Ele é um lindo demônio em Armani obcecado em me possuir... ou me punir... ou talvez apenas reivindicar minha alma.
Cada cultura tem seu conto de rei adormecido - a família real é massacrada. Os bebês são jogados para os confins da terra. Anos depois, um príncipe das trevas retorna para tomar o que é seu.
Bem-vindo à loucura sombria e sexy que é a REIS ADORMECIDOS!! Cada um desses livros é independente (com seu próprio herói/heroína e felizes para sempre), mas entrelaçado por toda parte está uma saga épica de irmãos se reunindo!
O príncipe da máfia das trevas Aleksio cresceu órfão, caçado - por causa do meu pai. Agora, o lindo garoto que eu conheci não está em lugar nenhum aos olhos deste rei furioso. Ele está de pé sobre mim, brutal e lindo em seu terno Armani, enrolando meu cabelo em seu punho.
Mas eu me lembro de quando Aleksio era meu amigo de infância. Lembro-me de quando eles baixaram seu pequeno caixão no chão e como eu chorei quando eles mentiram e nos disseram que o príncipe estava morto.
20 anos depois...
Ele me arrasta para sua vida dura e brilhante. Ele enrola meu cabelo em seu punho. Ele fará qualquer coisa para resgatar seus irmãos... e eu sou a única fraqueza do meu pai.
"Eu sou o inimigo mais perigoso que você já teve", ele me diz, "Porque toda vez que você olha para mim, você vê alguém bom."
Aleksio
A maioria das pessoas que veem a queimadura de cigarro antiga em meu braço assume que a obtive de alguém que quis me ferir. É natural pensar assim. Mas eles não podem estar mais errados.
Minha queimadura de cigarro é totalmente sobre o amor.
Mesmo assim, começo a ficar perturbado com este tipo de luta corpo a corpo que tenho feito.
Ofegante, movendo-me rapidamente no canto sombrio da casa de barcos, puxo o lenço cuidadosamente dobrado do bolso da frente, afrouxo minhas abotoaduras, amarro o lenço em volta do meu antebraço, usando os dentes para apertá-lo, fazendo uma camada protetora.
A queimadura parece ruim, mas não doeu durante anos. Você pode cutucá-la, e não sinto nada.
E isso provar que se você foder algo o suficiente, perde sua capacidade de sentir.
Essa é a verdade da pele, e também é a verdade para as pessoas. Não ter nenhuma capacidade de sentir é um bônus definitivo quando você está fazendo o tipo de coisa que eu faço hoje.
Meu celular vibra. É meu irmão, Viktor, dando-me o aviso, como se cada molécula em mim já não estivesse hiper alerta. Mas Viktor e eu somos protetores um com o outro. E só nos encontramos ano passado.
Viktor e eu pensamos que Aldo Nikolla e seu subchefe - seu Kumar - virão da casa principal por último, uma vez que
perceberem que não podem contatar seus homens. É quando a festa realmente começa. Quase não acredito que o plano está funcionando. Nikolla é um dos homens mais bem protegidos do país, possivelmente do mundo. Um chefão da máfia Albanesa abrigado em uma residência de verão guardada melhor do que o Fort Knox.
Nós não deveríamos ser capazes de pegá-lo com apenas dez caras. Essa é a magia do planejamento.
Eu fixo os punhos da minha manga, deixo minha pistola Sig relaxar na minha mão.
Velho Konstantin, o atirador que me resgatou quando eu era garoto, nunca me deixou esquecer as tradições - os ternos, os códigos, as abotoaduras. O rei adormecido, sempre me chamou. Você vai reunir seus irmãos e recuperar o seu reino.
Concentro-me na pilha de corpos no canto escuro. Seis caras injetados com tranquilizante suficiente para dormir por um dia. Ainda assim, acho que eles podem acordar. Porque eles são soldados de Aldo Nikolla. Como se ele fosse o todopoderoso.
Que, naturalmente, ele é.
E mesmo tão bem como este ataque está indo, estou segurando tudo isso por um fio.
