Gênero Ranking
Baixar App HOT
Início > Romance > Os Seis Meses Que Mudaram Tudo
Os Seis Meses Que Mudaram Tudo

Os Seis Meses Que Mudaram Tudo

Autor:: Jing Bu Hui
Gênero: Romance
O médico entregou-me um envelope. Dentro, não era um relatório de saúde, mas fotos do meu marido, Pedro, com outra mulher, Sofia, grávida. "Senhora Alves, o seu marido tem acompanhado a Srta. Sofia nos exames pré-natais dela há três meses." A voz do Dr. Mendes era calma, mas cada palavra atingia-me como um golpe. Eu estava com o meu próprio diagnóstico na mão: cancro do pâncreas em estado avançado. Seis meses de vida. E o homem com quem eu partilhava a cama estava a construir uma nova família pelas minhas costas. Liguei ao Pedro, e ouvi a voz dela ao fundo: "Pedro, o bebé está a dar pontapés outra vez." Ele desligou, apressado. Naquela noite, confrontei-o, e ele nem negou, apenas se recusou ao divórcio e ameaçou arruinar a minha reputação. Até a minha própria mãe, Laura, que sempre adorou Pedro, virou-me as costas. Ela disse-me para "lutar" pelo casamento, preocupada mais com as aparências do que com a minha dor. "É egoísta", ela sibilou. Então, a amante, Sofia, ligou-me, com uma voz falsa e doce, pedindo para "deixá-lo ir". "Ele só está contigo por pena", ela disse, chamando-me de egoísta outra vez. Senti-me encurralada, humilhada, com a minha vida a desmoronar-se. Eu estava doente, traída, abandonada, e sem ninguém do meu lado. Pedro queria que eu desaparecesse silenciosamente, levando migalhas. Mas eu tinha seis meses de vida. Seria eu a vítima, a definhar em silêncio? Ou faria da minha dor a minha maior arma? Decidi: eles queriam guerra? Teriam a guerra da minha vida.

Introdução

O médico entregou-me um envelope.

Dentro, não era um relatório de saúde, mas fotos do meu marido, Pedro, com outra mulher, Sofia, grávida.

"Senhora Alves, o seu marido tem acompanhado a Srta. Sofia nos exames pré-natais dela há três meses."

A voz do Dr. Mendes era calma, mas cada palavra atingia-me como um golpe.

Eu estava com o meu próprio diagnóstico na mão: cancro do pâncreas em estado avançado.

Seis meses de vida.

E o homem com quem eu partilhava a cama estava a construir uma nova família pelas minhas costas.

Liguei ao Pedro, e ouvi a voz dela ao fundo: "Pedro, o bebé está a dar pontapés outra vez."

Ele desligou, apressado.

Naquela noite, confrontei-o, e ele nem negou, apenas se recusou ao divórcio e ameaçou arruinar a minha reputação.

Até a minha própria mãe, Laura, que sempre adorou Pedro, virou-me as costas.

Ela disse-me para "lutar" pelo casamento, preocupada mais com as aparências do que com a minha dor.

"É egoísta", ela sibilou.

Então, a amante, Sofia, ligou-me, com uma voz falsa e doce, pedindo para "deixá-lo ir".

"Ele só está contigo por pena", ela disse, chamando-me de egoísta outra vez.

Senti-me encurralada, humilhada, com a minha vida a desmoronar-se.

Eu estava doente, traída, abandonada, e sem ninguém do meu lado.

Pedro queria que eu desaparecesse silenciosamente, levando migalhas.

Mas eu tinha seis meses de vida.

Seria eu a vítima, a definhar em silêncio?

Ou faria da minha dor a minha maior arma?

Decidi: eles queriam guerra?

Teriam a guerra da minha vida.

Capítulo 1

O médico entregou-me um envelope. Dentro, não estava um relatório de saúde, mas sim as fotos do meu marido, Pedro, com outra mulher. O nome dela era Sofia.

