- Porque ta me olhando tanto assim? - João Pedro perguntou na cama apertada de seu quarto, estava de frente com Sara, sua namorada, e ela tinha entrado escondida porque já tinha passado do horário em que os pais permitiam que os filhos se vissem.
- Porque seus olhos são lindos - Sara disse com aquele pequeno sorriso que fazia seus olhinhos se fecharem e as bochechas subirem e o coração de João palpitar no peito.
- Gosta deles tanto assim? - ele perguntou desconfiado.
- Uhum - ela passou os polegares nas bochechas dele.
- Isso é bizarro, muito bizarro - João disse se virando de frente e colocando um braço atras do pescoço.
- Porque é bizarro? - Sara perguntou o olhando, confusa.
- Porque todo mundo me acha estranho por causa da cor dos meus olhos serem diferentes um do outro, ai vem você e acha lindo. Acho que você ta comigo só por causa dos meus olhos... - João tinha heterocromia, que era uma condição rara que fazia ele ter um olho de cada cor. No caso dele, ele tinha um olho azul e outro preto.
Sara deu uma risadinha - Então devo concluir que você ta comigo só porque sou a única que gosta dos seus olhos serem assim?
Elw se virou de novo - Claro que não.
- Não tem lógica o que você disse amor - Sara continuou - Seus olhos são lindos, espero que quando tivermos filhos eles nasçam com eles, mas alem disso você é inteiro lindo, e isso não é bizarro.
João a abraçou outra vez - Eu te amo pequena.
- Eu também te amo - respondeu encaixando o rosto em seu peito, sentindo as batidas de seu coração.
Momentos assim estavam sendo mais preciosos ao novo casal de namorados pois logo cada um ia para uma faculdade diferente. O sonho de João, que tinha acabado de fazer dezoito anos, era cursar direito em Harvard, e já tinha mandado suas aplicações. Suas notas eram impecáveis e ele lutou muito para conseguir a vaga, e todo mundo esperava que ele passasse, já que ele se esforçou muito pra isso. A família dele era bem mais... rica e estruturada na cidade então, ele não passaria necessidade nenhuma morando do outro lado do mundo.
Já Sara... ainda faria dezoito em outubro, e não tinha muitos planos incríveis. Queria pelo menos ir pra capital, não ficar ali na cidadezinha, morar sozinha e então esperar pelas visitas de João. Na verdade, eles ainda não sabiam como fariam pra funcionar, mas uma coisa sabiam: não queriam ficar separados. Nem iriam. Não seria uma faculdade do outro lado do mundo que mudaria o status de relacionamento dos dois.
Só tinham um ano de namoro mas sabiam que pertenciam um ao outro. Sentiam isso.
- Acho que vai dar certo de passar aquele final de semana com você antes de você ir - Sara disse baixinho escondendo o rosto em seu pescoço.
Joao riu e ela sentiu o peito dele vibrar - Tem mesmo certeza disso?
- Claro que tenho - Sara se afastou para o olhar - Tem que ser com você. Vai que depois a gente...
- A gente vai ficar junto Sara, eu vou vir em todas as férias, vai dar certo, você vai ver, você é minha e eu sou seu. É simples assim.
Ela assentiu - To ansiosa.
- Pra eu ir embora?
- Pra nossa primeira vez! - ela disse rindo. Seria a primeira vez dos dois. Ainda não tinham transado nem passado dos limites, mas Sara queria que fosse um mês antes de João ir pra Harvard, se ele realmente passasse, então resolveu que queria ter essa esperiência com ele. João era sempre muito decidido sobre o relacionamento dos dois, nada os separaria. Já Sara era mais insegura. Ele em outro país, de nascionalidade diferente, com aqueles olhos... Sentia que o perderia, cedo ou tarde.
O sentimento o fez o abraçar mais forte e João sentiu - Que foi pequena?
- Nada - el! disse coma voz embargada e João apenas a abraçou mais forte. Ficaram assim até dar a hora de Sara pular a janela do quarto de João outra vez e ir embora pra sua casa. Deixando um pedaço seu pra trás.
