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O Último Grito do Meu Anjo

O Último Grito do Meu Anjo

Autor:: Jane
Gênero: Moderno
Quando abri os olhos no hospital, o teto branco anunciava o vazio: o meu filho de cinco anos, Lucas, estava morto. Mas o meu marido, Pedro, não me olhou. Correu para o lado da minha meia-irmã, Sofia, perguntando pela dor da perna e até do cão dela, Bobi, enquanto eu desmoronava. Pálida, Sofia parecia uma vítima, mas lembrei-me: no acidente, foi ela quem puxou o volante, furiosa porque não a deixei dar chocolate ao cão. Lucas morreu por causa da teimosia dela. Confrontei Pedro. Ele me chamou de "louca", defendeu a Sofia de 19 anos como se fosse uma criança e me acusou de ter "causado sofrimento suficiente". Eu estava presa, isolada, e a verdade parecia invisível a todos. Aquele funeral foi o golpe final. Pedro me humilhou diante de todos, mas foi o sorriso de Sofia que transformou a minha dor em gelo. Minha reputação estava em frangalhos, meus bens congelados, e a culpa do acidente jogada sobre mim. Mas uma nova chama acendeu: a de uma mãe que não tinha mais nada a perder. Conseguimos uma gravação da dashcam, onde as vozes da Sofia e o último grito do meu anjo estavam gravados. Eles ofereceram dinheiro pelo meu silêncio, mas eu recusei. Agora, Sofia e Pedro se arrependerão de subestimar o poder da justiça. O palco do tribunal está montado para a verdade, e eu garantirei que a confissão dela ecoe para sempre.

Introdução

Quando abri os olhos no hospital, o teto branco anunciava o vazio: o meu filho de cinco anos, Lucas, estava morto.

Mas o meu marido, Pedro, não me olhou. Correu para o lado da minha meia-irmã, Sofia, perguntando pela dor da perna e até do cão dela, Bobi, enquanto eu desmoronava.

Pálida, Sofia parecia uma vítima, mas lembrei-me: no acidente, foi ela quem puxou o volante, furiosa porque não a deixei dar chocolate ao cão. Lucas morreu por causa da teimosia dela.

Confrontei Pedro. Ele me chamou de "louca", defendeu a Sofia de 19 anos como se fosse uma criança e me acusou de ter "causado sofrimento suficiente". Eu estava presa, isolada, e a verdade parecia invisível a todos.

Aquele funeral foi o golpe final. Pedro me humilhou diante de todos, mas foi o sorriso de Sofia que transformou a minha dor em gelo. Minha reputação estava em frangalhos, meus bens congelados, e a culpa do acidente jogada sobre mim.

Mas uma nova chama acendeu: a de uma mãe que não tinha mais nada a perder. Conseguimos uma gravação da dashcam, onde as vozes da Sofia e o último grito do meu anjo estavam gravados. Eles ofereceram dinheiro pelo meu silêncio, mas eu recusei.

Agora, Sofia e Pedro se arrependerão de subestimar o poder da justiça. O palco do tribunal está montado para a verdade, e eu garantirei que a confissão dela ecoe para sempre.

Capítulo 1

Quando abri os olhos, o teto branco do hospital foi a primeira coisa que vi.

A minha cabeça doía.

O meu corpo inteiro parecia ter sido atropelado por um camião.

A minha mãe, Clara, estava sentada ao meu lado, com os olhos vermelhos e inchados.

"Mãe, o que aconteceu? Onde está o Lucas?"

A minha voz saiu rouca.

A minha mãe começou a chorar.

"Eva... o Lucas... ele não sobreviveu."

O meu mundo desabou.

Lucas. O meu filho de cinco anos. O meu único filho.

Ele não sobreviveu.

O meu marido, Pedro, entrou a correr no quarto nesse momento.

Ele não olhou para mim, foi direto para a minha mãe.

"Clara, como está a Sofia? O médico disse alguma coisa? Ela está com dores?"

A sua voz estava cheia de uma ansiedade que eu nunca tinha ouvido antes.

Sofia. A minha meia-irmã.

Ela estava deitada na cama do outro lado do quarto, pálida, com uma perna engessada.

A minha mãe enxugou as lágrimas e respondeu: "O médico disse que a fratura dela é complicada, vai precisar de muito repouso. Ela continua a chorar por causa do cão."

"Pobre Sofia," disse Pedro, a sua voz suave. "Não te preocupes, Sofia, eu vou encontrar o melhor veterinário para o Bobi. Ele vai ficar bem."

Eu olhei para ele.

O meu marido.

O homem com quem partilhei a cama durante seis anos.

O pai do meu filho morto.

Ele nem sequer me dirigiu um olhar.

O meu filho estava morto, e ele estava preocupado com a perna da minha meia-irmã e o cão dela.

"Pedro," chamei-o. A minha voz era um sussurro.

Ele finalmente virou-se para mim, a sua expressão irritada.

"O que foi, Eva? Não vês que estou ocupado? A Sofia está ferida, precisa de mim."

"O nosso filho morreu."

Disse as palavras. Elas soaram estranhas, como se pertencessem a outra pessoa.

Ele franziu a testa, impaciente.

