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OBCECADO POR ELA: O CEO e a FORASTEIRA

OBCECADO POR ELA: O CEO e a FORASTEIRA

Autor: JM MARTINS
Gênero: Romance
OBCECADO POR ELA: O CEO e a FORASTEIRA Ela mentiu para sobreviver. Ele nunca aceita um "não". Agora os dois estão presos no mesmo jogo. Luna Vargas não veio para passear. Chegou à cidade com nome falso, mala pequena, dinheiro contado e um passado que não pode ser revelado. Fugindo de quem deveria amá‑la, seu plano era simples: passar despercebida, trabalhar em silêncio e desaparecer na multidão. Mas o destino cruzou o seu caminho com o de Damien Reid - e tudo mudou. Damien é CEO de um império bilionário, homem acostumado a comprar, dominar e descartar. Mulheres para ele são apenas distrações... até a noite em que encontra Luna. Ela não se curva ao seu poder, não se impressiona com a fortuna e, o pior para ele: hesita. Para Damien, essa resistência é o maior dos desafios - e o que começa como jogo de poder logo se transforma numa obsessão sufocante. Ele quer possuí‑la, controlá‑la, apagar tudo o que ela foi antes. Mas Luna já foi quebrada antes e aprendeu a se reerguer. Agora, vivendo numa mansão que parece mais uma jaula, ela usa sua única arma: a capacidade de mentir, resistir e esperar o momento exato de fugir novamente. O perigo? Damien é tão obcecado quanto o homem de quem ela escapou. E ele não costuma deixar nada que considera seu escapar. Entre cárcere e desejo, medo e atração, mentiras e verdades escondidas... quem realmente está caçando quem?
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Capítulo 1 Damien Narrando

Damien Narrando

Eu, Damien Reid, 35 anos, os meus amigos me chamam só de Dam, CEO de uma das maiores empresas de tecnologia do país, sou conhecido por ser implacável. Não por prazer, mas porque aprendi, desde cedo, que a vida não tem piedade. Meu pai, Richard Reid, não teve a menor cerimônia em me ensinar isso. E eu aprendi bem a lição. O mundo é uma selva, e quem vacila morre. Simples assim.

Minha empresa, minha reputação, meu controle - isso não está à venda. E a traição? Não, eu não tolero traição. Não aquelas dramáticas, que os tolos romantizam, mas as reais, as de quem se volta contra você. Lealdade é tudo. Ou você é meu, ou você não é nada.

Letícia entrou na minha sala com aquele semblante fechado. Sabia que algo estava errado antes mesmo dela abrir a boca. Ela entrou com aquela pasta nas mãos, o olhar duro, e o ar pesou como um punho fechado.

Letícia trabalha aqui há exatos seis meses, como assistente administrativa em período de experiência. Sempre foi uma funcionária exemplar, dedicada, discreta e extremamente competente - por isso mesmo, a surpresa ao vê-la daquele jeito era ainda maior.

- Desculpe, Damien, mas... preciso conversar com você.

Eu a observei com desconfiança. Sempre tão séria, tão focada... mas algo naquela voz fez meu instinto de alerta disparar.

- O que houve? - desafiei, sentindo a tensão apertar o ar entre nós.

Ela hesitou um segundo - raro, muito raro - e isso me fez prender a respiração.

- Eu... não posso mais trabalhar aqui. - A voz saiu calma. Eu ri, sem humor algum.

- Como assim, "não pode"? Você ainda está em fase de experiência, Letícia. Sabe muito bem como as regras funcionam aqui, e o quanto eu valorizo o seu trabalho.

Ela colocou a pasta sobre minha mesa. Quando abri, o ódio brotou instantâneo, queimando meu peito: uma carta de demissão. Não. Isso não podia estar acontecendo.

- Eu vou deixar a empresa. Eu... vou casar. - Letícia disse. Com tranquilidade. Com uma paz na voz que me cortou como uma lâmina.

A risada que escapou da minha garganta foi amarga, venenosa.

- Casar? Você construiu um espaço importante ao meu lado, se tornou indispensável e agora vai jogar tudo isso fora... por um casamento? O que ele tem de especial?

