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 Obsessão Dentia

Obsessão Dentia

Autor:: Busnio
Gênero: Romance
Uma garota doce e amável curte sua nova vida longe dos problemas que seu pai trazia para sua vida, mas isso acaba quando um mafioso vai em sua busca para um acerto de contas. Um homem tirano e cruel que toma uma jovem mulher após descobrir que seu pai o roubou, e por parecer se muito com sua falecida mãe, decide rapta-la e tornar a vida sa garota um inferno.

Capítulo 1 Part 1

Fomos ensinados a existência do bem e do mal desde os tempos bíblicos. Às vezes, o lado bom parece ser a melhor opção. Mas e o mal? É realmente tão ruim quanto nos disseram? Quando os humanos surgiram, aprendemos que as dinastias governantes através dos homens mais poderosos e respeitados, para o bem ou para o mal, eram influenciadas pela fama e poder que vinham com seus títulos. Nem sempre uma dinastia se constrói com honestidade e muito trabalho, algumas pessoas nascem com sede de poder e a capacidade de sacrificar qualquer coisa pelo que quiserem, independente das consequências

As organizações mafiosas surgiram por volta da Idade Média, organizadas e geridas por grupos anônimos, escondidos em todas as áreas da sociedade. Seus membros, conhecidos como Máfia, estão espalhados pelo mundo capitalista, penetrando por caminhos tortuosos financeiros e políticos. A Cosa Nostra é dominada pela família Mortalla, uma das organizações mais ativas e inteligentes do mundo, na qual Marco Greco, um capo ganancioso das atividades criminosas de seu atual líder Julian Mortalla, colocou seus melhores interesses lá para substituir sua posição.

***

- Você sabe o que fez, Marco? - Dante, soldado leal e amigo, tentou me questionar, mas eu estava morrendo de vontade de beber.

- Eu tenho, mas está tudo bem neste momento, está feito.

- Você roubou um Mortalla, isso é traição. Você acabou de assinar sua sentença de morte!

- Ele pensaria que foi outra pessoa que manipulou os registros de embarque.

- Desista desse desejo ambicioso, você nunca tomará o lugar de Julian, não esqueça que ele também tem um neto.

- Acabei com os pais dele e posso fazer o mesmo com aquele garoto. Esta família lidera nossa irmandade há gerações, e é hora de alguém tomar seu lugar.

- Você está fora de controle. Não pense que você vai enganar um Mortalla e eles vão te matar se descobrirem.

- Mil maldições!

- E sua família? Irina acabou de ter sua filha.

- Esta é a minha menor preocupação.

***

Pouco tempo depois, infelizmente para Marco, Julian descobre que está envolvido no roubo das exportações a granel do grupo. Ele foi julgado e condenado por traição, e sem esperar por um veredicto, rapidamente se escondeu onde ninguém pudesse encontrá-lo. Irina, sua esposa com um bebê recém-nascido nos braços, implorou a Julian que fizesse um acordo por consideração por seu pai antes de morrer. A família Greco foi para a propriedade Mortalla e, embora ele quisesse reconsiderar o convite por medo de sua própria vida, sua esposa habilmente acalmou seus nervos e o convenceu a acabar com o mal-entendido. Marido e mulher passam pelo portão até o escritório onde a reunião será realizada.

- Irina, há quanto tempo não nos vemos? - Julian a cumprimentou educadamente, ignorando a presença de Marco.

- Tem muito tempo, Sr. Mortalla. -Irina respondeu com uma cara séria, talvez com um pouco de preocupação.

- Depois de se atrever a roubar a organização, você tem um minuto para me convencer do meu impedimento de matar seu marido. - Deixando a arma carregada sobre a mesa, avisou.

- Lembro-me de ouvi-lo discutir as terras do meu pai e sei que você está interessado nelas. - Irina é firmemente responsável por seu marido, negociando em sua terra fértil, dado-a em seu casamento. Ela está tentando fazer um acordo que salve seu marido de uma vida de morte e fuga, porque um bebê agora depende deles.

- Mesmo que você morra, eu possuo essas terras. - Julian é conhecido por nunca agir com emoção. Mesmo que ele tenha um apresso por Irina e sua família.

- Você esqueceu que agora temos um herdeiro legal?

- É fácil tirá-la da criança. - O chefe responde rudemente. Marco teme que seu plano de permanecer são e salvo não dê certo.

- Irina, você sabe que respeito sua família por fazer negócios juntos ao longo dos anos, embora você seja a única que restou em seu sangue.

- Não vou desrespeitá-lo em sua casa, mas sabemos que você só se importa com dinheiro.

- E lealdade! - Julian responde ofendido - Algo que seu marido não conhece o significado.

Depois de falar, todos ficaram em silêncio, e Irina perguntou:

- A final, qual é a sua resposta?

- Aceitar terras em troca de manter seu marido vivo?

- Sim!

- Só aceitarei sua oferta se você aceitar minha oferta.

- Qual seria? - Sam perguntou curioso.

