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Os Bebês do Médico Mafioso

Os Bebês do Médico Mafioso

Autor:: M. M. Lopes
Gênero: Romance
Shin-yu é um neurocirurgião renomado e um membro da máfia, dividido entre duas vidas e consumido por um ódio implacável. A causa de seu tormento é Do-hee, a mulher que assassinou seu irmão, e por quem ele jurou desprezo eterno. Após a condenação de Do-hee, Shin-yu acredita que finalmente poderá seguir em frente, carregando apenas o peso de uma tragédia irreparável. Porém, uma inesperada e cruel vingança da sua ex-noiva, a Dra. Joo-yeon, o prende a Do-hee de uma maneira que ele jamais poderia imaginar. Antes de fazer uma vasectomia irreversível, Shin-yu havia deixado uma amostra de sêmen congelada na clínica de fertilização de Joo-yeon, pensando em um possível futuro. No entanto, quando o relacionamento entre ele e a médica termina de forma amarga, Joo-yeon decide usá-lo para concretizar uma vingança implacável. Em um ato de traição e fúria, ela insemina Do-hee com o material genético de Shin-yu, unindo para sempre o destino dele àquela que ele mais odeia. Agora, Shin-yu precisa lidar com o peso dessa nova realidade: a mulher que ele despreza carrega os seus filhos. Forçado a reavaliar suas emoções e a enfrentar sentimentos complexos, Shin-yu se vê entre o ódio e a responsabilidade, confrontando seus próprios limites e a capacidade de perdoar. Ao lado de Do-hee, ele percorre um caminho cheio de mágoas e segredos, enquanto uma inesperada conexão nasce entre eles.

Capítulo 1 (Do-hee)

Eu corri. Corri com todas as forças, os pés mal tocando o chão, mas ele estava mais perto a cada segundo. O som de seus passos ecoava na ruela estreita, e o medo apertava meu peito como um laço se fechando. Então, ele me alcançou. Um puxão violento me jogou no chão sujo, e antes que eu pudesse reagir, senti o peso de seu corpo sobre o meu, pesado, opressor, como uma fera faminta.

O hálito dele, cheirando a uísque barato, invadiu minhas narinas quando ele me virou bruscamente, seus olhos brilhando com um desejo doentio.

- Eu esperei muito por esse momento - sussurrou, os dentes cerrados em um sorriso perverso enquanto suas mãos sujas percorriam meu corpo com pressa, famintas. Ele levantou minha roupa, rasgando-a como se fosse papel. O som do zíper de sua calça ecoou na ruela escura, e meu coração disparou. Eu sabia o que estava por vir, mas não podia aceitar. Eu me debatia, mas suas mãos eram fortes, seus dedos se enterravam na minha carne.

- Por favor, não! - minha voz saiu desesperada, rouca de pânico.

- Sempre quis provar essa bocetinha virgem - ele rosnou, sua voz grossa e carregada de ódio, como se eu fosse nada mais que um brinquedo em suas mãos. - Desde que você apareceu na nossa casa, eu soube que ia ser minha.

Eu lutei, meus braços se moviam desesperadamente, mas era como se eu estivesse lutando contra uma parede. Ele era forte demais, pesado demais, e o terror me sufocava. Minhas mãos tateavam o chão sujo, procurando algo, qualquer coisa que pudesse me salvar.

Foi quando senti o tecido da minha calcinha ser rasgado, brutalmente puxado. Eu estava à mercê dele, e um grito de pavor explodiu da minha garganta. Meus dedos roçaram o chão de novo, e dessa vez encontrei algo. Uma caneta. Fraca. Insignificante. Mas era tudo o que eu tinha.

Sem pensar, levei a mão para cima e a enfiei com força no pescoço dele, o único lugar que minha mente em pânico me indicou. O metal perfurou sua carne, e eu vi seus olhos se arregalarem, a incredulidade tomando conta do rosto dele. Ele tossiu, uma tosse engasgada, o som misturando-se ao gorgolejo de sangue.

Ele cambaleou, o sangue escorrendo do pescoço, e de repente o peso dele não estava mais sobre mim. Eu o empurrei, os músculos tensos de pavor, e me arrastei para longe, ainda sem acreditar no que tinha acabado de fazer. O chão ao redor de mim parecia girar, e meu corpo tremia incontrolavelmente. Não havia som além do batimento frenético do meu coração.

Ele estava morrendo. O sangue fluía, e seus olhos estavam fixos em mim, a vida esvaindo-se lentamente de seu corpo. Eu o tinha matado. Eu o matei.

Minha mente gritou essas palavras, mas minha boca estava muda. Meus lábios tremiam, meus olhos fixos na cena diante de mim.

Então, quando pensei que tudo havia acabado, uma mão fria e sangrenta agarrou meu tornozelo com uma força inacreditável. O terror me inundou novamente, e antes que eu pudesse reagir, ele puxou meu corpo de volta para o chão. Seu rosto estava a centímetros do meu, o sangue ainda jorrando de seu pescoço, mas seus olhos... aqueles olhos estavam cheios de uma loucura inabalável, um brilho assassino.

Ele estava rindo. Rindo.

- Você acha que pode se livrar de mim tão fácil, hein? - sua voz era baixa, grotesca, abafada pelo sangue que subia pela garganta.

