TERIA SIDO PECADO?
Durante longo tempo, Samir, um Libanês que teria por volta de 55 anos, fora mascate como a maioria de seus conterrâneos. O trabalho sempre traz resultados para quem o prática e assim, naquela segunda-feira, dia 30 de junho de 1969, inaugurava sua primeira loja de armarinhos em Dois Morrinhos, pequena cidade no triângulo mineiro. Ele sabia que a mudança seria trabalhosa, seus clientes eram de várias cidades próximas dali e estavam acostumados a comprar nas portas de suas casas.
Por 15 dias abriu e fechou a loja com pouquíssimas vendas e daí resolveu atuar em duas frentes.
Chamou Laila, sua esposa e combinou que por alguns dias ela ficaria à frente da loja enquanto ele voltaria a mascatear.
Laila era uma mulher de pouca saúde, também com mais de 50 anos, mas aceitou ajudar seu marido, contudo combinou que seriam por poucos dias.
Samir volta a viajar pelas cidades oferecendo seus armarinhos e é quando num dia em Pitu, um distrito de Dois Morrinhos, encontra uma família bem pobre e conhece Selma e a menina Cleide Maria, com 14 anos, sua filha. O marido de Selma havia se mudado para Belo Horizonte tentando melhorar de vida, e a mais de 90 dias não mandava notícias. O mascate condoído com a situação e querendo ajudar, perguntou se Selma permitiria que a filha fosse trabalhar em sua loja em Dois Morrinhos, assim também poderia substituir e poupar sua esposa Laila.
Devido à condição de penúria de ambas, elas concordaram.
Samir adiantou algum dinheiro para Selma se manter e levou a menina para sua cidade.
No fundo da loja de Samir havia um pequeno depósito para suas mercadorias e foi onde ele precariamente acomodou a menina, mas ainda assim o espaço era maior do que o de sua própria casa.
Laila com seus antigos hábitos usava lenços na cabeça e roupas escuras, quase não saía, dessa forma eram poucas as pessoas que a reconheciam fora da loja, Cleide Maria nem mesmo a conheceu.
A menina se mostrou boa vendedora, mas eram os rapazes da cidade quem mais frequentavam a loja para vê-la e realmente era uma morena lindíssima.
Samir que até então mal parava em sua cidade, passou a demorar-se mais tempo e era visto em conversa com sua vendedora frequentemente.
Passados dois meses e já muito mais próximo da menina, Samir faz a ela uma proposta "podre", mas na opinião dele, diante da situação miserável dela e de sua mãe, irrecusável.
Oferece a ela comprar a casa que sua mãe mora e lhe dar muito dinheiro em troca de um filho.
Cleide Maria apenas tinha 14 anos, assustou-se com a oferta, queria ir embora imediatamente, mas o Libanês tinha seus argumentos.
Alega que Laila sua mulher nunca teve filhos por problemas de saúde e ele não queria morrer sem deixar um herdeiro.
A palavra herdeiro balançou a menina, sabia que tendo um filho com aquele homem a sua criança seria rica e bem cuidada.
Mas temia o desgosto que daria a seus pais, principalmente à sua mãe Selma.
Mais dois meses se passaram e Selma recebe uma carta de seu marido. Ele estava preso, pois tomado pelo desespero, havia furtado uma loja. Essa notícia caiu como uma bomba, Cleide Maria, agora estava decidida, em sua cabeça ter essa criança era a única solução para todos esses problemas.
Inicialmente as tentativas resultaram sem êxito, o Libanês já com 55 e diabético, ela novinha e sem experiências dos encontros amorosos apenas sexo.
Finalmente ela engravida e por dois meses Samir a mantêm por perto, mas passado esse tempo contrata outra vendedora e leva a moça e seu filho no ventre para morar em outra cidade, antes da barriga aparecer.
Selma sua mãe nada sabe, acredita que sua filha esteja trabalhando em outras lojas e em outras cidades.
O tempo passa e chegada à hora da criança nascer, Samir leva a menina para um sítio onde Gemma, a parteira da região, lá estavam outras parturientes, mas não havia nenhum contato entre elas.
Nasce a criança, um menino com mais de 3 quilos e 50 centímetros.
Samir chega ao sitio três dias depois, Cleide Maria já tinha condições de voltar para sua casa, mas o Libanês lhe dá de presente uma viagem para Uberlândia, onde ela deveria ficar até seu resguardo acabar.
Ela por sua vez, em nenhum momento olhou para sua criança, como sabia que não iria criá-la preferiu não pegar afeto por ela.
Samir leva seu filho para casa. Laila tinha conhecimento de todo o plano, e já havia providenciado leite para recém-nascido.
No dia seguinte vão até Uberaba, levam o bebe para consulta médica e bem orientada criariam o filho de Cleide Maria sem ela por perto.
Aproveitam a estada, vão até o cartório e lá registram Omar, nome escolhido por Laila para a criança, como seu legitimo filho alegando que o mesmo havia nascido em casa.
Mas o destino reservara para Samir surpresas desagradáveis, ele descobre ser portador um tumor maligno de difícil tratamento.
Rapidamente fecha sua loja em Dois Morrinhos e vai morar em Uberaba, a maior cidade do Triângulo Mineiro e com bons médicos para iniciar tratamento, mas seis meses depois falece.
Laila e Omar passam a morar definitivamente em Uberaba, ela sabia que com a mudança de cidade e bem longe de Cleide ela jamais acharia a ambos, evitando assim contatos indesejáveis.
25 anos se passam.
Omar havia se formado Engenheiro Civil, continuava solteiro morando apenas com a mãe.
Nessa mesma época, Cleide recebe visitas de pessoas oferecendo coisas de pouco uso e fazendo muitas perguntas sobre ela.
O que a agora senhora Cleide não sabe é que essas pessoas são na verdade detetives particulares contratados por Laila.
Ela estava muito doente e preocupada, imaginava que ninguém melhor do que a mãe biológica para cuidar de Omar. Pretendia contar tudo antes que fosse tarde, sentia que seu fim estava próximo.
Consegue que um dos detetives inicie uma conversa com Cleide para saber se ela teria interesse em se mudar para Uberaba e cuidar de uma casa onde apenas viviam mãe e filho.
Argumentaram os detetives que tinhas as melhores informações sobre o modo de trabalhar e que ela seria perfeita para cuidar de uma mulher idosa e seu filho, além de um excelente salário.
Selma a mãe de Cleide havia falecido no ano anterior, seu pai nunca mais havia dado notícias, nada a prendia em sua cidade, assim aceita a oferta.
Aluga a casa que Samir havia comprado para ela em nome de sua mãe e se muda.
A recepção na casa foi das melhores, tanto Omar como Laila se mostraram gentis e carinhosos com ela.
