"Parabéns, você está grávida de seis semanas!", disse o médico, sorrindo, enquanto me entregava o resultado do exame.
Minhas mãos tremiam enquanto eu segurava o papel e olhava para as palavras que conseguia ler nele. Mas eu só tinha dormido com ele uma vez. Como pude engravidar?
O que eu deveria fazer agora?
Se eu contasse isso para Elliott, ele ficaria feliz e continuaria casado por causa do bebê?
É claro que não! O Elliott que conheço provavelmente me acusaria de tentar prendê-lo com um bebê. Ele definitivamente não mudaria de ideia sobre o divórcio.
A tristeza e a confusão me dominaram. Colocando o relatório na minha bolsa, saí do hospital.
Havia um Maybach preto brilhante estacionado do lado de fora do hospital. A janela parcialmente aberta revelava o rosto bonito e sério do homem no banco do motorista.
Como sempre, o homem chamava a atenção pela beleza dele. Algumas mulheres, fossem elas idosas ou jovens, até se encantavam por ele ao passar.
Esse homem não era ninguém menos que Elliott Crawford, o responsável pela minha gravidez. Ele era rico e bonito. Se houvesse alguém que soubesse o quanto ele era encantador, essa pessoa seria eu. Depois de tantos anos, eu já estava acostumada com essa cena. Ignorando as mulheres que piscavam para ele, entrei no banco do passageiro.
Elliott, que estava descansando com os olhos fechados, franziu a testa levemente. Sem abri-los, ele perguntou em voz baixa: "Já terminou?"
"Sim." Assenti e estendi o contrato assinado pelo diretor do hospital. "O senhor Kershaw mandou os cumprimentos dele."
Inicialmente, o plano era que eu viesse sozinha para pegar o contrato assinado, mas encontrei Elliott no caminho. Para minha surpresa, ele me deu uma carona sem que eu pedisse.
"Você será responsável por este projeto de agora em diante." Embora Elliott não fosse um homem de muitas palavras, sempre que falava, as palavras dele eram autoritárias, não deixando espaço para discussões ou sugestões. Ele deu partida no carro, sem mostrar qualquer intenção de pegar o contrato.
Assenti sem jeito e recolhi a mão.
O silêncio era minha palavra de ordem sempre que eu estava com Elliott. Foi preciso um esforço hercúleo para me acostumar com isso. Com o tempo, me tornei muito obediente ao trabalhar para ele.
Elliott não voltou para casa, mas dirigiu para o centro da cidade. Já era noite. Para onde ele estava me levando? Embora eu estivesse curiosa, não me atrevi a perguntar. Permaneci em silêncio, como sempre fazia quando ele fazia algo fora do comum.
Quando minha mente se voltou para o resultado do teste de gravidez na minha bolsa, senti um nó se formar no meu estômago. Eu não sabia como contar a ele. Lançando um olhar para ele, vi que os olhos frios dele estavam fixos na estrada.
"Elliott...", chamei, quebrando o silêncio, com as mãos suadas agarradas à bolsa. Gotas de suor surgiram na minha testa e também desceram pelas minhas costas.
"Desembucha logo!", Elliott ordenou friamente, já percebendo que eu tinha algo a dizer.
Não era surpresa que ele fosse assim, pois sempre me tratou dessa forma. Embora isso me deixasse chateada quando nos conhecemos, aos poucos fui me acostumando. Após respirar fundo, murmurei: "Estou..." As palavras que eu precisava dizer eram simples.
Apenas três. No entanto, o celular dele começou a tocar do nada, interrompendo-me e me deixando ainda mais inquieta.
"E aí, Olivia?"
Algumas pessoas eram capazes de amar apenas uma pessoa a vida inteira. Elas davam todo o amor delas a essa pessoa especial, enquanto tratavam todas as outras como lixo.
Elliott era uma dessas pessoas. A ternura dele era só para Olivia Tucker. Eu podia perceber isso só pela maneira como ele falava com ela.
Não sei o que Olivia disse a Elliott, mas de repente ele freou e disse num tom reconfortante: "Não chore, está bem? Chegarei aí em breve. Fique em casa e espere por mim."
