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PARA SEMPRE VOCÊ

PARA SEMPRE VOCÊ

Autor:: RENATA PANTOZO
Gênero: Romance
SEGUNDA TEMPORADA DE EU PRECISO DE VOCÊ Patrícia e Ricardo estão na fase final da gestação de Felipe, prazo imposto por Tereza na trégua em deixar a família em paz. Como será após o nascimento do pequeno Felipe? Que fim levará o casal e sua maior inimiga? Um grande amor é capaz de superar tudo, até a morte?

Capítulo 1 -1

Bônus do passado do Jaques (Parte I)

NARRAÇÃO JAQUES

Desço do avião após dois anos recluso no exército, não mantive contato com ninguém da minha família durante esse tempo. Família? É engraçado falar assim, sempre soube que era adotado, que meus pais me acolheram ainda bebê, mas ainda assim não me sinto em uma família. Observo o dia maravilhoso em São Paulo e tento entender esse vazio, como se algo lá fora fosse meu e ainda não encontrei. Respiro fundo, foco em seguir para o meu apartamento, melhor não avisar do meu retorno até eu pensar no que fazer da minha vida nesse período em que estiver longe do exército.

*********

Chego em frente ao prédio e assim que passo na portaria o porteiro me avisa que um senhor me procurou e deixou o telefone para contato. Pego o recado em sua mão, tem um telefone anotado. Subo, entro no apartamento olhando o papel decidindo se ligo ou não. Melhor ligar e ver o que esse homem quer!

- Alô!

- Olá! Meu nome é Lucas e o senhor deixou com o porteiro do meu prédio seu telefone. Ele disse que me procurou.

Escuto-o suspirar e fungar.

- Olá Lucas, preciso falar urgente com você!

- Sobre o que seria?

- Sobre seus verdadeiros pais.

Paro por um momento tentando assimilar suas palavras.

- Lucas, está ai?

- Sim! Quem é você? O que sabe sobre mim e meus pais?

- Posso passar em sua casa em uma hora para conversarmos?

- Eu não sei se quero saber dos meus pais biológicos.

- Por favor, você precisa saber!

- Certo! Até daqui uma hora.

Ando de um lado ao outro no apartamento e os minutos são lentos para passar. Meu interfone toca e corro pra atender.

- Sr. Mancini está aqui.

- Deixa subir.

Paro em frente a porta e espero a campainha tocar. Assim que ela toca respiro fundo e abro. Um senhor bem vestido com a minha altura me olha com um sorriso de felicidade. Seus olhos são azuis como os meus.

- Olá, Lucas!

Diz com sua voz grossa, apenas observo o homem a minha frente.

- Posso entrar?

- Claro!

Digo dando espaço para ele entrar.

- Quer algo para beber?

- Água, por favor.

Vou na cozinha, pego dois copos e uma garrafa com água gelada. Ele senta no sofá e sento em uma poltrona a sua frente. Serve-se da água e após tomar um gole, respira fundo.

- O que tem a dizer sobre meus pais?

- Bom, é uma história longa e complicada.

- Comece, tenho tempo.

- Seus pais eram casados, o casamento era feliz no começo, mas seu pai se apaixonou perdidamente por uma jovem mulher. Ele teve um envolvimento louco com ela, que engravidou. Seu pai não tinha filhos no casamento, era seu sonho ter filhos.

Dá uma pausa e bebe mais um pouco da água.

- Ele nem pensou duas vezes ao largar o casamento para viver com a mulher e seu filho, mas o destino prega peças e ele havia abandonado sua ex-mulher grávida. A ex-mulher não pediu para voltar, apenas comunicou a gravidez e o pediu para ser presente na vida da criança. A atual mulher foi quem surtou, ameaçou sumir com a criança que carregava em seu ventre, caso ele não ficasse com ela. Mandou se afastar desse passado, lógico que ele não se afastou. Acompanhou a gestação sem que a atual soubesse.

