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Ouro e Sangue - Contrato com o mafioso

Ouro e Sangue - Contrato com o mafioso

Autor:: Paula Tekila
Gênero: Romance
Daniel era líder de um dos mais poderosos carteis e que movimentavam a maior parte do tráfico do país, ele descobriu um mapa que revelava o paradeiro de uma grande fortuna que pertenceu ao maior traficante da América Latina décadas atrás. Duas facções oriundas da repartição original passaram a travar uma disputa sangrenta por aquele mapa, conhecidas como Pantera escarlate e Serpente Negra. Daniel encontra mapa e decide entregar a versão original para sua filha Roberta e criou outra para que servisse de isca aos seus inimigos e a jovem passou a ser alvo deles. Leandro é líder do Serpente Negra e decide usar Roberta para destruir os rivais e ficar com o tesouro, mas acaba se apaixonando por ela e enfrentando todos os desafios para salvá-la dos perigos. Aviso: Esta história contém temas sensíveis, como violência, crime e exploração. Os eventos e personagens retratados estão inseridos em um contexto fictício e não devem ser interpretados como apoio, glorificação ou incentivo a tais comportamentos.

Capítulo 1 Capítulo 1

Roberta

Um local chamado Bar das Sensações, agitado e frequentado por pessoas menos abastadas financeiramente. Cheguei com meu uniforme de trabalho dentro da bolsa para cumprir o ritual de sempre, me trocar dentro do banheiro enquanto ainda era possível entrar nele. As outras meninas e eu sempre fazíamos isso.

- Animada, Robertinha?

- Daquele jeito, cheguei com vontade de ir embora! - sorrimos.

Aqui não temos muitos funcionários e todo o serviço é dividido entre nós, que ainda suportamos trabalhar aqui, obviamente por falta de uma opção melhor.

Essa é mais uma noite cansativa de trabalho. Todo fim de semana é agitado, mas na sexta-feira aqui é um verdadeiro caos. Carrego combos e combos de cerveja para matar um pouco da sede desses bêbados que parecem insaciáveis.

Aqui é sempre assim, cheio de pinguços que já vêm de outros lugares com a cara cheia e dispostos a criar confusão por qualquer coisa. Meu trabalho aqui não é apenas como garçonete ou atendendo no bar, sou uma espécie de faz-tudo nesse lugar. Minha vida nunca foi fácil, então não me dou o direito de reclamar do que faço para sustentar a nossa casa.

- Vá agora no beco. Roberta, aquele vagabundo da mesa três saiu sem pagar e a culpa é sua!

Não posso acreditar que mais uma vez vou ter que me submeter a fazer esse tipo de trabalhinho. O imbecil do segurança falta mais do que vem ao trabalho, e quando isso acontece, sobra para mim.

Eu nunca tive medo de cobrar esses homens. A maioria está bêbada demais para querer me agredir. O fato é que não estou disposta a ouvir mais ofensas nesta noite. Minhas pernas estão super doloridas e tudo que eu quero é que essa droga de música alta acabe para que possamos ser liberados e ir para casa descansar.

Sai irritada abrindo a porta dos fundos. Caminhei rapidamente pelo beco, ouvindo o som da música diminuir conforme avançava. Havia chovido recentemente, e eu tentava desviar das poças de lama.

Comecei a ouvir uns gemidos e alguns sons de socos. À frente no beco, havia dois homens e um deles estava sendo agredido violentamente. Olhei para o meu celular, senti uma imensa vontade de chamar a polícia naquele instante, mas também estava tão trêmula que acho que nem conseguiria discar nenhum número.

- Confessa, filho da mãe. Acha que vou te dar mais tempo do que já dei?

- Por favor, Érick. Estou falando a verdade.

Quanto mais aquele homem implorava por sua vida, mais violentamente era agredido, e eu estava chocada. Até que aquele monstro agressor retirou um soco-inglês, colocando-o em sua mão para causar ainda mais estrago do que já havia feito...

Fechei os olhos, mas ouvi o primeiro som da agressão e o grito de dor que aquele homem deu.

