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O réquiem de um coração partido

O réquiem de um coração partido

Autor:: Lyrical
Gênero: Moderno
Ingênua, Rachel pensava que, com sua devoção, ela conquistaria Brian um dia, mas percebeu que estava errada quando o verdadeiro amor dele retornou. Desde ser deixada no altar até receber tratamento de emergência no hospital, Rachel tinha suportado tudo sozinha, sem a presença de Brian. Todos achavam que ela era louca por desistir de tanto de si por alguém que não correspondia aos seus sentimentos. No entanto, quando Brian recebeu a notícia de que ela não teria muito tempo de vida devido a uma doença terminal, ele desabou completamente. "Eu te proíbo de morrer!" Ao pensar que não precisava mais desse homem, Rachel apenas sorriu. "Finalmente estarei livre."

Capítulo 1 Fique comigo essa noite

"Vamos, só mais uma vez", disse ele num sussurro baixo e autoritário, as palavras marcadas pela urgência.

Exausta e coberta de suor, Rachel Marsh sentiu seu corpo ser erguido mais uma vez. Os movimentos eram rápidos, impulsionados por uma necessidade premente.

Apesar da adrenalina do momento, ela conseguiu se recompor, levantando a cabeça o suficiente para conseguir falar.

"Que tal deixarmos de usar proteção? Tenho pensado... quero ter um bebê", ela disse com uma voz suave, mas sincera.

Brian White, seu noivo, congelou por um instante, sua expressão indecifrável. Entretanto, essa hesitação foi passageira e ele logo se inclinou, seus lábios roçando a orelha dela.

"Ter um filho só complicará tudo. Não estou pronto para isso", respondeu ele, num tom frio e distante.

Rachel mordeu o lábio, seus olhos brilhando com as lágrimas não derramadas. Então, ela disse com a voz trêmula de emoção: "Mas vamos nos casar em breve, e seus pais têm falado sobre querer netos. Você não pode dizer que isso é inviável, pode?"

Construir uma família com Brian era algo que Rachel sempre sonhava, mas o comportamento frio e inflexível dele a fazia se sentir insignificante.

Engolindo suas emoções, ela acenou lentamente com a cabeça.

"Está bem. Falaremos sobre isso depois."

Nesse momento, a expressão do homem se suavizou ligeiramente, como se a tensão entre eles tivesse se dissipado.

Quando ele estava prestes a falar, seu celular começou a tocar, interrompendo o momento delicado abruptamente.

Assim que Brian atendeu, uma voz suave e hesitante ecoou do outro lado da linha.

"Brian, sinto muito por te incomodar tão tarde... mas acabei tropeçando na sala e machuquei meu pé. Se você estiver ocupado, eu..."

Era Tracy Haynes, o primeiro e inesquecível amor de Brian.

Antes que ela pudesse terminar, ele a interrompeu, sua voz firme, mas gentil: "Espere, logo estarei aí."

"Ahn... eu não queria atrapalhar você e Rachel. Se não for um bom momento, posso pegar um táxi", disse a mulher.

"Você não está atrapalhando. Não se preocupe com isso", Brian a tranquilizou, sua voz branda e estável.

Ouvindo a conversa, Rachel não conseguiu conter a risada amarga que explodiu dentro de si.

No banheiro fracamente iluminado, o vapor pairava densamente. Os dois estavam com os corpos encharcados e unidos, a intimidade entre eles inegável. Tudo estava preparado, e o clima perfeitamente favorável.

Mas, enquanto estava parada ali, Rachel percebeu algo que a atingiu como uma dura realidade: ser a preferida era um privilégio que ela jamais experimentaria. Era uma questão de abrir mão de todas as regras por uma pessoa, mas essa pessoa não seria ela.

A atenção, cuidado e amor de Brian eram dedicados à mulher que ele sempre amava, aquela que teria para sempre o seu coração.

Que ironia sufocante!

Brian enrolou uma toalha em Rachel, seu tecido macio envolvendo o corpo esbelto dela. Enquanto ele a secava, seu toque era suave, praticamente carinhoso.

