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Os Pecados da Outra

Os Pecados da Outra

Autor:: M. M. Lopes
Gênero: Romance
A vida de Jade muda completamente, a partir do momento em que Camila, filha de sua madrasta, entra em seu quarto e aponta uma arma para ela. Camila esta para receber uma grande herança do pai, e ela odeia Jade. Jade avança para cima de Camila pegar a arma, mas um disparo acidental termina com Camila no chão. Laura, mãe de Camila invade o quarto da enteada, chamando-a de assassina. Com Camila morta, adeus herança e sem herança o sonhos de Laura se desfaziam feito castelos de areia! Assim toda a herança de Sandro Menotti, ia para as mão do seu irmão Felipe devido a uma cláusula deixada no testamento que: Se Camila não fosse encontrada dentro de dois anos, ou se estivesse morta, Felipe herdaria tudo! Laura então entra em desespero por estar a um passo de perder a herança do ex-marido. Gananciosa como ela é, ela ameaça Jade, obrigando-a receber a identidade de sua filha para receber a herança. Caso Jade não aceite Laura a entregara a polícia pela morte da filha! Mesmo tendo sido um tiro acidental, com medo para não ir parar na cadeia Jade viaja com Laura para uma fazenda em Campos do Jordão. E é lá que Jade conhece o grande amor de sua vida, Felipe, tio de Camila, que acabou de sair da cadeia, acusado por um crime que não cometeu. Mas como Jade está se fazendo passar por Camila, Felipe acredita que seja seu tio, tornando-se esse amor impossível de ser vivido! Jade não pensou que assumindo a identidade de Camila, ela estaria assumindo todos os seus pecados, e sua vida começa a correr perigo também ali naquela fazenda, pois o assassino do chicote começa a atacar e a qualquer hora, ela pode ser a próxima vitima por ter assumido "Os pecados da outra".

Capítulo 1 Os Pecados da Outra

Observação: Capa do livro

Imagem de cookie_studio no Freepik

A chuva torrencial começou a cair assim que Miguel deixou a fazenda e entrou na rodovia. Estava tudo acabado, liquidado, ele estava sem um tostão, e devendo para o Banco, breve teriam que deixar até a mansão para cobrança das dívidas. E agora? Como contar para a família? E sua filha Jade, que tinha completado vinte e quatro anos, e havia acabado de se formar em medicina, e ele tinha prometido a ela que montaria o seu consultório! E sua enteada Camila, que dependia do seu dinheiro para tudo? E sua esposa Laura, que no passado havia abandonado o marido que era pobre para fugir com ele, que era rico? Agora ele que era o pobre e o marido que ela abandonou agora era um homem rico, um grande fazendeiro, que morava próximo a Campos do Jordão.

Miguel era um homem atraente, de cinquenta e nove anos, com uma vasta cabeleira prateada sobre a cabeça, e uma pele clara.

Miguel pisou fundo no acelerador e a tempestade continuava a cair...

Da janela do seu quarto, Jade observava a chuva cair sobre São Paulo.

- Sei que está acontecendo alguma coisa com o meu pai, mas ele não se abre comigo! – disse a si mesma.

Jade espichou o braço e estendeu a mão para sentir os pingos da chuva... Tão linda a chuva, tão bonita de ser vista!

Pouco a pouco a noite envolvia a cidade, e nada de seu pai aparecer... Ela já tinha ligado para a fazenda, e os caseiros garantiram a ela que o seu pai já havia saído.

Jade era uma mulher bonita, de olhos verdes e cabelos negros, lisos que chegavam até os ombros. Não tinha namorado não que faltasse alguém que a quisesse, pois muitos rapazes a queriam, ela é que não havia se apaixonado por nenhum deles.

No andar debaixo, Laura a segunda esposa de Miguel mandou a empregada voltar para a cozinha, e seus olhos se fixaram em Camila.

- Sabe Camila, estou terrivelmente preocupada! Tenho certeza que os nossos negócios não andam bem, Miguel tenta disfarçar, mas eu sei, eu sinto que ele está me escondendo alguma coisa.

- Tem certeza? Seria horrível se ficássemos pobres...

Jade e Camila tinham a mesma idade, ambas tinham cabelos negros e olhos verdes.

- E pensar que eu deixei o seu pai que agora é um homem rico, para fugir com Miguel que agora pode ter se tornado um falido...

- Nunca mais entrou em contato com o meu pai, não é?