Ela me encarou, sem uma gota de hesitação.

- Ele me dá paz, Damien. E eu preciso disso. Mais do que tudo.

A palavra "paz" me atingiu como um soco seco no estômago. Paz? Aquilo era desculpa de fracote para a mediocridade. Minha mandíbula travou.

- Paz? O que você acha que construiu comigo, Letícia? Uma vida cheia de paz? Não existe paz nesse mundo. Você sabe disso melhor do que ninguém.

Ela me olhou com frieza. A expressão não mudou. Não havia mais espaço ali para o Damien que ela conhecia. E isso me fez ferver por dentro.

- Eu preciso disso, Damien. É a minha escolha.

Antes que eu pudesse responder, a porta se abriu com um estalo. Sérgia.

Ela entrou sem bater, como sempre fazia, com aquele sorriso provocador que sempre soube usar contra mim. Vestia um vestido preto curto demais, colado demais. Seus olhos percorreram a sala, pousaram em Letícia por um segundo com desprezo, e depois se fixaram em mim.

Sem dizer uma palavra, Sérgia atravessou a sala com aquele passo felino, cheio de confiança, ignorando completamente a existência de Letícia. Quando chegou perto o bastante, eu senti o perfume dela - doce, pesado, sufocante.

Ela se jogou contra mim, colou o corpo no meu, e antes que eu pudesse reagir, suas mãos subiram pelo meu peito, agarraram minha nuca e ela me puxou para um beijo quente, molhado, invasivo. A língua dela provocou a minha sem pedir licença, e eu senti os dentes dela morderem meu lábio inferior com uma leveza calculada.

Por um segundo, fiquei paralisado. Não pelo prazer - mas pelo ódio de saber que ela estava fazendo aquilo de propósito. Na frente de Letícia.

Sérgia se afastou devagar, passando a ponta da língua nos próprios lábios, e me lançou um olhar cúmplice, úmido, cheio de promessas sujas. Eu pude ver nos olhos dela o prazer de ter me marcado na frente da outra.

Mas Letícia não era de ficar quieta.

- Você está realmente fazendo isso, Sérgia? - A voz de Letícia cortou o ar. Não tremia. Não gritava. Era gelo. - Entra na sala sem nem se importar com nada e ainda beija ele na minha frente?

Sérgia riu, baixo, e deu um passo em direção a Letícia. O salto alto estalou no piso como um tiro.

- Você vai ter que aprender a lidar com a realidade, querida. - Sérgia inclinou a cabeça, os olhos estreitos. - Isso é o que Damien quer. Você está apenas jogando fora uma vida cheia de possibilidades... enquanto ele - ela olhou para mim por cima do ombro, com um sorriso lascivo - ele sempre vai querer mais do que uma simples assistente administrativa.

O ar ficou irrespirável.

- Me respeite, Sérgia, ou você vai se arrepender. - Letícia falou pausadamente, cada sílaba soando como um aviso.

Sérgia não se intimidou. Pelo contrário, ela se aproximou ainda mais, até ficar a centímetros do rosto de Letícia.

- Você acha que vai me intimidar? Sério? - Sérgia provocou, rindo de forma desdenhosa. - Querida, não se iluda: você não é tão importante quanto pensa.

Foi o suficiente.

- Chega. - Minha voz saiu firme, baixa, perigosa.

Olhei para Letícia. Ela estava com os punhos fechados, mas o rosto permanecia uma máscara de pedra.

- Você já tomou sua decisão. Vá. - Minhas próprias palavras me queimaram a língua. - Não espere que eu mude de ideia.

Letícia me encarou por um longo segundo. Não disse nada. Apenas pegou a pasta, virou as costas e saiu. Sem olhar para trás. Sem uma lágrima. Cada passo dela foi firme, certeiro - como se ela estivesse andando para fora da minha vida e nunca mais fosse voltar.

A porta fechou com um clique seco.

Sérgia ainda estava ali.

De braços cruzados. Observando com prazer disfarçado o que restava da cena. O sorriso de lado. O olhar que me avaliava como se eu fosse um animal em extinção.

