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POEMAS DO INFINITO II

POEMAS DO INFINITO II

Autor:: Benevides Garcia
Gênero: Outras
Poemas do Infinito II reúne trabalhos do 2.° ciclo literário do autor. São poemas que emergem da alma, ganham vozes e tocam o coração, com gestos de amor em meio a solidão e o silêncio. "A casa do caminho está sempre à espera daquele que vem sozinho."

Capítulo 1 POEMAS DE PRIMAVERA

POEMA-QUASE PRECE (de Ternura)

Busca no entardecer a cor mais linda

Recolhe do vento uma oração

Sonha ao luar, sonhos de prata

Nos pingos da chuva, uma canção.

Abraça o tempo,

Coleciona a vida,

Inventa histórias

Pra rir e pra sonhar.

Sê luz em teus caminhos,

Sê estrela a brilhar!

Leva a paz aonde estiveres.

Louva os encantos do amor.

Sê feliz fazendo o mundo inteiro feliz...

Ri, ri bastante;

Vive a vida a sorrir:

Bem melhor ser palhaço

Que vilão da história!

Não corras!

É melhor ir devagar

Que o tempo é maior!

Ajuda!

Sê bom!

Sê amigo!

Semeia amor e bondade,

Sem pensar na colheita,

Mas que certamente

Um dia virá,

Aqui ou acolá,

(Ou um pouco mais além)

Na eternidade,

Amém...

Vinhedo, Primavera de 2009.

DESPRETENSIOSAMENTE

Talvez fosse bem melhor

Calar a boca

Seguir sozinho

O mesmo caminho

Para onde vão todas as almas loucas...

Talvez fosse

Mais certo

Um pouco mais de perto

Olhar com todo instrumento

Gerado pelo pensamento...

Quem sabe, talvez,

Muito mais previdente

Seria se transmudar em estrela brilhante

E viver como sempre quis

Divinamente quieto, no alto do céu e feliz!

Vinhedo, Primavera de 2009.

VAZIO

Às vezes, o vento...

Outras, a chuva...

...

Na manhã que surge...

Na tarde que morre...

Na vida que vai...

No tempo que passa...

Como tudo é sem graça

Sem você...

Vinhedo, Primavera de 2009.

MISTÉRIOS

Quem sou eu?

Que habita esse corpo

Que é meu...

Quem fui outrora

Num tempo distante, noutras eras

Ó vida de quimera

Ó sonho de meu Deus?

Sigo confiante sempre

Em meio a vendavais

Tormentas e procelas

Vejo a vida sempre bela

Tenho os olhos sorridentes...

Mas, de vez em quando

Bate uma agonia no peito

Tudo é tão triste que não tem jeito

Minha alma transmuda-me completamente

Estou em épocas diferentes

Sou outro, não sou eu

Quem sou esse que não sou?

Vinhedo, Primavera de 2009.

NA ETERNIDADE

Tudo me lembra você:

As flores do caminho

Os espinhos

O vento arrastando as folhas

A chuva...

De vez em quando

O frio na alma...

E essa saudade

Essa doída vontade

De ver

De ter

De amar você

Uma vez mais,

E quem sabe

Para sempre

Na eternidade!...

Vinhedo, Primavera de 2009.

TERTÚLIA

Sinto uma sensação ruim de coisas deixadas para trás,

uma tristeza fugidia não-sei-de-onde, que vem,

mansa e insidiosa

acabando com o que resta da minha alma...

Nem sei porque acabo me reunindo comigo mesmo:

(Dias há que, por mais que tento me encontrar

mais me escondo de mim...)

Ah, tem sempre o problema que envolve as tardes,

quando juntos ficamos numa mesa, quietos e sérios...

... trocando lembranças - afogados no álcool e na vida.

Quando o dia se vai ,

com ele também vão meu presente e meu passado...

E de repente,

na nossa frente, muda e calma chega a Noite;

sem ao menos pedir licença,

vai sentando, trazendo junto a Saudade,

fria, dolorida, - inquieta...

E assim ficamos uns de caras para os outros

nesse nosso quarteto de solidão.

Vinhedo, Primavera de 2009.

PEQUENO ENSAIO PARA SE SER FELIZ

No meu sonho tem

Uma canção bonita.

