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O primeiro beijo do Ryke

O primeiro beijo do Ryke

Autor:: POWER READING
Gênero: Bilionários
Scarlett nunca pensou que sua vida de paz passaria por mudanças tão grandes um dia. Sua melhor amiga Megan era sua meia-irmã! Além disso, Megan e sua mãe planejaram levar tudo o que Scarlett possuía, incluindo sua riqueza, status, seu pai e até seu namorado. Megan até drogou Scarlett para um homem tirar sua virgindade. Mas por que o homem deitado ao lado de Scarlett não foi o que Megan arranjou? Ao acordar no dia seguinte, ambos dois começaram a procurar as informações sobre a identidade um do outro. Mas a verdadeira identidade daquele homem chocou Scarlett. Ele era o CEO mais rico - Ryke Mendez!

Capítulo 1 Tem um acompanhante na minha cama

Scarlett acordou com dor, com a cabeça latejando, como se tivesse sido atingida por um martelo, e gemendo, abriu os olhos. Sua mente ainda estava nebulosa, mas ela sabia que havia algo de errado, pois não reconhecia o quarto em que estava, e se perguntava o que havia acontecido na noite anterior, pois não conseguia se lembrar de nada. Na verdade, levou pelo menos cinco minutos para se lembrar do próprio nome.

Ela gemeu, enquanto tentava deitar de costas, e podia sentir o peso de todo o seu corpo, como se tivesse ganho alguns quilos a mais durante a noite. Além disso, havia uma dor entre as pernas dela, como se...

Ela soltou um grito, quando seu braço atingiu algo duro, enquanto tentava encontrar uma posição confortável. Seus dedos cutucaram uma, duas vezes, e simplesmente não conseguia entender o que era. Portanto, virou a cabeça para a esquerda e seus olhos se arregalaram, sem acreditar no que via.

Sua mente definitivamente estava pregando peças nela, pensou. O homem deitado ao seu lado, do outro lado da cama, simplesmente não podia ser real, não parecia ser. Então, ela olhou para o rosto dele, que claramente havia sido feito com o único propósito de seduzir quem quer que colocasse os olhos nele. Sua mandíbula era perfeitamente definida, assim como a parte alta de seu nariz e suas grossas sobrancelhas. A respiração dela ficou mais curta, ao notar os cílios dele. Nossa, como ela desejou que os dela fossem tão longos daquele jeito. Estavam dispostos elegantemente sobre as maçãs do rosto do homem, fazendo-o parecer ainda menos real. Hesitantemente aproximou sua mão até que seu dedo cutucou os lábios macios dele. Então, inesperadamente, os olhos do homem se abriram, e as pupilas marrons dela encontraram as cinzas dele.

Scarlett gritou alto o suficiente para acordar todo o andar, e sentou-se na cama ao mesmo tempo que ele. Percebeu com horror que não usava nada além de uma peça fina de lingerie bem reveladora, e cobriu o peito com as duas mãos.

"Q-quem é você?!" Gritou ela na cara do homem, dizendo: "O que tá fazendo nessa cama, seu... seu pervertido!"

Entretanto, ela não precisou esperar por sua resposta. De repente, as lembranças da noite passada surgiram em sua mente, pouco a pouco. Lembrava-se de estar com sua amiga Megan, havia sido ideia dela passar a noite em um quarto de hotel, tomar uns drinks e assistir a um filme juntas. Bem... Esse era o plano, mas nunca conseguiram assistir nada, porque assim que Scarlett terminou sua primeira taça de vinho, o mundo já sumia ao seu redor. Ela lembrava-se de ter se sentido tão exausta que precisou deitar-se no carpete e olhar para o teto. Então, ouviu a risada de Megan, mas já parecia uma pessoa diferente.

Ela estava entre o estado de sono e consciência, quando a garota que considerava uma amiga íntima inclinou-se sobre ela com o olhar mais odioso estampado em seu rosto.

Ela ouviu o que a amiga disse, "Você nunca vai encontrar alguém que cuide tão bem de você tanto quanto eu, Scar. Adivinha? Tenho uma surpresa: reservei o homem mais requintado de Los Angeles para passar uma noite com você, de graça. Dizem que ele pode literalmente te levar ao céu, só com o poder da aparência, então imagine como deve ser tê-lo dentro de você... Mas caso precise de um empurrãozinho, coloquei um pouco de afrodisíaco na sua bebida. Como tá se sentindo, hum?"

