APRESENTAÇÃO
"A casa do caminho está sempre à espera daquele que vem sozinho".
Poemas do Infinito reúne trabalhos do 2.° ciclo literário de minha vida de poeta. São poemas que nascem da alma, que ganham vozes, falam de gestos de amor e ao mesmo tempo acolhem solidão e silêncio. Sempre seguirão as épocas que foram criados, distribuídos pelas quatro estações do ano.
Benevides Garcia
POEMAS DE PRIMAVERA
Ensaio para um pequeno inventário; Cantiga para passar o tempo; Quero; Vento; Andança; Sonho mudo; Minha Herança; Deixa que a vida te possua sem medo e sem promessa... E a vida passa...; Pássaro
POEMAS DE VERÃO
Réquiem para um sonho; Lembranças de um tempo que ficou...; Pedágio; Longe; Minha razão de viver; Sombras; Canto de Amor e de Paz; Quando eu partir; Abandono; Desencanto; Meu Hoje é Você; Guardião da Luz; Tarde; Quimera; Deusa; Catedral; Poeta; Fada; Vendaval
POEMAS DE OUTONO
Natural; Quadrinhas de Amor e Paixão; Vem comigo; Ah, o Amor; Em silêncio; Ventura; Vestígios; O que é a vida; Cansaço; Amor; Deixei minha alma; Ausência; Lembranças tardias; Na solidão de você; É doce ouvir; Um dia de cada vez: Ninguém
POEMAS DE INVERNO
Tempo de ausência; Eu sou feliz; Sem mim; A primeira vez; Noturno; Só; Sinfonia noturna; Minha solidão; Por onde andei; Brincar de sonhar; Pedaços; Partilha; Poema de amor; Cântico; Essências; Inverno
Ensaio para um pequeno inventário
Tudo o que ultimamente tenho amado
Foram apenas papéis velhos guardados
Na gaveta do criado,
ao lado da minha cama...
...
Às vezes – chuva miúda de verão
Que vem e que passa
Deixando pelos caminhos todos
Alegria para as pequenas flores
E também para as ervas daninhas
Que vicejam aqui e ali
Em todo lugar...
...
Outras vezes me encontro maravilhado
Com toda a beleza que há
No entardecer...
...
Então...
Saio por aí
...
Vou me encontrar
Para não me perder...
E depois, de tudo isso
Disse alguém
Que o amor também envelhece
Com o tempo muda de cor
Não tem o mesmo sabor
Nem os prazeres de outrora...
Escrever para quê?
[Se um dia vamos morrer...]
...
Escrever para viver
Para nunca morrer
Escrever...
Queixas
Lamentos
Sucessos
Fracassos
Alegrias
As dores
Os amores...
Escrever para quem?...
Vinhedo, Primavera de 2009.
Cantiga para passar o tempo...
Ah, esse vento que passa
Essa chuva que cai
A manhã que surge
A tarde que morre
A vida que vai...
Às vezes,
O frio
Impiedoso
Esse ar triste,
Saudoso...
Sonhos,
Esperanças,
Lembranças...
E depois esse fogo
Que crepita na alma
Que queima e arde
Numa voraz paixão...
Ah, tudo passa...
Passam as flores na praça
Passa a água do rio
Passam os carnavais
Os felizes natais
E tudo o mais...
Passam os pássaros no céu
O rosto e o véu
Passa o riso
Passa o vento
Passa a chuva
Passa a vida
Passa tudo o que se vê...
E depois...
De certo tempo
Esse lamento
Sem você!...
Vinhedo, Primavera de 2009.
Quero...
Quero a ternura leve
Qual vento macio
A flor pequenina
Que enfeita a colina
Nas tardes de abril...
Quero o afago de mãos
No encontro das almas
A essência do olhar
Em meio às águas calmas
Quero o sorriso mais terno
A voz mais doce
O amor sempre eterno, quero!