Omar se tornara um rapaz bonito, moreno, alto, magro e bem falante. Laila pouco falava, alegava que nunca havia aprendido o português direito por isso evitava algumas conversas.
Cleide que seguia bonita e até mais formosa, agora era uma mulher feita, com seios fartos, uma morena muito linda.
Certo dia Omar pergunta a Cleide se ela sabia dançar músicas lenta, pois haveria um baile na cidade onde apenas seriam tocadas músicas antigas para dançar. Cleide com um sorriso garante: _ se tem alguma coisa que faço de melhor, é dançar!
Assim, passam a treinar os passos diariamente.
Omar, jovem e fogoso, apesar da diferença de idade, sente uma forte atração pela parceira. O calor do abraço de Cleide durante a dança mexe com ele, mas ele evita demonstrar.
Durante o baile Cleide percebe que Omar fica excitado todas as vezes que dança com ela. A noite segue animada pela boa música, eles riem e bebem despreocupadamente. No retorno a casa, ambos já tendo abusado da bebida iniciam uma dança final sem música sob a luz das estrelas e se deixando levar por essa aura envolvente, Omar rouba um beijo de Cleide. Tudo é muito rápido e ela claro leva tudo na conta da bebida, mas ele não.
Daquela noite em diante o rapaz se mostra mais presente, procura conversar com a governanta o maior tempo possível.
Em uma noite, ele pede para dançar novamente com ela. Coloca para tocar a música La mer. do Ray Conniff. No meio da dança ele a abraça mais forte, para a dança e olhando firmemente nos olhos dela, diz:
_preciso lhe dizer algo importante. _ Diga. Responde ela
_estou perdidamente apaixonado por você.
Ela ri, mas dessa vez não podia atribuir tal declaração à bebida. Era consciente, era real, um menino de 25 anos se declarando a ela com 40.
Cleide se afasta, as palavras mexeram com ela, em sua mente tudo era muito absurdo.
Na noite seguinte Cleide esta deitada, ainda acordada, e escuta a porta ranger. Era Omar entrando em seu quarto.
Ela finge que está dormindo e o rapaz fica ali contemplando sua amada por horas sem nada fazer.
Na noite seguinte a coisa se repete, mas dessa vez ela simula acordar e pergunta:-O que você faz aí sentado?
Omar se aproxima dela e lhe dá um beijo ardente de paixão.
Ela faz que resiste, mas na verdade está adorando tudo aquilo.
Cleide nunca havia namorado ninguém. O fato de ter tido uma criança e não poder cuidar dela nem a ver crescer havia bloqueado seus sentimentos. Mas finalmente ela se entrega ao rapaz. E sente o ardor da paixão de um jovem, vigoroso, carinhoso, que mostra a ela o bem que faz a uma mulher ser amada, desejada e possuída. Cleide ainda está ofegante pelos orgasmos frenéticos quando Omar sai do quarto.
Por meses as visitas noturnas aconteceram e cada encontro era mais ardente que o anterior.
Laila, por acaso, nota a porta de Cleide apenas encostada, vai até lá e vê Omar e Cleide se amando loucamente. Um turbilhão de maus pensamentos invade a mente da anciã, mas naquele momento nada faz.
Na manhã seguinte ela chama Omar e lhe incumbe de ir tratar de negócios na capital do estado, esses seriam resolvidos apenas com um telefonema, mas ela quer ver o rapaz longe dali. Ela precisava ter uma conversa com Cleide.
Quando o rapaz viaja, Laila chama Cleide em seu quarto onde ninguém ouviria o tema da conversa. Inicia em um tom de voz bem calmo:
_você teve um filho e o entregou para ser criado por outra pessoa?
Apavorada, Cleide responde:
_Sim, mas isso foi há muitos anos!
_sei muito bem disso. E prosseguiu: _você tem notícias dessa criança?
_não, eu não a vi nem no dia em que nasceu. Responde.
Laila segurando forte a mão de Cleide, diz bem baixinho:
_esse seu bebê, é OMAR!
_como pode afirmar uma coisa dessas? Pergunta Cleide apavorada e arremata, estou grávida, espero um filho dele.
_Sempre soube de tudo. Meu marido nunca me deu um filho verdadeiro, mas me deu o seu.
_você só pode estar delirando! Retruca Cleide.
_ Omar só voltará dentro de três dias, nesse tempo vá, e procure por Gemma, a parteira que fez seu parto e pergunte a ela.
Cleide aos prantos, confusa, amargurada vai até onde morava a parteira, descobre que ela também mudara de cidade, mas finalmente a encontra.
_Preciso ter calma, a parteira pode não querer confessar que trabalhou em uma trama feita por Samir. Pensa ela
Quando ela a encontra Gemma de imediato a reconhece.
_O que vem buscar aqui minha filha? depois de tantos anos.
_A verdade sobre meu filho, e o paradeiro dele.
_Filha, diz Gemma, com as mãos tremulas pela idade avançada, pede a Cleide que se sente e conta a ela toda a verdade sobre Omar.
Cleide passa mal, sua pressão arterial cai, mas logo se recompõe.
No dia seguinte:
Na volta para Uberaba, quando chega Laila já a aguardava e de imediato lhe pergunta: E então, encontrou a parteira?
_Sim! Ela responde -E o que ela lhe disse?
_Que Omar é realmente a criança que Samir trouxe para você criar como seu filho.
E o bebe que está esperando, livrou-se dele?
Não, ela disse que está muito adiantada a gestação, e ela não pode fazer mais nada.
_Mas Omar não pode saber de nada. _E o que faremos? Pergunta Laila
_Vou ter que ir embora antes dele voltar da viajem, mas não tenho para onde ir não posso voltar para minha cidade grávida e nem condições financeiras para nada.
É quando Laila, como homenagem a seu falecido marido argumenta,
e este também seria um acordo:
_ Meu tio avo já viúvo, possuía um hotel com mais de 50 apartamentos em Uberlândia, e este faleceu recentemente e meus primos que moram no Líbano abriram mão de seus direitos em meu favor.
_ Vou passar esse hotel em seu nome, você vivera tranquilamente com os lucros do hotel, mas quero que você jamais conte toda verdade para Omar, mesmo depois de meu falecimento.
Cleide aceita a oferta. Antes de Omar voltar Cleide já se mudara.
O que a velha não sabia era que os apaixonados já haviam conversado por telefone.
O combinado entre Cleide e Laila fora o que se alegou:
_Uma proposta para gerenciar o Hotel irrecusável levou nossa empregada.
Omar 15 dias depois vai até Uberlândia, se hospeda no hotel de Cleide agora dona, ele se inteira que havia uma reserva em seu nome e o apartamento já estava arrumado.
Já dentro dele, aproveita para banhar-se e não percebe quando Cleide entra por uma porta lateral, espalha flores por todo o aposento.