Scarlett não entendeu metade do que ela dizia. Tudo o que sabia era que estava se sentindo extremamente quente e precisava tirar a roupa o mais rápido possível. Então, começou a desabotoar a camisa enquanto Megan a olhava com um sorriso malicioso:

"Isso... Fique nua, vagab*nda... Quando Austin ver esses seus vídeos com outro homem, finalmente vai perceber que você não passa de uma v*diazinha..."

Scarlett queria vomitar. Essas memórias não poderiam ser reais. Megan nunca faria algo tão cruel, não com ela... Seu ombro tremia, enquanto passava a mão pelo cabelo, a cabeça latejando mais do que nunca, o que fez o homem ao lado dela franzir a testa, ficando preocupado.

"Hum... você tá bem?", perguntou ele.

Ela olhou para ele, cerrando os dentes de fúria. A amiga havia contratado aquele imb*cil noj*nto para dormir com ela, enquanto estava inconsciente. Não importava que seus olhos cinzentos fossem tão cativantes quanto um feitiço, a beleza não o tornava menos que um monstro.

Ela agarrou a primeira coisa próxima a ela, e infelizmente, era apenas um travesseiro, e o usou para acertar o homem inúmeras vezes, pontuando cada golpe com um rosnado raivoso.

"Seu. Estuprad*r. Desgraç*do! Você se aproveitou de mim! Vou te fazer apodrecer na cadeia, espera só pra ver, vou à polícia assim que terminar com você."

Scarlett engasgou quando ele agarrou o travesseiro, quando ela tentou bater nele novamente. Sem esforço, conseguiu tirá-lo dela e jogá-lo do outro lado da sala, e ela estremeceu de medo quando os olhos dele ficaram frios como aço.

Sua voz era baixa quando ele falou: "Foi tudo você ontem à noite, princesa. Deu em cima de mim, tão ansiosa pra trans*r... Eu nunca te forcei a nada, não precisava. Você não tava inconsciente enquanto tudo aconteceu, e pode ir a qualquer lugar que quiser, mas nunca vai provar que eu te estuprei, porque não foi isso que aconteceu, tá bom?"

"Seu filho de p*ta..."

Ela mordeu o lábio inferior, todo o corpo tremendo de raiva e vergonha, percebendo que o homem não estava errado. Não conseguia se lembrar do que aconteceu com ele, mas claramente não foi forçada, pois não havia sinal de resistência nela. Se fosse à polícia, só faria papel de boba.

Mas o que aconteceria então? Não havia realmente nada que pudesse fazer, após cair na cruel armadilha de sua amiga? Lágrimas quentes cobriram as bochechas dela. Pela primeira vez, notou as manchas de sangue na cama e isso a fez chorar ainda mais. Isso explicava a dor entre as pernas, pois nunca havia estado com um homem antes, e sua primeira vez foi com um noj*nto acompanhante, que tirou sua inocência e permaneceria impune, porque ela não poderia provar nada do mal que havia sido feito a ela.

O homem seguiu os olhos dela e também notou o sangue nos lençóis. Claro que ele havia sentido que ela era virgem, na noite passada, mas vê-la mal assim na frente dele suavizou seu olhar, e não sabia como reagir. Abriu a boca, mas relutou em deixar sair as palavras que estavam na ponta da língua, e finalmente, disse:

"Olhe, me desculpe, tá bom? Eu não sabia, eu... Mesmo que tenha sido você que tomou todas as iniciativas ontem à noite, ainda estou disposto a assumir minhas responsabilidades."

Scarlett soltou uma risada seca. Assumir responsabilidade? O que isso realmente significava, saindo da boca de um acompanhante?

"O que isso significa? Por acaso vai me devolver minha virgindade?"

Ele franziu a testa, e ela não lhe deu tempo de responder:

"Só cai fora daqui, agora! Ou eu juro por Deus, vou te matar com minhas próprias mãos!"

Ele não precisou ouvir duas vezes, e então pulou da cama e pegou suas roupas o mais calmamente que pôde, levando um tempo para colocá-las, apesar do olhar assassino que Scarlett lançava em sua direção. Então, tirou um cartão de visita do bolso da calça jeans e entregou a ela:

"Se mudar de ideia... pode me ligar, falo sério, princesa." Scarlett pegou o cartão de visitas e o rasgou bem na frente dele, dizendo: "Saia. Fora." Ela disse com os dentes cerrados, apontando para a porta.