Tem passes de mágica.

Tem risos e abraços.

Tem água cristalina,

Que brota da fonte que não seca,

A correr num rio

Em forma de mil espelhos.

No meu sonho tem

Um castelo tão belo

Que dá gosto de se ver.

Nele mora um anjo,

De asas alvejantes

E de olhar azul,

Que pousa numa tela

E depois ri...

No meu sonho tem

Borboletas transparentes,

Que inventam cores,

De todas as flores

Que no meu sonho tem.

E em todos os cantos,

O meu sonho tem tanto encanto

Como o encanto do meu bem !...

Vinhedo, Primavera de 2008.

TUA AUSÊNCIA

Na lembrança dos teus passos

Construí minha vida.

Por onde andaste

Deixei o meu olhar

E a minha saudade.

Sou agora o silêncio que fica.

Sou sombra na escuridão.

Apenas caminho

Sem direção...

Vinhedo, Primavera de 2008.

PÓRTICO

Muitas

foram as flores

espalhadas nos caminhos.

A fragrância delas ainda perfuma

os meus passos e a saudade desse amor

consome minha vida num silêncio repleto de crepúsculos.

Quem sabe

o sonho possa trazer

fé e esperança aos corações.

O pranto se refaça num canto de alegria.

De todo adeus nasça a certeza de novos encontros.

E o amor seja para sempre a verdade primeira desta vida.

Vinhedo, Primavera de 2008.

INTERLÚNIO

Pelos lúgubres caminhos

Folhas secas

Vão sendo arrastadas pelo vento

Como sortes lançadas

Pelos dados do destino...

Passos solitários

Esperam

Que a vida

Descubra os encontros

Entre tantas ausências

Que ficaram

Nas lembranças adormecidas

De um tempo feliz...

Vinhedo, Primavera de 2008.

PRIMAVERA

Distante de ti, passou por mim a primavera

Cheia de flores, num setembro festivo,

Quando tua presença, mais e mais quisera

Neste meu mundo, que de saudades vivo.

Cantos e odores, neste roseiral sem fim,

Doces lembranças de feliz folgar

Fizeram-me esquecer um pouco de mim,

E sentir teu jeito gostoso de amar.

E absorto neste mundo de encantos

Esqueço da vida, nem sinto o tempo passar

Neste paraíso de adocicadas primícias;

Mas, de mansinho, por entre folhas e flores,

Raios de sol despertam o meu sonhar

Findando assim, minha hora de delícias.

Vinhedo, Primavera de 2008.

Capítulo 2 POEMAS DE VERÃO

CORAÇÃO

Ah, coração cigano

Que culpa tenho eu -

- Se me mostras as belezas da vida –

As paixões

Os amores

As lembranças queridas?...

E assim vou eu,

Pé na estrada,

De cara pro vento,

Coração aberto,

Rumo nem sempre certo...

Felicidade,

Um trem de ferro na colina verdejante

Margeando um rio que corre

Caprichoso, sinuoso

Cujos olhos teimam em ficar!

Ah, coração

Se me amas tanto

Abranda de meu peito esta saudade

Dá-me de teus sonhos para sonhar

Abriga-me em tua ilusão

Agora e sempre

Para toda a vida

Eternamente...

Vinhedo, Verão de 2009.

OFERENDA (das horas sem tempo...)

Se quiseres

[Ó dúvida cruel

Por que esse desdém

Se até as flores têm

A dádiva do querer?...]

Serei água cristalina

Do riacho mais distante

Escondido da vazante

Que brota do teu olhar...

Se quiseres

Posso te ofertar

A estrela derradeira

Que um dia foi a primeira

Que no céu eu vi brilhar...

Se quiseres

A vida inteira

E mais além

Nossas almas serão companheiras

Por todos os séculos dos séculos

Amém...

Vinhedo, Verão de 2010.

INÚTIL

Queria dizer tantas coisas;

Outras tantas fazer.

O tempo passa...

A vida passa...

E há flores no jardim.

Vinhedo, Verão de 2009.

NÁUFRAGO

Onde será que deixei

aquela saudade doída

que tanto me fez sofrer

noite e dia sem parar?...