No momento em que ele encerrou a ligação, o rosto dele ficou frio e severo, como se ele tivesse apertado um botão. Olhando para mim, ele disse: "Desça!"
Era uma ordem sem qualquer espaço para negociação.
Essa não era a primeira vez que ele me deixava na beira da estrada. Assenti, engoli todas as palavras e saí antes que ele pudesse repetir.
Meu casamento com Elliott foi um acidente e também um destino, mas não tinha nada a ver com amor. A mulher que Elliott amava era Olivia. Eu era apenas uma mulher que atrapalhava o amor deles, alguém de quem ele não via a hora de se livrar assim que tivesse a chance.
Dois anos atrás, o avô de Elliott, Lorenzo Crawford, sofreu um infarto. Enquanto estava em seu leito, ele ordenou que seu neto se casasse comigo. Apesar de Elliott não querer, ele não teve escolha. Nosso casamento foi um inferno desde o primeiro dia. Ele me tratava como se eu nem existisse. Agora que Lorenzo havia falecido, ele não via a hora de se divorciar de mim.
Já estava escuro quando voltei para casa. Essa casa grande e vazia sempre me dava calafrios. Eu não conseguia parar de pensar nela como uma das casas assombradas que apareciam nos filmes de terror. Sem apetite, talvez por causa da gravidez, tomei um banho e fui para a cama.
Quando eu estava prestes a adormecer, ouvi o som fraco de um carro estacionando no pátio.
Elliott havia voltado?
Ele não estava passando a noite com a amada Olivia dele?
Deitada e imóvel sob as cobertas, prendi a respiração, em expectativa. A porta do quarto logo se abriu e Elliott entrou, completamente encharcado. Ele foi direto para o banheiro, sem nem olhar para mim. Alguns segundos depois, ouvi o barulho da água caindo.
A essa altura, eu já estava totalmente desperta. Levantei-me e vesti uma camisa de dormir sobre a camisola de seda. Depois, peguei o pijama de Elliott e o coloquei sobre a cômoda ao lado da porta do banheiro antes de ir para a varanda.
Era a estação das chuvas. Começou com uma garoa, mas agora, já se ouvia o som das fortes gotas de chuva batendo nas janelas fechadas e nas paredes. Observei uma árvore balançar, como se dançasse.
De repente, ouvi um barulho atrás de mim. Virei-me e vi Elliott saindo do banheiro com uma toalha de banho enrolada na cintura. Gotículas de água pingavam de seu cabelo e escorriam pelo corpo, deixando seu peitoral firme e o abdômen definido reluzentes. Ele parecia um deus grego, e eu não conseguia desviar os olhos.
Quando Elliott notou que eu o encarava, olhou para mim com o cenho franzido. "Venha aqui." Seu tom era impassível.
Aproximei-me dele, obediente. Ele jogou uma toalha pequena em minha direção e ordenou em voz baixa: "Seque meu cabelo."
Havia um secador no banheiro, mas Elliott odiava usá-lo. Ele sempre me pedia para secar seu cabelo, e eu já estava acostumada. Ele se sentou na cama. Sem hesitar, subi, ajoelhei-me atrás dele e comecei a secar seu cabelo com a toalha.
"O funeral do seu avô é amanhã, teremos que ir para a antiga mansão mais cedo." Não era minha intenção puxar conversa. No entanto, como Elliott só pensava em Olivia, temi que ele se esquecesse do funeral se eu não o lembrasse.
"Certo." Ele assentiu e mergulhou em silêncio outra vez.
Entendendo o recado, não disse mais uma palavra. Apenas fiz o que me foi pedido e me deitei, pronta para dormir.
Ultimamente, eu andava com muito sono. Bocejei e me enrolei no meu lado da cama. Elliott costumava ficar em seu escritório até a meia-noite depois do banho. Contudo, por algum motivo, desta vez ele apenas vestiu o pijama e se deitou ao meu lado.
Enquanto eu tentava entender o que estava acontecendo, ele me puxou para seus braços e me beijou com força.
Sem fôlego, eu o encarei, confusa. "Elliott, eu..."