Camila olhou para a mãe, que andava de um lado para o outro na sala.

- Não, nunca! Miguel sempre nos deu tudo! Tudo que o dinheiro pode comprar. Sabe... Eu nunca poderia imaginar que Sandro, o grosso do seu pai, fosse um dia conseguir fazer fortuna.

Sandro... Laura tinha se casado tão jovem com ele, casou-se grávida, pouco depois do nascimento de Felipe, irmão de Sandro. Segundo Sandro, a mãe morreu ao dar a luz a Felipe, era só isso que as pessoas sabiam. Ele tinha feito uma viagem com a mãe para fora de Campos do Jordão, e não voltou com ela, apenas com o meio-irmão recém-nascido. Um segredo envolvia a família, um segredo que Sandro escondia de todos para evitar escândalo! Mas o suicídio do pai fez Sandro odiar a mãe e fazer algo que mudaria para sempre à vida de todos...

Capítulo 2 Os Pecado da Outra

O clima de Campos do Jordão é reconhecido internacionalmente como um dos melhores do mundo. A cidade está localizada entre as capitais de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Na alta temporada, a suíça brasileira como é conhecida, chega a receber mais de um milhão de turistas.

Sandro Menotti era o dono de uma da mais linda fazenda, próximo a Campos do Jordão.

A fazenda Pedra Maior tinha sido lindamente construída. A sede da fazenda era um casarão colonial, com sala de estar e jantar, oito quartos, banheiro, cozinha grande, e um porão, com uma sala e quarto, lareira e adega. Na parte externa, o casarão tinha um belo jardim, piscina, sauna, salão de festas, a casa do caseiro, que ficava a alguns metros dali, as belas nascentes de água, lagos e rios, as matas com suas trilhas convidativas para um passeio á natureza.

Dali do casarão se tinha uma vista maravilhosa da Pedra do Baú. Pedra do Baú é uma enorme formação rochosa, com três rochas, a maior e mais alta pedra com 1.950 metros de altitude, o Bauzinho com 1.760 metros, e a Ana Chata com 1.670 metros de altitude. As duas últimas são localizadas ao redor da principal.

Antes de perder as suas forças e ir parar naquela cama, Sandro, da janela do seu quarto sempre observava a pedra do baú, que enchia os seus olhos, e acalmava o seu coração, quando ele se lembrava da filha Camila, que a esposa havia levado junto com ela, quando havia fugido com outro homem.

Naquele momento, sobre a cama, com a aparência nada boa para um homem de quarenta e sete anos, Sandro desejava ter forças novamente, para chegar até a janela e olhar para a Pedra do Baú, e lembrar-se do dia em que ele era jovem, galgou a escada de ferro, fixada na rocha e alcançou o topo, local de onde se tinha uma visão espetacular de boa parte da serra de Campos de Jordão e as belas montanhas de Minas Gerais.

Uma leve batida na porta despertou Sandro do seu sono perturbado por dores.

Um rapaz alto, de olhos verdes, de aproximadamente uns trinta anos, entrou.

- Doutor Augusto...

Doutor Augusto era advogado de Sandro, e era ele que estava encarregado de encontrar a filha.

- Doutor Augusto, você tem que encontrar a minha filha, eu não posso morrer, sem antes vê-la. Ela tem que saber que ela é a minha única herdeira!

- Eu vou encontrá-la, senhor Sandro, não se preocupe. Já coloquei dois detetives para isso.

Augusto se afastou um pouco da cama, desejando falar mais alguma coisa, não aguentando, ele voltou-se para perto da cama e disse:

- E Felipe, Sandro? Você acha justo não deixar nada para ele? Ele é seu irmão!

Sandro, mesmo doente, fica com raiva, agitado sobre a cama.

- Ele é meu meio-irmão, um bastardo! E além de ser um bastardo, é um assassino!

- Felipe não matou o filho de Glauber, ele foi condenado injustamente! Ele está saindo em liberdade condicional, e vai provar isso, e eu... Eu vou ajudá-lo.

- Pensei um pouco, e quero que acrescente uma cláusula em meu testamento.

- Cláusula? Que tipo de cláusula? – Augusto reage surpreso.

- Se dentro de dois anos após a minha morte, se você não encontrar a minha filha Felipe herda tudo! E se por azar a minha filha também estiver morta, mesmo contra a minha vontade, Felipe herda tudo!