- Isso é o que você quer, Damien? - Ela perguntou, com um tom de ironia. A mão deslizou pelo meu braço até apertar meus dedos. - Uma vida vazia de lealdade e paz?

Sérgia se aproximou outra vez. Os lábios roçaram minha orelha. A respiração dela quente contra minha pele.

- Eu posso te dar coisas que ela nunca vai entender.

Sérgia saiu em seguida, deixando para trás o rastro do perfume doce e o eco do salto no corredor.

Mas ela não foi embora. Ficou ali. Do lado de fora. Eu sabia.

Eu fiquei sozinho no meio da sala. O silêncio voltou. A raiva se dissolveu devagar, e no lugar dela veio um vazio profundo, escuro, que eu conhecia bem demais.

Ódio.

Ódio puro.

Eu havia perdido. Perdi Letícia.

Agarrei o copo de uísque que ainda estava na mesa e joguei contra a parede. O vidro explodiu. O líquido escorreu pelo mármore como sangue.

- Vadia ingrata. - Rosnei entre os dentes. - Ela acha que vai casar?

Não vai.

Só se eu estiver morto.

Sérgia apareceu na porta novamente. Ela não tinha ido embora. Claro que não.

- Vai ficar aí remoendo? - Ela provocou, recostada no batente. - Ou vai fazer alguma coisa?

Meus olhos encontraram os dela.

O jogo ainda não tinha terminado.

Estava apenas começando.

Continua...

🔥 RECADINHO DA AUTORA 🔥

OBCECADO POR ELA - O CEO e a FORASTEIRA

Se você ama histórias intensas, cheias de obsessão, tensão psicológica, desejo proibido e personagens emocionalmente perigosos... esse livro é pra você.

Aqui você vai conhecer Damien Reid.

O CEO bilionário que nunca aprendeu a perder. Frio. Controlador. Dominador. Um homem acostumado a comprar tudo o que deseja - empresas, pessoas, silêncio e lealdade.

Damien não acredita em amor. Não acredita em limites. E definitivamente não aceita rejeição.

Até encontrar Luna Vargas.

Uma mulher que chegou à cidade fugindo do próprio passado. Sem raízes. Sem segurança. Carregando traumas que ainda queimam na pele e um medo constante de ser encontrada.

Luna não quer romance. Não quer atenção. Muito menos um homem como Damien.

Mas algumas obsessões começam justamente quando alguém diz "não".

O que deveria ser apenas um encontro em um bar se transforma em um jogo psicológico intenso, onde desejo e perigo caminham lado a lado.

Porque Damien não quer apenas conquistar Luna.

Ele quer invadir cada barreira dela. Quer quebrar suas defesas. Quer ser o homem que ela não consegue esquecer.

Só que Luna já pertenceu a um homem obsessivo antes. E ela sabe exatamente como histórias assim podem terminar.

Dois mundos marcados pelo controle. Uma mulher tentando sobreviver. Um homem incapaz de aceitar limites.

A fuga e a perseguição. O medo e a atração. A obsessão e o caos.

Mas já aviso logo:

Não espere um romance leve.

Aqui tem tensão psicológica. Tem personagens emocionalmente intensos. Tem obsessão. Tem traumas. Tem manipulação emocional. Tem cenas quentes carregadas de conflito e poder.

Tem um homem que transforma desejo em posse. E uma mulher tentando impedir que o passado destrua sua liberdade outra vez.

Essa é uma história sobre sobrevivência. Sobre controle. Sobre até onde alguém pode ir quando confunde amor com obsessão.

E principalmente... sobre o perigo de se apaixonar justamente pelo tipo de homem que você jurou nunca mais deixar tocar sua vida.

Te espero nas próximas páginas.

Com carinho (e um pouquinho de caos), JM MARTINS

🚨 AVISO LEGAL - DIREITOS AUTORAIS 🚨

Esta obra é fruto da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, lugares ou situações reais é mera coincidência.

🚫 Proibido para menores de 18 anos.

Contém linguagem imprópria, tensão psicológica intensa, cenas de violência emocional, obsessão, perseguição e conteúdos destinados ao público adulto.

