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O príncipe que eu deveria odiar

O príncipe que eu deveria odiar

Autor:: mirasan
Gênero: LGBT+
Luke é só o filho vagabundo do conde de Athea, que quer impedir o casamento de sua irmã mais velha com o príncipe Artanis. Porém, algo inesperado acontece. Ele toma o lugar dela, como noivo do príncipe. Mesmo que haja ódio nesse relacionamento, ele pode ser a única coisa que permanecerá em seu mundo em meio a tantos segredos, mentiras e descobertas. Afinal, parece que Luke não conhece todos ao seu redor como ele imaginava.

Capítulo 1 Entre cachorros e lobos

Era um dia frio no reino de Athea, as pessoas andavam apressadas, com seus vestidos longos e paletós colados ao corpo, tentando impedir a friagem de chegar em suas peles.

Em meio a toda essa agitação, todos falavam do casamento do príncipe Artanis com a filha do conde, Aretha. E era por toda essa situação que ninguém se importaria com um jovem qualquer a frente da taverna bebendo a quarta garrafa de vinho.

Luke fechou os olhos, meio tonto devido à bebida. Sua camisa branca e calças pretas estavam amarrotadas e sujas devido ao contato com o chão e pelo vinho que havia derrubado. Ninguém pensaria que alguém tão desalinhado seria o futuro cunhado do príncipe.

Ele se levantou cambaleando, decidindo se voltaria para casa ou se continuava a perambular um pouco mais por ali. Decidiu pela segunda opção. Quase ninguém se importaria mesmo.

Luke pensou que seria mais um dia como qualquer outro, onde ele chegava em casa, bêbado, sendo ignorado por todos, como se nem existisse. Exceto por sua irmã mais velha, que o acordaria com seu sorriso e olhos gentis.

"O que será de mim sem ela?" - Pensou no que faria quando Aretha estivesse longe e casada. Provavelmente seria totalmente esquecido.

O vento frio, o cortou mais uma vez, fazendo com que esfregasse os braços na tentativa de se aquecer. Talvez fosse melhor voltar para casa. Porém, algo inesperado o chamou a atenção. Ou melhor, alguém.

Um capuz escondia os cabelos loiros, quase brancos, do estranho que passou por ele. Porém, nele havia um cheiro amadeirado inconfundível. Luke havia se acostumado a sentir aquele odor toda vez que o noivo de sua irmã ia visitá-la em sua casa.

O que o príncipe estava fazendo ali no meio da noite? Estaria traindo a honra de Aretha logo antes do casamento? Se fosse mesmo ele, onde estariam seus guardas?

Bem, não era tão estranho assim, Artanis estar sozinho, afinal, o príncipe era conhecido por ser um excelente lutador e espadachim. E claro, seu maior título: alto mago de Athea. Com certeza conseguia se defender sozinho.

O jovem sabia que não deveria se meter com o príncipe, era muito poderoso comparado a alguém como ele. Porém, a vontade de proteger a irmã, que sempre fez tanto por si, venceu.

Mesmo que fosse alguém desajeitado, Luke era muito leve e magro, por isso, conseguia andar quase sem ser percebido. Apesar de estar bêbado, ele fez o possível para não deixar a tontura o dominar.

O possível príncipe estava quase desaparecendo na multidão. Luke se apressou para que não o perdesse de vista. Ele o seguiu pelas ruas, se escondendo nas vigas para não ser notado.

As pernas do conde estavam cansadas de tanto andar. Eles já haviam saído do centro e ido em direção à floresta obscura. Não era um local para civis comuns, principalmente para pessoas fracas como Luke. Mesmo assim, ele não desistiu. Por sua irmã.

Continuou seguindo o homem misterioso, até finalmente parar. O local de chegada era uma loja abandonada. Uma mulher de cabelos ruivos, olhos acinzentados e um vestido azulado, o esperava.

Luke sorriu, feliz por acertar,enquanto se escondia em meio às árvores. Então era mesmo uma amante.

