Em seu escritório, Andrew escrevia mais um capítulo de seu romance. Afinal, era assim que mantinha sua vida, sem o estresse de negócios. Enquanto escrevia, ele notou através de sua grande janela uma jovem encantadora. O que Andrew não sabia era que seu destino iria se traçar ao dela. Ele ficou fascinado com o jeito dela, a forma como andava, o jeito que se movia enquanto cuidava do pequeno jardim.
- Preciso descobrir quem é essa mulher - pensava ele.
No momento do devaneio, ele nem notou que seu amigo e braço direito, Marcos, bateu na porta. Havia um bom tempo que Marcos o chamava.
- E aí, amigão, notei que anda bem distraído hoje. Ah, pelo visto já viu a neta abastada de Sandro Jones. A garota se mudou há poucas semanas, depois de um longo tempo morando no exterior.
Ainda em seus devaneios, Andrew achava aquela moça muito familiar, como se já a conhecesse de outra vida.
- Bom, me poupou o tempo de investigação, Marcos. Você sempre atento às últimas fofocas.
- Não, também não é assim. Fala como se eu fosse um desocupado. Por falar em desocupado, como anda o livro?
Andrew suspirou e colocou a caneta sobre o papel.
- Estou sem inspiração ultimamente, desde aquele ocorrido.
Marcos assentiu, compreendendo o peso daquela afirmação. Ele sabia que o "ocorrido" não era algo que Andrew comentava com facilidade. Ainda assim, fazia questão de encorajar o amigo.
- Se fosse pela família Miller, você já teria desistido da sua vocação há muito tempo. Mas você é teimoso - disse Marcos, com um sorriso. - E, olha, a teimosia valeu a pena.
Andrew deixou escapar um pequeno sorriso. Ele sabia que não teria chegado onde estava sem o apoio de Marcos. Graças a ele, tinha conseguido construir uma carreira como escritor e alcançar lucros milionários com suas obras. Mas, apesar do sucesso, sentia que algo ainda faltava.
- Talvez você precise de algo novo para se inspirar - sugeriu Marcos, levantando-se da poltrona onde havia se acomodado. - Quem sabe a nova vizinha não seja a chave para isso?
Andrew riu baixinho, mas não respondeu. Quando Marcos saiu, ele voltou a olhar pela janela. A jovem ainda estava no jardim, concentrada em suas flores. Havia uma calma em seus gestos que parecia contagiante. Ele se perguntou se deveria tentar conhecê-la ou se seria melhor apenas observá-la de longe, transformando-a em uma musa silenciosa para seus escritos.
Nos dias seguintes, Andrew continuou a observá-la de sua janela. Ele notou pequenos detalhes sobre ela: o modo como franzia levemente a testa quando estava focada, o sorriso discreto que surgia em seus lábios ao ver uma flor desabrochar. Ela parecia viver em um mundo à parte, onde a simplicidade era suficiente para trazer felicidade. Isso o fascinava.
Naquela tarde, enquanto fingia revisar um manuscrito, Andrew não conseguia tirar os olhos da jovem. Pela primeira vez em muito tempo, sentiu algo despertar dentro dele - uma centelha de inspiração, talvez, ou um desejo de escrever algo diferente, algo mais pessoal.
- Talvez Marcos esteja certo - murmurou para si mesmo. - Talvez eu precise de algo novo para encontrar minha voz novamente.
Ele se levantou, pegou um bloco de anotações e começou a rascunhar ideias, deixando que as imagens daquela jovem encantadora guiassem sua criatividade. Ainda não sabia se teria coragem de se aproximar dela, mas, por enquanto, isso não importava. O simples fato de observá-la já era suficiente para mudar algo dentro dele.
E assim, Andrew continuou a escrever, desta vez com um novo foco. Suas palavras pareciam fluir de maneira diferente, mais leves, mais genuínas. A jovem no jardim não sabia, mas ela havia se tornado sua musa - e talvez, sem querer, estivesse ajudando Andrew a escrever o capítulo mais importante de sua vida.
Bridget aproveitava uma linda tarde de verão para admirar o jardim. Aquele espaço era mais do que um refúgio; era um lugar cheio de memórias. Durante anos, ela e sua mãe, Melinda, haviam cuidado daquelas flores juntas. Na época, Bridget não fazia ideia dos segredos obscuros que rondavam sua família, segredos que se conectavam diretamente ao comportamento de seu pai. Por causa dele e de sua amante, Agnes, ela e sua mãe enfrentaram anos de sofrimento.