- Quero entregar sua filha ao meu neto para que o acordo não seja quebrado

Irina ficou em silêncio sobre os termos de Julian, não esperando que sua filha com pouco tempo de nascida tivesse um casamento arranjado. O homem aparentemente jovem, mas com quase cinquenta anos, esperou por sua resposta confirmada, mas seu marido respondeu por ela:

- Aceito!

- Quê? fora de questão! - retrucou Irina. - Minha filha deve escolher com quem casar!

- Você é casada com o capo da Cosa Nostra, e um casamento arranjado é mais normal do que você pensa. Você sabe que a decisão não é sua. - Julian olhou para Marco com firmeza.

- Não faça isso com nossa filha! - Irina implora ao marido, que a repreende com olhos mortais. Ele voltou sua atenção para o líder e disse: - Deixe-me falar a sós com Julian e me espere lá fora. - Marco pediu a sua esposa.

Sabendo que não havia opções para rebeldia, Irina deu uma última olhada em Julian, esperando que ele desistisse dessa bobagem. Então, por uma fração de segundos, seus olhos encontraram com os de um garoto parado na frente da porta ouvindo a conversa. Olhando também para o bebê, por um tempo, ele se sentiu um pouco diferente quando olhou para o bebê no colo da mãe. Assim que Irina saiu do quarto, o avô do menino disse ao menino para ficar porque já não havia nada a esconder.

- Eu disse que aceito sua oferta. - Marco deu a resposta final, Julian sorriu com satisfação.

- E quanto a sua esposa?

- Vou falar com ela em casa.

- Bom saber, Marco... quem faz um pacto comigo está fazendo um pacto com o diabo.

- Eu não vou te decepcionar novamente.

- Eu não dou segundas chances. Agradeça a esposa.

O capo deixou a sala e o garoto permaneceu na frente da mesa do seu avô, olhando-o com seriedade sabendo que foi prometido sem menor questionamento. Julian, como se tentasse entender a mente do neto, falou:

- Anime-se, ela será seu presente no patriarcado!

- Não acho que seja um bom negócio. Ainda mais quando se trata de bebês.

- Você ainda vai aprender muito, rapaz.

- Mas é apenas um bebê! - Sebastian ainda não consegue acreditar em tudo, mas sabe que nunca poderá ir contra seu avô.

- Casamento não significa prisão, você pode comer quantas mulheres quiser.

- E depois do casamento, O que faço com ela?

- Faça o que quiser com ela, a garota será sua.

Para surpresa de Julian, o menino deu um sorriso maquiavélico. Ele tinha muitos planos ao se dar conta de que uma doce e inocente menina, seria dada como objeto para seu bel prazer. Sebastian com seus quase nove anos já fora ensinado que amor e negócio não se misturavam, jamais poderia amar por ser um sentimento de fraqueza, para ele um sentimento assim poderia lhe custar a sua vida. Mas quanto ao prazer foi lhe dito ser algo intenso e relaxante para um homem frio e cruel, então se não podia amar, faria bom proveito de sua futura fonte de prazer.

Capítulo 2 Part 2

Qual é o preço da liberdade? Talvez não o valor que todo o dinheiro do mundo pode comprar. Algumas pessoas precisam se redimir para serem livres nas ruas, pagar suas dívidas ou cumprir penas de prisão pelo que fizeram. Mas como posso ter minha liberdade se meu único erro foi ter

nascido em uma organização criminosa? Às vezes é difícil acreditar que estou fugindo da minha antiga vida, de um noivo que não vejo há dez anos.

Califórnia-EUA

***

Estava em meu quarto procurando entender aparição de mamãe ao me pedir que tomasse um banho e vestisse um lindo vestido, quando de repente eu ouvi outra vez a discussão com papai. Já os vi em meio de um desentendimento, sempre o meu nome estava envolvido e antes eu não entendi, mas agora eu consigo entender. Irina falava sobre a minha opção de escolha e papai deixava claro que tanto a sua opinião como meu livre arbítrio não pesava sobre a balança.

Curiosa sobre o que estavam falando, desci até a porta, que por sorte estava entreaberta.

- Aquele rapaz acabou de assumir o lugar de Julian, você viu o que ele fez na cerimônia!

- Aquilo faz parte da tradição, se conforme com nossos costumes.

- Ele não é mais um rapaz, é um homem agora.

- Sebastian é um máquina mortífera, Marco. Vai mesmo entregar a nossa filha para um homem sombrio como ele? - Mamãe segurou o braço de papai forte, ele a olhou como se pudesse esmagá-la como um inseto, desfez do seu aperto com violência.

- O acordo está selado desde que ela era um bebê, aceita de uma vez que sua filha vai se casar com um Mortalla!

- A nossa filha, Marco! - Mamãe o corrigiu - É bom se lembrar que você é o causador da situação de Alice, graças a ela você ainda respira.

- Graças a esse acordo eu recuperei o meu cargo na Cosa Nostra, sem nenhum arranhão. - Se gabou com orgulho.

- Não cante vitória, os Mortalla não confiam mais em você!

- Não importa se confiam em mim ou não, enquanto o acordo estiver de pé eu continuarei com o meu cargo.

Depois disso, ficaram calados, Irina perguntou:

- Que horas ele virá?