"Eu sei. É uma tragédia. Mas chorar não o vai trazer de volta. Precisamos de ser fortes, pela Sofia."

Pela Sofia.

O meu corpo começou a tremer incontrolavelmente.

O acidente. Lembrei-me.

Estávamos no carro. Eu, o Lucas e a Sofia.

Ela insistiu em levar o seu cão, Bobi, para o parque. No caminho, ela começou a discutir comigo porque eu não a deixava dar chocolate ao cão.

Ela puxou o volante.

Apenas por um segundo.

Mas foi o suficiente.

O carro desviou-se, bateu contra a barreira.

Lembro-me do grito do Lucas.

Depois, escuridão.

"Foi culpa dela," disse eu, a minha voz a ganhar força. "A Sofia causou o acidente."

O rosto de Pedro endureceu.

"Não te atrevas a culpá-la! Ela é apenas uma criança! Ela já está a sofrer o suficiente!"

Uma criança? A Sofia tinha dezenove anos.

"O teu filho está morto, Pedro!" gritei, as lágrimas finalmente a escorrerem pelo meu rosto. "O nosso Lucas!"

"E o que queres que eu faça?" ele gritou de volta. "A culpa é tua por a teres deixado irritada! Devias ter sido mais paciente!"

Ele virou-me as costas e voltou para o lado da cama da Sofia, pegando na mão dela.

"Não te preocupes, querida. Eu estou aqui. Não vou deixar que ninguém te magoe."

Naquele momento, algo dentro de mim quebrou.

O amor que eu sentia por ele, a esperança que eu tinha na nossa família, tudo se desfez em pó.

"Pedro," disse eu, com uma calma assustadora. "Vamos divorciar-nos."

Capítulo 2

O silêncio no quarto era pesado.

A minha mãe olhou para mim, chocada.

Sofia, na sua cama, começou a soluçar alto.

"Irmã, por favor, não digas isso. A culpa foi minha, eu sei. Não destruas a tua família por minha causa."

A sua voz era fraca e cheia de lágrimas.

Pedro virou-se para mim, os seus olhos a arder de fúria.

"Tu só podes estar a brincar. O nosso filho acabou de morrer e tu estás a falar em divórcio? Onde está o teu coração?"

"O meu coração?" Ri, um som oco e sem alegria. "Onde estava o teu coração quando o nosso filho estava a morrer e tu só te preocupavas com ela?"

Apontei para a Sofia.

"Ela não é uma criança, Pedro. Ela tem dezenove anos. Ela puxou o volante de propósito."

"Isso é mentira!" gritou Sofia da sua cama. "Eu só me assustei! Tu estavas a gritar comigo!"

"Cala a boca, Eva!" rosnou Pedro. "Estás a traumatizá-la ainda mais! Devias ter vergonha!"

Ele aproximou-se da minha cama, a sua sombra a cobrir-me.

"Tu não vais a lado nenhum. Estás em choque. Não sabes o que estás a dizer. Vamos ultrapassar isto, como uma família."

"Nós não somos uma família," disse eu, olhando diretamente nos seus olhos. "Não mais."

A porta do quarto abriu-se e o meu padrasto, Tiago, o pai da Sofia, entrou.

Ele era um homem grande e imponente, e o seu rosto estava sombrio.

Ele ignorou-me completamente e foi direto para a sua filha.

"Minha querida, como te sentes? O pai está aqui."

A sua voz, normalmente dura, era surpreendentemente gentil.

Sofia chorou ainda mais alto nos seus braços.

"Pai, a irmã Eva quer divorciar-se do Pedro. É tudo por minha causa."

Tiago olhou para mim por cima do ombro da Sofia, o seu olhar frio como gelo.

"Divórcio? Que disparate é este?"

A minha mãe, Clara, finalmente falou.

"Tiago, por favor. A Eva acabou de perder o filho dela."

"E a minha filha quase morreu!" ele retorquiu. "E agora esta tua filha ingrata quer criar mais drama. Sempre soube que ela não prestava, tal como o pai dela."

As suas palavras atingiram-me.

O meu pai tinha-nos abandonado quando eu era pequena. Tiago nunca perdeu uma oportunidade de me lembrar disso.

Pedro colocou uma mão reconfortante no ombro de Tiago.

"Não se preocupe, Tiago. A Eva está apenas em choque. Ela não quer dizer isto a sério. Eu vou tratar dela."

Eles estavam a falar de mim como se eu não estivesse ali.

Como se a minha dor não importasse.

Como se a minha decisão não fosse minha.

Peguei no meu telemóvel na mesa de cabeceira. As minhas mãos tremiam, mas consegui encontrar o número.

"O que estás a fazer?" perguntou Pedro, desconfiado.

"A ligar ao meu advogado," respondi, sem desviar o olhar do ecrã.

O rosto de Pedro contorceu-se de raiva. Ele arrancou o telemóvel da minha mão.

"Chega disto!"

O telemóvel caiu no chão com um baque.

Olhei para o aparelho partido, depois para o rosto dele.

E pela primeira vez, não senti medo.

Apenas um vazio gelado.

"Podes partir o meu telemóvel," disse eu, a minha voz firme. "Mas não podes forçar-me a ficar contigo. Acabou, Pedro. Eu quero o divórcio."

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