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OS FILHOS SECRETOS DO ALFA

OS FILHOS SECRETOS DO ALFA

Autor:: Pauliny Nunes
Gênero: Lobisomem
Quando os filhos de Fierce são raptados, sua vida dá uma reviravolta devastadora. Desesperada e sem recursos, ela se vê forçada a recorrer à única pessoa que pode ajudá-la: Hunter. Hunter, o lobisomem por quem um dia Fierce foi apaixonada, agora é o poderoso alfa king da alcateia, não faz ideia de que os filhos raptados de Fierce são dele, e a verdade por trás do sequestro é mais complexa do que qualquer um poderia imaginar. À medida que eles se unem em uma desesperada busca para recuperar as crianças, segredos do passado começam a emergir, incluindo a consequência da noite de amor que compartilharam quando Hunter foi coroado herdeiro direto do alfa Alastair... A paixão não resolvida entre Fierce e Hunter se torna uma força motriz irresistível, mas também uma barreira que ameaça separá-los. Será que eles serão capazes de superar suas diferenças e aceitar a verdade que seus corações sempre souberam? Ou será que as cicatrizes do passado serão obstáculos insuperáveis para ficarem juntos? Seria Hunter capaz de perdoar Fierce por esconder seus filhos dele?

Capítulo 1 PROLOGO

Meu coração estava acelerado enquanto eu dirigia pelas ruas de Seattle, tentando encontrar os últimos detalhes para o aniversário de seis anos dos meus filhos, Cassian, Dorian e Kane. O grande dia estava chegando, e como se isso não bastasse, era também Halloween, o que tornava tudo ainda mais especial. Faltavam apenas dois dias, e eu queria que a celebração fosse perfeita.

Comprava mais alguns itens da festa quando o sol começou a se pôr no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e avermelhados.

A cidade de Seattle estava se preparando para a noite assombrada, mas, para mim, a prioridade era tornar o aniversário dos meus filhos o mais mágico possível. Eles mereciam isso.

Enquanto vasculhava as lojas em busca dos itens que faltavam, eu não conseguia evitar um sorriso ao imaginar o quão animados meus filhos estariam com a festa. Eles eram meu mundo, minha razão de viver desde o dia em que nasceram, seis anos atrás.

Ao sair de mais uma loja com sacolas cheias de decorações e guloseimas, percebi que a noite havia caído e a lua estava subindo no céu, cheia e brilhante, e eu lembrava de ter lido em algum lugar que, naquele Halloween, ocorreria o raro fenômeno da Lua Azul.

Um pressentimento me percorreu, mas eu rapidamente o afastei. Enquanto eu caminhava pelas ruas da cidade, a brisa fresca da noite acariciava meu rosto, e eu inspirava profundamente, sentindo o vento que vinha da floresta que cercava a cidade.

Finalmente, com todas as compras feitas, eu coloquei os sacos no carro e dirigi de volta para casa. A luz da lua cheia iluminava o caminho, e a noite parecia mágica. Um vento fresco e arrepiante soprava através da floresta, fazendo-me arrepiar, mas não me importei.

Estava tão ocupada pensando nas risadas e sorrisos que veria nos rostos dos meus filhos que nem me dei conta do arrepio que percorreu minha espinha.

No entanto, quando cheguei à nossa casa e vi a porta arrombada, um pressentimento horrível tomou conta do meu corpo, e meu coração começou a bater descontroladamente. Eu sabia que algo estava errado.

Eu entrei em casa, chamando pelos meus filhos, esperando ouvir suas vozes animadas em resposta.

"Cassian! Dorian! Kane! Onde vocês estão?"

Porém, o silêncio era ensurdecedor.

Assim que coloquei os pés na sala, meu pior pesadelo se tornou realidade. Stacy, nossa babá de confiança e uma amiga querida, jazia no chão da sala. Seus olhos, outrora cheios de vida, estavam agora opacos e vidrados, e um tiro na testa manchava o tapete com o sombrio vestígio de sua morte

"STACY!!!!"

Meu grito sufocado ecoou na casa enquanto lágrimas enchiam meus olhos. Minhas pernas bambearam, mas a determinação tomou conta de mim.