Vestida apenas com um baby doll preto, com um dos seios saltando as suas poucas vestes a mostra, aguarda seu amado deitada na cama.
Omar sai do banho e se depara com o largo sorriso de Cleide, joga a toalha para o lado, e inicia uma longa noite de amor entre ambos, agora sem receios de serem ouvidos por Laila.
Mais tarde, Cleide ainda ofegante, com o coração acelerado, fecha seus olhos e em pensamentos relembra a conversa que teve com Gemma a parteira.
Inicia seus pensamentos no momento que a parteira pede para que ela sente e ouça o que ela vai contar sobre seu filho.
Menina, eu sabia que você não criaria aquela criança, pior ainda a situação da outra menina que lá estava ela é minha sobrinha, ainda mais jovem que você, e sem nenhuma condição para criar um neném.
Os partos aconteceram com uma diferença de minutos.
Seu bebe, nasceu morto e o dela saudável.
O turco havia me dado um caminhão de dinheiro para levar a sua criança que seria filha dele, e repentinamente tive a ideia. Troquei as crianças. O que o turco levou é o filho de minha sobrinha. Se formos até o sítio que eu morava posso lhe mostrar onde enterrei seu bebezinho.
Nesse exato momento Omar com um beijo no rosto faz Cleide abrir novamente seus olhos e lhe diz. _Estava com saudades de você e de ser chamado de seu bebezinho.
Cleide abre um lindo sorriso e comenta.
_Nunca mais vou lhe chamar de meu bebezinho, agora será e para sempre o meu amorzão.
Semanalmente os apaixonados se encontram, ele se hospedava no hotel e ela o visita todas as noites que ele lá estava
Quando o filho do casal nasce, Cleide para homenagear o homem que mudou a sua vida e segundo ela para melhor, coloca o nome nele de Samir Neto.
Dois meses depois Laila falece e o casal se une para sempre.
Quando Samir neto, começa dar seus primeiros paços Cleide contrata um detetive para procurar a verdadeira mãe de Omar e propor a ela um emprego de baba para cuidar de Samir Neto.
FIM
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UM DEFUNTO CIUMENTO
Naquela sexta-feira, 28 de fevereiro de 1992, a grande preocupação entre as mulheres da família de Waldo era a previsão do tempo para o dia seguinte.
No sábado iriam festejar o aniversário de 60 anos do patriarca da família e queriam fazer boa figura com suas vestes. Waldo nascera em ano bissexto e sendo assim, apenas solenizavam esse evento de quatro em quatro anos.
Na mesma ocasião, também seria homenageado em seu emprego numa grande instituição bancária. Eram 42 anos de trabalho e dedicação, onde começou como contínuo, chegando ao cargo de Diretor Comercial. Receberia de seus patrões, placas alusivas a tais méritos e um relógio de pulso banhado a ouro.
A festa seria no salão de um suntuoso bufê, num bairro nobre da cidade de São Paulo. Pessoas da alta sociedade iriam participar dela, daí a tamanha preocupação das senhoras com seus trajes. O sábado amanheceu com chuviscos, mas logo o sol dominou o dia. À noite, como previam os especialistas, foi de tempo firme e agradável, para alegria e alívio das damas tão aflitas com a apresentação de seus penteados, maquilagem e vestidos.
Em breve discurso de agradecimentos, Waldo brincou com seus antigos colegas, lembrando que na segunda-feira já receberia seu primeiro salário como aposentado. Durante a entrega do lindo relógio, um dos presentes pergunta para Waldo:
_ Quer que eu já acerte a hora para o horário de verão?
Ao que ele responde:
– Não, eu nunca mudo meus relógios.
Ele resolveu retirar-se de suas atividades, pois se iniciavam modernidades no meio bancário e ele temia tornar-se superado pela tecnologia.
O regozijo durou a noite toda, os últimos convidados se foram às 6h da manhã. O domingo foi preguiçoso e o telefone de Waldo não tocou uma única vez, sinal que a ressaca fora grande.
Na segunda-feira Waldo acordou cedo, a ansiedade o dominava.
Seu primeiro salário como aposentado seria infinitamente menor, comparado à sua remuneração na ativa. Tudo era novo, entrar em um Banco como cliente e não como funcionário. Pretendia estar na agência assim que essa abrisse e para sua sorte, para o pagamento dos aposentados, ela abria às 9h, uma hora antes do normal. E como imaginava, após uma noite cheia de ansiedade no dia seguinte, lá estava ele assim que a porta giratória do Banco foi aberta, uma surpresa desagradável, facínoras mascarados adentraram ao estabelecimento, fizeram de reféns os idosos e funcionários.
Waldo, de temperamento forte, reage ao assalto e é golpeado com uma coronhada. Ao cair, bate a cabeça na quina de uma parede. Os ferimentos foram grandes. O assalto dura por volta de cinquenta minutos. Fora da agência ninguém percebe nada, nenhum alarme é disparado. Ao sair do local, um dos meliantes ainda atira em um idoso de mais de 80 anos, o tiro não é fatal e ele é levado ao pronto-socorro, dias depois recebe alta médica.
Agora Waldo, ainda atordoado, está em um corredor esfumaçado.
Sua primeira impressão é de que alguém abriu o lacre de um extintor de incêndio, tal a quantidade do que parecia ser fumaça.
Observando mais atentamente ele se dá conta que aquilo são nuvens
Ele logo pensa:
_O que estou fazendo nas nuvens?!
Adentra um salão enorme que lembra uma repartição pública, onde existem vários guichês de atendimento e letreiros indicando nacionalidades diferentes. Aproxima-se da placa onde está escrito "BRASILEIROS".
Sua primeira pergunta é:
_Para que serve essa fila?
Como resposta ouve:
_ Amigo, estamos momentaneamente no céu e dependendo do que consta na sua ficha, você pode subir ou descer! Responde o "atendente" fazendo um sinal de dois chifres na testa.
Waldo balbucia:
_ Você quer dizer que eu morri?!
E o outro confirma:
_ Sim amigo você não se lembra de nada?
Waldo atônito lembra-se de ter sido empurrado por um dos bandidos dentro do Banco e resolve obter mais detalhes:
_Então não seria melhor mudar de fila? Esta está muito curta.
_Nada disso amigo, quem fará essa triagem serão os anjos Brasileiros e aqui, no dia que tem papel, não tem caneta, no dia que tem carimbo, não tem almofada com a tinta. Acredite, seremos os últimos a serem atendidos.
Não restando outra opção, Waldo resolve esperar.
Dias depois, apavorado pela lentidão na triagem do "sobe", Waldo recebe ordens para entrar em um salão todo em mármore. Ali, um senhor idoso, de barbas e cabelos brancos, tirava um cochilo sentado em uma poltrona. Waldo cuidou para não o acordar. Horas mais tarde, o idoso desperta.
