Carter
Um jovem empresário muito respeitado e dono de uma grande fortuna, mas, que esconde um passado obscuro. Cresceu nas ruas e para se livrar da pobreza, entrou para o tráfico.
Dono de uma reputação incomparável, porém o que ninguém imagina, é que ele possui um coração frio e amargurado pelo abandono. O ódio consome sua vida e a busca por vingança o motiva a seguir em frente, pois, não é capaz de perdoar quem lhe feriu no passado.
Seu objetivo é tornar-se cada vez mais rico e não se importa de usar quem quer que seja para conseguir seus objetivos. Para ele as pessoas são para serem usadas ao seu bel prazer ou para humilhar.
"Eu ainda vou achá-la e se não estiver morta, eu mesmo irei matá-la."
Camilly
Não foi fácil crescer em uma casa sem amor, onde o único carinho recebido era de sua babá, Nina, que a criou como uma filha. Seus pais nunca se importaram com ela e a convivência familiar sempre foi escassa.
Porém, por mais difícil que fosse, ela jamais imaginou que eles fossem capaz de vendê-la apenas para manter suas vidas de luxo. E ela jamais esqueceria o que seu pai me disse no dia que a entregou a um estranho:
"Prefiro sacrificar um, a vários, não pretendo viver na pobreza, não nasci para isso."
Se Camilly achava que sua vida era miserável com seus pais, ela descobriria que o verdadeiro inferno era ao lado dele.
ATENÇÃO
Este livro contém cenas de sexo explícito, violência física e verbal, tortura e assassinatos que podem deixar alguns leitores desconfortáveis. Se este for o seu caso: Não leia!
Esta é uma história de ficção, a autora não concorda com os abusos relatados aqui. Se mesmo após os avisos, optar por ler, tenha a mente aberta.
Não recomendado para menores de 18 anos.
Copyright © Rosa Negra, 2021
Revisão: Rosana Bezerra (Vivart - Criação e Design)
Diagramação: Rosana Bezerra (Vivart - Criação e Design)
Capa: T.v. Designer
Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência.
PERTENÇO A ELE
ROSA NEGRA
1ª Edição – 2021
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A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei nº. 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal 2018.
Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Todos os direitos reservados.
Dedicado ao meu pai e a minha filha, dois grandes amores que foram e que são, a minha força, para continuar a viver e nunca desistir.
Meu pai, esteja onde estiver, saiba que sempre vou te amar.
Minha filha, o ser mais iluminado que Deus poderia colocar em minha vida, são 22 anos do mais puro amor e felicidade.
Camilly
Eu nunca entendi o porquê dos meus pais me odiarem tanto, desde pequena, nunca tive nada deles, nem amor, atenção ou algo parecido, tudo que eu recebi de afeto foi da minha babá, que se parecia mais com uma mãe. Hoje estou completando quinze anos, e para variar, os meus pais nem se lembraram. Minha mãe mal fica em casa, vive em salões de beleza ou em clínicas de estéticas, quando não é isso, sempre está em festas. Meu pai vive para o trabalho e para bancar os gastos que tem com a minha mãe.
Eu nunca pude sair sozinha ou mesmo ir a qualquer festa porque nunca deixaram e com eles não tinha conversa, se eu fizesse qualquer coisa errada, era surra na certa. Minha mãe não tinha dó, eu guardava em meu corpo as marcas, o meu pai nunca ligou, ele sempre fingia que não via, era omisso. Sempre me perguntei por que eles me odiavam tanto.
Se eles não queriam ter tido um filho, por que me colocaram no mundo?
Levanto-me, vou fazer a minha higiene, tomo meu banho, escovo o meu cabelo, coloco o uniforme do colégio, pego a minha mochila e saio do quarto, mas quando chego à sala para tomar o meu café, lá está ela toda arrumada, nem mesmo consegue me olhar nos olhos, antes de se levantar apenas fala:
- Quantas vezes eu tenho que falar para levantar-se mais cedo, depois se atrasa e o motorista tem que sair correndo para levá-la até o colégio.
- Como se a senhora se importasse se algo me acontecesse.
- Não me importo, mas, o motorista tem família, quem vai sustentá-los se ele morrer num acidente por sua causa?
- Não estou atrasada e nunca foi preciso que ele saísse correndo.