Agnes, com suas constantes tramoias, acabou sendo responsável pelo colapso emocional e físico de Melinda. Sua mãe não resistiu às pressões e faleceu, deixando Bridget devastada. No momento em que Melinda partiu, Bridget jurou por sua vida que se vingaria de todos aqueles que desacreditaram de sua mãe, especialmente de Agnes, a maior vilã de toda a sua história.
Após a morte de Melinda, Bridget enfrentou maus-tratos constantes na casa dos Jones. Tratada como menos do que uma empregada, sua única salvação foi sua avó, Nívea, que decidiu enviá-la para estudar e viver fora. Essa decisão foi um divisor de águas na vida de Bridget.
Agora, de volta à casa de sua infância, Bridget regava as tulipas favoritas de sua mãe, uma variedade azul que sempre simbolizou a esperança para Melinda. Enquanto fazia isso, sentiu uma estranha sensação de estar sendo observada. Quando ergueu os olhos, vislumbrou uma silhueta masculina. Ela tentou identificar a figura, mas não conseguiu. Provavelmente, era alguém da casa ao lado, recentemente vendida.
- Senhorita Jones, vejo que ainda aprecia as tulipas azuis que sua mãe tanto adorava - disse Cida, a criada leal que era como uma segunda mãe para ela.
Bridget virou-se e sorriu, embora com um toque de melancolia.
- Sim, ficar aqui me faz sentir minha mãe mais perto de mim - respondeu.
- Que bom que você voltou, minha menina. A casa da sua mãe não é a mesma desde a sua partida.
Bridget assentiu, mas sua expressão endureceu levemente.
- Voltei para recuperar o que é meu por direito, Cida. Agora, com a vovó doente, preciso cuidar dela e de tudo que nos pertence.
Enquanto esteve no exterior, Bridget havia se tornado uma empresária bem-sucedida na editora mais renomada de Nova York. Sua carreira era um triunfo, mas tudo mudou quando recebeu uma carta de sua avó pedindo que voltasse. Nívea alertou-a de que Agnes, como sempre, estava tramando algo: destruir a livraria que havia sido o legado de Melinda. A livraria era mais do que um negócio; era a última lembrança tangível de sua mãe. Bridget sabia que precisava agir.
Porém, para recuperar a livraria, Bridget enfrentaria um obstáculo inesperado. Agnes havia armado um plano complexo para tomar até mesmo o que não pertencia à família Jones. O único meio de impedir isso era aceitar uma condição cruel: casar-se no lugar de sua irmã mais nova, Callie, que era vista como a filha legítima da família. Essa situação colocava Bridget em um dilema ético e emocional.
Com o olhar fixo nas tulipas, Bridget respirou fundo. Sabia que não poderia recuar. Recuperar a livraria significava honrar a memória de sua mãe e garantir que Agnes não destruísse tudo o que restava do legado de Melinda. Determinada, ela ergueu a cabeça e sentiu dentro de si a força para enfrentar qualquer desafio que viesse pela frente.
Naquele momento o celular de Bridget tocava, era seu pai Taylor Jones.
-Alô, Bridget sou eu seu pai
- Oi, Pai, como tem passado faz tempo que não nos falamos.
(na verdade o pai de Bridget havia cortado os laços com sua filha e ficado relapso aos
cuidados dela, tudo por conta do plano de Agnes.)
-Vou bem, Preciso que venha em casa, Agnes preparou um almoço de boas vindas pra você.
-Tudo bem, irei marcar aqui na minha agenda até breve.
Com isso ela encerrou a ligação.
Na mansão Jones, Agnes e Callie encarava o matriarca ao telefone,na espera de que pudesse fechar o acordo, já que Callie não queria casar com o filho da família Miller pela a fama que ele carregava de mulherengo e vadio,e se diziam também que ele era o filho abastado da família Miller, mas devido a um contrato feito pelos os avós de ambas as famílias, o primogênito da família Miller teria que casar com a legítima Senhorita Jones.
-Então querido ela vira? Farei a melhor refeição para o retorno de Bridget a nossa casa.
-Sim, vamos recebê-la da melhor forma possível.
-Papai, tomara que dê tudo certo nesse acordo, não quero me relacionar com esse abastado, o bom que os dois combinam até nisso, hahaha...
