Prólogo
Manuela
"A vida é feita de escolhas, e eu escolhi ser forte."
Tenho quinze anos e já tão jovem, sou obrigada a encarar a vida sozinha, sem família. Apenas "eu" e "eu". Enfrentar a dor e recomeçar é uma das coisas mais difíceis que terei que fazer. Mais não posso esmorecer, porque mamãe e papai me criaram para ser forte. Por isso fiz uma promessa:
Prometi, no caixão deles e do meu irmãozinho de oito anos, que combateria o terrorismo. Que faria tudo ao meu alcance para evitar que mais inocentes morressem por causa do ódio, do preconceito e da intolerância. E também prometi ser feliz, honrando tudo que me ensinaram quando ainda eram vivos. Eu viveria para isso, para atingir meus objetivos!
Por um golpe do destino, aliás, por um atraso na minha aula de piano é que não tive o mesmo destino. Era para eu estar com eles comemorando a promoção de meu pai naquele restaurante. Era um almoço de família. Mais graças ao atraso hj estou aqui sozinha me despedindo da minha única família.
- Pai, mãe, Tony, até um dia! Eu não sei pq eu fiquei, mais sei que não descansarei enquanto não puder fazer deste mundo um lugar melhor. Amo vcs!
Não sei o que o destino me reserva, e nem para onde vou, só sei que lutarei para realizar meus sonhos e cumprir minhas promessas.
É o que esperam de mim, é o que terão.
Dias melhores, sempre virão, pq tudo passa, menos a vontade de ser melhor do que sou hoje!
E eu serei!
Capítulo 1
MANUELA
Acordo com o despertador do celular tocando. Seis horas, está na hora! E me sinto esgotada.Para pegar no sono, foi preciso quase um litro de chá de cidreira ontem à noite, mais aí veio a incontrolável vontade de fazer xixi. Eram três da manhã e eu ainda estava tentando eliminar todo chá que tomei impulsivamente.
Resultado: Dormi pouco, mais não posso deixar a preguiça me alcançar.
Manhãs são difíceis para mim, meu humor só melhora depois de uma xícara de café forte. E se tiver que acordar cedo, pior ainda.
Sempre fui noturna, talvez seja por causa dos plantões da minha antiga carreira, mas sempre funcionei melhor a noite.
Me levanto da cama pronta para enfrentar o primeiro dia de toda minha vida.
Felizmente chegou, aquele dia que me dediquei desde os 18 anos para que acontecesse. Sei que a guerra está apenas começando e ainda farei muitos sacrifícios para chegar aonde sonhei: a Interprise. Uma das empresas de segurança mais conceituadas do mundo. Onde cinco amigos se reuniram para combater o mau do planeta. Terrorismo, sequestros e tráfico humano são a sua especialidade. Gosto de fazer analogias aos vingadores, porque é assim que os vejo. Se ficou difícil de resolver, eles são acionados.
Claro que o que sei é apenas o que tem disponível no Google para pesquisa, já que a grande maioria das informações são sigilosas, mais sei que toda a pessoa que dedicou a vida pela segurança desse país, sonha em fazer parte desta empresa. E só os melhores conseguem.
Eu consegui! Pelo menos sou uma candidata! Sei que ainda há muito chão pela frente. Seis meses de curso prático e técnico, muito sacrifícios e vinte candidatos concorrendo a apenas cinco vagas.
Descobriram a origem da minha ansiedade?
Há muito tempo sonho com isso. Logo que atingi a maioridade me inscrevi num curso de segurança para jovens aprendizes. O curso era conveniado a polícia militar e o objetivo era recrutar jovens talentosos para a polícia. Eu me destaquei e aos vinte anos me tornei uma policial. Desde então venho pondo todas as minhas forças financeiras e psicológicas no objetivo de me destacar como uma grande profissional.