"O quê? Não quer?", ele perguntou, seus olhos se tornando gélidos e selvagens.
Desviei o olhar, desconfortável. Embora não quisesse transar com ele, eu não tinha o direito de dizer não.
"Pode ser um pouco mais gentil?" O feto tinha apenas seis semanas. Se Elliott fosse tão bruto quanto da última vez, o bebê poderia se machucar.
Elliott franziu a testa e não disse nada.
A chuva ficava mais forte a cada segundo. Trovões retumbavam ocasionalmente, acompanhados por relâmpagos que iluminavam o quarto. Os gemidos e o som de pele contra pele só pararam muito tempo depois. Minha cabeça estava um nó. Antes que eu recobrasse os sentidos, Elliott se levantou e foi para o banheiro como se nada tivesse acontecido.
Minha barriga e minhas partes íntimas doíam tanto que um suor frio brotou em minha pele. Estendi a mão para a gaveta do criado-mudo para pegar alguns analgésicos, mas, ao me lembrar do bebê, desisti de tomá-los.
De repente, um zumbido cortou o silêncio do quarto. O celular de Elliott estava vibrando na mesa de cabeceira. Olhei para o relógio na parede e vi que já passava das onze da noite.
Ninguém ligaria para Elliott a uma hora dessas, a não ser Olivia.
O barulho da água no banheiro cessou. Vestindo um roupão, Elliott secou as mãos e atendeu o celular. Tentei ouvir o que a pessoa do outro lado da linha dizia, mas não consegui entender uma palavra.
"Pare de agir como criança, Olivia", disse Elliott, franzindo levemente a testa.
No segundo seguinte, ele suspirou fundo e desligou. Vestiu uma roupa qualquer, preparando-se para sair, como já fizera tantas vezes. Normalmente, eu fazia vista grossa para suas saídas noturnas, mas algo me impeliu a segurar sua mão e implorar: "Não vá. Por favor, você não pode só ficar aqui esta noite?"
Elliott me olhou como se eu tivesse duas cabeças. Um instante depois, uma sombra de frieza e desagrado surgiu em seu belo rosto. "Ficou carente só porque fodemos?"
Suas palavras foram frias e irônicas.
A pergunta me pegou de surpresa, mas não pude evitar uma risada amarga. Que ousadia a dele presumir isso. Olhei para ele, com o rosto inexpressivo, e disse: "O funeral do seu avô é amanhã. Lembre-se que temos que sair cedo. Mesmo que sinta tanto a falta dela, você sabe qual é a coisa certa a fazer."
"Isso é uma ameaça?" Os olhos de Elliott se estreitaram. De repente, ele agarrou meu queixo e me encarou nos olhos. Então, disse com uma voz gélida: "Gianna Happer, você ficou mais ousada."
Mesmo sabendo que Elliott era um homem teimoso, eu tinha que tentar. De repente, uma ideia me ocorreu. Encarando-o, eu disse: "Aceito o divórcio, mas com uma condição. Você terá que ficar aqui esta noite e me acompanhar ao funeral amanhã. Assinarei os documentos do divórcio logo depois do funeral."
Um sorriso zombeteiro brilhou nos olhos escuros de Elliott, que os semicerrou e disse: "Então me satisfaça."
Ele soltou meu queixo e sussurrou no meu ouvido: "Gianna, se você quer algo, terá que conquistar."
A voz nítida dele estava repleta de desejo e malícia. Era óbvio o que ele estava pedindo. Sem hesitar, abracei-o e ergui a cabeça para encará-lo. Ele era bem mais alto do que eu, e eu sabia que era patético da minha parte recorrer a esse artifício apenas para fazer o homem que eu amava ficar comigo.
No momento em que eu estava prestes a passar minha mão por baixo da camisa dele, ele me interrompeu. Ao olhar para cima, fiquei surpresa com o desejo ardente no olhar dele. Nesse momento, ele disse: "Chega."
Sem saber o que ele queria dizer com isso, eu o encarei perplexa. Ele tirou a roupa e vestiu o pijama cinza dele.