Eu precisava encontrar meus filhos, não importava o que tivesse acontecido. Eu corri escadas acima, com lágrimas nos olhos, procurando meus filhos.

"Cassian! Dorian! Kane!"

Minha mente estava em turbilhão, e meu coração parecia querer saltar do peito. Eu abri a porta do quarto deles, esperando encontrá-los a salvo, mas o que vi fez meu sangue gelar.

O quarto estava vazio. As camas estavam intactas, e não havia sinal de Cassian, Dorian ou Kane. Minha mente começou a girar, tentando entender o que estava acontecendo. O pânico tomou conta de mim, e eu corri para o quarto ao lado, onde mantínhamos as roupas e os brinquedos das crianças. Nada. Eles haviam desaparecido, como se nunca tivessem estado ali.

"Cassian! Dorian! Kane! Saiam de onde vocês estiverem! Por favor!"

Fui tomada pelo desespero enquanto procurava freneticamente por qualquer pista que pudesse me dizer para onde meus filhos tinham ido. Foi então que senti um cheiro familiar no ar, um cheiro que eu conhecia muito bem.

Meu coração acelerou ainda mais quando percebi o que isso significava. Isso não era um sequestro comum, não, era algo muito mais sinistro.

Alguém do nosso mundo estava envolvido nisso, alguém que conhecia nossa natureza, que conhecia nossos segredos e nossas fragilidades. Eles ousaram se aproximar de mim, de minha família, com a intenção sombria de arrancar de mim o que eu mais amava. E o cheiro que eu senti? Era o cheiro de um lobisomem.

Capítulo 2 CAPITULO 1

A sala estava silenciosa, exceto pelo som dos passos abafados dos agentes enquanto recolhiam o corpo de Stacy, minha querida babá. Ela tinha sido uma presença constante na vida dos meus filhos, Cassian, Dorian e Kane, desde que eles nasceram, cuidando deles com carinho e devoção. Agora, seu corpo estava sendo levado, vítima de uma tragédia que ainda não conseguia compreender por completo.

Sentada no sofá, meus olhos seguiam os movimentos dos agentes funerários com um vazio na alma. A dor era avassaladora, mas eu precisava manter a compostura. O oficial Andrew Moore estava à minha frente, fazendo perguntas que eu lutava para responder.

A sala da minha casa estava mergulhada na tristeza enquanto observava os agentes funerários recolherem o corpo sem vida de Stacy, nossa amada babá. A sensação de desamparo pesava sobre meus ombros, e o brilho triste da luz da manhã invadia o cômodo, fazendo com que cada detalhe se destacasse nitidamente. Meu coração doía, e a culpa me corroía por não ter sido capaz de evitar aquela tragédia.

O oficial Andrew Moore estava diante de mim, um homem de expressão séria e olhos perscrutadores, fazendo perguntas que eu desejava não ter que responder. Stacy era uma pessoa maravilhosa, alguém que se tornara parte da nossa família ao longo dos anos, e pensar que alguém pudesse machucá-la de tal maneira era difícil de acreditar.

Ele começou a questionar se Stacy possuía algum relacionamento romântico ou se havia tido alguma briga com alguém nos dias anteriores à sua morte. Minha mente automaticamente passou por todas as vezes que conversamos, tentando encontrar algum sinal de que ela estivesse enfrentando problemas pessoais que não compartilhara conosco. No entanto, eu não conseguia pensar em nada.

Sacudi a cabeça com tristeza. "Não, oficial Moore, Stacy sempre foi uma pessoa amável e querida por todos. Não acredito que alguém pudesse machucá-la."

O policial Moore prosseguiu, olhando-me com seriedade. "E quanto a você, Sra. Silver, existe alguém que possa tê-la como inimiga na vizinhança? Alguma disputa recente ou desentendimento que você saiba?"

Refleti por um momento, pensando em meus vizinhos e nos relacionamentos na comunidade. "Não, oficial, nós mantemos boas relações com todos na vizinhança. Não consigo pensar em ninguém que possa ter algo contra nós."