Aos 23 anos me tornei a sargento mais jovem do estado condecorada por ter salvado um refém num assalto a um caixa eletrônico. E por esta razão, fui escolhida pelo meu superior para fazer parte desta seleção. Hoje estou aqui, pronta para enfrentar o primeiro dia de toda minha vida!
Estou feliz??? O que vocês acham? Eu só estou começando a realizar a promessa que fiz a minha família.
"Mãe, pai, Tony, olhem por mim, porque eu estou animada!"
Depois de enrolar um pouco, e, ativar o soneca por duas vezes, levanto da minha cama quentinha, me espreguiço e vou separar minha roupa do dia. Escolho um Jeans lavado, uma camisa de malha branca e minhas botas de sempre. Estamos no outono, então a temperatura está agradável em nosso país. Uma das melhores coisas de ter começado a vida como policial foi não ter que me preocupar com saltos. Complicado ficar em cima deles, principalmente se for andar. Sempre fui fã do basicão e o confortável.
Tomo um banho rápido, faço um rabo de cavalo, já que meu cabelo não dá muito trabalho por ser liso e de um tamanho mediano. Aplico uma maquiagem básica, pego um blazer preto, a bolsa e as chaves saindo de casa. A apresentação será as 8 h, então ainda dá tempo de passar na cafeteria da minha rua e tomar o "meu pretão" forte, do jeito que eu gosto.
Hoje será um dia de avaliações segundo me foi passado. Terá a apresentação com a assinatura do termo de confidencialidade, logo depois a entrevista com avaliação psicológica. Na parte da tarde avaliação de aptidão física e tiro. Amanhã que começará o treinamento propriamente dito.
Entro no meu carro e saio da garagem do prédio. Moro num quarto e sala que financiei em oito anos. É bem pequeno mais é meu, só em pensar que não preciso pagar aluguel já é um alívio. O apartamento ficará fechado durante a semana, já que o treinamento é feito dentro do prédio da
Interprise e é obrigatório dormi nos dormitórios. Se passar em todo o curso penso no que vou fazer com ele, já que terei de me mudar para Interprise.
Chego na minha cafeteria preferida e tomo meu café com bastante calma. Já me sinto melhor para enfrentar o que vier.
Heitor
Chego na sala e já estão todos reunidos tomando café. Somos cinco amigos que além de trabalhar juntos decidimos dividir a vida também. Moramos, trabalhamos e compartilhamos tudo.
Marcus, nosso chefe nos propôs sociedade há muitos anos atrás numa empresa de segurança. Aceitamos e assim nos tornamos a Interprise: a maior e mais importante empresa de segurança do país.
Somos contratados ao redor do mundo para resolvermos problemas que nenhum outro órgão de segurança consegue. E estamos indo bem, 100% dos casos solucionados com muita descrição e comprometimento.
Ao chegar na sala encontro Caio sentado na banqueta da cozinha com a ficha e currículo de todos os recrutas deste ano. Vinte no total, para que sejam escolhidos apenas cinco. Esses agentes são selecionados por suas instituições e aqui passarão por um treinamento e no final, uma peneira.
Sento ao lado dele e falo. – Esses são as cobaias?
-Sim, são eles. Amor, porque mesmo que você tirou as fotos dos currículos este ano? – (pergunta Caio para Melissa.)
-Para que vocês dois não avaliassem os recrutas pela aparência e sim pela competência, antes de conhecê-los. (Responde Melissa dando uma piscadinha.)
-Quando fizemos isso? (Pergunto muito sério)
-Ano passado quando resolveram dar uma segunda chance para aquela rabuda e ela fez um escândalo quando
quebrou a unha. (diz Melissa séria)
Marcus solta uma gargalhada, sentado na mesa lendo o seu jornal.
- Rabudas são boas de olhar... Vai me dizer que você não ficou impressionada também? (Retruco muito sério)
Melissa revira os olhos e continua concentrada no seu café e no computador em cima da mesa.