- Esta tarde, ela já tem dez anos e antes do casamento é normal que se vejam.

- O casamento ainda está longe, deveria esperar para avisá-la.

- Foi Sebastian quem decidiu, eu não posso fazer nada!

- Você nunca tentou. - Mamãe o corrigiu - Alice nunca vai te perdoar por isso, você a conhece tão bem quanto eu, ela não vai aceitar facilmente.

- Ela não vai me desobedecer, mas se ousar eu a colocarei em seu lugar. - Irina o encarava com decepção e repulsa, papai ignorou - Vá comunicá-la, ele chegará em breve.

Estava procurando forças para me mante de pé e processar a conversa que acabei de ouvir, papai não era o mesmo homem quem me criara com tanto zelo e amor, parecia um mafioso qualquer me envolvendo em um negócio sem demonstrar nenhum sentimento. Sem perceber, mamãe abriu a porta e me encarou espantada, deduziu que eu ouvi o que conversaram. Como se esperasse minha reação negativa, ela tampou a minha boca com o receio de que Marco ouvisse, então me levou para o quarto e trancou a porta.

- Isso não pode ser verdade!

- Você precisa ficar calma, pequena.

- Como papai fez isso comigo? - Perguntei com a decepção evidente em minha voz.

- Alice, eu jamais quis isso para você.

- Eu não vou me casar com alguém que não conheço!

- Fale baixo, por favor.. - Suplicou em voz baixa - Eu nunca quis que o seu futuro ficasse nas mãos de seu pai.

- Você não quis, mas não fez nada para inverter isso. - Eu falei com o ódio reluzente em minhas órbitas.

Irina olhou para mim com culpa, e eu sabia que não era culpa dela. Como pode ser? Eu sei que seu casamento foi arranjado e sua voz no mundo em que vivemos não é ouvida e tudo bem. Ela se sentou na minha cama e gentilmente me pediu para me juntar a ela, e eu não protestei.

- Há dez anos, seu pai tentou roubar a Cosa Nostra.

- Eu ouvi, você me contou uma vez. E disse também que ele foi perdoado.

- Meu amor, na máfia não existe perdão. Eu tentei ajudá-lo oferecendo as terras da minha família que ganhei no meu casamento.

- Eu não entendo..

- O chefe da máfia decidiu aceitar o acordo através do seu noivado com o neto dele.

- Mas eu não quero, mãe.

Ela olhou para mim com pena, lágrimas escorrendo pelo seu rosto e me puxando para um abraço.

- Eu sinto muito, pequena. Não quero que o seu destino seja o mesmo que o meu.

Sentia meu coração tão rápido, a sensação de que minha vida se tornou inseparável de um casamento arranjado me afastou do livre arbítrio e da sensação de escolher com quem me casar, não esperava que papai fizesse uma coisa tão astuta

- Ele virá esta tarde.

- Ele quem?

- Seu noivo, Sebastian Mortalla.

- O que fará aqui?

- Serão apresentados.

- Eu não quero vê-lo!

Irina quebrou o abraço e me olhou apavorada, ela sabia que eu não estava acostumada com avisos rígidos e importantes, nem dela, nem mesmo do papai.

- Não nos desafie princesa, não dessa vez. Não quero que nada aconteça com você. - Estudei a sua reação, estava com medo, por mim.

***

Ouvi uma batida na porta do quarto e saí de minhas lembranças. Podia sentir o cheiro doce do bolo recém-assado da irmã da minha mãe, tia Danielle. Outra batida, sinto preguiça de responder que estou acordada, odeio falar de manhã, aprecio o silêncio, gosto de aproveitar o máximo que posso.

- Bom dia, Alice. - Ela me cumprimentou quando abriu a porta. - Poderia falar que estava acordada, pouparia tempo.

- Bom dia, tia Daniele. - Me levantei e sentei-me na beirada da cama. - Sabe que não gosto de falar quando ainda estou com sono.

- Hum... Mas tudo bem, você vai para a faculdade?

- Você sabe que eu faço o meu melhor para aproveitar minha liberdade, então sim, eu vou!

- Você se arrisca tanto por uma vida que não pode ter.

- Se você pode, eu também posso. -

- São situações diferentes, eu forjei minha morte e você fugiu. Seu noivo deve estar procurando freneticamente por você.

- É melhor ser um fugitiva do que aceitar um casamento arranjado.

- Você mais do que qualquer outra pessoa, deveria ter aceitado esse casamento, já que nasceu dentro da organização, diferente de mim e da sua mãe. A única diferença de você para as outras é que a sua mãe acreditava numa vida longe daquele inferno. Nem todas estão dispostas a ter a coragem que teve, tudo por uma breve liberdade.

- Uma breve liberdade? Eu fugi há três anos.

- Alice, Você realmente acha que essa fuga vai durar para sempre?

- O que eu queria que fizesse? Aceitasse de bom grado ser usada como um negócio? - Perguntei com completo desdém.

- Não se esqueça que eu forjei a minha morte, então eu não acho que fez errado. Só acho seu pensamento muito ingênuo, por constar que sua liberdade irá prevalecer por muito tempo.

