Enquanto ligava o notebook para a reunião com o conselho da empresa, eu torcia em mente que meus filhos dormissem mais um pouco, no relógio já batia seis e quarenta e cinco da manhã, a reunião acontecerá às sete, e é nesse turno que meus filhos resolvem acordar, sozinho em casa com eles e imerso em trabalho já não sei mais o que fazer.
Minha ficha ainda não havia caído, Pérola realmente havia ido embora, como ela mesmo falou na carta deixada, estava cansada, cansada da rotina de dona de casa, de mãe de dois, de esposa, queria viver a vida dela, ela não mentiu quando disse que ainda é jovem, mas eu pensei que a nossa família era o nosso sonho realizado da vida.
Desde que me conheço por gente é com ela que eu planejava uma vida, ter uma família, sempre foi ela, e ver ela ir embora dessa forma acabou comigo, ela não tinha esse direito!
Iniciamos nosso relacionamento no ensino médio, anos atrás, eu sempre fui louco por ela, fazia de tudo pra ter a atenção dela, nossos pais eram amigos e nossas empresas tinham e tem parceria até hoje, tínhamos tudo para ter uma vida estável e feliz, era o que eu pensava até um mês atrás, quando acordo no meio da noite dando falta dela na cama.
Chamei por ela não obtendo respostas, foi quando bati o olhar no criado ao lado da nossa cama, em baixo do nosso porta retrato continha uma carta, sem entender bem, estiquei a mão me levantando para pegar e ler a carta.
Flash back on 💭
Carta 💌
Quero começar essa carta pedindo desculpas, desculpa por não suprir as suas expectativas Pedro.
Você sabe, me conhece, esse não era o meu sonho, eu amo você, isso ninguém pode falar ao contrário, mas eu não amo a vida que construímos, não era isso que eu sonhava para nós dois!
Nossos filhos são as coisas mais linda do mundo, mas não era o meu sonho, eu nunca quis ser mãe Pedro, e me anulei esse tempo todo por você, mas agora chega!
Estou indo embora, me refazer em outro lugar, não me procure, só isso que te peço! Cuide dos nossos filhos e seja feliz, você merece!
Me desculpe.
Flash back off 💭
Isso aconteceu há dois meses atrás, eu respeitei a decisão dela, não fui atrás, não botei detetive, nada, pior do que sofrer por alguém que eu achei que me amava e nunca amou, é sofrer por ter ela presa a mim como uma obrigação, meus filhos até hoje perguntam da mãe, choram todas as noites com saudade, mas eu sei que com um tempo tudo vai se ajeitar, vai chegar um tempo que nem lembrar dela, eles vão, e é por isso que eu luto todos os dias, para dar o melhor a eles, que não tem culpa de nada!
Deixo para me lamentar e lembrar de coisas tristes depois, pois hoje tenho muito trabalho e várias moças para conhecer, preciso urgentemente de uma babá para meus filhos.
Minha vida profissional está totalmente atrasada, parada e meus pais já estão no pé por conta das empresas, porém eu não poderia deixar meus filhos com qualquer um, tenho empregados por toda a mansão, mas são de outros setores, como cozinha, faxina e afins, não posso sobrecarregar ninguém.
A verdade é que eu não tive cara pra falar a ninguém sobre tudo isso, e não pude evitar a força que fiquei depois de ver ela ir embora, mas agora chega, eu preciso me erguer, preciso lutar, por mim, por meus filhos, eles merecem ter uma vida digna, ter tudo que eles quiserem, e pra isso acontecer, eu preciso trabalhar!
Ligo o notebook por completo e já coloco no aplicativo de chamadas, é por lá que vamos fazer a reunião, estamos com um novo terreno lá em Santa Catarina, planos para mais um hotel, Costa real não para de crescer e eu fico super feliz por isso.
Desde que me conheço por gente o meu destino era esse, seguir com as empresas do meu pai, guiar e honrar o nome da família Costa sempre foi o meu legado.