Caio me cutuca e fala... – Olha essa...
- "Manuela Soares, 25 anos, 1.60 e 50 kilos". -Leio em voz alta e logo depois digo:-Porra, é um Pokémon?
Todo mundo cai na gargalhada novamente.
-Provavelmente sim... Aí diz que a baixinha ganhou uma condecoração aos 23 anos por salvar um refém de um assalto ao caixa eletrônico. (diz Caio compenetrado)
-Como? Superpoderes? (Pergunto)
-Não. Um tiro certeiro na testa do infeliz. (Diz Caio)
-Já gostei dela. (Diz Beth bebericando seu café sentada ao lado do Marcus.)
-Bom, já que as crianças estão animadas com os novos recrutas, não me resta mais nada, a não ser ir para um monte de reuniões chatas com possíveis clientes. Me desejem boa sorte! (Diz Marcos levantando, dobrando seu jornal e pegando sua pasta.)
-Amor, você não vai dar Boas vindas a eles esse ano?! (Pergunta Beth)
-Não posso, outro dia apareço por lá... Esses dois dão conta!
- Eu também estarei lá, prometi a psicóloga dar uma ajuda com o polígrafo na entrevista. (Diz Melissa levantando e fechando seu computador)
-Então não vai ao escritório? (Pergunta Marcus.)
- Vou agora organizar algumas coisas, volto para o balcão e à tarde estarei no escritório novamente. (Diz apressada o acompanhando.)
-Caio vou precisar de você também de tarde para analisar aquele contrato. (Marcus diz da porta.)
- Depois que minha avaliação terminar, estarei lá. (Diz Caio ainda olhando os currículos.)
-Tchau amores. (Diz Beth para Marcus e Melissa. Os dois soltam beijos e vão.)
Olho pra Beth e pergunto.
-Você também não vai no balcão?
-Não. O que vou fazer lá? (Pergunta me olhando...)
-Avaliação médica também é hoje. (Digo)
-Sou médica legista e microbiologista, então eu vou repetir a pergunta. O que vou fazer lá?
- Você também é responsável pela área médica, achei que quisesse avaliar os recrutas pessoalmente. (Digo mais uma vez)
- Não, não tenho tempo pra isso. Mandarei um médico e um técnico. E tá tudo bem! (revira os olhos e se levanta para seguir seu rumo)
-Tchau meus amores... Tomem café, D. Helena fez esse bolo maravilhoso e vocês estão aí, perdendo tempo e não comeram nem um pedacinho. Olha o desperdício!
- Tá bom, neurótica da comida!!! (Falo brincando e ela revira os olhos novamente)
-É Caio, acho que hoje vai ficar tudo na nossa mão. (Digo sentando na mesa e comendo um pedaço de bolo.)
Sou obediente? Sou... Não discuto com Dona Beth.
-E você ainda tinha dúvidas? (Caio ri bebericando o café.)
- Pronto para dar porrada naqueles novatos? (Digo animado)
-Prontíssimo...
- Vamos que vamos...
***********************
Interprise é um prédio de vinte andares. Aqui funciona toda estrutura da empresa, e no último andar está localizado nosso apartamento e refúgio. Decidimos compactar tudo, porque fica mais fácil de administrar e ficar com os olhos atentos, além de economizar com o combustível e horas no trânsito.
No subterrâneo está a garagem e a piscina onde é feito alguns treinamentos.
No segundo andar, que chamamos de balcão, estão as salas de aula, treinamento e refeitório.
O terceiro andar, academia e alojamento dos recrutas.
Do quarto andar em diante é que a empresa funciona com seus determinados setores. Laboratório de informática e biologia. Enfermagem. Administração e Direito. Alojamentos dos agentes, banheiros e refeitórios.
Tudo se desenvolve aqui. Assim conseguimos manter a segurança, e o sigilo que precisamos para trabalhar.
