POEMA-QUASE PRECE (de Ternura)
Busca no entardecer a cor mais linda
Recolhe do vento uma oração
Sonha ao luar, sonhos de prata
Nos pingos da chuva, uma canção.
Abraça o tempo,
Coleciona a vida,
Inventa histórias
Pra rir e pra sonhar.
Sê luz em teus caminhos,
Sê estrela a brilhar!
Leva a paz aonde estiveres.
Louva os encantos do amor.
Sê feliz fazendo o mundo inteiro feliz...
Ri, ri bastante;
Vive a vida a sorrir:
Bem melhor ser palhaço
Que vilão da história!
Não corras!
É melhor ir devagar
Que o tempo é maior!
Ajuda!
Sê bom!
Sê amigo!
Semeia amor e bondade,
Sem pensar na colheita,
Mas que certamente
Um dia virá,
Aqui ou acolá,
(Ou um pouco mais além)
Na eternidade,
Amém...
Vinhedo, Primavera de 2009.
DESPRETENSIOSAMENTE
Talvez fosse bem melhor
Calar a boca
Seguir sozinho
O mesmo caminho
Para onde vão todas as almas loucas...
Talvez fosse
Mais certo
Um pouco mais de perto
Olhar com todo instrumento
Gerado pelo pensamento...
Quem sabe, talvez,
Muito mais previdente
Seria se transmudar em estrela brilhante
E viver como sempre quis
Divinamente quieto, no alto do céu e feliz!
Vinhedo, Primavera de 2009.
VAZIO
Às vezes, o vento...
Outras, a chuva...
...
Na manhã que surge...
Na tarde que morre...
Na vida que vai...
No tempo que passa...
Como tudo é sem graça
Sem você...
Vinhedo, Primavera de 2009.
MISTÉRIOS
Quem sou eu?
Que habita esse corpo
Que é meu...
Quem fui outrora
Num tempo distante, noutras eras
Ó vida de quimera
Ó sonho de meu Deus?
Sigo confiante sempre
Em meio a vendavais
Tormentas e procelas
Vejo a vida sempre bela
Tenho os olhos sorridentes...
Mas, de vez em quando
Bate uma agonia no peito
Tudo é tão triste que não tem jeito
Minha alma transmuda-me completamente
Estou em épocas diferentes
Sou outro, não sou eu
Quem sou esse que não sou?
Vinhedo, Primavera de 2009.
NA ETERNIDADE
Tudo me lembra você:
As flores do caminho
Os espinhos
O vento arrastando as folhas
A chuva...
De vez em quando
O frio na alma...
E essa saudade
Essa doída vontade
De ver
De ter
De amar você
Uma vez mais,
E quem sabe
Para sempre
Na eternidade!...
Vinhedo, Primavera de 2009.
TERTÚLIA
Sinto uma sensação ruim de coisas deixadas para trás,
uma tristeza fugidia não-sei-de-onde, que vem,
mansa e insidiosa
acabando com o que resta da minha alma...
Nem sei porque acabo me reunindo comigo mesmo:
(Dias há que, por mais que tento me encontrar
mais me escondo de mim...)
Ah, tem sempre o problema que envolve as tardes,
quando juntos ficamos numa mesa, quietos e sérios...
... trocando lembranças - afogados no álcool e na vida.
Quando o dia se vai ,
com ele também vão meu presente e meu passado...
E de repente,
na nossa frente, muda e calma chega a Noite;
sem ao menos pedir licença,
vai sentando, trazendo junto a Saudade,
fria, dolorida, - inquieta...
E assim ficamos uns de caras para os outros
nesse nosso quarteto de solidão.
Vinhedo, Primavera de 2009.
PEQUENO ENSAIO PARA SE SER FELIZ
No meu sonho tem
Uma canção bonita.
Tem passes de mágica.
Tem risos e abraços.
Tem água cristalina,
Que brota da fonte que não seca,
A correr num rio
Em forma de mil espelhos.
No meu sonho tem
Um castelo tão belo
Que dá gosto de se ver.
Nele mora um anjo,
De asas alvejantes
E de olhar azul,
Que pousa numa tela
E depois ri...