Os olhos do policial estreitaram-se levemente quando a próxima pergunta surgiu. "E quanto ao pai dos trigêmeos? Ele está envolvido na vida das crianças? Ele poderia estar ligado a isso de alguma forma?"

Meus olhos desviaram-se para o chão enquanto minha mente vagou até o nome de Hunter, um nome que me fazia reviver lembranças dolorosas. Por muito tempo, Hunter fora minha paixão proibida, o pai dos meus filhos. Ele era um segredo que eu mantinha escondido, mesmo de Stacy.

Senti um nó se formar em minha garganta, mas minha resposta foi firme. "Meus filhos não têm um pai, oficial Moore. Eu cuido deles sozinha."

Moore franziu a testa, claramente intrigado. "Então, você optou por fertilização in vitro ou algo do tipo?"

Suspirei, sentindo o peso da mentira sobre meus ombros. "Algo assim, sim."

O oficial assentiu, fazendo mais algumas anotações em sua caderneta. Ele parecia compreender que nossa situação era complicada e delicada.

"Entendo", ele disse, então perguntou: "Você tem alguma ideia de por onde podemos começar a investigação, ou se há alguém que possa ter interesse em levar suas crianças?"

Olhei nos olhos do policial, sentindo a urgência pulsar dentro de mim. "Eu não sei, oficial Moore. Eu só quero eles de volta. Daqui a dois dias, meus filhos completarão seis anos, e tudo o que quero é tê-los de volta. Há esperança, certo?"

O policial Moore fez algumas anotações em seu bloco de notas antes de olhar para mim com compaixão. "Nossa investigação está apenas começando, Sra. Silver. Até o momento, não há sinais de violência além do ocorrido com a Sra. Stacy. Vamos trabalhar com calma e precisão para descobrir o que aconteceu."

Minha mente girava enquanto as palavras dele ecoavam em meus ouvidos. Tudo estava acontecendo rápido demais, e minha ansiedade só aumentava à medida que os minutos passavam. Eu mal conseguia acreditar que, em apenas dois dias, meus filhos completariam seis anos. Seus aniversários sempre foram um motivo de celebração e alegria, mas agora, eles estavam desaparecidos, e meu coração estava partido.

"Preciso encontrá-los, oficial Moore", murmurei, as lágrimas surgindo novamente em meus olhos. "Eles são tudo o que tenho, e eu não posso perdê-los. Há alguma esperança de que os encontremos a salvo?"

A resposta do oficial Moore foi ponderada, seus olhos expressando uma sinceridade que eu ansiava ouvir. "Vamos fazer o possível, Sra. Silver. Vamos investigar com calma, mas é importante não criar expectativas muito altas neste momento. Vamos encontrar seus filhos e levar justiça a quem fez isso. Conte com a polícia e, se souber de algo, por favor, não hesite em nos informar."

Suas palavras caíram como um peso em meu coração. Eu não podia imaginar uma vida sem meus filhos, sem o riso e a alegria que eles traziam para minha existência. Mas eu sabia que a realidade estava se impondo, e as incertezas pairavam no ar, envolvendo meu coração em trevas.

Com um suspiro profundo, olhei para a foto dos meus filhos na mesa de centro, prometendo a mim mesma que faria qualquer coisa para tê-los de volta em meus braços e que enfrentaria o desconhecido com a determinação de uma mãe que nunca desistiria.

***

***

Após a partida do oficial Andrew Moore e dos outros agentes, a casa silenciou, mas a tensão que pairava no ar parecia nunca ter ido embora. Stacy, a babá que havia se tornado uma parte querida de nossas vidas, agora estava morta, e meus filhos estavam desaparecidos. A incerteza do que havia acontecido com eles me atormentava, deixando um vazio profundo em meu peito.

Eu sabia que a investigação estava em andamento, mas eu não podia simplesmente esperar. Não podia ficar de braços cruzados enquanto meus filhos estavam em perigo. Havia algo dentro de mim, uma fera que estava adormecida há muito tempo, algo que eu havia reprimido desde o nascimento dos trigêmeos. Era a minha natureza de lobisomem, e eu precisava despertá-la.

