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OBCECADO POR ELA: O CEO e a FORASTEIRA

OBCECADO POR ELA: O CEO e a FORASTEIRA

Autor: JM MARTINS
Gênero: Romance
OBCECADO POR ELA: O CEO e a FORASTEIRA Ela mentiu para sobreviver. Ele nunca aceita um "não". Agora os dois estão presos no mesmo jogo. Luna Vargas não veio para passear. Chegou à cidade com nome falso, mala pequena, dinheiro contado e um passado que não pode ser revelado. Fugindo de quem deveria amá‑la, seu plano era simples: passar despercebida, trabalhar em silêncio e desaparecer na multidão. Mas o destino cruzou o seu caminho com o de Damien Reid - e tudo mudou. Damien é CEO de um império bilionário, homem acostumado a comprar, dominar e descartar. Mulheres para ele são apenas distrações... até a noite em que encontra Luna. Ela não se curva ao seu poder, não se impressiona com a fortuna e, o pior para ele: hesita. Para Damien, essa resistência é o maior dos desafios - e o que começa como jogo de poder logo se transforma numa obsessão sufocante. Ele quer possuí‑la, controlá‑la, apagar tudo o que ela foi antes. Mas Luna já foi quebrada antes e aprendeu a se reerguer. Agora, vivendo numa mansão que parece mais uma jaula, ela usa sua única arma: a capacidade de mentir, resistir e esperar o momento exato de fugir novamente. O perigo? Damien é tão obcecado quanto o homem de quem ela escapou. E ele não costuma deixar nada que considera seu escapar. Entre cárcere e desejo, medo e atração, mentiras e verdades escondidas... quem realmente está caçando quem?
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Capítulo 1 Damien Narrando

Damien Narrando

Sou Damien Reid, trinta e cinco anos. Para os poucos que se atrevem a chegar perto o bastante, sou só Dam. Dono e rosto de uma das maiores empresas de tecnologia do país. Dizem que sou implacável. E estão certos - não por maldade, mas por necessidade. Meu pai, Richard Reid, me ensinou desde menino que o mundo é uma selva onde só os mais fortes sobrevivem. E eu aprendi a lição muito bem: ou você comanda, ou é comandado. Não existe meio‑termo.

Meu império, minha imagem, o controle sobre tudo e todos... nada disso está à venda. E traição? Essa eu não aceito de jeito nenhum. Não aquelas que inventam em histórias de amor, mas a real: a de quem joga tudo ao vento, de quem vira as costas. Para mim, lealdade é o que sustenta tudo. Quem não está cem por cento do meu lado, não serve para estar em lugar nenhum.

A porta se abriu e Letícia entrou. Bastou um olhar rápido para perceber que algo estava muito errado. Ela vinha com a expressão fechada, uma pasta apertada contra o peito, e o ar da sala de repente ficou pesado, denso, como se uma tempestade estivesse prestes a desabar.

Ela estava comigo há exatos seis meses, como assistente administrativa. Sempre foi pontual, silenciosa, extremamente competente - daquelas pessoas que fazem tudo parecer fácil. Por isso mesmo, vê‑la assim, tão abalada, me deixou logo em estado de alerta.

- Desculpe, senhor Damien... mas preciso falar com o senhor.

Fiquei observando, desconfiado. Aquela postura submissa mas firme me dizia que não era problema pequeno.

- Pois fale. O que houve? - indaguei, com a voz que costuma fazer qualquer um tremer na base.

Ela hesitou. Um detalhe pequeno, mas que para mim foi um aviso claro.

- Eu... não posso mais continuar aqui. - Disse ela, calma demais, como se estivesse me acertando um relatório qualquer.

Dei uma risada seca, sem nenhum traço de humor.

- Não pode? Você ainda está em período de experiência, Letícia. Sabe muito bem como eu funciono, o quanto confiei e valorizei o seu trabalho. Agora vem com essa?

Colocou a pasta sobre a mesa. Ao abrir, senti o ódio tomar conta de mim de uma vez: ali estava a carta de demissão. Simples, direta, definitiva.

- Vou sair da empresa. Vou me casar. - Disse ela, com uma paz que parecia me ferir mais do que qualquer grito.

A raiva subiu forte e rápida.

- Casar? - repeti, sentindo a voz ficar mais áspera. - Você construiu espaço, se tornou indispensável, e joga tudo isso fora... por um casamento? O que esse homem tem que valha mais do que tudo o que conquistou aqui ao meu lado?