Não ajuda que Konstantin tentou parar esse ataque. Não faça isso - você está apenas com dois irmãos. Todos os três irmãos devem estar juntos.
Toda a minha vida, esse era o plano - encontrar meus irmãos, para que pudéssemos tomar o nosso reino, nossa vingança.
Os três irmãos devem estar juntos. Você está se antecipando.
Bem, as prioridades mudam.
Quero andar mais nas sombras atrás dos barcos e do hidroavião. Este é um lugar de refúgio e trevas. Bons locais para se esconder. Este em particular foi um dos meus favoritos, em outra vida.
A última vez que estive perto de Aldo Nikolla foi a noite que recebi essa queimadura.
Eu tinha nove anos - Konstantin e eu estávamos foragidos há dois meses então. Eu tive febre. Invadimos um prédio abandonado - Kansas City, acho. Acordei nos braços de Konstantin quando ele correu passando por lojas fechadas, luzes de néon se transformaram em um beco que fedia a mijo. Ele tinha um disfarce escondido lá - uma peruca suja, batom e roupas. Konstantin fez uma mudança rápida de roupa para uma idosa. Foi um disfarce que nenhum membro do clã Black Lion que se preze jamais aprovaria - que tinha sido genial.
Algumas palavras concisas dele e me escondi sob a pilha de roupa ao lado dele, olhos e lábios, espremidos, apertados. Velho Konstantin acendeu um cigarro enquanto se aproximavam. Se o conheciam - e esses assassinos o conheciam bem - era o oposto do seu caminho. Ele nunca fumou.
Podíamos ouvir Aldo Nikolla e Bloody Lazarus e o resto deles irem para os vagabundos no próximo quarteirão. Eu pressionei minha testa contra a coxa maciça de Konstantin, escondendo-me, quando os passos diminuíram em nossa frente. Um dos soldados de Aldo chutou Konstantin e perguntou se ele tinha visto um homem e um menino. Konstantin começou a gritar asneiras como uma velha enlouquecida.
Foi quando o velho moveu sua mão - apenas o
suficiente para pressionar o cigarro no meu braço. Só pressionando aquele filho da puta bem ali.
Ele não sabia que estava me queimando. Não tinha ideia. Estava tentando nos salvar, gritando naquela roupa de mendigo.
Obriguei-me a ficar parado - qualquer movimento me denunciaria.
Então deixei queimar, deixei a dor transformar o meu cérebro vermelho em gelo. O cigarro tinha queimado tudo que estava debaixo do poliéster, e eu nunca vou esquecer o cheiro. Deixei a brasa afundar profundamente em meu braço como um sol escaldante, rezando para que ele movesse sua mão por iniciativa própria, mas ele não fez. Toda a sua atenção ficou no barulho dos soldados, colocando-os na defensiva.
Mantendo-nos vivos.
Deixei a dor ser minha professora. Ela me ensinou que eu poderia sobreviver, que podia suportar qualquer coisa. Que iria resistir e lutar outro dia, como Konstantin sempre disse. "Mbreti gjumi - o Rei adormecido. Você vive para lutar outro dia."
Mas esse dia nunca chegou. Konstantin quer tudo perfeitamente no lugar primeiro. Todos os três irmãos Dragusha unidos. Legiões de homens atrás de nós. Eles cairão em fila quando virem que os irmãos Dragusha fizeram seu caminho de volta um para o outro.
Supersticioso, o velho Konstantin pensa que não podemos atacar Nikolla sem os três irmãos juntos. Mas não podemos encontrar o nosso irmão desaparecido sem atacar
Nikolla - esse é o problema.
Nosso irmãozinho está lá fora. E ele precisa de nós. Eu vou queimar o mundo para chegar até ele.
O próximo guarda dá uma volta na porta, caminhando para o meu lado da linha do ancoradouro. Esse cara não pensa em quem pode estar à espreita no melhor lugar para se esconder no local - ele está pensando no almoço que supostamente está esperando por ele no nível superior. Viktor assumiu as mensagens de texto entre os guardas como parte do ataque. Era como assumir o cérebro da colmeia.