O homem respirou fundo, vendo o sofrimento em seus olhos e sabendo que ela não ouviria nada do que ele tinha a dizer. Então, foi embora.

Assim que saiu do quarto do hotel, ouviu a mulher chorar como uma criança atrás de portas fechadas. Por alguma razão, isso fez seu coração doer, nunca foi de sentir qualquer tipo de emoção e ainda assim...

Ele se forçou a sair e pegou o elevador até o andar térreo, saindo do hotel com as mãos enfiadas nos bolsos da calça jeans. Ao passar pela porta de vidro de entrada, olhou diretamente para o céu azul claro e respirou fundo. Foi então quando dois homens vestidos com ternos escuros se aproximaram dele, com olhares severos estampados em seus rostos.

"Senhor." Eles disseram, cumprimentando-no em uníssono.

O homem desviou o olhar do céu e começou a andar em frente, seus dois guarda-costas o seguindo de perto.

"Aquela garota...," disse ele.

"Sim, senhor?"

"Procure todas as informações disponíveis sobre ela, imediatamente, e repasse pra mim o mais rápido possível."

"Sim, pode deixar."

Quando um carro Range Rover escuro parou ao lado deles, o homem entrou e seus guarda-costas fecharam a porta atrás dele.

Capítulo 2 Adultério

Scarlett não sabia dizer quanto tempo ela chorou no quarto do hotel, e por fim, não tinha mais lágrimas. Ela choramingou, mas suas bochechas permaneceram secas, após tê-las enxugado. O fato de não poder mais extravasar sua raiva a irritou.

Ela se levantou com as pernas bambas e esperou o sangue fluir nelas, após ficar na mesma posição por tanto tempo. Não ousava olhar para a cama bagunçada, realmente vomitaria se visse as manchas de sangue em seus lençóis novamente.

Em vez disso, ela foi até o banheiro, cambaleando como uma bêbada, segurou-se na parede para não cair e acendeu a luz, que quase a cegou, e imediatamente viu seu próprio reflexo no espelho acima da pia.

"Credo, não..."

Ela choramingou, a mão direita cobrindo a boca, enquanto olhava para o cabelo desgrenhado, os traços de rímel manchado sob os olhos e o vestido de noite transparente, que mal caía sobre os ombros magros, parecia uma qualquer.

Scarlett aproximou-se, segurando-se na pia, e virou a cabeça ligeiramente para um lado e para o outro. Seu pescoço estava cheio de mordidas de amor e elas pareciam... repugnantes.

"Não, essa não sou eu." Ela rosnou: "Isso não pode ser eu."

No entanto, era. A cada segundo que passava, ela se convencia de que, de fato, a mulher no espelho era ela, por mais vergonhoso que isso fosse, e começou a chorar novamente, ficando surpresa ao ver que ainda tinha lágrimas, afinal. Entrou no chuveiro e ligou a água, deixando-a quente o suficiente para queimar sua pele. Se ao menos pudesse arrancar tudo...

Ela ensaboou-se completamente e esfregou-se com força, mas não conseguia nem sentir a dor. O desgosto era maior do que qualquer outra coisa. Esfregou-se até sangrar, a água ficando vermelha ao se enxaguar. De alguma forma, ainda se sentia suja, então repetiu o processo várias vezes, até não conseguir mais levantar os braços. Então, enrolou-se em uma toalha e voltou para seu quarto.

Arrancou os lençóis da cama e os empilhou junto com a camisola, decidindo que iria queimar tudo mais tarde.

Scarlett escolheu a roupa que usou na noite anterior. Era um vestido curto que não parecia apropriado para usar depois do que passou, mas não tinha outra escolha. Ela o vestiu e soltou o cabelo, furiosa demais para sequer pensar em prendê-lo. Seu telefone, chaves e um pouco de dinheiro foram jogados em sua bolsa, antes de sair correndo do hotel.

Ela chamou um táxi e entrou, dando o endereço de Megan. Seus pés tremeram durante toda a viagem, não tinha ideia do que faria quando a visse, não tinha planos e nem a capacidade de pensar em um. Tudo o que sabia era que precisava entender. Por que alguém tão próximo a ela faria isso? Por que Megan, ainda por cima? Depois de tudo que passaram juntas...