- Por que você duvida disso?

- Você está prometida a um Mortalla e eles não aceitam perder, especialmente para uma mulher.

- Não sou ingênua, mas quero acreditar que esse Sebastian tenha se agradado por ter fugido. Quero acreditar, mas sei que está longe da verdade.

- Se apresse para a faculdade, ou você vai se atrasar. - Ela deixou o quarto, deixando-me pensar sozinha.

Me levantei da cama e andei até o banheiro, parei em frente ao espelho e encarei meu rosto, estava um caco de tão sonolenta pela má noite de sono. Tia Daniele tem razão, fugir não é liberdade, estarei sempre acompanhada pelo medo de ser encontrada, um medo que desperta quando saio de casa e ando pelas ruas da Califórnia. Os primeiros cinco minutos desde que deixei a Itália foram cheios de emoção e alegria quando finalmente consegui impedir aquele casamento, mas quando parei para pensar o que aconteceria comigo se fosse encontrada por aquele homem, o medo gritou internamente. Eu escapei daquela prisão com um único desejo: viver. Sei que tenho que tomar cuidado daqui para frente, mas mesmo sabendo dos riscos, estou tentando levar uma vida normal como todo mundo, como sempre quis. Saí para beber, passei a noite fora, fiz amigos. Rebecca e Luana, as conheci atualmente na universidade em que estou estudando.

Tirei a minha camisola e entrei no box, liguei o chuveiro e deixei a água morna cair em minha cabeça. Passei o sabonete liquido sobre minha achando o volume considerável dos meus seios estranho, meu corpo mudou drasticamente após a fuga, mas não apenas os havia mudado. Decidi cortar os meus cabelos curtos, acompanhados por uma franja, um simples corte mudou meu visual. Depois de encerrar o banho, eu parei na frente do espelho e me enxuguei, admirei a linda tatuagem que fiz abaixo do seio direito, era três lindas borboletas pequenas, me representava esperança, liberdade. Voltei para o quarto e andei até a cômoda, vesti um conjunto de lingerie simples e uma calça jeans azul com uma blusa branca e uma jaqueta de couro. Penteei meus cabelo, não fiz nada casual no rosto, apenas coloquei meu acessório importante, óculos.

Deixei o quarto e junto ao meu ombro estava minha bolsa, coloquei encima do sofá da sala e andei para a cozinha, onde estava tia Daniele e seu gato de estimação tomando café da manhã.

- Dormiu bem esta noite?

- Sim. - Respondi, enquanto me servia com um copo de leite gelado.

- Bem, eu fiz um bolinho para você. - A encarei com um sorriso, sei que a vezes sou dura com ela, mas ela sabe como me ganhar.

- O de chocolate com coco ralado?

- Esse mesmo. - Ela tirou a tampa da onde o havia colocado. - Não vai sair antes de comer.

- Hum...delícia!

Depois do café eu me despedi com um beijo em sua cabeça e fiz carinho no bichano com o sapato. Antes de passar pela porta eu fiz uma prece que minha tia ensinou, embora eu não seja religiosa, sempre me apego ao homem lá de cima que me proteja assim que eu passo por esta porta. Andava pelas ruas com passos largos, sempre olhando para os lados até chegar na faculdade, ainda estou aprendendo a disfarçar a minha desconfiança. A casa da minha tia é pouco distante da universidade, moro com ela desde que deixei Itália. Passei pelos portões e segui direto para a minha sala, a primeira aula seria microbiologia de alimentos, afinal eu escolhi gastronomia, sempre adorei o feitio de cozinhar, para mim era terapêutico, não como aulas de tiro e boxe.

Assim que entrei na sala, sentei-me na frente como sempre, gostava de ouvir atentamente os professores nas explicações. Em seguida Rebecca e Luana passaram pela porta e vieram ao meu encontro, sentaram ao meu lado.

- Bom dia, Liana. - Esse era o nome qual eu havia me nomeado.

- Bom dia.

- Faz tempo que chegou?

- Pouco tempo. Onde estavam?

- Na cantina, estava comendo um sanduba delicioso. - Respondeu Rebecca.

- Que ótimo!

A aula havia dado inicio e assim dei a devida atenção, alguns pontos importantes foram anotados em meu caderno. O professor explicou detalhadamente do assunto até bater o final da aula, assim que o sinal tocou eu dei um perdido nas duas e fui até a praça mais próxima da universidade. Já era nova da manhã, o número restrito logo apareceu na tela do meu telefone, atendi e esperei que falasse primeiro.

- Filha, como está?

- Oi mamãe, saudades. - meu coração se aqueceu ao ouvir sua doce voz.

- Pensei que não falaria com você esta semana.

- Andei ocupada com as provas do semestre.

- Fico feliz que esteja fazendo o que gosta, me alegro muito. - disse sorridente.

- Alguma novidade?

- Nenhuma. Tenho tomado cuidado para falar com você, sempre uso o telefone da empregada quando seu pai não está em casa.

- A propósito, ele está bem?

- Se preocupa com ele, pequena?