Antes que uma desgraça terrível acontecesse diante dos meus olhos, voltei correndo, mas fui pega por alguns homens. Eles queriam me colocar dentro de um carro, mas comecei a gritar desesperadamente, chamando a atenção do homem que estava agredindo o outro. Ele vinha em nossa direção.

- Chefe, pegamos essa bonequinha aqui de olho no que não interessa a ela. O que acha de cortarmos a língua dela ou o pescoço, para ensiná-la a manter um bom segredo?

Comecei a chorar desesperadamente. Aquele homem então entregou o outro, que estava agredindo, nas mãos de seus subordinados, e se aproximou mais de mim. Parte inferior do formulário

- O que está acontecendo, Roberta? - Respirei aliviada ao ouvir a voz do seu Jorge, o dono do bar onde eu trabalho. Apesar de saber que ele é apenas um velho e jamais poderia lidar com todos aqueles homens, pelo menos era alguém para me ajudar ou me ver morrer.

- Perdoe-me, senhor. Só estávamos tomando conta da sua funcionária! - Após ter visto os métodos daquele homem, eu só podia ter muito medo do que ele estava prestes a fazer comigo. Sua resposta debochada me deixou ainda mais apavorada.

- Não sei o que está acontecendo, mas vou levar a moça de volta para dentro e, por favor, nos desculpe pelo inconveniente, senhores!

- Certo, senhor. A garota pode voltar ao trabalho, mas tenha muito cuidado daqui para frente, moça!

Seu Jorge me puxou pela mão, praticamente jogando-me de volta para dentro do bar. Ele percebeu que eu estava gelada e trêmula, e ele não podia imaginar todo o medo que senti com aquela situação. Ou, na verdade, ele percebeu que aqueles caras eram barra pesada. Não consigo me lembrar se já havia visto algum deles pelo bar em algum momento.

- Não sei o que viu, menina, mas trate de esquecer e manter a boca fechada.

- Não se preocupe, senhor J. Tudo o que quero é esquecer essa noite e poder ir para casa.

- Então vá, uma vez. Por hoje, está liberada!

Parecia um grande milagre ele ter me mandado para casa mais cedo. Isso quase nunca acontecia, mesmo assim, eu tratei de aproveitar esse milagre. Seria incapaz de servir apenas uma mesa com toda a tensão que ainda sinto dentro de mim.

Sempre que voltava tarde da noite, precisava caminhar até um ponto de ônibus próximo ao bar. Depois de tudo aquilo que vi, fiquei com a imagem e a voz daquele homem em minha cabeça durante todo o percurso.

Parei no ponto de ônibus e esperei mais 5 minutos até que o próximo coletivo passou, e eu dei graças a Deus por isso. Quem sabe se algum daqueles homens não estava me seguindo e só esperando o momento certo de acabar com a minha vida, sentada naquele banco frio. Minha mente não conseguia pensar em outra coisa além dos olhos daquele homem sendo agredido covardemente.

Parte superior do formulário

O perigo dessa noite me fez pensar no que poderia ter acontecido se tivessem conseguido me colocar dentro daquele carro. Provavelmente, já estaria morta. Não sei se conseguiria ser capaz de tirar a vida de alguém, mesmo que disso dependesse a minha própria vida.

Desci no meu ponto, caminhei até em casa. Naquele horário, meu pai já costumava estar dormindo. Estranhei o som de duas pessoas falando muito alto dentro da minha casa, e eu já estava desesperada com aquela briga anterior, então fiquei ainda mais apreensiva.

Entrei em casa bem rápido e encontrei o meu pai discutindo acaloradamente com Breno, um amigo de longa data. Mas, ao me ver, ele simplesmente foi embora, visivelmente mais irritado do que estava segundos atrás.

Logo que ele saiu, eu corri para a porta e tranquei. Tudo o que eu menos queria era terminar aquela noite com mais uma situação de perigo para enfrentar.

- Papai, diga para mim o que está acontecendo. Por que estavam brigando dessa forma?

Ele limpou o suor da testa.

- Esqueça o que viu. Roberta, preciso que faça um favor ao seu pai agora mesmo e não pergunte mais nada!

Ele caminhou até o quarto, e eu permaneci sentada no sofá, pois as minhas pernas ainda estavam tremendo. Acho que precisaria de muitos dias para poder me recuperar de todas as confusões desta noite.

