***Num futuro não muito distante...
- Vai me dizer que eu quero, ou eu vou ter que tirar suas unhas uma por uma, pra saber?
-Vai para o Inferno!
-Já estou nele, e você também... Não percebeu?
Eu respiro com dificuldade, não consigo mais ver muita coisa. Meu dois olhos estão muito inchados e há muito sangue.
Há horas estou sendo torturado e provavelmente, não vou conseguir sair daqui vivo. Meus braços e pernas estão presos numa cadeira, já não os sinto mais. Como eu queria ter a habilidade da Manu agora, de me desligar de tudo que está acontecendo.
Mais continuo lúcido em todos os momentos.
- Aonde está o carregamento que vocês roubaram de mim?
-Ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão!
Ele agarra o meu queixo, com agressividade e diz:
-Você se acha muito espertinho não é mesmo? Eu não tenho mais nada a perder, você destruiu minha vida uma vez, não vai destruir novamente. Eu não tenho coração, e eu estou doido para matar outro agente do governo.
- Você está perdido... Mesmo que me mate... mais dia, menos dia irão te achar. E o seu destino, dessa vez não será a cadeia.
Ele solta meu maxilar e diz:
-Soltem o braço, vamos ver como se sente perdendo as unhas.
Vejo um de seus brutamontes vir em minha direção. Ele me solta, e eu tento me soltar dele, mais sinto muitas dores.
Ele segura uma das minhas mãos, enquanto o meu carrasco segura a outra. Com um alicate ele começa a tirar minhas unhas.
-Você vai apodrecer no Inferno!
De repente ouvimos um estrondo e eu perco os sentidos.
Acho que chegou meu fim...
***********************
*****Presente
**Manuela
-Você vai ter 10 minutos apenas Manu, para entrar , copiar os arquivos e sair. Esse é o intervalo que vamos conseguir na segurança do prédio.
Fala Filipe, enquanto eu ponho o cronômetro no pulso e abaixo a máscara que cobre todo meu rosto, deixando apenas meus olhos de fora.
-Não esqueça de ligar o cronômetro, assim que eu sinalizar pelo ponto.
Diz Mel sorrindo pra mim...
Ela está em campo hoje, porque precisávamos de suas habilidades para entrar no circuito da segurança do prédio.
-Ok!
-Pronta? -Pergunta Filipe.
Confirmo com a cabeça, saindo de dentro do furgão.
Estamos investigando uma empresa de TI, que presta serviço para o governo e está sob investigação, devido a um vazamento de informações para terroristas locais. Ela foi investigada incansavelmente até aonde as leis de nosso país permitiram, como não acharam nada, chamaram os mocinhos da Interprise para dar um jeito.
A missão de hoje é, copiar os arquivos do computador central, já que existem suspeitas que os que foram entregues para a investigação, não estavam completos.
Como o prédio tem cinco andares e um esquema de segurança eficiente, resolvemos invadir no hora de troca de turno, ou seja, começo da madrugada mais precisamente, meia noite. Melissa congelará as imagens para que eu entre e suba até o quinta andar, aonde o computador principal está.
O térreo da empresa não tem janelas, apenas uma porta central aonde todos passam por ela, e o basculante dos dois banheiros da recepção. Como a troca de guarda é daqui a dois minutos, a ideia é entrar no elevador neste momento, quando fica apenas um guarda na guarita. Subir até o quinto andar, entrar na sala do computador, copiar os arquivos, descer novamente e me esgueirar para o banheiro. Sendo que tenho que fazer isso em dez minutos, que é o tempo em que os guardas se organizam e as câmeras estarão congeladas .
Vejo o basculante e me encaminho para lá atenta a tudo que acontece a minha volta. A rua em que estou é deserta, o que facilita a minha entrada. Dou impulso no corpo para me pendurar no basculante, abro e enfio minha cabeça, escorregando até o chão do banheiro.
Uma das vantagens de ser pequena é exatamente está, nos esgueiramos e entramos em lugares minúsculos, sem ser notados ou percebidos.