Ainda guardo doces recordações daquela tarde

O sol tingia de bordado as nuvens do céu

Éramos um só coração a caminhar entre as flores

E você era minha ternura e meu doce mel.

A felicidade acompanhava nossos passos

Em todos os cantos reinava a alegria

Havia muito amor, eram tantos os laços

E entre os abraços, uma suave sinfonia.

Tudo agora ficou tão distante

Não há mais tardes como aquela

Você deixou uma saudade lancinante

Neste navio naufragado, sem porto, sem vela...

Cravinhos, Verão de 2009.

ESSE AMOR

O amor que trago em mim

É uma suave canção

É bálsamo para a minha alma

É minha certeza e meu querer.

Acorda-me com as manhãs

E enfeita meu dia com risos.

Pinta meu horizonte

com as cores do infinito

E se põe a brincar.

À noite, traz-me poesia

Enche-me de sonhos e de alegria

E me convida para sonhar...

Às vezes penso

que a vida é mesmo assim

Vou vivendo iludido

Das dores e mágoas esquecido

Amando esse amor em mim...

Vinhedo, Verão de 2009.

DEFINITIVAMENTE...

Minhas manhãs

não têm mais canto de pássaros

não têm mais o odor das flores

não têm mais meu sol de maravilhas...

Meus dias

perderam a cor

perderam o candor

e meu tempo é passado

sem nenhum valor...

Há muito minhas janelas se fecharam

deixando-me um mundo solitário e triste.

Houve um tempo...

Agora...

Não há mais tempo

Não há mais alegria

Há somente essa ausência dolorida

de você na minha vida.

Não mais canto de pássaros...

Não mais o perfume das flores...

Vinhedo, Verão de 2009.

MINHA CANOA

Minha canoa

Navega por rios profundos

Vai em busca de outros mundos

Minha canoa vive a navegar...

Como sempre tem um rumo

Jamais perde o prumo

E quando sai

Não tem vontade de voltar...

Ela singra rios e lagos

É levada pelos ventos

Ela lê meus pensamentos

E me leva pra pescar...

E assim

Quando me ponho a sonhar

A saudade até

Arruma tempo pra ficar...

Vinhedo, Verão de 2009.

MEU MEDO

Se algum dia eu me perder de mim é porque não tenho

mais você na minha vida...

Sabe...

Tem hora que eu tenho medo:

Medo da vida.

Medo da morte.

Medo de não ser mais eu.

Medo de não ter você!

Às vezes sonho

e tudo se confunde

porque não consigo enxergar você na minha vida...

Tenho medo dos costumes tardios

que não mais despertam paixões adormecidas...

Tenho medo do amor.

Faz muito tempo

que já nem sei mais falar

das manhãs que acordava com flores

na minha janela.

Esqueci-me por completo

das cores do pôr-do-sol.

Em dias de cinza,

um vento manhoso

arrasta meus pensamentos

que voam como folhas arrancadas

do livro do destino.

Tenho medo de tudo!

Estou prisioneiro das minhas emoções

e esta solidão de você machuca-me a alma

levando para longe de mim, teus carinhos e teu amor.

Velhas canções despertam lembranças doces

[ e amargas

e povoam, impiedosamente, meus dias de solidão.

Estou só...

E sem você,

tenho medo de mim...

Cravinhos, Verão de 2008.

DIAMANTE DE LUZ

Ainda lembro, na mais tenra idade,

o desvelo terno e doce com que me cuidavas.

E depois ainda já na mocidade,

maior era o amor que me dedicavas.

E assim foi pela vida afora:

cheia de cuidados e de amores.

Até que um dia, serena, foste embora,

levada pelos céus, deixando apenas dores.

Ser querido, síntese da bondade.

Essência suprema do Amor Maior.

O mais precioso bem que se tem na vida.

Tesouro de luz infinita a rutilar,

para todo sempre hás de brilhar,

no meu coração, minha mãe querida!

Vinhedo, Verão de 2008.

PACTO DO AMOR DISTANTE

Acho que vivemos de espera,

Acho que fizemos um pacto

em outras eras...

Acho... que sei eu, para dizer acho,

deste amor por quem eu me racho

e me esborracho?

...