ESTA OBRA É REGISTRADA.

Todos os direitos estão reservados. A reprodução, distribuição ou compartilhamento, total ou parcial, em formato digital (PDF, ePub ou qualquer outro formato), sem autorização expressa da autora, é proibida por lei.

A violação desses direitos constitui crime, conforme a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Respeite o trabalho de quem cria com dedicação, imaginação e muitas horas de escrita.

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Não perde essa data! Prepara o emocional porque Damien Reid não entra na vida de ninguém de forma leve... e Luna está prestes a descobrir isso da pior maneira possível. 😮‍💨🔥

Vem viver essa história comigo. Porque ela promete deixar marcas desde o primeiro olhar.

Com carinho (e muita obsessão), JM MARTINS

Capítulo 2 Damien Narrando

Damien Narrando

O silêncio entre mim e Sérgia era quase tão grande quanto a merda que ela acabara de presenciar.

- Você precisa superar isso. Ela não é a primeira a te deixar, e não será a última. - Sérgia soltou, quebrando o silêncio.

- Se veio aqui pra dar lição de moral, a porta é a mesma por onde Letícia saiu. - Firmei a voz, e ela revirou os olhos.

Sérgia sorriu de lado, aquele maldito sorrisinho de quem acha que entende tudo. Os olhos dela percorreram meu corpo devagar, como se estivesse me despindo com o olhar.

- Um dia você vai perceber que não pode controlar tudo. Mas talvez seja tarde demais quando isso acontecer. - Ela se virou para a porta, mas antes de sair, passou a unha comprida propositalmente no meu braço. Um toque leve. Um aviso.

- Some logo da minha frente. - Cuspi as palavras.

Ela saiu balançando os quadris, e a única coisa que ficou foi o barulho do meu próprio sangue fervendo.

Meu maxilar travava. Minhas mãos fechavam com tanta força que as unhas quase rasgavam a pele. O gosto amargo da traição de Letícia ainda queimava minha língua.

Odiava perder. E odiava ainda mais perder pra alguém que não merecia.

Ela acha que vai casar com ele? A mão dele. A aliança que ela ia colocar no dedo. Outro homem tocando o que era meu.

Levantei bruscamente, empurrando a cadeira para trás. O rangido do metal contra o piso soou como um protesto. Fui até a janela de vidro e encarei a cidade lá fora. Respirei fundo. Foi inútil. Nada tirava aquela cena da minha cabeça.

Meu telefone vibrou. Peguei o aparelho com força. O nome de Victor piscava na tela.

Ligação On

- Fala. - Atendi seco.

- Dam... - Ricardo começou, mas eu cortei.

- Damien.

Houve uma pausa.

- O quê?

- Meu nome é Damien. Decidi hoje. Continua.

- Certo... Damien. - Ricardo hesitou, estranhando. - Preciso que você venha até o escritório. É sobre o contrato com a MF Internacional. Tem uma cláusula que pode nos prejudicar se não agirmos rápido.

Negócios. Sempre negócios. Como se qualquer coisa fosse me interessar agora.

- Tô indo. - Desliguei na cara dele.

Ligação Off

Peguei o paletó e saí do escritório sem olhar pra ninguém. No elevador, tentei me recompor. Minhas mãos ainda tremiam de raiva - não de nervosismo, de puro ódio contido. As portas se abriram, e segui direto pro carro. O motorista me esperava, mas mandei ele sair.

- Eu dirijo. - Rosnei.

O homem hesitou, viu meus olhos e saiu sem discutir.

O caminho foi um borrão. A cena de Letícia me deixando rodava na minha cabeça como um maldito pesadelo. "Ele me dá paz, Damien." Paz. Aquela palavra ecoava dentro de mim como uma ofensa.

Ela se foi como se eu fosse descartável. Como se eu nunca tivesse significado nada.

Quando cheguei no escritório de Ricardo, estacionei com brutalidade - o freio rangeu, o carro parou torto. Desci sem paciência. A secretária dele tentou falar algo, mas passei direto. O salto dos meus sapatos ecoou no corredor como passos de condenação.