🖤💙
Uma semana depois
- Sara! Chegou uma carta pra você! - a mãe a chamou e ela desceu as escadas correndo, pegando a carta de sua mão - É da faculdade da capital!
- Meu Deus, to com medo de abrir, abre a senhora - ela disse entregando o papel, a mulher riu.
- Abre logo menina, tenho certeza que passou.
Sara respirou fundo - Ta bom - disse rasgando o papel e abrindo a carta - Nós da Universidade de São Paulo temos o prazer de informar que você foi aceita na faculdade.... - e o resto foi preenchido com gritos. Ate a irmã de Sara desceu pra gritar e pular com eles. Sara iria embora para a capital. Finalmente ia sair daquela cidadezinha. - Preciso contar pro João - disse saindo correndo de casa com o papel na mão.
Sua surpresa foi encontrar o namorado correndo também ao seu encontro com outro papel na mão - SARA EU FUI ACEITO EM HARVARD! - gritou quando eles se encontraram na metade do caminho - Eu fui aceito na faculdade de Harvard, consegue acreditar?
- Claro que consigo! - ela respondeu sorrindo - Eu fui aceito na de Sao Paulo, vou embora pra capital.
- Meu Deus Sara, que incrivel - ele disse e então a abraçou apertado - Tudo ta funcionando conforme combinamos, vai dar tudo certo, tudo vai dar certo, eu te amo tanto.
- Eu também te amo - ela falou baixinho mas algo dentro dela não tinha tanta certeza assim.
Algo dentro dela dizia que aqueles dois meses seriam os últimos que passaria com Joao. E ela não conseguia descobrir porque estava se sentindo tão negativa quanto ao relacionamento. Eles se amavam, ela tinha certeza disso.
Mas cinco anos era muito tempo. Sabe se lá quem João encontraria no caminho, o que aconteceria... ela estava tão feliz porque os sonhos de seu namorado estavam se realizando, sempre torceu muito por ele e sempre soube que o objetivo dele era esse, mas nunca imaginou que o amaria tanto...
Coisas que só o tempo iria dizer. Infelizmente.
💙🖤
- Entao... você vai mesmo transar com o João? - a mãe de Sara perguntou enquanto tomavam café naquela manhã fazendo a garota engasgar e tossir.
- Mãe...
Ela riu - Eu ate achei que vocês demoraram demais, quase um ano ai namorando, preciso conversar com você sobre métodos contraceptivos? - ela disse pensando.
- Mãe! - Sara respondeu, envergonhada.
- Vai saber, vai que engravida... você é nova ainda, se bem que... se for pra esperar vocês vão ter um filho só daqui uns... oitos anos? Muito tempo...
Sara riu - Eu não vou engravidar mãe, fique tranquila, primeiro que isso destruiria todos os nossos planos, meus e dele. Seria injusto com ele, e comigo também, sem falar que a família dele me odeia, imagina se apareço grávida do filho de dezoito anos dele que passou pra harvard?
- Se eles te destratassem seria minha chance de dar um soco na cara daquela mãe nojenta dele...
A garota riu - Mãe, ta tudo bem, o importante é que ele me ama e que... vamos passar por isso, vai dar tudo certo.
- Tem certeza disso meu amor? Cinco anos é muito tempo, você acha que vão conseguir...
- Vamos - Sara disse séria - Vamos sim, não tem como não dar certo, eu amo o João, amo de verdade, não me vejo amando mais ninguém.
- Você tem só dezessete anos meu bem, é muito nova pra saber...
- Não diga que sou muito nova pra saber o que é amor mãe, eu sei o que é, eu sinto... João é o amor da minha vida e sempre vai ser. Eu tenho certeza que espero ele, mas...
Sua mãe pegou sua mão em cima da mesa - Eu sei, eu to aqui viu? Mesmo você indo pra São Paulo... - suspirou - acho que vai ser bom, você respirar novos ares, conhecer novas pessoas também, não vai ficar aqui com as lembranças. Vai ser bom pra vocês dois e se tiver que ser, vai ser.
- Vai ser - Sara disse assentindo.