-Entrei. -sussurro no ponto.
Espero na escuridão as ordens do Filipe e Mel. Depois de alguns segundos intermináveis, ela diz:
-Cronômetro Manu.
-Feito.
Ligo o cronômetro e começo a minha saga. Abro a porta do banheiro e não vejo ninguém no corredor. O elevador está no térreo, entro nele sem ser notada, e aperto o botão para o quinto andar.
Rapidamente chego.
-Cheguei. -murmuro novamente.
-Segundo o mapa, é porta 1 B.
Diz Melissa do outro lado do comunicador.
Me encaminho para a porta, pego a ferramenta para abrir a fechadura, e começo a trabalhar, abrindo sem nenhuma dificuldade.
-Desligou o alarme Mel?
-Claro, acha que ia te deixar na mão?
-Só checando.
Entro na sala deixando a porta encostada, para facilitar na hora de sair.
Escaneio a sala toda e encontro o que procuro.
-Manu é o que está ligado a três servidores.
-Já vi.
Vou para lá e pego as pastilhas que farão as cópias, dentro do bolso. Ativando-as simultaneamente.
-Você precisará de dois minutos com essas.
-Ok.
Olho para o meu cronômetro e faltam cinco minutos para meu tempo terminar, ou seja, terei três minutos para sair do prédio antes que a guarda retorne aos seus postos.
-Manu, tem um guarda se encaminhando para o corredor. Ele estava dentro de uma das salas.
-Merda! Ele se atrasou?
-Acho que sim.
A porta está entreaberta, se ele for um bom observador ele vai ver.
-Continua me informando o que ele vai fazer Melissa.
Olho para a sala toda e vejo um arquivo/armário gigante sem pastas nenhuma entreaberto. Não penso duas vezes, entro dentro da última prateleira e fecho o mais rápido que eu posso a porta.
-Ele viu a porta Manu.
- Estou segura.- sussurro.
Ele entra dentro da sala, olha tudo e não vê nada. Sai da sala me trancando lá dentro novamente, e ativando o alarme.
-O alarme Mel.
-Já estou trabalhando.
Não posso me mover enquanto ela não desligar o alarme, por causa do sensor de movimento.
-Pronto.
Saio do arquivo, pego as pastilhas e começo a abrir a porta novamente. Dessa vez, levo mais tempo do que da primeira vez.
-Descendo as escadas.
-O que houve com elevador? -Melissa pergunta.
-Ele usou, até o elevador retornar, acabou meu tempo.
Olho para o relógio e só faltam um minuto e meio. Começo a correr tentando não fazer muito barulho na escada, para não chamar atenção de ninguém.
-Manu 40 segundos, me diz que vc já chegou no banheiro... -pergunta Filipe.
-Estou no terceiro andar.
-Merda! Devo preparar o resgate?
-Não, eu vou conseguir.
Começo a correr o máximo que posso. Chego no térreo faltando dez segundos antes da câmeras serem religadas, e os seguranças retornarem. Olho para os lados, antes de me enfiar no banheiro com a respiração difícil.
-Manu, fala comigo...-diz Filipe.
-Estou no banheiro.
-Você ainda me mata do coração. Sai logo daí.
Eu sorrio e saio pelo mesmo lugar que entrei sem dificuldade nenhuma. Estou eufórica, sempre fico depois de missões regadas a adrenalina.
Ele me pega na esquina e eu entro no furgão, ainda com dificuldade para controlar minha respiração.
Melissa e ele me olham em espectativa.
Abro as mãos e amostro as pastilhas pra eles.
Melissa grita:
-Isso!!!!
Eu começo a ri e o Filipe também.
-Missão cumprida!
Filipe e Mel batem na minha mão. E me debruço para bater na mãos do Bruce também, que hoje está na direção do furgão.
A Interprise continua sendo uma agência com 100% de aproveitamento das missões. Passamos por maus bocados, mais no final, vencemos todas as vezes.