Ela ergueu o queixo, me encarando sem desviar o olhar nem um segundo.

- Ele me dá paz, Damien. E é isso que eu preciso mais do que qualquer coisa.

Paz. A palavra me bateu como um soco no estômago. Fraqueza. Coisa de quem não tem força para lutar. Minha mandíbula travou com força.

- Paz? - rebati, rindo de forma amarga. - O que acha que construiu aqui? Uma zona de conforto? A vida não é feita de paz, Letícia. Você devia saber melhor que ninguém.

- É a minha escolha. E eu vou seguir com ela. - Respondeu ela, inabalável.

Antes que eu pudesse descarregar toda a minha fúria, a porta foi aberta de repente, sem cerimônia nenhuma. Era Sérgia.

Entrou como se fosse dona de tudo - e fazia questão de deixar isso bem claro. Vestia um modelo que deixava pouco à imaginação, andando com aquela graça calculada, de quem sabe o efeito que causa. Seus olhos percorreram rápido por Letícia, com um desprezo explícito, e depois pousaram em mim como se eu fosse um prêmio que já pertencia a ela.

Ignorou completamente a presença da outra mulher e veio direto até mim. O perfume forte, doce e enjoativo tomou conta do ar antes mesmo que ela chegasse perto. Sem pedir licença, grudou o corpo ao meu, mãos ágeis subindo pelo meu peito até segurar firme na minha nuca e me arrastar para um beijo invasivo, exigente - feito de propósito, para marcar território, para humilhar quem estava ali vendo tudo.

Fiquei parado, rígido. Não era prazer que sentia, mas uma raiva fria: ela estava fazendo questão de mostrar poder, de se impor. Quando se afastou devagar, lambeu os lábios lentamente e me olhou com aquele brilho de vitória nos olhos.

Mas Letícia não abaixou a cabeça.

- Tem noção do que está fazendo, Sérgia? - perguntou ela, a voz fria, cortante, sem nenhum sinal de abalo. - Entra aqui como se fosse a dona e ainda se atreve a isso na minha frente?

Sérgia sorriu de lado, deu um passo para frente, desfilando superioridade.

- Melhor aprender a encarar a realidade, querida. - A voz dela era veneno puro. - Isso é o que ele quer. Você acha que pode oferecer algo que ele já não tenha ou queira mais? Está jogando tudo fora por uma ilusão... enquanto ele - olhou para mim de cima a baixo, com desejo escancarado - ele nunca vai se contentar com pouco, nem com quem só sabe obedecer.

- Respeite‑me. E saia daqui. - Ameaçou Letícia, cada palavra medida e firme.

- Respeito? De você? - Sérgia riu, se aproximando ainda mais, quase rosto a rosto. - Não se engane. Nunca foi tão importante quanto pensa.

- CHEGA. - Cortei seco, a voz pesada, autoritária, fazendo as duas se calarem de imediato.

Olhei para Letícia. Vi que ela apertava os punhos, mas mantinha o rosto duro, sem dar o gosto de ver qualquer sofrimento.

- Já fez a sua escolha. Agora vá. - Disse, sentindo cada palavra queimar na garganta. - E não espere que eu vá atrás.

Ela me encarou por um instante que pareceu durar uma eternidade. Não respondeu nada. Apenas pegou seus papéis, virou as costas e saiu - firme, segura, como se estivesse apagando todo o tempo que passou ao meu lado. A porta fechou devagar, com um clique seco e definitivo.

Fiquei só com Sérgia ali. Ela observava tudo, satisfeita, como se tivesse vencido uma batalha pessoal.

- É isso que quer, Damien? - provocou, aproximando‑se de novo e deslizando a mão pelo meu braço com carinho fingido. - Ficar sozinho, vazio, enquanto todo mundo vai embora ou trai? Eu poderia ser muito mais do que ela jamais foi... posso te dar tudo o que ela nunca conseguiria entender.

Sussurrou aquilo bem perto da minha orelha, aproveitando o momento de instabilidade, e depois saiu também - mas eu sabia que ainda estava ali por perto, esperando, vigiando.

Fiquei sozinho. O silêncio da sala parecia maior e mais pesado que nunca. A raiva que sentia se transformou em algo puro e profundo: desprezo, revolta, uma necessidade de controle que parecia explodir dentro de mim.