- Não! Esqueceu que é por causa dele que vivo como uma fugitiva?

- Meu anjo, sei que Marco, mas ele é seu pai.

- Não defenda ele!

- Não estou defendendo, meu amor. - Houve um breve silêncio, resolvi quebrá-lo.

- Não vamos discutir, okay? Apenas nos falamos uma vez na semana e não quero esgotar os minutos que restam falando dele.

- Tudo bem. Mas conte-me, como está a faculdade?

- Indo muito bem.

- Estou orgulhosa de você, meu amor.

- As vezes me pergunto se voltaremos a nos ver.

- Se não voltarmos a nos encontrar, significa que sua fuga deu certo.

- Acha que vai dar certo por muito tempo?

- Eu não sei. Não tenho notícias de como anda as investigações.

- Será que ainda estão me procurando? Já faz tanto tempo..

- Você sabe que seu noivo ficou dominado de ódio quando soube da fuga, quase que mata a mim e ao seu pai.

- Filho da puta.. - murmurei baixo.

- Mas não se preocupe, por enquanto estamos bem. Talvez seu pai esteja o ajudando na sua procura.

- Esse Mortalla é um idiota, está claro que eu não o quero como marido. Não deixarei que me peguem nunca!

- Pequena, tome muito cuidado.

- Não se preocupe, eu sei me cuidar.

Encerrei a ligação e admirei o gramado da faculdade pensativa, toda vez que falo com mamãe eu me sinto vazia por dentro. Sei que deve ter sofrido alguma violência por minha causa, saber disso e ainda sim fugir me torna egoísta, mas sei que se tivesse ficado ela não teria me perdoado. O dia da fuga não foi nada comparado a simples, foi uma situação tensa e aflita, havia poucas chances de darem certo, mas eu precisei tentar porque não queria me casar pelo bem do acordo, eu tinha pavor daquele homem desde o dia em que o vi pela primeira vez.

***

Me olhei no espelho e vi o lindo vestido branco, ele demonstrava a minha pureza para o meu prometido, quando mamãe me explicou, eu senti náuseas. Respirei fundo e deixei o meu quarto, chegando nas escadas eu os vi na sala principal, mamãe sentada no sofá e papai em frente a janela com um copo de bebida na mão, esperando meu prometido. Quando desci as escadas ele me encarou sorridente.

- Meu tesouro, está perfeita. - me elogiou.

- Por que está sorrindo assim? Não precisa ser falso, papai.

- Pequena, não fale assim. Um dia entenderá que foi necessário.

- Me oferecer para salvar seu pescoço não foi necessário, e sim covardia.

Marco olhou para mamãe com um olhar mortal, deduzindo que ela havia me explicado detalhadamente o que aconteceu na casa de Julian. Me aproximei dela e esperei o desconhecido com uma expressão de velório. Ver a minha mãe aflita e assustada me fez repensar em desafiá-lo, sei que ele não me machucaria, mas acabaria descontando nela.

- Graças a mim você tem um teto sobre a cabeça e barriga cheia. Não seja uma mal agradecida.

Contive minhas ofensas preso na garganta, ela sabia que iria o enfrentar, então ela segurou a minha mão e me suplicou com os olhos para ficar quieta.

- Graças a mim você ainda respira, não inverta os papéis, papai.

Naquele momento o governante se aproximou de nós e avisou, chamando atenção de papai.

- Me desculpe a intromissão, mas acaba de chegar o senhor Mortalla.

Marco andou para a entrada e o recepcionou com educação como deveria. Ao entrar com dois soldados eu o vi, meio forte e alto, seu rosto mostrava o quão jovem era, não queria acreditar que aquele era o meu marido.

- Bem vindo, senhor Mortalla. - Papai o cumprimentou amigavelmente.

- Obrigado, Greco. Vim apenas conhecer a minha futura esposa.

O encarei com repúdio, foi evidente reconhecer em sua voz a ironia se tratando de mim.

- Não sou futura esposa de ninguém! - rebati sem nenhum sentimento de arrependimento.

Meus pais me olharam com reprovação e temor, talvez achassem que não ousaria ser rebelde na frente daquele homem, mas não deixaria que ele me dirigisse como mercadoria. Era assim que todos estavam me tratando.

- Vejo que a obediência não foi lhe ensinado como de costume. - O homem aproximou-se de mim e me encarou como se pudesse me esmagar como um inseto.

- Foi-me ensinado perfeitamente, embora eu não deva esgotá-lo com todos que apareça.

Ele sorriu sem humor, até me olhou como um animal selvagem assustador, então, pediu educadamente aos meus pais para que ficasse um minuto a sós comigo. Assim eles aceitaram, fiquei sozinha com aquele desconhecido na minha frente, olhando-me com curiosidade.

- Vejo que é uma garota bastante corajosa, terá de aprender a controlar sua língua. Já que tenho planos para ela e não posso cortá-la.

- V-você não me assusta. - Disse eu, assustada.

- Garotinha, eu não sou o seu pai. É bom começar de já como deve se dirigir a mim, ou então seus pais sofrerão por isso.