No meu sonho tem
Borboletas transparentes,
Que inventam cores,
De todas as flores
Que no meu sonho tem.
E em todos os cantos,
O meu sonho tem tanto encanto
Como o encanto do meu bem !...
Vinhedo, Primavera de 2008.
TUA AUSÊNCIA
Na lembrança dos teus passos
Construí minha vida.
Por onde andaste
Deixei o meu olhar
E a minha saudade.
Sou agora o silêncio que fica.
Sou sombra na escuridão.
Apenas caminho
Sem direção...
Vinhedo, Primavera de 2008.
PÓRTICO
Muitas
foram as flores
espalhadas nos caminhos.
A fragrância delas ainda perfuma
os meus passos e a saudade desse amor
consome minha vida num silêncio repleto de crepúsculos.
Quem sabe
o sonho possa trazer
fé e esperança aos corações.
O pranto se refaça num canto de alegria.
De todo adeus nasça a certeza de novos encontros.
E o amor seja para sempre a verdade primeira desta vida.
Vinhedo, Primavera de 2008.
INTERLÚNIO
Pelos lúgubres caminhos
Folhas secas
Vão sendo arrastadas pelo vento
Como sortes lançadas
Pelos dados do destino...
Passos solitários
Esperam
Que a vida
Descubra os encontros
Entre tantas ausências
Que ficaram
Nas lembranças adormecidas
De um tempo feliz...
Vinhedo, Primavera de 2008.
PRIMAVERA
Distante de ti, passou por mim a primavera
Cheia de flores, num setembro festivo,
Quando tua presença, mais e mais quisera
Neste meu mundo, que de saudades vivo.
Cantos e odores, neste roseiral sem fim,
Doces lembranças de feliz folgar
Fizeram-me esquecer um pouco de mim,
E sentir teu jeito gostoso de amar.
E absorto neste mundo de encantos
Esqueço da vida, nem sinto o tempo passar
Neste paraíso de adocicadas primícias;
Mas, de mansinho, por entre folhas e flores,
Raios de sol despertam o meu sonhar
Findando assim, minha hora de delícias.
Vinhedo, Primavera de 2008.
CORAÇÃO
Ah, coração cigano
Que culpa tenho eu -
- Se me mostras as belezas da vida –
As paixões
Os amores
As lembranças queridas?...
E assim vou eu,
Pé na estrada,
De cara pro vento,
Coração aberto,
Rumo nem sempre certo...
Felicidade,
Um trem de ferro na colina verdejante
Margeando um rio que corre
Caprichoso, sinuoso
Cujos olhos teimam em ficar!
Ah, coração
Se me amas tanto
Abranda de meu peito esta saudade
Dá-me de teus sonhos para sonhar
Abriga-me em tua ilusão
Agora e sempre
Para toda a vida
Eternamente...
Vinhedo, Verão de 2009.
OFERENDA (das horas sem tempo...)
Se quiseres
[Ó dúvida cruel
Por que esse desdém
Se até as flores têm
A dádiva do querer?...]
Serei água cristalina
Do riacho mais distante
Escondido da vazante
Que brota do teu olhar...
Se quiseres
Posso te ofertar
A estrela derradeira
Que um dia foi a primeira
Que no céu eu vi brilhar...
Se quiseres
A vida inteira
E mais além
Nossas almas serão companheiras
Por todos os séculos dos séculos
Amém...
Vinhedo, Verão de 2010.
INÚTIL
Queria dizer tantas coisas;
Outras tantas fazer.
O tempo passa...
A vida passa...
E há flores no jardim.
Vinhedo, Verão de 2009.
NÁUFRAGO
Onde será que deixei
aquela saudade doída
que tanto me fez sofrer
noite e dia sem parar?...
Ainda guardo doces recordações daquela tarde
O sol tingia de bordado as nuvens do céu
Éramos um só coração a caminhar entre as flores
E você era minha ternura e meu doce mel.
A felicidade acompanhava nossos passos
Em todos os cantos reinava a alegria
Havia muito amor, eram tantos os laços
E entre os abraços, uma suave sinfonia.