Chegamos no segundo andar e todos os recrutas já estão na sala aonde vai ser feito a reunião de apresentação.
Participarão apenas eu e Caio. Na verdade, esta hora é importante para sentirmos o clima dos recém chegados.
-Bom dia Filipe. Está tudo pronto? - Pergunto a um dos professores que organizou a chegada dos recrutas.
-Sim Senhor. Todos chegaram no horário. Se o Senhor quiser começar, já pode. (Balanço a cabeça confirmando.)
Entro na sala, acompanhado de Caio e sentamos na mesa de frente a eles.
-Bom dia. Sejam bem vindos a Interprise. Sou o Oficial de armas Heitor Martínez e este é o oficial de defesa pessoal Caio Antunes. Estamos aqui para apresentar a empresa a vocês e tirar algumas dúvidas que possam surgir.
Me calo e dou a palavra ao Caio.
-Bom dia. Como vocês sabem hoje o dia será dedicado a avaliações físicas e psicológica, para que possamos começar a formar os grupos de treino. Precisamos que sejam honestos em suas entrevistas, pois passarão pelo polígrafo da verdade (invenção desta mente que vos fala). Muitas vezes eliminamos candidatos apenas com a entrevista, então sejam honestos com suas respostas, atitudes e responsabilidades. Façam o seu melhor, porque aqui só ficarão os melhores. Dos vinte, apenas cinco seguirão conosco. Na parte da manhã será feita a entrevista e avaliação médica, de tarde serão feitas as avaliações com seus professores de armas, mergulho, luta, pontaria, etc. Então não comam muito no almoço, não queremos ninguém vomitando.
Houve um burburinho nesta parte, sempre há, mais que cessou ao olharem minha cara feia.
- Agora o professor Filipe passará para vocês o termo de confidencialidade. Devem ler, assinar e rubricar todas as folhas. Será dado dez minutos para que façam está tarefa. Não preciso nem dizer, que tudo que for falado aqui e comentado, é sigiloso, e este termo garante a Interprise, que vocês obedecerão às regras. Quem se recusar a assinar será automaticamente desclassificado. Alguma pergunta?
Olho para eles e no fundão vejo uma mãozinha pequena levantando pedindo permissão para falar. Nem preciso olhar pra criatura para saber que aquela é Manuela Ferreira.
-Pode falar...
Ela levanta e é aí que eu tomo o primeiro baque. Uma menina com rostinho de anjo e os olhos mais lindos que já vi na minha vida. Não pode ser possível que tenha 25 anos. Rosto em forma de coração, ornado com uma boca pequena e vermelha. Cabelos preto presos num rabo de cavalo, daqueles que a gente quer puxar para deixar de joelhos. Muito pequena, tão pequena que dá vontade de carregar no colo para sempre. Há muito tempo que não vejo uma menina com uma beleza angelical, dessas que a gente quer bagunçar só para ver como é que fica depois. Olho para ela com a cabeça de lado esperando que ela fale...
Ela arranha a garganta e fala:
-No telefonema que recebi, não disseram que precisaríamos trazer roupas para treino.
Como eu fiquei meio tonto. Caio respondeu por mim ...
-Senhorita?
- Manuela Ferreira
-Senhorita Manuela Soares, você não precisará de roupas extras. Todos receberão o uniforme na hora de cada avaliação.
-Obrigada!
E se senta novamente. Caio me cutuca e eu falo.
-Ok! Pode distribuir Filipe.
Filipe pega os termos e chama cada um dos vinte, para levantar e buscar.
A menininha levanta, pega seu termo, se abaixa na mesa em minha frente com uma caneta na mão. Assina e rubrica todas as folhas sem ao menos conferir se seus dados estão corretos, então se levanta olha pra mim e me estende o contrato.
-Senhorita Manuela, você não vai ler seu termo?