Vinhedo, Primavera de 2009.
Vento...
Vivi como vento que passa
Não aquele que arrasta
Mas aquele que beija suavemente
Os lábios da mulher amada
Que envolve e que abraça,
E que de repente se aquieta
Sucumbido aos caprichos da paixão...
Por muito tempo fui promessa em segredo
Suave murmúrio nas tardes cansadas
Qual canto de adeus em terna oração...
Agora nada mais sou
Do que vento que passou
Arrastando alma e coração...
Vinhedo, Primavera de 2009.
Andança...
Ainda ontem
Passei por aquele lugar
Outra vez, com esperança,
De pelo menos,
Mais uma vez te encontrar...
Tolice...
Vã ilusão...
Continuarei a viver
Enganando o próprio coração...
Os tempos passaram
A vida mudou
Somente a saudade
É que ficou...
Vinhedo, Primavera de 2009.
Sonho Mudo
Demais é tua ausência na minha vida
Este vazio que não preenche jamais
Esta dor que nunca tem fim
Tão dolorida que de resto nada é demais...
Brilha o sol nas manhãs sonolentas
Fadas coloridas fogem dos meus sonhos
Preciso encontrar a minha vida
Nesse caminho onde nada brilha...
Grito teu nome e não há respostas
Somente este vazio inunda minha solidão
O silêncio permanece na distância
Nas profundezas da alma ecoa meu grito...
Meu sonho tem mil bocas
E nenhuma ousa falar teu nome
Tua ternura dorme nas minhas lembranças
E o amor eterno vive no meu sonho.
Vinhedo, Primavera de 2008.
Minha herança
Na distância da minha saudade
Eu amei a ternura da sua lembrança
Como um rio que passa em silêncio
Fiz o meu caminho e o meu viver
Do clarão das estrelas fiz minha luz
Como flor rasteira e simples
Conservei minha fragrância e minha quietude
Amei o longe e as montanhas
Em busca das colinas verdejantes
Vou andando por aí, ao léu
Contento-me com a chuva miúda
Que cai nas manhãs de solidão...
Vinhedo, Primavera de 2008.
Deixa que a vida te possua sem medo e sem promessa...
É tarde...
O pensamento vagueia
por momentos sublimes e mágicos:
oferendas da vida,
que caminham com as lembranças...
Lá fora,
açoita a escuridão
um vento desumano.
Dentro de mim,
fria e triste,
chora uma saudade silenciosa...
Vinhedo, Primavera de 2008.
E a vida passa...
Às vezes penso nas insignificâncias
que aumentam
à medida que a vida
faz o caminho de volta...
De que valeram os sorrisos
sempre calados pela dor,
Abraços que não se ajuntaram
aos anseios do amor
Caminhos sem direção,
barcos naufragados
nas águas da indecisão...
O que é realmente
essa caixinha de surpresa chamada vida?
Esse sonho que dificilmente acontece sem sofrer.
Minguados momentos de ternura
em meio a tantos desenganos...
Não haverão de me importunar as declarações,
que num misto de imposições inquisitórias
recheiam os diálogos com nãos, com se e com mas...
A vida tem sido uma constante
levada pelos detalhes
que mudam a história
sufocando o sonho...
É apenas irreal
o ser que não marca presença
ofuscado pela ganância
que quer sempre mais...
E nesse cenário onde campeiam as paixões humanas
as insignificâncias tomam forma
e correm como loucas
pelos caminhos do destino.
E a vida passa...
Vinhedo, Primavera de 2008.
PÁSSARO
Leve,
como pluma
baila no ar -
- ele paira na imensidão.
Leva os desejos.
Leva a vida.
Voa nas cantigas de ninar,
nas noites de solidão.
Quero-te livre,
para cantar nos sonhos,
aveludando os pensamentos
com tua canção.
Filho nobre das matas e florestas:
Quero-te livre
no coração!
Quero sempre te encontrar
nos versos da alegria.
