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O preço da inocência

O preço da inocência

Autor:: Paola Costell
Gênero: Romance
Alícia, uma jovem de periferia, cinderela moderna, tem um grande amor, mas ele é um criminoso de colarinho branco, e Alícia se recusa a ser "mulher de bandido". Sua inocência é negociada por sua mãe, para um CEO com quase o triplo de sua idade, e em um acesso de rebeldia, ela vende antes, mas aceita se casar com o velho babão. Depois que entrega o prêmio, se rende ao seu amor e em uma reviravolta, conhece o noivo. Um coroa elegante, sedutor e educado, que jura de pés juntos que não a comprou. E agora? O coração (e o corpo) de Alícia fica dividido, mas quando ela descobre o motivo para essa negociação absurda, entende que o preço de sua inocência é muito alto, e tem que se virar para salvar a própria vida e a de sua família. E nesse meio tempo, se descobre entre o sonho da casa com cerquinha branca e o turbilhão de uma "pegada mais forte"...

Capítulo 1 Prólogo

Meu nome é Alícia, tenho dezoito anos e sou moradora da periferia de São Paulo. Preta, pobre e favelada, me esforcei muito a vida toda para não virar estatística: me envolver com tráfico de drogas, gravidez na adolescência ou virar mulher de bandido.

Meu pai Pedro é segurança patrimonial, a vida toda eu o vi sair pra trabalhar de uniforme, armado, em escala 12x36. Ele é negro último tom, é nordestino bronco, serviu o exército e não gosta de coisa errada. Criou minhas duas irmãs e eu para andarmos sempre na linha, estudar e não dar confiança pra bandido.

Minha mãe Noêmia é costureira, linda e vaidosa, quinze anos mais nova que meu pai, é uma safada. Pobre metida a rica, nunca respeitou o casamento e a palavra fidelidade não existe em seu vocabulário.

Me rejeitou a vida toda, e eu não sei porquê. Me tornou a gata borralheira de casa, vivi toda a minha infância e adolescência um conto de fadas às avessas.

E estudei, estudei muito, e evitei os sentimentos que brotavam em mim pelo meu melhor amigo, Fernando. Ele era um príncipe, lindo, educado, gentil, mas era um criminoso de colarinho branco, e eu me decidi por não ser mulher de bandido e não queria desviar do meu caminho!

E isso me custou tudo! Minha inocência em recusar a ajuda de Fernando, por ser dinheiro sujo, em acreditar que minha mãe iria me deixar sair de casa, estudando, plena e absoluta, me custaram tudo no momento em que minha mãe me vendeu para um homem 30 anos mais velho do que eu, com quem ela já tinha dormido e só quando tudo estava perdido pra mim, me entreguei a esse amor que não poderia dar sequência.

E quando conheci o noivo, fiquei dividida entre o CEO maduro e o bandido educado. Vivi uma vida inteira em 1 ano, e não foi do jeito mais agradável...

ESFORÇO

1994

Eu olhava pela janela do ônibus sem prestar mesmo atenção no que via. Sabia que era uma grande distância de onde eu morava até o centro da cidade, e pior ainda de onde estava voltando, no extremo oeste da capital de São Paulo. Eu moro no extremo leste e estava voltando da cidade universitária, e mesmo com a distância e dificuldade, me sentia com uma enorme sensação de dever cumprido, mesmo muito cansada.

Fui prestar o vestibular na USP, por insistência de minha professora de matemática, que me inscreveu e pagou a taxa de inscrição como um presente, dizendo que confiava no meu potencial. Eu não acreditava tanto assim, por isso nunca pensou em dispôr do valor da taxa. Tinha uma vida muito pobre, estava desempregada e meus pais jamais tirariam das despesas da casa, um valor relativamente alto para pagar a inscrição de uma universidade federal, onde eu disputaria 80 vagas para o segundo curso mais concorrido da USP.

Minha mãe Noêmia era costureira, jovem, linda, muito vaidosa. Sempre andava bem arrumada, ela mesma fazia as próprias unhas nos domingos que não fazia horas extras. Meu pai Pedro era segurança, nordestino bronco, ignorante por natureza, tinha muito ciúme de minha, que era 15 anos mais jovem que ele.