- Não preciso Senhor Heitor, estar aqui hoje é o sonho de toda minha vida, não vai ser um termo de confidencialidade que me fará desistir deste sonho.
Olho para ela assustado, e vejo o brilho que irradia de seus olhos quando diz essas palavras. Como se tivesse vivido a vida toda apenas por aquilo.
Caio percebe o meu assombro, pega o contrato das mãos dela e agradece.
-Obrigada Senhorita. Pode se dirigir a sala ao lado para seus exames médicos.
Depois da atitude daquele pequeno Pokémonl, todos os outros resolvem fazer o mesmo.
Caio olha pra mim e fala baixo:
-Estamos testemunhando uma líder se formando?
- Provavelmente. Que pirralha abusada!
Caio gargalha, junta os termos e sai da sala.
Manuela
Que manhã agitada, e não era nem 10 h. Ainda bem que não sofro do coração, porque já estive algumas vezes a ponto de ter um ataque cardíaco. Desde a recepção da Interprise, até este momento, eu só tive palpitações.
Primeiro foi a chegada ao prédio.
Você não tem noção da grandiosidade das coisas que está vivendo, até se dar conta disso.
A recepção era enorme e luxuosa. Ali recebemos um cartão de identificação e o número do elevador que deveríamos usar, pois teríamos acesso apenas até o terceiro andar. E que prédio!
Ao chegar no andar dos treinos, cada um recebeu um armário que era aberto com nossos cartões de identificação. Ali poderíamos guardar celular, bolsa e outras coisas. Adentramos um salão redondo com alguns colchonetes empilhados, um ringue de boxe, um tatame e um saco de areia no centro. Este salão era cercado por salas que cabiam umas trinta pessoas em cada. No outro canto via-se banheiros e um vestiário. E esse era só o segundo andar!
Fomos encaminhados pelo professor de armas Filipe, a uma sala com cadeiras enfileiradas e uma mesa grande com duas cadeiras a frente dela.
Em falar em professor Filipe, será que todas as pessoas que trabalham aqui são modelos? É um eita atrás de eita! Coisa boa poder trabalhar e admirar.
E os dois oficiais que nos recepcionaram na apresentação? Minha Nossa Senhora, me proteja dos maus pensamentos.
Dois "homão da porra".
O oficial de armas, o tal do Heitor: alto, ombros largos, barriga de tanquinho, Moreno de olhos e cabelos castanhos. Usa uma calça cargo marrom, botas e camisa de malha preta com o logotipo da Interprise. Possui uma aura de dominador, daqueles que te olham e você não consegue esconder mais nada dele.
E o tal Caio? Não ficava atrás. Loiro, alto, corpo escultural, de calça preta, botas e a camisa do uniforme. Com os olhos verdes mais doces que já vi.
Não sou nenhuma santa e nem quero ser, e nem quero arranjar sarna para me coçar, mas não sou de ferro. É homem pra mais de metro!
Sei apreciar belos exemplares quando encontro alguns, e esses, estão de parabéns!
Fiquei um pouco apreensiva quando disseram que nossas avaliações seriam práticas. Eu logo pensei, "como vou lutar se não trouxe roupa de treino ou nadar se não trouxe maiô", mais quando Senhor Caio disse que ganharíamos uniforme relaxei um pouco, só um pouco, porque uniformes para meu tamanho, são problemáticos.
Não vamos sofrer antes do tempo, não é mesmo?
Também pensei que levaria uma bronca quando assinei o contrato sem assinar. Sou meio impulsiva às vezes, faço ou falo coisas sem pensar.
As pessoas não entendem que quando se trata de sonhos, não é qualquer coisa que nos fazem desistir! E eu sou a prova viva disso.
Agora estou aqui esperando minha vez para a entrevista com o polígrafo. Sei que serão perguntas íntimas e pesadas. Sei que terei que falar de coisas que não gosto de lembrar. Mais se tenho que passar por isso para atingir meus objetivos, passarei.