É verdade o que dizem - o caminho mais rápido para um homem é pelo estômago.
Assim que ele está no meu espaço, eu me lanço para ele e arranco sua arma. Enforco-o antes que ele possa fazer algum som e então espeto a agulha em seu pescoço e ele está para baixo.
Alguns dos guardas são surpreendentemente fáceis de capturar. Mas, novamente, todos esses caras eram péssimos no Xbox enquanto eu estava apanhando a sangue frio de Konstantin em nossas sessões de treinamento sem fim.
Meus rapazes estão na casa. A ideia é liberar todos do meu caminho. Estivemos em silêncio até agora. Enquanto ninguém grita ou dispara, mantemos nosso elemento surpresa.
Quando Aldo Nikolla detectar problemas, ele vai descer com Lazarus e deixar Mira na casa, onde ele vai pensar que ela está protegida. Ela é sua única fraqueza. A melhor maneira de controlá-lo.
Ensaiei este dia na minha imaginação tantas vezes. O horror na cara de Nikolla quando vir que estou de volta - Aleksio Dragusha, seu pior pesadelo, todo crescido e na sua frente. O choque quando ele perceber que já me reuni com o meu irmão Viktor. Porque, olha, você pensaria que quando se manda uma criança para uma merda de um orfanato de Moscou sem nenhuma identificação, ele ficaria lá, certo?
Não acharia?
Surpresa, filho da puta!
De jeito nenhum Mira vai me reconhecer.
Mesmo que ela não pense que os três irmãos Dragusha morreram ao lado dos pais, ela não iria me reconhecer como o menino que cometeu um erro uma vida atrás. Deitado ao redor de um mar de grama verde em frente a um bolo de casamento de contos de fadas, nuvens em forma de cavalos-marinhos.
Sou de um mundo diferente do príncipe bom caráter da máfia que ela conhecia. Eu sou praticamente uma espécie diferente. Porque quando você é caçado todos os dias da sua vida, lutando para sobreviver como um rato em um poço de víboras, muda tudo dentro de você. Você desenvolve armas e talentos, que nenhuma pessoa sã jamais admiraria. Você perde sua humanidade.
Mira é de um mundo diferente também, agora - às vezes não consigo acreditar nas merdas consumistas que ela posta no blog dela, seu Instagram e todo o resto. Mas ela foi bastante surpreendente quando eu a conheci quando era criança.
Acho que esta vida torce todos, eventualmente.
É melhor que ela não seja a mesma pessoa. Isso facilita meu trabalho.
Mira
Meu pai tem um celular preto que ele nunca usa, mas está sempre lá, sempre carregado, e sempre dentro do alcance, cheio de ameaça sombria, assim como sua arma. Ele tem isso há anos, e nunca o ouvi tocar.
Eu o ouvi na semana depois do meu vigésimo oitavo aniversário.
É uma tarde de sábado. Estamos na varanda. Voltei para a cerimônia de inauguração do Oscar de La Renta e Manolo Blahnik onde eu fiz uma rara aparição como princesa da máfia. Estava tão orgulhosa que ele tinha financiado a ala de pesquisa do hospital local onde mamãe morreu - uma ala de pesquisa no nome dela. Não são muitas coisas que me trazem de volta para casa nos dias de hoje, mas uma ala em nome da mamãe? Estou lá.
Saudades da mamãe é uma das poucas coisas que temos em comum.
A parte cínica de mim se pergunta se ele financiou a ala só para conseguir uma visita minha. Talvez ele tenha feito. Nem sequer toca na dívida que ele tem com a sociedade.
Pareço chateada com o meu próprio pai? Estou. Eu ainda o amo? Sempre.
Nós somos tudo o que restou. Tivemos um ao outro desde que mamãe morreu. No dia, ele me encarou com aquele intenso olhar dele e disse, "Somos nós dois agora, gatinha. Somos nós dois. Dois contra tudo, tudo bem?"