Tudo agora ficou tão distante
Não há mais tardes como aquela
Você deixou uma saudade lancinante
Neste navio naufragado, sem porto, sem vela...
Cravinhos, Verão de 2009.
ESSE AMOR
O amor que trago em mim
É uma suave canção
É bálsamo para a minha alma
É minha certeza e meu querer.
Acorda-me com as manhãs
E enfeita meu dia com risos.
Pinta meu horizonte
com as cores do infinito
E se põe a brincar.
À noite, traz-me poesia
Enche-me de sonhos e de alegria
E me convida para sonhar...
Às vezes penso
que a vida é mesmo assim
Vou vivendo iludido
Das dores e mágoas esquecido
Amando esse amor em mim...
Vinhedo, Verão de 2009.
DEFINITIVAMENTE...
Minhas manhãs
não têm mais canto de pássaros
não têm mais o odor das flores
não têm mais meu sol de maravilhas...
Meus dias
perderam a cor
perderam o candor
e meu tempo é passado
sem nenhum valor...
Há muito minhas janelas se fecharam
deixando-me um mundo solitário e triste.
Houve um tempo...
Agora...
Não há mais tempo
Não há mais alegria
Há somente essa ausência dolorida
de você na minha vida.
Não mais canto de pássaros...
Não mais o perfume das flores...
Vinhedo, Verão de 2009.
MINHA CANOA
Minha canoa
Navega por rios profundos
Vai em busca de outros mundos
Minha canoa vive a navegar...
Como sempre tem um rumo
Jamais perde o prumo
E quando sai
Não tem vontade de voltar...
Ela singra rios e lagos
É levada pelos ventos
Ela lê meus pensamentos
E me leva pra pescar...
E assim
Quando me ponho a sonhar
A saudade até
Arruma tempo pra ficar...
Vinhedo, Verão de 2009.
MEU MEDO
Se algum dia eu me perder de mim é porque não tenho
mais você na minha vida...
Sabe...
Tem hora que eu tenho medo:
Medo da vida.
Medo da morte.
Medo de não ser mais eu.
Medo de não ter você!
Às vezes sonho
e tudo se confunde
porque não consigo enxergar você na minha vida...
Tenho medo dos costumes tardios
que não mais despertam paixões adormecidas...
Tenho medo do amor.
Faz muito tempo
que já nem sei mais falar
das manhãs que acordava com flores
na minha janela.
Esqueci-me por completo
das cores do pôr-do-sol.
Em dias de cinza,
um vento manhoso
arrasta meus pensamentos
que voam como folhas arrancadas
do livro do destino.
Tenho medo de tudo!
Estou prisioneiro das minhas emoções
e esta solidão de você machuca-me a alma
levando para longe de mim, teus carinhos e teu amor.
Velhas canções despertam lembranças doces
[ e amargas
e povoam, impiedosamente, meus dias de solidão.
Estou só...
E sem você,
tenho medo de mim...
Cravinhos, Verão de 2008.
DIAMANTE DE LUZ
Ainda lembro, na mais tenra idade,
o desvelo terno e doce com que me cuidavas.
E depois ainda já na mocidade,
maior era o amor que me dedicavas.
E assim foi pela vida afora:
cheia de cuidados e de amores.
Até que um dia, serena, foste embora,
levada pelos céus, deixando apenas dores.
Ser querido, síntese da bondade.
Essência suprema do Amor Maior.
O mais precioso bem que se tem na vida.
Tesouro de luz infinita a rutilar,
para todo sempre hás de brilhar,
no meu coração, minha mãe querida!
Vinhedo, Verão de 2008.
PACTO DO AMOR DISTANTE
Acho que vivemos de espera,
Acho que fizemos um pacto
em outras eras...
Acho... que sei eu, para dizer acho,
deste amor por quem eu me racho
e me esborracho?
...
E este medo de amar
esta indecisão,
que coloca dúvidas na vida
e tranca o coração!
Mas...
Até quanto
isto tem de real?
E quem sabe dizer se é amor?
Se o que sei
é que o poeta é um fingidor...