- Sente-se e tome seu café e não demore - fala encerrando o assunto.
- Sim senhora.
Ela se levanta da mesa e sai, respiro fundo, não vou chorar, passo por isso desde pequena, já devia estar acostumada, porém, estou cansada dessa vida.
- Bom dia, Camilly!
- Bom dia, Nina!
- Tenho uma surpresa para você, espere que eu vá pegar.
- Não precisa, eu só queria que eles pelo menos uma vez na vida, se lembrassem, mas sei que estou pedindo muito.
- Sabe o que eu penso filha? Que um dia seus pais irão se arrepender por tratá-la dessa maneira, só espero que quando isso acontecer, você ainda sinta amor por eles e que seja capaz de perdoá-los, mas vamos deixar isso para lá, olha, eu comprei um presente, sabe que não tenho muito, mas fiz questão de não deixar essa data passar em branco e as outras funcionárias fizeram um bolo.
- Como a vida é injusta, queria muito que fosse você minha mãe, não preciso de presente, só de amor e carinho.
- Não diga isso, se a Dona Paola, a ouvir, me manda embora.
- Um dia eu vou embora dessa casa e a levarei comigo.
- Eu só quero que você seja feliz, não quero nada, além disso, tenho você como uma filha e a sua felicidade é a minha, tome, abra seu presente, espero que goste.
Peguei a pequena caixa de suas mãos, quando abri tinha um colar com coração pequeno e dentro havia uma foto minha e dela quando eu ainda era um bebê, levantei os meus olhos que agora estão marejados, porque ela sempre lembrava e sempre que podia me dava um presente.
- Obrigada Nina, vou usar e nunca vou tirar.
- Eu gostei tanto dessa foto que mandei colocar nesse colar para que se lembre de que é amada, mesmo que eles a desprezem, eu a amo como minha filha.
Eu a abracei, ficamos por alguns minutos assim, enxugamos as nossas lágrimas, peguei a minha mochila e segui para a porta, o motorista já estava me esperando, e assim que o cumprimentei, entrei no carro e seguimos para o colégio.
Minha vida continuava a mesma. E assim, passaram-se três anos, terminei meus estudos e consegui passar nos exames para a faculdade. Em casa, nada nunca mudava, eu continuava sendo ninguém para os meus pais, que sempre estavam ausentes, de companhia, tinha os empregados quando estava em casa ou no colégio, onde eu só tinha um amigo, as meninas não gostavam de mim, mas eu não ligava.
Não teve a última aula hoje, por isso cheguei mais cedo, e quando estava subindo as escadas, escutei gritos vindos do escritório do meu pai, minha mãe está histérica, falando e chorando, eu voltei e fui até a porta para poder ouvir o que eles falavam.
- O que vamos fazer agora Carlos, vamos perder tudo, não quero ficar pobre, não aceito isso.
- Você sempre pensou só em você, e quanto a mim, que sempre trabalhei para que saísse por aí gastando tudo, eu quis aumentar o nosso capital, fiz o que muitos empresários fazem, investi, mas infelizmente a bolsa despencou, agora tenho que fechar a empresa e mandar todos os funcionários embora e ainda tenho que arrumar dinheiro para pagar todos eles.
- Tem que haver um jeito de sairmos dessa, fale com seus amigos, peça ajuda, diga que quando estiver bem novamente você paga.
- Você acha que é assim tão fácil! Quem em sã consciência seria louco o bastante para me dar dinheiro? Em que mundo você vive? Muitos deles também perderam o mesmo que eu ou até mais, e quem tem dinheiro não vai querer comprar uma empresa cujo dono colocou tudo a perder.
- Então venda essa empresa e com o dinheiro pague os funcionários, mas não pague tudo, e vamos sumir desse lugar.
- Você ficou maluca! Eu não vou para a cadeia por sua causa, não posso fazer isso com as pessoas que trabalharam por anos na empresa, não posso virar as costas para eles desse jeito.
- Então vamos ficar pobres por causa deles? É isso mesmo que você está me dizendo?
- Venda as suas joias, pare de ficar gastando dinheiro com clínicas e com suas idas em festas e as compras de vestidos que só usa uma única vez.
- Não vou vender nada!
- Então ficará sem nada.