Agarrei o copo de uísque que estava sobre a mesa e o arremessei com força contra a parede. Vidro estilhaçado, líquido escorrendo devagar, como sangue derramado.

- Ing...rata! - rosnei entre dentes cerrados. - Acha que pode simplesmente virar as costas e desaparecer? Que vai ter paz e felicidade longe de mim?

Não vai.

Isso nunca vai acontecer. Enquanto eu estiver vivo, nada nem ninguém foge do que eu decido.

Sérgia apareceu de novo na porta, recostada com aquele ar de quem sabe tudo.

- Vai ficar aí só queimando tudo por dentro? Ou vai fazer alguma coisa para mostrar quem realmente manda?

Meus olhos encontraram os dela. A raiva deu lugar a uma determinação fria e absoluta.

Ela tinha razão de uma coisa: o fim não existia ali. Na verdade... tudo estava só começando.

Continua...

Capítulo 2 Damien Narrando

Damien Narrando

O silêncio que ficou entre mim e Sérgia era denso, pesado - quase tão repugnante quanto a cena que ela acabara de ver de tudo.

- Devia aprender a engolir esse orgulho e superar logo. - Ela quebrou o silêncio com aquele tom de quem sabe tudo. - Não foi a primeira que te virou as costas, e com certeza não vai ser a última.

Levantei o olhar devagar, firme e cortante.

- Se veio até aqui só para me dar lição de vida, a porta é a mesma por onde ela saiu. Pode ir.

Sérgia sorriu de lado, aquele sorriso provocador que sempre me enchia de impaciência. Seus olhos percorreram cada detalhe do meu corpo, demorados, como se estivesse despindo‑me só com o olhar.

- Um dia você vai descobrir que não dá para amarrar tudo e todos ao seu bel‑prazer. - Disse, virando‑se para ir, mas parou antes de sair. Passou a ponta da unha comprida e afiada de propósito pelo meu braço - um toque leve, mas cheio de aviso e posse. - E aí talvez seja tarde demais para correr atrás do prejuízo.

- Desaparece da minha frente. - Cuspi as palavras entre os dentes, seco e áspero.

Ela saiu caminhando devagar, balançando os quadris de propósito, deixando apenas o rastro daquele perfume enjoativo e o som do meu próprio sangue fervendo nas veias.

Meu maxilar estava travado como uma rocha. Os punhos cerrados com tanta força que as unhas quase furavam a palma da mão. O gosto daquela traição, de ver ela simplesmente escolher outra coisa, outra vida... queimava mais forte que qualquer coisa.

Eu não perdia. E perder para quem achava que podia me trocar por qualquer coisa chamada "paz"? Isso era inaceitável, uma ofensa pessoal.

Ela acha que vai casar? Que vai viver feliz ao lado de outro? Que ele vai tocar, possuir, o que sempre foi meu por direito? Isso não vai ficar assim.

Me levantei de um impulso só, empurrando a cadeira para trás com força - o rangido do metal contra o piso pareceu um grito de revolta. Fui até o vidro enorme da janela e olhei para a cidade inteira lá embaixo, tudo pequeno, tudo sob o meu domínio... menos ela. Respirei fundo, tentei acalmar o turbilhão dentro de mim, mas foi inútil.

O celular vibrou forte no bolso. Peguei apertando o aparelho como se pudesse esmagá‑lo. O nome de Ricardo aparecia na tela.

LIGAÇÃO ATIVA

- Fala. - Atendi curto e grosso.

- Dam... - ele começou, mas cortei logo.

- Damien. Meu nome é Damien. Hoje é assim. Pode falar.

Houve uma pausa de estranhamento do outro lado.

- Certo... Damien. - Hesitou, mas seguiu. - Precisa vir até o escritório principal agora. O contrato com a MF Internacional tem uma cláusula que pode nos prejudicar feio se não resolvermos rápido. É urgente.

- Chego aí. - Desliguei na cara dele sem mais explicações.

LIGAÇÃO ENCERRADA

Peguei o paletó e saí da sala como um furacão, sem olhar para ninguém que cruzasse o caminho. No elevador, tentei controlar a fúria que fazia até minhas mãos tremerem - não de medo, mas de uma raiva que parecia querer explodir tudo por fora. Ao chegar à garagem, mandei o motorista ficar.

- Eu dirijo. - Falei baixo, mas com autoridade que o fez sair de perto de imediato.