E eu tenho muito orgulho de fazer parte dela, a três anos.
Estou na sala de espera do Marcus, junto com Caio e Filipe. Ele marcou uma reunião conosco para falar de alguma missão.
Mais a Cíntia pediu para que esperemos um pouco, pois estava terminando uma outra reunião.
- O que será agora? - eu digo impaciente.
Eu odeio esperar, principalmente se for pra esperar o Marcus, porque se ele mandou nos chamar, é porque boa coisa não é.
Geralmente é porque ele precisa de nossa opinião sobre algo.
Agora que Filipe também é um oficial, e tem feito um ótimo trabalho com sua equipe, frequentemente manda chamar ele também, por causa de sua coerência para determinados assuntos.
-Deve ser alguma missão grande. Pra que ele precisa de três oficiais. -diz Caio aborrecido.
-A última vez que pegamos uma missão grande...
Suspiro... Não gosto nem de lembrar dessa missão. Ainda não me recuperei dela, mesmo tendo passado três anos. Quase perdi minha Manu.
-Para de ser ansioso Heitor. Está me deixando nervoso!
Cíntia chega e diz:
-Ele mandou vocês entrarem.
Eu sou o primeiro a me levantar e me dirigir a sala de reunião, seguido de Caio e Filipe.
Quando chegamos vemos logo o Marcus ladeado por Guilherme Aragão (agente do DER), um senhor que não me é estranho, mais não lembro de onde conheço e Melissa. Já fizemos algumas missões com Guilherme.
-Olá rapazes, não preciso apresentar vcs certo?
Aponta para o Guilherme e todos dizem não.
-Esse é o Comandante da DER, Dr. Angelo Reis. Nossos oficiais Filipe, Heitor e Caio.
Ele apenas mexe com a cabeça para nós.
-O motivo da reunião é que resolvi atender ao pedido de ajuda de nosso colega. Ele está com uma agente em situação de risco, e precisa de nossa ajuda para resgatá-la.
-E porque vocês mesmo não resgatam?
-Já tentamos, só que nossos agentes voltaram picados em caixas. -diz Guilherme sério nos olhando...
-E como vcs sabem que ela não teve o mesmo destino?
-Porque recebemos este e outros vídeos.
Ele olha para Melissa e a mesma põe para rodar no seu computador o vídeo.
Vejo uma mulher loira nua, com os braços acima de sua cabeça, com a boca amordaçada, toda machucada, sendo estuprada por um homem com o rosto coberto com um capuz, e com o dobro do tamanho dela. O lugar é escuro, não dá para ver a fisionomia dela direito, apenas os cabelos loiros lisos ao redor de seu rosto e o corpo todo machucado.
-Como sabem que é ela? Não dá pra ver nem o rosto dela direito.
-São vários vídeos Heitor, quer ver todos? -pergunta Guilherme meio contrariado.
-Não precisa.
Peguei pesado? Peguei.
Mais porra, toda vez é isso, eles põem seus agentes em risco e depois vem correndo com o rabinho entre as pernas, pra pedir ajuda.
Ninguém nunca vê a Interprise ir pedir ajuda a eles. Se fazemos merda, nós mesmos concertamos.
-Quantos agentes vcs já perderam nessa? - pergunta Caio.
-Três. -responde Guilherme.
-Senhor dá para explicar com detalhes? Porque eu não estou entendendo nada.
-diz Filipe, dando vazão a mesma raiva que eu e Caio estamos sentindo.
Três vidas perdidas.
Não é uma: são três.
Porque esses merdas, mandaram três agentes para resgatar uma pessoa, pra no final terminar todos eles numa caixa?
-Ela estava infiltrada num cartel. Este cartel está sendo investigado pela nosso agência, por tráfico de crianças, além de drogas. O esquema é assim: compram mulheres que viram prostitutas, as engravidam e depois vendem os bebês para quem pagar mais. Além disso, tem casos de crianças raptadas para serem vendidas para aqueles casais, que não querem bebês.