Saí de trás da porta sem fazer barulho algum, subi as escadas e me tranquei no quarto, e agora o que eles irão fazer?
Ainda bem que consegui passar na faculdade Federal, como eu já estava planejando ir embora assim que fizesse os meus 18 anos, agora nada vai me impedir, como eles estão sem dinheiro, com certeza vão me tirar do colégio, só vou sentir falta do meu amigo. Sou tirada dos meus pensamentos quando a porta do meu quarto é aberta por Nina.
- Chegou cedo hoje?
- Sim não tive a última aula e estava ansiosa para chegar, queria te mostrar isso.
- O que é?
- Eu consegui passar na faculdade Federal, vou poder estudar medicina como sempre quis e sumir dessa casa.
- Camilly! Como estou feliz por você, menina, agora quem sabe as coisas mudem não é mesmo, vai contar para os seus pais?
- Não! Daqui a um mês é meu aniversário de 18 anos, atingirei a maior idade e poderei sair dessa casa para nunca mais voltar, eles nem sentirão a minha falta, e mais, agora que estão pobres, não vão se importar comigo, já que nunca se importaram antes, acho até que darão graças a Deus por eu estar indo embora.
- Como assim, pobres?
- Eu os escutei conversado, o meu pai perdeu todo o investimento que fez, terá que vender a empresa e minha mãe estava chorando por perder tudo, em nenhum momento eu os vi falar em meu nome.
- Isso quer dizer que vão me mandar embora juntos com as outras e ficarei sem emprego.
- Nina! Eu não pensei nisso, não vou poder te levar para a faculdade, não sei como será lá, mas, de uma coisa eu tenho certeza, de que se for preciso, vou tentar te ajudar e eu conseguir.
- Não precisa menina, eu consegui juntar um dinheirinho e comprei um cantinho para mim, é pequeno, mas é meu, esses anos de trabalho aqui me deram a chance de tornar o meu sonho em realidade, quanto a outro emprego, tenho experiência e vou conseguir arrumar com certeza, em outro lugar.
- Fico feliz por você, sabe que te amo muito né? Mesmo que a gente se separe por um tempo, eu nunca a esquecerei, e quando eu terminar a faculdade, volto para te buscar para ficar comigo, só espero que tudo que sonho se torne realidade, não quero mais ser podada como sou dentro dessa casa, já estou cansada deles.
- Ah, minha filha, não precisa, eu também a amo muito, não pude ter filhos e você foi à filha que sempre sonhei, se eu pudesse, a levaria comigo para bem longe deles, eles com certeza não merecem ser pais de ninguém.
Continuamos conversando, não desci para jantar, Nina trouxe para mim no quarto, segundo ela, eles jantaram calados, disse que minha mãe não parecia bem, mas, eu não ligava para eles, assim como ele faziam comigo, eu só quero que esse mês passe rápido para ter a minha liberdade.
Camilly
O meu aniversário chegou e depois do que ouvi no escritório do meu pai, um mês atrás, as coisas em casa pioraram. Eram brigas todos os dias, minha mãe já não falava mais comigo, o meu pai parecia uma barata tonta de tanto que falava ao telefone ou ficava trancando dentro do escritório. Mas hoje, eu estava muito feliz, já tinha combinado tudo com Nina, que iria embora daqui a uma semana, sem ninguém ver, só estava esperando a documentação que viria da faculdade para isso. Deixei Nina responsável por qualquer correspondência no meu nome, para que os meus pais não a pegasse e descobrissem o que eu pretendia. Estava em meu quarto quando minha mãe entrou, pela primeira vez em anos, me surpreendendo.
- Hoje é seu aniversário, vamos fazer uma comemoração entre alguns amigos de seu pai.
- Por que hoje? Se nunca se lembraram do meu aniversário.
- Por que sempre tem que questionar tudo?
- Não estou questionando nada, há dezoito anos vocês nunca se lembraram de mim e hoje do nada resolvem fazer uma comemoração.
- Não é todos os dias que a nossa filha faz dezoito anos.
- Não! Não é.
- Comprei um vestido para você usar, deve estar chegando.
- Não era necessário, eu tenho um monte que nunca usei, por não ter para onde ir, já que nunca pude sair.
- Você não imagina os perigos que tem aí fora.