E este medo de amar

esta indecisão,

que coloca dúvidas na vida

e tranca o coração!

Mas...

Até quanto

isto tem de real?

E quem sabe dizer se é amor?

Se o que sei

é que o poeta é um fingidor...

É preciso sorrir nas tardezinhas

E depositar os nossos cansaços

nas distâncias que separam os sonhos

enquanto é tempo

no instante pequeno...

Acho...

Vinhedo, Verão de 2008.

ASAS DO TEMPO

Ah, essa vontade louca de ficar...

A vida inteira, se pudesse eu ficaria,

e a teu lado feliz eu viveria,

horas e horas, sem ver o tempo passar.

Ah, se pudesse, mas tudo me impede

e me arrasta, e me sufoca numa histeria,

que o espírito grita e o corpo cede,

prostrando-me nesta sofrida agonia:

Nas asas do tempo me faço refém,

pedaços de sonho de coisas esquecidas,

confundem-me a mente e a alma também.

Aceno um adeus e vou seguindo além;

como farrapos da vida enlouquecida,

parto e reparto e já não sou ninguém.

Vinhedo, Verão de 2008.

MALDIÇÃO

Quem se vê abandonado, sem amor

Por todos desdenhado e sem carinho:

Quem sofre a mais atroz e triste dor,

Quem, em silêncio, chora as mágoas sozinho.

Quem não pode descartado e esquecido

Buscar carinho entre todos deste mundo.

E a chorar vive como um vagabundo,

Sem ter quem lhe chame de querido.

Descansará desta vida tão ingrata,

Cheia de dias vazios, de tristeza infinda,

Que só aumenta a saudade que maltrata.

E lá naquele lugar soturno e triste:

Terá abrigo, numa fria e funda cripta,

Ao lado de tantos que a vida foi madrasta!

Vinhedo, Verão de 2008.

ELA

I

Quem é aquela

de nome bonito

que chega airosa

Tão bela,

singela,

desfilando encantos

na passarela

do meu olhar?

II

É a mesma

de ares benditos,

que passa depressa,

levando consigo,

meu coração...

Vinhedo, Verão de 2008.

VELA

Há uma vela

naquela janela...

Quem será

que ela vela?...

Quisera

ser ela...

A vela

que vela

aquela donzela...

Vinhedo, Verão de 2008.

INÚTIL POESIA

Sou simplesmente

um ser,

que ama,

que sofre,

e que canta,

que nasce mil vezes,

e morre outras tantas,

que busca seu lume,

no clarão das estrelas,

que escreve saudades,

no portal das lembranças,

que anda sem pressa,

mas que corre e que dança,

e que,

por isso,

não sabe,

se chora,

ou se ri...

Vinhedo, Verão de 2008.

SANTUÁRIO

Caminho por uma estrada florida

Envolta de ternura e graça

Até chegar a uma praça

Onde se ergue tão bela ermida.

Extasiado, quedo-me, de pé

E adentrando em tão belíssimo templo

Sinto aumentar a minha fé

Enquanto ouço um suave alento.

Mãe Rainha, és pioneira

Nesta terra ínclita e ordeira

Nesta Orlândia que admiro tanto.

Sê Rainha de nossos corações

Doce Mãe, sempre Altaneira

Mãe do meu mais puro encanto!

(para Celina, com amor e fé)

Vinhedo, Verão de 2008.

AMADA IMORTAL

Por mais que o céu me condene

Por mais que hajam castigos e dores

Por mais que tudo neste mundo

Seja um inferno de horrores

Não hei de, em momento sequer

Deixar marcas, nem rumores

Mesmo que para isto houver

Tesouros, riquezas e valores

O que guardo no coração

Recôndito perene da alma sofrida

É aquilo que levarei na partida:

Doces momentos de infinita paixão

Amada minha, eterna ilusão

Razão maior de toda minha vida!

Vinhedo, Verão de 2008.

Capítulo 3 POEMAS DE OUTONO

TURBILHÃO

E vem essa vontade louca

Que sacode a alma

Esse querer ser teu e fazer-te minha

Essa saudade intensa que a tudo invade

Essa distância que cada vez mais se avizinha...