Não precisava ser adulta para saber que aquilo era uma ameaça. Meus olhos se encheram de lágrimas, porém eu as segurei até onde podia.

- Se fizer algo de errado vai lamentar por isso, tudo bem para você?

- S-sim!

- Que bom! - Ele sorriu e tirou de seu terno impecável um anel, pegou em minha mão sem nenhuma delicadeza e deslizou o objeto no dedo. - Te verei no altar, noivinha!

***

Sou tirada de pensamentos quando ouço Luana chamar pelo meu suposto nome, a encarei e sorri, ela estava acompanhada por Rebecca:

- O que você quer, meu anjo?

- Esqueceu onde está? Vem logo, a próxima aula já vai começar!

O observei andar para a universidade em passos largos, eu apenas respirei fundo e apanhei minhas coisas, fui logo atrás sem demora. Mais um lindo dia...

Capítulo 3 Part 3

Cresci em uma bela fazenda com vários hectares de terras férteis cultivando belo café, cacau, algodão, maçãs e uvas. É uma mistura enorme passada de geração em geração através da família do meu pai. Minha infância foi tranquila com minha irmã Daniele, éramos filhas únicas. Não tínhamos do que reclamar, nossas vidas eram boas e refinadas até ouvirmos falar do sobrenome Mortalla e o envolvimento de nosso pai em seus negócios.

Julian parecia um inseto venenoso em nossa terra que desejava mais do que qualquer a possuir as terras da minha família, mas meu pai não queria vendê-la, ele escolheu negociar. Lucio, meu pai sempre foi um homem fraco quando se tratava de riqueza e poder, afinal quem não gostaria? Mas como Sandra é uma boa mãe e esposa, ela tentava avisá-lo de onde estava se metendo, porém ele não se importou tanto, aceitou o mundo do crime e apodrecer nossas terras com drogas ilegais.

Aminha liberdade, junto com a de minha irmã Daniele, já não fazia parte da nossa escolha. Nosso pai tinha planos para nós, como por exemplo nos prometer a casamentos com homens envolvidos na grande corporação mafiosa, mas nós não queríamos isso, desejávamos ser livre daquela vida onde nossas vontades eram ignoradas. Porém, mesmo odiando todo aquele idêntico filme de terror, a única quem teve coragem de fugir, melhor, forjar a sua morte foi Daniele, foi preferível de sua escolha a ser alguém oculto na sociedade do que ter um status e casada com um homem sem escrúpulos.

Hoje, pode-se dizer que sua vida está melhor do que antes, conseguiu criar uma nova identidade e atualmente vive na Califórnia. Por me lembrar da oportunidade que tive a segui-la me causa grandes arrependimentos, no qual hoje não vejo necessidade de lamentar, eu fui fraca, temerosa, talvez a minha escolha me assombre para sempre. Nunca quis ser tratada como uma mulher troféu, embora isso tenha se tornado habito, eu jamais me acostumei, apenas aprendi a lidar. Há cada ano eu vejo mulheres jovens serem forçadas a casar com homens da organização, criadas apenas para isto, eu jamais quis uma vida desta para minha menina, minha Alice.

Mesmo na esperança de que minha filha não tivesse o mesmo destino que o meu, meu marido, Marco, se envolveu em um grande problema na organização, onde foi condenado por traição. Para salvar a sua vida a minha filha teve que ser prometida como um simples negócio, como um objeto. Foi necessário fazer aquilo, afinal, se Marco fosse condenado e porto por traição, Alice e eu acabaríamos mortas por consequência. Desde aquele momento ele não escondeu a sua falta de satisfação ao ser ajudado por uma mulher, pior ainda, ver que sua filha estava comprometida a uma família que ele odiava com todas as suas forças. Seu ódio quase nos custou a vida, por isso, para que isso não voltasse acontecer eu resolvi preparar Alice desde os seus cinco anos. Planejei seus estudos e suas aulas de luta, tiro ao alvo, até de sobrevivência, eu não queria que minha filha fosse iguais as demais garotas da Cosa Nostra, dóceis e submissas.

Não precisei de muito esforço, ela já era uma leoazinha indomável, tem a mesma perseverança e ousadia do pai, é frívola e sabe esconder muito bem seus sentimentos, mais sei que em alguns aspectos ela se parece comigo. Alice corria para o nosso grande jardim com o cachorro que ela ganhou de aniversário sempre que tinha a chance, e eu observava pela janela da mansão enquanto fazia a lindos lalaus no pelo do cachorro, assim como eu fazia quando tinha sua idade. Também já presenciei seu grande interesse na cozinha, embora não fosse apropriado para ela, quando havia possibilidades ela observava as empregadas preparando alguma refeição, eu jamais intervi na sua curiosidade ou nos seus interesses, ela estava conhecendo o mundo como podia, já que não saia tanto de casa.

Alice não tinha amizades com outras crianças, foi difícil no inicio para explicá-la, ela não entendia mas também nunca questionou sobre. Foi complicado quando me preparei para falar sobre seu compromisso com alguém que nunca viu, eu já sabia que sua reação seria negativa, não sabia se ficava orgulhosa ou com medo, pois eu não queria que nada acontecesse com ela. Depois que conheceu seu noivo eu pude ver a revolta e a tristeza em seus olhos, me partiu o coração vê-la daquele jeito.