_Quem é você? _pergunta ele.
_Sou Waldo, levei uma coronhada na cabeça, imaginei estar em um hospital, mas vejo que me enganei.
_É meu caro Waldo, você está no céu e olhe que fazia dias que não aparecia ninguém por aqui. _comenta o simpático velhinho.
_Como assim, não morreu mais ninguém? indaga Waldo.
E o idoso às gargalhadas responde:
_Não meu caro, a maioria nem passa por aquela porta, vai direto para baixo. O criador está com depressão por ter colocado o ser humano para habitar a terra. Estão indo direto para às profundezas, sem escala e ainda reclamam que lá é muito quente.
Waldo quer ganhar a simpatia do "velhinho" e pergunta:
_Qual é o seu nome meu velho anjo?
E a resposta:
_Não, eu não sou anjo, mas sim o guardião das chaves do céu.
E Waldo continua:
_Então o senhor é São Pedro?
Ao que Pedro responde com um largo sorriso:
_Poderia lhe dizer que sim, mas não gosto ser chamado Santo, julgo que apenas nosso chefão deva ser assim intitulado.
_E como então devo chamá-lo? _questiona Waldo.
_Por Pedro, simplesmente Pedro.
Ai, Waldo já se sentindo amigão, solta:
_Sei, lá na terra eu tinha um conhecido com esse nome e não me dava bem com ele, se não for muito atrevimento, posso chamá-lo de Pedrão?
_Claro que sim, mas vamos aprazar desse modo, sempre longe dos demais, tem muita gente abusada e prefiro nesses casos ser mais austero.
_Sabe Pedrão, eu acho que houve um engano em seus registros, jamais tive uma única indicação de que estaria chegando o meu dia, tem como conferir isso?
Com um olhar recriminador, Pedro lhe diz:
_Vocês lá na Terra em breve irão ter máquinas que poderão prestar essas informações de forma instantânea, aqui ainda usamos alfarrábios. Vale o que está escrito. Vou pedir a um querubim para investigar e dirimir suas dúvidas. Agora vamos ver o que ocorre lá embaixo.
Pedro leva Waldo para outro lado do salão e com um simples gesto aciona algo que lembrava uma tela de cinema. Nela são transmitidas as imagens da cerimônia de cremação de Waldo. Presentes, todos os familiares, amigos e até antigos clientes, a comoção era verdadeira, o que leva Pedro a comentar:
_Estou neste cargo há milhares de anos e jamais vi um banqueiro ser tão querido, parabéns.
Segue-se um breve silêncio, quando Pedro avisa:
_Vou adiantar um pouco o tempo, vamos ver como estão reagindo seus familiares.
Um leve sinal seu e a cena muda. Na mesma agência em que Waldo fora morto, sentada diante do Gerente, estava sua esposa Morgana, aguardando para receber o seguro de vida milionário que ele havia feito em seu nome.
Ela sorri com as gentilezas que o funcionário lhe dedica e Waldo perde a compostura dizendo:
_ Que é isso aí, o gerente está se engraçando com a minha mulher? Veja só ele beijando as mãos dela!
Pedro argumenta:
_Olhe direito, parece que é ela quem está se insinuando.
. _Nada disso! Eu ensinei tudo o que ele sabe de banco e esse camarada sempre foi assanhado com as mulheres!
Transtornado com o que vê, Waldo se atreve a fazer uma proposta:
_Pedrão, se não for lesivo ao regulamento, quero lhe pedir um favor.
_Diga e veremos o que é possível fazer.
Waldo respira fundo e diz:
_Quero voltar à Terra, nem que seja por 10 minutos.
_Isso é altamente irregular, mas o que faria nesses 10 minutos? _perguntou Pedro.
_Quero voltar exatamente ao momento em que eu contratava essa apólice de seguros e mudar a agência pagadora, assim, essa cena não acontecerá.
Pedro fica momentaneamente pensativo, e pergunta:
_Quando foi que você fez o seguro?
_Dois meses atrás. _responde Waldo.
_Certo meu caro. Dez minutos na Terra representa menos de um milésimo de segundo por aqui, vou aforar, mas olhe lá, só 10 minutos.
Lesto, Waldo está de volta à Terra e na agência, mas se desespera ao perceber que não havia levado em consideração o mês de fevereiro com 29 dias. Ele estava adiantado em um dia, não havia feito a apólice, logo não poderia mudá-la.
Waldo pensou rápido, só teria 10 minutos. Chamou o corretor de ações e comprou dele a mesma quantia que sua esposa receberia em dinheiro. Com essa compra ela receberia ações e não dinheiro, logo não seria atendida por aquele gerente que segundo ele, se engraçara com Morgana. Efetua um empréstimo para pagar pela compra das ações e, emite um cheque que será cobrado no mesmo dia do crédito de seu seguro, zerando a conta.
Waldo está de volta. Pedro o recebe com um sorriso e indaga:
_Correu tudo bem?
_Nada Pedrão, cheguei um dia antes. Só me restou a opção de comprar ações com o dinheiro que ela receberia de meu seguro. Melhor, pois assim ela poderá vendê-las em outra agência.
_Então ainda temos tempo _afirma Pedro.
_O querubim ainda não retornou com o seu alfarrábio, ele foi brasileiro e você bem sabe como estes são lentos, vamos ver o que vai acontecer.
Novo gesto e lá está o evento que buscam, Morgana em frente ao corretor de ações, igualmente se derramando em sorrisos e charme, enquanto ouve dele:
_Senhora, seu falecido marido entendia muito de ações, pois elas valorizaram mais de 20% desde a data de sua compra, parabéns!
_Para, para, para! _grita Waldo
_Tudo de novo, só tem galanteadores na Terra?
Pedro novamente discorda:
_ Meu caro, não tive essa impressão.
_Vamos fazer o seguinte Pedrão, não tive culpa, nem você, mas voltei no dia errado, acho que mereço uma nova oportunidade, quero voltar novamente.
_Ainda vou ser rebaixado. _ murmura Pedro.
_Mas está certo, ambos erramos, vai ver direitinho data e hora. Está pronto? Então vai.
Agora sim, Waldo estava na agência certa, na hora certa, tudo como queria, mas a insegurança o faz mudar de ideia e simplesmente muda a beneficiária.
Retirou o nome de Morgana e colocou sua mãe como a favorecida.
Waldo retorna lépido.
_Vejo que deu tudo certo. _ diz Pedro.
_Acho que sim, vamos conferir?
Novo gesto, novas imagens. Lá está Altina, a mãe de Waldo, entrando na agência. Desesperado ele implora para parar a cena. Sua mãe entrara no Banco abraçada a um rapaz, minimamente 50 anos mais jovem que ela e que fatalmente só estaria em sua companhia visando ajudá-la a gastar o dinheiro do seguro.