O caminho todo foi só um borrão de ruas e luzes. A imagem dela dizendo que queria paz, que preferia outra vida, não saía da minha cabeça. Paz... palavra fraca, coisa de quem não tem força para dominar o próprio mundo.

Quando cheguei, estacionei com brutalidade - pneus rangendo, carro parado torto e forte. Entrei no prédio ignorando tudo e todos, a passada pesada e ameaçadora. Abri a porta da sala de Ricardo com um empurrão que fez tudo estremecer.

- O que é tão importante que não pode esperar? - Disparei de uma vez.

Ele me analisou inteiro, percebendo logo que eu estava a um passo de destruir tudo ao redor.

- Antes de negócios... você parece prestes a matar alguém. O que houve?

Dei uma risada seca, peguei a garrafa de uísque que ele sempre mantinha ali e virei um gole longo, queimando garganta abaixo - mas nem senti.

- Letícia se demitiu. Vai se casar. Jogou tudo fora como se nada valesse nada.

Ricardo franziu o cenho, calmo demais para o meu gosto.

- E você deixou? Assim, sem mais nem menos?

- Deixei? Ela não me deu opção! Simplesmente virou as costas e foi embora! - Minha voz saiu mais alta, carregada de frustração.

- Você devia ter rasgado esse papel na cara dela, né? - Ele provocou com calma.

Fiquei em silêncio. E ele sorriu, balançando a cabeça - como quem me conhece há uma vida toda e sabe exatamente como eu funciono.

- Eu não nasci para perder coisa nenhuma. Muito menos o que é meu. - Apertei o copo até ele ranger nos dedos.

- Então por que perdeu ela? - Rebateu ele direto e firme.

Meus olhos ficaram estreitos, fuzilando ele.

- Isso não tem nada a ver com...

- Tem tudo a ver, sim! - Cortei‑me de vez. - Você vive achando que tudo controla, que tudo é seu... mas será que em algum momento ela realmente se sentia sua? De verdade?

O ar ficou pesado, quase impossível de respirar. Senti o peito subir e descer forte, vontade de quebrar tudo o que estava ali pela frente.

Ricardo suspirou, fechou os papéis.

- Olha... com esse estado aí, não vamos resolver contrato nenhum. Vai sair, dar uma volta, esfriar a cabeça. Amanhã a gente vê tudo com clareza. - Ele se aproximou, tocou meu ombro num gesto raro, quase de aviso. - E pensa bem: às vezes só percebemos o quanto estávamos perdidos mesmo... quando achamos que perdemos algo.

Ele saiu e me deixou só com aquilo martelando na cabeça. Perdido? Eu nunca estive perdido. Eu sei exatamente o que quero. E o que eu queria agora era deixá‑la pagar por ter me tratado como coisa velha. Nem que para isso eu tivesse de desmantelar toda a vida nova que ela achava que ia construir.

Saí de volta para as ruas, a cabeça girando, o desejo de controle e vingança crescendo cada vez mais. Dirigi sem destino, até que luzes mais baixas, música abafada e movimento de gente chamaram minha atenção. Um bar. Lugar de gente que tenta esquecer o que não pode apagar. Exatamente o que eu precisava - ou pelo menos o que eu queria agora.

Entrei, o ar noturno não foi suficiente para aliviar o peso que eu carregava. Fui direto ao balcão, pedi um copo forte e fiquei ali observando tudo com olhos de caçador. Duas mulheres estavam ali por perto, rindo, alheias ao mundo... uma delas, morena, lançou‑me um olhar e um sorriso que parecia uma oferta aberta.

Eu sorri de volta, um sorriso frio, calculista.

- Hoje ninguém vai me deixar sozinho. - Murmurei baixo, bebendo um gole, sem tirar os olhos dela. - Ela que se vá ao diabo com a sua paz. Agora quem manda em mim sou eu... e eu não costumo voltar para casa vazio.

Mas uma coisa estava certa: essa história não terminou ali. Ninguém entra e sai da minha vida como se nada tivesse acontecido. Cedo ou tarde, ela vai descobrir que tentar fugir de mim... é o pior erro que alguém pode cometer.

Continua...

Capítulo 3 Luna Narrando

Luna Narrando

O vento cortante da cidade grande bateu forte em mim assim que desci do ônibus. Tudo parecia maior, mais barulhento, mais apertado ao meu redor. Mas eu já tinha passado por situações muito piores do que apenas me sentir pequena no meio da multidão.