Eu tenho mais duas irmãs e um irmão. Matheo foi dado pra madrinha rica que foi viver na França com o marido quando era ainda um bebê. Ele é gêmeo de Mayara e os dois têm 20 anos. Vimos algumas fotos antigas dele, mas nunca tivemos contato. Eles são os brancos dos irmãos, e embora gêmeos, não se parecem muito. Talvez porque Matheo foi criado com dinheiro, saudável e Mayara, na dificuldade dos assalariados.

Eu sou a do meio. Em tudo! Com 17 anos, sou uma morena cor de papelão, e a que mais evidencia a mistura do pai negrø e mãe loira. Apesar da cor, sou a que mais me pareço com meu pai. Chega a ser gritante a semelhança. E depois vem Paola, uma negrinhå de 14 anos, bem típica brasileira. Um arraso, corpo escultural, cabelos extremamente cacheados, lábios carnudos. Tão linda que chega dar vontade de bater! E tão meiga e carinhosa que dá vontade de morder.

Como toda filha do meio, tenho a síndrome da filha rejeitada. Com Matheo longe, Mayara a preferida da minha mãe e Paola a preferida do meu pai, não sobrou nada para mim. Como sempre me achei sem graça, feinha até e não tinha ninguém pra dar toda a atenção que minhas irmãs recebiam, me dediquei a estudar. Sempre fui uma nerd de óculos, que ninguém nunca notava e as visitas dos meus pais sempre achavam que eu era a empregada da casa.

Por que eu sempre tinha que fazer todo o serviço, pois Mayara era a anfitriã junto com minha mãe e Paola era a pequena. E quanto mais decepcionada ficava com a forma de a minha mãe me tratar, mais eu estudava.

Tinha traçado um futuro pra mim. Não sou como essas adolescentes emocionadas, que só pensam em homens, em balada ou beijar na boca. Tenho pavor de drogas, homem tocando em mim, em lugares inapropriados ou coisas desse tipo. Queria estudar, sair da casa dos meus pais quando fizer 18 anos, ter meu canto, trabalhar e me manter. Conseguir entrar em alguma universidade pública. Mas aí as dificuldades vieram desde logo. Mesmo quando eu trabalhava, minha mãe pegava metade do meu salário pra ajudar nas despesas da casa. Também usava meu vale refeição pra fazer compras, só que quando eu chegava da escola, nunca tinha janta pra mim. Então eu tinha que almoçar com a metade dos tickets que recebia e não podia tomar café na rua, nem comer na escola. Meu salário de estagiária não era muito, tinha que comprar a cota de passagens para condução pra escola, livros...

Definitivamente não dava.

Aí minha mãe disse que eu não podia mais trabalhar, porque ganhava pouco e não estava passando fome, que era mais vantagem pra ela que eu ficasse em casa, cuidando de Paola, lavando e passando, e fazendo a comida das marmitas do meu pai, a dela e a de Mayara.

Em troca, ela com muito custo me deixou continuar estudando na Etec e comprava a cota de passagens. Mas livros, tinha que ir à biblioteca fazer os trabalhos e copiar porque ela não pagava xerox, e se isso não atrapalhasse meu serviço de casa.

Quando eu argumentava que precisava estudar e estava sobrecarregada, minha mãe mandava eu parar de ser besta, que no máximo eu ia conseguir lavar o banheiro de algum riquinho.

Noêmia dava pouca importância aos meus estudos, porque na verdade, ela queria que Mayara tivesse sido agraciada com um cérebro privilegiado. Mas a distribuição de dons não saíram como minha mãe gostaria, e Mayara era linda, mas faltava inteligência! E minha mãe entendia como desperdício, tanta inteligência em uma menina feia.

Desci do ônibus e comecei a caminhada para casa, pensando que desde os 10 anos sabia que minha mãe não gostava de mim. Não era uma sensação, nem uma impressão. Minha mãe falou com a própria boca, cara a cara comigo.

Na época, eu achei libertador, pois finalmente pude ter certeza do porquê a mãe minha mãe me tratava tão mal. Depois disso, comecei a tentar entender o porquê de ela não gostar de mim.