Quando o táxi a deixou, ela ficou na frente do complexo de apartamentos de sua amiga por alguns minutos, antes de entrar, batendo à porta e esperando ansiosamente que alguém viesse. Estava prestes a bater novamente, quando a porta foi aberta e seus olhos confusos encontraram os da mãe de Megan.

O mais estranho nela não era o fato de estar vestindo uma camisola ao meio-dia, e sim a expressão de puro horror em seu rosto, como se ela fosse a última pessoa que queria ver, como se houvesse algo que estivesse escondendo.

"Oh, oi, Scar." Ela disse, passando a mão pelos cabelos: "O que... O que te traz aqui?"

Ela estava suando como um porco, e a jovem estreitou o olhar para ela: "Tô aqui pra ver a Megan, é claro... Ela tá aqui?"

"Ah... ah, não. Sinto muito querida, mas ela saiu muito cedo, não tá aqui. T-Talvez você possa voltar mais tarde. Ah!"

Scarlett passou pela mãe de Megan, acertando-a com força no ombro. Felizmente, conhecia a casa melhor do que ninguém, e caminhou direto pelo corredor, gritando o mais alto que podia:

"Megan! Apareça, sua p*ta de m*rda! Apareça logo, onde quer que esteja!"

A mãe da amiga logo a seguiu: "O que tá fazendo?! Já te disse, ela não tá aqui. Saia, agora!"

O objetivo dela era a porta do quarto de Megan, mas passou primeiro na frente da porta do quarto da mãe dela, que estava entreaberta e pelo canto dos olhos a jovem viu algo que a fez parar abruptamente.

"Scarlett..." A mulher disse com a voz trêmula: "Scar, vá embora, agora."

Mas era claro que ela não iria obedecer, e invadiu o quarto, imediatamente sentindo um forte cheiro de bebida e s*xo. Cobriu o nariz com a mão, enquanto olhava para o homem seminu ao lado da cama, não podendo acreditar em seus próprios olhos.

"Pai?" Ela disse, com a voz cheia de descrença.

Sem dúvidas, era seu pai naquela situação constrangedora, tão deslocado dentro do quarto de outra mulher.

"Pai?!" Ela repetiu, desta vez com mais raiva ainda.

O homem franziu a testa, endireitando as costas, e ela observou o rosto de seu pai ficar vermelho carmesim.

"Como veio parar aqui?! Por que tá dentro do quarto dessa mulher, seminu? Pai, deve haver uma explicação..."

"Não tenho absolutamente nada a dizer, Scarlett."

Era como se seu coração tivesse sido tirado do peito e jogado contra a parede, e ela abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. O que havia para dizer, afinal? Tudo que ela viu era praticamente auto-explicativo.

Seu pai apontou um dedo acusador em sua direção: "Você invade aqui desse jeito! Não tem nenhum respeito? A culpa é sua, se viu isso."

A jovem soltou uma risada seca, e então virou-se para olhar para a mãe de Megan, que estava encostada na porta, olhando para ela com olhos frios.

"Bem que eu tentei te impedir." A mulher afirmou.

Ela olhou para os dois, ainda incapaz de acreditar que a cena que se desenrolava à sua frente era realmente real. Nunca em sua vida poderia ter imaginado que seu pai teria um caso com ninguém menos que a mãe da amiga, pois viviam em mundos completamente diferentes. Ela achou bastante irônico ter lidado com seus problemas em relação a Megan e encontrado um problema com sua mãe também.

"Escuta..." A mulher disse. "Não é o que parece, Scar. Você deve ter entendido mal, não há absolutamente nada entre seu pai e eu. Nós apenas..."

"Cale a boca." Scarlett interrompeu. "Só cala a boca, se for mentir. Não há nada acontecendo entre vocês, mas o homem tá nu no seu quarto. O que mais eu preciso saber?"

"Scarlett!" Seu pai, então, gritou.

"Não. Você cala a boca também! Tô tão cansada disso. Tal mãe, tal filha, né?! Vocês duas são nojentas... estava de olho no meu pai por quanto tempo, hein? O mesmo tempo que a p*rra da Meg quis meu noivo também?!"

A jovem tremeu de raiva.

"Vocês são duas v*dias, mesmo, e espero que apodreçam no inferno!"

Nesse momento, alguém veio correndo pelo corredor. Todos os três olhos na sala convergiram para a recém-chegada, ninguém menos do que a própria Megan, que estava sem fôlego, mas seus olhos ardentes se fixaram em Scarlett.