Decidi fazer algo que não fazia há seis anos. Eu me transformaria em minha forma de loba para buscar meus filhos. Era uma habilidade que não usava há seis anos, desde que os trigêmeos nasceram, e eu havia mantido minha natureza sob controle durante todo esse tempo para protegê-los. ,

Fui para o centro da sala, onde a Lua Azul ainda brilhava através das janelas, lançando uma luz etérea sobre o ambiente. Eu sabia que essa transformação não era fácil, especialmente depois de tanto tempo sem usá-la, mas era a única maneira de me aproximar de meus filhos.

Fechei os olhos, buscando me conectar com minha loba interior, aquele ser selvagem que era parte de mim. A concentração era essencial.

Os primeiros momentos foram estranhos e incertos, como se estivesse tateando no escuro. Eu me concentrei em lembranças, lembranças de quando me transformei pela última vez, quando deixei a minha alcateia e vim para Seattle. Lembrei-me da sensação de meus ossos se alongando, dos músculos se enrijecendo, da pele se transformando em pêlo, e da fúria incontrolável que vinha com a transformação.

Respirei fundo, buscando encontrar a fera dentro de mim, mas algo estava errado. Minha pele não arrepiou, minhas unhas não se alongaram, e minhas presas não surgiram.

Normalmente, a sensação de transformação começaria a se apoderar de mim, as garras surgiriam, os sentidos se aguçariam, e eu me sentiria uma com minha loba. Mas nada disso estava acontecendo.

"Loba," sussurrei, como se estivesse chamando uma velha amiga. "É hora de despertar."

Minha mente não se conectava com a força primal que eu conhecia desde a infância. Ela simplesmente não estava lá. O desespero começou a crescer dentro de mim.

"Vamos, Fierce," sussurrei para mim mesma, tentando encontrar aquela parte escondida de minha alma. "Você precisa fazer isso. Seus filhos precisam de você."

Tentei mais uma vez, fechando os olhos e buscando as profundezas escuras de minha essência. Durante anos, eu sempre soube como invocar minha natureza lupina, como canalizar a fúria e a força que ela representava.

"O que diabos está acontecendo comigo?" sussurrei para mim mesma, sentindo um vazio profundo e escuro no âmago de minha alma. Tentei mais uma vez, mas a sensação de vazio persistiu.

A transformação deveria ser um ato natural, uma extensão de quem eu era como lobisomem. Eu nunca tinha encontrado problemas em me transformar antes, mesmo quando não era necessário. Mas naquele momento, quando precisava mais do que nunca da força e dos instintos de minha loba, eles me escapavam.

"Por que você não está respondendo?" sussurrei, agora com lágrimas nos olhos. Minha loba, que sempre foi minha força, parecia ter me abandonado em um momento em que eu mais precisava dela.

Eu continuei tentando, lutando contra o medo que começava a se infiltrar em mim. Eu me esforçava para invocar a parte mais primitiva de minha natureza, mas nada acontecia. As lágrimas se acumularam em meus olhos, e eu sussurrei para mim mesma, como se minhas próprias palavras pudessem trazer minha loba de volta.

"Onde você está? O que aconteceu com você?"

Minha voz ecoou na sala vazia, sem resposta. A sensação de desamparo me envolveu, e eu me senti mais vulnerável do que nunca. Minha loba interior sempre fora uma parte fundamental de quem eu era, e sua ausência me deixou com um vazio inexplicável.

Mas era como se minha loba interior tivesse desaparecido, como se ela tivesse sido apagada. O medo começou a se insinuar em minha mente. O que havia acontecido comigo?

Eu sabia que minha transformação era um ato de desespero, uma tentativa de encontrar meus filhos, mas agora estava diante de um bloqueio inexplicável. A frustração se misturou ao medo, e eu me senti impotente. Minha habilidade mais fundamental como lobisomem, minha conexão com minha natureza selvagem, havia desaparecido. E, neste momento, eu estava sozinha e vulnerável, sem saber como proteger meus filhos ou como encontrá-los.

Lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto eu olhava para o vazio. O mundo lá fora continuava a se mover, indiferente à minha dor. O que eu faria agora? Como eu encontraria meus filhos sem a força que minha forma de loba me proporcionava?