"Senhora Alves, o seu marido tem vindo a acompanhar a Srta. Sofia para os exames pré-natais dela há três meses. Achei que precisava de saber."

A voz do Dr. Mendes era calma, mas cada palavra atingia-me com força.

Eu estava sentada no seu consultório, com os meus próprios resultados de exames na mão. O relatório dizia que eu tinha cancro do pâncreas em estado avançado. Restavam-me apenas seis meses de vida.

Seis meses. E o meu marido, o homem com quem eu partilhava a cama todas as noites, estava a construir uma nova família pelas minhas costas.

"Obrigada, Dr. Mendes", disse eu, a minha voz surpreendentemente firme. Guardei as fotos no meu saco.

Saí do hospital e o sol de Lisboa brilhava intensamente, mas eu sentia um frio profundo.

Liguei ao Pedro. Demorou a atender.

"Ana? O que foi? Estou ocupado." A voz dele soava distante, impaciente.

"Onde estás, Pedro?"

"Estou numa reunião importante. Não me incomodes com coisas sem importância. Falamos à noite."

Ao fundo, ouvi uma voz de mulher, suave e um pouco queixosa. "Pedro, o bebé está a dar pontapés outra vez. Vem sentir."

Uma pausa. Depois o som de um beijo abafado.

"Tenho de ir", disse o Pedro apressadamente, e desligou.

Eu fiquei ali, no meio da calçada, com o telemóvel na mão. Reunião importante. Era a essa "reunião" que ele se referia.

O meu cancro, a traição dele. Parecia que o meu mundo inteiro estava a desmoronar-se de uma só vez.

Naquela noite, o Pedro chegou a casa tarde, a cheirar a um perfume de mulher que não era o meu.

Ele entrou na cozinha onde eu estava sentada no escuro.

"Ana? Porque não acendeste a luz? Assustaste-me."

"Tivemos um bom dia?" perguntei, a minha voz vazia de emoção.

"Foi cansativo. Muitas reuniões", disse ele, abrindo o frigorífico para pegar numa garrafa de água. "O que há para o jantar?"

"Não cozinhei."

Ele virou-se, irritado. "Não cozinhaste? Sabes que chego a casa exausto. O que se passa contigo ultimamente?"

"Pedro", disse eu, olhando diretamente para ele. "Vamos divorciar-nos."

Ele riu, um som seco e incrédulo. "Divorciar-nos? Estás a brincar? Porquê? Porque não fizeste o jantar?"

"Porque estás a ter um caso. Porque a tua amante está grávida."

O sorriso desapareceu do seu rosto. Ele ficou pálido. Por um momento, não disse nada, apenas me encarou.

"Quem te disse isso?", sibilou ele finalmente.

"Isso importa?"

A raiva tomou conta das suas feições. "Estás louca, Ana! Andas a espiar-me? É isso? Depois de tudo o que eu faço por ti, é esta a tua gratidão?"

"Gratidão? Por me traíres?"

"Eu não te traí!", gritou ele. "A Sofia... ela é só uma amiga. Ela está a passar por um momento difícil. O namorado abandonou-a. Eu só a estou a ajudar!"

"Ajudá-la a ter um bebé? O teu bebé?"

O silêncio dele foi a única resposta de que eu precisava. O meu coração, que eu pensava já estar partido, partiu-se um pouco mais.

"Não te vou dar o divórcio", disse ele friamente. "Não vais arruinar a minha vida por causa dos teus ciúmes estúpidos. Pensa na tua reputação. Pensa na nossa família."

Ele virou-me as costas e saiu da cozinha. Ouvi a porta do quarto a bater.

Fiquei sentada no escuro, o silêncio da casa a ecoar a minha solidão. Família. Ele ousava falar de família.

Capítulo 2

No dia seguinte, a minha mãe, a Laura, veio visitar-me. Ela trouxe o meu prato favorito, bacalhau à Brás, mas eu não tinha apetite.

