No quarto do hospital era um microcosmo, de luz fluorescente e cheiro de desinfetante. Mas desta vez estou feliz por estar aqui!
Minha coluna ainda doía, mas a dor era uma amiga constante.
Minha família passou anos vendendo o que podia para continuar com meu tratamento e agora, na ultima não tinha mais o que vender, ou como pagar, parecia o fim, mas a Carol conseguiu um empréstimo e enfim víamos a luz no final, ou melhor o inicio da minha vida. Iria ser uma pessoa 'normal', sem operações, sem cadeiras de rodas!
A operação, uma esperança vendida a peso de ouro, prometia uma chance de escapar da prisão metálica que me prendia desde a infância
Três meses haviam se passado desde a cirurgia, que abriu caminho para o futuro que eu tanto ansiava.
Minha mãe entra no quarto, com os olhos inchados
No entanto, as notícias que se seguiram foram um golpe devastador. Carol, minha única amiga, minha confidente e protetora, partiu de maneira trágica e suspeita.
O azul do céu além da janela perdeu seu brilho, e o futuro que se delineava agora estava obscurecido pela sombra da perda.
"Barbara, filha, precisa ser forte. A dor em todos nós sempre vai existir, mas temos que fazer tudo para superar a perda da Carol. Ela sempre enfrentou tudo por ela e por você. Precisa ir ao velório ou nunca irá se perdoar por não ter se despedido"
Disse minha mãe, os olhos refletindo sua própria tristeza.
A dor nas palavras de minha mãe encontrou eco na minha alma.
Eu sabia que não podia fugir da realidade. Era preciso encarar a despedida amarga e dar adeus à única pessoa que acreditou em mim quando o mundo me via como defeituosa.
Levantei-me da cama com cuidado, sentindo as dores persistentes da cirurgia.
Vesti um vestido preto, que minha mãe trouxe, tornou-se não só um ritual ou tradição, e sim uma escolha instintiva que refletia não apenas o luto, mas também a escuridão que me envolvia naquele momento.
Rodei minha cadeira de rodas para fora do quarto, onde meus pais aguardavam para levar-me ao velório.
O local estava impregnado de tristeza e pesar quando chegamos.
As condolências dos "amigos" de Carol pareciam vazias, um eco distante que mal atingia meu coração entorpecido pela dor, nem as frases falsas que continuariam ao meu lado me afligiam.
Apenas um fato me trouxe de volta a realidade.
Os membros insensíveis de um grupo cruel, Ingrid, Diego e os outros entrando no salão onde a minha querida era velada, lançavam olhares de desdém enquanto eu tentava ignorar as provocações, focando na despedida que queria proporcionar à minha prima.
Mas ver Ingrid com cabelos negros que caíam em cascata pelos ombros, seus olhos, em sua tonalidade azul profundo, muitas vezes emanavam uma frieza penetrante. com uma expressão que oscilava entre a indiferença e o sarcasmo. Sua postura era altiva, sempre assumindo uma atitude de superioridade em relação a mim. Inteligente e calculista, ela não hesitava em utilizar suas habilidades verbais afiadas para ferir os meus sentimentos.
Para mim ela sempre foi a encarnação do mal, a proximidade dela do caixão, foi demais precisei sair para fora do salão para respirar fundo.
Depois de algum tempo os vejo vier em minha direção.
O grupo cruel, que me maltratavam, chamando-me de 'Barbie defeituosa', aproveitaram a oportunidade para intensificar suas provocações.
Tentei afastar , mas a encarnação foi mais rápida e se aproximou já lançando seu veneno.
- Olha a Barbie defeituosa enfim está como merece, sozinha e com dor!
Nunca respondi a uma ofensa antes, e quando pensei em fazer algo aconteceu me deixando surpresa, pois sempre ouvi minha prima dizer que o Diego era o pior de todos...
- Some Ingrid! Quero que preste atenção pois falarei só esta vez, a quero longe da Barbara. Ela não pode ser tocada por nem um de vocês! E você Barbara sua prima odiaria te ver aqui com a Ingrid, volta para seu velório em outro momento conversaremos.
Eu jamais irei falar com ele... Pensando isso fui rodando minha cadeira para dentro.
O céu estava cinza e nublado, como se a tristeza daquele dia tivesse tomado conta até mesmo do clima.
O cemitério, normalmente silencioso, era agora um lugar cheio de soluços abafados e suspiros pesados.
Eu estava ao lado do caixão, meu olhar fixo na última despedida para minha prima e única amiga, Carol.