E o tempo passou, e a tal primeira vez chegou. Faltavam apenas duas semanas para João ir para os Estados Unidos. Ele ia um mês antes pra arrumar tudo, porque ao que parecia, sua família também se mudaria pra lá para aumentar os negócios. Eles passavam o maior tempo que podiam juntos mas tanto João quanto Sara estavam nos corres para arrumar os papéis da faculdade e tudo que precisavam pra mudança e para a separação.
João levou Sara para a casa no campo que seus pais tinham, isolada do mundo onde passariam o final de semana juntos. Sabia que Sara ia precisar de toda paciência e amor possivel, por isso resolveu ir a um lugar onde ninguem os escutaria ou atrapalharia. Seria a primeira vez de Sara, a primeira vez dos dois, tinha que ser especial.
Eles se olhavam sentados na cama, queriam fazer tudo com calma. João beijava todo o rosto da namorada, ainda vestidos, dando beijos delicados por suas palpebras, seu nariz, sua orelha, seu pescoço, seus braços, seu pulsos.
Sara tremia, completamente. Seu coração batia acelerado dentro do peito, querendo se entregar logo mas também queria aproveitar cada momento. Sentia cada beijo, cada eu te amo sussurrado, cada olhar de amor que recebia. Tinha vontade de chorar. Cinco anos era realmente muito tempo.
As vezes ela pensava que nunca queria ter conhecido João. Que não tivesse dado bola pra ele naquela aula de educação fisica. Que não tivesse aceitado seu convite de ir ao cinema. Porque assim, quem sabe, não estaria sentindo a dor que estava sentindo. Mas ao mesmo tempo ela não conseguia enxergar sua vida sem João nela. Ele deu cor, deu amor, deu vida. Ela era vivo por esse amor.
Eles se olharam nos olhos, Sara admirando aquelas íris uma de cada cor. Azul e preto. Amava tanto aqueles olhos... o amava tanto.
As roupas foram sendo tiradas devagar, queriam aproveitar cada segundo. Cada toque foi dado com todo cuidado e João cuidou muito bem de Sara.
A tocava com amor, sem pressa, dando a ela prazeres que ela ainda não conhecia. Os outros dois dias foram mais... intensos. Com o ápice das relações e com Sara já sem dor e acostumada eles aproveitaram bastante, e foi bom estarem isolados porque João acabou descobrindo que Sara era bem escandalosa no sexo.
- Eu te amo tanto... - João disse no final do terceiro dia, deitados de frente um ao outro, passando a mão em seu rosto.
- Eu tambem te amo, to tão feliz de ter passado esses dias com você - disse sorrindo e João desceu a mão, passando o polegar em seus lábios.
- Vou sentir tanta falta desse sorriso... vou sentir tanto a sua falta - e a puxou para seus braços.
Naquele momento, pela primeira vez desde que falaram da separação, eles choraram. Choraram nos braços um do outro, reafirmando o amor que sentiam, dando as certezas de que ficariam juntos sim, que passariam por esse tempo juntos, que venceriam tudo aquilo.
- Mas por favor, se você se interessar por alguem... - Sara começou mas João o interrompeu.
- Não vai acontecer.
- Mas se acontecer...
- Não vai - João disse mais duro.
Sara suspirou - Me conte, só... seja sincero.
- Não vou ter o que contar porque não vai acontecer. Nós vamos continuar em contato, fazendo video chamadas, e mensagens, não vai ser fácil mas vou tentar vir pelo menos uma vez no ano pra te ver... amor... vai dar certo sim!
Ela assentiu, deitando em seu peito.
Fizeram amor de novo antes de irem embora, e se sentiam mais conectados que antes. De repente Sara sentiu uma confiança única, poderia dar certo, não poderia?
Ia dar, tinha que dar.
O baque veio quando, do nada, recebeu uma mensagem de João de madrugada três dias depois, dizendo que seus pais tinham achado o lugar ideal para morarem e que estavam de partida.