- Oi, meu nome é Mariana, nervosa?
(Uma das recrutas sentada ao meu lado fala sorridente. É uma moça muito bonita. Loira, alta, magra e sorridente.)
- Um pouco, sou Manuela.
- Somos as únicas mulheres no grupo. Percebeu?
-Sim, isso te intimida?
- Um pouco, mais não totalmente. Gosto de pensar que sou uma das únicas que teve coragem de chegar aqui e isso pra mim, basta.
- Gostei de vc. Aconteça o que acontecer, estaremos juntas.
- Com certeza!
- Mariana, sua vez! (Disse uma moça bonita de terninho rosa na porta da sala)
- Boa sorte!
Mariana riu e deu tchau.
Vinte minutos depois sou chamada. Respirei fundo, estufei o peito e fui com toda garra que era possível naquele momento. Seja o que Deus quiser!
********************
Heitor
Começamos a entrevista em ordem alfabética. Caio ficou com os dez primeiros e eu com os dez últimos. Melissa estava na sala ajudando a nossa psicóloga, Dra. Andréia, com o polígrafo, e Caio, sentado ao meu lado fazendo anotações. Esta sala era diferente da outra. Tinha uma mesa enorme de reuniões e dez cadeiras. Melissa e Dra Andréia estavam sentadas de um lado da mesa, e, eu e Caio do outro lado. Os candidatos entravam na sala, eram conectados ao polígrafo por Melissa, e se sentavam ao lado da mesma.
Chegou a vez da Pokémon . E não vou dizer que não estava ansioso. Porque essa menina me intrigava e me deixava muito confuso. Acho que esta entrevista será definitiva para por meus pensamentos em ordem. Caio estava curioso, mais como impulsividade não combinava com ele, estava na dele só esperando para tirar suas próprias conclusões.
Melissa se levantou, muito elegante no seu terninho rosa e escarpins brancos de saltos mediano. Um coque mantinha seu cabelo enorme contido. E que cabelo gostoso de puxar. Hoje ela estava gostosa demais!
Voltando a entrevista.
- Srta Manuela Soares? Sua vez...
Falou Melissa da porta da sala. Ela veio caminhando, seguiu Melissa e se sentou ao seu lado. Melissa explicou o procedimento, conectou a máquina a ela e disse:
- Para regular a máquina, preciso que você me diga seu nome todo e sua idade.
- Certo.
Tirou alguns fios de cabelo da testa que se desprenderam do rabo de cavalo e disse:
- Sou Manuela Soares e tenho 25 anos.
Melissa olhou para o computador e olhou para ela e disse:
- Nervosa? Você está com 120 de batimentos cardíacos. Quer uma água ou uma pausa?
- Aceito uma água. Mais estou bem, posso continuar.
Caio levantou foi até o frigobar tirou uma garrafinha de água de lá e a arrastou na mesa em direção a ela.
- Obrigada! - ela disse
Caio balançou a cabeça com um sorriso nos lábios, como se tivesse incentivando.
Esperei ela tomar um pouco da água e disse.
-Podemos?
Ela confirmou com a cabeça.
- Como podemos te chamar Srta. Manuela? Qual vai ser seu nome na Interprise.
Ela me olha e diz:
- Manu, se não tiver ninguém usando este nome.
- Posso saber porquê?
- Meu pai me chamava assim.
Relaxei na cadeira, e olhei para aqueles olhos azuis que diziam tudo e mais um pouco.
Sou treinado para descobrir a índole das pessoas através do olhar, e este olhar é inacreditavelmente puro. Seria um problema se ela trabalhasse disfarçada.
- Temos alguma Manu, Caio?
- Não.
- Então oficialmente declaro que você será a nossa Agente Manu. (Dei uma pausa e continuei)
- Manu você já conhece nosso oficial Caio, agora quero te apresentar nossa psicóloga Dra. Andréia e nossa Gerente de telecomunicações Sra. Melissa Trindade. Elas analisarão nossa entrevista.