E então sonho contigo em meus braços

E nesses instantes sou teu e tu és minha

E tudo é encanto, é riso, é sonho, é amor

A vida vibra de luz, de som, de cor

Sou teu, eternamente teu

Em teus braços finalmente descanso

Mas esse sonho infelizmente termina

E vem essa tristeza imensa

Nessa minha pobre sina...

Vinhedo, Outono de 2009.

QUANTO TEMPO MAIS...

É preciso acreditar

Embora a hora seja difícil...

É preciso ter fé na vida

Ter fé em Deus

Crer no amor.

Há que se viver perseguindo um sonho

É preciso vibrar com o coração.

É preciso acreditar embora tudo diga não

É preciso viver a vida numa eterna paixão...

Quanto tempo mais eu terei

Para ver o sorriso de uma criança

O desabrochar de uma nova flor

O surgimento de um novo dia?

O tempo passa

E a vida é floco de paina

Arrastada pelo vento...

É preciso amar

Pois só o amor permanece

Quando nada mais restar

E o silêncio for maior...

Vinhedo, Outono de 2009.

CANTIGA NOTURNA

Ah, toda ternura

Faz reacender

Uma imensa saudade de você...

Todos os beijos do mundo

São como perfume de suas mãos,

A espalhar amor feito canção...

Como pirilampos primaveris,

Que deixam sua luz

Nas flores da noite,

Meus sonhos são vôos de luz

Pela madrugada silenciosa...

Navego pela noite

Meu sonho de amor...

Nem por isso

Sou alegre ou triste:

Apenas navego e sou...

É preciso saber florir

Ser verso e raiz

Para se ser realmente feliz!

Ah, os espelhos!

Silenciosos e frios,

Guardam os olhares do mundo!

Infelizes daqueles

Que esqueceram neles

O riso e a alegria de viver...

Vinhedo, Outono de 2009.

DE AURORAS E DE PAIXÃO

I

Tem horas que fico a pensar

E nem sei se é bem assim.

Há tanta coisa estranha na vida,

Que lendo meus pensamentos

Ou rio, ou choro ou fico quieto.

Depois, ao longo da noite

Imagino cantigas para dormir,

Enquanto um vento ligeiro

Visita meus sonhos...

... lá vou eu, hesitante

Eterno cavaleiro andante

Sem parada e sem amor.

Às vezes canto,

Às vezes me calo,

A vida é um grande embalo...

II

Tenho pavor dos relógios

Marcando as horas sem parar.

Com eles meu tempo é efêmero

E a vida uma casca de noz...

III

E agora que faço aqui parado

À espera que o vento passe

E que o tempo ressuscite

A alegria de viver...

IV

Tento ler um livro e não consigo

Não há flores no jardim.

E os espinhos são agudos

A ferir minha alma, pobre de mim...

V

Tantas coisas ficaram para trás...

Tantos amores passaram

Tanta dor,

E essa solidão...

VI

Não há mais rastros nos caminhos de outrora.

Todos os luares ficaram inúteis.

Calaram violão e poeta.

No papel branco apenas um verso de adeus.

VII

Ao longe

Uma canção cigana

Traz lembranças antigas

De estradas e de auroras.

Em seus versos

Há marcas de paixão,

Tingindo de vermelho

Uma história de amor...

VIII

De onde venho

Chovem pétalas de rosas

Nas tardes de abril.

Há uma cantina na esquina

Onde há dança e bailarina

Como nunca ninguém viu...

IX

Por outro lado

Há um deserto

Parece mais mar aberto

De silêncio e imensidão.

Não há mais canto de pássaros,

Apenas um triste mormaço

E em tudo só solidão...

X

As pessoas não morrem

Apenas mudam...

Há pouco tempo

Numa cidade, outro lugar

Encontrei um amigo que há tempos partiu

Tomando cerveja na mesa de um bar...

XI

Vontade de rir há muita,

De chorar também.

Triste sina de ser alguém,

Que vive aqui e ali

À procura de um bem...

Cravinhos, Outono de 2009.

MEDIDA

Aqueles que descansam

No pó das estrelas;

Que já colheram

Do jardim as maçãs;

São viajantes do cosmo

Libertos da frágil casca:

São novamente um.