"Vou te levar para a cama. É melhor você descansar um pouco", ele disse com uma voz mansa, o que era incomum.

No entanto, suas palavras pareciam mais um balde de água fria, levando embora o calor que havia entre eles.

O coração de Rachel afundou.

Ele estava indo ver Tracy novamente?

Pensar nisso a levou a cerrar suas mãos fortemente, e seu corpo se enrijeceu com a tensão.

Após um longo momento, algo dentro dela se rompeu e ela avançou em desespero, sua mente mal acompanhando suas ações.

Num movimento impensado, ela abraçou Brian com força, sua voz baixa e trêmula ao implorar: "Fique comigo essa noite... por favor, não vá."

Brian foi pego de surpresa, o que fez seu corpo se enrijecer por um momento. Mas essa vacilação durou apenas um instante.

Rapidamente, ele recuperou a compostura, acariciando os cabelos dela enquanto falava com uma voz firme e ponderada: "Não seja teimosa, Rachel. Ela se machucou. Não posso simplesmente ignorar isso."

"Mas eu também preciso de você", Rachel insistiu, seus olhos vermelhos e cada vez mais marejados. Ela mordia o lábio tão forte que acabou sangrando. "Só desta vez, fique comigo."

Com um suspiro, Brian suavizou a voz, mas a mantinha resoluta: "Você sempre foi compreensiva. Não dificulte as coisas."

Esta noite, Rachel não queria que as coisas ocorressem contra sua vontade. Tudo o que ela desejava era que ele ficasse.

"Brian", ela sussurrou, seu aperto se intensificando enquanto ela o olhava, o desespero estampado no seu rosto.

Brian balançou a cabeça, sua voz assumindo um tom frio. "Me ouça, Rachel. Você precisa me soltar."

Rachel também balançou a cabeça, seu coração batendo forte no peito, relutante em ceder.

"Já disse para me soltar!" O rosto de Brian se enrijeceu, e seus lábios se cerraram numa linha fina.

Com um aperto forte, ele arrancou os dedos dela, um por um, que estavam em torno de si, fazendo-a estremecer de dor.

O coração de Rachel apertou como se estivesse sendo esmagado, mas ela não pôde mais se manter resistente.

Por fim, o peso da derrota se instalou. Dando uma risada suave e amarga, ela zombou de sua vulnerabilidade. Em seguida, soltou-o lentamente, com os dedos trêmulos de tensão.

"Voltarei em breve", disse Brian num tom sucinto antes de se virar e ir embora sem olhar para trás.

Essas palavras soaram vazias, como algo que você diria para confortar uma criança.

Tracy já o havia chamado inúmeras vezes, e ele sempre ia até ela, mas nunca voltava logo.

Enquanto Rachel permanecia ali, paralisada e sozinha, a realidade se abatia sobre ela como um peso esmagador.

Brian lhe disse que não queria ter filhos, provavelmente por causa de Tracy. Afinal, ela era a mulher que sempre tinha a chave do seu coração. Era quem ele amava profundamente e nunca poderia abandonar, alguém que jamais seria esquecida. Como seu primeiro amor, sua imagem ainda persistia, mesmo após anos.

Portanto, era óbvio que ele a tratava como um tesouro, mesmo que isso significava ignorar as necessidades e desejos de Rachel.

Após um longo e entorpecente momento de reflexão, Rachel se virou, foi até o banheiro e entrou no chuveiro, deixando a água escorrer pelo seu corpo, embora isso não ajudasse a aliviar o peso que ela carregava por dentro.

Quando ela se deitou na cama, os lençóis estavam frios e nada aconchegantes. Não importava o quanto ela se revirava, a cama se recusava a acolhê-la e aquecer seu corpo rígido. Era como se o vazio ao seu lado tivesse se infiltrado em cada parede do cômodo, a deixando solitária nesse silêncio angustiante.

Às seis da manhã, Rachel foi despertada pelo toque do seu celular. Sonolenta, ela o pegou e viu o nome de Debby White, mãe de Brian, na tela.

"A data do casamento foi marcada para daqui a três meses. Será um bom momento para a cerimônia", a voz da mulher era tão fria e superficial como sempre.