Ele suspira forte e vejo uma lágrima escorrer de seus olhos.

- No dia 10 de setembro de 1986 as duas mulheres entraram em trabalho de parto, ele teve que escolher qual iria acompanhar. Seu coração optou pelo amor da vida dele, a atual mulher. Nesse dia ele viu vir ao mundo sua filha Patrícia, mas perdeu o nascimento do seu filho Lucas.

Sou o rejeitado! Sou o filho da mulher abandonada. Levanto e começo a andar buscando forças para continuar ouvindo.

- Assim que a mulher e a menina estavam bem, ele correu para ver a ex-mulher e o seu garotão. Ao chegar seu mundo desmoronou, ela havia falecido durante o parto, teve uma hemorragia grave e não aguentou. Ele se sentiu culpado por anos por não estar lá ao lado dela nesse momento, mas precisava cuidar de seu filho. A atual mulher não aceitou a criança e as ameaças voltaram, dessa vez bem piores. Ameaçou matar a menina se ele ficasse com o bebê.

Me olha fundo nos olhos e vejo dor nele.

- Me desculpe, precisava salvar vocês dois. Não tive escolha e te deixei em um abrigo. Mantive você até a adoção e acompanhei sua vida até entrar para o exército. Me perdoe, por favor, fui um fraco.

Meu pai! Esse homem na minha frente, meu pai! Começo a sentir uma raiva enorme invadir meu corpo.

- Não acredito que teve coragem de abandonar um filho. Como você pode?

Digo gritando e sentindo a raiva me dominar.

- Estava apaixonado e tive medo de perder a sua irmã. Tente se colocar no meu lugar.

Não quero ouvir mais nada, meu estômago dói, meu peito.

- Sai da minha casa.

- Filho!!!

- Eu não sou seu filho!!!!

Falo praticamente cuspindo as palavras. Ele suspira, se levanta, segue até a porta e antes de sair sussurra.

- Sempre te amei meu filho! Me perdoe!

Abre a porta e vai embora sem olhar para trás. Começo a jogar tudo que vejo pela frente contra a parede. Preciso soltar essa raiva toda. Eu tenho um pai! Um pai de verdade e não um que me achou em um abrigo. A história contada remói em minha mente. Eu tenho uma irmã! Por culpa dela eu não tenho uma família. Vou para o quarto e tento dormir com essa merda toda em minha mente.

*********************

Faz um mês Marcos que vem me visitar quase todos os dias buscando se aproximar de mim, estamos começando a nos entender. Temos muitas coisas em comum, ele tenta me convencer a conhecer Patrícia, mas nunca quis, não consigo. Me contou sobre a falência da empresa, dívidas, que Tereza o abandonou por esse motivo. Hoje estamos jogados no sofá assistindo futebol americano.

- O que houve? Você não está bem hoje.

- Tive uma reunião com uma pessoa para tentar tirar minha empresa da falência.

- E como foi?

- Ele não me quer como presidente ou dono, me quer como parte de um conselho.

- Isso é bom não é?

- Não se eu quero Tereza de volta, ela não vai voltar para um simples conselheiro.

- Tudo vai ficar bem.

Digo dando um sorriso que ele retribui, acredito realmente que é um recomeço para nós dois, que encontrei o que venho buscando há muito tempo nesse mundo.

************

Comecei a ficar preocupado, faz uma semana que não vejo Marcos, simplesmente sumiu e nem o telefone atende. Estou indo deitar e escuto uma batida na porta. Assim que abro me assusto com a visão que tenho, ele está barbudo e com os olhos fundos. Vejo seus pulsos com curativo e isso me assusta.

- O que houve?

Digo o puxando pra dentro.

- Ricardo Moretti comprou a minha empresa, agora nunca mais ela volta pra mim.

Fala arrastado por causa do efeito da bebida.

- Você está bêbado.

