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O protetor da loba fugitiva

O protetor da loba fugitiva

Autor:: Jessika Bell
Gênero: Lobisomem
Continuação do livro - Renascimento da Luna Elaris está fugindo da sua alcateia, ela está sendo acusada por aqueles que são sua ''familia''. Ao correr rumo à floresta, ela encontra Davian, à sombra do Alfa Zane. Ela é protegida por ele. Ao ver a loba frágil e em perigo, Davian assusta os lobos e leva Elaris para sua cabana. ELA É A SUA DESTINADA, MAS A CONEXÃO DELES SÓ ACENDEM COM O PASSAR DOS DIAS. Elaris é acolhida por ele, morando escondida sobre a cidade onde quem governa é o Alfa Zane. Um amor proibido, duas almas predestinadas. E um destino que virá além do que imaginam.

Capítulo 1 PRÓLOGO

Prólogo

Elaris Stins

Quando eu finalmente percebi, já estava correndo há tanto tempo que as minhas pernas pareciam pedaços de madeira prestes a se partir. O ar entrava e saía em arfadas curtas, o peito doía... minhas patas mal aguentavam mais o impacto contra o chão duro e repleto de raízes. Eu estava fugindo, sem rumo, sem saber para onde ir. Só sabia que precisava continuar.

Não podia parar.

Não agora.

Os galhos me arranham, meu rosto peludo, mesmo estando em quatro patas, eu conseguia sentir o ardor. Minha loba já estava em modo automático, se movendo pela urgência de sobreviver. De tempos em tempos, eu ouvia o som deles atrás de mim: os caçadores da minha própria matilha. Não eram estranhos, não eram predadores externos.

Eram os meus.

Eles me queriam morta, e... eu nem sabia o porquê.

O que eu havia feito para merecer isso? Nada... nada.

Tudo devido a algo que eu não fiz, era lógico. Não fazia ideia do que estava acontecendo. As acusações vieram rápidas demais, e a chance de me defender nunca veio. Só ouvi sussurros sobre traição, sobre algo terrível que havia acontecido - e de alguma forma, meu nome estava no meio disso.

Por quê? Eu não sabia, não tinha a mínima ideia.

Não me deram tempo para processar no fim de tudo, e simplesmente... correram atrás de mim como se eu fosse a pior ameaça que já conheceram.

MERDA!

O medo pulsou em minhas veias como veneno, sentia tudo arder, um calor estranho sentia por todo o meu corpo, meu sangue fervia, isso me fazia correr mais rápido do que eu jamais pensei ser possível. Eu tinha que fugir, tinha que escapar. Mas para onde? As árvores à minha volta começavam a se misturar, um borrão de verde e marrom que não fazia sentido. O desespero estava ganhando e, quando eu fui notar... não havia um lugar seguro, nenhum refúgio, e cada passo parecia me levar mais fundo na escuridão.

Meu coração batia depressa, a adrenalina estava a mil, mas não podia parar, tinha que continuar, fugir para algum lugar, tinha que despistar eles.

O vento carregava o cheiro deles. Eles estavam perto. Perto demais. Era uma questão de tempo até que me alcançassem, e o meu coração disparava como um tambor em desespero, as batidas tão altas que eu mal conseguia ouvir meus próprios pensamentos.

Eu não sabia o que tinha acontecido. Não sabia por que estavam me caçando. Mas uma coisa era certa: se me pegassem, não haveria mais perguntas, apenas o fim. Não poderia parar, não iria morrer desse jeito.

Foi então que algo me chamou atenção. Uma presença. Uma sombra que se movia à minha frente, rápido, com uma agilidade quase inumana. Meu corpo gelou, mas não era mais medo. Era instinto. Aquilo não era um deles. Não era parte da matilha - pelo menos, não a minha. Seu cheiro era diferente, era menos forte do que minha alcateia, ele tinha... um cheiro bom.

Continuei correndo, mesmo que minhas pernas gritassem para parar. Mesmo que meus pulmões queimassem como se estivessem pegando fogo, e então... quando achei que não poderia mais aguentar, ele apareceu.