O estranho abaixou o capuz e os cabelos loiros platinados foram totalmente vistos. E a voz suave e rouca que nunca perdia a calma, que o jovem já havia ouvido várias vezes elogiando sua irmã, se fez presente:

- Preparou o que pedi, Talise? -

A mulher ruiva, que não deveria passar dos 30 anos, acenou em confirmação. Logo se virou para trás para pegar algo no balcão.

- Aqui está, vossa alteza. Como foi pedido.

O príncipe se virou para examinar o objeto e Luke pôde ver seus frios olhos azuis em sua pele cor de mel, observando o pequeno frasco esverdeado.

O homem sorriu, mostrando os dentes brancos em seus lábios finos.

- Perfeitamente para se misturar em um chá de Hortelã, o preferido da condessa. Obrigado, Talise. Mais uma vez, a senhorita foi útil como sempre. -

Talise se curvou levemente e concordou:

- Só fiz meu papel para ser útil para vossa alteza.

Luke tapou a boca tentando não emitir nenhum som. Seu coração acelerou e suas mãos tremiam. Mas o que mais fazia seu corpo doer, era a vontade de atacar aquele desgraçado por querer matar sua irmã.

Aretha era perfeita, uma dama linda e gentil. Ela possui milhões de qualidades com certeza dignas para ser esposa de um príncipe, como aquele homem poderia desejar matá-la? O que sua doce irmã poderia ter feito para receber tal destino e despertar, tal desejo?

A raiva lhe tomou e o conde teve que fazer o possível para não se mover. No entanto, seus esforços pareceram ser inúteis. Pois, a voz de Artanis foi ouvida novamente:

- Silêncio. Parece que temos um cachorrinho perdido entre nós, Talise. Cuide disso para mim por um momento. - entregou o frasco a mulher e em poucos segundos, sem que Luke percebesse, os olhos gélidos o fitavam com diversão.

- O que faz aqui, cachorrinho? Está perdido? Mesmo assim, admiro que você seja um cachorro exemplar ao conseguir ver através da minha barreira.

O coração de Luke acelerou ainda mais, a raiva se misturou com medo e ele apertou os dedos sem saber o que fazer. Deveria tentar lutar contra o mago ou fugir? No fim, acabou exclamando em meio a gritos:

- O que vai fazer com minha irmã? Ela não merece isso. Ela é boa e gentil, porque quer matá-la?

Artanis sorriu sombriamente, sua boca se aproximando - se do ouvido do jovem. Luke pôde sentir sua respiração bem perto:

- Um cachorrinho leal à irmã, que a segue cegamente como se ela fosse uma santa. Porém, não sabe que ela é um lobo, assim como eu. Um lobo que finge ser domesticado para não perceberem seu lado selvagem. Tem certeza que a conhece de verdade?

Luke se afastou, com receio. Ele ficou alguns passos longe do príncipe. Mesmo assim, algo o prendia ali, ele não conseguia se mover.

- Que besteiras você está falando? Como pode sujar o nome dela com essas palavras? Minha irmã não é assim. Ela é uma verdadeira dama. E mesmo que fosse, qual o motivo de matá-la?

O sorriso de Artanis fez seu corpo se arrepiar. Ele parecia realmente um lobo olhando para um cordeirinho frágil e assustado. Luke se culpou por achar aquela expressão quente.

- Sua irmã tem algo que desejo muito. Algo que busco há anos. E eu terei, de qualquer maneira. Mas como sou um cavalheiro e sigo as regras acima de tudo... - O príncipe se aproximou novamente. - Terei que me casar para ter o que quero. Se você for um bom cachorrinho, eu posso te contar. Mas acho que já está tarde. Além disso, não há muito que um bêbado e excluído como você possa fazer. -

Artanis finalizou a frase, colocando os dedos pelos lábios de Luke até cobri-los com os seus próprios.

Luke se assustou, nunca havia sido beijado na vida. Mas sabia que no meio daquele gosto de uísque e menta havia algo muito ruim. Um beijo não deveria fazer sua visão escurecer e sua mente se desligar.

Quando o jovem desmaiou, o príncipe o pegou em seus braços.