Eu deveria estar fazendo as malas - a limusine virá daqui a uma hora para me levar ao aeroporto. Eu estarei de volta a Nova York, no escritório de advocacia onde trabalho, volto a ser a advogada de jeans e tops, como uma espécie contrária de mulher maravilha - giro ao redor e me transformo em uma menina que você iria esquecer dois minutos depois de passar por ela. É exatamente assim que eu gosto. Fica mais fácil para que eu faça meu trabalho, lutando por crianças e famílias.
Tem pessoas pensando que passei estes últimos anos fazendo compras em todo o mundo, é constrangedor, porém é melhor do que ter um guarda-costas atrás de mim - Isso não funcionaria no escritório de advocacia. Pessoas do RP mantém uma vida falsa para mim. Uma construção de meios de comunicação social é triste e o que me mantém sob o radar. E principalmente mantém meu pai a salvo. Eu sou o seu calcanhar de Aquiles. Uma maneira de fazê-lo fraco.
Há um tipo de pássaro que deposita seus ovos em ninhos de outros pássaros. Às vezes sinto que acabei no ninho errado. Mas somos uma família - essa é a linha de fundo.
Papai fez coisas horríveis, chegando a parecer que ele sabia o que fazia, mas temos um ao outro. Mesmo com a idade de dez anos, eu entendi. Eu e o meu pai contra o mundo. Ainda significa tudo o que ele disse.
Então estamos na varanda da residência no lago, eu ainda estava no meu "princesa da máfia de rosa", quando os trinados soaram longe. Não faço ideia do que é o segundo celular. Eu nunca imaginei que teria o tipo de som imitando um pássaro. Sempre pensei que seria algo mais sinistro. Como um tom estridente.
Mas o piado é sinistro para meu pai. Seu rosto fica em branco.
Ele atende, e posso dizer que é Lazarus. Além de ser o executor do pai, o sangrento Lazarus é praticamente o pior psicopata que já conheci. Mesmo através da mesa de varanda grande, luxuosa, carregada com queijos, azeitonas e café turco forte na porcelana chinesa, com meu pai pressionando o telefone ao seu ouvido, ouço o psicopata.
Demora dois segundos para que o pai me puxe para dentro e grite para os funcionários da casa.
"O que está acontecendo?"
Ele só balança a cabeça e retoma a sua conversa.
"Coloque Jetmir nele. Porra! Porra! Onde está Leke? Foda-se."
A voz do meu pai aumentou, não em volume, mas uma oitava. É um mau sinal.
Mas aqui o sinal está muito ruim: ninguém vem. Papai ligou para o pessoal e ninguém chegou. Eles sempre aparecem instantaneamente. "Pessoal", neste caso, é um eufemismo para soldados, cujo trabalho é ficar ao redor a casa e não serem vistos ou ouvidos a menos que seja necessário.
Eu nunca vejo meu pai preocupado. Nunca vi o mundo não se dobrar para todos os seus caprichos. Meu sangue corre.
Há apenas uma razão para dezenas de soldados não virem correndo quando meu pai grita para eles. Ele tira sua mala no armário, pega seu fone de ouvido e enfia a Luger em seu cinto. Ele me deu um pequeno revólver. Cabo de madrepérola. Carregado. "Abaixe o hidroavião. Agora."
"Pai." Seguro-a como uma coisa morta, olhando para ele, tipo, realmente? Não gosto de armas de fogo e ele sabe disso. Mas ele está completamente desesperado. E estou pensando em seu coração. Eu não deveria acrescentar mais stress.
"Entendi." Coloquei-a em um aperto adequado como aprendi nas aulas de tiro. Como um cão, fingir e sentar.
Eu vou abandoná-lo mais tarde.
Ele me joga o chaveiro do barco e do hidroavião. As chaves estão ligadas a uma pequena boia que flutua se você deixá-las cair na água. "Tira aquele avião da casa de barcos. Agora! Estou a caminho"
"Nós vamos entrar no hidroavião?" O hidroavião é algo divertido. Não é um veículo recreativo, é um veículo de fuga.
Ele inclina a cabeça para o teto, um movimento que me diz tudo. Estamos indo no hidroavião porque alguém pode estar no telhado, esperando que ele vá ao helicóptero.
É uma preocupação.