É preciso sorrir nas tardezinhas
E depositar os nossos cansaços
nas distâncias que separam os sonhos
enquanto é tempo
no instante pequeno...
Acho...
Vinhedo, Verão de 2008.
ASAS DO TEMPO
Ah, essa vontade louca de ficar...
A vida inteira, se pudesse eu ficaria,
e a teu lado feliz eu viveria,
horas e horas, sem ver o tempo passar.
Ah, se pudesse, mas tudo me impede
e me arrasta, e me sufoca numa histeria,
que o espírito grita e o corpo cede,
prostrando-me nesta sofrida agonia:
Nas asas do tempo me faço refém,
pedaços de sonho de coisas esquecidas,
confundem-me a mente e a alma também.
Aceno um adeus e vou seguindo além;
como farrapos da vida enlouquecida,
parto e reparto e já não sou ninguém.
Vinhedo, Verão de 2008.
MALDIÇÃO
Quem se vê abandonado, sem amor
Por todos desdenhado e sem carinho:
Quem sofre a mais atroz e triste dor,
Quem, em silêncio, chora as mágoas sozinho.
Quem não pode descartado e esquecido
Buscar carinho entre todos deste mundo.
E a chorar vive como um vagabundo,
Sem ter quem lhe chame de querido.
Descansará desta vida tão ingrata,
Cheia de dias vazios, de tristeza infinda,
Que só aumenta a saudade que maltrata.
E lá naquele lugar soturno e triste:
Terá abrigo, numa fria e funda cripta,
Ao lado de tantos que a vida foi madrasta!
Vinhedo, Verão de 2008.
ELA
I
Quem é aquela
de nome bonito
que chega airosa
Tão bela,
singela,
desfilando encantos
na passarela
do meu olhar?
II
É a mesma
de ares benditos,
que passa depressa,
levando consigo,
meu coração...
Vinhedo, Verão de 2008.
VELA
Há uma vela
naquela janela...
Quem será
que ela vela?...
Quisera
ser ela...
A vela
que vela
aquela donzela...
Vinhedo, Verão de 2008.
INÚTIL POESIA
Sou simplesmente
um ser,
que ama,
que sofre,
e que canta,
que nasce mil vezes,
e morre outras tantas,
que busca seu lume,
no clarão das estrelas,
que escreve saudades,
no portal das lembranças,
que anda sem pressa,
mas que corre e que dança,
e que,
por isso,
não sabe,
se chora,
ou se ri...
Vinhedo, Verão de 2008.
SANTUÁRIO
Caminho por uma estrada florida
Envolta de ternura e graça
Até chegar a uma praça
Onde se ergue tão bela ermida.
Extasiado, quedo-me, de pé
E adentrando em tão belíssimo templo
Sinto aumentar a minha fé
Enquanto ouço um suave alento.
Mãe Rainha, és pioneira
Nesta terra ínclita e ordeira
Nesta Orlândia que admiro tanto.
Sê Rainha de nossos corações
Doce Mãe, sempre Altaneira
Mãe do meu mais puro encanto!
(para Celina, com amor e fé)
Vinhedo, Verão de 2008.
AMADA IMORTAL
Por mais que o céu me condene
Por mais que hajam castigos e dores
Por mais que tudo neste mundo
Seja um inferno de horrores
Não hei de, em momento sequer
Deixar marcas, nem rumores
Mesmo que para isto houver
Tesouros, riquezas e valores
O que guardo no coração
Recôndito perene da alma sofrida
É aquilo que levarei na partida:
Doces momentos de infinita paixão
Amada minha, eterna ilusão
Razão maior de toda minha vida!
Vinhedo, Verão de 2008.
TURBILHÃO
E vem essa vontade louca
Que sacode a alma
Esse querer ser teu e fazer-te minha
Essa saudade intensa que a tudo invade
Essa distância que cada vez mais se avizinha...
E então sonho contigo em meus braços
E nesses instantes sou teu e tu és minha
E tudo é encanto, é riso, é sonho, é amor
A vida vibra de luz, de som, de cor
Sou teu, eternamente teu
Em teus braços finalmente descanso
Mas esse sonho infelizmente termina
E vem essa tristeza imensa
Nessa minha pobre sina...