A alegria de Waldo dá lugar a um enorme desânimo. Pedro se comove. _Também não gostei do que vi, volte já para lá.
Tudo certinho e sem erros, agora Waldo altera os beneficiários, retira o nome de sua mãe e coloca o dos seus seis filhos.
Pedro está aborrecido com a demora na resposta do querubim e para entreter Waldo, ele o convida para seguir vendo o futuro.
Na tela, outra desilusão. Em frente à agência bancária, um congestionamento de carrões importados, comprados pelos seis filhos de Waldo, cada um com o seu. Eles já haviam "torrado" todo o dinheiro antes mesmo de recebê-lo.
Waldo decepcionado com o que vê, tem um mal súbito. Desfalece e ao cair, bate a cabeça num banco de mármore, os ferimentos exigem cuidados.
Waldo acorda no leito de um hospital, onde esteve em coma por alguns dias, com a cabeça e o braço enfaixados. Ao seu lado Morgana e seus filhos.
Feliz, ela comenta:
_Amor, que bom que foi só um grande susto, agora você está bem!
_O que aconteceu? _pergunta ele.
Morgana pacientemente explica tudo a ele:
_Naquela segunda-feira quando você foi receber seu primeiro salário como aposentado, sua intenção era de ser o primeiro da fila. Acontece que estamos no horário de verão, com uma hora adiantada. Você nunca, ano nenhum, adiantou seu relógio. Foi isso que o salvou.
_Por quê? _pergunta Waldo.
_O primeiro senhor que estava na fila foi morto por bandidos.
_Como foi isso?
_No momento em que a agência abriu às 9h, um senhor de mais de 80 anos entrou pela porta giratória e com ele entrou um dos assaltantes. O idoso reagiu, levou uma coronhada, caiu, bateu a cabeça na parede e morreu.
_E eu por que estou aqui?
_Você chegou lá achando que eram 8h50, mas já era 9h50, bem no momento do fim do assalto. Houve um encontrão entre vocês e lhe deram um tiro no braço. Esse hematoma na cabeça deve ter sido quando caiu no chão.
Três dias depois Waldo recebe alta. O médico faz inúmeras recomendações a ele e comenta que era normal em alguns casos, quando o paciente volta do estado de coma, ter a impressão de que esteve em outros lugares, mas que isso logo passaria.
Waldo acredita piamente que tudo o que lhe ocorreu era criação de sua mente em razão do estado de coma, apenas alucinações.
Dias depois, recuperado, volta às suas atividades de aposentado e resolve comprar frutas no supermercado próximo de sua casa. Por comodidade vai de carro, ao parar em um semáforo vermelho, recebe de um senhor bem idoso, barbas e cabelos brancos um folheto com os dizeres:
"Você estava certo, não era o seu dia e lá vale o que está escrito".
Waldo levanta os olhos buscando pelo ancião, mas já não o encontra mais.
Volta a olhar para o folheto onde agora, existe apenas a propaganda de uma grande seguradora. Por muito tempo essa cena rondou seus pensamentos, mas ele se lembrava da afirmação do médico, era efeito dos remédios e do coma.
Certa manhã, Waldo assistia a um programa de TV cujo tema era a Bolsa de Valores e um dos comentaristas afirma:
_Não é toda semana que as ações sobem mais de 20% no seu preço, como havia acontecido dias atrás.
Waldo estava sem ler os jornais dos últimos dias e curioso e incrédulo, constata abismado que as ações que ele teria comprado em seu momento de volta à Terra, eram as mesmas divulgadas na notícia, as mesmas valorizadas em mais de 20%.
Seu pensamento distante é interrompido por Morgana que lhe pergunta:
_Você não vai mandar arrumar o relógio que quebrou no dia do assalto?
Ele olha para o mostrador onde os ponteiros estão parados e marcando exatamente 8h. Tirando o relógio do pulso observa uma gravação na tampa traseira, uma senha do Banco, com o número P 001, data de 02 de março de 1992.
Confuso Waldo seguia incrédulo, não aceitava a possibilidade de ter mesmo morrido.
Na semana seguinte recebe uma ligação do banco e o gerente lhe pergunta.
_Waldo onde quer que eu aplique o dinheiro que sobrou de sua compra de ações, elas valorizaram 20% em poucos dias. Abismado ele se lembra que para cancelar essa compra ele não teria voltado.
A sorte de Waldo. Lá vale o que está escrito
FIM – Tito Cancian
italianodeoderzo@hotmail.com.
COMO DUPLICAR UMA HERANÇA
Juliano acabara de completar 21 anos de idade, e a partir daí, poderia desfrutar da herança deixada pela família, quando do falecimento de seu pai.
Até então vivia com sua tia Fausta, irmã de sua mãe, que o criou dentro de rígidos padrões para aquela época. Desde muito jovem o rapaz se interessou por Lia, a filha do
prefeito da cidade, um homem ambicioso que não se contentava com sua riqueza e nem com o poder, ele queria mais, e pretendia usar sua única filha para isso. Apenas deixaria a moça casar-se com um rapaz que fosse capaz de no futuro juntar fortunas e poder aumentá-la cada vez mais. Quando Juliano o procurou pedindo para namorar Lia, ele foi categórico. _Só permito que namorem se você conseguir dobrar a sua herança, eu disse:
dobrar. Juliano acatou a ordem e prometeu fazer isso o mais rápido possível, pois já estava apaixonado e não queria perder a sua amada. Passou então pesquisar em qul
atividade poderia, rapidamente, alcançar a meta de dobrar seus recursos. Leu em um jornal que desde 1892 na então capital do país Rio de Janeiro, havia como meio de
transportes o BONDE ELETRICO, que se iniciou só com alguns quilômetros, mas, já era visto em toda parte da cidade, e que já haviam 44 sistemas de bondes, que para se
locomoverem precisavam de trilhos, e, claro, que ao saber que em São Paulo, capital de seu estado já havia esse meio de transporte desde 7 de maio de 1900, pensou: Achei o mapa da mina, e construiu uma gigantesca indústria para fabricá-los. Rapidamente, descobriu que os BONDES seriam substituídos por outros meios de transportes e sem uso de trilhos. Como só restaram BONDES como atração turística e em poucas cidades do país, que os trilhos eram diferentes dos usados em Estradas de Ferro, desistiu, mas não sem antes ter perdido grande parte de sua fortuna. Ao fechar sua indústria. teve que demitir seus operários, apenas manteve Clotilde, uma moça de 26 anos que lhe serviu como secretária. Ele sabia que sempre haveria um lugar para ela por ter demonstrado capacidade nessa função. Enquanto imaginava como poderia alcançar o objetivo de dobrar sua herança, ambos se reuniam em sua linda casa, pesquisando possíveis investimentos. Clotilde, além de secretaria, passara ser um ombro amigo de Juliano que sempre se lamentava das exigências do prefeito, Pai de Lia, ela o consolava, e para ser solidária nesse tipo de sofrimento amoroso contou a ele que, também sofrera por amor, mas, sem chance de recuperá-lo, pois, seu namorado havia se casado com sua melhor
amiga. Essas confidencias, revelaram que ela havia se entregado ao namorado, e para o inexperiente e virgem Juliano tudo era novidade, que corava quando ela detalhava
cenas de sexo com o ex namorado. Mas, não havendo mais BONDES para utilizar seus trilhos, imaginou, então vou construir uma empresa para desenvolver câmara de ar para os pneus de borracha, estas desde 1888 quando o veterinário Escocês JONH BOYDE DUNLOP, imaginando construir algo para seu filho usar em seu velocípede, descobriu muitas outras utilidades e logo, os pneus com câmara eram vistos em Belfast. Juliano,prudentemente, não pôde investir muito capital, até porque já não era tão grande seus recursos, e, quando passou ser usado pneus sem câmara, concluiu que: se seguisse nisso afundaria rapidamente e, novamente desistiu. Seguia pesquisando e passou a investir na fabricação de fichas para uso em telefones públicos "ORELHÕES", estas eram feitas em
ferro, latão, cobre e zamac, entre outros e média de diâmetro entre 20mm e 30mm, já estavam em uso desde a década de 60, porem, por vandalismo, as fichas foram
substituídas por cartões telefônicos, deixando Juliano novamente apenas com o prejuízo.