Rachel sabia que Debby não estava ligando para dar alguma orientação, mas para deixar um aviso.

Num tom incisivo, a mulher continuou: "Estou ligando para te lembrar de se preparar com seus pais. Embora minha família seja rica, não somos idiotas. Não pense que simplesmente conseguirá ganhar uma fortuna com esse casamento."

Tentando manter uma voz firme, Rachel respondeu: "Tudo bem, vou avisar meu pai. Não se preocupe, não vou pedir um centavo a vocês."

Mesmo com essas palavras sucintas, Debby estava longe de ficar satisfeita. Sua risada zombeteira ecoou do outro lado da linha. "Faz certo. Você não vale um centavo."

Ouvindo sem rebater, Rachel conteve sua frustração. Ela sabia melhor do que ninguém que mesmo se lhes pedisse algum dinheiro, ele acabaria nas mãos do seu pai apático e da madrasta hostil, pessoas que nunca se importaram de verdade com ela.

"Eu não sei o que Brian vê em você, de verdade. Você é pobre, de classe baixa e totalmente sem graça. Se não fosse pela insistência de Brian e aprovação da avó dele, eu nunca teria concordado com esse casamento", acrescentou Debby antes de desligar, sua indignação transbordando.

Rachel olhou para a tela do celular, com as mãos ligeiramente trêmulas, e um sorriso amargo curvou seus lábios, marcado pela tristeza.

Seu noivado com Brian parecia um sonho, algo que ela não conseguia acreditar que era real, pois se casar com ele era o maior desejo da sua vida.

Na época dos quinze anos de Rachel, sua madrasta a levou para o que alegou ser um evento da alta sociedade. Porém, tudo era uma farsa, e elas acabaram na mansão da família White.

Lá, Rachel foi empurrada na piscina, e a "brincadeira" de mau gosto e cruel da sua madrasta a deixou se debatendo na água gelada e sufocante.

Rachel estava certa de que iria se afogar. Mas, quando o desespero começou a tomar conta, um jovem pulou na piscina sem hesitar, puxando-a para perto de si. Seus braços fortes a levantaram e a levaram para fora da água, salvando-a das garras gélidas da morte.

Quando finalmente abriu os olhos, ela viu apenas a figura do garoto se afastando até desaparecer de vista.

O relógio preto elegante no pulso dele foi a única coisa que permaneceu na sua mente.

Anos depois, esse mesmo relógio levou Rachel até Brian White, o homem que havia salvado sua vida e se tornado o dono do seu coração, embora ele sequer soubesse.

Grata pela segunda chance de viver que ele lhe dera, ela lhe entregou seu coração por inteiro, esperando que um dia se casasse com ele.

Som de passos no andar de baixo tirou Rachel dos seus pensamentos. No instante seguinte, a porta do quarto se abriu e Brian apareceu, seus olhos pesados de exaustão e seu terno amassado e desgrenhado.

Enquanto Rachel observava o homem à sua frente, seu coração afundou com o peso da constatação.

Ele havia prometido voltar logo, mas apareceu na manhã seguinte, com as roupas amarrotadas e uma postura bem familiar.

Estava claro onde ele havia passado a noite, cuidando de Tracy mais uma vez.

Rachel desviou o olhar, relutante em encará-lo.

Aparentemente alheio a esse desconforto, ele a puxou para seus braços firmemente e seus lábios frios tocaram os dela, sua voz rouca suavizando ao perguntar: "Você está brava?"

Com o rosto virado para o outro lado, Rachel permaneceu em silêncio.

Era impossível ignorar o leve aroma do perfume de outra mulher agarrado a ele, ou a marca vívida e inconfundível de batom na sua camisa.

Sem dúvida, essa marca era de Tracy, uma visão que parecia uma agulha perfurando seu coração.

"Você ainda ama Tracy?", perguntou Rachel com uma voz branda e firme enquanto olhava seu noivo, seus olhos buscando a verdade.

Brian a puxou para mais perto e a abraçou com força.