Entrei na sala fechando a porta com força. O estrondo fez Victor piscar.

- O que foi? - Disparei.

Ricardo me estudou antes de soltar um suspiro. Os olhos dele percorreram meu rosto, minhas mãos fechadas, minha mandíbula travada.

- Antes de falarmos sobre o contrato... você parece prestes a matar alguém. Aconteceu algo?

Ri sem humor. Peguei o uísque que ele sempre deixava por perto e virei tudo de uma só vez. O líquido queimou minha garganta, mas nem senti.

- Letícia se demitiu. Vai casar. - Joguei, direto.

Ricardo arqueou as sobrancelhas.

- E você deixou?

- Como assim, deixei? Ela não me deu escolha. Simplesmente largou tudo e saiu. - Minha voz saiu mais alta do que eu queria.

- Você rasgou a carta de demissão, certo? - Ele perguntou.

Silêncio.

- Sabia. - Ele riu, balançando a cabeça. Mas não era um riso de deboche. Era de quem me conhecia há anos.

- Não nasci pra perder nada. - Falei sentindo a porra da raiva me consumir. O copo vazio rangeu na minha mão.

- Então por que perdeu Letícia? - Ele rebateu.

Meus olhos estreitaram.

- Isso não tem nada a ver com...

- Tem tudo a ver. - Ele me cortou. - Você não quer perder, mas será que, em algum momento, Letícia realmente era sua?

O silêncio pesou. O ar ficou denso. Meu peito subia e descia rápido. Minhas mãos coçavam para socar algo. As paredes pareciam estar fechando.

Ricardo suspirou.

- Olha, Damien... você não tá com cabeça pra reunião hoje. - Ele pegou a pasta. - Vai tomar um ar, esfriar a cabeça. Amanhã a gente resolve.

Ele se aproximou, me deu um tapinha no ombro - algo incomum vindo dele. O gesto quase me fez perder o pouco controle que me restava.

- E não esquece o que te falei sobre Letícia. Às vezes, perder é a única forma de perceber o quanto já estava perdido antes.

Ele saiu.

Fiquei ali sozinho, encarando a mesa vazia. Minha respiração pesada preenchia o silêncio. A frase dele ficou ecoando: "o quanto já estava perdido antes."

Perdido? Eu nunca estive perdido. Eu sabia exatamente o que queria. E eu queria Letícia de volta. Nem que fosse para destruir o casamento dela antes mesmo de começar.

Logo depois, saí também, voltando pro prédio onde ficava o meu escritório. Estacionei na minha vaga e subi direto pra minha sala. As luzes do escritório estavam todas acesas, mas ninguém tinha coragem de falar comigo.

Meu celular vibrou.

Damien: Tá na hora de marcar a reunião. Vou passar lá depois, já terminei com a MF Internacional.

Joguei o telefone na mesa e passei a mão pelo rosto. A barba por fazer raspou na minha palma.

Eu ia agir. Ia resolver isso do meu jeito.

E, dessa vez, Letícia não ia simplesmente sair da minha vida como se nunca tivesse estado nela.

Meus passos ecoavam pelo escritório enquanto eu caminhava de um lado para o outro, a mente fervendo. O que Letícia achava? Que podia simplesmente ir embora sem olhar para trás? Que eu ia aceitar isso como um qualquer? O dia passou voando e não foi nada produtivo.

- Isso não vai ficar assim... - murmurei para mim mesmo, sentindo o gosto da raiva na boca.

Passei a mão pelo cabelo, tentando organizar os pensamentos, mas tudo só piorava. Peguei o copo de uísque e virei o resto do líquido de uma vez. Nada adiantava. O peito ardia, a respiração pesada. O nó na garganta não descia.

- Mulher nenhuma brinca comigo. Eu que decido quando alguém sai da minha vida.

Odiava essa sensação de descontrole, como se eu fosse apenas mais um na história dela. Eu nunca fui um homem que alguém deixa. Eu domino, eu comando, eu destruo se precisar.