O peso da dor esmagava meu peito, tornando cada respiração uma tarefa árdua.
O vento frio cortava minha pele, mas a frieza externa não se comparava ao gelo que se espalhava por meu coração.
A perda de Carol era como um soco, uma realidade dolorosa que eu não estava preparada para enfrentar.
O padre conduzia as palavras finais, oferecendo consolo e esperança, mas tudo parecia distante para mim.
Eu estava imersa em minha própria dor, mal percebendo as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
A sensação de estar sozinha no mundo era avassaladora, e o luto me envolvia como uma sombra gélida.
Enquanto o caixão era baixado na terra, uma tontura repentina me atingiu.
O solo parecia mover-se sob minha cadeira de rodas, e minha visão embaçada indicava que algo estava errado.
O luto misturava-se à angústia, transformando-se em uma mistura sufocante que ameaçava me levar.
Um zumbido persistente ecoava em meus ouvidos quando tentei respirar fundo para manter a compostura.
No entanto, a intensidade da dor emocional era avassaladora.
Um aperto agudo em meu peito anunciou o desmaio iminente.
Subitamente, tudo ao meu redor parecia distorcido e distante.
As vozes dos presentes tornaram-se um murmúrio distante, as flores se misturavam em cores borradas. Tentei me apoiar na cadeira, mas a dor lancinante da cirurgia da perda me tomou.
O desmaio me envolveu como um abraço sombrio, levando-me para longe da dura realidade do enterro.
Quando recobrei a consciência, estava deitada em um banco próximo ao local do enterro.
Os murmúrios distantes se transformaram em vozes mais nítidas, preocupadas com minha condição.
A dor da perda permanecia, mas o desmaio temporário proporcionou um breve refúgio da realidade cruel que me aguardava. Aos poucos, ergui-me, apoiando-me no banco. Meus olhos cansados ainda refletiam a tristeza, mas agora também carregavam uma determinação silenciosa. Eu não estava apenas lutando contra a dor física, mas contra o fardo emocional que a vida lançara sobre meus ombros. O enterro de Carol, marcado por desmaios e dor, era apenas o começo de uma jornada mais sombria que se desenrolaria diante de mim.
Após o desmaio no enterro de Carol, decidi me isolar no hospital, mergulhando em tratamentos e terapias como uma forma de escapar da dura realidade que me cercava.
Minha decisão de permanecer lá até concluir o tratamento não era apenas motivada pela busca da mobilidade, mas também por uma necessidade urgente de me distanciar da dor que me consumia.
Os corredores do hospital tornaram-se meu novo lar, e as paredes brancas, minha companhia silenciosa.
Cada sessão de fisioterapia era um passo dolorido e sofrido em direção à recuperação física, mas o vazio emocional persistia. A perda de Carol era uma ferida aberta que nem o tempo nem a medicina pareciam capazes de curar.
Em um dia sombrio, minha mãe decidiu me fazer uma visita. Seu rosto carregava o peso da tristeza, mas havia algo mais em seu olhar, uma mistura de preocupação e segredo.
Ela trouxe consigo um objeto que instantaneamente me transportou para os dias mais leves e felizes: o iPod de Carol, minha prima vivia com ele ouvindo musicas e gravando seus pensamentos para a posterioridade.
Ao segurar o dispositivo em minhas mãos, uma onda de nostalgia e tristeza percorreu meu ser.
O iPod continha a trilha sonora de nossos momentos juntas, uma mistura de músicas que refletiam a alegria e a vivacidade de Carol.
Era como se sua presença estivesse encapsulada naquele pequeno aparelho.
Minha mãe, relutante, também me entregou uma carta que Carol deixara antes de partir.
-Filha a Carol entregou isso alguns dias antes do acidente e disse que pegaria de volta quando seu tratamento acabasse, caso ela não estivesse aqui deveria te entregar sem ler.
Ao abrir o envelope, as palavras dela saltavam da página, carregadas de um peso que eu mal conseguia compreender. Carol confessava que o dinheiro para minha cirurgia não era um presente ou fruto de um empréstimo simples, mas sim um empréstimo feito com uma entidade sombria.
A verdade que emergia das linhas escritas por Carol era perturbadora.
O pai de Diego, um homem misterioso e temido na cidade, estava envolvido nisso, o empréstimo para a minha cirurgia tinha um preço que ultrapassava o domínio financeiro.
Eu estava ligada a uma dívida que não podia ser quitada com simples pagamentos, e ela teria um preço a pagar também.
A revelação abalou as estruturas da minha compreensão, agora parte da minha história estaria ligada aquele grupo cruel, e o preço do empréstimo se estendia para além do que eu imaginava.