Logo depois, ele voltou, segurando uma caixa de cor negra e que parecia estar selada. Ele a colocou no meu colo, olhando nos olhos.

- Eu quero que cave um buraco do lado de fora da casa e a enterre!

Por um instante, achei que meu pai havia acabado de ficar completamente maluco, pois aquilo não fazia qualquer sentido.

- Enterrar isso? Mas o que é e por quê?

Ele ficou ainda mais irritado.

- Te pedi que não fizesse perguntas, filha. Apenas faça o que eu mandei!

Eu assenti.

Claro que achei tudo aquilo muito estranho.

[...]

Dois dias passaram, e Roberta já estava esquecendo um pouco daqueles traumas dos dias anteriores. Havia preparado o almoço para o pai e sua irmã Thais, uma garota gentil de dez anos de idade. Thais estranhou que o pai estava demorando um pouco mais do que o habitual, mas como a irmã precisava ir para a escola, Roberta serviu um prato para ela e depois a acompanhou até a saída.

- Tenha uma boa aula, princesa!

- Até mais.

Roberta permaneceu olhando para fora da porta de casa, esperando por seu pai, mas se cansou de aguardar por tantos minutos e voltou para dentro. Entrou em seu quarto e se deitou um pouco na cama. Os pensamentos dela voltaram para aquela noite no bar; ela não conseguia esquecer do rosto daquele homem, tanto o que havia sido agredido quanto o agressor.

- Será que ele foi morto? Eu nunca saberei!

Logo depois, ouviu o movimento do trinco da porta sendo girado.

- Papai?

Assim que saiu do quarto, topou com o pai. A expressão dele parecia assustada.

- Papai, o que o senhor tem?

Ele estava sangrando, mas não permitiu que Roberta cuidasse dele e imediatamente comunicou um endereço para ela.

Roberta e ele entraram no velho carro e passaram na escola para pegar Thais. Ele as levou até Eli, com a intenção de encontrar proteção para todos eles. Thais, ele e Roberta se instalaram em uma casa relativamente protegida.

Roberta estava pensativa; pretendia sair logo em seguida, mas acabou sendo surpreendida pelo traficante Érick, abrindo o portão com a intenção de surpreendê-los.

Roberta pensou que aquele momento demandava que pensasse rápido, ou todos eles estariam em apuros. Será que ela seria suficientemente forte para os tirar desta situação?

Capítulo 2 Capítulo 2

Roberta

Assim que eu vi aquele homem invadir e abrir o portão, tive que pensar rápido e me lembrei de um compartimento secreto que havia naquela casa. Isso certamente salvaria nossas vidas. Meu pai sabia que isso aconteceria cedo ou tarde, tanto que se precaveu nos trazendo para cá. Eu sempre tive que ser muito mais esperta do que as outras meninas devido à vida que ele sempre levou.

O pai de Roberta e Thaís ficou do lado de fora, tentando evitar a entrada de Érick, o líder da poderosa facção conhecida como Pantera escarlate. Todos os integrantes possuíam uma tatuagem para revelar suas identidades criminosas. Ele estava disposto a tudo para ter aquele mapa. Assim que o viu chegar, Daniel sabia que um deles acabaria morto.

- Não estou de brincadeira, Daniel, me entregue este mapa agora mesmo ou eu juro por Deus que cumprirei a minha promessa de entregar sua cabeça hoje mesmo ao cartel!

Daniel olhou para dentro da casa e sentiu que, mesmo que revelasse a ele onde o tesouro estava, certamente ele e as filhas seriam mortos. Esse motivo havia feito a escolha de tornar Roberta a guardiã daquele segredo.

Ele decidiu manter o silêncio para tentar preservar a vida de suas filhas, mesmo sabendo o que aquilo tudo custaria a ele.

Érick e ele trocaram vários socos, mas ao ter uma arma apontada para sua cabeça, Daniel não pôde fazer mais nada e foi agredido violentamente. Teve seu corpo arrastado para fora da casa, mas ele ainda não estava morto e Érick jogou água em seu rosto para acordá-lo.

Com a ajuda de um punhal com emblema da máfia, ele o torturou por horas, exigindo que contasse onde havia escondido aquele mapa e para quem havia sido entregue.