- Você sabe muito bem que a sua filha não está morta, e que ela vai ser encontrada, por isso quer acrescentar essa cláusula, ou seja, Felipe não vai receber nenhum centavo do seu dinheiro.

- Fico feliz que ele não receba nada! Eu o desprezo! – disse Sandro, cheio de ódio.

Capítulo 3 Os Pecados da Outra

Um rapaz alto, loiro de olhos azuis, atravessou o portão do presídio que acabara de se abrir para ele. Eram oito horas da manhã, e um frio envolvia aquele lugar. Um vento agitou os seus cabelos, que estavam um pouco grande, chegando até o colarinho da camisa azul que ele usava naquele momento.

Felipe era um rapaz bonito de vinte e cinco anos, atlético, de musculatura rígida, que ele não deixou perder durante o tempo em que esteve preso. Fazia sempre ginástica no presídio para manter a forma. Ele olhou para o céu naquele momento, respirando fundo, e soltando devagarzinho o ar de seus pulmões, e agradecendo a Deus pela liberdade. Deixou a mochila no chão e abriu os olhos, olhando para o céu, girando, sentindo o efeito da liberdade.

Um carro parou do outro lado da rua, e uma mulher alta, de cabelos negros desceu. O impacto em vê-la, fez Felipe parar de girar e seus olhares se encontraram.

Mas o seu olhar para ela, não era um olhar doce e nem suave, era um olhar frio, com mágoa e ressentimento.

- Eva...

- Não me olhe desse jeito pelo amor de Deus... Eu fiquei sem chão quando você foi condenado, não tiver forças para aguentar, e Glauber me estendeu a mão...

- Como você quer que eu a olhe, depois de ter me abandonado nesse lugar e ter... E ainda por cima ter se casado com outro? Você se casou com o homem que fez de tudo para que eu fosse condenado! Eu fui condenado por um crime que eu não cometi! Abandonou-me nesse lugar, casou-se com outro, e ainda por cima teve um filho com ele!

O desprezo por Eva era evidente em seu olhar.

- Eu te amo, Felipe, eu nunca te esqueci... Foi besteira o que eu fiz, eu sei... – ela estendeu a mão para tocar o seu rosto, mas ele se afastou bruscamente.

- Me ama tanto, que se casou com outro, assim que me enfiaram nesse inferno! – disse ele, agitando os braços em direção ao presídio. – Mas uma coisa eu lhe digo, eu vou descobrir quem matou Max.

Dizendo isto, ele colocou a mochila nas costas e começou a andar, ignorando por completo Eva.

- Vai voltar para Campos do Jordão, para a fazenda do seu irmão?

- Se vou ou não, isso não é problema seu.

- Eu levo você.

- Não... Obrigado, vá cuidar do seu marido e do seu filho...

As lágrimas começaram a descer pelo rosto de Eva...

- Seu irmão está morrendo, sabia?

Felipe virou-se para ela, com ar preocupado.

- Durante esse tempo todo que eu estive nesse lugar, ele nunca veio me ver, afinal eu sou o fruto do pecado, sou um bastardo que ele odeia e despreza!

Um carro parou ao lado de Felipe, o vidro foi aberto automaticamente e Augusto com um sorriso, perguntou:

- Quer uma carona, amigo?

Felipe sorriu, abrindo a porta do carro, e entrou.

- Ela veio... – disse Augusto.

- Quero distância dessa mulher...

- Se quiser ficar em minha casa, você sabe que as portas estarão sempre abertas para você.

- Obrigado, meu amigo, mas por enquanto eu resolvi ficar em Pedra Maior, mesmo sabendo que não serei bem recebido pelo meu irmão.

Augusto arrancou com o carro, Eva ficou para trás, e tornou-se mais distante, quando ele pisou fundo no acelerador.

- Eu não concordo com o jeito que Sandro trata você. Eu sou contra mais ainda ele se negar a deixar parte da fortuna dele você. Sabia que ele quer que encontremos a filha dele a qualquer custo? Ele não quer morrer, sem antes vê-la. Ele fez o testamento, deixando tudo para ela... Deixou uma pequena cláusula, dizendo que se Camila não for encontrada dentro de dois anos após a sua morte, ou se ela por azar, estiver morta, aí sim toda a fortuna dele fica para você. Mas eu tenho quase certeza de que a moça está viva, e que vamos conseguir encontrá-la, ou seja, você não herda nada!

- Eu não quero o dinheiro dele, Augusto. Que Camila faça bom proveito da grana do pai.

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