E nas cores da tua presença
descansar minha saudade.
Na sombra dos meus dias
ser o arauto da esperança:
O amor está no ar!...
Vinhedo, Primavera de 2008.
RÉQUIEM PARA UM SONHO
Ultimamente
Tenho olhado o mundo
Através de um céu de vidro.
Quase todos os dias
A chuva acompanha
Minhas visões.
Pouco vejo o sol.
Há mística em meus passos
Quando torno a olhar pela janela.
Faço isto como uma marionete
E é nisto que envolve toda a minha expectativa.
Às vezes
Meu olhar se confunde
E vejo imagens como se saídas de um sonho.
Sigo-as,
Em meio à névoa
Quase mágica e lúdica
E o que acabo vendo
São apenas lembrancinhas coloridas de saudade.
A noite chega e nada mudou.
Restam somente
Perdidas palavras rabiscadas no papel...
Vinhedo, Verão de 2010.
LEMBRANÇAS DE UM TEMPO QUE FICOU
Chuva fininha caindo na mata
Cheiro de relva molhada
Nas manhãs de quieto sol...
Uma porteira abandonada
Recanto das brincadeiras
No corre-corre da infância
Perdida entre cantigas e poeira
Doce lembrança de um tempo feliz...
Um gado branco esparramado
Nas pastagens cobertas de verde
Onde, ao longe, balança uma rede
Nas sombras das árvores
Aroeiras, perobas, paineiras
Dança um vento caprichoso
Gostoso de sentir
E mais além, um regato
Silencioso
Contornando o mato...
Ah, que saudade!
Uma vontade doída
De voltar
De ficar
Com a alma repartida
De não querer ir
Nem sei mais onde
Nem sei mais por quê?
Morar na paisagem
E assim
Viver, sonhar
Nunca morrer...
Vinhedo, Verão de 2010.
PEDÁGIO
Há porteiras nos caminhos
Movidas a 'cobre'
E há em todo o percurso...
Que pena!
A paisagem é tão linda:
Pedras, lagos, rios, montes
E flores de açucena...
A estrada afunila,
Sigo a fila
E,
De repente
A moça sorridente da janela
Leva todo o meu dinheiro...
Houve um tempo
E isso já faz muitos janeiros
Que se pagava para o dono
E a gente ia pelas estradas empoeiradas
Hoje se paga para passar naquilo que é nosso
(E mesmo assim) não somos donos de nada
A caminhar por estradas
Às vezes sem eiras nem beiras
Infestadas de janelinhas
Controlando as porteiras
Que mais e mais
Aumentam a incapacidade
Dos administradores
Sem escrúpulos e sem piedade (...)
Há tanta roubalheira
Nesse 'vira-e-mexe'
Que o tempo passa
Vêm as urnas
E a gente se esquece...
Ipuã, Verão de 2009.
LONGE
Mais uma noite de espera,
O tempo passa...
Imagino sua imagem na noite escura
E um sorriso ilumina meu rosto.
Visões do passado se misturam
Com o vento da saudade
Que sopra lembranças tardias.
Sinto o longe um pouco mais perto
Quando tenho você na minha solidão...
Vinhedo, Verão de 2009.
MINHA RAZÃO DE VIVER
Abro minha janela
e vejo a lua sorrindo para mim.
Minha alegria se põe a brincar
enquanto há uma doce música no ar.
Baila no meu pensamento
uma saudade gostosa de sentir.
Entre flores e cores
lembranças tuas completam o meu viver.
Quando fala o coração
não há necessidade de palavras.
O teu amor vive em mim
como verdade e silêncio...
Isto é toda felicidade que se pode ter.
Vinhedo, Verão de 2009.
SOMBRAS
Por que este 'sim' vem sempre rodeado de 'nãos',
Estas mãos a acenar adeus?
Quero fugir do fantasma da solidão
E não encontro o caminho...