- Um pouco, mas vai me ajudar a esquecer essa dor. Se eu ainda tivesse a empresa poderia tirá-la da falência e Tereza voltaria pra mim, mas agora o dono do mundo Ricardo Moretti tem nas mãos a chave da minha felicidade.

Ele se joga no sofá e murmura algumas coisas.

- Você pode começar de novo, podemos montar alguma coisa nossa.

Digo sentando ao seu lado e ganho um pequeno sorriso.

- Tereza não vai esperar eu montar um império para voltar pra mim.

Suspira e vejo sentimentos estranhos em seus olhos.

- Amo aquela mulher como nunca amei nada nesse mundo, ela simplesmente me despreza. Vou procurar aquele idiota mauricinho e vou pegar minha empresa de volta.

Se levanta cambaleando e segue pra porta. Vou em volta amparando o corpo dele que se vira e me abraça. É nosso primeiro abraço, me sinto bem em seu abraço, me sinto feliz com esse abraço de pai e filho.

- Eu amo você!

Sussurra, beija meu rosto e sai.

***************

"Eu amo você!"

Essas foram às últimas palavras que ouvi do meu pai, alguns dias depois li no jornal que ele se matou enforcado. Agora estou aqui observando seu corpo ser enterrado, sem ele nunca ter ouvido da minha boca que eu também o amava. Que o perdoava por tudo que aconteceu e que tinha orgulho de ser seu filho. Olho o jornal em minha mão e o anúncio.

"Ricardo Moretti abre vagas para segurança particular, interessados entrar em contato."

Junto dele há um bilhete da tal Tereza.

"Quer se vingar, assim como eu de Ricardo Moretti? Me ligue.

(**) ********* . Tereza".

Capítulo 2 -2

Bônus Jaques (Parte II)

NARRAÇÃO JAQUES

Observo o jornal e o bilhete pela milésima vez, faz uma semana que meu pai faleceu e não sei que rumo tomar na minha vida. Observo o número do telefone da Tereza e pego o celular.

- Alô!

- Gostaria de falar com a Sra. Tereza.

- Quem é?

- Lucas... Lucas Jaques!

- Sabia que ligaria.

A mulher diz com uma voz irritantemente sarcástica.

- Quero saber o que significa o jornal e o bilhete.

- Não quero falar por telefone, me encontre hoje às 20hs no restaurante italiano Madonna. Conhece?

- Sim!

Ela desliga o telefone e já estou irritado só em ouvir a voz dela.

***********

Entro no restaurante e observo o ambiente.

- Pois não!

Diz a atendente em seu pequeno balcão.

- Estou esperando uma pessoa.

- Seu nome?

- Lucas Jaques.

- Por aqui senhor, a Sra. Tereza já o espera na sala privativa.

Acompanho a atendente até uma porta, ela abre e entro vendo Tereza sentada bebendo um vinho, sorri ao me ver.

- Você se parece muito com o Marcos.

- O que você quer?

Solto irritado me controlando muito.

- Me vingar do Ricardo Moretti.

- E o que eu tenho com isso?

- Preciso de alguém ao lado dele me passando todos os seus passos, para eu poder me vingar na hora certa.

- Onde entro nisso?

- Seu pai me disse que veio do exército, acho que tem tudo para entrar como segurança do Sr, Moretti, como viu no jornal ele está procurando um.

Sento na cadeira ao seu lado.

- Quem disse que eu ajudaria a mulher que fez meu pai se livrar de mim por ciúmes?

Ela sorri maliciosamente e minhas mãos se fecham.

- Ele sempre quis um filho homem, tive que gerar a merda de uma menina. Não podia engolir o fato de sua mãe ter dado o tão sonhado filho homem, não poderia olhar para você todos os dias e te garanto que seu lar adotivo foi bem melhor que morar comigo. Pergunte a minha filha depois, não sou uma boa mãe.

