageado por ela teve vontade de esmurrar até a morte o pai.

Oscar olhou no relógio.

Ele poderia ir à festa de aniversario de Marlene, mas não queria ver a cara dela. Ela havia pedido que ele comparecesse, mas havia dado uma desculpa de trabalho inadiável.

Se ele dissesse para a ambiciosa noiva que ele havia trabalhado horas dirigindo um carro e conversando com pessoas de vários níveis sociais ela ficaria horrorizada.

E se ela sonhasse que ele havia feito amor com uma desconhecida, ele poderia perder de vez a esperança de colocar as mãos nas escrituras.

A desconhecida. Ele só havia lembrado que não sabia seu nome quando ela já havia desaparecido de sua vista.

E se ele fosse à festa e a visse lá?

Seria possível que existisse um parentesco entre as duas?

Tentando não pensar nisso ele foi para seu apartamento.

Capítulo 3 Reencontrando a mãe

Fabiane chegou à festa e foi recebida por um rapaz que abrira a porta do apartamento.

Ele ficou olhando para ela parecendo reconhecê-la.

Logo atrás dele Fabiane ouviu a voz melodiosa de sua mãe.

Ou odiosa?

-Robby meu lindo, quem chegou?

O rapaz que se chamava Robby nada respondeu e deu passagem para que ela passasse e ficasse bem de frente a mãe.

A fisionomia dela foi de espanto a raiva, mas ela disfarçou rápido.

Ela era assim...

Dissimulada. E só quem conviveu com ela sabia desse seu lado. Ela conseguia passar de furiosa para uma mulher doce e serena. Aquilo sempre deixava Fabiane com medo e depois extremamente irritada, pois com isso a mãe se passava por a boa pessoa e ela a filha mimada e incompreensiva. E lá estava ela, bem ali na sua frente e como sempre Fabiane ficou nervosa. Tentando disfarçar ela passou pelo rapaz que agora olhava as duas com um ponto de interrogação.

- Olá mamãe! Resolvi vir em sua festa de cinquenta e cinco anos. -Ela falou alto de propósito para que as pessoas que estivessem perto a ouvissem. Uma coisa que a mãe detestava era dizer sua real idade e que tinha uma filha. Com certeza muitos ali desconheciam sua existência. Ela sempre havia escondido essa informação. Por várias vezes Fabiane fora obrigada dizer que eram irmãs ou apenas amigas. Marlene tinha pavor que as pessoas comparassem a filha a ela.

Demorou descobrir que o problema dela era não conseguir olhar para a filha e vê-la como alguém que deveria amar. Mas ela a via como uma ameaça. Então, se a filha comprasse alguma roupa, ela se esforçava para comprar uma melhor e mais ousada.

Marlene criticava seu rosto com espinha, dizia o quanto ela era sem graça ou que não sabia realçar a beleza.

Suas roupas sempre foram esquisitas e sem sal.

Flertava com seus amigos e namorados e adorava quando conseguia a atenção deles.

Crescer sabendo que a mãe era sua inimiga fora terrível para ela.

Sabia que sua maior dor era olhar para a filha e saber que estava envelhecendo e Fabiane florescendo. Seu pai que sempre a estimulava a procurar a mãe e tentar fazer dela uma mulher melhor... Mas ela não entendia por que sua mãe não gostava dela e precisou fazer terapia para entender o comportamento agressivo, cruel e frio vindo da única pessoa que deveria protegê-la, mas pelo contrário a cada ano se tornava alguém incapaz de amar. Na terapia ela descobriu que a mãe era manipuladora e narcisista. Então tudo veio a luz e ela procurou afastar-se aos poucos.

Quando seu pai saiu de casa e a levou, Fabiane começou realmente a viver. Ela tinha dezesseis anos na época e via a mãe apenas em ocasiões especiais. Mas era hora de tanto sofrimento que ela foi reduzindo as visitas à mãe até que finalmente deixaram de se ver por completo. Nem mesmo um telefonema!

Marlene a olhava sem nenhum sentimento de bondade e parecia que nem mesmo não via a filha há anos.