"Por que está me perguntando isso? Tracy é especial para mim, mas é só minha amiga, nada mais", ele murmurou, sua voz baixa e tranquilizadora.

Rachel não reagiu às palavras "reconfortantes" de Brian, apenas continuou o olhando, seu coração pesado com as perguntas sem respostas.

Um momento depois, sua voz quebrou o silêncio.

"E eu, Brian? Você me ama?"

Capítulo 2 Não estou pronto para divulgar nosso casamento

A lembrança de como ela e Brian haviam se conhecido passava vividamente pela mente de Rachel.

Foi um começo bastante tumultuado. Naquela época, Tracy o havia deixado por outro homem e saiu do país.

A traição deixou Brian devastado. Em meio ao desespero, ele afogou sua dor no álcool, se perdendo numa névoa de raiva e desgosto.

Foi naquela noite que ele foi atrás de Rachel e a segurou nos seus braços, consumido por uma emoção brutal e intensa.

Na cama, ela soluçava e tremia embaixo dele, mas ele não parava.

Impulsionado por uma ânsia desesperada, quase primitiva, ele a possuía, penetrando-a várias vezes, como se tentasse preencher o vazio que Tracy havia deixado.

No dia seguinte, enquanto o peso da noite que tiveram pairava entre eles, Brian a olhou com uma expressão sombria.

"Mesmo depois de tudo, você ainda está disposta a ficar comigo?"

Rachel acenou com a cabeça, sua voz presa na garganta.

E assim, o relacionamento dos dois começou, não por amor, mas como um resultado impulsivo de uma noite juntos.

Agora, com Brian diante de si, o coração de Rachel doía sob o peso das perguntas implícitas. Ela se perguntava se ele sentia algo por ela, se havia algum traço de afeto ou carinho em seu coração, ou se ela era apenas uma substituta para o amor que ele havia perdido.

Os olhos de Brian se detiveram em Rachel, sua voz suave, mas firme. "Nosso casamento está próximo, e em breve você será minha esposa. Vou te amar e proteger, e sempre..."

Um arrepio repentino percorreu os lábios dela e, sem pensar, ela colocou os dedos suavemente sobre a boca do noivo, interrompendo suas palavras.

"Brian, já entendi. Você passou a noite toda acordado e está exausto. Vá se trocar antes de ir para o escritório. Eu pego as roupas para você."

A voz dela era calma, mas assim que se virou, lágrimas começaram a cair incontrolavelmente.

Brian havia usado um tom tão amável, repleto de promessas de cuidado e devoção. No entanto, tudo o que ela sentia era o vazio por trás dessas palavras.

Seu jeito em tranquilizá-la era amoroso, mas não tinha a sinceridade que ela desejava. Se ele a amasse de verdade, não haveria necessidade dessas declarações exageradas. Uma única palavra sincera bastaria.

Quanto mais o homem tentava convencê-la, mais suas palavras revelavam a verdade: ele não era capaz de oferecer amor.

Nesse momento, Rachel se viu incapaz de continuar suportando. Sem conseguir ouvir mais nenhuma outra palavra da boca dele, ela se virou, sentindo uma dor profunda se instalar no seu coração.

Quando ela caminhou até o armário e pegou uma gravata, um abraço familiar a envolveu por trás e a puxou para perto.

O queixo de Brian repousou suavemente sobre a cabeça dela e ele segurou sua mão com carinho, sua voz marcada pela preocupação: "O tempo está quente, mas suas mãos estão tão frias."

Lágrimas ainda estavam grudadas nos cílios de Rachel, seu peito pesando com a dor não expressa. Ela lutava para encontrar as palavras certas, sem saber como responder à súbita ternura do homem.

De repente, Brian a virou, seu olhar suave e intenso.

Rachel ergueu a cabeça, e seus olhos marejados encontraram os dele.

A fragilidade no olhar da mulher à sua frente despertou algo profundo dentro dele. Sem conseguir resistir, ele segurou o rosto dela e a beijou, com força e desespero, como se tentasse consumi-la e torná-la parte dele.