- Ei! - gritou uma voz forte, firme, me atravessando como um relâmpago.

Meus olhos piscaram rápido, tentando entender o que eu estava vendo. Um homem - não, um lobo, mas também homem, ele estava em sua forma de homem, mas sabia que ele era um lobo. Ele corria em minha direção, mas algo nele me dizia que ele não estava ali para me caçar, não como os outros.

Eu tropecei, as minhas pernas finalmente falharam, e caí no chão com um baque surdo. Os galhos que me arranharam antes agora pareciam punhais cravados na minha carne, mas nada disso importava. Tudo o que eu conseguia fazer era olhar enquanto ele enfrentava os caçadores que vinham atrás de mim.

"Que merda." Me encolhi, enquanto encarei eles. Era o meu fim, eu sabia disso.

O homem então se colocou entre mim e os lobos, sem hesitar. Um rosnado profundo reverberou de sua garganta, ecoando pela floresta. Os caçadores pararam, hesitaram. Eu mal podia acreditar no que estava vendo. Os lobos, aqueles que estavam prontos para me despedaçar minutos antes, estavam recuando, se dispersando como sombras.

Aquele território só podia ser desse homem, minha alcateia não podia prosseguir. Era isso.

Funguei alto e então, o homem se virou para mim. Eu levantei um pouco a minha cabeça, comecei a cheirar, ele tinha um cheiro bom... meus olhos examinaram o seu rosto, seu lindo rosto.

Percebi apenas que era alto... olhos claros... seu rosto estava sério.

Quem era ele?

Ele falou algo e não consegui entender, eu me sentia fraca... senti minha loba fraca, eu já não tinha mais forças, tudo à minha volta se tornou um borrão preto. Senti o meu corpo cair na terra fria... E tudo escureceu.

Capítulo 2 1

Davian Deane - Sombra do Zane

Meses se passaram.

Após a derrota de Cassius, tudo se normalizou.

Mas, algo dentro de mim me incomodava...

Eu não sabia o que era pior: ficar observando de longe Zane e Elena, tão felizes, como se nada no mundo pudesse tocá-los, ou estar preso na minha própria cabeça, tentando encontrar algo que me fizesse sentir... algo além de vazio, porque desde que a guerra acabou, parecia que todo mundo ao meu redor encontrou seu lugar, menos eu.

Sei quem parece ridículo, mas bom... Não é.

Enquanto penso sobre tudo isso, caminho pelo jardim do castelo do meu alfa... e, por pensar nele, sentia algo estranho dentro de mim.

O meu alfa... Zane? Ele tinha tudo.

Um filho, uma companheira incrível e o respeito de todos.

Eu, por outro lado, me sentia à sombra dele, sempre ali, presente, mas nunca brilhando. Tentava ignorar isso, tentava me concentrar em outras coisas, mas era impossível não reparar no contraste. Toda vez que eu os via, a vida deles parecia mais plena, enquanto a minha... bom, parecia meio parada.

Comecei a rir tristemente enquanto me sentei em um banco, admirando a beleza do dia, hoje estava bonito o céu...

Era engraçado pensar em como a guerra mudou tanta coisa. Antes, éramos todos focados em uma única causa: sobreviver, lutar. Agora, o mundo parecia estar seguindo em frente, enquanto eu estava preso no mesmo lugar, tentando descobrir o que fazer com o resto da minha vida.

Enquanto sai do jardim, pensativo.

Segui direito para a floresta, para a minha cabana.

Zane não precisava de mim, e eu... Queria apenas ficar um pouco no meu lar, bom... Não tinha nada melhor para fazer.

Enquanto caminhei, ainda com esses pensamentos sombrios em minha mente, eu... a vi pela primeira vez.

Eu estava vagando pelos limites da floresta, havia continuado a caminhar em vez de ir para a minha cabana, estava tão perdido em meus pensamentos, pensando em qualquer coisa que não fosse meu desconforto crescente com tudo ao meu redor.