- Diga-me onde está e acabe de uma vez com o seu próprio martírio!

- Eu já disse que não estou com ele, Érick.

- Mentira, desgraçado!

Por mais forte que ele o atingisse, por mais que exigisse aos gritos que lhe dissesse o local exato, ele se negava, tornando sua sentença inevitável. Um pai jamais entregaria suas filhas nas mãos de um monstro como ele e, se encontrassem o paradeiro do tesouro, saberiam como se proteger dos inimigos.

Érick não suportou mais aquela afronta e, então, cortou sua garganta. Em seus últimos segundos, Daniel não pôde deixar de pensar em Roberta e Thais, que agora seriam o mais novo alvo caso descobrissem que ele havia revelado o segredo a sua primogênita.

Depois do que havia feito, Érick retirou um lenço branco de dentro de seu bolso e limpou calmamente o punhal sujo de sangue, guardando-o em seguida. Estava acostumado a tirar vidas, e aquele era apenas mais um que havia atravessado seu caminho tortuoso. Voltou até a casa e vasculhou todo aquele lugar, e ele ainda estava furioso por não conseguir seu objetivo, mesmo depois de ter gasto tanto tempo. Não havia conseguido encontrar sequer uma pista que o levasse a encontrar aquele mapa. Chutou uma cadeira, que caiu próximo de onde as garotas estavam escondidas na parte de baixo, fazendo com que um pouco de poeira as atingisse.

Ele se lembrou que Daniel tinha duas filhas, e a chave para aquele mistério poderia estar com elas. Certamente, ele varreria toda aquela cidade até encontrá-las. Após desistir de buscar naquele local, ele entrou no carro, deu vários socos no volante, telefonou para o seu subordinado e, com uma voz irritada, disse a eles que ainda não havia conseguido arrancar de Daniel o paradeiro do mapa e que acabara de matá-lo, deixando seu corpo para que o encontrassem e temessem o que estava por vir.

- Mande todos os homens atrás daquelas garotas, mesmo que seja no inferno. Eu quero que tragam as duas para mim!

- Roberta

Thaís estava mais apavorada do que eu e chorava o tempo inteiro. Meu pai havia mostrado aquele lugar embaixo daquela casa esquisita, onde poderíamos nos esconder caso alguma situação de perigo acontecesse. Ele já sabia que muito provavelmente isso aconteceria, e o perigo havia nos seguido até aqui.

- Por que estamos escondidas aqui? - perguntou Thais, cochichando.

Tapei a boca dela. Obviamente, não temos contado todos os detalhes sobre a vida dupla do nosso pai. Às vezes, eu sinto que ela sabe de alguma coisa, mas eu jamais admiti nada sobre isso para preservá-la. Não quero que fique com a impressão de que o nosso pai é um ser humano ruim, apesar de estar envolvido com coisas erradas há tantos anos. Fiquei esperando com ela naquele lugar até anoitecer, e já estávamos famintas.

Sei que aquele homem vai voltar, e eu gravei bem a cara dele. O fato é que não podemos mais esperar aqui. Estou apavorada só de pensar no que pode ter acontecido com o nosso pai, caso ele não tenha conseguido fugir daquele homem. Só depois de ficarmos no mais absoluto silêncio, eu forcei aquela tábua solta no piso que usamos para nos esconder. Ofereci minha mão para ajudar Thaís a sair. Caminhamos pela sala e passamos pela cozinha, mas assim que olhei para uma das cadeiras, vi algo que fez meu coração se partir em mil pedaços. Em um reflexo rápido, eu cobri os olhos da minha irmã.

- O que está acontecendo, Roberta?

Thaís se debateu até que eu não pude mais segurá-la e, naquele momento, ela viu o nosso pai morto e todo ensanguentado naquela cadeira... no chão, o desenho de uma aranha feito com o sangue dele.

- Papai, papai! - gritava ela.