Observo o ser nojento a minha frente.

- Por que quer se vingar dele?

- Você ainda pergunta? Ele roubou a empresa do seu pai em primeiro lugar, depois levou o seu pai ao suicídio.

- Você também colaborou para o suicídio, meu pai me contou que o abandonou. Está na cara que só pensa em dinheiro.

Se levanta rindo e minha paciência esta no limite.

- Toda mulher é movida a dinheiro, mas amei Marcos, é por isso que quero vingança.

- Não vou matar e nem torturar ninguém para você, mas o quero na merda assim como quero você nela também.

Aviso e a infeliz ainda está sorrindo.

- Vamos fazer um trato. Você entra na equipe de segurança e me passa tudo sobre o Ricardo, onde vai, sua rotina e seus compromissos, o resto eu faço.

Ela me olha de um jeito frio.

- Depois que nos vingarmos dele, você pode se vingar de mim.

Essa mulher é louca? Não acredito no que estou ouvindo.

- Depois resolvemos o meu castigo, mas preciso da sua ajuda com o Ricardo Moretti.

Meu ódio por esses dois me obriga a me aliar a ela para conseguir derrubá-los.

- Combinado!

Digo levantando e indo para a porta.

- Vou mandar nesse número que tenho tudo que tiver dele, mas não quero saber o que vai fazer com isso.

Aviso e me retiro sem olhar mais para aquele rosto nojento.

************

Faz quase um ano que estou na equipe de segurança, cada dia que passa odeio mais o Ricardo Moretti. Ele é grosso, prepotente e tenho quase certeza que não tem coração. Consegue acumular inimigos com facilidade, recebe várias ameaças dos empresários que ele toma empresa. Não tem dó nas aquisições que faz, me fazendo ter a certeza que não teve dó do meu pai. Recebo uma mensagem daquela mulher.

De: T

Ele sairá no mesmo horário?

Para: T

Sim, mesmo horário de sempre e com o mesmo destino.

De: T

Hoje eu ataco.

Olho Talles saindo com o Ricardo e informo que não vou poder acompanhar, pedindo permissão para sair. Eles entram no carro e sigo com um táxi logo atrás. De repente em um cruzamento vejo o carro ser acertado e capotar três vezes. Mando o taxi parar e desço para observar. Vejo uma mulher e um homem correndo e socorrendo Talles e o Ricardo. A mulher luta contra o tempo para salvar a vida do infeliz, me aproximo para ver tudo de perto. As pessoas vão se aglomerando e ela não para um minuto no atendimento. Vejo montar o Ricardo e iniciar a massagem cardíaca. Ele volta à vida e a ambulância aparece. Os dois são levados na ambulância e a mulher conversa com o homem que socorreu Talles. Os olhos dela me parecem familiar. Meu celular vibra.

De: T

Ele morreu?

Para: T

Não, uma pessoa conseguiu fazer o atendimento e salvá-lo.

De: T

Tire uma foto e me mande para saber quem foi.

Tiro uma foto de longe das duas pessoas que prestaram o atendimento e envio.

De: T

O que Patrícia estava fazendo ai?

Patrícia? A filha do meu pai? Não acredito que ela salvou esse idiota.

De: T

Continue me passando as informações.

Paro de respirar alguns segundos. Filha!? Então ela é a minha irmã! Aqueles olhos, não posso acreditar, deve ser médica. Tento fugir dessa novidade, não quero saber dessa parte, dessa pessoa, não quero chegar perto.

**************

Mantenho com Talles a missão de guardar a vida de Ricardo, depois do atentado ele está mais atento. Vejo que os dois rodam pra cima e pra baixo enquanto fico com a vigia da casa. Noto que está diferente e parece correr sempre atrás de alguém, mas nada é falado. Estou de ronda no apartamento quando as portas do elevador se abrem. Observo ela sair de dentro dele com Ricardo, minha irmã! Ela é linda, parece feliz, diria muito feliz. Acho que alguma coisa aconteceu no apartamento dela e vai ficar aqui hoje.