Pensando nisso, ela levantou o queixo e foi em sua direção.

O perfume suave entrou em suas narinas e ela sentiu-se enjoada.

De repente todos os planos de arruinar a festa dela ruíram. Não teria coragem!

Ela viu a mãe corar enraivecida, mas logo a seguir abriu os braços na sua direção a acolhendo num abraço frio. Ela deixou ser abraçada pela mãe fingindo alegria.

Ela constatou que abraçar um iceberg seria mais caloroso.

- Ohh querida! Mas que surpresa adorável! Por que não disse que viria?

Ela a fuzilou com o olhar e em outras épocas ela correria para seu quarto feito uma idiota, mas dessa vez seria bem diferente.

- Queria te fazer uma surpresa mamãe!

Tentou falar mais melosa possível.

- Pois conseguiu querida! Olhe Robby essa é minha filhotinha...

Revirou os olhos vendo o olhar espantado do rapaz. Mas continuou:

- Ela não é uma beleza? Agora... – Falou dando uma geral com o olha na filha – Porque a coitadinha era muita sem graça e feinha quando pequena.

Robby se aproximou analisando as duas, acenou para Fabiane friamente:

- Feia? Duvido! Ela é a sua cara! A menos que você tenha sido feia também quando mais jovem... -Ele disse isso sério, sem nenhuma expressão no rosto e se afastou sumindo no meio da multidão.

- Robby é meu assistente. Trabalha comigo há muitos anos... E acha que pode falar o que quiser você não lembra dele? Ahh, não importa... - Ela fez uma pausa olhando Fabiane. -Ohh, claro que ele sabia de você querida!

Apressou-se em dizer quando viu que ela perguntaria isso.

- Entendo... Ele pareceu bem surpreso.

- Eu também estou... Mas já que está aqui, aproveite a festa! Só não fique por ai dizendo que é minha filha.

Riu tomando o vinho.

As unhas dela estavam impecáveis como sempre: Vermelhas. O vestido também vermelho cobria seu corpo esbelto.

Ela era uma mulher mediana, mas havia colocado uma sandália preta de saltos altos fazendo-a mais erguia e elegante. O vestido caia perfeitamente nas curvas da mãe.

Seu quadril chamava atenção com sua cintura fina e delgada.

Essa infeliz! Pensou Fabiane, continua linda e irresistível!

Ela foi acompanhando a mãe e seus olhos tentando encontrar alguém conhecido.

Mas ela não via ninguém.

O rol de amigos dela havia mudado desde ultima vez que se viram. Poucas pessoas queriam estar perto dela quando descobriam seu jeito egoísta. Marlene era mulher de poucos amigos

Oito anos?

Dez?

Fabiane não sabia quando estivera tão perto da mãe e ao mesmo tempo tão longe!

Ela entrou na grande sala e ficou tonta.

O local era impregnado por vários cheiros. E ela soube que precisaria de ar fresco em poucos minutos.

Pegou uma taça de vinho e ficou olhando para ver se via algum homem perto dela.

Queria conhecer o noivo de sua mãe.

Queria flertar com ele, igual ela fazia com os seus namorados e amigos.

Queria vê-la espumando de raiva, como várias vezes ela ficou.

Mas sua mãe estava nesse momento rindo e conversando com um grupo de pessoas.

Fabiane se aproximou.

- A gente precisa conversar mamãe. – Disse perto dela.

- Depois meu anjo, depois... Eu tenho que entreter meus convidados...

- Agora Marlene!- Fabiane falou firme olhando na direção das pessoas que começavam a perceber sua presença.

Forçando um sorriso ela continuou falando somente pra mãe ouvir:

- Ou quer que eu comece a falar aqui mesmo e eles ficarem sabendo a boa filha da mãe que você é!

A mãe sorriu para ela, mas Fabiane sabia que ela queria esbofeteá-la.

Pegando-o pelas mãos e a conduzindo para seu escritório, ela foi abrindo caminho no meio das pessoas fazendo uma piadinha aqui e ali.

Alguém perguntou se ela iria apresentar a nova convidada e ela apenas respondia que depois.