Merda.
Pego minha bolsa, chuto fora meu salto e pego as escadas para o nível inferior. Eu sigo pelas salas ornamentadas e volto através das áreas dos empregados e estouro a porta de descarga lateral.
É uma tarde fria de outono. Agradável. Ou, pelo menos, foi boa.
Eu corro ao longo do perímetro da propriedade, onde ela é sombreada por árvores e uma parede de pedra calcária. Menos óbvio, se você está no telhado.
Nos primeiros minutos, corro furtivamente, grama fresca em meus pés descalços, mas então algo se acumula em mim e eu estou correndo feito louca, sapatos e bolsa numa mão e a arma na outra.
Não vou usar a arma. Papai sempre diz que só se deve atirar se as suas ameaças não funcionam. Como se eu fosse mesmo fazer ameaças.
Viro numa árvore, mantendo-me as sombras. Eu desço para o paredão e corro ao longo dele com o coração trovejando, até à porta da casa de barcos. Eu bato a combinação e abro a porta.
É escuro e sombrio dentro; apenas algumas janelas altas deixam entrar o sol.
Saio correndo, passando ao redor das lanchas no final do hidroavião. Desbloqueio o elevador com a chave que está pendurada no cordão, e então aperto o botão para iniciar baixando-o para a água. Normalmente, homens com experiência fazem isso. Cadê todo mundo?
O motor lamenta quando abaixa o avião branco com listras azuis e flutuadores azuis. Enquanto estou esperando por isso, vou até o canto, levanto um painel, e bato a palma da minha mão no botão. Uma das portas da casa de barco começa a levantar como uma porta de garagem, revelando a água azul cintilante do Lago de Genebra.
Centímetro por centímetro, a luz aparece.
Há um movimento do lado escuro. Não estou sozinha. Um homem.
Meu coração salta uma batida quando ele se empurra da parede, seu rosto nas sombras, cachos escuros capturam a luz. Seu paletó aberto revelando uma camisa branca e uma gravata com listras pretas. As calças se moldam em suas coxas enquanto ele se move. Eu o conheço? Não posso distinguir seus traços na escuridão.
"Olá?"
Ele continua em minha direção, silencioso como uma pantera. Poder flui dele, mesmo no escuro.
Então ele caminha, passando por uma inclinação de luz vinda de uma janela alta, como passar por um holofote nebuloso.
É então que a força de sua beleza escura cai através de mim. Um maxilar forte e afiado. Lábios generosos que parecem mais suaves que o pecado. Olhos de predador, tão perigosos e bonitos, você pode se perder neles. Você pode deixá-los te matar.
Seu olhar é uma carícia perigosa. Em algum lugar no fundo da minha mente, eu acho que há algo familiar nele.
Ele se move para frente, para as sombras, e digo a mim mesma que tem que ser uma ilusão. Este é um homem que não se esquece.
Sinto o seu poder nos meus ossos... enquanto ele se aproxima. Eu não gosto, mas sei respeitar isto, da mesma forma que se respeita um furacão.
E o terno. Como a maioria dos caras da máfia albanesa da minha idade, o terno é um uniforme, algo para vestir pela manhã. Esse cara usa um terno como um ser humano usa a pele. É parte dele, fundido com perigo.
Levanto minha arma e aponto para o peito dele. "Eu vou usar isto!"
Seus lábios são lindos e peculiares e ele continua vindo. Ele é estúpido? É corajoso? É como se ele soubesse que não vou usá-la.
Ele passa por mais um feixe de luz de uma janela alta. Nossos olhos se fixam, e novamente estou presa com aquela sensação de familiaridade. Algo sobre seus cachos escuros e cílios escuros. Ou talvez seus olhos, tão grandes, profundos e penetrantes. A linha da bochecha ligeiramente desalinhada.
Não posso me mexer... é como quando você pega um cheiro que te transporta para algum lugar, como um sonho meio esquecido que está se dissipando. Tudo o que você lembra é de um sentimento. O sentimento que tenho por ele é agradável.
Isso não pode estar certo.
Em um flash, um braço enorme está em mim, seu rosto no meu cabelo.