Nova tentativa foi investir em TAMANCOS DE MADEIRA também chamados de"BURZEGUINS", que foram usados desde a idade média pelos nobres, fossem homens ou mulheres, principalmente na Holanda, mas a palavra TAMANCO teve sua origem na FRANÇA e vem do termo "sabat" na época, por ser de madeira eram também usados nas fabricas para danificar as engrenagens, pelos operários em luta por melhores salários, dando origem a palavra SABOTAGEM. Mas a sorte de Juliano durou pouco, mal deu tempo para recuperar seu modesto investimento, pois acabavam de inventar as ALPARGATAS com solado de cordas e panos. Foi o fim de mais uma tentativa.
Juliano ficou agoniado, Lia, apoiava cegamente as exigências do pai, e eles apenas flertavam vez ou outra, namorar só depois de dobrar sua herança. Apaixonado, Juliano não desistia, e lendo uma revista de Portugal, viu um anuncio de "Boquilha" que era usado pelas senhoras de alta classe, seria até uma moda feminina, aqui no Brasil seu nome era "Piteira" fabricadas em prata e jade, e desde 1910 já eram usadas por aqui, chegou comprar um maquinário para produzi-las, contudo os concorrentes passaram usar plásticos, o que tornou inviável, pelos preços, concorrer com eles por serem infinitamente mais baratos, pior ainda, quando a partir de 1960 surgiram os cigarros com filtro encerrando, definitivamente, as pretensões de Juliano em dobrar sua herança nessa linha de produtos, que hoje só é moda no Japão onde são usadas pedras preciosas, casco de tartaruga e chifres, em sua fabricação ou seja, alto nível. Juliano, depois de vários maus negócios, já pensava desistir de namorar Lia, mas, sempre
ao passar em frente à sua casa e receber dela ao menos um sorriso, o animava prosseguir no seu objetivo de dobrar sua herança, fato que a cada dia que passava se tornava mais difícil, pois, seus recursos financeiros já estavam abalados. Em uma tarde, tomando sol na varanda de sua casa, percebeu uma criança, escrevendo em local de
terra o seu próprio nome, e passou a refletir, como aquele ato era muito importante para a humanidade: a escrita. Mentalmente, voltou à 3.500 A/C e vibrou lembrando que os SUMERIOS, que habitavam onde hoje fica o Sul do Iraque, criaram uma escrita cuneiforme, usando madeira ou osso em forma de cunha. Suspirou ao lembrar que em 2.500 A/C os Egípcios usavam ossos molhados em tinta vegetal para se comunicarem e que na idade média se usou penas de gansos talhadas para o mesmo objetivo. Por curiosidade pesquisou e descobriu que Lewis Edson Waterman em, 1884 criou a caneta tinteiro, pois antes dela ainda no século XIV quando foi criada as penas de metal, estas precisavam ser molhadas em tinteiros para as escritas. Assim, imaginou que fabricar penas de metal para caneta tinteiro seria um ótimo negócio e que poderia usar apenas pequeno recurso para produzi-las. Chegou até em um momento, ser o maior produtor de penas para canetas do país, havia Já até recuperado boa parte do dinheiro empregado para construção dessa fábrica, foi, quando surgiram as canetas esferográficas, e por pouco não tem sua falência decretada, até então, só prejuízos Com seus recursos já depauperados, Juliano, agora, teria que acertar na escolha de seu próximo empreendimento, não poderia errar. Certo dia assistindo TV sobre como havia sido o início das transmissões, todas ao vivo, inclusive os comerciais sendo apresentado por moças com seus textos decorados e movimentos pre estabelecidos, resolveu conhecer um pouco mais sobre o tema, assim descobriu que: O primeiro protótipo visando uma gravação que levava o nome de "VERA" Vision Electronic Recording Apparatus, havia sido criado e desenvolvido em 1950, mas por não atender as necessidades foi encerrado em 1958, dois anos antes em, 1956 era lançado o VR 1000 um equipamento de gravação em fita quadrupex acondicionados em carreteis abertos (oppen reel) e fita de 1 polegada designado "TYPE A", Ainda não haviam terminado o programa e Juliano deu um salto da cadeira aos gritos dizendo: É ISSO, ACHEI NÃO TEM ERRO. Nosso apaixonado e empobrecido Juliano então teve a ideia de abrir em todo Brasil, inclusive em todas as cidades, com mais de vinte mil habitantes, uma LOCADORA de filmes. Levou bom tempo, viajando de cidade em cidade, alugando os locais onde suas lojas funcionariam. Comprou milhares de fitas dos filmes mais vistos, até então, nos cinemas, e nas inaugurações em cada cidade levou artistas alguns até estrangeiros para marcar, definitivamente, sua nova aposa.
