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O passado ainda assombra.

O passado ainda assombra.

Autor:: Kellg
Gênero: Romance
Era ela uma mulher que cresceu em meio a mentiras e muito ódio. E só agora depois de tudo que sofreu por causas dessas mentiras ela descobriu a sua verdadeira identidade. E agora já não sabe mais o que fazer. Porque tudo que sabia de si mesma jamais existiu.

Capítulo 1 Infância

"Calada, sua negrinha! Aqui você é igual soldado raso só recebe ordens. Ninguém gosta de você! Eu te odeio, te odeio com a minha alma! Você tomou o meu lugar, você é uma ladra, roubou tudo que era meu e nem dessa família você é." Gritou Noeli, sua linda irmã, 7 anos mais velha, sua heroína, uma linda e exuberante adolescente ruiva, de madeixas encaracoladas e pele de marfim.

Aquelas palavras ainda ecoavam na mente da pequena menina de 5 anos, enquanto ela brinca com as amigas imaginárias. Como doeu ouvir aquelas frases, da pessoa que ela mais amava. Ela não entendia por que tanto ódio, o que ela havia feito?

Laura, a amiga imaginária, lhe acolhe com carinho, lhe abraça e lhe dá o colo que ela nunca se lembra ter. Ela se conforta nos braços invisíveis, e chora deitada em cima do papelão. E ali ela adormece. "Raka, Raka, a janta está pronta, entra logo pirralha, antes que a mamãe fique nervosa por causa de você."

Naquela época a mãe sempre ficava nervosa, tinha crises, tomava remédio e dizia que ia morrer, e Raka apesar de não saber o porquê, sempre sentia que tudo era sua culpa, a única culpada de tudo de ruim que acontecia no mundo. E seu mundo era aquela família, onde ela era a caçula de 5 irmãos.

Capítulo 2 Isso machuca, não faz por favor!

Aqueles eram dias difíceis, a mãe de Raka precisou ser internada, em meio a uma crise nervosa, a polícia foi chamada, precisaram amarra-la e levaram para o hospital. Raka viu tudo pela greta que tinha na porta do quarto onde ficou escondida. Ela sabia que quando aparecesse iriam culpa-la dos problemas da mãe.

Quando todos se esqueceram dela, ela fugiu para o quintal, subiu no pé de ameixa. Lá era seu refúgio.

Raka, era menina de doces olhos de jaboticaba, sorriso fácil, fala calma, coração de puro, tinha 5 anos.

Mulata, dos cabelos anelados, difíceis de pentear. Por que ninguém se preocupava com ela, e com seus cabelos menos ainda.

O pé de ameixa era seu porto seguro, em cima dele ela escapava das frequentes surras que a mãe lhe dava, e em cima dele ela viaja na imaginação. Era a única criança naquela casa.

Via a rua, as diversas crianças que brincavam de bola, de roda, de rouba bandeira. Ela sabia todas as brincadeiras, mas, nunca, nunca, jamais podia sair. A rua era um sonho distante. Brincar com outras crianças um sonho impossível. Naquela casa de adultos. A única pessoa que ela queria conversar e ser amiga era Noeli. E a última tentativa de amizade com a irmã ela ouviu coisas que ainda doíam no coraçãozinho da pequena criança.

Todos a evitavam. Todos a ignoravam, só lembravam dela quando precisavam culpar alguém pelas mazelas da vida.

Como hoje, quando a mãe saiu na viatura para o hospital. Descer do pé de ameixa não seria opção. Teria que esperar a casa acalmar e todos irem para seus aposentos e então ela poderia procurar um canto ou o sofá para dormir. E chorar baixinho, se abraçar até a tristeza passar e então adormecer. Na sala, no sofa, era o melhor lugar para dormir, pois quando o sol clareava o dia, ela acordava e sumia da vista de todos.

Apesar de ter somente 5 anos, ela já havia entendido que era melhor passar despercebida do que ser maltratada.

Naquela noite, Raka chorou muito, teve medo da mãe morrer, não suportava lembrar de ver sua mamãezinha amarrada feito bicho, arrastada,. "Se ela morrer o que será de mim", pensava Raka em seus desvaneios. Os pensamentos sombrios aterrorizaram sua noite e ela demorou a adormecer. E quando dormiu, foi profundamente e perdeu o nascer do Sol. Acordou entre tapas e empurrões. Noeli estava especialmente cruel essa manhã. "Isso machuca, não faz por favor!" Implorou Raka quando sentiu suas orelhas sendo puxadas fortemente pela irmã.

Capítulo 3 Dias difíceis, passam!

Os dias que se seguiram a internação da mãe de Raka, foram dias difíceis.

Mas contar com o carinho e presença das amigas invisíveis foram fundamentais para que eles passassem rapidamente.

Naquela manhã, Laura, Kênia e Mariana estavam especialmente falantes. Elas queriam brincar de casinha de bonecas e o que as amigas queriam não era pedido, era ordem...

Raka arrumou quatro casinhas, e distribuiu as bonecas de papelão pelas casinhas, os copinhos de yogurte seriam as panelas, os palitos de picolé, as colheres, garfos e demais talheres.

Ela ainda cuidadosamente colocou pequenos pedaços de pano para serem os tapetes, afinal, não era porque as amigas não podiam serem vistas, que merecessem sentar no chão.

Apesar da animação das amigas queridas, Raka sentia-se imensamente triste. Não tinha notícias da mãe.

Não sabia quais coisas terríveis ela estaria passando.

"Raka, Raka, onde você está amiga querida?" Gritou Mariana. "Você não ouviu nenhuma palavra do que dissemos a você".

Com os olhos marejados de água Raka respondeu, "Estou muito triste meninas, faz dias que ninguém mais fala nada sobre a mamãe, e se ela morreu? Se eu nunca mais puder falar com ela, estar com ela. Também vou querer morrer."

"Esses são os dias mais tristes de minha vida. " Continuou a pequena criança a se lamentar.

"Acalma menina querida, dias difíceis também passam. E se sua mãe tivesse desencarnado seríamos as primeiras a saber e te contariamos. Acalma a alma Raka. Ainda que falte sua mãe, estaremos para sempre com você. E um dia você poderá viver dias lindos e felizes junto de nós."

"Então eu vou morrer?" Perguntou Raka cheia de esperança.

"Para com isso menina, você estará viva, vivíssima, e estaremos realmente juntas " você verá". Disse Kênia.

"Mas talvez não vá se lembrar." Mariana disse baixinho...

Raka então disse abraçando as amigas. "Eu realmente amo vocês!"

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