*************

Tudo parece calmo, uma madrugada silenciosa e como sempre vazia. Noto pelos monitores de segurança que Patrícia esta saindo de madrugada chorando, acompanhada pelo Talles. Sabia que aquele idiota a machucaria, ela não deveria ficar próxima dele, ainda mais depois do que fez ao nosso pai.

************

Ricardo sofre com a ausência da Patrícia, que sumiu e ninguém sabe onde ela está, estão como loucos procurando-a. Recebo uma mensagem e sei muito bem de quem é.

De: T

Novidades?

Olho Talles entrando na sala falando para o Ricardo que ela está em Campos do Jordão, as ordens são de seguirem para lá.

De: J

Estão indo para Campos do Jordão atrás da sua filha.

Não tenho resposta alguma. eles saem do apartamento indo para Campos do Jordão e provavelmente Tereza tentará algo.

**************

Estou em meu quarto descansando um pouco, Talles entra correndo.

- Precisamos correr para Campos do Jordão, Patrícia foi atingida por um tiro.

- Como isso aconteceu?

- Ela se colocou na frente de Ricardo quando o atirador mirou nele.

Não acredito que Tereza atirou na própria filha!!!!! Tem um sentimento estranho me consumindo agora e não consigo decifrá-lo.

- Como ela está?

- Nada bem, Ricardo está muito abalado.

Sigo com ele rumo ao hospital onde Patrícia está e o sentimento ainda me consome.

***************

Ficamos no hospital quase uma semana e me sinto aliviado em saber que minha irmã está bem. Quando Talles me direcionou o serviço de cuidar da minha irmã e foi assim que comecei a me apaixonar pela pequena grande mulher que ela é. A força que tem, a garra e a vontade de cuidar do mundo me encanta. Superou tudo que foi colocado a sua frente para viver com esse idiota. Ela o ama muito, a ponto de arriscar a própria vida por ele. Quando soube que estava grávida, queria muito abraçá-la e dizer que estava feliz por ela, mesmo que o filho fosse do Ricardo Moretti.

Esses meses passamos por grandes apuros com Leandro e Tereza, ás vezes me pergunto se ainda devo ajudá-la nesse plano louco. A bomba no carro em Marrocos quase matou o Talles, a queda do helicóptero fez Patrícia arriscar a própria vida e do meu sobrinho. Patrícia parece extremamente feliz com esse homem e não quero estragar essa felicidade. Ricardo mudou bastante desde que ela entrou na vida dele, a ama de verdade. Pedi a Tereza uma trégua até meu sobrinho nascer, Patrícia precisa cuidar dessa gravidez, parece que meu pedido foi atendido, estamos sem aquela mulher por perto. Será bom esse tempo para pensar se devo continuar nessa merda de plano de vingança. Nesse momento estamos indo para a empresa verificar uma invasão no computador de Ricardo.

- Cuide do meu marido, Jaques!

Patrícia pede com um doce sorriso e tento não sorrir de volta.

**************

Estamos na empresa e Ricardo está trancado na sala dele com os técnicos de informática. Estou parado na recepção aguardando, quando as portas do elevador se abrem. Patrícia me olha chorando e leva as mãos à boca, isso significa que Tereza contou minha história e ela decifrou tudo. Vem se aproximando e seus olhos me transmitem tanto amor.

- Você descobriu não foi?

Pergunto sorrindo, Patrícia apenas confirma com a cabeça.

- Você não sabe como foi difícil ficar ao seu lado todos esses dias sem poder te abraçar e dizer que sou seu irmão. Me desculpe por tudo, por te fazer sofrer.

Digo me controlando para não correr e abraçá-la, não sei o que está sentindo agora. Então corre em minha direção, pula em meus braços me abraçando apertado.