Vinhedo, Outono de 2009.
QUANTO TEMPO MAIS...
É preciso acreditar
Embora a hora seja difícil...
É preciso ter fé na vida
Ter fé em Deus
Crer no amor.
Há que se viver perseguindo um sonho
É preciso vibrar com o coração.
É preciso acreditar embora tudo diga não
É preciso viver a vida numa eterna paixão...
Quanto tempo mais eu terei
Para ver o sorriso de uma criança
O desabrochar de uma nova flor
O surgimento de um novo dia?
O tempo passa
E a vida é floco de paina
Arrastada pelo vento...
É preciso amar
Pois só o amor permanece
Quando nada mais restar
E o silêncio for maior...
Vinhedo, Outono de 2009.
CANTIGA NOTURNA
Ah, toda ternura
Faz reacender
Uma imensa saudade de você...
Todos os beijos do mundo
São como perfume de suas mãos,
A espalhar amor feito canção...
Como pirilampos primaveris,
Que deixam sua luz
Nas flores da noite,
Meus sonhos são vôos de luz
Pela madrugada silenciosa...
Navego pela noite
Meu sonho de amor...
Nem por isso
Sou alegre ou triste:
Apenas navego e sou...
É preciso saber florir
Ser verso e raiz
Para se ser realmente feliz!
Ah, os espelhos!
Silenciosos e frios,
Guardam os olhares do mundo!
Infelizes daqueles
Que esqueceram neles
O riso e a alegria de viver...
Vinhedo, Outono de 2009.
DE AURORAS E DE PAIXÃO
I
Tem horas que fico a pensar
E nem sei se é bem assim.
Há tanta coisa estranha na vida,
Que lendo meus pensamentos
Ou rio, ou choro ou fico quieto.
Depois, ao longo da noite
Imagino cantigas para dormir,
Enquanto um vento ligeiro
Visita meus sonhos...
... lá vou eu, hesitante
Eterno cavaleiro andante
Sem parada e sem amor.
Às vezes canto,
Às vezes me calo,
A vida é um grande embalo...
II
Tenho pavor dos relógios
Marcando as horas sem parar.
Com eles meu tempo é efêmero
E a vida uma casca de noz...
III
E agora que faço aqui parado
À espera que o vento passe
E que o tempo ressuscite
A alegria de viver...
IV
Tento ler um livro e não consigo
Não há flores no jardim.
E os espinhos são agudos
A ferir minha alma, pobre de mim...
V
Tantas coisas ficaram para trás...
Tantos amores passaram
Tanta dor,
E essa solidão...
VI
Não há mais rastros nos caminhos de outrora.
Todos os luares ficaram inúteis.
Calaram violão e poeta.
No papel branco apenas um verso de adeus.
VII
Ao longe
Uma canção cigana
Traz lembranças antigas
De estradas e de auroras.
Em seus versos
Há marcas de paixão,
Tingindo de vermelho
Uma história de amor...
VIII
De onde venho
Chovem pétalas de rosas
Nas tardes de abril.
Há uma cantina na esquina
Onde há dança e bailarina
Como nunca ninguém viu...
IX
Por outro lado
Há um deserto
Parece mais mar aberto
De silêncio e imensidão.
Não há mais canto de pássaros,
Apenas um triste mormaço
E em tudo só solidão...
X
As pessoas não morrem
Apenas mudam...
Há pouco tempo
Numa cidade, outro lugar
Encontrei um amigo que há tempos partiu
Tomando cerveja na mesa de um bar...
XI
Vontade de rir há muita,
De chorar também.
Triste sina de ser alguém,
Que vive aqui e ali
À procura de um bem...
Cravinhos, Outono de 2009.
MEDIDA
Aqueles que descansam
No pó das estrelas;
Que já colheram
Do jardim as maçãs;
São viajantes do cosmo
Libertos da frágil casca:
São novamente um.
Por certo,
Só contemplarão a luz,
Se a 'Caronte'pagaram
A travessia do rio dos mortos...
A Roda da Fortuna gira
Não se sabe para quem...