Na ponta dos pés, Rachel se inclinou sob seu toque forte e ao mesmo tempo terno. Seu rosto estava corado, e sua respiração irregular, presa entre o turbilhão de emoções e a intensidade do momento.

Mas, em meio a tudo isso, uma leve doçura começou a surgir no seu coração.

Os anos que passaram juntos lhe ensinaram que apenas nessas trocas silenciosas e íntimas Brian demonstrava um sinal de sua paixão selvagem. Era nesses raros momentos que ela se sentia genuinamente valorizada.

"Brian...", Rachel chamou, sua voz trêmula enquanto ela lutava por ar.

Parecendo sair do seu transe, Brian a soltou com uma mudança de comportamento repentina. Suas palavras estavam carregadas de desejo e remorso. "Se não fosse pela reunião por vir, eu não teria conseguido me segurar."

O rosto de Rachel se ruborizou, com uma onda de constrangimento e calor a percorrendo.

Então, ela lhe deu um leve empurrão, como se tentasse escapar da intensidade do momento.

"Na noite passada, nós acabamos de...", sua voz se esvaiu, as palavras pairando no ar.

Brian permanecia impassível, a segurando com força e cuidado. Seu olhar não vacilou enquanto a olhava com uma determinação inabalável.

"E daí? Agora você é minha, e eu não consigo deixar de te desejar."

Antes que Rachel pudesse responder, sentiu algo frio e suave deslizar no seu pulso. Ao olhar para baixo, ela encontrou uma pulseira deslumbrante, com uma pedra de rubi no meio refletindo a luz e brilhando intensamente. O vermelho profundo da joia fez sua pele parecer ainda mais delicada.

"É... para mim?", ela perguntou, sua voz surpresa.

Brian acenou com a cabeça, um sorriso suave ilustrando os cantos dos seus lábios. "Sim, gostou?"

O olhar da mulher desviou da pulseira para o rosto do noivo.

"Foi você que escolheu?"

Ele acenou novamente, mantendo o leve sorriso.

"Achei que combinaria perfeitamente com você."

Diante dessas palavras, o coração de Rachel se aqueceu e ela não conteve um sorriso.

"Eu adorei. Obrigada."

Se inclinando para frente, ela deu um beijo suave na bochecha dele em gratidão.

Mas Brian, ainda não satisfeito, apontou para seus lábios. Seu olhar brincalhão e ao mesmo tempo sério chamou a atenção dela, exigindo mais silenciosamente.

Embora a hesitação permanecesse no seu coração, Rachel entendeu a súplica silenciosa. Ela não estava acostumada a ter a iniciativa, e um leve rubor ilustrava suas bochechas.

Com um sorriso provocante, ele arqueou uma sobrancelha ao falar: "Se você não me beijar, vou embora."

Em seguida, ele soltou a mão dela, seu sorriso a desafiando a agir.

O coração de Rachel disparou, sua mente perdida por um momento em meio ao turbilhão de emoções. Num movimento inconsciente, ela diminuiu a distância entre eles e o beijou.

Como se já esperasse por esse momento, Brian segurou o rosto dela com as mãos e aprofundou o beijo, seu fervor não deixando espaço para hesitação.

Foi apenas quando ela ofegou e puxou as roupas dele com os dedos que ele se afastou, com a respiração irregular.

Olhando para o rosto pálido e cansado dela, os olhos de Brian se suavizaram e ele sugeriu gentilmente: "Descanse um pouco. Tire alguns dias para ficar em casa. Você pode visitar meus avós quando se sentir melhor. Não se preocupe em voltar ao trabalho até estar completamente recuperada."

Rachel acenou com a cabeça obedientemente, sua mente ainda confusa pela intensidade do momento.

Sendo uma pessoa que sempre se dedicava ao trabalho, após se formar em belas artes, ela entrou para o Grupo White e logo se tornou gerente de departamento de design. No entanto, seus colegas de trabalho não sabiam do relacionamento dela com Brian.

Embora o empenho dela fosse evidente, o estresse vinha pesando ultimamente. Dores de cabeça intensas, tonturas e crises de náusea ocasionais eram a maneira do seu corpo exigir uma pausa. Se não fosse por esses sinais, ela nem teria tirado esses dias de folga.

