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O preço do pecado

O preço do pecado

Autor:: Feng jiu
Gênero: Romance
O ar estava carregado, pesado, como se a própria noite soubesse o que aconteceria. Evangeline, com sua pureza imaculada, jamais soubera o que a esperava . Aquela noite, algo estava diferente. Ele a observou das sombras. Luciferian Conan, senhor do caos, não era de carne ou sangue. Era um reflexo do abismo, do desejo mais primitivo e insaciável. Seus olhos brilhavam com o peso da condenação, mas também com uma promessa proibida. "Para cada boa ou má ação, surge uma bênção ou uma maldição, minha jovem." "Alguém precisa pagar o que seu sangue deve." Qual segredo sombriamente gravado no sangue de Evangeline irá surgir? Poderá ela pagar tal dívida ? Descubra em O Preço do Pecado.🥀

Capítulo 1 Génesis

Querido leitor...

Entre e feche a porta. O que lhe vou contar não é uma simples história, mas um segredo enterrado nas sombras do tempo, uma história esquecida pelas eras.

No princípio, existia a paz. Mas como toda calma que persiste por muito tempo, ela foi desafiada. O equilíbrio do universo começou a se romper, e o caos se escondeu nas lacunas do ser. Um lugar que antes era tomado por encatador e sereno foi dominado e corrompido por algo que vai além do entendimento.

Evangeline ...caminhava com uma graça tranquila, seus cabelos pretos caindo em ondas suaves ao redor do rosto se estendendo até as curvaturas de seu corpo . Sua pele morena, de brilho sutil, refletia o brilho da lua, enquanto seus olhos, uma mistura de castanho e âmbar, transmitiam uma serenidade imperturbável. Ela usava um simples vestido de linho, leve e fluido, sem buscar atenção, mas sua presença era inesquecível. A beleza de Evangeline era natural, de quem ainda não soubera das sombras do mundo . Mas o destino, sem que soubesse, já se preparava para alterar sua paz.

Naquela noite , enquanto ela seguia o caminho envolto pelo silêncio em direcção a casa,uma figura turva se agoniando no chão gelado roubou sua atenção.

Evangeline , tomada pelo desespero correu em direcção a senhora esfarrapada no chão....

Senhora ? ... senhora , está tudo bem ? _ disse Evangeline sacudindo seu corpo frio .

Senhora por favor responda , senhora ??

- Sangue ... o seu... sangue_disse a senhora com breves suspiros entre as palavras.

O quê ? Sangue ? , a senhora está ferida ? Onde ? Deixe- me ver ...

- seu sangue, carrega um grande pecado, uma dívida de morte , não pode ser esquecida. Ele virá se apossar do que lhe pertence , ele virá, ele virá e o caos vai se instalar ,ele não é gentil , ele virá e nos levará com ele. _ disse a senhora com os olhos arregalados.

Ele quem ? , quem virá ? .... _ mas antes que pudesse terminar a frase a senhora desapareceu , levando com ela minha sanidade .

***

Mais tarde , enquanto voltava para mansão a qual escapuli em plena luz do dia , meus pensamentos se agitavam em minha mente turbulenta, o que diabos acabou de acontecer ? Será que é tudo fruto de minha imaginação ? Quem era aquela senhora , como alguém pode simplesmente desaparecer? , eu devo estar a enlouquecer...

LÁ ESTÁ ELA ...

Antes que eu pudesse sequer pensar no que acabara de acontecer , guardas devidamente trajados e uma senhora formalmente vestida vieram ao meu encontro .

-Senhorita Evangeline por onde andou , faz horas que ninguém sabe nada ao seu respeito _ disse a senhora se aproximando rapidamente e agarrando meus pulsos .

Não se preocupe senhora McKellen, eu estou bem , fui apenas visitar o campo de flores silvestres ao pé do riacho e acabei perdendo a noção do tempo .

-Venha , sua família já está na sala de jantar e aguardam pela Senhorita .

Antes que eu pudesse responder , me vi entrando na sala de jantar , envolta a uma mesa farta .