Não importa
A chuva.
O sol.
O quente.
O frio.
Não importa...
Nada mais importa...
O amor é ilusão sem fim
Que se mede pelo tamanho da nossa fé.
E se não há muito para você
Não há mais nada para mim...
Vinhedo, Outono de 2009.
ESSA QUE EU HEI DE AMAR...
Essa que eu hei de amar um dia
com um amor profundo e terno,
será talvez o meu inferno,
ou o meu céu de alegria.
Não ficarei como o príncipe da poesia
à espera do amor num calmo inverno.
E tão absorto, nessa utopia
a rabiscar alguns versos no caderno.
Irei amá-la com todo meu amor,
com tal paixão e zelo
e com todo meu desvelo.
Seremos um do outro com fervor,
com ternura e todo anelo,
nesse mundo encantador.
(à memória de Guilherme de Almeida, que como Bilac
também recebeu a honraria de "Príncipe dos Poetas Brasileiros")
Vinhedo, Outono de 2009.
AMOR EM PEDAÇOS
Eu te amei naquela manhã
O céu pintava de dourado à espera do sol
Flores brancas balançavam ao vento suave e macio
E havia silêncio, quietude e paz...
Eu te amei naquela tarde
O sol partia deixando um rastro avermelhado
A força do vento açoitava as flores tristes
E tudo era paixão, lamento e dor...
Eu te amei naquela noite
Um luar prateado inventava magia
Uma brisa calma trazia um doce perfume
E o amor era rei, felicidade e alegria...
Eu te amei pela minha vida inteira
Foste o meu céu, o meu sol, a minha paz
Meu vento de primavera, meu luar de encantos
Meu doce silêncio, meu amor adorado...
E eu te amarei pela eternidade toda...
Cravinhos, Outono de 2009.
SONHO
Se de tristezas a tua alma invade
E nada tens para fazer a cura
Cerra teus olhos à realidade
E sonha uma vida de ternura.
Sonha, enquanto há tempo ainda.
Sonha, é muito bom sonhar na vida.
"Nas verdes asas da ilusão querida
O sonho dá-nos felicidade infinda."
Felizes os que vivem na quimera!
Sonhar é ter um céu em plena terra!
É viver numa eterna primavera!
É ter as belezas que a vida encerra!
Vinhedo, Outono de 2008.
POESIA
Poesia é um bem que brota da alma
E passa pelos caminhos do coração
Poesia é a palavra que acalma
Transformando em amor uma paixão.
É alegria, é prazer, é saudade
É sentimento puro que define
Que para ser feliz basta a vontade
De viver de modo mais sublime.
Por isso não se preocupe com a rima
Vá colorindo o sonho, a flor, o amor
Sê simples, que é assim que a vida ensina
A ser poeta de real valor.
Vinhedo, Outono de 2008.
INFINITO
Se fosse luz
Se fosse paz
Se fosse cor
Se fosse mar
Não era luz
Não era paz
Não era cor
Não era mar
Se fosse canção
Se fosse luar
Se fosse sonho
Se fosse manhã
Não era canção
Não era luar
Não era sonho
Não era manhã
Se fosse riso
Se fosse mar
Se fosse alegre
Se fosse pão
Não era riso
Não era mar
Não era alegre
Não era pão
Se fosse chegada
Se fosse partida
Se fosse encontro
Se fosse adeus
Não era chegada
Não era partida
Não era encontro
Não era adeus
Se fosse logo
Se fosse cedo
Se fosse tarde
Se fosse já
Não era logo
Não era cedo
Não era tarde
Não era já
É tudo isso
E eternamente é
o bem mais precioso da vida
e que simplesmente
se chama AMOR!
Vinhedo, Outono de 2008.
LEMBRANÇAS DO INFINITO
Estou aqui porque chegaste
acenando-me com uma espécie de véu
Não sei até quando estarás comigo
Nesta hora doce, neste belo céu.
Surgiste com a manhã sorridente
E trouxeste vinho, pão e mel
De mãos dadas, olhar triunfante
Vamos assim caminhando ao léu.