Antes que explodisse qualquer coisa dentro daquele escritório, agarrei as chaves do carro e saí. O som da porta batendo fez algumas pessoas olharem, mas ignorei. Andei até o estacionamento, o corpo ainda carregado de tensão. Cada passo era uma descarga elétrica.

Entrei no carro e bati a porta com força. Liguei o motor e acelerei sem rumo pela cidade. O rádio tocando alguma coisa irritante, então desliguei. O silêncio era pior. Só eu, meus pensamentos e a imagem de Letícia dizendo "paz".

- Ela realmente acha que vai me esquecer? Que eu sou um capítulo encerrado?

Soltei um riso seco. Baixo. Perigoso.

- Eu não aprendi a ouvir "não". - Sussurrei para mim mesmo, os dedos batendo freneticamente no volante.

Dirigi sem rumo por alguns minutos, até que um bar chamou minha atenção. Luzes baixas. Música no fundo. Gente tentando esquecer a própria miséria. Perfeito.

Parei o carro e saí, ainda sentindo aquela energia pesada no corpo. O ar da noite bateu no meu rosto, mas não amenizou nada.

Assim que entrei, fui direto para o balcão. Me joguei no banco, sem paciência, sem pressa. Pedi um whisky duplo, e enquanto esperava, olhei ao redor.

Duas mulheres estavam sentadas próximas, rindo e conversando como se o mundo lá fora não existisse. Uma delas - a morena de cabelos escuros - olhou para mim de relance e sorriu. A língua dela passou levemente pelos próprios lábios. Um convite silencioso.

Apoiei o cotovelo no balcão e passei a língua pelos lábios. O whisky chegou. O cheiro forte invadiu minhas narinas.

- Talvez eu precise de uma distração... - Falei baixo, olhando para a morena, mas sem pressa. O jogo de caça era meu favorito.

Peguei o copo que o barman colocou à minha frente e levei à boca, sem tirar os olhos dela.

Hoje à noite, eu não vou sair daqui sozinho.

Letícia que se dane-se Por enquanto. Mas essa pørra não vai ficar assim.

Continua...

Capítulo 3 Luna Narrando

Luna Narrando

O vento frio da cidade me atingiu assim que desci do ônibus. A sensação era de que o mundo ao meu redor era maior do que eu conseguiria lidar.

Mas eu já tinha lidado com coisas piores.

Meu nome é Luna Vargas. Tenho 25 anos. Até ontem eu tinha um emprego, um nome, uma vida. Hoje eu sou uma forasteira. Cabelos negros e longos, corpo que sempre chamou atenção - atenção que eu aprendi a odiar.

Porque atenção, pra mim, sempre veio com preço.

Vim de um relacionamento que quase me matou. Não no sentido poético. No sentido real. No sentido de "segurar a respiração sempre que a chave girava na porta". No sentido de aprender a ler expressões faciais como se fossem manuais de sobrevivência.

O motivo de eu estar aqui, nesta cidade, é porque precisei deixar o passado para trás. Não por coragem. Por necessidade. Um dia, ele foi trabalhar. Eu peguei uma mochila, documentos, dinheiro escondido há meses - e fugi.

Não olhei para trás.

Prédios altos se erguiam agora ao meu redor, suas sombras cobrindo as calçadas apressadas. O som incessante de carros e buzinas me deixava levemente tonta. "Bem-vinda à metrópole", pensei, apertando a alça da mochila.

A única coisa feliz nesta cidade nova é Karen, minha melhor amiga. A única pessoa que sabia a verdade. Ela conseguiu um quarto para mim em seu apartamento minúsculo. O plano é simples: ficar invisível, encontrar um emprego, sobreviver.

Nada de homens. Nada de riscos. Nada de repetir a mesma história achando que o final ia ser diferente.

Saí dos meus pensamentos ao ouvir Karen me chamando para ir ao barzinho.

- Luna, você precisa sair dessa toca. Uma noite. Só uma. - Ela insistiu, com aquele olhar que eu conhecia bem.

Não pensei duas vezes. Ou melhor, pensei: se eu ficar mais uma hora dentro desse apartamento, vou enlouquecer.

Saímos juntas.