"Vamos lá, querida, e esperaremos pelo papai juntos." Ele arranca a arma da minha mão e depois me puxa bruscamente contra ele, segurando-me por trás, corpo forte contra o meu.
Ele pressiona sua arma em minha bochecha. Minha mente fica em branco. Uma contração do seu dedo e estou morta.
Meu coração salta no meu peito. "Não sou sua querida." "Você é o que eu quiser que seja, a partir de agora." Sua voz é uma luva de veludo, a ponta da arma uma pontuação dolorosa na sua sentença. "É um novo dia." Ele começa a me puxar pelo caminho que entrou.
Eu vejo um par de formas caídas no canto da casa de barcos. Ramiz. Jareki. "Eles estão..." Eu não me atrevo a dizer.
"Dormindo no trabalho?" ele fornece em um tom sarcástico. "Isso é realmente terrível. Realmente um absurdo."
Meus joelhos praticamente vibram quando ele sai da casa de barcos para o banco ao lado da porta. Você pode ver o gramado inteiro daqui. Ele nos senta lá e me puxa em seu colo, segurando meu braço em um punho de ferro.
"Você está me machucando", eu digo.
Nenhuma resposta. Econômico com suas palavras. Com dor. Eu conheço um assassino quando entro em contato com um. Me concentro na minha respiração e digo a mim mesma para não me assustar, mas isso é ruim - muito ruim. Ele é calmo. Competente. Focado.
"Neste momento, você ainda pode sair dessa" eu digo. "Tudo o que você planeja fazer, não pode se livrar.
Simplesmente aceite sua derrota."
O assassino não diz nada, e me ocorre que ele, na verdade, tem escapado muito. Foi tudo cuidadosamente planejado. Mesmo estar sentado aqui é uma escolha bem-feita: papai não vai nos ver até que seja tarde demais, parcialmente na sombra como estamos. Ele está posicionado para o choque máximo.
O assassino tem tudo sob controle. Como se ele tivesse nascido para isso.
Ele é quente e duro debaixo de mim. Puro músculo, o homem. Minha barriga aperta. Viro, tentando minimizar os lugares que meu corpo toca o seu.
Ele me puxa para ele. "Onde você pensa que vai?" Eu engulo. Fique calma. Não deixe que ele sinta seu medo. Me esforço para ouvir o barulho do carrinho de golfe. Papai vai descer com o carrinho de golfe. Mas a imensidão verde do gramado está vazia. Ele está bem? E o seu coração? Pontinhos de luz no lado, ondas suaves, brisa suave, carregando o aroma fraco de algas. E eu percebo algo estranho: não há barcos.
É um dos últimos dias adoráveis de outono. Todo mundo se aproxima do Lago Genebra de Chicago em um dia como este. "Onde estão todos os barcos?"
Ele olha para fora - quase, melancolicamente. Uma onda escura acaricia sua maçã do rosto. "Parece que tiraram o dia de folga."
Ele é diferente dos caras no círculo do meu pai. Assassino de aluguel? Lobo solitário? "As pessoas não só saem..."
Ele sorri. "Mensagem da nave-mãe?"
Eu engulo. Esse cara fez algo para fazê-los ficar longe. Não consigo imaginar o que. Ele tem que ser alguém, tirando tudo isso. Esse tipo de coisa toma homens. Rigoroso planejamento. "O que é isto?"
"Shhh", ele rosna no meu ouvido. "Pegue a alça da sua bolsa."
"Você não pode..."
"Não pode o que? Diga-me o que eu não posso fazer, Mira Mira."
Mira Mira. Esse é o nome do blog de moda que o RP executa. A pessoa do RP com o maior show do mundo, correndo por Paris e Hong Kong, tirando fotos de roupas. Como se fosse eu lá fora, surtando sobre a mais recente alta costura.
"Me diga uma coisa que eu não posso fazer agora." Não posso. Ele tomou o poder absoluto de uma forma que nenhum outro homem se atreveria. É estranhamente hipnotizante, a maneira como as proezas impossíveis às vezes são. Porque ninguém é suposto ser capaz de fazer isso.