Jardins imensos de infindas flores
Enfeitam este céu deslumbrante
Você e eu, eternos sonhadores
Vivendo uma vida de amantes.
E então, o tempo passa
E o doce sonho chega ao fim
Vejo o teu vulto pela vidraça
distanciando-se de mim.
Logo acordo e te procuro
A realidade é solidão
Lembranças deste sonho puro
Alegram meu coração.
Vinhedo, Outono de 2008.
URGÊNCIAS
É preciso amar
com tal intensidade
como se fosse o fim
e o amanhã fosse algo
distante no tempo...
É preciso ver
a nova estrela
e uma nova flor.
É preciso sorrir!
É preciso
marcar encontros
com a vida.
É preciso ouvir o vento
que passa.
É preciso
dar asas ao sonho.
É preciso ser um pouco louco
para ser feliz...
Vinhedo, Outono de 2008.
AUSÊNCIA DE VOCÊ
Esta ausência de você que me tortura
Tornando a vida cinzenta e triste
Envolve meus dias nessa amargura
Pois sem seu amor nada mais existe.
É um não-sei-quê sem definição
É um vazio no peito que não acalma
É um sofrer que maltrata o coração
É um lamento triste que vem da alma.
Se em algum lugar você estivesse
E eu ao seu lado ficar pudesse
Toda minha ternura eu lhe daria.
Mas, a dura realidade a tudo fenece
Tirando o bem, a paz e toda alegria
Deixando a dor que não se esvanece!
Vinhedo, Outono de 2008.
VEREDAS
Senhor, eis-me aqui de coração contrito
para beber a água pura da fonte,
à espera que depois venha o grito,
que transforme esta muralha em ponte.
Quero caminhar por Tuas Veredas,
para enobrecer o passo e renovar a vida,
buscando a luz em labaredas,
que surge nos versos de Tua Medida.
Feliz daquele que pode sonhar,
e um dia ser verbo e ser canção
espalhando amor, paz e união
Já não estará sozinho a caminhar
pois será um em todos a louvar
a Tua Grandeza e o Teu Coração.
Vinhedo, Outono de 2008.
JANELAS
Ah, janelas da minha vida!
Como se pudesse delas
enxergar o mundo!
Ou milhões de outros
que não conhecemos
nem precisamos saber...
Aliás, pouco
se precisa
para viver...
Enquanto isso,
outras janelas,
milhares delas,
se abrem
em todos os lugares,
com ares
de saberes
e quereres...
Para que se preocupar
com a existência de
outros sóis,
milhões deles
enquanto não vemos
a pequenina flor
que se desabrocha
nos jardins
da vida?...
E o tempo passa
voraz, ágil ,
enquanto janelas
se fecham
para outra vez se abrirem e
outras não mais se abrirem,
e o tempo passar
a vida levar
o amor,
a flor
...
Vinhedo, Outono de 2008.
NAS SENDAS DO ARCO-ÍRIS
(Valhala)
Nunca precisei de alguém como agora
que esta dor me aguilhoa e me tortura.
Não sei o que será de mim nesta piora.
Punge-me a alma a sofrer esta amargura.
De repente, tudo ficou triste e confuso,
em meio a letras, títulos e pendências.
Não sei até quando ficarei recluso,
à espera que resolvam esta carência.
Enquanto isto a dor agride, me apunhala
o corpo, tudo, o coração, a mente,
tal qual ignota e venenosa serpente.
Serei certamente levado por Odin ao Valhala...
Nas sendas do arco-íris descansarei, e entre
valquírias e deuses viverei eternamente...
Vinhedo, Outono de 2008.
O QUERER
Eu não te quero mais na minha saudade
Eu não te quero mais apenas em ideias
Eu não te quero mais apenas em sonhos
Eu não te quero, mais musa distante
Quero-te próxima, na minha frente
Quero-te vivendo nos meus sonhos
Quero-te realmente nos meus dias
Quero-te infinita no meu tempo
Quero-te no meu silêncio
Quero-te no meu fogo
Quero-te com ternura
E assim tu estarás comigo
E juntos seremos amor
Querendo o infinito...
Vinhedo, Outono de 2008.