Por certo,

Só contemplarão a luz,

Se a 'Caronte'pagaram

A travessia do rio dos mortos...

A Roda da Fortuna gira

Não se sabe para quem...

Não importa

A chuva.

O sol.

O quente.

O frio.

Não importa...

Nada mais importa...

O amor é ilusão sem fim

Que se mede pelo tamanho da nossa fé.

E se não há muito para você

Não há mais nada para mim...

Vinhedo, Outono de 2009.

ESSA QUE EU HEI DE AMAR...

Essa que eu hei de amar um dia

com um amor profundo e terno,

será talvez o meu inferno,

ou o meu céu de alegria.

Não ficarei como o príncipe da poesia

à espera do amor num calmo inverno.

E tão absorto, nessa utopia

a rabiscar alguns versos no caderno.

Irei amá-la com todo meu amor,

com tal paixão e zelo

e com todo meu desvelo.

Seremos um do outro com fervor,

com ternura e todo anelo,

nesse mundo encantador.

(à memória de Guilherme de Almeida, que como Bilac

também recebeu a honraria de "Príncipe dos Poetas Brasileiros")

Vinhedo, Outono de 2009.

AMOR EM PEDAÇOS

Eu te amei naquela manhã

O céu pintava de dourado à espera do sol

Flores brancas balançavam ao vento suave e macio

E havia silêncio, quietude e paz...

Eu te amei naquela tarde

O sol partia deixando um rastro avermelhado

A força do vento açoitava as flores tristes

E tudo era paixão, lamento e dor...

Eu te amei naquela noite

Um luar prateado inventava magia

Uma brisa calma trazia um doce perfume

E o amor era rei, felicidade e alegria...

Eu te amei pela minha vida inteira

Foste o meu céu, o meu sol, a minha paz

Meu vento de primavera, meu luar de encantos

Meu doce silêncio, meu amor adorado...

E eu te amarei pela eternidade toda...

Cravinhos, Outono de 2009.

SONHO

Se de tristezas a tua alma invade

E nada tens para fazer a cura

Cerra teus olhos à realidade

E sonha uma vida de ternura.

Sonha, enquanto há tempo ainda.

Sonha, é muito bom sonhar na vida.

"Nas verdes asas da ilusão querida

O sonho dá-nos felicidade infinda."

Felizes os que vivem na quimera!

Sonhar é ter um céu em plena terra!

É viver numa eterna primavera!

É ter as belezas que a vida encerra!

Vinhedo, Outono de 2008.

POESIA

Poesia é um bem que brota da alma

E passa pelos caminhos do coração

Poesia é a palavra que acalma

Transformando em amor uma paixão.

É alegria, é prazer, é saudade

É sentimento puro que define

Que para ser feliz basta a vontade

De viver de modo mais sublime.

Por isso não se preocupe com a rima

Vá colorindo o sonho, a flor, o amor

Sê simples, que é assim que a vida ensina

A ser poeta de real valor.

Vinhedo, Outono de 2008.

INFINITO

Se fosse luz

Se fosse paz

Se fosse cor

Se fosse mar

Não era luz

Não era paz

Não era cor

Não era mar

Se fosse canção

Se fosse luar

Se fosse sonho

Se fosse manhã

Não era canção

Não era luar

Não era sonho

Não era manhã

Se fosse riso

Se fosse mar

Se fosse alegre

Se fosse pão

Não era riso

Não era mar

Não era alegre

Não era pão

Se fosse chegada

Se fosse partida

Se fosse encontro

Se fosse adeus

Não era chegada

Não era partida

Não era encontro

Não era adeus

Se fosse logo

Se fosse cedo

Se fosse tarde

Se fosse já

Não era logo

Não era cedo

Não era tarde

Não era já

É tudo isso

E eternamente é

o bem mais precioso da vida

e que simplesmente

se chama AMOR!

Vinhedo, Outono de 2008.

LEMBRANÇAS DO INFINITO

Estou aqui porque chegaste

acenando-me com uma espécie de véu

Não sei até quando estarás comigo

Nesta hora doce, neste belo céu.

Surgiste com a manhã sorridente

E trouxeste vinho, pão e mel

De mãos dadas, olhar triunfante

Vamos assim caminhando ao léu.