A incerteza do que estava por vir pairava sobre mim como uma nuvem carregada.
Decidi parar de pensar nisso por agora pois estava claro na mensagem dela que ele me procuraria quando eu estive andando, e que eu não poderia fugir.
Não importa o que seja eu irei quitar este empréstimo, minha prima foi clara que ela aceitou fazer o que estava fazendo por mim, e não iria deixar de cumprir um acordo dela, mesmo sem saber o que era os detalhes.
Depois que minha mãe foi embora e terminei minhas seções diária de terapias, fui para o 'meu quarto, peguei o ipad e tive uma grande surpresa, junto com os pensamentos para posterioridade haviam mensagens para mim.
Coloquei a primeira, e as lágrimas desceram ao ouvir a voz da minha prima.
Mensagem:
Oi Barbie!
Eu não estou mais ao seu lado néh!
Já leu minha carta? Não me odeie minha linda, sempre te falei que faria tudo por ti... E eu fiz a única forma que consegui de custear sua ultima fase do tratamento foi com a família Deluca, sim..., sei que vai parecer contraditório, mas te juro pensei muito antes de aceitar o acordo, eu pensei em cada detalhe, e sei que o Diego irá interferir, mas no final você ficará livre para viver!
Escuta com atenção! Não ouça o próximo áudio antes de terminar o tratamento, se concentra em ficar bem! Quero você andando, dançando, e sendo feliz!
Não baixe a cabeça para ninguém quando terminar o tratamento, você é a melhor pessoa deste mundo e a mais linda que existe em todos os sentidos.
Se cuida primeiro minha linda depois volta aqui para saber os detalhes do que eu fiz.
Amo você!
Fim do áudio
Ai minha prima o que você fez!
Eu vou confiar e fazer exatamente o que estiver no áudio!
Os dias no hospital se tornaram meses, e os meses se transformaram em um ano de intenso tratamento e reabilitação.
Cada sessão de fisioterapia, cada exercício, era um passo em direção à conquista de uma nova fase da minha vida.
Minha determinação se tornou minha aliada mais forte, e a dor, uma constante companheira que eu aprendi a enfrentar, a dor por não ter a Carol aprendi a guardar no fundo do coração e trazer de volta os momentos bons sobressaem sempre que a tristeza tenta tomar conta de mim.
Na manhã da alta, senti uma mistura de nervosismo e euforia.
Vestindo roupas comuns pela primeira vez em muito tempo, olhei para trás e agradeci silenciosamente às paredes do hospital que testemunharam minha jornada de superação.
Cada corredor, cada enfermeiro, fazia parte da trajetória que me trouxe até ali.
Os primeiros passos sem o auxílio de muletas ou cadeira de rodas foram como uma dança delicada entre a liberdade e a dor residual.
Cada movimento era uma vitória, e eu sentia o solo firme sob meus pés como um lembrete de que a força interior pode superar até mesmo as adversidades mais desafiadoras.
Ao cruzar a saída do hospital, respirei fundo o ar fresco da liberdade, de não depender de ninguém para um pequeno degrau na calçada, fizeram as lágrimas de alegria se misturar com as memórias dolorosas, criando um contraste único de emoções.
Minha mãe, ao meu lado, segurava minha mão com ternura, compartilhando silenciosamente o peso e o triunfo deste momento.
O retorno para casa foi um capítulo novo e desconhecido.
As paredes familiares se transformaram em testemunhas de uma nova Barbara, fortalecida pela batalha que travei até aqui.
Meu quarto, antes um refúgio de limitações físicas, tornou-se o palco de sonhos renovados e aspirações revigoradas.
Os planos para o futuro se desenhavam diante de mim como um horizonte promissor.
Decidi que era hora encontrar um trabalho e retomar meus estudos, e claro ver a divida com os Deluca assim que o Diego me procurasse.
A faculdade de psicologia, uma paixão antiga que ganhou ainda mais significado durante minha jornada.
A festa da família celebrava não apenas a minha recuperação física, mas também a resiliência de todo o núcleo familiar diante das adversidades.
As risadas e abraços preenchiam o ambiente, selando a união que nos manteve fortes ao longo do caminho.
Entre os rostos familiares, meu vizinho, Alex que como sempre estava lindo, ele tem estatura média com cabelos escuros e olhos expressivos, marcou presença na festa de celebração.
Seu sorriso caloroso e olhar compreensivo eram como um bálsamo para a alma, um lembrete de que, mesmo nos momentos mais sombrios, a luz da amizade e do carinho podia penetrar.