Quase perdendo as minhas próprias forças, eu tive que mantê-la de pé e sair puxando-a pela mão, e corremos em meio à escuridão. Vi alguns sinais de lanterna ao longe e tenho certeza de que era aquele assassino procurando por nós duas para terminar o serviço. Eu podia ouvir quando eles engatilhavam suas armas e falavam nossos nomes pelas ruas desertas. Caminhamos pelas avenidas e eu encontrei um bueiro entreaberto e então, nós duas entramos. O mau cheiro era insuportável, mas seria impossível fugir de tantos homens assim vagando juntas.

Caminhando pelo esgoto e entre os ratos que passavam por nossos pés, comecei a ouvir música alta do lado de fora e por outra saída, resolvi subir com minha irmã e estava vendo um grande Festival de música do lado de fora e poderíamos usar todas aquelas pessoas como disfarce. Voltei para nossa antiga casa... mandei que Thaís pegasse o resto das coisas que havíamos deixado lá e, enquanto isso, eu fui para o lado de fora e desenterrei a caixa que meu pai havia pedido para guardar dias atrás.

Dentro havia algo que parecia ser um mapa e nele continha uma carta do meu pai dizendo que aquele tesouro pertencia a Murath, um poderoso traficante que havia deixado uma grande riqueza vários anos atrás. Papai havia me incumbido da missão de proteger aquele mapa de cair nas mãos erradas e, para fazer isso, não poderíamos mais permanecer neste país. Eu sabia que o meu pai só confiaria que pedíssemos ajuda a uma pessoa, Rafael era um amigo de seu passado e ele nos ajudaria naquele momento.

- Já pegou todas as suas coisas, Thaís?

- Sim, o que vamos fazer agora sem o papai? - Ela chorou e eu a consolei.

- Continuar fugindo para bem longe, mas antes disso, precisamos encontrar uma pessoa!

Paguei um Uber para que nos levasse até lá, chegamos batendo na porta já altas horas da madrugada e, felizmente, ele estava lá para nos socorrer. Assim que passamos pela porta, eu pedi desesperadamente para que ele a trancasse e então contei tudo que havia acontecido, e Thaís soube o que o nosso pai fazia, na verdade.

- Garotas, o que fazem aqui? - perguntou ele, surpreso.

- Por favor, sei que é muito estranho que tenhamos vindo aqui a essa hora da noite, mas o senhor entende que estamos em uma situação desesperadora! Falei resumidamente tudo o que tinha acontecido.

- Claro que eu entendo Roberta, mas pretendem fugir para onde?

- Iremos para Porto Rico, e essa será a nossa única chance!

Ele assentiu, foi para dentro de um dos quartos e voltou um tempo depois com dinheiro e o entregou em minhas mãos. Aos prantos, chorei e o abracei. Eu não queria expor o perigo de nos dar abrigo, e sei que se permanecêssemos ali mais alguns minutos, aqueles homens nos encontrariam. Thaís e eu fomos diretamente comprar as passagens.

Infelizmente, conseguimos apenas para uma espera de uma hora, que seria contada por mim a cada minuto. Ficamos abraçadas no saguão do aeroporto, torcendo muito para que nenhum daqueles homens aparecesse. Infelizmente, não conseguimos o voo e fomos forçadas a pegar uma rota clandestina para encontrar alguém chamado Kanne.

[...]

Para a infelicidade de Roberta e Thaís, Rafael telefonou imediatamente para Érick com a intenção de contar o paradeiro delas e para onde pretendiam ir.

- Certo, agradeço pela informação!

Respondeu Érick, sabendo que elas não poderiam se esconder dele por muito tempo.

Capítulo 3 Capítulo 3

Roberta

Não conseguimos entrar em um avião comercial, e sei que isso poderia chamar a atenção daqueles monstros que nos caçam desde o assassinato de dois animais. Então, precisamos buscar outra forma de sair do país, mesmo que seja com a ajuda de destinatários ilegais que transportam pessoas em meio à fronteira. Sei que seria muito arriscado partirmos assim, mas não há outra alternativa no pouco tempo que temos. Antes de entrarmos naquela pick-up para partirmos em direção à nossa rota de fuga, eu ouvi o responsável por nos atravessar falando ao telefone. Eu tinha que manter a vigilância, minha irmã não tem noção do que estamos fugindo, e até acho melhor que ela se mantenha nessa ilusão.