Sara saiu correndo as duas horas da manhã de casa, correndo pelas ruas do bairro nada movimentado, correndo ate a frente da casa da família de João. Apertou o botão do interfone milhares de vezes, mas não houve nenhuma resposta, ligou outras milhares de vezes para João mas ele também não atendia, e na mensagem apenas dizia que ele já ia entrar no avião então ficaria incomunicável.
Ela respirava fundo, sem acreditar que nem uma despedida eles tiveram, que nem teve tempo de raciocinar, ou o levar ao aeroporto. Ela ajoelhou no chão, chorando duro, sentindo todo seu corpo tencionar e chacoalhar tamanha era a dor que sentia.
- Sara! - ela escutou a voz da mãe perto, vindo só de pijama, tinha visto o filho sair desesperado de casa.
- Ele se f-foi, sem n-nem se desp-pedir... - disse chorando e sua mãe apenas se agachou, a abraçando.
- Calma... tenho certeza que deve ter acontecido algo, quando ele chegar lá ele vai te ligar...
Mas alguma coisa dentro de Sara não acreditava nisso.
Seria o fim ou eles iriam mesmo dar conta da distância?
💙🖤
5 anos depois
Sentindo o vento bater em seus cabelos, João Pedro desceu no pequeno aeroporto particular da cidadezinha, sua cidade natal, lugar que pensou que jamais voltaria a colocar os pés.
Um carro já estava o esperando, e toda a sua vinda tinha sido extremamente calculada para ele ir fazer o que tinha que fazer e voltar para Boston, onde tinha moradia fixa agora. Tinha recém terminado a faculdade, mas já tinha assumido a empresa do pai, e precisava ir até a cidadezinha vender os últimos imóveis que ainda tinham no nome sobrenome da família, já que seu pai e sua mãe tinha falecido em um grave acidente de carro cerca de um ano atrás.
Não era fácil pra ele estar ali. Demandava muitas memórias que ele queria esquecer, rostos que ele não queria lembrar, sentimentos adormecidos no fundo de seu coração que deviam continuar ali. Mas o ressentimento... ah esse estava mais vivo do que nunca.
Ele dispensou o motorista, sabia muito bem o caminho do aeroporto a cidade, e queria tempo sozinho pra pensar onde iria e como iria sem chamar atenção. Seu coração batia acelerado, apesar dele achar que estava completamente controlado. Suas mãos tremiam no volante e suavam o fazendo praguejar. Ele tinha se preparado para aquela volta, porque de repente estava tão nervoso?
Ela poderia nem estar ali afinal...
Ela... João não dizia o nome dela. Não desde que percebeu que "ela" tinha desistido de si. Desde que percebeu que "ela" quebrou todas suas promessas e junto seu coração. Desde que "ela" se transformou no maior rancor que João tinha em vida. Não merecia pelo menos uma explicação?
Mas não, não houve nenhuma. Em cinco anos, nenhuma resposta. Nada.
E ele tentou, tentou mandar um monte de cartas, emails, mensagens, ligações. Mas nada chegava, nem as suas nem as respostas. Até que desistiu. Se "ela" tinha desistido, porque João ainda insistiria?
Porque estava pensando "nela" afinal? Como ele proprio concluiu, "ela" nem devia estar ali. Com certeza agora morava em Seul, casada com certeza, porque era seu sonho, quem sabe ate com filhos - Argh - ele disse pra si mesmo e bufou pela centésima vez.
Chegando perto da cidade ele viu que ela estava decorada. Vários fios com bandeirinhas coloridas enfeitavam as ruas e ele nem tinha lembrado que naquela data eles comemoravam o aniversário da cidade. Péssima época para voltar. Mas agora já estava ali, não podia simplesmente desistir.
Foi com o carro ate onde deu, então estacionou e entrou nas fileiras de barraquinhas, no mundaréu de gente indo e vindo, na música que lhe dava uma nostalgia enorme.
Ate então ninguém tinha o reconhecido, e isso era ótimo. Eles só teria que passar despercebido ate chegar na prefeitura, no outro lado da praça da pequena vila.
Estava tão focado em passar despercebido que nem notou quando trombou com um serzinho pequeno, que quase caiu, mas João segurou seus braços. - Ei, garotão, tudo bem?