Com um suspiro pesaroso, eu me levantei do chão e me dirigi à janela. A Lua Azul ainda brilhava no céu noturno, mas sua luz não me trazia a mesma sensação de poder e conforto que costumava. Olhei para a floresta que cercava minha casa, um lugar que sempre foi o meu refúgio, e agora senti uma estranha distância entre mim e o mundo que eu conhecia.

Capítulo 3 CAPITULO 2

O desespero havia tomado conta de mim, e eu sabia que precisava fazer algo. Minha decisão foi instantânea e impulsiva. Eu precisava me reconectar com minha natureza lobisomem, aquela que sempre esteve lá para me proteger e para proteger meus filhos. A lua, naquela noite especial de Lua Azul, parecia me chamar, e eu decidi segui-la.

Corri para fora de casa, os pés descalços encontrando o caminho até a floresta. Cada passo que eu dava me aproximava mais da escuridão da mata, mas eu não sentia medo. Minha necessidade de encontrar meus filhos superava qualquer temor que a escuridão pudesse provocar. Eu sabia que precisava recuperar a força que me permitiria enfrentar o desconhecido e trazer meus filhos de volta para casa.

Caminhei mata adentro, guiada pelo brilho da lua, até que encontrei um pequeno riacho que serpenteava pela floresta. A lua estava alta no céu, sua luz refletida nas águas calmas do riacho. Era um lugar tranquilo e mágico, um local onde eu tinha vindo muitas vezes para encontrar paz e reflexão.

Fechando os olhos, respirei profundamente e permiti que a serenidade do lugar tomasse conta de mim. Era hora de me reconectar com a Deusa da Lua, a entidade que sempre representou a essência de minha transformação lobisomem. A lua naquela noite especial era um símbolo do meu renascimento, da minha redescoberta.

Comecei a rezar, em um sussurro suave, pedindo à Deusa da Lua que me ajudasse, que restaurasse a conexão que eu havia perdido.

Fechei os olhos e comecei a orar em silêncio, buscando aquela conexão que outrora foi tão forte. "Deusa da Lua, eu clamo por sua ajuda. Por favor, mostre-me o caminho, guie-me neste momento de trevas. Eu preciso encontrar meus filhos, eu preciso encontrar minha loba interior."

No entanto, algo estranho aconteceu. Senti uma barreira, como se a Deusa tivesse negado a minha prece. Era como se ela estivesse rejeitando a conexão entre nós, e a rejeição era quase física, como um empurrão.

Eu me senti fraca e vazia, perdida em meio às sombras da floresta. A lua acima de mim parecia distante, e eu me perguntei se minha loba interior estava perdida para sempre. Meu desespero cresceu, e eu soube que não poderia desistir, não quando meus filhos dependiam de mim.

Decidi me ajoelhar, como um último ato de desespero, e olhei para a lua mais uma vez, suplicando com todas as forças que ainda me restavam. "Deusa da Lua, por favor, me ajude. Não tenho mais ninguém a quem recorrer. Minha loba interior está perdida, e meus filhos estão em perigo. Eu farei qualquer coisa, absolutamente qualquer coisa, para tê-la de volta. Por favor, me ajude."

Eu não sabia o que esperar, mas estava disposta a fazer qualquer sacrifício para ter minha loba interior de volta, para ser capaz de usar minha força para encontrar meus filhos. A lua brilhava intensamente, e então, algo surpreendente aconteceu.

Uma sensação de calor e luz começou a se espalhar por meu corpo, como se a própria lua estivesse me abraçando. Uma voz sussurrou suavemente em minha mente, uma voz que ecoava com a sabedoria e a serenidade da Deusa.

"Você se esqueceu de quem é, Fierce. Sua loba nunca a abandonou, mas você a negou. Ela ainda está aí, esperando por você."

Uma lembrança surgiu, inundando minha mente como uma torrente de emoções. Foi o último momento em que me transformei, um momento que eu havia suprimido, bloqueado, porque doía demais. Foi quando Hunter, o pai dos meus filhos, partiu meu coração, deixando para trás uma rejeição e uma traição que ainda ecoava em meu peito.