Meu nome é Luna Vargas. Tenho vinte e cinco anos. Até ontem ainda tinha uma rotina, um lugar, uma identidade. Hoje, sou apenas uma forasteira. Cabelos longos e escuros, traços que sempre chamaram atenção - uma atenção que aprendi cedo a detestar e temer. Porque na minha vida, ser notada sempre custou caro.

Vim de um relacionamento que quase acabou comigo de verdade. Não foi dor de cabeça ou sofrimento de novela: foi viver de olhos abertos, aprendendo a decifrar cada expressão, cada tom de voz, como quem lê um manual de sobrevivência. Foi ficar segurando a respiração cada vez que ouvia a chave girar na porta.

Estou aqui porque precisei fugir. Não por coragem, mas por necessidade. Um dia ele saiu para trabalhar, e eu aproveitei: mochila nas costas, documentos, o dinheiro que juntei escondido por meses... e saí sem olhar para trás.

Prédios altos erguiam‑se ao meu redor, sombras compridas cobrindo a calçada apressada. O barulho de carros e buzinas parecia querer me sufocar. "Bem‑vinda à selva de pedra", pensei, apertando com força a alça da mochila contra o peito.

A única luz no meio de tudo isso era Karen - minha melhor amiga, a única pessoa no mundo que sabia exatamente quem eu era e o que eu tinha vivido. Foi ela quem arrumou um canto para mim, um quarto apertado no seu apartamento pequeno. O plano era simples e claro: ficar invisível, recomeçar, trabalhar, sobreviver. E nunca mais repetir os mesmos erros.

Nada de se envolver. Nada de confiar cegamente. Nada de colocar minha segurança em risco outra vez.

- Luna, você não pode ficar aí trancada como se estivesse escondida do mundo todo. Vamos sair só uma noite. Distrair a cabeça. - Karen me chamou, insistindo para que eu saísse de casa.

Pensei em recusar, mas depois de dias fechada, sentia que ia acabar enlouquecendo com os próprios pensamentos. Aceitei. Fomos as duas.

Quando chegamos ao bar, depois de um dia longo e cansativo, tudo o que eu queria era um momento de paz: um drink, música baixa, nenhum alerta ligado em alerta máximo. Estávamos sentadas no balcão, observando o movimento, quando senti de imediato.

Um olhar.

Pesado. Firme. Queimando nas minhas costas e nuca como se fosse um toque real.

Levantei os olhos devagar e cruzei com ele de vez. Alto, ombros largos, vestia um terno caro que parecia ser feito sob medida - e mesmo com aquele ar de desleixo calculado, deixava claro que ele tinha poder, dinheiro e mando. O olhar dele... não era de quem observa. Era de quem examina, avalia e já decide que tudo ali lhe pertence.

Ele se aproximou sem cerimônia nenhuma, como se todo mundo devesse abrir caminho só para ele passar.

- Parece perdida, deslocada... - disse ele, voz grave, calma, mas carregada de uma arrogância que já me acendeu o sinal de alerta.

Ergui uma sobrancelha, mantendo o rosto duro e a postura firme. Meu corpo travou por um segundo - reflexo antigo - mas não deixei transparecer nem um pouco de receio.

- E você parece muito acostumado a falar o que pensa, mesmo quando ninguém pediu a sua opinião. - Respondi seca, e continuei bebendo devagar, mantendo todo o controle. Não ia dar o gosto de me ver tremer.

Um sorriso de canto apareceu nos lábios dele. Não era simpatia. Era interesse de quem encontrou um desafio que valia a pena perseguir.

- Damien. - Se apresentou, como se aquele nome por si só já bastasse para abrir todas as portas e convencer qualquer uma.

Não fiquei nem um pouco impressionada.

- Luna. - Falei direto, sem rodeios. E foi estranho: depois de tanto tempo escondida, usando outro nome, ali, na frente de um completo estranho, saiu o meu nome de verdade. Não entendi por quê, mas senti que era o certo.

Ele se inclinou ainda mais, invadindo meu espaço de propósito. O perfume forte, amadeirado e caro tomou conta de todo o ar entre nós. Cada nervo do meu corpo ficou em estado de prontidão, mas minha expressão continuou firme.