Levei vários segundos para entender o que ele estava fazendo. Quando percebi que ele ia ficar, abri um sorriso de orelha a orelha, mas minha felicidade não durou muito. De repente, a voz de uma mulher veio do lado de fora da janela. "Elliott..."
Pela enésima vez nos últimos minutos, fiquei atônita. Ao ouvi-la, Elliott foi para a varanda e olhou para baixo. Em um piscar de olhos, ele voltou, pegou o casaco e saiu do quarto sem nem olhar para mim.
Curiosa, fui até a varanda e vi Olivia parada na chuva, com um vestido fino. Ela tremia, o que a fazia parecer tão frágil e digna de pena.
Logo em seguida, Elliott apareceu e colocou o casaco dele sobre os ombros dela. Quando ele estava prestes a repreendê-la, ela o abraçou e começou a soluçar como uma criancinha. Nesse momento, ele começou a afagar as costas dela carinhosamente.
Aquela cena me mostrou mais uma vez que eu não estava à altura de Olivia. Mesmo estando casada com Elliott há dois anos, essa mulher ainda o tinha nas mãos.
Elliott pegou Olivia no colo e a levou para dentro. Parada no topo da escada, encarei os dois amantes encharcados, bloqueando o caminho.
"Saia da minha frente!", bradou Elliott, com um olhar de repulsa.
Será que eu estava triste por ele estar trazendo outra mulher para casa sem se importar nem um pouco comigo? Talvez...
Aquela cena feria mais a minha vista do que o meu coração. Afinal, qual mulher ficaria feliz em ver o próprio marido, tão indiferente a ela, tratar a amante dele como se fosse uma rainha?
"Elliott, sei que você não tem respeito algum por mim, mas já não respeita nem o seu avô? Lembre-se de que você prometeu a ele que nunca a traria aqui enquanto eu morasse sob este teto."
Era um insulto que Elliott quisesse trazer Olivia para dentro do meu lar conjugal. Este era o único lugar onde eu não precisava competir com ela. Eu o deixei ficar com ela por incontáveis noites. Como ela teve a audácia de aparecer aqui e fazê-lo quebrar a promessa?
"Hum!", zombou Elliott. Ele me empurrou para o lado e disse: "Você se acha demais, Gianna!"
Suas palavras foram como mil facas cravadas no meu frágil coração. Fiquei parada lá, vendo Elliott levar Olivia para o quarto de hóspedes.
Pelo jeito, essa noite estava amaldiçoada.
Olivia sempre foi doentia. Como ela havia se encharcado na chuva, não demorou muito para que pegasse um resfriado e tivesse febre alta. Elliott estava morrendo de preocupação. Entrei de fininho no quarto de hóspedes e fiquei observando. Ele trocou a roupa de Olivia e secou o cabelo dela.
Ele provavelmente estava desconfortável ou com nojo da minha presença. Depois de aconchegar sua amante na cama, ele me lançou um olhar gélido e disse: "Pode ir para a antiga mansão da minha família e passar a noite lá. Olivia está com febre, e a noite já vai alta. Não posso mandá-la para casa."
Que cara de pau! Ele sabia que a noite já ia alta, mas estava me mandando para a antiga mansão. Será que ele me odiava tanto assim? Ha... ha... ha...
A culpa era toda minha. Eu não deveria nem ter vindo aqui.
Fiquei olhando para as costas dele por um tempo indeterminado, pensando em como lembrá-lo de que a antiga mansão era longe e que era perigoso para uma mulher estar na rua sozinha àquela hora.
Ele parecia ter se esquecido da minha presença; acariciava as bochechas coradas de Olivia, olhando para ela com preocupação e amor.
Era evidente que minha segurança não importava para ele. Apesar disso, consegui dizer calmamente: "Vou ficar no meu quarto. Não posso ir para a antiga mansão agora."
Eu jamais me colocaria em perigo só porque ele queria um tempo a sós para cuidar de Olivia.
Amaldiçoei os dois mentalmente e saí do quarto de hóspedes. No corredor, vi Colton Blake se aproximando apressadamente. Ele usava um pijama preto e um par de chinelos. Parecia que tinha acabado de acordar e viera o mais rápido possível.