-Cartel fazendo isso? O negócio não era apenas contrabando e drogas?
-Estāo diversificando... Nossa agente foi infiltrada como uma prostituta de luxo, a missão dela era ganhar a confiança do mandachuva do Cartel José Juanes. Há três meses paramos de receber suas mensagens. Logo depois, começamos a receber os vídeos. Primeiro era de interrogatório e tortura. E depois começaram a vir esses de cunho sexual. Investigamos e descobrimos que ela podia está num bordel na fronteira com Estados Unidos. Mandamos mais um agente infiltrado, e uma semana depois ele voltou numa caixa. Resolvemos mudar de tática, e mandamos dois agentes com missão de resgate. Eles também retornaram em caixas.
-Pediram resgate? -Eu pergunto.
-Não. Apenas disseram que tínhamos que mostrar a imagens ao Presidente com um aviso de que, qualquer um que se metesse nos negócios deles no país, aconteceria o mesmo, não importando se eram autoridades, policiais ou pessoas comuns.
-Que cartel estamos falando?
- Mexicano associados a alguns traficantes de nosso país. Não se trata mais de apenas narcotráfico, eles estão diversificando e a cada dia que passa, ficam mais poderosos aqui.
-Jalisco? -eu pergunto
Ele confirma.
Um dos carteis mais poderosos que existem e um dos mais violentos também. Já tivemos algumas missões relacionadas a essas associações aos traficantes de nosso país. Eles são conhecidos pela violência em que suas vítimas são tratadas. Geralmente usam armas brancas, como facões, espadas e facas. E era um dos aliados de Diniz no tráfico de mulheres.
Lembram dele? Pois é , continua preso e pegou perpétua depois de tudo que fez.
Achei foi pouco. Queria que fosse estruprado o resto da vida dentro da cadeia e que acabassem com as pregas do seu cú.
Mais seria demais para um cara cheio de grana pra comprar pessoas. O que me conforta, é que vai apodrecer na cadeia. Conseguimos enfim...
-Isso está muito estranho, porque a mantém viva? Já que eles são violentos por natureza. Em vez de mandar vídeos dela sendo torturada, poderiam mandar vídeos da morte de todos. Vcs não acham? -fala Caio com a sobrancelha enrugada.
-Sim, também achamos estranho. Mais os vídeos a torturando também são cruéis...
Caio ri de deboche e fala:
-Nao estou falando que não são cruéis, só estou falando que eles estão operando de um forma que não é a deles. Ninguém sobrevive a uma sessão de tortura deste cartel.
-Eu acho que é mais para dar exemplo. Há vídeos que Natasha é torturada na frente de outras mulheres. José Juanes é bem capaz de torturar, principalmente se ele estiver com raiva.
-O nome da agente é Natasha? -falo já sentindo um calafrio por dentro.
Melissa me olha com aquele olhar de repreensão, como se dissesse "Controla a sua raiva, que estamos na frente de visitas". Ela vira a tela novamente do notebook pra mim, e eu suspiro fechando os olhos.
-Que porra é essa?
-II
-Como você pode esconder isso de mim?
-Na época, você e Manu estavam começando um relacionamento, eu não quis ficar te importunando com o passado.
-O combinado era ela continuar como agente da Interprise. Não foi isso que estava no documento que vc redigiu Caio?
Natasha é a agente que eu saí a um ano antes de conhecer a Manu. Lembram dela? Aquela que queria nos processar por assédio por causa da proposta do Marcus. Feita as escuras, sem ao menos me consultar.
Depois de muito estresse, conversas intermináveis, uma ordem de restrição e um processo milionário a favor dela, tudo ficou resolvido.
Na época eu implorei para que ela não fosse demitida.
Natasha sempre foi brilhante no seu papel como agente. Uma espiã inteligente e experiente, e era realizada com o seu trabalho. Eu não podia deixar ela perder a oportunidade de continuar na Interprise, por causa de um erro nosso. Não achava justo!