---

Quando chegamos ao bar, depois de um dia cansativo, eu só queria relaxar. Só isso. Um drink. Uma música. Um momento em que minha mente não estivesse em alerta máximo.

Estávamos sentadas no balcão quando senti.

Um olhar.

Pesado. Quente. Como uma mão invisível percorrendo minha nuca.

Levantei os olhos lentamente. Um homem. Alto. Ombro largo. Terno escuro que mesmo desalinhado gritava dinheiro. O olhar dele era penetrante - daqueles que não perguntam, invadem.

Ele se aproximou sem cerimônia. Como se o mundo inteiro devesse abrir passagem.

- Você parece deslocada - disse. Tom seguro. Quase arrogante. A voz dele era grave, propositalmente lenta.

Ergui uma sobrancelha. Meu corpo ficou tenso por um segundo - velho hábito - mas eu não deixei transparecer.

- E você parece acostumado a falar o que pensa, mesmo quando ninguém pergunta.

Dei um gole na minha bebida. Lenta. Controlada. Não ia deixar aquele homem me ver tremer.

Um sorriso de canto surgiu nos lábios dele. Não era simpático. Era... avaliador.

- Damien. - Ele se apresentou. Como se o nome dele fosse uma chave que abria todas as portas.

Não fiquei impressionada.

- Luna. - respondi, sem emoção. Meu nome verdadeiro. Pela primeira vez em meses, usei meu nome verdadeiro com um estranho. Não soube explicar por quê.

Ele se inclinou um pouco mais perto. O perfume dele - amadeirado, caro, pesado - preencheu o espaço entre nós. Meu corpo ficou alerta, mas meu rosto permaneceu uma máscara.

- Nome bonito. Assim como você. - A cantada mais barata do mercado.

Revirei os olhos. Não o tipo "sou sonsa" - o tipo "já ouvi isso mil vezes e nunca terminou bem".

- Se está tentando me impressionar, vai precisar de mais que elogios barato. - Minha voz saiu firme, o maxilar travado.

Ele riu baixo. Gostou. Pior: ele gostou.

- Gosto de mulher com personalidade. - Ele passou a língua pelos lábios devagar. Um gesto que em qualquer outro homem seria ridículo. Nele, foi um aviso.

Balancei a cabeça negando, mas um frio subiu pela minha espinha.

- E eu gosto de homens que sabem ouvir um "não".

O sorriso dele diminuiu. Só um pouco. O olhar, porém, ficou mais intenso. Damien não parecia do tipo que aceitava rejeição com facilidade.

- Quem disse que eu aceito um "não" logo de cara?

Aproximei meu rosto do dele. Sem medo. Sem hesitação. Meus olhos nos olhos dele.

- O tipo de homem que não entende um "não" - minha voz caiu para um tom baixo, quase perigoso - é o tipo de homem que eu aprendi, da pior maneira possível, a evitar.

O silêncio entre nós durou dois segundos. Mas pareceu uma eternidade.

Karen assistia à cena com um sorriso travesso, mas me conhecia bem. Ela viu o brilho nos meus olhos - não de atração. De alerta.

- Vamos, Luna - ela disse, puxando minha mão com delicadeza, mas firmeza.

Levantei-me do banco sem olhar para trás. Meu coração batia acelerado, mas minha expressão era de pedra.

Antes que eu desse mais dois passos, ele segurou meu pulso.

Delicadeza? Não exatamente. Foi suficientemente firme para me fazer parar. Suficientemente leve para não deixar marca. Ele sabia exatamente onde estava o limite.

Meu corpo congelou por meio segundo. Flash. Uma mão no meu braço. Um corredor escuro. A chave girando na porta.

Respirei fundo. Olhei para a mão dele no meu pulso. Depois ergui os olhos lentamente até encontrar os dele.

- Solta. - Não foi um pedido. Foi uma ordem. Baixa, calma, gelada.

Ele soltou na hora. Mas o olhar... o olhar dele disse outra coisa.

- Você ainda vai mudar de ideia - afirmou, sem um pingo de dúvida. Como se já tivesse decidido o final dessa história.