Contudo, Rachel já planejava diminuir o ritmo depois do casamento, pretendendo mudar seu foco do trabalho para a família que estava prestes a construir com Brian.

Em meio à tensão do momento entre eles, a mulher disse baixinho: "Ah, a propósito, sua mãe já definiu a data do casamento."

Ouvindo isso, Brian abriu um sorriso leve e divertido.

"Eu sei, ela me ligou essa manhã."

Rachel fez uma pausa, seus pensamentos num maremoto, então falou com hesitação: "Então... não deveríamos contar aos funcionários da empresa sobre nós? Todos sabem que estou me casando, mas ninguém sabe com quem. Eles têm me perguntado ultimamente, até me pediram convite." As palavras lhe escaparam, marcadas por uma mistura de expectativa e inquietação.

A expressão de Brian não suavizou. Pelo contrário, se enrijeceu, sua mandíbula cerrada enquanto ele evitava o olhar dela.

"Rachel", ele começou, sua voz pesada com um pedido de desculpas implícito. "Sinto muito."

Atônita, ela o olhou, tentando processar sua mudança repentina.

"O quê? Por quê?"

Com um olhar resoluto, o homem encontrou os olhos dela.

"Não estou pronto para divulgar nosso casamento ainda, e eu já disse isso à minha família. Por enquanto, vamos fazer uma cerimônia pequena e discreta, com familiares e amigos próximos."

Diante dessas palavras, as mãos de Rachel congelaram e a gravata escorregou dos seus dedos. Sua mente foi a mil enquanto essa declaração era absorvida.

Então todos os outros já sabiam? Ela foi a última a ser informada? Se ela não tivesse tocado nesse assunto, ele a teria mantido na ignorância até o fim?

A ideia de manter sua união em segredo era sufocante. Um casamento, um juramento de vida compartilhada, agora destinado a ser escondido- algo que Rachel se perguntava o porquê.

Por mais dolorosa que fosse, a verdade começou a se impor: Tracy era a razão.

Brian ainda não havia se desapegado dela, e essa constatação acabou com qualquer esperança que Rachel ainda tinha.

O peito dela apertou e, por um breve momento, o ar parecia espesso demais para respirar. Seus olhos ardiam por conta das lágrimas não derramadas que ameaçavam dominá-la, mas ela piscou com força para reprimi-las.

Se Brian estivesse se casando com Tracy, teria divulgado em um instante e transmitido ao mundo todo, ansioso para que todos soubessem que ela era a mulher que ele havia escolhido.

"E se eu exigir que a gente divulgue?" A voz de Rachel vacilou, seus olhos brilhando com as lágrimas não derramadas enquanto ela perguntava com uma ousadia inesperada. "E se eu quiser que todos saibam sobre nós?"

O choque estampou o rosto de Brian. Afinal, sua noiva sempre foi complacente, com um comportamento gentil e acolhedor. Essa assertividade não era típica dela, e isso o deixou sem palavras.

Após uma breve pausa, ele segurou a mão dela, seu toque firme, mas sem hostilidade, então assumiu um tom comedido e suplicante: "Rachel, me dê um pouco mais de tempo. Prometo que quando for o momento certo, farei questão de que todos saibam quem você é para mim."

"Isso não pode acontecer agora?" A voz de Rachel era suave, praticamente resignada. Ela não se atrevia a ter mais esperanças.

Brian abaixou o olhar, a culpa nublando sua expressão ao murmurar: "Sinto muito."

As mãos de Rachel tremiam enquanto ela respirava fundo e se forçava a se manter sob controle. Por fim, falou num tom resoluto: "Vou aceitar isso... mas com uma condição."

Capítulo 3 Afeição sem limites

Brian deu um leve aceno de cabeça. "Claro, me diga."

Tentando se acalmar, Rachel respirou profundamente antes de declarar: "Se em dois anos você ainda não estiver disposto a reconhecer abertamente o nosso relacionamento, irei embora sem qualquer alarde ou confusão. Tudo o que peço é que não me impeça quando eu decidir te deixar." Sua voz embargava, cada palavra parecendo um espinho cravado na sua garganta.