Enquanto me sentava à mesa, a sensação de inquietação que me envolvera desde o início da noite não diminuía. A sala de jantar, tão grandiosa com seus candelabros brilhando sob o teto alto, parecia pesar sobre mim. O som dos talheres encontrando os pratos de porcelana era o único ruído em meio àquele silêncio opressivo.

Meu pai, sempre tão firme, parecia ainda mais rígido, seu olhar fixo no prato à sua frente. Minha mãe evitava me encarar, como se minha presença fosse um incômodo. Até mesmo minha irmã, sempre tagarela e animada, parecia reduzida ao papel de um retrato: imóvel e silenciosa.

Algo não estava certo , o silêncio era constrangedor, profundo, quase tão alto que dava para ouvir o som da porta ranger enquanto entravam os serventes na grande sala .

Todos pareciam tensos ,tudo continuou igual por minutos que mais se acemelhavam a anos .

Alguma eternidade depois , o bendito jantar entava terminado .

Todos deixaram a mesa assim que meu pai a abandonou .

Não não ousei questionar, não é como se me fossem dizer.

Levantei-me e cortei o longo corredor em direcção aos meus aposentos , imediatamente uma empregada responsável pelos meus cuidados entrou no quarto e rapidamente ajudou- me a trocar os meus vestes para algo mais aconchegante.

- Mariah, você notou algo diferente hoje? - perguntei, tentando parecer casual, mas minha voz tremia levemente.

A expressão dela permaneceu neutra enquanto arrumava meu cabelo com delicadeza.

- Não que eu me lembre, jovem senhora - respondeu com um tom que soava quase ensaiado.

Ela terminou sua tarefa e recuou até a porta.

- Se for tudo, despeço-me agora.

- Espere... - chamei, hesitando. Meus pensamentos eram um turbilhão, mas as palavras certas pareciam fugir.

- Sim, jovem senhora?

Eu queria dizer o que me incomodava, compartilhar o peso do que presenciei, mas algo me deteve. Um tipo de receio, talvez um medo de que falar sobre isso pudesse torná-lo mais real.

- Não é nada, obrigada, Mariah.

Ela inclinou a cabeça em respeito e deixou o quarto, fechando a porta silenciosamente. Aquele silêncio novamente... um peso que parecia mais cruel a cada instante.

Capítulo 2 Segredos sussurrados.

A manhã chegou trazendo raios pálidos de sol que filtravam-se pelas grossas cortinas do quarto de Evangeline. Ela despertou ao som distante dos pássaros que pousavam nas copas das árvores. Após se vestir com a ajuda de Mariah e tomar o café da manhã em silêncio, seguiu para a biblioteca, como fazia todos os dias. Era sua rotina, seu pequeno refúgio longe do silêncio estranho que pairava sobre a mansão.

Enquanto caminhava pelas prateleiras empoeiradas, seus dedos deslizavam pelos lombos dos livros antigos, como se esperasse que alguma obra chamasse por ela. Então, seus olhos foram atraídos para um volume esquecido no fundo de uma estante - um diário de capa escura e textura envelhecida. A curiosidade a dominou.

Sentando-se no canto mais escondido da biblioteca, Evangeline abriu o diário com cuidado. As primeiras páginas estavam rabiscadas com letras trêmulas, como se alguém tivesse escrito em desespero. Uma entrada chamou sua atenção:

"A dívida de sangue é inevitável. Ele nos observa, nos controla, e quando chegar o momento, exigirá o que lhe pertence. Não há como fugir."

Seu coração bateu forte, mas antes que pudesse virar a página, percebeu que as mais importantes haviam sido arrancadas. Não restava nem sinal do que estava escrito ali.

Evangeline fechou o diário com força e o guardou no lugar mais profundo da biblioteca, prometendo a si mesma ignorar o que acabara de ler. Passou o dia vagando pela casa, tentando se convencer de que aquilo era apenas uma superstição antiga e sem importância.

---

À noite, durante o jantar, o silêncio familiar pairava mais uma vez. O som dos talheres ecoava pela longa mesa, e Evangeline sentia o olhar atento dos serventes observando cada movimento. A atmosfera estava ainda mais pesada do que na noite anterior. Subitamente, seus pais levantaram-se sem dizer uma palavra e saíram às pressas, deixando-a sozinha com sua irmã mais nova.