- Não posso imaginar, já que só saio para ir ao colégio e volto para casa - eu disse. - Mãe! Posso te perguntar uma coisa?
- Sim!
- Por que você e o papai me odeiam tanto? O que foi que eu fiz?
- Não odiamos você!
- Não foi isso que eu percebi todos esses anos, mas agora não me importo mais, me tornei dona de mim.
- Não! Enquanto estiver dentro da minha casa, não é dona de si, e sempre fará o que quisermos, pois, fazemos as coisas para o seu bem, é isso que sempre tem que ter em mente.
- Se está dizendo.
- Esteja pronta às 20h00min, não me faça vir buscá-la.
- Não será necessário.
Ela sai e fecha a porta, caio sentada na cama, não sei o que ela pretende, mas não estou gostando disso, ela nunca nem sequer entrou no meu quarto ou mesmo quis comemorar nenhum aniversário meu.
Passei o dia todo dentro do meu quarto e quando estava na hora de me arrumar, peguei o vestido que ela tinha comprado, era preto, com um decote em V na frente, seu cumprimento ia até o joelho, ele ficou perfeito em meu corpo, não ficou vulgar, peguei meu escarpin preto, de salto alto, eu já sou uma mulher alta, mas com ele, fico da altura do meu pai que tem quase 1,88. Não sou tão magra, tenho algumas curvas, os meus seios não são grandes como os da minha mãe, mas combinam com a minha estrutura.
Depois de pronta, resolvi sair do quarto, era um pouco antes das 20 horas, eu não queria que ela viesse novamente aqui e assim que cheguei à escada, pude ver uma movimentação, fui descendo devagar, assim que cheguei ao último degrau, o meu coração parou, tinha um homem vestido todo de preto conversando com o meu pai, que quando me viu, falou alguma coisa para ele, que o fez se virar e me olhar.
O homem em minha frente me olhou como se eu fosse um pedaço de carne, seus olhos examinaram todo o meu corpo e quando parou em meu rosto, pude sentir um frio na espinha, seu olhar era frio, sem sentimento algum. Ele era bonito, elegante, mas, algo nele me dava medo, não sei bem o que era, término de descer e vou até eles.
- Camilly, eu quero que conheça o Sr. Carter Draw Sanders.
- É um prazer conhecê-lo, senhor.
- Com certeza você terá muito prazer em me conhecer - diz ele, ainda segurando a minha mão.
- Vamos todos para a mesa, o jantar já deve estar sendo servido - falou o meu pai, que parecia muito nervoso.
Eles deram passagem para que eu fosse à frente deles. Sentei-me ao lado do senhor Carter, como minha mãe indicou, o meu pai na cabeceira da mesa e minha mãe ao seu lado, não sei bem o porquê, mas não era como ela tinha me dito, só tinha ele aqui, não havia mais ninguém.
- Senhor Carter, espero que goste do jantar, eu mandei fazer especialmente para o senhor.
- Vamos ver se vai estar do meu agrado - ele fala com uma cara de poucos amigos.
- Espero que sim - diz ela, contrariada, sempre teve muitos elogio em tudo que fez, as pessoas achavam que ela era perfeita em tudo, só que pelo visto ele não vai fazer isso.
Não sei por que falar que era um jantar, estava mais para um funeral, no ambiente só se ouviam o tilintar dos talheres no prato.
Tive a nítida impressão de que todos tinham medo até de respirar na presença daquele homem desconhecido. Quando terminamos, o meu pai foi com o senhor Carter para o escritório, a minha mãe fez com que eu ficasse na sala com ela, não gostei disso. Depois de quase uma hora, a porta do escritório foi aberta, meu pai saiu e veio até nós, me dizendo:
- Filha, precisamos conversar, pode, por favor, ir até o meu escritório?
- Qual o problema, pai?
- Por favor, venha, vou te contar tudo lá.
- Não desobedeça ao seu pai e vá logo, não o questione - minha mãe fala ríspida, se levantando, mas o meu pai fez um sinal e ela se senta novamente.
Levantei-me e o segui até seu escritório, assim que passei pela porta, senti um calafrio tomar todo o meu corpo e quando olhei para a mesa do meu pai, lá estava ele, sentado com um sorriso de canto, mais uma vez me olhou estranho, estava com um copo em sua mão, com um líquido âmbar, deduzi ser de alguma bebida. Sentindo-me subitamente nervosa, fui até o sofá e me sentei, o meu pai se sentou ao meu lado de cabeça baixa.