Por dois anos ganhou bom dinheiro, alugar as fitas ver o filme em suas casas e possibilitar que várias pessoas assistissem com apenas o pagamento de aluguel era a
moda do momento. Havia até pessoas que alugavam essas fitas diariamente, inclusive de filmes que seriam lançados no mesmo dia nos cinemas, até que criaram o CD, este era de muito mais fidelidade de som e imagem: Para seguir com seu empreendimento, Juliano
teria que vender todas as suas antigas fitas, e poucos, ou ninguém tinha interesse nelas, e claro, como sempre, só prejuízo. Já sem dinheiro, Juliano, recorre à um tio que morava distante, mas ele sabia que havia fortes possibilidades de, caso usasse o telefone pessoas descobririam que ele não tinha mais dinheiro, esse detalhe poderia reforçar a negativa por parte do gerente do banco quando este recusou aprovar um empréstimo para ele, assim, pensou vou mandar minha mensagem usando um fax, que é confiável, rápido é seguro. Imediatamente pensou: Por
que não pensei nisso antes? Caso consiga ajuda de meu tio, montarei uma indústria e fabricarei esses aparelhos, e concluiu ainda vou me recuperar. Foi o que fez, mas
enquanto aguardava resposta buscou saber mais detalhes sobre o que produziria, e o fez usando as Enciclopédias muito usadas em pesquisas na época. Descobriu que: a ideia de transmitir documentos a longa distância, surgiu em 1843 e foi de Alexander Bain, mas apenas em 1926 tornou-se uma realidade com a criação do telefone
de Alexander Graham Bell, contudo o primeiro aparelho de FAX foi criado em 1947 por Gabriel Casotti, mas, só em 1973 foi produzido em grande escala. No dia seguinte, recebeu a notícia que esperava. Seu tio concordava em emprestar a quantia solicitada, mas pedia garantias. Juliano aceitou essa exigência e deu uma de suas casas em hipoteca. Rapidamente, ao receber o deposito efetuado por seu tio, procurou saber de detalhes para contratar os especialistas, não sem antes, fazer comentários desairosos contra o gerente da agência. Quando já tinha praticamente tudo pronto, não chegou nem mesmo inaugurar sua nova atividade, devido a sua descoberta de que o aparelho de FAX já estava obsoleto, havia agora novos e mais modernos meios de comunicação, desta vez não ficou apenas com prejuízo, mas também perdeu a casa que dera em garantia do empréstimo. Desolado, com mais essa perda nos negócios, Juliano, resolve passar uns dias em um sítio que fazia parte da herança, esperava que longe das pessoas, poderia ter alguma nova ideia de investimento, contudo, não sabia cozinhar e lá não havia nenhum empregado, o local estava mesmo praticamente abandonado.
Concluiu que o melhor a fazer, seria convidar Clotilde, que além de secretariá-lo poderia ajudar nas tarefas diárias inclusive, com a alimentação, e ao fazê-lo, ela, aceitou de imediato. Programaram permanecer no sítio por uma semana, e no primeiro dia, ambos, se ocuparam basicamente da limpeza do local, no dia seguinte, o calor, embora a época seria mesmo para tal, estava escaldante e Clotilde após preparar refeições leves, sugere á Juliano passar umas horas a beira do rio que rodeava o sítio e lá fazer a refeição.
Convite aceito, ambos apenas levaram uma toalha para colocar os alimentos em cima, mas, o calor só aumentava, e Clotilde pergunta à Juliano: Vamos tomar um banho no rio? E ouve como resposta: seria ótimo, mas não trouxemos roupas para tal e ouve: Somos dois adultos, não vejo nenhum problema em banhar me nua, nem eu, afirmou Juliano. assim, por um bom tempo, ficaram dentro do rio, inclusive com brincadeiras de crianças jogando água um no outro. Ao sair, e apenas aí, Clotilde notou como era grande e grosso o membro de Juliano, chegou até se excitar, mas, preferiu vestir suas roupas e seguir fazendo a refeição. Porém, ao sentar-se diante dele, levantou suas pernas, deixando sua vagina totalmente a mostra, pois, sua calcinha branca, toda molhada permitia vê-la. Em um momento, Juliano nota o fato e passa contemplar o que vê, e de imediato tem uma ereção, que é notada por Clotilde que fica até ofegante ao ver quando ereto, ainda é bem maior o que já vira antes. Clotilde, mente que vai se afastar um pouco para dentro da vegetação para urinar, mas, já dentro da mata, acaricia seus seios e imediatamente passa alisar suavemente seu clitóris, em seguida chega a um orgasmo, que ela tem que disfarçar para não ser ouvida. Horas depois, voltam para o sítio.
A partir daquele dia, Clotilde, quando só, volta aos carinhos em seu corpo, atinge seus orgasmos, mas passa a ter um proposito: Ainda vou fazer sexo com Juliano, quero o pênis enorme dele dentro de mim por horas.
Juliano, em alguns momentos, a partir daquela tarde, na qual vira, mesmo que encoberta por uma calcinha molhada, a vulva de Clotilde, ao relembrar, também, tem suas
excitações, porem fora educado em rígidos princípios, mas ao ter suas ereções, seus pensamentos eram de estar penetrando Clotilde, e se masturba cotidianamente, antes disso, o fazia vendo cenas picantes em sua tv preto e branco, e num desses momentos lembra que fora inventada e estava sendo usado uma folha de plástico com três cores, azul, verde e amarelo, e esta ao ser colocada na frente da tela da tv preto e branco dava a impressão de se ver as imagens coloridas. De imediato, pesquisou, e claro, que montou nova indústria com máquinas modernas, chegou vender muitas delas, mas com a criação das TVs coloridas, novamente, só prejuízos. Juliano agora tinha novamente um motivo para voltar ao sítio com Clotilde, pensava ele que poderia rever a moça nua, seus seios firmes, seus pelos pubianos, e realmente, para lá voltaram. As cenas anteriores, banho sem roupas, ereções, masturbação dela, se repetiram, mas Juliano era muito tímido, nunca havia tido um contato sexual com mulher
alguma, e imaginava apenas ficando nas excitações, mas, naquela tarde tudo seria diferente, ele nunca soube que Clotilde tivera outras intenções com ele e, após a refeição na beira do rio e uma soneca de ambos, Juliano acorda com Clotilde o abraçando por traz, e ao acordar pergunta a ela o que havia acontecido porque ela o estava abraçando, e com um sorriso ela respondeu: eu estava sonhando com você, e estávamos abraçados.
Conte mais sobre esse sonho, pede Juliano, e ela lhe diz, vou fazer exatamente como ele foi: Retira toda sua roupa, e faz com que ele também fique nu. Mas nesse momento Juliano pergunta: Nadamos novamente? e ela responde: não, fique quieto, vou demonstrar como foi o sonho: Deita-se ao seu lado, esfrega suavemente seus
mamilos no rosto de Juliano, que, de imediato, tem uma ereção, e ela prossegue: acaricia todo o ventre dele e coloca o seu membro dentro de sua boca, fazendo sexo oral, Juliano tenta evitar porque, ele fora criado rigidamente por sua tia Fausta, mas ela prossegue, senta-se em cima da barriga dele abre suas pernas e faz com que o seu pênis já firme apenetre, rapidamente, ambos têm um maravilhoso orgasmo. Em seguida ela fala, foi esse meu sonho, vamos repetir? Mas Juliano não consegue mais ter uma ereção, se desculpa, lamenta, mas sai dali feliz por ter tido seu primeiro relacionamento carnal.