E eu sempre fiz por onde pra isso, nunca quis desonrar o nome da família, desde da minha adolescência já fazia altos cursos de administração por isso, sabia que o herdeiro seria eu, até porque só tem eu de filho, porém meu pai nunca facilitou para mim, independente que eu fosse o herdeiro, ele queria que eu aprendesse do zero e assim eu fiz.
Coloco o blazer no corpo fechando o mesmo, e me sento com a xícara de café ao lado, aperto o botão da reunião e entro me batendo com dois fornecedores e o representante que está presente lá em Santa Catarina.
📱 Ligação de vídeo 📱
__ bom dia senhores. - desejo olhando a obra atrás do representante.
__ bom dia chefe. - eles falam juntos.
__ bom, vocês já devem saber o motivo da reunião, o lote foi comprado, Samuel já está nos representando e acompanhando de perto a obra e em breve vamos ter mais um hotel Costa real, o motivo da reunião é um só, nossas parcerias se resume a esse novo hotel? Como podemos nos organizar? - fui falando o que tinha para resolver e a reunião foi fluindo.
O bom das reuniões online era que não enrolamos tanto, era somente as pessoas necessárias, assuntos necessários e pronto, papeladas e burocracia eu resolvia depois, na reunião de hoje era só sobre a nova obra mesmo.
__ em questão da obra, já podemos adiantar uma parte, nossa empresa vai arcar com os gastos, e depois lençóis, utensílios, tudo que já mandamos iremos mandar para a nova filial, é sempre bom fechar negócios com você Pedro, só pedimos que nossa logo fique em todos os andares, você pode escolher o local onde colocá-la, mas queremos reconhecimento. - um dos fornecedores falou e eu confirmei com a cabeça.
__ isso é o mínimo que posso fazer Felipe, e é um prazer fazer parceria com vocês, até breve. - encerro a reunião, deixando que o representante resolvesse com eles essa questão burocrática.
Fecho o notebook respirando fundo, a primeira missão do dia já tinha sido concluída, agora viria a parte mais difícil, ser pai solteiro e resolver mil e um problemas no dia, mas eu não trocaria isso aqui por nada.
Em questão de segundos, assim que eu retiro o blazer do corpo e penso em ir comer alguma coisa, escuto os resmungos e passos distantes no corredor do quarto.
Levanto a cabeça olhando na direção e acabo soltando um sorriso quando vejo minha pequena caminhando com o ursinho de pelúcia nas mãos, a chupeta na boca, cabelos todo bagunçado e os olhos quase fechados.
__ bum dia papi. - falou toda sonolenta e eu solto um riso caminhando até ela, pegando a mesma no colo, que não perde tempo em agarrar meu pescoço e deitar o rostinho por ali.
__ bom dia minha princesa. - murmurei caminhando com ela até o sofá, sentei, e liguei a tv deixando em um desenho qualquer que passava no canal do sbt. - minha boneca conseguiu dormir tranquila a noite? - perguntei passando a mão nos cabelos dela ajeitando, lisos e ruivo, a coisa mais linda do mundo, puxou a mãe dela.
__ maduzinha teve um pouco de pesadelo papi, mas teteu ajudou, segurou minha mão até eu dormir novamente. - se referiu ao irmão, balanço a cabeça confirmando.
Eles tem apenas três anos, mas eu já coloco para ter aulas em casa para ajudar no vocabulário e dicção, tem algumas coisas que falam embolado e errado, mas a maioria das falas é tudo correto.
Suspiro fundo cansado de tudo isso, se eu soubesse que Pérola seria minha maior decepção e que iria ferir tanto aos nossos filhos, jamais teria idealizado uma vida com a mesma.
Eu amo meus filhos, são meus bens maiores da vida, mas se eu soubesse que sofreriam dessa forma, evitaria com certeza de ter eles!