"Tudo bem. Eu aceito." No entanto, quando essa resposta saiu de seus lábios, um sentimento inquietante se instalou no peito do homem - um pânico silencioso e informe, como uma tempestade prestes a se formar.

"Que bom", ela sussurrou com os punhos cerrados, deixando a dor das unhas cravadas na palma da mão mantê-la no presente.

Dois anos, esse era o limite que ela havia estabelecido para si. Ela, que o amava desde os quinze anos, já tinha dedicado oito longos anos de devoção, buscando ilusões em busca de um carinho genuíno.

E mais dois anos seriam uma década, tempo suficiente para destruir as convicções mais sólidas e dilacerar até o coração mais inabalável.

Se até lá Brian ainda não fosse capaz de amá-la, ela se afastaria e lhe daria a liberdade que ele nunca precisou pedir.

Mas, no fundo, a mulher rezava para que esse dia nunca chegasse e para que não precisasse abandonar a vida que havia construído ao lado dele.

......

Quando Brian saiu para o trabalho, o celular de Rachel começou a tocar. Ao ver que era da avó do noivo ligando, ela logo atendeu.

"Rachel, está de folga hoje? Venha para casa o mais rápido que puder. Mandei preparar seus pratos favoritos esta manhã, estão fresquinhos!" A voz calorosa e familiar de Carol White ecoou do outro lado da linha.

"Tudo bem, logo estarei aí." Rachel não conseguiu conter um sorriso. Então, se arrumando rapidamente, ela logo saiu em seguida.

Ao chegar à propriedade da família White, ela desceu do carro, mas de repente o mundo ao seu redor começou girar e uma onda de tontura a envolveu.

Reagindo rapidamente, o motorista ao seu lado a segurou.

"Cuidado. Não está se sentindo bem?", perguntou ele, preocupado.

Rachel suspirou lentamente, recuperando o equilíbrio. "Devo ter me levantado rápido demais. Minha glicemia costuma cair às vezes, mas não é nada sério."

No entanto, ela sabia que não estava com a saúde muito boa ultimamente, talvez por conta das noites mal dormidas.

Com o casamento se aproximando, ela precisava começar a cuidar melhor de si.

Ao entrar na ampla sala de estar, os olhos de Rachel pousaram em Debby imediatamente.

"Olá, Debby", ela cumprimentou, mantendo um tom neutro.

Nunca escondendo seu desdém, Debby a encarou antes de zombar: "Você sabe que Carol te convidou para o almoço, não sabe? Veja as horas. Pelo visto, a pontualidade não é seu ponto forte."

Sua voz era fria, cada palavra mergulhada em desprezo.

Rachel baixou o olhar, sem palavras por um momento.

Então, um calor suave envolveu sua mão.

Apoiada na sua bengala, Carol segurou os dedos de Rachel e olhou para sua nora com uma expressão branda, porém firme.

"Rachel sempre foi atenciosa. Se ela se atrasou, tenho certeza de que não foi intencional. Além disso, o almoço ainda nem está pronto, então como ela está atrasada?"

Um nó se formou na garganta de Rachel, e sua visão ficou ligeiramente turva. Ela nunca conhecera o amor materno, pois sua mãe morreu na mesa de cirurgia no dia em que ela nasceu.

E quanto ao pai? Frio e distante, ele não valia a pena ser lembrado.

O único afeto verdadeiro que ela já conhecera era dos avós de Brian. Sem eles, talvez ela nunca soubesse o que era ser apreciada.

Debby soltou um suspiro exasperado. "Ela já é uma mulher adulta. Não pode ficar a mimando para sempre."

Assumindo uma expressão enrijecida, Carol repreendeu ferozmente: "Eu a protegerei enquanto ainda estiver respirando. Qualquer um que ousar incomodá-la terá que lidar comigo primeiro, e eu prometo que não haverá paz se tentarem."

Com uma autoridade gentil, a senhora conduziu Rachel até o assento ao seu lado. "Venha aqui, querida. Sente-se comigo."