- Você vai contar Carlos ou eu conto?
- Eu mesmo falo senhor.
- Muito bem, então ande logo que eu não tenho a noite toda.
- Sim senhor.
- Filha, me perdoe, mas essa foi à única maneira que encontrei de livrar a minha empresa da falência, fiz alguns investimentos que não deram certo e perdi tudo, mas, o senhor Carter se ofereceu para comprar a empresa, mas, para manter os empregos dos funcionários, ele exigiu algo em troca.
- O quê?
- Você! - foi direto. - Ele só iria comprar a empresa se eu a vendesse junto.
- Pai! Por que fez isso? Eu não sou um objeto, sou sua filha, mesmo que nunca tenha me amado, não pode fazer isso comigo.
- Desculpe-me, por favor, mas, eu não tive outra saída a não ser lhe entregar em troca.
- Você me vendeu para salvar seus funcionários?
- Por favor, filha, compreenda, não é só a nossa vida que está em jogo, tem muitos outros.
- E terei que pagar pelo seu erro, pai?
- Prefiro sacrificar um, a sacrificar vários, não pretendo viver na pobreza, eu não nasci para isso - foram suas palavras duras.
- Não posso acreditar que foram tão baixo a esse ponto, nunca imaginei que fariam isso comigo.
- Podemos marcar o casamento para daqui a um mês e nem um dia a mais - disse o desconhecido se intrometendo.
- Eu não vou me casar com ninguém, muito menos com você.
- Filha, por favor, não tem mais o que fazer, eu já assinei o contrato.
- Filha? Nunca fui sua filha, não venha com essa agora, é melhor que arrume outro jeito de quitar sua dívida, porque eu não vou pagar por algo que não fiz.
- Espero que o seu temperamento mude depois do casamento ou eu juro que você vai se arrepender - diz o homem, já de pé ao meu lado.
- Eu não vou me casar com você, nem com ninguém, já disse isso, não ouviu? Fique sabendo, o meu pai fez a dívida, então é ele que tem que pagar.
Assim que terminei de falar, eu senti o tapa em meu rosto, coloquei a mão onde estava ardendo, olhei para o meu pai que não disse nada.
- Camilly, suba para o seu quarto agora!
- Pai, ele me bateu e você não vai fazer nada? Como pode deixar um estranho entrar em nossa casa e fazer isso, com que direito você o deixar me bater sem fazer nada? Eu não sabia que tinha um pai covarde a esse ponto.
- Seu pai não tem mais poder sobre você, lembre-se que você pertence a mim e não vou aceitar desobediência, faça como ele mandou e suba.
- Eu nunca vou pertencer a você, nem que para isso eu tenha que dar um fim em minha vida.
- Pois, então tente fazer isso, que me poupará o trabalho de eu mesmo a destruir.
Não respondi, saí do escritório ignorando completamente a mulher que permanecia sentada na sala e subi para o meu quarto, logo Nina entrou e pela sua cara, pude ver que o meu rosto não estava bem.
- Menina, eu escutei tudo, nunca imaginei que seus pais fossem capazes de fazer isso com você.
- Nina! - exclamo. - O que vou fazer da minha vida agora? Os meus pais foram longe demais.
- Eu não sei menina, ainda não entendo o porquê de eles estarem fazendo isso com a própria filha.
- Eles nunca me viram como sua filha, Nina, e, você sabe disso, agora sou apenas um meio para eles conseguirem o dinheiro, acho que foi sempre isso.
- Como podem forçá-la a casar com um estranho? Eles estão loucos, isso não acontece mais, sinceramente eu não sei o que te dizer ou o que fazer para te ajudar nessa situação.
Não a respondi, porque eu mesma não entendia o quanto eles eram ruins, mas chegar a esse ponto foi demais, até mesmo para eles, ela ficou no quarto comigo, pedi para que trouxesse gelo para o meu rosto, eu nem quis olhar no espelho para não ver a marca que ficou, só espero que não fique como as minhas costas, que graças a Deus não posso ver, minha mãe é cruel quando não faço as suas vontades.