Pérola não pensou um minuto se quer nos nossos filhos, sabia muito bem que eles são e sempre foram muito apegados a ela e apenas deu as costas pra eles, só sumiu sem dar alguma explicação, fazendo assim, eles ficarem preocupados.
E com isso, os pesadelos, faz tempo que eu não sei o que é dormir uma noite por completa, sempre acordo no meio da noite com Maria Eduarda ou Matheus tendo pesadelos.
__ você sabe que sempre que ter esses pesadelos pode chamar o papi né? - exclamei e ela confirmou com a cabeça. - o Teteu não acordou? - perguntei e ela nem precisou responder, já ouvir os passinhos no corredor.
__ good morning daddy - murmurou em inglês e eu rir, é o idioma preferido dele e ele aprendeu direitinho.
__ good morning son. - entro na onda dele e ele rir se aproximando, se jogando no meu braço, assim como a irmã dele tava, ela resmungou por ele ter esmagado ela, mas ele não ligou muito.
Ficamos ali, os três, abraçados em silêncio, apenas o barulho da tv onde passava um desenho ecoava pela sala, apesar de ter um dia muito corrido hoje, eu me permiti a ficar junto com eles ali, eles precisavam e eu também.
__ quero gagau. - ouço a voz manhosa da Madu após um tempo parada e grudada em mim.
__ eu também daddy. - Teteu fala misturando o português com o inglês.
__ humm, esse é o combinado com o papi? - pergunto e ouço o suspiro deles. - vocês não disseram que já estavam quase adolescentes? Adolescentes não tomam mamadeira, mas a Rosa pode fazer um omelete com queijo e pão muito, muito, muito, mais muito gostoso, o que acham? - sugeri.
A verdade é que estou tentando tirar o apego deles na mamadeira e na chupeta, eles já estavam bem desapegados, mas com tudo que aconteceu, eu acabei cedendo um dia, depois outro e quando fui ver, já tínhamos regredido tudo.
__ ou vocês podem tomar um copo de achocolatado, mamadeira só a noite, lembram? - sugeri outra coisa, dando assim, opções e tentando agir nas coisas, porque o dia já estava se passando e após o almoço eu já tenho as entrevistas para fazer, dedico a manhã toda pra cuidar e fazer companhia a eles.
__ Madu quer o achocolatado. - falou toda manhosinha.
__ e eu quelo o pão com omelete daddy. - Matheus falou e eu rir, eles sempre escolhem coisas distintas, apesar de serem gêmeos!
__ tudo bem, então vamos, levantem. - chamo e já vou desligando a tv, eles levantam lentos e vamos caminhando juntos até a cozinha, onde nossa cozinheira, Rosa está por lá.
__ Bom dia amores, dormiram bem? - Rosa cumprimenta eles que correm para abraçar ela.
Rosa é o nosso xodó, cuidou de mim desde pequeno, sempre cozinhando e me ganhando pela barriga, e não foi diferente com meus filhos.
__ good morning Rosita. - Matheus fala todo engraçadinho, fazendo ela rir.
__ bum dia tia Rosa. - Madu retribui o bom dia.
__ o que meus danadinhos vão querer hoje, hum? - pergunta e eu me sento a mesa, vendo eles conversarem e afirmarem o que querem. - tudo bem, tia Rosa a posto. - brinca com eles e eles riem. - sentem-se com o papi de vocês e esperem a tia Rosa preparar o café da manhã de vocês. - manda e eles obedecem.
E assim é todas manhãs, confesso que antes não era, que eu deixava muito a desejar e talvez esse tenha sido um dos motivos que perdi Pérola, mas agora também não adianta chorar pelo leite derramado, no momento eu só quero me reaproximar dos meus filhos, fazer eles entender que não estão sozinhos e manter a casa, nada além disso.