- Não se preocupe, Érick, as duas coelhinhas estão embarcando em breve, e eu as levarei para que, além do pai, você as elimine também e tenha seu precioso mapa.

Meu coração quase saiu pela boca. Aquele homem estava nos caçando, e certamente esse maldito atravessador é um subordinado do assassino do meu pai. Thaís estava sentada à beira da estrada, esperando que nos dessem a ordem para entrar naquele carro, mas eu puxei sua mão e fiz um sinal pedindo para que ela ficasse calada e fugíssemos de lá.

Corremos para um dos lados, mas logo ouvimos um deles dizer:

- Elas estão fugindo, e se isso acontecer e não levarmos o mapa, Érick nos matará!

Thaís já estava ficando cansada de correr, mas eu não podia parar, e de repente tudo o que havia em nossa frente era um enorme precipício. Olhei para trás e eles estavam se aproximando. Meu coração mal cabia dentro do peito, e jamais poderia prever uma situação como essa. Minha irmã me olhou com lágrimas nos olhos, e eu não podia deixar que aqueles homens nos pegassem. Naquele momento, só havia uma alternativa para nós duas: pular no mar!

- Vamos ter que saltar, Thaís!

Ela arregalou os olhos e negou com a cabeça. Ela sempre teve muito medo de nadar e nunca se atreveria a entrar na água, mas não havia tempo para medo.

- Pule agora mesmo, ou nós duas vamos morrer...

Ela hesitou, então eu tive que empurrá-la, e caímos juntas.

[...]

O forte impacto causado por aquela queda de uma altura tão grande fez com que Thaís perdesse a consciência, e Roberta então precisou mergulhar, procurando por ela no fundo do mar. Ficou alguns segundos procurando, até que finalmente a encontrou e emergiu levantando o corpo dela de dentro daquelas águas profundas. Ela imediatamente nadou até a margem e já estava cansada de ter que puxar o corpo da irmã desacordada. Assim que saíram da água, ela começou a fazer respiração boca a boca para fazer com que a irmã voltasse.

Roberta

Eu não posso perdê-la após ter perdido meu pai, e não posso viver com a herança de sangue por toda a minha vida. Fiz mais força na massagem cardíaca e intensifiquei a respiração boca a boca. Cada segundo perdido levava a minha chance de não ficar sozinha nesse mundo. Ela é apenas uma criança e, entre todos nós, é a que menos tem culpa das decisões erradas do meu pai.

[...]

- Por favor, Thaís, não faz isso comigo! - Roberta tentava reanimá-la com muita dificuldade, até que sua irmã mais nova cuspiu a água e voltou a respirar. Roberta a abraçou rapidamente, mas ouviu pessoas correndo em sua direção. Não havia tempo para chorar ou descansar. Roberta a ajudou a se levantar e continuou correndo com a irmã em meio àquele lugar perigoso e deserto. Caminharam por muitas horas, até que a fome as castigou por completo.

- Eu não aguento mais. Roberta, estou faminta!

- Você tem que aguentar firme. Já estamos perto, e não podemos parar.

As pernas de ambas estavam doloridas, em seus pés havia várias bolhas e calos que sangravam. Thaís não aguentava mais e precisou se encostar em uma árvore para descansar suas pernas, ou sentia que seu corpo iria parar a qualquer momento e não voltaria mais a responder aos seus comandos.

Roberta deixou-a descansar por cinco minutos, lembrando-se do que haviam feito ao seu pai e não querendo que isso se repetisse com a irmã.

- Já chega, vamos nos separar para cobrir uma área maior e procurar comida. Se eu demorar para voltar, este é o nosso ponto de encontro, entendeu? - Roberta pediu a ela, e Thaís assentiu. Logo em seguida, ambas procuraram comida, mas nada parecia estar por perto daquele verdadeiro deserto.

Roberta sentiu que não tinha adiantado nada terem se separado; elas tinham que seguir em frente se quisessem encontrar civilização e alimento. Ela voltou ao local onde havia deixado a irmã e marcado seu retorno, mas para sua tristeza, ela não estava lá.