"Boa resposta." A respiração é uma carícia no meu ouvido. "Não me teste, Mira. Você não vai gostar do resultado." Ele mexe os lábios na minha orelha. "Agora enrole a alça em torno de seus pulsos."
Há algo no jeito que ele disse que me deixa quente e fria por toda a minha pele. Ele está fazendo isso de propósito?
"Faça isso apertado."
Com as mãos trêmulas desfaço a alça e fecho frouxamente em torno de meus pulsos.
Ele põe a arma de lado, e com algumas torções ele amarra apertado o nó, para que meus pulsos estejam atados no meu colo. Ele me ajeita, em seguida, pega a arma dele. Você pode ver tudo daqui. Tudo o que é importante.
Conheci um monte de caras assustadores da máfia, que estão cheios de opiniões pré-concebidas sobre vinho e armas, mas este homem está inteiramente em outra classe. Um bárbaro de Armani. Há uma sarda escura em seu maxilar direito, como uma pequena jóia escura. Isso, também, é estranhamente familiar.
Pancadas estão batendo nas escadas atrás de mim. Não tenho que olhar para saber que alguém está descendo a partir da cobertura do telhado da casa de barcos. O lugar perfeito para um cocktail depois de uma festa náutica. Ou para vigiar durante uma operação, eliminando as peças do jogo de xadrez.
O cara entra em exibição, um enorme e escuro albanês como meu captor, embora este seja mais novo - vinte talvez - e tem um estilo mais militar, com cabelo curto e postura de soldado. Ele usa terno e gravata.
"Viktor, quero que conheça alguém. Esta é Mira Nikolla. Mira, este é Viktor."
O homem acena de um modo quase malcriado. "Lazarus ainda não foi encontrado." Viktor fala com um sotaque russo.
Lazarus era suposto estar aqui para o almoço, mas ele escapou.
Meu captor franze o cenho. Seja lá o que ele está planejando, queria que Lazarus estivesse sob controle para isso.
Ele está certo de estar infeliz. Se há uma pessoa que você não quer atrás de você, além de meu pai, é o psicopata sangrento Lazarus.
"Ela concorda", diz ele, lendo a minha expressão.
"Você não sabe o que eu penso," cuspo. A última coisa que estou disposta a fazer é ajudar esses caras ou oferecer qualquer tipo de ideia.
"Temos todos os recursos possíveis procurando por
Lazarus. Ele vai ser um problema."
Viktor acena e coloca sua atenção em seu telefone, dedos voando.
Eu estudo a linha forte e familiar do nariz de Viktor, assim como do meu captor. Mesma maçãs do rosto, lábios. Irmãos. Ambos parecem albaneses, mas como um irmão é americano e outro irmão russo?
E então eu vejo papai no carrinho de golfe, zumbido baixo no gramado.
"Pai! Cuidado!"
Papai me ouve, mas ele continua dirigindo seu carro, que se parece com um brinquedo contra o verde. Ele sabe o que está acontecendo. Provavelmente entende melhor do que eu.
"Volte."
Papai nos vê agora. Expressão sombria.
"Isto é melhor do que eu pensava," diz meu captor. "Essa porra de drama." Ele mexe em meu cabelo, fazendo isso para afetar meu pai. Sou apenas um adereço. Sempre tenho sido neste mundo.
"Não vai sair dessa."
"Eu gosto do jeito que você cheira," sussurra meu captor. Minha boca fica seca quando ele desliza a mão sobre minha saia rosa, me apertando contra ele. Seu corpo é tão duro de tantos músculos, ele parece como pedra embaixo de mim - ou ele seria, se não fosse o imenso calor que desprende dele.
Mas sua atenção não está em mim. Está sobre meu pai, que está fora do carrinho agora, correndo, se aproximando.
Correr é ruim para o coração. "Papai", sussurro.
"Shh... o papai está vindo." Minha boca fica seca quando ele desliza o cano da arma sobre meu rosto em uma horrível, suave carícia.