Soltei meu braço devagar, mantendo os olhos nos dele.

- Boa sorte com isso.

Saí do bar sem olhar para trás. Mas senti aquele olhar fixo em mim, queimando minha nuca, descendo pelas minhas costas.

Damien Reid não estava acostumado a perder.

E eu? Eu estava acostumada a fugir.

A brisa fria da noite cortava a pele enquanto eu e Karen caminhávamos de volta para casa. O barulho da cidade parecia mais distante, abafado pelo turbilhão de pensamentos que giravam na minha cabeça.

- Você realmente deu um gelo no cara - Karen comentou, rindo enquanto chutava uma pedrinha na calçada. Mas o riso dela não me alcançou.

Suspirei, enfiando as mãos no bolso do casaco. Minhas unhas arranhavam o tecido.

- Ele me pareceu do tipo que não aceita um "não" com facilidade. - Minha voz saiu baixa.

- Exatamente o tipo que gosta de um desafio - ela disse, arqueando a sobrancelha.

Parei de andar. Olhei para Karen com uma seriedade que fez o sorriso dela morrer na hora.

- Eu não sou desafio de ninguém. - Minha voz trincou. - Não mais. Você sabe o que eu passei. Você sabe o preço que eu pago até hoje por ter sido "um desafio" para alguém.

Karen abaixou a cabeça.

- Desculpa, Luna. Você tem razão. Fui idiota.

Respirei fundo. A raiva passou tão rápido quanto veio. Não era contra ela. Era contra o mundo. Contra todos os homens que acham que "não" é negociação.

- Você que sabe - ela tentou de novo, mais suave. - Mas tenho certeza de que ele não vai esquecer você tão cedo.

A última coisa que eu queria era ser lembrada por um homem daquele jeito. O olhar dele ainda queimava na minha mente. Mas não era desejo.

Era medo.

Medo de ter reconhecido nele um padrão que eu jurei nunca mais enfrentar.

Quando chegamos no apartamento, Karen bocejou alto, largando os sapatos no meio da sala.

- Vou capotar. O dia foi longo.

- Vai lá. Vou tomar um banho.

Ela desapareceu no quarto, e eu fui direto para o banheiro.

Fechei a porta. Tranquei. Duas voltas na chave. Hábito.

A água quente deslizou sobre minha pele, levando embora o frio da rua, mas não o desconforto. Não aquele aperto no peito. Fechei os olhos e, sem querer, flashes do passado tomaram conta da minha mente.

As palavras cortantes.

As mãos firmes demais no meu braço.

O medo de errar qualquer coisa e pagar caro por isso.

O som da chave na porta. Sempre a chave.

Abaixei a pressão da água. Abri os olhos. Encarei o azulejo manchado.

- Chega - sussurrei para mim mesma.

Vesti uma camisa larga e me joguei na cama, encarando o teto. A mente ainda estava agitada, mas o cansaço finalmente começava a pesar. O corpo pedia trégua.

Foi quando o telefone vibrou na mesinha ao lado.

Meu coração deu um pulo.

Franzi o cenho e peguei o aparelho. A tela mostrava uma chamada de um número desconhecido. O que me fez gelar por inteira foi a foto.

Ele.

Damien.

O cara do bar.

Como ele tinha meu número? Como ele tinha uma foto minha? Meus dedos apertaram o celular com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. Meu coração batia rápido demais. Minha respiração ficou curta.

Não. Não de novo. Não outro.

O telefone vibrava na minha mão. Uma, duas, três vezes.

Lembranças invadiram minha mente. O outro. As ligações no meio da noite. As mensagens depois de dizer "acabou". O homem que não aceitava um não.

Minha mão tremeu.

Eu não atendi.

Mas não consegui ignorar o arrepio gelado que percorreu minha espinha, descendo até a base da minha coluna.

Luna: Ele não vai desistir. Eu conheço esse olhar.

Coloquei o celular de lado. Virei na cama. Encarei a parede.

Karen dormia no quarto ao lado. Eu estava a quilômetros de distância do homem que me destruiu.

Mas pela primeira vez em meses, me senti novamente sendo caçada.

Continua...

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