Tudo só aconteceu, porque eles se precipitaram. Eu sabia que ela não estava pronta pra isso!
-Foi, eu estou tão surpreso quanto você. Eu não sabia que ela tinha sido transferida para o DER.
-Eu sabia. -fala Melissa que até agora não tinha dado um pio.
-O que?
Eu e Caio falamos juntos, olhando para ela.
Viemos para a sala do Marcus, discuti essa pequena informação que não nos foi passada.
A reunião foi remarcada para outro dia, onde tínhamos que amostrar uma estratégia para a equipe do DER.
-Na verdade a ideia foi minha. Estava com medo que ela voltasse a infernizar as nossas vidas, vendo a Manu como namorada do Heitor, todos comentando, achei que ela ia pirar na batatinha. Ela não terminou com o Heitor porque quis, ela terminou por causa da proposta que Marcus fez a ela. Na verdade a birra toda, era porque ela estava se sentindo traída. E só sendo mulher, pra entender o que sentimos quando somos traídas. Eu morri de medo que ela mudasse de idéia, e inventasse um monte de merda para Manu, antes da hora. Então aproveitei o incidente com o Enrico, e perguntei ao Guilherme se ele não se interessaria por uma agente mulher também. Enviei o currículo dela, e ele se encantou pela agente, e veio até a Interprise conversar com o Marcus e ela.
-E eu autorizei desde que ela concordasse. Não tinha mais como Natasha trabalhar aqui, ela não se sentia mais a vontade. E era cansativo, ficar montando missões e cronogramas em que ela não encontrasse conosco. Eu tentei transferir ela para uma missão fora do país, como sabe, ela não quis. Então veio a proposta do Guilherme, eu mandei um recado falando da proposta e ela aceitou.
-E o acordo Marcus? Você sabe que ele não vale mais nada, já que ela aceitou emprego em outro lugar. Não temos mais nada que nos proteja. Manter ela atrelada a nós, também era uma forma de nos proteger.
-Eu não sou idiota Caio. Eu fiz um dos nossos advogados fazer ela assinar um contrato de confidencialidade, antes de ser transferida. O que ela assinou de bom grado. Ahhhh qual é? Foi melhor pra todo mundo. Não corríamos mais risco de ela infernizar a Manu, ela ganharia muito mais dinheiro como Agente no DER do que aqui, pois o contrato que o Guilherme ofereceu era bem vantajoso e de quebra, ainda não precisaria olhar na nossa cara. No final ela que saiu ganhando. Eu não entendo porque vocês estão tão irritados...
-A irritação é porque você escondeu isso de nós.
Ele suspira e diz:
-Eu não escondi Heitor. Eu só não comuniquei na época, e me esqueci de comunicar depois.
-E você Mel, porque não comentou? Qual e sua desculpa? -Caio fala.
-Amor, eu não queria levar essa questão a pauta de novo. E se Manu soubesse que estávamos transferindo um agente por sua causa, ela ia ficar irritada e poderia por tudo a perder. Vocês não contaram da transferência do Enrico pelo mesmo motivo, não foi? Achei que se essa história morresse comigo e com Marcus ninguém mais precisaria mentir pra ela, fora que era passado. Foi com a melhor das intenções, e foi tudo muito bem resolvido e amarrado. Ela aceitou amor, de bom grado. Acho que depois que passou a raiva de nós, ela percebeu que não tinha mais clima para trabalhar na Interprise.
Ela abraça o Caio murmurando um desculpa.
-Agora ela está nas mãos do Cartel.
-Por pouco tempo. Você é o meu melhor agente de resgate Heitor, você pode fazer isso.
-O que? Não, não, não... Você me disse que íamos elaborar um plano e não íamos resgatar ela assim, mandando Heitor pra ele voltar dentro de uma caixinha. -diz Melissa se desesperando.
-Calma Mel. Vamos bolar um plano, mais alguém tem que resgatar essa menina. Não podemos deixar ela sofrer, o que está sofrendo...
Eu suspiro e fecho meus olhos.