Depois dos cumprimentos, damos inicio a entrevista.
- Você disse na apresentação que seria um sonho realizado, fazer parte do nosso quadro de funcionários. Pode falar um pouco sobre isso?
- Quero ajudar a combater o mau que existe no mundo! Que alicia crianças, que as sequestra e que as mata. Quero fazer a diferença e a Interprise, poderá me ajudar com isso.
- Você sabe que não é uma escolha fácil! Para ser uma agente da Inter você terá que abrir mão de sua vida pessoal, amigos e familiares, todos eles não poderão fazer parte mais da sua vida como antes, pela segurança da empresa, pela sua segurança e pela deles também. Por isso que nossos agentes moram aqui e se relacionam com pessoas de dentro. Porque é seguro! Lá fora não será mais seguro pra vc. Entende isso?
- Sim, eu entendo. Eu não tenho parentes vivos...
- Sabemos, e um dos nossos requisitos para essa seleção é exatamente este. Mas e os amigos...namorado?
- Não tenho amigos e nem namorado. Ninguém que eu queira manter na minha vida.
Intrigante, no mínimo!
- Porque?
- Porque me preparei para ser uma agente da Inter e sabia que não teria nada para abrir mão se não fizesse amigos. Por isso não fiz.
Confirmei com a cabeça, e continuei:
-Pode me falar sobre a morte de seus pais e irmão?
- Sim claro. Os perdi num ataque terrorista quando tinha quinze anos. Era para eu ter morrido também, se minha professora de piano não estivesse se atrasado para me liberar. Quando cheguei ao restaurante o caos já estava instaurado. Foi um carro que explodiu no local, meus pais estavam sentados na varanda do restaurante, bem ao lado do carro.
Melissa enxuga uma lágrima que escorreu em seu rosto e diz:
- Sinto muito
- Tudo bem, já faz um tempo!
Arranhei a garganta e disse:
- E o que aconteceu depois disso?
- Fui encaminhada para um orfanato e o advogado de meu pai vendeu meus bens e guardou o valor de tudo numa poupança, para que eu pudesse reaver quando completasse dezoito anos. Fiquei neste orfanato até os dezoito e de lá, fui encaminhada para um projeto social ligado a polícia militar, onde iniciei minha caminhada até aqui.
- Sua ficha diz que você possui um apartamento financiado em oito anos e um carro popular. Nenhuma poupança ou investimento. Desculpe Srta, mais tenho que perguntar, e a herança de seus pais?
- O advogado sumiu com ela. (Uma lágrima solitária cai de seu rosto neste instante, e vejo a decepção em seu olhar, mais logo depois ela é substituída pela esperança novamente. A esperança de fazer diferente.)
- Ao sair do orfanato a primeira coisa que fiz foi procurá- lo. Ele sumiu com tudo que meu pai me deixou, se não fosse este projeto social que a diretora do orfanato me encaminhou, eu teria morado na rua e passado fome.
- E ainda assim, depois de passar por isto tudo, da vida ter sido cruel com você, ainda pensa em fazer a diferença, em fazer a vida das pessoas melhores?
- Sim. Eu prometi aos meu pais, ao lado de seus caixões, e vou cumprir!
Peguei uma caneta na mão e comecei a mexer de um lado para o outro. Por que essa menina mexia tanto comigo? Histórias tristes a gente ouvia o tempo todo nessas entrevistas, mesmo porque, a maioria dos candidatos eram órfãos. Mais porque com ela eu sentia um bolo na boca do estômago, que não saia de jeito nenhum?
Tinha vontade de proteger, de ter o poder de tirar todo seu sofrimento de uma vez.
- Pode contar sobre o episódio do refém?