Sempre fui uma boa filha, fazia todas as tarefas da casa, cozinhava pra família toda, era estudiosa, não dava problemas com namorados nem com encrencas. Nunca questionava porque ganhava menos do que minhas irmãs, não era rebelde. E mesmo assim, minha mãe não me suportava de forma nenhuma.

Capítulo 2 Rejeitada

Quando tinha 14 anos, minha mãe aceitou pagar a taxa do vestibulinho pra Etec, porque se sentiu culpada ao extremo por um rompante.

Ela estava tentando tirar habilitação, e no dia do exame prático, chegou em casa mais cedo, na parte da manhã.

Paola estava na escola e Mayara e meu pai no trabalho. Eu estava esfregando as calças jeans no tanque. A gente tinha máquina de lavar, mas minha mãe não permitia eu usar a máquina para lavar, apenas para enxaguar e torcer. Ela dizia que não lavava direito e gastava muita energia.

Então, eu tinha que esfregar as roupas de todos a mão. As piores peças eram as calças jeans, que além de mais pesadas, eram em grande quantidade: três adolescentes em casa, todos saiam todos os dias de casa para escola ou trabalho, realmente bastante coisa pra esfregar.

Minha mãe chegou e veio direto pra lavanderia, sem nem tirar a bolsa do ombro, ficou de frente para mim, que olhei para ela assustada:

- Mãe, porque está em casa tão cedo? Aconteceu alguma coisa?

- Aconteceu sim. Eu não passei na prova de direção.

E sem quê nem porquê, estalou a palma no meu rosto. As lágrimas vieram aos meus olhos, mas não chorei. Minha mãe odiava demonstrações de fraqueza em mim. Eu nunca podia chorar por nada. Então perguntei pra ela, com os olhos vermelhos tentando controlar as lágrimas:

- Porque você me bateu?

- Não passei no exame porque estava nervosa. Saí de casa nervosa porque não achei a bermuda que eu queria usar. E sabe porque não achei? Porque você é uma incompetente, inútil, que não guarda as coisas no lugar certo. Então eu me atrasei procurando e fiquei mais nervosa ainda, porque nem podia te acordar pra procurar e acabar me atrasando ainda mais. E acabei reprovando na prova de direção. Por sua culpa, porque tudo o que me acontece de ruim é sua culpa, porque você é um inferno em minha vida!

Minha mãe deu as costas pra mim, mas antes de sair da lavanderia, parou e nem se deu ao trabalho de virar pra me olhar:

- E vai fazer meu prato que eu tô com fome.

Toda molhada de esfregar calça jeans, parei tudo no meio pra esquentar a comida pra ela e lhe servir.

Coloquei a chave no portão, dando graças a Deus por estar em casa. Balancei a cabeça, afastando as lembranças ruins. Eu tinha passado o dia inteiro na rua. Saí muito cedo pra não perder o fechamento dos portões, e realmente era muito longe de lá até em casa de volta. Tinha comido um pacote de bolacha antes da prova, já eram quase 8 horas da noite. Queria tomar um banho, jantar e ir pra cama.

Desde o vestibulinho, tinha descoberto que sempre tinha dores de cabeça de ansiedade em fazer uma prova difícil. Não sei se porque pensava demais, se tinha medo de decepcionar ou outro motivo, mas minha cabeça começava a doer absurdamente quando ia preencher o gabarito e só parava depois que eu dormia. Então estava ansiosa por esse momento, mas me decepcionei consideravelmente quando entrei e vi a pia cheia de louças, pratos sobre a mesa e panelas vazias sobre o fogão. "Pelo menos esvaziaram as panelas e colocaram a comida na geladeira", pensei

Percebi que estava sozinha em casa, quando vi o bilhete pregado na geladeira, quando fui ver o que tinha pra comer.

"Saímos para comer pizza, não tinha a menor condição de fazer janta com essa bagunça na cozinha. Espero que você não tenha intenção de ir dormir deixando essa cozinha nesse estado que eu te arrebento. Bateu pernas o dia inteiro, agora faça suas obrigações"

Novamente, meus olhos encheram d'água. Dessa vez, eu deixei rolar, não tinha ninguém pra ver minha fraqueza em casa. Fui para o quarto que dividia com minhas irmãs, peguei roupas e fui tomar banho. Prendi o cabelo em um rabø de cavalo, limpei a cozinha inteira enquanto chorava, tentando ser o mais rápida possível. Estranhamente, a fome passou e o que sentia era um bolo em minha garganta.