"Primeiro de tudo, o que tá fazendo na nossa casa e por que tá chamando minha mãe de v*dia?!"

Scarlett cerrou as mãos, nunca pensou que um dia seria capaz de matar, mas, nesse caso, tudo o que queria era colocar as mãos em volta do pescoço de Megan e sufocá-la, até ver a vida dela se esvair por completo.

Capítulo 3 Tal mãe, tal filha

Ambas se desafiavam com os olhos. Então, Scarlett percebeu que sua amiga nunca havia sido sincera com ela e nem se importado, do jeito que lhe havia jurado fazer, tantas vezes antes. Agora, não conseguia esconder sua verdadeira face e era realmente bem desprezível. Tudo o que Scarlett podia ver nela era sua inveja e o mal que se escondia por trás de seus olhos.

"Você chegou na hora certa!" Ela exclamou, lançando as mãos no ar. "Talvez você possa explicar com o que acabei de me deparar? Algo me diz que você sempre soube que sua mãe estava trans*ndo com meu pai, mas nunca achou que eu merecesse saber. O que mais tá escondendo de mim, Megan?! Parece que eu não te conheço. Quer dizer, você armou pra que eu deitasse com um estranho ontem à noite, e fosse est*prada, que não te conheço mais!"

A mãe de Megan arregalou os olhos em choque, e Scarlett se perguntou qual seria a reação de seu pai, mas não se viraria para verificar por si mesma, não iria quebrar o contato visual com a amiga.

Megan apenas olhava para ela, sem dizer uma palavra.

A mãe dela a encarou: "Do que você tá falando? O que quer dizer com armar pra você? Minha filha nunca faria isso. Teve um caso de uma noite com um homem mas quer culpar a Meg por isso?... Minha filha, diga alguma coisa!"

Mas Megan estava muito quieta, seu rosto ficando vermelho carmesim, e Scarlett não a suportava mais. Logo, levantou a mão e deu um tapa no rosto dela, o mais forte que pôde. O som ecoou no ar, por alguns segundos após isso, e ela tropeçou alguns passos para trás, segurando a bochecha, com um olhar de espanto e dor.

Todos ficaram em silêncio e chocados por um tempo até que a mãe dela segurou o pulso de Scarlett e o apertou.

"Seu! Como ousa bater na minha filha, dentro da minha própria casa?!"

Ela ergueu sua mão para retribuir o tapa, mas a jovem não esperou por ele, estava cega de raiva, e o sentimento lentamente tomava conta de seu raciocínio. Sem pensar, a empurrou para trás, com todas as suas forças, coisa pela qual a mulher não esperava, o que a fez soltar um pequeno ruído, antes de cair. Todos observaram seu corpo bater dolorosamente no chão e sua cabeça, no canto de uma mesa que estava no caminho.

Megan gritou, olhando para o corpo machucado de sua mãe, gotas de sangue escorrendo do ferimento na nuca, e então correu e ajoelhou-se na frente dela, com muito medo de tocá-la.

"Mãe... Ai meu Deus... mãe?! Consegue me ouvir?! M*rda."

Scarlett piscou repetidamente, não sabia o que fazer. Então, apenas cerrou os punhos, olhando para a mulher, cujos olhos não focavam em nada em particular. De repente, seu pai a empurrou para longe, para se ajoelhar ao lado da mulher.

Cuidadosamente, ele levantou a parte superior do corpo dela e a colocou sobre suas coxas. Sua mão segurou a parte de trás de sua cabeça e ela gemeu de dor. A jovem assistia a tudo horrorizada. Era estranho para ela ver o cuidado e a atenção que seu próprio pai tinha com outra mulher estranha.

"Joyce..." Ele disse em um sussurro: "Joyce, o que aconteceu, querida?"

'Querida?' A jovem teria rido, se a situação não estivesse literalmente explodindo sua mente. A mãe de Megan olhou para ele e sorriu. Megan, por outro lado, estava de pé novamente, e apontou um dedo para a amiga:

"Você machucou minha mãe! Seu problema é comigo, por que teve que meter ela nisso? Ela poderia ter morrido, pelo amor de Deus!"

"Meg, pare." A mulher choramingou: "E-eu tô bem... Por favor, não culpe a Scar, hoje ela tá claramente fora de si..."