-Porque você sempre torna as coisas difíceis Marcus, achando que se você tomar a frente de tudo vai nos proteger?
-Não é minha culpa que ela está nas mãos do Cartel.
-MAIS É SUA CULPA QUE ELA FOI TRANSFERIDA PARA UMA AGÊNCIA QUE NÃO ESTÁ NEM AÍ PARA SEUS AGENTES. QUE OS TRATAM COMO SE FOSSEM BICHOS ADESTRADOS !
-FOI ESCOLHA DELA. EU SÓ APRESENTEI O GUILHERME.
-Vocêd dois querem parar?!?? Dá pra ouvir do corredor essa gritaria.
Diz Beth entrando na sala.
-O que você está fazendo aqui?- pergunta Marcus.
-Melissa me chamou, ela sabia que ia dar merda quando Heitor descobrisse.
-Você também sabia? Eu tô bem arranjado mesmo com vocês.
-Ei, fiquei sabendo agora por Melissa. Eu sei que você está puto porque não te comunicaram nada, mais você acha mesmo que isso é relevante agora?
Eu suspiro e ponho as mãos na cintura. Na verdade eu preciso sair daqui, porque se eu ficar é bem capaz de eu voar no pescoço do Marcus.
Viro as costas para eles e me encaminho para fora.
-Heitor, aonde você vai? Precisamos conversar... -fala Marcus com tom autoritário.
-Agora não, agora eu preciso de ar, se não eu vou explodir.
Saio da sala sem nem ao menos falar com a Cíntia. Pego a escada e desço dezoito andares andando, porque do jeito que eu tô, eu não vou conseguir ficar esperando elevador.
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Estou no stand de tiro, praticando um pouco, quando sinto alguém tocando no meu ombro, olho e vejo Melissa.
-Nem vem Mel...
Tiro o tampão do ouvido e vou para a mesa tirar as balas da pistola.
-Me perdoe Tor.
-Você está virando um Marcus de saia. Só falta querer botar coleira, em todo mundo.
-Não fala isso.
-Como vocês dois puderam tomar essa decisão sem me consultar? A Beth e o Caio tudo bem, mesmo estando muito errado, eu até compreendo , mais eu?
Está tudo errado, desde o começo. Primeiro Marcus pega a dianteira e fala de nós para Natasha sem me consultar... Eu que estava saindo com ela, então eu que tinha que resolver aos poucos... Aí não bastando a merda que deu, vocês fazem isso agora sem me consultar novamente.
-É injusto jogar isso na nossa cara. Eu convivo com o Marcus praticamente o dia todo. Eu vejo os conflitos dele, eu vejo o quanto é ruim tomar uma decisão que possa prejudicar todos nós... Eu sei a pilha de nervos que ele fica quando ele sabe que um de nós está em perigo. Então por saber disso, eu às vezes tomo as dores dele sim e concordo, quando ele toma decisões sem consultar vocês. Você é coração Heitor, se duvidar é mais sensível de que Caio e mais protetor que Marcus. Você se esquece de suas necessidades pelas dos outros. Tem certas coisas que não dá pra consultar você. -Ela suspira e põe as mãos na cintura.-Você nunca iria concordar com essa decisão. Durante o tempo que ela deu uma de louca e infernizou nossas vidas, vc foi o cara que ficou ao lado dela, defendendo sempre os direitos dela, se esquecendo de toda confusão que ela arrumou.
-Porque eu sabia que vocês estavam errados. Mais se dessa vez, me explicassem os motivos, eu ia concordar com todos eles.
-Será?
-Não vamos saber mais, não é mesmo?
Começo a limpar minha arma para guardar.
Sou teimoso? Sou
Estou com orgulho ferido? Sim.
Mais vai ter uma hora que eu vou ter que engolir meu orgulho. Não posso deixar Natasha, passar por isso por mais tempo.
Mel suspira e diz:
-Vou indo. Reunião no jantar, já que fugiu na de mais cedo.