A dor daquela despedida havia feito com que eu fizesse uma promessa a mim mesma, uma promessa que eu tinha esquecido: eu nunca mais me permitiria ser vulnerável. Para cumprir essa promessa, eu tinha enterrado minha loba interior, sufocando-a e negando-a. E agora, eu estava colhendo as consequências dessa decisão.

Lágrimas inundaram meus olhos enquanto a lembrança da dor, da traição, e da decisão que tomei naquele dia retornaram. Eu tinha me fechado para proteger meu coração, mas em fazer isso, eu também tinha perdido uma parte vital de mim mesma. Agora eu sabia o que precisava fazer.

"Deusa da Lua, obrigada," eu murmurei, minha voz embargada. "Agradeço por me mostrar o caminho."

A resposta da Deusa foi um calor reconfortante que começou a se espalhar por mim. Eu sabia que minha jornada estava apenas começando, mas agora eu tinha uma direção. Eu tinha que enfrentar o passado, a dor e a decisão que me levaram a perder minha loba.

***

A manhã seguinte chegou com um céu nublado, mas a decisão estava tomada. Eu precisava fazer o que a Deusa da Lua me orientou, e isso envolvia voltar ao meu passado, encarar as memórias dolorosas que eu havia enterrado e desvendar o mistério que parecia estar relacionado à minha capacidade de me transformar em lobisomem. Arrumei algumas peças de roupa e coloquei tudo nas malas, então as levei para meu carro.

A ação inesperada não passou despercebida. Minha vizinha, Meg Stuart, estava do lado de fora, observando com curiosidade enquanto eu arrumava minhas coisas no carro.

Meg se aproximou, seus olhos inquisitivos não perdendo um detalhe. Ela era conhecida por sua língua afiada e sua sede de fofocas, e eu sabia que não conseguiria evitar suas perguntas. Respirando fundo, eu me preparei para enfrentá-la.

"Fierce, está tudo bem?" Meg perguntou, com uma falsa expressão de preocupação em seu rosto.

Eu respirei fundo e respondi, "Dentro do possível, Meg. A situação é difícil."

Ela inclinou a cabeça, claramente curiosa, e perguntou, "Para onde você está indo? Não acho que seja uma boa ideia sair daqui enquanto as investigações estão em andamento."

Eu sabia que precisava de uma boa desculpa, algo que não levantasse suspeitas. "Meus pais me convidaram para passar um tempo com eles em Denver, no Colorado. Eles acham que seria bom para eu me afastar por um tempo até as coisas se acalmarem aqui."

A mentira escapou de meus lábios com facilidade, e eu me perguntei se Meg acreditaria nela. Meus pais, porém, eram apenas um disfarce. Eu era uma órfã, criada pela alcateia de Alastair, e minha verdadeira origem era um segredo que eu guardava a sete chaves.

Os olhos de Meg se arregalaram, surpresos. "Denver? Isso é uma longa viagem de carro, Fierce. Vai levar mais de um dia para chegar lá."

Eu fechei a porta do carro, sabendo que não podia prolongar a conversa. "Sim, Meg, mas acho que é exatamente o que eu preciso. Distrair minha mente e tentar encontrar um pouco de paz. Talvez você devesse tentar algo semelhante, em vez de se preocupar tanto com a vida dos outros."

Meg abriu a boca, mas pareceu não encontrar palavras para responder. Ela apenas balançou a cabeça, ainda surpresa com minha resposta, e se afastou, aparentemente sem saber o que fazer com minha atitude inesperada.

Assim que Meg desapareceu de vista, entrei no carro, dei a partida e comecei a dirigir em direção ao meu passado, ao lugar onde tudo havia começado, onde minha loba interior havia sido sufocada. Eu sabia que essa jornada seria cheia de desafios, segredos dolorosos e confrontos difíceis, mas era o único caminho que eu poderia trilhar.

Eu estava pronta para enfrentar meu passado, pois mais do que nunca, meus filhos dependiam de mim, e eu faria o que fosse preciso para tê-los de volta.

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