-Callie não fale assim apesar de tudo ela ainda é sua irmã, ilegítima mas é (Agnes sempre fazendo questão de lembrar que Bridget não é filha legítima da família Jones).
-Sorte nossa que temos um trunfo nas mangas para fazer esse acordo dá certo. vamos minha linda Callie as compras para esquecer todo esse estresse.
Bridget se preparava para um encontro com suas amigas no shopping, suas amigas de infância estavam mortas de saudades, afinal havia um bom tempo que não se viam desde a partida de Bridget a New York.
-Menina Bri aqui esta os vestidos que a senhorita selecionou para o encontro.
Cida havia entregado a Bridget 2 lindos vestidos distintos mas altamente renomados e elegantes.
-Obrigada Cida, cuidou tão bem deles que merece um abraço e uma surpresa.
Enquanto Bridget decide qual vestido vestir ela recebeu uma notificação de sua BFF.
-OiÊ Bri, tudo certo pra hoje, tenho um monte de assunto pra colocar em dias viu, tirei essa folga somente para aproveitar a sua volta e limpar a vista no shopping
- Está confirmado sim, Camila estou em duvida qual vestido usar, estou entre o recatado porém sensual ou o totalmentente recado verde .
-O verde cairia bem se fossemos a missa amiga, hoje é dia de encontrar um homem gostoso kkkkk
-kkkkk, Ca você sempre com esse bom humor né, vou me arrumar e encontro você e Vitória em breve, bye.
Esse astral de Camila sempre animava o ambiente, por isso Bridget nunca conseguiu se desfazer dessa amizade muito especial, já que a mãe dela e das suas amigas foram melhores amigas e tiveram suas gestações no mesmo período, as 3 eram gêmeas de data de nascimento. Por conta desse vínculo Bridget nunca se sentiu só no mundo
O sol brilhava forte no céu quando Bridget estacionou seu carro no shopping mais badalado da cidade. Vestindo o vestido vinho recatado, mas sensual, que Cida havia cuidado com tanto carinho, ela sentiu-se confiante. Fazia anos que não via Camila e Vitória, suas melhores amigas de infância, e o dia prometia ser divertido.
Ao entrar no saguão movimentado, não demorou a avistar as duas. Camila, com seu sorriso elétrico e inconfundível, abanava animadamente de uma das mesas de um café. Vitória, mais reservada, já segurava um copo de café gelado, mas seus olhos brilhavam com expectativa.
Briiii! – gritou Camila, correndo para abraçá-la. – Você está linda demais, amiga! Esse vestido é um arraso!
Eu disse que o verde era pra missa – completou Vitória com um sorriso, enquanto puxava Bridget para um abraço caloroso.
Bridget riu, sentindo-se em casa. Apesar dos anos e das mudanças, a dinâmica das três permanecia intacta. Sentaram-se, e em minutos, estavam rindo e fofocando como se o tempo não tivesse passado.
Camila liderava a conversa, falando sobre seus encontros
desastrosos e flertes no trabalho. Vitória, sempre a sensata, tentava moderar os exageros da amiga, mas nem ela conseguia conter as gargalhadas.
Então, Bridget, como foi voltar pra essa cidade cheia de memórias? – perguntou Vitória, com um tom mais sério.
Bridget suspirou e mexeu na colher dentro de sua xícara de café.
É estranho. Bom por rever vocês, claro, mas... complicado. Estou lidando com a Agnes e a Callie de novo, e meu pai continua sendo o fantoche de sempre. Parece que tudo o que eu faço é uma luta para recuperar o que é meu.
Agnes continua sendo a bruxa da cidade? – Camila perguntou, revirando os olhos. – Se precisar, podemos nos unir e dar um jeito nela.
Obrigada, mas acho que essa batalha é minha – disse Bridget, com determinação.
Camila abriu a boca para dizer algo, mas foi interrompida pelo som de vidro quebrando ao fundo. Quando todas se viraram para ver o que acontecia, Bridget sentiu o coração disparar.
Um homem alto e charmoso, com cabelos desgrenhados e um terno desleixado, estava parado em frente a uma vitrine quebrada. Ele parecia desorientado, como se não entendesse bem o que tinha acontecido. E então, ele virou o rosto e seus olhos encontraram os de Bridget.
Era ele: o homem da janela.
Andrew sentiu o impacto do olhar de Bridget como um raio. Era impossível não reconhecê-la, mesmo que nunca tivessem se falado antes. Por alguma razão, ele sabia que aquele era o momento em que suas vidas colidiriam – literalmente.