-Vocês vão falar dessa missão, na frente da Manu?
-Sem segredos Heitor! Isso cabe a ela também.
Mel vira as costas e sai.
Manu vai pirar... E é melhor eu me preparar...
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-Não, Heitor não vai... Aliás nenhum de vocês vão. Não quero que ninguém seja devolvido em caixinhas.
Eu disse que ela ia pirar...
-Baby
-Baby é o caralho!
-Ei, olha a boca! -ralha Marcus.
-Eu não vou admitir isso... Ela não é espiã deles? Então eles a resgatem.
Nossa baby se tornou corajosa!
Ela ainda fica com as bochechas vermelhas e continua aquela gatinha que adora ronronar e se esfregar na gente. Ainda continua obediente, e se adaptou bem ao nosso grupo.
Mais o gênio? Piorou um pouquinho. Fica pocessa com injustiças e protege os que ama com unhas e dentes, mesmo que tenha que encarar o Marcus com suas estratégias e planos.
Nossa gatinha, tem garras, e as vezes elas machucam.
Ela se levanta, põe a mãos nas cadeiras e começa a andar de um lado para o outro.
-Heitor... -olha pra mim como se pedisse ajuda para enfrentar o Marcus.
Só que dessa vez gatinha, não dá...
-Não posso negar a missão Manu, principalmente porque ela foi uma de nossas agentes.
-Mais isso é uma armadilha! Será que só eu percebi isso?
-Eu também estou achando estranho Manu. -Diz Caio concordando.
Não dá corda Caio.
-Eles estão querendo atrair mais agentes para emboscada. Essa...essa...essa Barbie falsa e bipolar já deve está morta.
Marcus suspende uma sobrancelha olhando pra ela.
-O quê? Normal ela não é, porque gente normal não diz que vai te processar por assédio sexual, porque fez uma proposta poliamorosa para ela.
-Ah tá, gente normal aceita e compreende a proposta em tempo recorde.
-Exatamente.
Eu solto uma gargalhada. Manu, Manu... Ainda bem que você aceitou...
-Você está com ciúmes? -Diz Beth olhando pra ela.
-Claro que não.
Sei, quem não te conhece que te compre. Eu conheço a baby que tenho.
-Espero mesmo que seja não, porque aqui não tem lugar pra isso.
-Você morreu de ciúmes do Heitor quando começamos a sair.
Tenho que concordar...
-Era diferente.
- Eu não fazia parte da família? Tô sabendo...
-Então... Depois de você, fechou a família, e não existe mais ciúme e nem insegurança, porque ninguém vai sair com ninguém fora da família. Isso é a regra mais simples de nossa relação. E ponto final!
-Você passou pelo o que ela tá passando Manu. Deixe o medo e a insegurança de lado, comece a pensar com esse coração enorme que você tem.
Eu tive que apelar? Tive.
Porque se eu não apelar ela não vai aceitar isso nunca.
Todos nós envolvidos numa missão suicida? Ela sempre se gaba de ter participado de diversas missões sem nem ter usado arma de fogo!
Porque somos organizados.
Porque visamos sempre o bem estar dos agentes. E ela escolheu a Interprise exatamente por causa disso. Agora estamos fazendo o caminho inverso. Indo para o perigo tendo consciência disso.
-Não é justo Heitor.
Começa a chorar. Uma coisa que não mudou, ela continua uma chorona, mesmo que seja a pessoa mais forte que eu conheço.
Me levanto e vou até ela para abraça-la.
-Vamos bolar um plano sensacional. Ninguém vai se machucar, eu te prometo.
-Porque tem que ser ele a ir?- ela pergunta para o Marcus o olhando.
-Porque a equipe dele é o melhor em resgate. Heitor é fuzileiro, fazíamos muitos resgates na época do exército. Eu e ele vamos montar uma estratégia perfeita. Pode confiar na gente, princesa!
Ela esconde o rosto no meu peito e chora mais um pouco.
Hoje a noite vai ser longa!!!!