- Aqui está alteza. - Talise lhe mostrou o frasco que em segundos desapareceu. Enviado para um lugar seguro pelo mago.

-Agradeço o serviço mais uma vez, Talise. Agora devo levar esse cachorrinho abandonado para casa.

Capítulo 2 Pacto com o diabo 

Luke pensou ter ouvido passos, ainda enquanto seus olhos estavam fechados. Mas, logo deixou tal ideia de lado, afinal, ninguém entrava em seu quarto além da sua irmã. E ela sempre o acordava com um abraço e gritos estridentes. Se fosse Aretha, ele já estaria sendo esmagado.

Porém, apesar de seu pensamento ter sido descartado. Luke voltou a sua mente, segundos depois. Afinal, a luz do sol tocou seu rosto. Logo após as cortinas terem sido abertas.

Assim, após seus olhos verdes se abrirem, Luke pôde ver uma desconhecida a sua frente. Uma jovem criada, que nunca havia visto antes, de cabelos loiros rosados, olhos azuis brilhantes, pele clara e bochechas coradas. Seu uniforme azul-marinho e branco cabia perfeitamente nela, a deixando bem fofa. Principalmente com algo que o jovem nunca havia recebido de um funcionário, um sorriso.

- Bom dia, senhor. A senhorita Aretha pediu que eu viesse acordá-lo. Prazer, sou a nova funcionária; Lily Sous. Estou aqui para servi-lo. Me chame para o que precisar.

Luke estava realmente confuso. Os eventos da noite anterior voltaram a sua mente. A primeira questão era: por que raios ele não estava morto? Segunda questão: como ele chegou em casa? E a terceira: por que a coitada da criada novata havia sido designada para ele? Ela seria desprezada.

Lily ainda o observava com um sorriso, esperando orientações.

Luke realmente estava com dó da jovem, só do fato dela estar ali com ele, já poderia ter problemas. Por isso, ele quis acabar logo com a situação.

- Bem, bom dia, primeiramente, Lily. Eu agradeço pela ajuda. Mas, não precisa disso, tudo bem? Como você é nova, não devem ter te contado... Sou alguém que não merece atenção dos criados, entende? Se você cuidar de mim, irão te isolar. Você parece uma menina gentil e não merece isso. Por favor, saia.

Lily pareceu surpresa. Nenhum lorde se importaria com a reputação de um criado dessa maneira.

- Deixe ela te ajudar, idiota. Lily é nova e disse que queria fazer amigos, então pedi que ela trabalhasse para você.

A dona da nova voz, logo estava agarrada a ele. E o apertava como se não fosse soltar nunca mais.

- Aretha, me solta... Está me sufocando. - Luke resmungou.

O riso de sua irmã mais velha preencheu a sala. Ela o soltou, ainda rindo. Hoje vestia um vestido verde de algodão que contrastava com seus olhos da mesma cor e cabelos castanhos ondulados. Ele com certeza sentiria falta dela.

- Hora do banho, dorminhoco. Lily, prepare o banho.

A criada concordou e se pôs a trabalhar enquanto Aretha continuava a tagarelar.

- Ontem o príncipe veio te trazer para casa após te encontrar bêbado. Muito gentil da parte dele, não acha?

A menção ao príncipe fez Luke se lembrar da noite anterior e sobre o beijo do mesmo. Ele ficou vermelho com a lembrança, mas estava se distraindo novamente.

- Foco, Luke. Você tem que contar a ela. - pensou apressado.

- Irmã, você quer mesmo se casar com o príncipe?

Aretha agora tinha um olhar perdido. Ela parou de provocá-lo e se sentou na cama. Pensou por alguns minutos, mordeu os lábios e apertou levemente os lençóis, como se estivesse escolhendo bem as palavras que deveria dizer.

- Bem, não. - Respondeu diretamente. - Eu queria viajar, cavalgar por aí com alguém que amasse de verdade e poder ficar com essa pessoa até os fins dos meus dias, tomando chá e conversando sobre o novo lançamento da Autora Jane Hullers. - após uma pausa longa, ela continuou. - Mas, não podemos ter o que queremos, certo?