Da mesma forma Juliano foi abrindo e fechando suas indústrias quando partiu para abricar: Alfinetes para gravatas, Espiriteiras, joelheira para goleiros de futebol e seus últimos recursos ele usou para comprar linhas telefônicas, pois o aluguel destas renderia um bom dinheiro. Com a chegada dos celulares, seu último negócio ruiu, passou a contrair dívidas para seguir tentando, mas havia perdido até seu crédito, ninguém mais lhe emprestava dinheiro algum. De sua gigantesca fortuna apenas lhe restava o sítio, que ele frequentava com Clotilde, mas, este já estava inviável para qualquer atividade agrícola, mas ali Juliano foi esconder-se de seus inúmeros credores, dentro de uma pequena gruta. Pretendia ficar escondido por lá até as coisas se acalmarem, seus credores haviam colocado jagunços em seu encalço, assim ele levou água e comida para o refúgio que durassem uns 15 dias. Mesmo sem esse costume Juliano levou bebidas para tomar, pois seus pensamentos lhe impediam dormir rapidamente, e quando dormia em sonho era perseguido pelos jagunços.
Na terceira noite, já bastante embriagado Juliano se deita no chão da gruta que lhe dava abrigo e que ficava dentro de suas poucas terras, em um transe ou delírio ou até efeito da bebida alcoólica que tomara em abundancia, recebe ou pensa receber a visita de um senhor que lhe lembrava de muito seu avô paterno que lhe diz: _ Juliano, crie com muito carinho essas abelhas raras a espécie delas é OSMIA AVOSETTA, originarias do Iran, estas não vivem em colmeias, mas sim em ninhos feitos com pétalas de flores coladas com lama, deixe que elas produzam mel e própolis com néctar retiradas de rosas, jasmim, gardênia lírio branco, narciso, angélica, cravo vermelho flor de macieira e lavanda. E o jovem acorda ou volta a si imediatamente, mas ali estão às abelhas como na visão que tivera, e ele passa acreditar quando vê o ninho feito em pétalas de flores. Ainda meio incrédulo, mas por absoluta falta do que fazer cuida muito bem das abelhas, mas não sabe onde encontraria as flores indicadas. É quando se lembra de que seu amigo de infância Anselmo havia voltado à cidade e que em sua antiga fazenda plantara muitas flores. Na calada da noite procura por Anselmo, conta todo seu infortúnio a ele que imediatamente avaliza o amigo em um empréstimo Bancário suficiente para liquidar todas as suas dívidas. Passam produzir mel e própolis no velho sítio de Juliano. Certo dia, sentados no alpendre de uma nova casa ali construída, Anselmo pega um pouco da própolis que produziam e o leva à boca, imediatamente tem uma forte reação, mas imagina ter sido apenas mero acaso. Na noite seguinte, repete o ato e como na anterior sente o mesmo calor, seguido de ereção, percebe que seu pênis está ainda maior que das outras vezes. Pensa em se masturbar, mas, sempre imaginava estar fazendo
sexo com Clotilde, e nesse momento, fala baixinho: Claro, vou chamá-la, quem sabe consigo amá-la mais vezes. Ainda receando ser visto por credores, vai, ao anoitecer, até a casa de sua secretaria, consegue acordá-la jogando pequenas pedras no vidro de seu quarto, e quando ela abre a janela e o vê, pede que ele entre pela janela, para que seus pais não os vejam. Juliano seguia com sua inexplicável ereção, e ao notar o fato, Clotilde lhe diz: Você não imagina como pensei várias vezes que isso aconteceria, você pulando minha janela e passando a noite juntos. A cena entre ambos lembrava a de dois adolescentes desesperados, um tirando a roupa do outro, um beijo ardente deu início aquela noite de sexo interminável, onde por horas seguidas e com o pênis de Juliano mesmo depois de vários orgasmos seguia firme. Fizeram sexo, normal, anal, oral, oral duplo chamado de 69, e quando já amanhecia, ambos exaustos, Clotilde pergunta: O que
aconteceu? Como surgiu esse vigor todo? Mas Juliano preferiu fazer novo teste, e nada falou, mas pediu a ela que no dia seguinte, e sem ser vista, fosse até seu sítio. A moça vibrou com o convite e no horário marcado lá estava ela. Juliano, comenta que poderia, através de uma mensagem que recebida de um parente falecido, ter descoberto algo maravilhoso, e certamente iria solucionar todos os seus problemas. Dá a ela uma porção de própolis tirado de sua produção, imediatamente, a reação foi idêntica à que ele tivera na noite anterior. Novamente, a cena se repete, ela, procura rapidamente tirar as vestes de Juliano, que ao perceber que o imaginado por ele era uma realidade, enquanto também, retirava as vestes dela, coloca em sua boca uma quantidade de própolis.
Fizeram amor seguidamente, ela só repetia: Quero mais, e ele: também quero. Horas depois, o calor acalmou, as pernas bambas, o coração acelerado, a respiração ainda
ofegante de ambos, e uma frase dela encerrando a noitada e disse: Não lhe deixo mais, quero você todos os dias, e se for possível todas as horas. Diante da reação do casal, no dia seguinte, Juliano conta, mas com reservas para Anselmo o que havia ocorrido e ambos procuram um laboratório, solicitam uma análise da própolis e descobrem que acabavam de criar um potentíssimo afrodisíaco, para ambos os sexos e com nenhuma contra indicação.
Desta forma, Juliano dobra a sua herança e Anselmo triplica a sua. Naquela mesma semana, os comentários na cidade davam conta de que o prefeito havia sido afastado do cargo por suspeita, de fraudes em licitações e desvio de verbas da prefeitura, e ainda para piorar sua situação teve seus bens bloqueados. No dia seguinte Juliano recebe a visita dele e de Lia. O prefeito, agora afastado, sorridente diz e Juliano: Sei que você conseguiu dobrar a sua herança, agora eu lhe dou permissão para namorar e casar com minha filha Lia. Nesse momento, Juliano, chama Clotilde que estava na sala ao lado, e olhando para Lia e seu pai diz: Namorar, e com a permissão dela sempre será com esta moça, que acreditou e me ajudou quando eu mais precisei, casar, se algum dia entendermos ser preciso ou por vontade de ambos o faremos. E com um sinal de braço, convida Pai e filha a se retirarem do escritório da maior indústria de produtos naturais afrodisíacos do mundo.
FIM - Tito Cancian