Andrew? – chamou uma voz ao lado dele. Era Marcos, que tentava segurá-lo pelo braço. – Você está bem? Você entrou direto na vitrine!
Eu... estou bem – respondeu Andrew, mas seus olhos ainda estavam presos aos de Bridget.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Camila murmurou ao lado de Bridget:
Amiga, quem é aquele Deus grego e por que ele está te encarando assim?
Eu... não sei – respondeu Bridget, desviando o olhar rapidamente, tentando não parecer tão abalada quanto estava.
Andrew, entretanto, parecia não ter a mesma habilidade de disfarçar. Decidido a aproveitar a oportunidade, ele começou a caminhar em direção à mesa delas. Mas, em sua pressa,
acabou tropeçando em uma pequena mesa próxima, derrubando uma bandeja cheia de cafés.
O caos foi imediato. O café respingou para todos os lados, e Andrew, com a gravata já manchada, olhou para Bridget, que agora tentava segurar o riso.
Bem, isso foi... catastrófico – disse ele, ajeitando a gravata com um sorriso sem graça. – Olá, eu sou Andrew.
Bridget levantou-se, ainda tentando não rir.
Oi, Andrew. Acho que nos conhecemos agora, do jeito mais... incomum possível.
Camila e Vitória estavam quase chorando de rir, enquanto Marcos, ao fundo, balançava a cabeça em desaprovação.
Você sempre encontra um jeito único de causar uma boa impressão, hein? – disse Marcos, cruzando os braços.
Andrew ignorou o amigo e estendeu a mão para Bridget.
Bem, já que fiz essa entrada dramática, seria um desperdício não aproveitar a oportunidade para te conhecer.
Bridget hesitou por um momento, mas acabou apertando sua mão. A conexão foi instantânea, quase elétrica.
Sou Bridget – respondeu, sentindo um calor estranho no peito.
Prazer, Bridget – disse ele, com um sorriso que parecia genuíno, apesar da situação desastrosa.
E assim, no meio de um shopping lotado, entre gargalhadas e vitrines quebradas, o destino começou a traçar o caminho de Andrew e Bridget – mesmo que, por enquanto, nenhum dos dois compreendesse completamente o que aquilo significava.
Bridget ainda sentia o calor da mão de Andrew quando ele finalmente a soltou. O sorriso dele era confiante, mas havia algo nos olhos que parecia... perdido. Como se ele estivesse buscando algo que nem ele sabia o que era.
Camila, sempre atrevida, não perdeu a oportunidade de intervir:
E então, Andrew, você costuma invadir cafés e quebrar vitrines ou é só quando encontra uma mulher bonita?
Andrew riu, ajeitando a gravata suja de café.
Normalmente, eu tento evitar o espetáculo. Hoje parece ser um dia especial.
Bridget tentou não revirar os olhos diante do charme óbvio dele, mas não conseguiu evitar um pequeno sorriso. Antes que pudesse responder, Marcos aproximou-se, tentando salvar a situação.
Desculpem pela confusão. Andrew tem essa habilidade única de transformar qualquer momento tranquilo em um desastre.
Ah, relaxa – disse Camila, com um sorriso malicioso. – Na verdade, isso tornou nosso dia muito mais interessante.
Vitória, mais tímida, murmurou para Bridget:
Ele é charmoso... mas parece um imã de problemas.
Bridget não respondeu. Algo na presença de Andrew a deixava desconfortavelmente intrigada. Talvez fosse o jeito como ele a olhava, como se a conhecesse de algum lugar. Ou talvez fosse o fato de que, no fundo, ela sentia o mesmo – uma estranha familiaridade.
Bom, foi um prazer conhecê-las – disse Andrew, finalmente se recompondo. – Talvez um dia eu possa compensar essa entrada desastrosa.
Ele lançou um último olhar para Bridget antes de sair, com Marcos resmungando algo sobre "responsabilidade pública".
Assim que ele estava fora de vista, Camila deu um empurrãozinho no ombro de Bridget. Amiga, o que foi isso? Ele estava totalmente te comendo com os olhos!
Camila! – exclamou Bridget, corando. – Não foi nada disso. Ele só... estava sendo educado.
Educado? – riu Camila. – Aquilo foi tudo, menos educado. Foi intenso.
Vitória concordou silenciosamente, mas não quis alimentar mais a conversa.