Ele quer que eu olhe com medo, então faço o meu melhor para parecer entediada. Provavelmente não consegui. Estou assustada.
Meu pai desacelera e estende as mãos, num gesto apaziguador. "Por favor..."
Meu captor se levanta do banco, levando-me com ele, praticamente, puxando meu braço. Seguimos para o centro do gramado. Eu percebo mais alguns homens ao redor do terreno, parecendo materializar-se das sombras ao redor das árvores e edifícios. Muitas armas grandes.
"Seja lá o que for isso, deixe ela fora disso", meu pai mantém as mãos erguidas. "Posso te dar muito. Mais do que você pode imaginar."
Então meu pai não o conhece, também.
Minha boca fica seca quando meu captor desliza o cano da arma por cima do meu rosto, traçando um desenho sobre minha bochecha.
Vejo o meu pai pelo canto do olho, mas não posso tirar os olhos da arma, fria e mortal em toda a minha pele.
"Deixe-a ir," meu pai diz. "Você está procurando dinheiro, é isso? Nós poderíamos falar sobre isso. Contas bancárias. Barcos." Papai aponta para seu estimado ChrisCraft mogno de 1940, atracado na doca. "Coisas lindas, impagáveis. O que você quiser."
Eu solto um suspiro de alívio quando meu captor finalmente tira a arma do meu rosto. "Barcos são apenas carros glorificados," ele rosna. "Exceto que eles não vão a lugar
nenhum." No próximo instante, ele aponta a arma para o barco de milhões de dólares do meu pai. Ele me puxa para o peito enquanto os tiros ecoam.
Viktor está sorrindo, talvez rindo - não sei - enquanto também atira no barco.
Eu tremo quando começam o ataque das armas. De repente é uma zona de guerra.
E depois acabou. E a atenção de todos está no precioso barco do meu pai, meio-afundado.
Ele fez seu ponto. Este é um homem que não se compra.
"Agora é a vez da sua querida filha", ele diz.
Meu pai corre em minha direção. Homens se materializam do nada para pegá-lo. Viktor o revista, leva sua Luger, telefone e sua segunda Luger. Ele até encontra o que meu pai chama de seu "mimo de festa", a arma escondida em um bolso especial na parte de trás de sua jaqueta.
"Toque-a e vou matá-lo", diz papai. "Eu vou ter suas bolas."
Meu captor me libera. Rapidamente trabalho minhas mãos para fora da alça as derrubando no chão, mas meu braço é apreendido por um de seus capangas. Não parece meu captor; ele sabe onde estão seus homens. Ele avança para o meu pai - djall e bukar - um diabo bonito. "É mesmo?" "Nós vamos te enforcar e..."
Crrrack.
Eu grito alto, quando meu pai é atingido cruelmente, tropeçando para trás. Ele cai, sangue escorrendo dos seus lábios para sua camisa branca.
"Ei, o que você está fazendo?", digo. "Deixe-o em paz!"
"Levante-se, Aldo," diz meu captor.
"Um fio de cabelo na cabeça," grunhe meu pai. "Se você machucar um fio de cabelo..."
"Por favor", eu digo. "Ele tem um coração ruim." "Pobre Aldo Nikolla," ele diz com uma pontada de zombaria. Zombando do meu pai.
Ninguém se atreveria. Nunca. É aqui que eu sei que meu mundo mudou.
Eu me afasto. Braços apertam ao meu redor.
"Papai", sussurro, observando-o com olhos turvos.
"Está tudo bem, gatinha", diz papai.
"Gatinha," zomba meu cruel captor. Não posso dizer se ele está zombando do afeto do meu pai ou se é o nome, que na verdade, eu nunca amei. Eu sempre o vi como devaneio da parte do meu pai.
O intruso volta para mim, seu braço como uma cortina ao redor de meus ombros. A ameaça é mais dolorosa para meu pai do que qualquer golpe. "Gatinha," diz ele, me puxando para perto.
Papai parece horrorizado.
Eu me torço em seus braços e obtenho um cotovelo para fora, consigo empurrá-lo.
Ele tropeça para trás. "Ah, gatinha!"
Diferen