- Papai arruinou minha vida! - Alice disse com ódio, e eu apenas segurei, me sentindo impotente.

- Sei que seu pai errou, mas não se desespere. - Ela ergueu os olhos e soluçou:

- Como não, mãe? Papai me prometeu casar com aquele homem! - Coloquei seu rosto manchado de lágrimas em minhas mãos e fiz com que ela me encarasse, e disse com firmeza:

- Eu vou fazer tudo ao meu alcance para impedir esse casamento, você me ouviu?

- Não seja boba, você sabe que se envolver em negócios pode custar muito caro. - Alice ficou longe do meu contato. Ela ficou tão chateada que não saiu do quarto por três dias inteiros, quando uma das empregadas levava sua refeição, tratava de enviá-la de volta intacta. Em um jantar com Marco, chamei sua atenção e contei sobre o estado de sua filha:

- Alice não sai do quarto há três dias.

- Ok, então eu não tenho que lidar com seu temperamento. - Eu olhei para ele com nojo.

- Como você pode sentar e relaxar na situação atual dela?

-O que você quer que eu faça?! - ele perguntou com raiva.

- Seu papel de pai. A nossa filha vai se casar com aquele homem por sua culpa!

- Deveria aceitar verdades, Marco. Já que sua inveja pelo poder dos Mortalla custou a nossa família! - Ele bateu as mãos sobre a mesa furioso, soube tocar onde mais doía, seu ego. Marco sempre desejou ter o total poder de Cosa Nostra, mas sabia que jamais teria. Marco se levantou da mesa e se aproximou de mim, seu olhar mortal já não me assustava, apenas indiferença. Sua mão pesada acertou em cheio o meu rosto, eu apenas segurei as lágrimas momentâneas de dor, e eu queria salvar o destino da minha filha mais do que nunca.

Alice estava tentando viver sua vida depois de saber sobre o casamento, ela praticava luta e tiro como nunca antes, e enquanto eu estava preocupado que ela estava ficando cada vez mais obsessiva, eu sabia que ela precisava estar pronta para quando ela fugisse do lugar. Os anos se passaram e ela se tornou uma bela nova adulta. Eu a vi tão chateada no dia do casamento, mas ela era uma verdadeira princesa em seu vestido de noiva. Me entristece saber que esta será a última vez que a vejo, mas vejo algo bonito nela, e se nunca mais a verei novamente é porque tudo ocorreu muito bem.

3 anos depois...

A sensação de terminar a ligação foi entristecedora. A empregada Teresa que me emprestou o celular para ligar para Alice olhou para mim e viu meu rosto angustiado, ela me lança o mesmo olhar de pena, sempre tentando me animar com a esperança de que Alice um dia deixará de ser caçada como um animal valioso.

- A pequena Alice é forte e sabe se cuidar, senhora.

- Eu sei, Teresa. Mas temo pela vida da minha filha.

- O senhor Mortalla não vai encontrá-la.

- Não subestime o inimigo, Teresa. Se Sebastian a encontrar, talvez seja apenas vingança por ter sido deixado no altar.

- Não vamos pensar no pior, ok? A pequena Alice está em minhas orações. - Olhei com carinho para Teresa, que sempre cuidou de Alice como se fosse sua própria filha. Eu a puxei para um grande abraço e beijei seu pequeno cabelo grisalho.

- Obrigado por me ajudar.

- Eu faço isso com todo o amor do mundo.

- Mas não se arrisque e não confie no resto dos funcionários, sabemos que existem pessoas leais ao meu marido.

- Não se preocupe, este é o nosso segredo

Teresa se afastou e deixou seu telefone em minhas mãos, então liguei para minha irmã Daniele, que estava fingindo estar morta e atualmente cuidando da minha filha.

- Olá irmã.

- Daniele, como você está?

- Na medida do possível, e você?

- Eu sou muito bem. Como está Alice? Ainda tendo pesadelos?

- Você acha que ela vai me dizer?

- Não, é claro que não. - Sorriu sem humor, lembrando que minha filha não é tão aberta como aparenta ser.

-Talvez a responsabilidade de criá-la não foi inútil, já que ela sabe se proteger e ser fechada com uma concha.

- Fiz o que era necessário. Eu jamais deixaria minha filha se transformar em uma flor como todas as outras da organização.

- Ela ainda é uma flor, só que por sua causa criou-se espinhos.

- Se Sebastian encontrá-la, vai gostar de arrancá-los um por um.

- Não seja cruel com suas palavras, Daniele, é a sua sobrinha!

- Eu sei e a amo, mas não me impede de falar a verdade com ironias.

- Vai sair tudo bem, até agora ela não foi encontrada e se sairá bem por mais tempo.

- Eu gosto da personalidade de Alice, é realista e determinada. Mas ás vezes creio tenha herdado ele lado otimista e ingênuo de você... Agora me responda, você contou a ela?

- Contar sobre o quê?