Tento libertar dos meus medos
Mas preciso de mim para atravessar a ponte...
Entre muros de silêncio vejo minha sombra
que vaga temerosa pelos abismos da indiferença...
Vinhedo, Verão de 2009.
CANTO DE AMOR E DE PAZ
I
Eu busco a luz da estrela distante,
que brilha nas mentes de amor e de paz.
As sombras da noite refletem meus medos,
das loucas histórias de tempos atrás.
Bem longe há um lugar que não é capaz
de saber tudo aquilo que quero contar:
Palavras estranhas num bravo gritar
chegam apressadas, rompendo correntes.
E um arco brilha nos parcos remansos
dos vales profundos de sombra e luar.
II
Num tempo e lugar entoam cirandas
com doce aroma de fruta silvestre;
na espera da boca de ares suaves
que lembra a paz da vida inocente:
gerando perguntas do ontem e de sempre
nas mesmas histórias e lendas do mar.
E jorram palavras do supremo altar,
no terreiro das sortes pintadas de luz,
que vivem na essência das almas
que choram cativas, nas névoas do ar.
III
Canções se unem aos tristes lamentos
que vão flutuando nas asas do tempo.
Mensagens de amor perseguindo destinos
levando ternura em suaves acalentos.
Por toda a terra se ouvem os hinos
Que elevam as mentes para louvar.
E os cantos se espalham na terra e no ar
mostrando a todos a luz verdadeira:
A vida enfim, é harmonia e beleza
num mundo repleto de amor e de paz!
Vinhedo, Verão de 2008.
QUANDO EU PARTIR
Quando eu partir
Não haverá adeus...
Apenas o silêncio mostrará a minha falta.
Quando eu partir
Deixarei minha lembrança nas árvores...
E o meu coração navegando pelos riachos.
Quando eu partir
Minha saudade tocará música no vento.
Como contas de vidro num colar,
Deixarei meu pensamento
E meus sonhos no ar...
Ipuã, Verão de 2009.
ABANDONO
Ah, como sinto esta saudade,
esta distância, esta solidão!
Nada mais vejo nesta estrada
nem flores, nem nada
somente o vazio da imensidão...
Vou em frente me arrastando
neste triste abandono
neste amargo sofrer.
Sou carta fora do baralho:
mais pareço um espantalho
quando fico sem você!
Cravinhos, Verão de 2008.
DESENCANTO
Deixo pra você
meu verso de amor
enquanto vai a lua
por entre nuvens, silenciosa e clara!
Por uns momentos
esqueço a escuridão
que se tornou minha alma
contemplando o luar da noite bela
a iluminar minha janela...
(Quanto tempo
ajuntando lembranças...
...doces e preciosos instantes
de raro brilho e fulgor!
Dias que se arrastam
numa vida sem destino...)
Entre dores e risos
procuro minha sombra
no espelho do amanhã
que poderá não vir...
Vinhedo, Verão de 2008.
MEU HOJE É VOCÊ
Hoje eu quero te amar mais do que antes,
E dar a ti mais do que um mero abraço,
E te envolver mais e mais nos meus afagos,
E te abrigar mais e mais no meu cansaço.
Hoje eu quero te olhar mais do que sempre,
E quero te sentir mais perto e mais real,
E fazer de mim servo de teus amores,
A sonhar ternuras na tua mansidão.
Hoje eu quero muito mais Você de novo,
E quero tanto e com tal vontade,
Que minha alma busca o impossível efêmero,
Que vive escondido nas cores da paixão,
Para caminhar contigo nas asas da magia,
E juntos vivermos o amor e a paz!
Vinhedo, Verão de 2008.
GUARDIÃO DA LUZ
Partir, repartir, ser dois, ser tantos...
Inventar horizontes, ganhar distâncias,
buscar histórias através dos ventos,
viver sonhos de muitas lembranças.
Ser galope em passos de música,
que verte remansos nas ondas do mar.