Após ouvir aquilo, Luke tinha certeza que não podia deixar sua irmã nas mãos daquele maluco.

- Então, não se case com ele, Aretha. Por favor. Ele não é alguém do bem. Ele...

Luke hesitou, será que acreditaria nele? Mesmo sua irmã que estava ali para ele sempre. Aquilo era muito absurdo para alguém acreditar. Mesmo assim, decidiu arriscar.

- Eu ouvi algo ontem, ele quer te matar após o casamento, Aretha.

Aretha o observou, agora séria.

- Eu sei que está preocupado comigo, irmãozinho. Mas tudo vai ficar bem. Eu sei que está com ciúmes, mas não precisa viu. - ela sorriu apertando as bochechas dele.

Luke suspirou, sabia que essa seria sua resposta.

- Agora, hora do banho. Rapidamente, ela tirou as cobertas de cima dele, o fazendo correr para o banheiro de vergonha.

- Não faça isso, sua maluca. Pode ver o que não quer.

Do outro lado da porta, Aretha riu.

- Eu já te dava banho quando era pequeno, não há nada ali que eu não tenha visto. - Ela foi mais ainda por trás da porta.

- Vou te esperar para o café da manhã, não se atrase.

Luke suspirou aliviado, ao ouvir os passos se afastando.

Felizmente, ele ainda estava coberto com uma camisa branca, que logo se encontrava no chão. Em suas costas podiam ser vistas pequenas marcas de cicatrizes que estavam se curando. Porém, o que mais chamava a atenção era como Luke era magro e esguio, seus ossos quase saltados para fora do corpo.

Ele entrou na banheira e começou a se esfregar, doía, pois parecia que a pele não protegia os ossos de seu corpo. Outro motivo para não permitir que sua irmã o visse, além da vergonha.

Ela teria muitas perguntas e Luke não estava interessado em responder. Após o banho, ele colocou calças pretas e uma camisa da mesma cor. Quase desaparecendo de vista.

Quando Luke chegou à mesa de jantar, seus pais logo fecharam a cara, como se sua presença trouxesse uma praga.

O jovem conde se sentou e pegou um pouco de leite e pão. Seria o suficiente por hoje.

Aretha colocou mais alguns pedaços em seu prato e pediu para que comesse. Mas, logo o clima piorou com a voz rouca e alta do seu pai e com o cheiro de leite nos cabelos de Luke.

Os patriarcas o olhavam com intenso ódio e descaso.

- Como você ousa dar trabalho para o príncipe Artanis, seu ninguém. Você tem sorte da sua irmã estar noiva dele e do príncipe ser gentil. - Seu pai gritou, o olhando com olhos castanhos possessos de raiva, enquanto sua mãe segurava o jarro de leite vazio e seu olhar verde e mortal parecia querer o deteriorar. Um olhar mais frio e vazio que o do próprio príncipe.

Luke não respondeu. Eles não mereciam que falassem com eles.

Os criados ao redor pareciam não se importar. Luke pôde ouvir os cochichos mais tarde, de como ele era alguém abusado. Apenas Lily observava tudo em choque e com verdadeiro olhar de piedade.

Temendo chorar de tanta humilhação. Ele se levantou e foi embora.

- Luke, Luke... Volte aqui.

A voz de Aretha pôde ser ouvida de longe, mas foi ignorada com sucesso.

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No fim do dia, sua porta foi arrombada novamente por Aretha que apertou suas bochechas por tê-la deixado falando sozinha depois do incidente de manhã.

- Tenho uma surpresa. Se prepare para o baile no palácio real. Hoje será a comemoração do aniversário real da rainha e iremos nos apresentar ao piano. Quanta honra, não acha?

Realmente era uma honra de alto valor, mas, ela havia dito "nós" ?

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A noite chegou e Luke estava super nervoso. Não sabia como Aretha havia conseguido convencer seus pais a permitirem que ele tocasse um dueto no piano com ela.

Mas não importava, eles não poderiam dizer nada contra ele naquele momento, na frente de todos.