A refeição terminou em desconforto, mas Evangeline não ousou perguntar nada. Após despedir-se educadamente, começou a subir as escadas rumo ao quarto. No entanto, ao passar pelo corredor que levava ao aposento de seus pais, algo chamou sua atenção: vozes elevadas e tensas vinham do outro lado da porta.

Pressionando o ouvido contra a madeira fria, pôde ouvir a voz de sua mãe em um tom aflito:

"Ela é minha filha! Nossa filha! Você não pode permitir que isso aconteça com ela!"

A resposta do pai veio grave e hesitante:

"Eu sei... Ela é minha filha também. Mas não temos escolha. Se ela não for, ele virá e nos levará. Você sabe que não podemos escapar. Ele está em todo lugar. Ele vê tudo."

O grito da mãe cortou o ar:

"Então que vá Evangeline no lugar dela! Eu não vou permitir que minha filha seja entregue como um sacrifício. Deve haver outro jeito."

Por alguns instantes, tudo ficou em silêncio, e Evangeline recuou, temendo ser descoberta. A cada palavra ouvida, seu peito se apertava. Algo estava profundamente errado, e, no fundo, ela sabia que aquilo envolvia seu sangue, seu destino.

Ao entrar em seu quarto, ela trancou a porta e tentou se convencer de que tudo aquilo era um mal-entendido, um pesadelo prestes a acabar. Mas enquanto encarava o teto, envolta pela escuridão, sentiu a certeza crescer: algo estava por acontecer. E o que quer que fosse, não seria nada bom.

Ao trancar a porta atrás de si, Evangeline deixou-se cair na cama, encarando o teto com olhos marejados. Lá no fundo, sempre soubera que sua mãe não a amava. Sabia disso desde a infância, quando os abraços afetuosos e as palavras de consolo eram dados apenas à sua meia-irmã, enquanto Evangeline recebia o vazio do esquecimento. Ainda assim, ela havia aprendido a chamar aquela mulher de mãe, porque era a única figura materna que tinha. Sua verdadeira mãe morrera quando ela era muito jovem, deixando-a sozinha em um mundo que parecia maior e mais cruel a cada dia.

Por mais que quisesse odiá-los - tanto a mãe que a ignorava quanto o pai que parecia ceder ao destino como se fosse uma marionete -, Evangeline não conseguia. Ela era boa demais para isso, doce demais para culpar outros pelos infortúnios de sua vida.

"Talvez seja verdade," refletiu consigo mesma. "Talvez eu só esteja aqui porque preciso pagar algum preço._ disse Evangeline se curvando para deitar enquanto um sono avassalador tomava conta de si.

Capítulo 3 O pesadelo.

Tudo ao redor parecia envolto em uma penumbra sufocante. Evangeline corria pelos vastos campos que desapareciam no horizonte, suas pernas mal sustentando o peso de um desespero crescente. Atrás dela, uma figura sombria a seguia. Era alta, imponente, mas o rosto permanecia escondido, coberto pela escuridão impenetrável que parecia crescer à medida que ele se aproximava. A única coisa que Evangeline via claramente era a mão da figura, uma mão desproporcionalmente longa, com dedos tortos que pareciam prontos para alcançá-la.

Ela tentava gritar, mas nenhum som escapava de seus lábios. Cada passo parecia drená-la, como se o chão estivesse vivo, sugando suas forças. Tentando fugir, tropeçou e, ao levantar-se, percebeu que não estava mais no campo, mas entre as paredes altas de um castelo antigo, cujas pedras eram marcadas por símbolos que ela não reconhecia.

Vultos passavam correndo, rostos atormentados que murmuravam uma única palavra:

"Segredo, segredo, segredo..."

Ela quis perguntar o que era aquele segredo, mas as vozes cessaram subitamente, e tudo ficou quieto, exceto o som da respiração dela. Evangeline tentou encontrar uma saída, mas o corredor parecia se estreitar. O som de passos ecoou atrás dela, e quando virou-se, a figura sombria estava parada, agora a apenas poucos metros.

"Não há como fugir," uma voz reverberou no espaço como um trovão.