O reencontro com Alex trouxe à tona sentimentos adormecidos, lembranças de um tempo em que nossa relação era mais próxima.
Seus traços faciais, agora mais maduros, refletiam uma jornada própria de desafios e superações.
No entanto, a essência acolhedora que sempre emanara permanecia inalterada.
Enquanto compartilhávamos histórias e risadas, percebi que a vida, mesmo após as adversidades, poderia reservar surpresas agradáveis.
Alex, com seu jeito descontraído e atencioso, proporcionava um conforto que transcendia as palavras.
Cada anedota trocada e cada expressão de alegria eram fragmentos preciosos de um momento que transcenderia as páginas do tempo.
........Ponto de vista Diego.........
Eu nasci no berço sombrio da máfia americana.
Filho legítimo de um capo respeitado, pelos de fora, mas não por mim.
Carrego o peso da herança criminosa, uma coroa que nunca busquei, mas que me foi imposta, e recusada por mim muitas vezes.
Dizem que meus olhos são profundos, enigmáticos, mas acredito que apenas refletem a complexidade da minha existência, quanto a expressão séria e firme no que se refere a seriedade com que abordo as minhas funções nos negócios da organização do submundo do crime.
Sou um homem de poucas palavras e calculista, cujas ações falam mais alto do que qualquer discurso e sempre um passo à frente, características essenciais para sobreviver no jogo perigoso da máfia.
Nos corredores do crime, sou conhecido por minha lealdade inabalável à organização e execução perfeita do que é solicitado, realizando serviços sujos quando necessário.
Possuo habilidades letais e isso me transformou em um ativo valioso para e escroto do meu pai.
Que por culpa da maldita Caroline me fez ter que ceder a aceitar entrar nos seus negócios, tenho cedido a fazer suas vontades, mas no momento certo eu mostrarei a ele que não sou uma peça que ele move a sua vontade, não aceitarei fazer o que ele quer!
Só preciso resolver uma coisa antes...
Observei à distância, por anos a Barbara, ela tinha 15 anos e eu dezoito quando a conheci, não que isso fosse uma barreira, mas a maldita da Caroline sempre a afastou de mim, sabe aquelas coisas que acontecem por acaso, um dia meu meio irmão me pediu para buscar uma 'amiga' dele no colégio e foi buscando a Ingrid que vi aquele rosto com traços delicados e cabelo ruivo comprido pela primeira vez, confesso que na hora nem percebi que ela estava sentada em uma cadeira de rodas.
Passei a manter a chata da Ingrid perto pois assim tinha motivos para voltar, mas ainda sim em 3 anos não consegui romper a barreira da prima, não queria fazer nada contra a Caroline então fui acompanhando, mas a vadia quando precisou de dinheiro procurou meu pai, que com pouco esforço percebeu, que poderia usar a garota como puta e ainda tentar me fazer assumir sua posição. Só que isso não estou disposto a fazer, ele que de o lugar para o bastardo do meu irmão, que tanto quer agradar o papai, vou ir até onde preciso para ter ela sob meu controle depois abdico da posição entregando ao bastardo.
Me mantive nas sombras, enquanto Barbara enfrentava a dor e a tristeza no velório de sua prima, Carol.
O velório era um cenário carregado de emoções, e mesmo sendo um homem temido na cidade, não estava imune à atmosfera pesada, percebia a intensidade da perda que Barbara enfrentava mas não ia me aproximar nesta hora.
Mesmo sabendo que nossos caminhos vão se cruzar em pouco tempo, esperei demais para ser o segundo da lista a possuir a Barbara.
À medida que os dias passavam, continuava acompanhando discretamente o desenrolar dos eventos na vida dela.
Eu observei ela lidar com a perda, enfrentar sua própria reabilitação e, triunfar sobre as limitações físicas.
No momento da alta do hospital, ainda longe estava lá, nas sombras, testemunhando silenciosamente cada passo conquistado.
Quando ela foi para casa, eu vi a mesma comemorar em família, e isso não me incomodou até ver um homem próximo demais dela, e isso logo precisarei resolver.
Mas pretendo dar alguns dias para ela aproveitar, antes de levar ela até o seu futuro emprego, ainda não sei o que fara no bordel, só que conhecendo meu pai até posso imaginar que ele tentará a colocar como acompanhante e isso me ajudará a fazer ela me aceitar sem esforços de fingir algo, pois eu quero possuir ela e depois de matar minha vontade poderei mandar meu para inferno e voltar a viver minha vida.