Ela chorou desesperadamente, gritou seu nome, procurou em todos os locais ao redor até não suportar mais tanta dor e espera. Caminhou e logo viu que havia chegado ao seu destino, Porto Rico. Ficou olhando para aquela fronteira, sem saber o que a esperava ao cruzá-la. Olhou para trás e, se quisesse recuperar a irmã, precisava encontrar aquele homem o mais rápido possível.

Ela então continuou sozinha, com a intenção de chegar até onde seu pai havia indicado e conseguir proteção. Aquelas cidades eram enormes, mas ela estava no lugar certo, conforme as anotações dele... Ainda temia o que a esperaria e com quem teria que lidar para obter proteção e ajuda.

A jovem tinha que passar por um escuro beco. Roberta começou a ouvir os gritos de uma mulher e lembrou-se daquela noite em que havia visto um homem em uma situação parecida. Percebeu que um marginal importunava uma mulher; a mesma estava vestida com trajes curtos e parecia ser uma garota de programa.

Roberta

O homem parecia querer agredi-la. Não pensei duas vezes e a ajudei, golpeando-o na cabeça. Nenhuma roupa ou comportamento pode dar aval a um homem para abusar de uma mulher. Quando vejo uma situação como essa, sinto meu corpo estremecer de tanta revolta.

Então, puxei-a pela mão e começamos a correr, até estarmos a uma distância segura. Minha vida desde então tem sido uma eterna fuga pela vida. Só paramos quando já estávamos longe o suficiente para retomar o fôlego!

- Não sei quem você é, mas tenho que reconhecer que é muito corajosa, menina!

- Meu nome é Roberta e estou procurando um endereço, quem sabe você possa me ajudar?

Ela me cumprimentou com um aperto de mão, se apresentando logo em seguida e sorrindo.

- Meu nome é Jéssica!

Aproveitei que ela parecia conhecer bem aquele lugar. Não posso adiar mais, tenho que falar com ele.

- Eu preciso chegar até a rua San Martin, sabe onde posso encontrar Kanne?

Assim que eu disse esse nome, ela pareceu ficar muito assustada e conhecia certamente a pessoa que eu estava procurando. Depois, ela sorriu e me olhou dos pés à cabeça. Talvez ache que eu possa agradá-lo como mulher, mas não estou aqui para negociar com o meu corpo.

- Eu sei quem você quer encontrar, venha comigo!

Caminhamos para um local afastado e escuro. Para que nos deixassem entrar, ela precisou conversar com um homem todo vestido de preto e com jeito de mal-encarado.

Logo depois, Jéssica veio falar comigo e, pela expressão dela, não eram boas notícias. Aqueles últimos dias já estavam terríveis e nada que ela pudesse dizer pioraria ainda mais.

- A pessoa que você procura não está aqui. Vamos para minha casa e amanhã eu te trarei de volta.

Eu assenti e fomos até a casa dela. Era muito humilde e perceptivelmente ela não tinha muito tempo para cuidar da casa, pois estava tudo sujo e revirado. Não posso reclamar de nada. Pelo menos tenho uma cama e um teto, mas a dor de ter perdido meu pai e agora estar separada da minha irmã castiga o meu coração a cada vez que eu respiro e não os vejo ao meu lado.

Tenho que achar este homem e forçá-lo a me ajudar a encontrar Thais.

Jéssica me serviu um pouco de comida, não estava nada bom, mas eu estava esfomeada e agradecida por sua ajuda.

- Você trabalha há muito tempo nas ruas? - perguntei sem a intenção de causar desconforto, apenas queria conhecê-la melhor e quem sabe sermos amigas. Ela se levantou irritada e me olhou.

- Se não quer que eu te coloque para fora, então nada de perguntas!

Eu não disse mais nada, apenas comi e tentei deitar naquela cama, sabendo que não dormiria nada, pensando no que Thaís poderia estar passando. Fiquei me virando de um lado para o outro até amanhecer. Sinto que vou morrer de tanta dor, não entendo por que o meu pai me achava forte o bastante para carregar esse fardo.

No dia seguinte, Jéssica cumpriu a promessa que havia feito e me levou de volta até aquele lugar, e algum dia eu teria que encontrar aquele homem. Ficamos esperando por ele por um bom tempo, até que finalmente apareceu. Era forte e tinha uma expressão muito séria.

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