Jardins imensos de infindas flores

Enfeitam este céu deslumbrante

Você e eu, eternos sonhadores

Vivendo uma vida de amantes.

E então, o tempo passa

E o doce sonho chega ao fim

Vejo o teu vulto pela vidraça

distanciando-se de mim.

Logo acordo e te procuro

A realidade é solidão

Lembranças deste sonho puro

Alegram meu coração.

Vinhedo, Outono de 2008.

URGÊNCIAS

É preciso amar

com tal intensidade

como se fosse o fim

e o amanhã fosse algo

distante no tempo...

É preciso ver

a nova estrela

e uma nova flor.

É preciso sorrir!

É preciso

marcar encontros

com a vida.

É preciso ouvir o vento

que passa.

É preciso

dar asas ao sonho.

É preciso ser um pouco louco

para ser feliz...

Vinhedo, Outono de 2008.

AUSÊNCIA DE VOCÊ

Esta ausência de você que me tortura

Tornando a vida cinzenta e triste

Envolve meus dias nessa amargura

Pois sem seu amor nada mais existe.

É um não-sei-quê sem definição

É um vazio no peito que não acalma

É um sofrer que maltrata o coração

É um lamento triste que vem da alma.

Se em algum lugar você estivesse

E eu ao seu lado ficar pudesse

Toda minha ternura eu lhe daria.

Mas, a dura realidade a tudo fenece

Tirando o bem, a paz e toda alegria

Deixando a dor que não se esvanece!

Vinhedo, Outono de 2008.

VEREDAS

Senhor, eis-me aqui de coração contrito

para beber a água pura da fonte,

à espera que depois venha o grito,

que transforme esta muralha em ponte.

Quero caminhar por Tuas Veredas,

para enobrecer o passo e renovar a vida,

buscando a luz em labaredas,

que surge nos versos de Tua Medida.

Feliz daquele que pode sonhar,

e um dia ser verbo e ser canção

espalhando amor, paz e união

Já não estará sozinho a caminhar

pois será um em todos a louvar

a Tua Grandeza e o Teu Coração.

Vinhedo, Outono de 2008.

JANELAS

Ah, janelas da minha vida!

Como se pudesse delas

enxergar o mundo!

Ou milhões de outros

que não conhecemos

nem precisamos saber...

Aliás, pouco

se precisa

para viver...

Enquanto isso,

outras janelas,

milhares delas,

se abrem

em todos os lugares,

com ares

de saberes

e quereres...

Para que se preocupar

com a existência de

outros sóis,

milhões deles

enquanto não vemos

a pequenina flor

que se desabrocha

nos jardins

da vida?...

E o tempo passa

voraz, ágil ,

enquanto janelas

se fecham

para outra vez se abrirem e

outras não mais se abrirem,

e o tempo passar

a vida levar

o amor,

a flor

...

Vinhedo, Outono de 2008.

NAS SENDAS DO ARCO-ÍRIS

(Valhala)

Nunca precisei de alguém como agora

que esta dor me aguilhoa e me tortura.

Não sei o que será de mim nesta piora.

Punge-me a alma a sofrer esta amargura.

De repente, tudo ficou triste e confuso,

em meio a letras, títulos e pendências.

Não sei até quando ficarei recluso,

à espera que resolvam esta carência.

Enquanto isto a dor agride, me apunhala

o corpo, tudo, o coração, a mente,

tal qual ignota e venenosa serpente.

Serei certamente levado por Odin ao Valhala...

Nas sendas do arco-íris descansarei, e entre

valquírias e deuses viverei eternamente...

Vinhedo, Outono de 2008.

O QUERER

Eu não te quero mais na minha saudade

Eu não te quero mais apenas em ideias

Eu não te quero mais apenas em sonhos

Eu não te quero, mais musa distante

Quero-te próxima, na minha frente

Quero-te vivendo nos meus sonhos

Quero-te realmente nos meus dias

Quero-te infinita no meu tempo

Quero-te no meu silêncio

Quero-te no meu fogo

Quero-te com ternura

E assim tu estarás comigo

E juntos seremos amor

Querendo o infinito...

Vinhedo, Outono de 2008.

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