Quando terminei a cozinha, deixando impecável, pensei com alívio que dali a três meses, eu ia completar 18 anos e poderia colocar fim naquele sofrimento! Eu tinha que arrumar uma forma de sair da casa da minha mãe, passando ou não no vestibular. Se eu tiver passado, era mais importante ainda sair de lá, para que ela não fizesse o mesmo de quando comecei a ETEC.

Passar no vestibular era uma honra, e isso era comemorado pelos veteranos. Quando passava em uma instituição pública para colégio técnico, não era diferente. Chamam de vestibulinho, pois seria curso técnico junto com ensino médio. Não era fácil passar e menos ainda agregar todas as matérias técnicas junto com a grade curricular regular.

E os bichos e bichetes, eram batizados em uma cerimônia similar à da faculdade. Pintavam nossos rostos, escreviam "bichete" na testa, espirravam desodorante barato, creme de barbear no cabelo, essas coisas. Ser pego no trote da Etec ou universidade, era motivo de orgulho.

E eu voltei pra casa toda pintada, com a testa bichete, fedendo desodorante vagabundo, os riscos verde e amarelo na bochecha, e nada disso chamava mais atenção do que o enorme sorriso estampado em meu rosto. Todos que entravam no ônibus e olhavam pra mim, sorriam junto e me parabenizavam.

E quando cheguei em casa, minha mãe ficou doida, disse que bicho eram os alunos daquela escola e eu não iria mais me prestar aquilo. No outro dia, me levou na escola antiga para rematrícular.

Por sorte, as meninas da secretaria que me conheciam pela dedicação aos estudos, convenceram minha mãe que o trote era um ritual pra encher um pai de orgulho.

Quando terminei de limpar a cozinha, sequei o banheiro com desinfetante nas peças e paredes, escovou os dentes e fui deitar, antes que meus pais chegassem com minhas irmãs. Queria evitar todo mundo. E mais ainda, que minha mãe percebesse que eu andei chorando.

Consegui evitar todos por aquela semana. Como era semana de provas finais, todos estavam concentrados em estudar e meus pais me deixaram em paz...

Capítulo 3 O absurdo

Toda adolescente tem uma melhor amiga, eu sou tão diferente, que tenho um melhor amigo. Eu não gosto das meninas!

Fernando seria o cara perfeito para namorar: é loiro, olhos verdes, dentes perfeitos, alto, atlético, tem covinhas na bochecha. Educado, gentil, uma pessoa muito agradável.

Se não se envolvesse com o crime, eu até tentaria. Mas eu sempre penso: era só o que me faltava, depois de tudo que passo com minha mãe, virar mulher de bandido!

Alguns dias depois que fiz a prova, Fernando foi checar a lista dos aprovados pra mim. Quando ele chegou, eu estava colocando a mesa para almoço, Paola o recebeu.

Ele entrou com uma cara muito séria, e meu coração parou uma batida. Como seria no ano seguinte? Eu tinha que sair de casa, trabalhar, me manter. Como pagaria a taxa pra tentar de novo? Valeria a pena?

Fernando pegou na mão do meu pai e deu um beijo na testa da minha mãe.

- Tia, trouxe uma notícia não muito boa.

-Pode falar, Fernando. O que aconteceu?

- A senhora vai ter que colocar essas duas folgadas pra cuidar da casa ano que vem, pois em fevereiro, começa a formar uma odontóloga pela USP, porque a Alícia passou em sexto lugar no vestibular!

Segurei meu coração, depois pulei no colo de Fernando, rindo. Minhas irmãs pularam junto e começaram a gritar de felicidade, depois Paola saiu gritando em direção a rua, que eu ia me formar na USP.

Mas minha mãe mandou parar de escândalo, que não tinha motivos para aquilo. Eu estava abraçada com meu pai, que também parecia muito feliz com a notícia. Só minha mãe estava azeda! Me soltei do meu pai e virei pra ela:

- A senhora não pode ficar feliz por mim? Quantas pessoas você conhece que foram aprovadas na USP? Lá só entra bacana, é muito difícil um pobre conseguir!