Mas, parei no automático quando uma visão me chamou atenção. Algo correndo entre as árvores, rápido, quase uma sombra prateada cortando o ar.

Arregalei os meus olhos, tentando ver melhor.

No começo, pensei que era minha imaginação pregando peças em mim. Mas aí, vi de novo.

Era uma loba.

Ela corria como se estivesse fugindo de algo, ou talvez correndo para salvar a própria vida. Eu já tinha visto lobos em várias situações, mas aquela era diferente. Havia algo na maneira como ela se movia, como se estivesse desesperada, como se o próprio tempo estivesse contra ela. Não consegui ignorar aquilo. Sem pensar muito, comecei a segui-la.

- Ei! - gritei, mesmo sabendo que era inútil. Como se ela fosse me ouvir.

Quanto mais eu corria atrás dela, mais percebia que ela estava exausta. As suas patas tocavam o chão com uma força quase desesperada, como se cada passo fosse um esforço monumental. Eu sabia que, se ela continuasse assim, não iria aguentar por muito tempo.

Mas eu continuei, correndo em minha forma humana, focado em alcançá-la.

Senti o vento balançar meus cabelos, já estava anoitecendo, mas eu continuei.

Finalmente, consegui me aproximar o suficiente para perceber o motivo da corrida. Atrás dela, uma pequena alcateia de lobos selvagens a cercava. Aqueles lobos não eram como os que conhecíamos, os nossos. Eles estavam famintos, ferozes, predadores à solta. Meu instinto de proteção tomou conta, e eu não hesitei.

Em um movimento rápido, me coloquei entre ela e os outros lobos. Não precisei lutar por muito tempo; bastaram um olhar ameaçador, um rosnado firme e os lobos selvagens recuaram. Sabiam quando uma briga não valia a pena.

Eles se entreolhavam, rosnando baixo para mim e então, eles se afastaram, correndo, sumindo da minha visão.

Em seguida, voltei minha atenção para a loba prateada, que agora estava deitada no chão, ofegante, mas ainda me encarando com uma intensidade que me fez estremecer. Seus olhos brilhavam de um jeito diferente.

Algo naquela criatura era... único.

- Você está bem? - perguntei, mesmo sabendo que ela não podia responder com palavras, ela estava ainda em quatro patas.

Ela piscou algumas vezes, e então, algo incrível aconteceu. Lentamente, diante dos meus olhos, ela começou a se transformar. O pelo prateado se retraiu, revelando pele clara como porcelana, tão delicada que parecia que poderia quebrar com um simples toque. E então, ali estava ela: uma mulher, encantadora, que se encolhia.

Seus cabelos, longos e prateados, brilhavam como se fossem fios de prata real, e seus olhos, intensos e profundos, me observavam com uma mistura de desconfiança e gratidão.

Ela era linda.

Não, "linda" nem começava a descrever o que eu estava vendo.

Ela era mais que isso, era perfeita... E eu... não conseguia parar de olhar para ela, estava paralisado, sentia o meu coração acelerar em um ritmo que não conhecia.

Capítulo 3 2

Davian Deane - sombra do Zane

Continuei paralisado, vendo-a em sua forma humana, com aqueles cabelos prateados caindo em ondas suaves sobre os ombros, percebi que algo estava muito além do meu controle. Ela não era só uma loba comum, e eu estava prestes a descobrir isso da pior maneira possível.

Ela mal teve tempo de me olhar mais uma vez antes de desmaiar, porque ela, literalmente desabou na terra fria.

Eu me aproximei dela no mesmo instante, a pegando em meus braços.

No momento em que senti o peso dela, fiquei congelado por alguns segundos, sem saber o que fazer. Quer dizer, o que eu deveria fazer? Abandoná-la ali não era uma opção, e claramente ela estava exausta demais para sequer falar. Sem outra escolha, a única coisa que me veio à cabeça foi levá-la para a minha casa.

Dei meia volta e comecei a caminhar pelo trilho ao lado da floresta, atento, olhando para os lados enquanto caminhava.