- Claro! (Limpou os olhos e continuou)
-Estava passando pelo caixa eletrônico no meu dia de folga à noite, quando vi um cara pelo vidro do caixa abraçando uma senhora pelas costas e desconfiei. Me encaminhei para a porta com minha arma em punho, ele não me viu porque estava de costas, mais eu vi a arma dele encostada na cintura dela e ouvi ele a ameaçando. Mirei minha arma e atirei, logo depois pedi ajuda pelo celular, aos meus colegas e o caso foi resolvido.
- Atirou pelas costas?
- Sim. Ele estava com a refém na mira, não tinha porque pensar duas vezes.
-Era um sequestro relâmpago?
-Sim.
- E se ele tivesse um comparsa esperando no carro?
- Ele tinha... Na hora que o outro me viu com a arma em punho, fugiu. Mais foi pego numa barreira mais a frente.
- Você tem consciência, de que isso poderia ter dado muito errado?
- Sim tenho, mais sei que se eu não tivesse agido com rapidez, ele ia matar aquela Senhora. Ela não tinha a quantia de dinheiro que eles queriam e já a estavam ameaçando.
- Quando recebeu a promoção para sargento?
- Aos vinte e três anos, devido a este episódio.
- Acha que foi cedo demais ou foi na hora certa.
- Acho que foi na hora certa, porque se não fosse está promoção eu não estaria aqui hoje.
- O que você tem a nos oferecer agente Manu?
- Muita força de vontade, muita vontade de aprender...
- Espero que você seja resiliente e obediente. Na Inter trabalhamos em grupo, se você não souber trabalhar assim, não durará nem três meses. Aqui não tem lugar para individualidade.
- Serei Senhor, saberei ser grata por todo aprendizado.
- Deseja acrescentar algo Caio?
-Não, apenas desejar um bom curso na Inter. Seja bem vinda!
-Obrigada!
-Agente Manu, seja bem vinda! Aproveite o intervalo do almoço para se alimentar e pegar seus uniformes. O período da tarde promete ser intenso. Amanhã pela manhã, teremos uma reunião de boas vindas. Vocês devem estar aqui as 8 h apenas com pertences higiênicos, roupas íntimas e material de estudo. O resto será fornecido pela Inter como uniformes em geral. Terão folgas nos finais de semana, mais no domingo a noite todos devem retornar a seus postos. As aulas começam no período da tarde de amanhã. Cronogramas e divulgação de grupos, serão resolvidos nesta reunião de amanhã. Alguma pergunta?
- Não Senhor, tudo foi bem explicado e esclarecido.
- A primeira avaliação da tarde será de defesa pessoal com o Caio, então esteja preparada. Bom almoço!
Me levanto, estendo a minha mão para apertar a sua e recebo um choque. Eita que ela sentiu também! Que foi isso?
Na mesma hora, ficou com as bochechas vermelhas e deu um sorrisinho de lado. Que fofa!
Deu tchau para todos e saiu.
E eu fiquei igual um bonecão, parado no meio da sala.
- Caio pode fazer a próxima entrevista, preciso ligar para o Marcus.
- Algum problema? (Me olhou preocupado.)
- Você não sentiu?
- O quê?
Ele ficou sem entender. Não querendo falar mais nada na frente de Dra. Andréia, lhe disse:
-Nada, só me dá este intervalo, ok?
- Ok.
- Marcus não vai te atender agora, está numa reunião! (Diz Melissa sem entender nada.)
- Se não atender subo para falar com ele. Olha, eu só preciso falar com ele, depois vocês vão entender!
Saio da sala e entro numa outra vazia, pronto para fazer a ligação.
Chama, chama e ninguém atende. Na terceira tentativa ele atende:
"Espero que seja assunto de vida ou morte!
- Eu achei...
"O que?!?"
- Eu achei o que a gente procurava todo esse tempo.
"Do que você está falando cara?!?"
- Eu achei Marcus, eu achei aquela que faltava...