- Parabéns, você é muito inteligente, não precisava de uma prova pra gente saber disso. Mas não é esperta. Você passou, mas não vai cursar. Sacrifício de tolo ir fazer a prova e ficar nessa ansiedade esses dias todos.

- Porque não vou cursar, mãe?

- Porque você prestou para odontologia, ao invés de escolher um curso mais fácil e acessível. Pra você cursar, precisa tomar duas conduções todos os dias, ids e volta, e quem vai bancar essa farra? E a carga horária não são 4 horas como na escola. Vai ter que sair cedo e voltar tarde. Quem vai fazer suas tarefas na casa? E pior, você não vai pagar mensalidades e matrícula, mas vai ter que comprar todos os livros porque a faculdade não dá o material didático, e para odontologia em especial, tem que comprar todo o material cirúrgico para estudar. Onde vai arrumar todo esse dinheiro?

- Eu vou trabalhar, mãe. Vou me virar, mas vou cursar a universidade.

- Não, você não vai. Precisa cuidar da casa pra eu trabalhar.

- Mãe, desde muito pequena, cubro todas as suas obrigações como a senhora do lar. Lavo, passo, cozinho, limpo a casa e cuido das suas filhas, como se eu fosse a mulher da casa. Mas agora é o meu futuro, minhas escolhas, eu sou quase uma adulta e não vou me afundar lavando seu banheiro e o de ninguém, em troca de um prato de comida.

- Sai todo mundo. Mayara, serve o almoço pra sua irmã, seu pai e o Fernando. Vou conversar com Alicia.

Quando estávamos só nós duas na sala, minha mãe virou pra mim muito calma e falou:

- Você ainda é menor de idade, eu preciso te matricular como sua responsável. Se você esperar até completar a maioridade, vai perder o prazo e a vaga vai pra outra pessoa.

- Eu tenho pai, sabia?

- Sério que você acha que seu pai vai fazer algo contra a minha vontade?

- O que você quer para me matricular?

- Você vai noivar antes da matrícula, e se casar quando terminar a faculdade.

- Aceito, não sei com quem vou casar, mas aceito.

- Você pensa que sou idiotå? Depois da maioridade, você cancela o acordo. Já vai estar matriculada mesmo. Por isso, você vai selar o noivado com a primeira noite antes do casamento. E vai servir seu noivo sempre que ele quiser. Vamos almoçar. Vou deixar você pensar. Mais tarde conversamos.

Depois do almoço, Fernando me ajudou a limpar a cozinha, depois pediu pra me levar pra tomar um sorvete. Claro que minha mãe só deixou, com ele prometendo que traria pra todos.

Na sorveteria, contei tudo para ele, que tinha percebido que eu não estava bem, quase nem toquei na comida.

- E o que você pretende fazer?

- Ainda não sei, estou tendo uma ideia, mas preciso conversar com ela primeiro. Amanhã você vem de manhã me ver, pra gente conversar?

- Claro, sempre! Mas porque será que sua mãe vai te casar?

- Amanhã eu te conto. Tenho uma teoria, e foi o que me deu a ideia.

- Então me conta...

- Acho que ela vendeu minha virgindade.

- Ela não faria isso. E mais, se foi alguém com dinheiro pra comprar sua virgindade, ela empurraria para Mayara e não pra você.

- A menos que seja um cara nojento e escroto, o que não duvido, pra comprar a virgindade de alguém.

- São só teorias, Alícia. E qual é sua idéia?

- Se ela vendeu minha virgindade, vai entregar com defeito.

- Não entendi.

- O cabaço é meu. Eu tenho um sonho e vou ter que fazer sexø pra conseguir atingir. Depois, lavou tá nova. Se eu perder a matrícula, não vou nem querer mais viver, quanto mais virgem. Se tenho que fazer esse sacrifício pra conseguir a matrícula, vendo minha virgindade antes!

- Está mesmo disposta a fazer isso?

- Não vou ser refém da minha mãe pra sempre.

- Certo. Converse com ela e amanhã nos falamos.

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