Aretha apertou sua mão, para apoiá-lo. E ele decidiu que não teria medo. Tocar as teclas era uma das poucas coisas que o confortava. A música era algo tão límpido e perfeito que o fazia sentir que podia ser mais que aquilo que ouvia no seu dia a dia.

E sem medo, suas mãos deslizaram pelas teclas assim que sua irmã começou. A harmonia foi perfeita, é como se fosse somente ele e a música. Nada mais existia ali. Só aquela sensação de familiaridade e conforto.

Quando a partitura chegou ao fim, ele pôde ouvir os aplausos. Ele e Aretha se levantaram e de mãos dadas se curvaram em agradecimento. Luke suspirou aliviado e pelo sorriso da irmã, ele não havia estragado tudo.

A própria rainha Perséfone veio agradecê-los e elogiá-los. Logo atrás dela, estava seu filho, que possuía os mesmos cabelos.

O bastardo estava usando uma roupa típica da realeza, a camisa azul escura, o colete e capa branca com detalhes dourados. Ele deu um sorriso gentil para os irmãos, fazendo Luke morder os lábios. Quem visse pensava que era santo.

Luke teria que fingir. Ele se curvou adequadamente diante de Artanis e agradeceu:

- Eu gostaria de agradecer, vossa alteza. Por me ajudar na noite anterior. Minha família é muito grata pela sua generosidade.

- Não é preciso agradecer, Willians. Que tipo de príncipe eu seria se não ajudasse alguém em necessidade?

E ambos sorriam, mas claro que em seus olhares, Luke queria matá-lo, porque afinal fora ele que o fizera desmaiar. E Artanis o ameaçava para que não falasse nada. A guerra silenciosa continuou por alguns segundos, até a rainha e o príncipe se despedirem.

Após a saída deles, Luke se distraiu com os convidados. Se contentando em ouvir as conversas e observar os espetáculos. Até que algo chamou sua atenção, o príncipe desgraçado com sua irmã indo em direção aos jardins.

E como um bom irmão, alguém que conhecia a verdadeira face do príncipe e claro, uma pessoa super curiosa; ele os seguiu.

Silenciosamente, ele ficou escondido contra as altas escrituras de arbustos no jardim do palácio. Não pôde ouvir nada, o que o fez se frustrar bastante.

Parecia apenas uma conversa casual entre noivos, eles nem se encontraram. Mas o olhar do príncipe era gentil.

"Mentiroso." - Luke pensou.

Até que finalmente, sua irmã se afasta e deixa o príncipe sozinho.

Que por surpresa de Luke, adentrou ainda mais os jardins. E claro, foi seguido. Ainda havia chance de salvar a sua irmã.

Ao entrarem cada vez mais fundo no jardim, em meio a uma espécie de labirinto de rosas, o príncipe se virou com um sorriso atrevido.

- Você gosta mesmo de me seguir, Luke Willians. Sentiu falta do beijo de ontem?

Luke se irritou e respondeu:

- Seu... Aquilo não foi um beijo, foi uma magia maligna para me apagar. E você ainda mentiu, como se fosse meu salvador ou algo assim.

O príncipe riu e o olhar malicioso apareceu. Ali estava ele, o verdadeiro príncipe Artanis de Athea.

- O que importa é que eu conversei com sua irmã. É por isso que está aqui, certo? Ela me disse que realmente não desejava se casar, mas, faria pelo bem e pela reputação da família.

Luke ficou surpreso com a sinceridade de Aretha. Mas, pelo que sabia, o príncipe não deixaria isso barato. Afinal, precisava sabe lá os deuses o porquê desse casamento.

- E com isso, eu pensei em uma solução. Que pode salvar sua querida irmã mais velha.

Luke se exaltou com a oportunidade.

- E qual é? - perguntou esperançoso.

Artanis se aproximou dele, fazendo com que Luke encostasse as costas em um arbusto.

- Case-se comigo, Luke Willians. Faça isso e sua irmã estará livre e viva para viver a vida dela como cartógrafa e pesquisadora do palácio. Para viajar para onde quiser.