•••
Meio dia | 12h ⏰
Pisquei e nem vi que metade do dia já tinha se passado, meio dia em ponto e a professora de português e inglês dos meninos já havia chegado, eles já estavam na salinha de estudo e eu já estava no meu escritório, iniciando as buscas por uma babá.
Eu não vou mentir, nunca pensei que um dia precisaria de uma babá, Pérola dava conta deles, a rotina era boa e cansativa para ela, ela foi criada para isso, na minha família e na dela não existe isso de mulher trabalhar, o homem é o provedor, e eu fazia e faço isso de bom grado, não queria ver mulher minha sair cedo e chegar tarde para trazer o pão de cada dia, isso é função minha.
E isso durante um bom tempo foi tabu entre nós dois, e acho que foi um dos motivos, acho não, tenho certeza, para que ela tomasse a drástica decisão de ir embora e nos abandonar desse jeito, mas eu não posso e não vou ficar me lamentando pelos cantos, não vou negar que isso me abalou e é como se meu mundo tivesse desabado, mas é como falei, não posso desistir, o futuro dos meus filhos estão em jogo.
Saio dos meus pensamentos com um batido fraco na porta do escritório.
__ Entre. - ordeno e a porta se abre mostrando Rosa. - o que deseja Rosa? - pergunto.
__ as meninas já chegaram seu Pedro, são cinco, pode mandar entrar? - pergunta.
Balanço a cabeça em confirmação.
__ sim, por ordem de chegada por favor, mande entrar a primeira. - explico e assim ela faz, pede licença e vai organizar as concorrentes.
Nunca fiz isso, digo no setor de escolher alguém para cuidar dos meus filhos, se na empresa eu já sou exigente, com meus filhos sou mais ainda, preciso de alguém responsável e cuidadosa, hoje em dia não se pode jogar confiança em qualquer pessoa, e isso me faz ficar com mais raiva ainda, só de pensar que confiei e amei tanto a Pérola para no fim, acabar desse jeito!
Vejo a penúltima garota entrar no tal escritório e minhas mãos suam mais ainda, estava nervosa, com medo e ansiosa, eu precisava desse emprego, minha vó precisava de mim, e eu morreria se ela não aguentar, eu não sei e nem quero viver sem ela, ela é a única pessoa que eu tenho nessa vida inteira, é a minha base!
Desde que me conheço por gente foi sempre eu e a minha vó, meus pais só serviram para me fazer e jogar nas costas dela, sempre foi eu e ela pra tudo, minha vó não teve muitos filhos, foi só minha mãe e meus dois tios, já falecidos.
Na verdade, primeiro ela teve minha mãe, depois veio meu tio do meio que morreu quando criança, e anos depois veio meu outro tio que nasceu morto, minha vozinha já sofreu tanto que me recuso deixar ela sofrer já no final da sua vida.
Minha avó já beira seus setenta e cinco anos, junto da sua idade avançada, veio o alzheimer e parkinson, eu não tenho estruturas para cuidar dela, não é má vontade, se eu pudesse ficaria com ela meu dia inteiro, mas eu preciso trabalhar, preciso de dinheiro para manter a saúde dela mais estável que posso, fora os outros gastos necessários.
Morávamos juntas, até um mês atrás, quando ela caiu e quebrou o fêmur, precisando assim de cirurgias, eu não estava em casa, estava trabalhando e precisei deixá-la sozinha, infelizmente é a nossa realidade.
Não tenho com quem deixá-la para trabalhar, e na verdade, nem trabalho fixo eu tenho, as vezes pego algum bico por aí como faxineira, babá, algo do tipo e foi em uma dessas que aconteceu o acidente.
Nesse dia eu tinha saído para fazer uma faxina, tínhamos combinado que ela não iria fazer muitos movimentos bruscos, já para não ocorrer nada, mas ela é teimosa, como quase todos os idosos que existem nesse mundo, disse que ficou entediada e quis ir arrumar a casa, não deu outra, os tremores pelo corpo começou e ai ela caiu de mal jeito, foi uma queda tão feia que nem do chão ela conseguiu levantar, de tanta dor que sentiu.