- O que seu marido fez com você. Não me pague de estupida, está usando uma bengala para se locomover.

Olho para o meu suporte ao lado, que uso para me movimentar com mais facilidade. Respirei fundo e soltei o ar, e toda vez que falava com Daniele, ela ousava relembrar o que aconteceu comigo.

- Esquece disso, já faz anos.

- Alice precisa saber disso, se esconder por mais tempo e ela descobrir, será muito pior.

- Se ela souber, terá a ideia de me tirar daqui e eu não quero que se arrisque sobre nenhuma hipótese!

- Você me parece irônica, fez de tudo para livrar a sua filha de um casamento mas não ousou fugir. Como conseguiu ajuda para realizar o plano?

- Isso não é da sua conta, Daniele.

- Prefere viver nesse inferno do que fugir daí? Marco ferrou com sua qualidade de vida, parece uma inválida com essa bengala.

- Eu sabia dos riscos ao impedir que minha filha se casasse, foi um efeito colateral que já me conformei.

Desliguei a chamada e saí do jardim, e assim que vi Teresa eu devolvi o telefone e retomei o meu papel habitual nesta casa, esposa troféu. Subi as escadas cautelosamente e andei para o meu quarto, assim que passei pela porta eu me deparei com Marco saindo do banheiro com uma toalha enrolada na sua cintura.

- Marco, não vi você chegar. O que faz aqui?

- Este quarto também é meu, não é?

- Sim, sim.. Mas achei que estivesse na sede da máfia.

- Estava, mas voltei para tomar banho, estava sujo.

- Hum!

- Onde estava?

- Na sala de leitura. - Respondi com a voz firme, tentei a todo custo demonstrar que não estava mentindo.

- Curiosamente, perguntei a Alfred onde você estava. Ele disse ter visto você no jardim.

Fique nervosa com seu questionamento repentino, já que ele nunca se importou com as minhas atividades diárias. Então, eu disfarcei meu tremor e sorri;

- Ah! Eu fui até o jardim ler um livro, estava muito calor aqui dentro.

- Tem certeza do que está me dizendo?

- E isso importa, Marco?

- Mas é claro que importa! - Ele aproximou-se de mim e olhou bem nos meus olhos. - Está escondendo algo de mim?

- Não..

- Tem certeza?

- Absoluta! - Seus olhos estão fixos em mim, me estudando como sempre.

- Está bem.

Marco foi até o armário e escolheu alguns itens para vestir, um terno impecável e sapatos pretos. Me lembro de Alice me perguntar se eu tinha alguma informação, mas como teria? Não sou informada sobre nada, Marco nunca me revelou nenhuma informação.

- Marco.. Como está indo a investigação de Alice? - A minha pergunta chamou a sua atenção, ele virou-se para mim com suspeita.

- Por que de repente se interessou sobre as investigações?

- É da nossa filha que estou perguntando, eu não sei nada dela há três anos, se conseguir me dizer alguma coisa já é suficiente.

Assim que terminou de se vestir, Marco se aproximou de mim com uma expressão fechada, eu não ousei me afastar, permaneci parada no meio do quarto, segurando a bengala com bastante força. Eu sentia que minha alma abandonaria meu corpo a qualquer instantes.

- Não faço parte do grupo de investigações, seu genrinho deixou minha participação de fora, desde o dia em que quase nos matou, se lembra?

- Como não lembrar? Foi no mesmo dia em que ela fugiu.

- Então não me faça perguntas idiotas, já sabendo da resposta. Aliás, não me convenceu com sua desculpa naquele dia, Alice não teria fugido sozinha, ela recebeu ajuda e sei que foi você.

- Mas eu já disse, eu não tive nada a ver!

- De todo o modo, se não participou você teve culpa em não vigiá-la. Você prejudicou o acordo, interrompeu o inevitável.

Marco encostou sua mão em meu rosto, deslizando com delicadeza. Eu estava nervosa com suas palavras e com o tom que elas saiam de sua boca. Tentei me afastar dele sem demonstrar que estava com medo, foi meu pior erro. Marco levou suas mãos até a raiz do meu cabelo e os agarrou com violência, olhei para o seu rosto apavorada, ele demonstrava a frieza de sempre.

- Como uma adolescente foge de uma fortaleza com soldados espalhados pela propriedade sozinha?

- Marco, você está me machucando.. - Falei sentindo dificuldade, minha voz estava trêmula.

- Responde, caralho! - Gritou enfurecido.

- E-eu não fiz nada, eu juro!

A bengala escapou das minhas mãos e não tive forças para me manter em de pé, minhas costas e pernas desistiam aos poucos de me manter rígida diante dele. Marco me segurou contra o seu peito para que eu não fosse ao chão, então, soltou meus cabelos e me prendeu contra o seu corpo.

- Sabe, eu acredito em você. É uma inválida por quem me casei, ao menos consegue se manter de pé.

- Graças a você.

Ao me olhar com desprezo, Marco me arrastou até a cama e me jogou nela, contive a dor em minhas costas e caí em um choro intenso, antes de deixar o quarto, avisou:

- Estou de olho em você.

Marco Greco

48 anos

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