E no encontro das águas que seja única
a chance que se tem de rir e sonhar.
Fazer do amanhã guia e sentinela
a gerar eclipses de cor e palavra,
nos mundos distantes de luz e fulgor.
E que se façam clarões nas suas janelas:
acordando ilusões que não foram seladas,
nos lânguidos recantos de dor e de amor...
Vinhedo, Verão de 2008.
TARDE
As árvores estão quietas, o vento parado;
no ocaso o sol pinta um céu sangrento.
O pó dos caminhos se esconde nos barrancos.
E dentro de mim agita todo este tormento.
Penso em ti e não me sinto completo.
Dúvidas inquietas massacram meu ser.
E a todo momento deixam-me irrequieto,
Tirando-me toda a alegria de viver.
Ó sina dos amantes, capricho dos deuses:
Por que sufoca-me a alma com este sofrer,
que descolore a vida e turva a mente?
Por que dás o doce mel nas primeiras vezes,
e depois, com o tempo o ingrato padecer,
Que faz um coração penar amargamente?
Vinhedo, Verão de 2008.
QUIMERA
No desalento
de minha alma
encontrei forças
para seguir em frente
voltar a ser um cavaleiro andante
em busca do sonho, em busca do amor
Visões de um passado há tanto esquecido
turvaram-me coração, olhar e mente
refletindo espectros de quimera
envoltos na lembrança
de um amor
infeliz...
Vinhedo, Verão de 2008.
DEUSA
Um dia surgiste em minha vida
Trazendo ternura e luz em teu olhar
Tudo sorriu quando sorriste
E com teu riso foi-se o meu pesar.
E então vivemos num terno amor
E tudo era alegria, e um doce sonhar
Até que um dia, para a minha dor
Partiste para nunca mais voltar.
Contigo levaste todo meu prazer
Toda minha alegria de viver
Levaste tudo o que trouxeste
Se devia mesmo tão cedo te perder
Deixando em minha vida tanto sofrer
Pergunto, ó céus, por que vieste?
Vinhedo, Verão de 2008.
CATEDRAL
Volto à catedral onde deixei minha alma,
no solário perene de rosa e flores
E alegre busco encontrar com calma
o caminho que leva à fonte dos amores.
Lavei as mãos com água límpida e pura
e bebi da fonte um pouco de água fresca
E , em silêncio, aquietei-me na penumbra
À espera da luz, essência divina e plena.
Envoltos em suave névoa pressinto rostos
De almas queridas, há muito deixadas
Lembranças eternas de um passado feliz.
Vejo-te agora, na laje fria e dura
A me acenar adeus, num misto de ternura
A me fazer chorar, por aquilo que não quis.
Vinhedo, Verão de 2008.
POETA
Sou triste,
sou gente,
sou poeta
que sente a vida
que sente a morte
que inventa a luz ,
que busca o norte
e que nas noites frias
se encanta com a solidão...
e que chora
e que ri
e...
Vinhedo, Verão de 2008
FADA
Saudade eu tenho daquelas manhãs
Em que tênue névoa se desvanecia
E entre raios de sepulcral luz
Sua figura querida aparecia.
E ficávamos, os dois, embevecidos
Nos olhares contritos, emudecidos
A jogar no ar as nossas sortes
Estranha forma de vencer a morte.
Éramos felizes nas palavras sem fim
Feito cartas de amor eterno
Pirilampos de claras luzes.
Hoje não há mais você em mim
Tudo passou e só restou
Solidão em meio às cruzes.
Vinhedo, Verão de 2008.
VENDAVAL
Quem é
todo mundo
que diz
que não mais te quero
não te quero bem?
Quem é
todo mundo
que diz
que não te quero ver
não te quero ouvir
não te quero ter?
Direi a quem diz
que não te quero mais
que sem você
minha vida
não tem cor
não tem sabor
não tem amor...
Vinhedo, Verão de 2008.