Só quando eu cheguei, quase a noite que pude socorrer ela, infelizmente não tenho dinheiro para pagar um plano de saúde bom para ela, então tive que levar no sus e por Deus, se arrependimento matasse, eu estaria morta.
Minha vó está em um hospital público de emergência, esperando há um mês uma cirurgia no fêmur, fora as outras patologias, o alzheimer dele já está avançado, já não me reconhece direito e fica muito agitada no hospital, precisando ser contida, amarraram ela, não tinha jeito, ou amarravam, ou ela iria se machucar.
Eu me sinto extremamente mal por tudo isso, me sinto culpada, mas no fundo eu sei que não tinha nada que eu podia fazer naquele momento, eu precisava trabalhar para nos manter, para comprar os remédios dela, ela até tem uma aposentadoria, porém não dá pra quase nada, só os remédios para manter ela em sã consciência, tentar segurar um pouco o alzheimer é quatrocentos reais, e ela só recebe mil e duzentos.
Com o que sobra e com o que recebo eu compro as coisas que precisamos, feira, fraldas descartáveis para ela, remédios necessários e afins, o bom é que não precisamos pagar aluguel, minha vó tem sua casinha, que meu vô lutou tanto para conseguir ainda em vida.
Meu vô faleceu há alguns anos atrás, avc, trabalhou até onde conseguiu por nós, sou grata por tudo que ele fez por mim e por minha vó, se não fosse ele, não sei o que seria de nós duas, de verdade!
Com ele vivo era complicado, mas ainda sim, era mais fácil, eu não me sentia tão pressionada, tão inútil como me sinto todos os dias, mas eu creio que de onde ele estiver, ele estará olhando e cuidando de nós.
Saio dos meus pensamentos com a porta do escritório sendo aberta e franzo a testa, foi tão rápido que até me assustei, Será que ele já escolheu alguém? Não pode ser, eu preciso desse trabalho, por favor Deus, me ajude!
A moça passa por mim sem falar nada, nariz em pé, quase cuspindo fogo, eu solto o ar que estava preso na garganta e levanto, indo em passos largos até a porta que estava meio aberta e meio encostada.
__ não é possível que não exista uma mulher decente e profissional nesse mundo, puta que pariu! - antes de bater na porta consigo escutar o murmuro e reclamação dele e meu corpo quase convulsiona de medo.
Mas não deixo o medo me abater, toco lentamente na porta, batendo fraco.
__ entre. - escuto a voz ríspida que faz meu corpo arrepiar de medo, mas faço o que ele mandou, empurro um pouco a porta e movo as minhas pernas para dentro do escritório, vendo um homem branco, forte, vestido de camisa social e uma calça jeans, o perfume exalando por dentro do escritório e a cabeça baixa, olhando alguma coisa no computador enorme que tem na sala. - bom dia, como você se chama? - pergunta me tirando do transe e eu vejo que tinha paralisado na porta, dou um sorriso sem graça, encostando a porta novamente e me movendo até a cadeira a sua frente, onde a mesa dividia o espaço entre nós dois.
__ Bom dia, me chamo Emilayne. - falo com a voz tímida, porém firme, vejo ele concordar com a cabeça e me olhar suspirando, estava estampado no rosto dele que ele já havia desistido e que o emprego não seria meu, mas eu não sou de desistir fácil, a pior parte já foi, que foi a parte de me deslocar da minha cidade até a parte dos bilionários, não iria embora sem esse emprego.
__ certo, me diga suas experiências Emilayne. - pediu com a voz ríspida e tudo dentro de mim deslocou, eu não tinha experiência alguma, tenho apenas dezoito anos, nunca trabalhei de carteira assinada, a derrota já estava quase declarada.
Suspiro fundo e tomo postura, criando coragem para começar a falar!