- Meu irmão, não acredito!

Diz agarrada em meu pescoço e sinto minhas lágrimas correr pelo rosto, sonhei tanto com esse abraço por dias.

Capítulo 3 -3

Ciúmes

NARRAÇÃO PATRÍCIA

Me solto do colo de Jaques, limpo meus olhos e observo que ele também chora. Levanto minhas mãos para limpar as lágrimas dele, que fecha os olhos e abaixa a cabeça.

- Sou uma bosta de irmão!

- Realmente vai ter que aprender muito em como cuidar melhor de uma irmã.

Falo sorrindo e o puxo para uma sala.

- Jaques, nós temos tantas coisas para esclarecer.

- Por favor, não! Não começa a defender aquele homem.

Me afasto e observo o ódio que ele tem pelo Ricardo.

- Não vou defender ninguém, disse que quero esclarecer.

Ele me olha lutando contra suas emoções e suspira.

- Quero te falar do nosso pai.

Vejo um sorriso sincero, um assunto que o agrada.

- Quero que saiba mais sobre mim e quero saber mais de você.

Me aproximo e passo a mão em seu rosto.

- Se ainda assim você continuar com esse plano louco, se ainda assim quiser acabar com a minha vida tirando o homem que eu amo de mim, vamos ter que esquecer que somos irmãos.

- Posso passar a mão na sua barriga?

Pergunta com os olhos focados em minha barriga.

- Pode! Pode conversar com seu sobrinho também.

Ajoelha, fica de frente pra minha barriga e a toca.

- E aí Felipe, aqui é o seu tio Lucas! Carinha, estive com o Rufos essa manhã toda e acho que você vai pirar com ele.

Sinto um chute do Felipe e vejo o sorriso do meu irmão ao sentir.

- Ele vai ter um chute forte.

Comenta rindo, percebe que lembra meu pai quando ele era feliz.

- Nem me fale, já estou naquela fase de sentir os pezinhos brincarem ai dentro.

Ele se levanta e toca meu rosto carinhosamente.

*****************

NARRAÇÃO RICARDO

- Eu te amo!

Escuto Jaques dizer a Patrícia assim que entro na sala de reuniões em busca da minha mulher. Ele está próximo demais dela tocando seu rosto, a raiva me domina e o ciúme me deixa cego.

- Tira a porra da sua mão da minha mulher.

Digo já me conduzindo aos dois em uma velocidade absurda. Patrícia vira e me olha assustada, mas nesse momento estou me lixando para o medo dela, quero socar a cara desse filho da puta.

- Ricardo... ele...

- Sai de perto dele agora, Patrícia!

Digo sem deixá-la terminar e dou um soco na cara de Jaques que cai no chão com a boca cortada. Ele coloca a mão na boca e me olha com ódio.

- Ricardo o que você fez? Você enlouqueceu?

- Ouvi ele dizendo que te amava, como pode tentar te tirar de mim assim? Esse tempo todo ele te quis e eu te deixando aos cuidados desse merda.

Digo indo pra cima dele mais uma vez, sinto as mãos da minha mulher no meu peito impedindo de me aproximar dele.

- Sai daqui agora!

Ela pede com raiva, me deixando perplexo.

- Não vou sair daqui e te deixar com ele.

- Sai daqui agora Ricardo!

Grita comigo e vai ajudar Jaques a se levantar. Não acredito no que estou vendo. Ela esta defendendo ele?

- Patrícia... você...

Nem consigo terminar a frase, ela fecha os olhos e sussurra.

- Por favor, sai daqui!

Passo as mãos em meu cabelo e chuto uma cadeira próxima de mim, saindo puto da vida com essa merda toda. Vou para o meu escritório e jogo um vaso na parede. Merda! Me jogo na cadeira e tento entender o que acabou de acontecer.

*******************

NARRAÇÃO PATRÍCIA

- Me desculpe, ele às vezes é ciumento.