- Como...?

Luke estava em choque total. O príncipe queria se casar com ele só invés de Aretha? Mas ele não tinha nada de especial. Ele deveria agradecer por ver sua irmã livre e viva... Porém, ainda estava confuso com aquilo.

- Sua irmã será livre e você se casará comigo. Assim, ela não precisará morrer e nem você.

- Mas... Se você precisava matá-la antes. Por que comigo é diferente?

O príncipe sorriu divertido.

- Porque vocês são diferentes, cachorrinho. Então, aceita minha proposta ou não?

O coração de Luke estava acelerado, ele estava cada vez mais confuso. Porém, havia a certeza do que era mais importante no momento.

- Eu aceito me casar com você, príncipe Artanis de Athea.

- Então agora somos noivos, Luke Willians

E novamente, os lábios do príncipe se chocaram com os dele, e dessa vez, Luke sentiu o sangue escorrer por entre eles. Como se um pacto tivesse sido feito.

Capítulo 3 Lágrimas e Segredos

Aviso: Esse capítulo contém abuso físico e psicológico.

A mudança no noivado foi anunciada no dia seguinte pelo príncipe Artanis. O desgraçado sorria com aquela cara de paisagem enquanto segurava a mão de Luke como se eles fossem o casal mais apaixonado do mundo.

Claro, que Luke imitou o gesto e assim, logo em seguida, foi anunciado o novo cargo de Aretha, como cartógrafa e pesquisadora real.

O rei, a rainha e o povo não se importaram com a mudança de noivo. Afinal, o que importava era a felicidade do príncipe.

No entanto, haviam duas pessoas que com certeza se importariam.

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No fim do dia, Aretha levou Luke para os jardins de casa para lhe contar algo muito importante. Isso acabou adiando o momento que ele já previa que ocorreria mais tarde.

O cheiro de rosas preencheu suas narinas quando ele se sentou no banco branco em volta delas.

Aretha usava um vestido vermelho hoje e seus cabelos estavam presos em um coque apertado. Assim, como ele que utilizava uma camisa da mesma cor.

- O que queria falar? - Luke perguntou curioso.

- Quero te contar algo. Fico feliz que possa se casar com o príncipe. Ele não é tão ruim quando pensa. - ela pegou em sua mão. - Agradeço a você por isso. Desse modo, poderei seguir minha jornada em busca de alguém que estou procurando. -

- Quem é? - Seu irmão a observou curiosamente.

Ela estava séria, olhando o horizonte, como se lembrasse de uma memória distante.

- Lembra do sonho que te contei? Então, é com essa pessoa. E ela está perdida há algum tempo. Eu preciso encontrá-la. - Aretha evitou o assunto. - Vocês seriam bons amigos.

Luke parecia surpreso. Nunca viu a irmã dizer algo com tanta convicção. Quando ela lhe contou seu sonho, pensou que ainda iria se apaixonar, não que já tivesse alguém em seu coração. Seu olhar era selvagem e focado. Isso fez o conde se lembrar de que o príncipe havia chamado a si mesmo e Aretha de lobos.

Sua irmã encostou a cabeça em seu ombro, carinhosamente e eles esperaram o sol se pôr sem dizer mais nada. Luke confiaria que ela contaria tudo quando estivesse pronta.

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Quando a irmã lhe deu boa noite e foi para seu quarto, o jovem já sabia o que o esperava no quarto naquele momento.

Os olhares de ódio o fitaram como facas afiadas cortando sua alma, assim que a porta foi fechada.

- Como você ousa estragar a vida da sua irmã?

Luke sentiu a mão de sua mãe em seu rosto que agora ardia devido à força do tapa.

- Aretha tinha a oportunidade perfeita de ser alguém importante, uma rainha. Como você ousa estragar isso? - A mulher gritou enfurecida.

- Aretha não queria isso. Ela está feliz com o fim do noivado. - ele respondeu firme.

- Além disso, eu salvei sua vida. Mas, vocês não se importam. - Luke pensou

E obviamente, seus pais não reagiram bem.