Mãe e filha, então, trocaram um olhar. Scarlett percebeu como parecia que elas se comunicavam silenciosamente. Então, Megan virou-se para o homem ajoelhado ao lado de sua mãe e falou palavras que fizeram a jovem entender que seu pesadelo estava apenas começando:

"Por que tá tão quieto, pai? Você viu o que ela fez, não foi? Até quando vai ficar quieto e fingir que tá tudo bem? Até quando mamãe e eu vamos ser injustiçadas e colocadas em último lugar, após a única filha que você reconhece?"

Ao ouvir isso, Scarlett riu, e todos os olhos voltaram-se para ela, parecia louca e agora, Megan estava realmente apavorada com ela. Em seguida, ela deu um passo para trás, quando a jovem apontou seu olhar assassino para ela.

"Acabei mesmo de ouvir você dizer 'pai'?"

Apesar do medo que sentia, Megan manteve a cabeça erguida.

"Você me ouviu muito bem." Ela confirmou acenando finalmente.

Ela então se virou para o homem que ainda estava ajoelhado no chão, embora a mulher tivesse se recuperado o suficiente para sentar sozinha, segurando sua cabeça.

"Pai, tô cansada de ser uma filha ilegítima, tá bom? Agora é sua chance de dizer a verdade, pra que todos possamos ficar em paz. Não dá mais pra fugir disso."

O homem ficou de pé, e suas duas filhas olhavam para ele. Sabia que era verdade, não podia mais fugir. Ao falar, fez questão de não olhar diretamente para Scarlett.

"Ouça, querida... é verdade. De fato, Megan é sua irmã."

Ele se atreveu a lançar um olhar para ela. O rosto da jovem estava totalmente inexpressivo. De alguma forma, isso deixou o pai dela chateado e sua voz se exaltou:

"Não me olhe assim, tá bom? Tentei esconder isso porque não queria que sofresse, mas você não me dá escolha. Veio aqui e invadiu o quarto sem ao menos... Bem, de qualquer forma, não é necessário. Você ia acabar descobrindo, de uma forma ou de outra. O problema é que já tô saindo com a Joyce há algum tempo, antes mesmo de eu me casar com sua mãe. Nós terminamos naquela época, mas eu não sabia que ela tava grávida. Conheci Megan alguns anos depois, mas não pude dizer nada a sua mãe ou você, então mantive isso em segredo. Mas tudo o que eu sempre quis, Scar, foi contar a você sobre sua irmã... Não era assim que eu queria que as coisas fossem. E você pode sentir que foi injustiçada, mas se coloque no lugar da Meg, que teve que viver como uma filha ilegítima. Você teve todos os privilégios com os quais ela só pode sonhar... não é possível que esteja mais zangada do que ela agora."

O homem deu alguns passos à frente. A jovem estava congelada como uma estátua e não conseguia falar, nem uma vez. Então, seu pai respirou fundo e sorriu sem jeito:

"Vejo que tá lidando muito bem com isso, Scar... Ótimo. Agora que já sabe a verdade, podemos começar um novo capítulo de nossas vidas juntos e nos tornar uma família..."

"Pare."

Scarlett envolveu-se a si mesma com os braços.

"O que foi?"

"Uma família, você diz? Com essas mulheres? Nunca, pai."

"Tem que parar de ser egoísta, Scarlett!"

"Estou egoísta?! É assim que se chama alguém que não quer se relacionar com uma mulher que não hesitou em fazer ela se deitar com um homem por pura inveja? Não sei, pai... Tem certeza que é mesmo meu pai? Parece mais um completo estranho agora.

"Mentiras não vão te tirar dessa situação, Scarlett. Tô te dizendo, a partir de agora, Meg e sua mãe são sua família e você vai chamá-las de irmã e mãe."

"Eu prefiro morrer, antes que essas palavras saiam da minha boca, entendeu?"

Joyce se aproximou, colocando uma mão gentil no ombro do pai da jovem, e disse com uma voz suave:

"Por favor, não a force. Se ela não quer, tudo bem. Vivemos todo esse tempo sem ela, tenho certeza que podemos continuar um pouco mais... é só lhe dar tempo."

Scarlett revirou os olhos com a demonstração de bondade da mulher. Como se ela de fato se importasse com seu bem-estar. Como seu pai podia ser cego o suficiente, para não ver o olhar malicioso no rosto dela? Como podia não saber que estavam se aproveitando dele? A jovem cerrou os dentes, era estúpida por ainda se importar com ele, depois de tudo que havia feito.