- Nome bonito... assim como tudo o que se vê por aqui. - Disse ele, com aquele tom de quem acha que está fazendo um grande favor em elogiar.

Revirei os olhos com toda a franqueza.

- Se acha que vai me conquistar com frases prontas e baratas, pode parar por aí. Não funciona comigo.

Ele soltou uma risada baixa, rouca. Gostou. A minha resistência parecia só atiçar ainda mais aquele interesse doentio.

- Gosto de mulher que não se deixa levar por qualquer coisa. - Passou a ponta da língua lentamente pelos lábios - um gesto que em qualquer outro seria ridículo, mas nele parecia um aviso claro de que não ia parar por nada.

Neguei com a cabeça, sentindo um frio desagradável subir pela espinha.

- E eu gosto de homens que sabem respeitar quando ouvem um "não".

O sorriso diminuiu um pouco, mas o brilho nos olhos ficou mais forte, mais intenso. Ficou claro de cara: Damien Reid não era o tipo que aceita recusas.

- Quem foi que disse que eu costumo desistir logo na primeira negativa? - Rebateu, firme e seguro de si.

Cheguei meu rosto mais perto, encarando fundo aqueles olhos que pareiam querer devorar tudo. Sem medo. Sem recuo.

- E saiba de uma coisa: o homem que não entende um "não" como resposta definitiva... é exatamente o tipo que eu aprendi, da pior forma possível, a manter o mais longe que puder.

O silêncio pairou pesado entre nós por segundos que pareceram uma eternidade. Ao lado, Karen observava com um sorriso leve, mas me conhecia o suficiente para perceber: aquilo não era paquera leve. Era confronto e perigo.

- Vamos, Luna. Chega por hoje. - Chamou ela, puxando‑me com carinho mas firmeza.

Levantei‑me de uma vez, pronta para ir embora e deixar aquilo para trás. Mas antes que eu pudesse dar dois passos, senti sua mão envolver meu pulso. Firme o suficiente para me deter, mas calculado para não deixar marca - ele sabia exatamente como tocar para impor poder sem parecer agressivo de primeira.

Meu corpo congelou de imediato. Lembranças vieram como um choque: mãos fortes, portas trancadas, o medo de não poder fugir. Respirei fundo, controlei o desespero que subia pelo peito e ergui o olhar para ele com toda a frieza que consegui.

- Solta. - Não foi pedido. Foi ordem. Seca, absoluta.

Ele soltou na hora, mas aquele olhar continuou ali, cravado em mim como uma marca.

- Pode tentar fugir agora... mas saiba que você ainda vai mudar completamente de ideia em relação a mim. - Disse ele, com uma certeza que me deu calafrios.

Afastei‑me de vez, virando‑lhe as costas.

- Boa sorte com essa ilusão.

Saí andando ao lado de Karen, mas sentia cada passo queimado por aquele olhar que não me largava nem por um segundo.

- Nossa... você tratou ele como ninguém nunca fez - comentou ela, rindo um pouco, enquanto andávamos pela rua fria. - Ele ficou todo envolvido com você.

Eu balancei a cabeça, inquieta.

- Não foi envolvimento, Karen. Foi obsessão. Ele é exatamente igual ao tipo que eu jurei nunca mais chegar perto. Não viu como ele me olhava? Como se já tivesse decidido tudo sobre mim, como se eu fosse algo que ele pode ir atrás até conseguir.

Ela ficou séria de imediato.

- Desculpa... é que não consigo ver tudo isso como você vê. Mas tem razão. Fica esperta, sempre.

Ao chegar ao apartamento, tranquei a porta com duas voltas - hábito que nunca mais perdi. Tomei um banho demorado, mas nem a água quente conseguiu lavar aquela sensação de estar sendo observada. Deitei‑me cansada, mas com a mente girando sem parar.

Até que o celular vibrou forte ao lado da cama.

Meu coração deu um salto desesperado. Tela acesa: número desconhecido. E o pior - a foto que aparecia ali era ele. Damien.

Meus dedos apertaram o aparelho até doer. Como ele conseguiu? Como já tinha foto e contato? O desespero antigo voltou todo de uma vez: outro que não aceita não, outro que acha que pode me perseguir, controlar... igual antes.

Não atendi. Deixei tocar até parar. Mas aquela sensação estava mais forte do que nunca: eu achei que tinha fugido de tudo... mas agora, de novo, me sinto caçada.

Continua...

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