Luke foi jogado contra a cama e sua camisa retirada por seu pai. As costas à mostra e ainda levemente machucadas das outras vezes que aquilo aconteceu. Não era muito difícil segurá-lo ali. Afinal, ele era mais fraco até que sua irmã.

O jovem respirou fundo, se preparando para o que viria a seguir.

O som do chicote estalou contra o corpo dele, marcando a carne fraca até os ossos, já que não havia muita pele para protegê-los. Luke apertou as cobertas e os lábios. Eles não ouviriam os gritos dele, não era justo. Sangue saiu de sua boca, mas ele não emitiu nenhum som.

As lágrimas tentaram aparecer, porém, Luke também as conteve. Eles também não eram dignos de ver isso.

- Você acha que o príncipe vai amar esse corpo feio? Você não tem curvas, você não é bonito o suficiente, você é muito alto, não tem músculos e nem uma cintura fina o suficiente. Logo no primeiro dia, com certeza ele vai se arrepender de ter trocado a mulher perfeita por alguém inútil como você. - a voz severa de sua mãe o humilhou.

Ouvir aquilo doía, doía muito. Mas, ele não poderia demonstrar fraqueza.

- Com certeza o príncipe vai procurar outras companhias em breve. Como ele poderia se interessar por um inútil sem talento como você? O que você fez para prendê-lo nas suas, garra, sua vagabunda? - Seu pai segurou seu rosto fortemente, o obrigando a olhar em seus olhos desumanos.

- Eu não fiz nada. O príncipe foi quem propôs para mim. - Luke retrucou.

E com certeza, foi respondido com outro tapa no rosto e mais uma chicotada.

- Vamos, querido. Infelizmente não podemos ir contra os desejos do príncipe. Talvez tenhamos a chance de ele mudar de ideia antes do casamento.

Foi a última coisa que ouviu de sua mãe antes de baterem a porta atrás dele.

Luke apagou e nem percebeu quando alguém entrou. Era Lily que observou seu estado, em choque.

A empregada logo saiu correndo dali e voltou com toalhas e ataduras.

- Senhor, por favor. Me deixe ajudar... Ajudá-lo. Precisamos... -- Ela começou a soluçar. - Precisamos cuidar... dos... dos seus ferimentos.

- Obrigado, Lily. - Luke sorriu agradecido, nenhum empregado havia sentido tanto por ele antes.

Após preparar o banho, ela o ajudou a entrar na banheira ainda de calças. Seu corpo ardia e ele deu um leve grito enquanto as feridas eram molhadas.

Lily esfregou os ferimentos com água e sabão, os secando levemente logo depois. Ela ainda tremia e suas lágrimas não haviam secado.

- O que veio fazer aqui a essa hora, Lily?

- Vim trazer um recado da senhorita Aretha, senhor. Sinto muito, senhor, por isso...

- Não peça desculpas. Não é sua culpa. - O conde sorriu, apertando as mãos da moça.

- Luke...

Ouviu a voz da sua irmã. Aretha foi conferir se Lily havia enviado o recado e se deparou com os machucados do irmão. As lágrimas imediatamente vieram à sua face.

Ela saiu rapidamente e voltou com uma pomada feita de ervas, logo em seguida a aplicando nos ferimentos.

- Isso vai ajudar a fechar as feridas. - Aretha tremia.

- Me perdoe. Me desculpe. Sinto muito. - ela murmurava em meio enquanto passava a pomada.

- Não chore, Aretha. - Ele olhou para Lily que parecia que voltaria a derramar lágrimas de novo. - Você também, Lily. Não derramem lágrimas por mim.

Mas falar aquilo não adiantou nada. Após a pomada ser passada e seu dorso enfaixado, Luke acabou adormecendo enquanto ouvia o choro das duas mulheres, entre os pedidos de desculpas de Aretha.

Antes de fechar os olhos, ele pensou no olhar frio do príncipe. Artanis podia ser um demônio, mas com certeza viver com ele seria melhor que passar por aquilo novamente. Mesmo que no fim, Luke acabasse morto.

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