Bridget, tentando ignorar as provocações, mudou de assunto.
Vamos continuar? Ainda quero saber como vocês duas estão e o que têm feito da vida.
Apesar das risadas e histórias que se seguiram, a mente de Bridget continuava voltando para Andrew. Quem era ele? E por que parecia tão familiar?
Enquanto isso, do outro lado da cidade...
Andrew estava no carro, dirigindo em silêncio enquanto Marcos falava sem parar.
Você percebeu que acabou de conhecer a neta de Sandro Jones? A famosa Bridget Jones?
Andrew virou a cabeça para o amigo, surpreso.
Neta de Sandro Jones? Como você sabe disso?
Eu sei de tudo, lembra? – respondeu Marcos, com um tom de superioridade. – Aquela família é famosa pelas intrigas. A avó dela está doente, e parece que a madrasta está tentando tomar o controle de tudo. É um caos completo.
Andrew franziu a testa.
Então ela é envolvida em toda essa confusão?
Exatamente. E devo dizer, meu amigo, ela é perigosamente linda. Cuidado para não se envolver demais.
Andrew não respondeu. Por mais que quisesse afastar o pensamento, ele não conseguia tirar Bridget da cabeça. Havia algo nela – algo nos olhos dela – que o fazia sentir coisas que ele não entendia.
Talvez o destino esteja jogando comigo – murmurou para si mesmo.
O quê? – perguntou Marcos.
Nada. Só pensando alto.
Marcos o observou por um momento, mas decidiu não pressionar. Conhecia Andrew bem o suficiente para saber que ele estava mergulhado em pensamentos profundos – e, provavelmente, perigosos.
Na mansão Jones...
Enquanto Bridget voltava para casa após o encontro com as amigas, Agnes e Callie estavam ocupadas planejando o próximo movimento.
Então, ela se encontrou com as amiguinhas no shopping? – perguntou Callie, com um tom de desprezo.
Sim, mas isso não importa agora – respondeu Agnes. – O que importa é que o casamento com o Miller aconteça. E se Bridget estiver aqui para interferir, teremos que tomar medidas.
Callie suspirou, passando os dedos pelos cabelos perfeitamente arrumados.
Espero que isso termine logo. Não aguento mais essa palhaçada de "família unida".
Agnes sorriu, fria.
Não se preocupe, querida. Tudo está indo exatamente como planejado.
Enquanto Bridget estacionava em frente à casa de sua avó, sentiu um arrepio subir pela espinha. Algo não estava certo. Mesmo depois de uma tarde divertida, havia uma sombra pairando sobre ela – uma sensação de que o caos estava apenas começando.
E, no fundo, ela sabia que Andrew Miller, mesmo que acidentalmente, acabava de se tornar parte desse caos.
Naquela noite, o céu estava tingido por um azul escuro profundo, pontilhado por estrelas que mal brilhavam. Bridget sentou-se no antigo sofá da sala de estar da casa de sua avó. Com uma xícara de chá nas mãos, observava distraída o movimento das sombras na varanda. Sua avó, Nívea, estava dormindo no andar de cima, e Cida já tinha recolhido todos os pratos após o jantar.
O dia havia sido intenso. Entre o reencontro emocionante com as amigas e o inesperado encontro com Andrew, Bridget sentia sua mente em ebulição. Quem era aquele homem que parecia tão fora de lugar e, ao mesmo tempo, tão intrigante? Algo nele mexia com ela de uma forma que não conseguia explicar.
Seu devaneio foi interrompido por uma notificação no celular. Era uma mensagem de Camila:
Camila: "Amiga, você pesquisou o boy misterioso? Ele é de outro planeta, sério. Me conta tudo se descobrir algo!"
Bridget revirou os olhos, mas não pôde evitar um sorriso. Camila tinha o dom de aliviar qualquer tensão. Antes que pudesse responder, um som suave chamou sua atenção.
Era a campainha.
Bridget franziu a testa. Àquela hora? Ela deixou a xícara sobre a mesa e caminhou até a porta. Ao abri-la, ficou surpresa ao se deparar com um envelope cuidadosamente selado, sem remetente. Olhou ao redor, mas não havia ninguém à vista. Pegou o envelope com curiosidade e voltou para dentro.
Ao abrir, encontrou uma folha de papel elegante com letras impressas. O conteúdo, no entanto, fez seu estômago revirar:
"Querida Bridget,
Nem todos na sua família estão dispostos a seguir as regras. Fique de olho, ou tudo o que você ama pode ser tirado de você novamente."