Eu me debatia, mas suas mãos sangrentas me seguraram com uma força que eu nunca pensei que alguém à beira da morte pudesse ter. O mundo ao meu redor ficou escuro, o ar ficando rarefeito enquanto eu tentava me soltar. Meu coração batia tão rápido que parecia que iria explodir a qualquer momento. O rosto dele estava distorcido pela dor e pelo ódio, como uma sombra do que já foi humano.

Foi então que tudo ficou preto. Minha mente desligou, meu corpo desistiu de lutar.

Capítulo 2 Shin-yu

A noite estava envolta em sombras, as luzes da cidade piscando ao longe, como se soubessem da tempestade que se aproximava. Eu, Shin-yu, movia-me silenciosamente, a adrenalina pulsando nas veias. O terreno inimigo estava em meu campo de visão - um armazém abandonado, cercado por homens armados, prontos para defender o que achavam ser deles.

Com um gesto sutil, sinalizei para meus homens. A máscara de pele ocultava o meu verdadeiro rosto. O primeiro tiro ecoou como um trovão, quebrando o silêncio. Eu avancei, meus músculos tensos, cada passo determinado. A visão de um inimigo apareceu na minha mira; puxei o gatilho. O impacto foi satisfatório, um lembrete do que estava em jogo.

Mais tiros dispararam, as balas cortando o ar. As vozes de meus homens misturavam-se aos gritos e aos sons das armas, criando uma sinfonia de caos. Eu me movia com precisão, esquivando-me de um ataque enquanto respondia com a força de um homem decidido a conquistar.

Senti o calor da batalha, a excitação crescendo à medida que o território se tornava nosso. Um último inimigo se pôs em meu caminho, mas, com um movimento rápido, finalizei a luta. O armazém, agora silenciado, era um lembrete do poder que carregávamos. O território era meu. O aviso estava dado: ninguém se interpõe entre Shin-yu e o que é seu.

Capítulo 3 Do-hee

Já fazia dois anos desde o dia em que minha vida mudou para sempre. Dois anos de pesadelos constantes, revivendo aquele momento em que minha sobrevivência foi usada contra mim. Fui presa por ter matado um rapaz que tentou me violentar. O mesmo que, sem remorso, tentou arrancar minha dignidade naquela ruela escura. Mas ninguém parecia se importar com os detalhes, com o que ele fez, apenas com quem ele era.

Ele era filho de um juiz. Um juiz poderoso, respeitado em Seul, com conexões suficientes para dobrar a lei conforme desejasse. A influência da família dele era como uma nuvem negra sobre todo o processo. Eles moldaram a narrativa ao redor do caso, e o que surgiu na mídia foi uma imagem completamente distorcida de mim. Pintaram-me como uma garota leviana, uma tentadora, alguém que tinha dado em cima do filho do patrão. Eles disseram que eu o seduzi, que eu o levei à ruína, que aquele rapaz inocente foi apenas vítima de uma mulher calculista.

O julgamento foi um espetáculo. A sala do tribunal estava lotada de câmeras, jornalistas, e olhares que já haviam decidido minha culpa antes mesmo que eu abrisse a boca para me defender. Fui massacrada. Cada palavra que dizia em minha defesa era distorcida, usada contra mim. Os advogados da família dele eram implacáveis, e o próprio juiz - o pai do rapaz que eu matei - manipulava as circunstâncias, usando sua influência sutilmente para garantir que eu fosse punida pelo que fiz. Ou, pelo que eles *disseram* que eu fiz.

Lembro-me de como me descreveram no tribunal. Era como se eu fosse um monstro, uma garota sem moral, uma predadora que manipulou um pobre garoto inocente para satisfazer meus próprios desejos. Não importava que ele estivesse bêbado, que ele me tivesse jogado ao chão, que eu estivesse lutando pela minha vida naquela noite. Não importava que ele estivesse prestes a destruir minha existência com o ato mais vil possível. O que importava era que ele morreu e que eu era a assassina.

Meus olhos se encheram de lágrimas durante o julgamento, mas não de tristeza. Era indignação. Injustiça. Um grito preso na garganta que ninguém parecia ouvir. Eu era tratada como um objeto a ser condenado, uma narrativa conveniente para uma família poderosa limpar o nome de seu filho. Suas risadas, sua raiva no momento do ataque, sua violência... tudo isso foi enterrado junto com ele, enquanto eu ficava com o rótulo de criminosa, esperando minha sentença.

No final, o veredito foi previsível. Culpada. Culpada por defender minha própria vida. Dois anos de prisão por homicídio culposo, como se eu tivesse tirado a vida de alguém em um momento de frieza e não de desespero. Cada dia aqui é uma lembrança da injustiça que me foi feita, e de como a verdade foi sufocada por poder e privilégios. A cela fria e úmida se tornou minha realidade, enquanto a cidade lá fora seguia em frente, sem nem lembrar meu nome.

Agora, o tempo passa devagar, como se cada segundo se arrastasse. A mídia se esqueceu de mim, mas a dor não. Fico aqui, encarando as paredes da cela, sabendo que a liberdade que me foi roubada não é só física. A mácula que eles deixaram na minha reputação, na minha alma, vai além dos muros desta prisão.

Mas eu ia fugir dali!

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