- Tudo bem senhor - ele respondeu o olhando - O senhor não é daqui, né? - perguntou.
João sorriu - Não, não sou.
- Ah, o senhor não parece mesmo daqui - o garotinho respondeu.
- E você parece muito inteligente - João respondeu vendo o rosto do garoto pela primeira vez.
Então seu coração que antes batia acelerado parou de bater. O garoto só não tinha algo de muito comum nele, como também tinha os olhos iguais aos seus.
Um azul e outro preto.
João Pedro não acreditava em coincidências. Mas aquela estava forte demais pra ser verdade. Não poderia ser verdade, poderia? Sua heterocromia era tão comum assim?
- Eu sou o Benjamin Oliveira, quem é o senhor? - o garotinho disse fazendo uma reverencia.
- O-Oliveira? Quantos anos você tem? - João perguntou com um nó no estomago.
- Quase cinco! Sou quase uma criança grande! - ele disse sorrindo e João abriu a boca pra falar mas nada saiu, levantou os olhos e de longe, em uma barraquinha, com o mesmo olhar assustado que o seu ele a viu.
João viu "ela".
Pela primeira vez em cinco anos.
💙🖤
5 anos antes
- Sara, você precisa sair da cama... - a senhora Oliveira entrou no quarto com um copo de suco - dia ta lindo la fora, você precisa tomar sol... vai fazer bem pro bebê...
Sara se virou na cama, ficando de frente, pousando a mão na barriga de cinco meses - Você acha que devo tê-lo?
Sua mãe a olhou - Do que ta falando?
Sara engoliu em seco - Acha que devo tê-lo pra mim? João certamente não quer mais saber de mim e usou essa distância como desculpa pra sumir... - ela fungou de leve, os hormonios da gravidez a fazendo ficar mais emotiva - eu podia dar pra adoção, assim poderia ir pra Sao Paulo no ano que vem, a matricula ainda vale, e fingir que nada aconteceu...
A senhora Oliveira suspirou, sentando na cama ao lado dela - E você acha que consegue viver fingindo que nada aconteceu?
Sara abraçou a barriga - Não sei o que fazer mãe, ao mesmo tempo esse bebê é tudo que eu quero mas ao mesmo tempo me faz lembrar dele e tudo que ele ta fazendo... nem com a mãe dele eu consigo entrar em contato... sabe... eu não quero que ele volte, que desista nem nada, eu só queria que ele soubesse...
- Acho que todos os sinais dizem que você precisa seguir sem ele agora meu amor, ele realmente... - ela suspirou novamente - saiba que o que decidir vou estar ao seu lado, se quiser ter ele e criar vou te ajudar, se quiser dar pra adoção também vou te apoiar, eu só quero que escolha algo que não va se arrepender depois. Porque isso - ela apontou pra barriga dela - isso sim é pra sempre - ela deu beijo em sua testa, deixou o suco na mesinha de cabeceira e saiu do quarto.
Sara olhou pra barriga, foi um susto quando soube que estava grávida. Mais susto ainda quando soube tudo que "perdeu" por causa da gravidez, e maior ainda pelo sumiço de João. Nenhuma mensagem chegava, nenhuma ligação completava, nenhum email respondido... todas aquelas promessas sendo quebradas e quebrando seu coração no processo... Sara realmente não sabia o que fazer.
Foi quando sentiu uma pequena movimentação na barriga. Pela primeira vez.
Ela se sentou na cama, assustada, quando sentiu outra vez - Ei - ela disse levantando a camiseta e pousando as duas mãos na barriga redondinha - você ta ai? - a movimentação aconteceu de novo e ela começou a chorar. Era fruto de seu amor com João afinal. Não podia simplesmente abrir mão daquilo. Nunca ia conseguir fingir que nada aconteceu. - Eu... eu... - outra movimentação e dessa vez bem em sua mão - eu não to sozinha não é? Nunca mais, nem eu, nem você, seja lá o que for, nós dois sim vamos estar juntos pra sempre.
💙🖤