Não foi exatamente fácil. Carregar alguém desacordado sempre é complicado, e ela, apesar de parecer leve, estava toda tensa e seus músculos estavam contraídos, como se até em sua forma humana ela mantivesse parte do instinto selvagem da loba. Mas, de alguma forma, consegui.

Segurei firmemente seus braços e pernas e prossegui, caminhando depressa.

Quando finalmente cheguei à minha cabana, abri a porta rapidamente e tranquei a porta, fui até um dos quartos, liguei a lamparina e a deitei na cama.

A cada movimento, os longos cabelos prateados dela se espalhavam pelo travesseiro, como se estivessem vivos, refletindo a pouca luz da lua que banhava o céu, que entrava pelas frestas da janela. A cobri e respirei fundo.

Olhei para a Lua e depois para a mulher deitada na cama.

Tinha algo quase etéreo nela, como se não pertencesse a este mundo. Mas ali estava, deitada no meu quarto, completamente vulnerável.

Por que ela estava correndo daquele jeito? E quem eram aqueles homens atrás dela? Eles tinham cheiro de lobos, então... poderia ser uma alcateia rival? Queriam a capturar? São tantas perguntas, estou ficando louco.

Sei que vou descobrir, em breve, depois que ela acordar.

Passei a mão sobre os cabelos, respirando fundo. Depois passei a mão pela nunca, tentando decidir o que fazer.

Levei a mão em meus fios, pensativo...

"Comida", pensei.

Ela precisaria comer quando acordasse. Então, sem perder tempo, fui até a pequena cozinha da cabana e comecei a preparar algo. Não era exatamente um chef, mas sabia o suficiente para fazer uma sopa decente. Algo leve, mas que pudesse dar a ela um pouco de força. Enquanto mexia a panela com os vegetais e um pouco de carne, meus pensamentos corriam descontrolados.

"Quem era ela? Por que estava fugindo? E por que diabos eu estava tão intrigado com isso tudo?"

Não era como se eu tivesse tempo ou energia para lidar com mais problemas, mas, por algum motivo, não conseguia simplesmente ignorá-la. Algo nela me puxava, me atraía, e quanto mais eu tentava afastar esse sentimento, mais ele crescia.

Balancei a cabeça e provei a sopa, e estava bom.

Espero que ela goste e que ela se recupere, estou curioso sobre ela... nunca vi ninguém assim antes, e isso me atormenta...

Com a sopa pronta, a deixei de lado, esperando que ela acordasse. Enquanto isso, voltei para o quarto e me sentei na cadeira ao lado da cama e a observei por um momento. Seus traços eram delicados, quase frágeis, mas havia uma força ali, escondida sob a superfície.

Como ela corria, a maneira como enfrentou o perigo... tudo indicava que ela era muito mais do que aparentava. Ela parecia apavorada... eu vi isso em seus olhos.

- Quem é você, afinal? - murmurei para mim mesmo, enquanto continuava a observá-la.

Quase como se estivesse me ouvindo, ela começou a se mexer. Primeiro, um pequeno movimento nos dedos, depois um suspiro suave escapou de seus lábios. Meu corpo inteiro ficou tenso, como se eu estivesse prestes a enfrentar algo que não entendia completamente, e talvez fosse isso mesmo.

Seus olhos lentamente se abriram, piscando contra a luz suave da tarde que agora invadia o quarto. Ela me viu primeiro, o que era natural, já que eu estava praticamente debruçado sobre ela. Seus olhos azuis, sim, como duas safiras recém-lapidadas, se fixaram nos meus, e, por um segundo, fiquei sem palavras.

Ela piscou mais algumas vezes, como se estivesse tentando entender onde estava e o que tinha acontecido. E então, quando finalmente tentou falar, sua voz... bom, foi como ouvir música pela primeira vez, não que eu fosse um grande apreciador de música, mas havia algo suave, quase melódico em cada palavra que ela dizia.

- Onde... estou? - Sua voz era rouca, provavelmente pelo esforço de correr tanto, mas mesmo assim, havia uma suavidade que me pegou desprevenido.

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