Empurrou gentilmente a filha pra dentro do escritório. Fez um sinal para Robby, que apareceu de repente e fechou a porta.

- Pronto querida...

- Como você se atreveu vender a casa que também era minha? E sem me consultar Marlene?

Marlene fez um gesto infantil com o rosto e sento no sofá do lugar. Ela sabia que quando a filha a chamava pelo nome estava irritada.

- Ahh então é isso? A casa! Querida, você é igual o seu pai... Muito emotiva! Claro que eu darei sua parte da casa.

- Marlene eu não queria o dinheiro... Eu queria a casa, você sabia o quanto ela é importante para mim. – Fabiane queria chorar de raiva e impotência.

Marlene revirou os olhos parecendo entediada.

- Eu vendi a propriedade e não me arrependo, a casa era velha e se demorasse a vender, em anos ela estaria caído aos pedaços e nunca conseguiria vender pelo valor que vendi.

- Por que você faz isso? Por que quer sempre tomar decisões sem se importar com as pessoas? Pior ainda, teve a coragem de enganar papai...

- Ah não, eu não o enganei... – Rindo ela continuou. -Ele pareceu gostar da nossa noite, da noite que tivemos e ele assinou os documentos para mim sem questionar nada...

- Não me interessa sua noite de terror com ele... – Gritou e Marlene gargalhou. -Como pôde usá-lo? Sabe que ele a ama ainda!

Marlene encolheu os ombros.

- Não foi uma noite de terror querida! Seu pai pode ser uma parasita sem ambição, mas o danado sabe fazer um sexo maravilhoso e tenho certeza que ele adorou também! E lembre-se que foi ele que me abandonou, foi embora... – Fez um muxoxo e continuou fingindo tristeza – E você foi junto com ele... Se vocês me amassem nunca teriam ido...

- É claro que ele foi embora mamãe... - ela acentuou a palavra mamãe de propósito – Não aguentava mais suas traições! E eu? Ahh você sabe que nunca me amou...

- Ah de novo essa história! Você realmente não cresce! Olha, meu noivo que é advogado irá procurá-la e entregará sua parte. É isso ou não é nada! Você assina os papeis que logo depois será transferida uma parte para você.

- Dinheiro, dinheiro só nisso que você pensa! Você me enoja!

Marlene se levantou, alisando o vestido.

- Já terminou? Se sim, preciso voltar para meus convidados!

Ela a olhava firmemente enfrentando a fúria da filha. Fabiane sabia que havia sido vencida.

Por enquanto, pensou ela.

- Quando eu verei seu advogado?

- Deixe seu contato com Robby, ele vai agendar um horário com Oscar e você poderá ir ao escritório dele. Ou melhor!

Ela pareceu ter tido a ideia do século. Viu seus olhos brilharem e soube que tinha um plano.

- Você pode vir sábado aqui em casa almoçar? Assim, você conhece meu noivo e assina os documentos. Terá seu dinheiro na mesma semana te garanto.

Beijou os dedos cruzados num sinal de promessa.

Fabiane lhe virou as costas e sem despedir-se saiu do escritório.

Seus olhos estavam ardendo querendo chorar.

Ela sentia raiva de si, pois constatou que a mãe ainda tinha um poder sobre ela.

Passou pelas pessoas pedindo licença e saiu do apartamento.

Suas mãos estavam suando e tremendo.

Raiva e frustração a invadia.

Olhou ao redor, aquele condomínio luxuoso e teve vontade de subir e dizer para toda aquela gente quem era Marlene Costa. Mas ela duvidava que eles não soubessem. Em volta dela sempre teve aquelas moscas, os parasitas só aguardando serem beneficiados de alguma maneira.

Aquilo sempre a enojara.

A única mulher que ela considerava amiga da mãe, havia sido traída e roubada por Marlene. Assim era ela. Um ser desprezível, que se aproveitava da bondade das pessoas e as apunhalava pelas costas.

Viu alguns táxis parados na entrada e sentiu seu coração apertar. Seria possível que em um deles estava o motorista misterioso?

Mas ele não estava lá.

Exausta mentalmente foi para seu apartamento

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