Antes que pudesse reagir, Evangeline acordou ofegante ao som de passos leves no quarto. Era Mariah.

"Senhorita, está tudo bem? Ouvi você murmurar enquanto dormia", disse a jovem com um olhar preocupado.

Evangeline piscou várias vezes, tentando se situar. Olhou ao redor do quarto e percebeu que tudo estava em ordem, mas o desconforto do sonho permanecia como uma sombra sobre ela. "Eu... foi apenas um sonho," murmurou, tentando convencer a si mesma.

Mariah acendeu o candelabro ao lado da cama e ajustou as cortinas para cobrir os fracos raios de luar que entravam pela janela. "Se precisar de algo, estou no meu quarto," disse antes de sair.

Mas Evangeline não conseguiu permanecer ali por muito tempo. Um impulso irrefreável a fez sair da cama e abrir a porta, determinada a andar pela mansão.

O corredor estava envolto em uma penumbra fantasmagórica, iluminado apenas pelas luzes tímidas das velas ao longo das paredes. Evangeline caminhava devagar, os pés descalços no assoalho frio de madeira, enquanto os murmúrios de seu sonho ainda ecoavam em sua mente.

Ela não sabia exatamente para onde ia, mas algo parecia puxá-la para a ala antiga da mansão, uma área raramente visitada desde que sua mãe biológica falecera. As portas rangiam ao mínimo toque, e os retratos nas paredes pareciam observá-la enquanto passava.

Ao chegar à porta do último cômodo, Evangeline hesitou. As mãos tremeram ao girar a maçaneta, mas, ao abrir a porta, encontrou apenas um quarto vazio, coberto de poeira e esquecido pelo tempo. Uma corrente de ar passou, fazendo-a estremecer, como se algo invisível passasse por ela.

No caminho de volta, Evangeline cruzou com sua meia-irmã no corredor principal. A jovem, parada à frente de um dos espelhos ornamentados, observava-se com o ar de alguém que sabia seu valor. Quando viu Evangeline, lançou um olhar frio e provocativo.

"Está se divertindo com seus passeios noturnos?" disse, arqueando uma sobrancelha.

Evangeline hesitou por um momento, mas tentou manter a calma. "Só estava buscando um pouco de ar fresco," respondeu, escondendo sua inquietação.

A irmã sorriu, mas não com gentileza. Era um sorriso cortante, carregado de desprezo. "Ar fresco? Aqui? Boa sorte com isso. Esta casa já está sufocada por segredos e por... outras coisas."

Antes que Evangeline pudesse perguntar o que ela queria dizer, a irmã afastou-se com passos firmes.

De volta à penumbra do corredor, Evangeline quase gritou ao ver uma silhueta parada em frente a uma das grandes janelas. Era a senhora Mckellen, a governanta, com seu perfil austero iluminado pela luz da lua.

"Senhorita," disse ela sem se virar, como se já soubesse que Evangeline estava ali. "Há noites em que os corredores escondem mais do que o silêncio."

Evangeline tentou esconder o arrepio que percorreu seu corpo. "Eu estava apenas explorando. A senhora sabe... algo sobre os segredos dessa casa?"

A governanta se virou lentamente. Seus olhos pareciam carregar anos de memórias difíceis. "Há coisas que é melhor não perguntar, menina. A verdade tem um preço, e nem todos estão dispostos a pagá-lo."

Sem dizer mais nada, a senhora Mckellen afastou-se, deixando Evangeline sozinha novamente.

Quando finalmente entrou em seu quarto, Evangeline percebeu algo estranho. As janelas que deveriam estar trancadas estavam escancaradas, e o frio da noite invadia o ambiente. Apressou-se para fechá-las, sentindo o vento gélido contra a pele.

Sentando-se na cama, ela tentou acalmar os próprios pensamentos, mas as palavras da governanta e o rosto de sua meia-irmã não paravam de martelar em sua mente.

Talvez fosse só sua imaginação. Talvez ela estivesse ficando paranoica.

Envolvendo-se no cobertor, ela decidiu que tudo aquilo não passava de coincidência. Mas, no fundo, sabia que não era verdade.

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