Debby ficou paralisada, mas só pôde engolir sua insatisfação. A proteção obstinada de sua sogra não deixava espaço para discussões, e isso fez um ciúme amargo se instalar dentro dela. Mesmo depois de décadas fazendo parte da família White, Carol nunca lhe havia demonstrado esse carinho.

No entanto, por Rachel se parecer com a filha da idosa, que falecera há muito tempo, a jovem recebia uma afeição sem limites.

Como Debby não poderia se sentir desprezada?

Considerando que seu filho estava se casando com uma filha ilegítima, a situação se tornava ainda mais complicada, e a injustiça de tudo isso ardia em seu peito.

Durante a refeição, Debby ficava cada vez mais mal-humorada enquanto Carol enchia o prato de Rachel com toda a gentileza.

Notando a palidez da jovem, Carol comentou com preocupação: "Você deve estar trabalhando demais ultimamente. Você emagreceu tanto. Por favor, coma mais. Se Brian não está cuidando bem de você, é só me dizer que vou colocá-lo na linha."

Ouvindo isso, a frustração de Debby acabou explodindo. "De que adianta toda essa comida? Eles estão juntos há séculos e não há nem sinal de criança."

Rachel focou na sua refeição em silêncio, pensando nos preservativos na mesinha do seu quarto. Ela compreendia o anseio delas por uma criança, e até ela mesma ansiava pela maternidade, mas Brian continuava relutante.

Nesse momento, Carol lançou um olhar de advertência para Debby, que continuou na defensiva: "Só estou expondo fatos. Eles estão juntos há tanto tempo, e a saúde do meu filho é perfeita. Enquanto outras mulheres engravidam em semanas, depois de um ano, eles ainda não conseguiram nada. Você já poderia ter um bisneto se ele estivesse com outra mulher."

Falando francamente, a última frase da nora fazia sentido, pois ela ansiava por um bisneto.

Mais tarde, na varanda banhada pelo sol, a idosa abordou o assunto delicadamente enquanto segurava a mão de Rachel.

"Minha querida, agora somos só nós duas. Você não precisa esconder nada. Se houver alguma preocupação de saúde, a medicina atual oferece muitas soluções. Até a fertilização in vitro é uma opção. Dinheiro não é problema para a família."

Diante dessas palavras, o coração de Rachel se encheu de emoção. Mesmo achando que ela poderia ser infértil, o amor de Carol permanecia inabalável.

Comovida, a jovem lhe deu um abraço apertado.

"Por favor, não se preocupe com isso. Estou perfeitamente saudável."

Carol se assustou com essa declaração, entou perguntou: "Então... é Brian que..."

"Não, não!", Rachel interveio rapidamente, seus olhos arregalados. "Brian também é completamente saudável. É só que nós..."

Nesse momento, a compreensão surgiu nos olhos de Carol.

"Ah... Brian quer esperar, não é?"

Rachel acenou com a cabeça suavemente. "Sim. Ele diz que quer aproveitar nosso tempo juntos primeiro e esperar até que minha saúde melhore."

"Você está sempre o defendendo. Ele não está te maltratando, está?"

Ao ser indagada, Rachel ergueu seu pulso e mostrou a elegante pulseira.

"Veja só o que ele me deu!"

"Que pulseira linda, querida."

À tarde, o chefe de cozinha preparou sobremesas deliciosas. Ao experimentá-las, os olhos de Rachel brilharam.

"Carol, há mais dessas sobremesas?"

"Sim. Lembrou de Brian, não foi?", Carol perguntou.

Com o rosto corado, Rachel respondeu: "Sim... ele adora doce, então quero levar alguns para ele."

O rosto da senhora se suavizou com afeto.

"Então pegue uns, querida!"

Quando Rachel chegou ao escritório de Brian, ele estava numa reunião. Não querendo perturbá-lo, ela deixou as sobremesas sobre a mesa discretamente e se virou para sair.

"Rachel!" Uma voz familiar ecoou atrás dela.

"Tracy?" Rachel se virou, surpresa pelo encontro inesperado.

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