Ela engoliu seco, sentindo a adrenalina pulsar em suas veias. Quem poderia ter enviado aquilo? A ameaça era vaga, mas não menos perturbadora. Bridget sabia que sua volta para a mansão Jones não seria fácil, mas agora parecia que os desafios seriam muito maiores do que imaginava.
Enquanto isso, na casa de Andrew...
Andrew estava no estúdio de sua casa, mas o cursor piscando na tela em branco parecia zombar dele. Ele havia sentado para escrever horas atrás, mas as palavras simplesmente não vinham. Sua mente estava presa em Bridget.
Ele não conseguia entender a intensidade daquele encontro. Nunca havia sentido algo tão imediato e, honestamente, tão perturbador.
Está pensando nela de novo, não é? – disse Marcos, entrando no estúdio com uma xícara de café.
Andrew o olhou, frustrado.
Não começa.
É sério, Andrew. Você conhece a fama daquela família. A última coisa que você precisa agora é de mais drama.
Andrew suspirou e passou a mão pelos cabelos bagunçados.
Não é sobre drama. É algo... diferente. Eu não sei explicar. É como se...
...vocês estivessem destinados? – completou Marcos, zombando.
Andrew não respondeu. Talvez fosse isso. Talvez não. Mas uma coisa era certa: ele precisava entender o que estava acontecendo.
Marcos balançou a cabeça, exasperado.
Tudo bem, mas só um aviso. Essa história de destino normalmente termina em confusão.
No dia seguinte...
O sol mal havia surgido no horizonte quando Bridget decidiu agir. A mensagem ameaçadora que recebera não a deixara dormir, e agora ela queria respostas. Se alguém achava que poderia intimidá-la, estava muito enganado.
Após passar a manhã investigando discretamente sobre Agnes e sua relação com a livraria de sua mãe, Bridget decidiu ir até o café que costumava frequentar antes de partir para Nova York. Ela precisava de um lugar para organizar seus pensamentos.
Ao entrar, no entanto, parou de repente.
Lá estava ele. Andrew.
Sentado em uma das mesas no canto, com uma pilha de anotações e uma expressão concentrada, ele parecia completamente alheio ao fato de que estava no mesmo lugar que ela – de novo.
Bridget hesitou por um momento, mas então ergueu o queixo. Não havia motivo para evitá-lo. Pegou seu café e, sem pensar muito, caminhou até a mesa dele.
Olá, Andrew.
Ele ergueu os olhos, claramente surpreso ao vê-la ali. Por um instante, parecia que não sabia o que dizer.
Bridget... Oi.
Parece que continuamos nos esbarrando – ela disse, tentando soar casual.
Andrew sorriu, um pouco sem jeito.
Talvez seja o destino, afinal.
Ela riu, mas havia uma leve tensão no ar.
Talvez. Ou talvez essa cidade seja pequena demais.
Andrew indicou a cadeira à sua frente.
Quer se sentar?
Bridget hesitou, mas acabou concordando. Sentou-se, cruzando as pernas e apoiando o café na mesa.
Então, Andrew, o que faz da vida?
Ele deu de ombros.
Escrevo. Ou tento, pelo menos. E você?
Também escrevo, mas, no momento, estou lidando com... assuntos de família.
Andrew notou a mudança sutil na expressão dela ao mencionar "família". Havia algo pesado ali, algo que ela claramente não queria discutir.
Parece que temos algo em comum – ele disse, tentando aliviar o clima. – Escritores com vidas complicadas.
Bridget sorriu, mas antes que pudesse responder, seu celular vibrou sobre a mesa. Ao pegar o aparelho, sua expressão ficou séria.
Tudo bem? – Andrew perguntou, preocupado.
Bridget olhou para ele, com uma expressão indecifrável.
Parece que alguém está me chamando de volta para o campo de batalha.
Ela se levantou, guardando o celular na bolsa.
Foi bom te ver de novo, Andrew.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ela já estava indo embora, deixando-o com uma sensação estranha – e uma certeza de que ele queria vê-la novamente.
Do lado de fora do café, Bridget respirou fundo e leu a mensagem novamente:
"Você está jogando um jogo perigoso. Tome cuidado com seus próximos passos."
Dessa vez, ela não sentiu medo. Sentiu raiva. Se achavam que podiam intimidá-la, estavam muito enganados.