"Não importa." Ele disparou, com raiva em sua voz: "Agir como uma pirralha mimada não vai mudar o fato de que Megan é sua irmã, Scarlett, e deve aceitar isso, goste ou não. E agora que sabe de toda a história, elas devem vir morar com a gente. Não adianta ficar separados."

A jovem engasgou em choque. Os sorrisos maliciosos de Megan e sua mãe a deixaram enjoada.

"Nunca!" Ela gritou. "Aquela casa era da minha mãe, não vou permitir que você leve estranhas pra lá, pai. Vai ter que passar por cima do meu cadáver antes de fazer isso, acredite em mim."

"A casa me pertence, mocinha!"

"Sim, mas só depois que minha mãe morreu. E não vou deixar você fazer essa coisa nojenta, levar essas v*dias... Ah!"

A jovem recebeu um tapa implacável na bochecha direita, que para ela não foi doloroso, o que mais lhe doeu foi saber que seu pai gentil ousou esbofeteá-la por causa de outra pessoa.

Seus olhos se encheram de lágrimas, ao olhar para ele, acusando: "Você me bateu mesmo, por causa dessas mulheres?"

O pai não respondeu, apenas apertou sua mão trêmula e ela percebeu que ele havia se arrependido de suas ações, mas já era tarde demais. Ela correu para fora e não parou mesmo quando o homem chamou seu nome, começando a chorar assim que entrou no elevador, e seu coração doía tanto que ela temia que estivesse realmente partido.

Ela foi confrontar Megan sobre seu est*pro, mas nem conseguiu fazê-lo. Em vez disso, ela rompeu o relacionamento que tinha com o pai e se tornou uma órfã completa, havia perdido os pais.

A jovem saiu do prédio, chorando um pouco e balançando a cabeça, confusa. Achava que Megan havia arruinado sua vida em apenas algumas horas, roubando sua virgindade e seu pai, e se perguntou se esse sempre foi seu objetivo, desde o início de sua amizade. Havia se aproximado dela da primeira vez com o único propósito de arruinar sua existência?

Scarlett estava tão perdida em seus pensamentos que não percebeu o veículo escuro que de repente freou e parou não muito longe dela. O homem no banco de trás saltou rapidamente, observando a jovem esbarrar em algumas pessoas que caminhavam na direção oposta, nem se dando ao trabalho de se desculpar. Era como se estivesse presa em sua própria bolha e o mundo exterior se tornasse invisível para ela.

O homem correu atrás dela e segurou seu braço:

"Ei..."

Ela se virou e franziu a testa quando o reconheceu, era o acompanhante masculino com quem havia acordado pela manhã. Tinha uma expressão preocupada no rosto, mas ela sabia que não deveria acreditar que realmente se importava com ela.

"Não me toque." Ela soltou essas palavras, arrancando o braço de perto dele, que o apertava: "O que aconteceu?" Ele perguntou.

O rapaz estendeu a mão em sua jaqueta e tirou um lenço, mas ela se recusou a aceitá-lo.

"Me diga o que aconteceu." O homem insistiu. "Talvez eu possa te ajudar. Olhe, se é sobre hoje de manhã..."

"Sim, seu filho da p*ta! É sobre hoje de manhã e também sobre o que acabou de acontecer comigo. E sabe de uma coisa?! Não tem nada que você possa fazer por mim e, mesmo que pudesse, nunca vou aceitar qualquer tipo de ajuda vinda de um acompanhante!"

A jovem poderia ter cuspido no rosto dele, mas decidiu não fazer isso, e não notou a forma como o guarda-costas do homem olhou para ela, com as mãos apoiadas nas armas e esperando uma única ordem do chefe. Entretanto, o homem não disse nada.

"Senhor...."

"Deixe ela ir." Ele suspirou, observando a mulher se afastar: "Há tanta raiva nela..."

Ele se perguntou por que queria tanto ajudá-la. Afinal, era apenas uma mulher entre tantas outras, e já havia tentado ser gentil duas vezes, sua generosidade já era mais do que suficiente.

"Vamos pra empresa." Ele disse aos seus homens, antes de voltar para o carro, mas não conseguiu parar de pensar em Scarlett no caminho, nem um pouco sequer.

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