Digo limpando a boca do Jaques com um lenço que ele tinha no bolso.

- Ciumento, prepotente, arrogante, irritante, quer a lista toda?

Suspiro diante da visão horrível que ele tem de Ricardo.

- Você o conhecia antes desse ódio todo pela morte do papai?

- Não!

Responde me olhando sério, fico feliz que tenho sua atenção.

- Então vou deduzir que todos esses elogios são de um homem que escolheu olhar os defeitos para julgar uma pessoa ao invés das qualidades.

Entrego a ele o lenço para que termine de limpar seu sangue.

- Vou ver como meu marido, pai do seu sobrinho, o homem que amo está.

Dou um beijo na testa dele e saio da sala.

- Aline, sabe me dizer onde está o Ricardo?

- A última vez que o vi estava indo muito furioso para a sala dele.

Suspiro e agradeço seguindo para a sala do meu raivoso marido. Abro a porta com calma e encontro no chão pedaços de vidro, parece que era um vaso. Entro, fecho a porta, ele está sentado observando São Paulo de sua enorme cadeira. Estamos no escuro, ele está iluminado apenas pelas luzes da cidade. Sigo me aproximando com calma, paro ao lado dele e toco seu ombro.

- Ricardo, sou só sua e de mais ninguém.

Parece que essas palavras são o suficiente para a explosão de ciúmes dele. Se levanta e toma o meu rosto em suas mãos de forma possessiva, invadindo minha boca com vontade e me beijando de forma dura. Isso é selvagem e sexy! Me sinto mais que desejada agora. Morde e chupa meus lábios com força me fazendo gemer em sua boca.

- VOCÊ É MINHA!

Fala com rispidez e sinto meu corpo aquecer. Suas mãos descem e seguem para as minhas pernas levantando o vestido. Passa as mãos na minha bunda, em um puxão me ergue em seu colo. Enlaço minhas pernas nele e meus braços o puxam pela cabeça para continuar me beijando com força. Joga as coisas da mesa no chão e me coloca sobre ela. Desce as alças do vestido e vai da minha boca até o meu seio deixando um rastro de chupões. Tenho certeza que ficarei marcada e sei que essa é a intenção dele. Ele chupa e morde meus seios com força e sinto tremores em minhas pernas.

- Ricardo!

Não me deixa falar e toma a minha boca novamente com força. Suas mãos vão para o cinto dele o soltando, abre o zíper e o botão da calça em uma velocidade absurda. Puxa a calça e a cueca boxer de uma vez sem se quer parar o beijo que me dá. Sinto seus dedos tocarem meu sexo por cima do tecido fino da calcinha, estou molhada por causa do homem deliciosamente violento a minha frente. Separa nossos lábios e me olha com desejo. Vejo-o acariciar seu membro com uma mão enquanto a outra puxa a minha calcinha para o lado. Coloca a cabeça de seu membro na minha entrada, agarra a minha bunda com as duas mãos, nos olhamos esperando o momento e vejo sua respiração pesada.

Sem dizer nada ele puxa a minha bunda com força e sinto me invadir. O abraço sentindo essa sensação maravilhosa dele dentro de mim. Ricardo começa a se movimentar forte e duro, aperta a minha bunda com força e introduz em mim como um animal. Envolvo seu rosto em minhas mãos e o beijo com vontade de mostrar que também o quero como uma louca. Sinto o orgasmo se aproximar e solto a boca dele me agarrando ao seu corpo deixando os tremores me dominar gemendo muito. Geme e grita assim que atinge o seu orgasmo.

- MINHA!

Sussurra empurrando seu membro uma última vez em mim.

**************

Estamos os dois ofegantes, ainda abraçados e Ricardo me aperta ainda mais em seus braços.

- Sempre sua!

Digo beijando o pescoço dele.

- Jaques é meu irmão!

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