Ela sentou-se à minha frente na mesa da cozinha, com o rosto cheio de preocupação.

"Ana, estás tão pálida. Estás doente?"

Eu não conseguia contar-lhe sobre o cancro. Ainda não. Mas podia contar-lhe sobre o Pedro.

"O Pedro está a ter um caso, mãe. A mulher está grávida."

A minha mãe ficou boquiaberta. A sua mão voou para a boca. Ela sempre adorou o Pedro, via-o como o filho que nunca teve.

"Não pode ser", sussurrou ela. "O Pedro não faria isso. Deve haver um mal-entendido."

"Não há, mãe. Eu sei que é verdade."

Ela abanou a cabeça, recusando-se a acreditar. "Ele ama-te, Ana. Talvez esteja apenas confuso. Os homens cometem erros. Tens de ser paciente. Tens de lutar pelo teu casamento."

"Lutar? Ele é que me traiu."

"E tu vais desistir assim tão facilmente?", insistiu ela. "O casamento é um compromisso. Para o bem e para o mal. Ele vai voltar para ti. Só precisas de lhe dar tempo."

As suas palavras eram como sal numa ferida. Ela não estava do meu lado. Estava do lado da ideia de um casamento perfeito, do lado do genro que ela idealizava.

"Eu pedi o divórcio", disse eu calmamente.

A minha mãe levantou-se abruptamente, a cadeira arrastou-se ruidosamente no chão.

"Divórcio? Estás a perder o juízo? Vais deitar fora anos de casamento por causa de um erro? Ana, pensa bem! Vais arrepender-te disto."

A sua voz era aguda, cheia de desapontamento. Não por ele, mas por mim.

"Eu já pensei, mãe."

"Não, não pensaste! Estás a ser egoísta! Um divórcio seria uma vergonha para a nossa família!"

Ela pegou na sua mala, com o rosto vermelho de raiva. "Quando recuperares o bom senso, liga-me."

Ela saiu, batendo a porta com força.

Fiquei sozinha outra vez. Nem a minha própria mãe conseguia ver a minha dor. Para ela, a aparência de uma família feliz era mais importante do que a minha felicidade real.

Naquela tarde, recebi uma chamada de um número desconhecido.

Atendi.

"É a Ana?" A voz era de uma mulher, jovem e hesitante.

"Sim, sou eu. Quem fala?"

"O meu nome é Sofia."

O meu sangue gelou.

"O que é que queres?", perguntei, a minha voz a sair mais áspera do que eu pretendia.

"Eu só... eu só queria falar consigo. O Pedro disse-me que pediu o divórcio. Eu não queria causar problemas."

"Já é um pouco tarde para isso, não achas?"

Ela começou a chorar ao telefone. Eram soluços suaves, calculados. "Eu amo o Pedro. E ele ama-me a mim. Ele só está consigo por pena. Ele disse-me que o vosso casamento já tinha acabado há muito tempo."

Pena. Era isso que ele sentia por mim.

"Se é isso que ele te disse, porque é que me estás a ligar?", perguntei friamente.

"Eu só quero que o deixe ir. Deixe-o ser feliz. Nós vamos ter um bebé. Uma família. Por favor, não seja egoísta. Assine os papéis do divórcio e deixe-nos em paz."

Egoísta. Era a segunda vez que ouvia aquela palavra hoje.

"Ouve-me com atenção, Sofia", disse eu, a minha voz baixa e controlada. "Eu não vou a lado nenhum. Se o Pedro te quer, terá de lutar por isso. Mas vou tornar-lhe a vida um inferno."

Desliguei o telefone. O meu corpo tremia de raiva.

Eles queriam que eu desaparecesse silenciosamente. Queriam que eu facilitasse as coisas para eles.

Mas eu tinha seis meses de vida. E não ia passá-los a ser uma vítima.

Baixar livro

COPYRIGHT(©) 2022