Helen saiu da igreja e passou por seu segurança e viu que ele estava como sempre atento a tudo ao redor. Ela odiava ter um, mas viu-se obrigada a aceitar essa exigência de seu pai. Desde que se conhecia como gente via sua liberdade violada. Não podia ir para nenhum lugar sem que tivesse a tiracolo um capanga de seu pai.
Sua mãe havia morrido assassinada quando ela tinha treze anos.
Como isso aconteceu até agora era um mistério. Simplesmente uma noite, homens entraram em sua casa e a sequestraram. Dias depois exigiram o resgate. E mesmo a quantia sendo paga o corpo de sua mãe foi colocado sem vida em frente a mansão.
Estava sem roupas e a garganta cortada.
O laudo dissera que ela havia morrido há pelo menos doze horas atrás, ou seja: Já estava morta quando o resgate foi pago.
Aquilo havia mexido com ela.
Helen tinha pesadelos terríveis e há dez anos era obrigada a aceitar que um homem a acompanhasse aonde quer que fosse.
Seu nome era Raul. E já estava naquele cargo há pelo menos três anos.
Helen lembra quando o conheceu. Nunca teve um segurança tão bonito e atraente.
E Raul era isso. E muito mais!
Ele colocou uma mão em suas costas e a conduziu até o carro brindado parado à frente da igreja.
Ela entrou e ele logo a seguir, dando sinal para ao motorista que podiam ir.
- Não demorou muito hoje.
A voz dele era rouca e forte. E todas as vezes que o ouvia, sentia algo dentro dela inexplicável.
- Preciso terminar um quadro e não estava muito inspirada hoje nas minhas orações.
Ele deu um risinho debochado.
- Preciso que você escolha outra igreja para suas orações Helen... Essa aqui está muito afastada e muito visada.
- Ah... Não Raul, eu gosto dessa. Minha mãe vinha aqui e tem essa coisa em memória à ela.
Ele a olhou sério:
- Sinto muito Helen! Mas será necessário.
Ela cruzou os braços irritada.
- Eu não tenho escolha, certo?
- Exatamente. – Respondeu ele.
Helen encostou a cabeça no encosto do carro.
Droga!
- Que vida miserável. Daria tudo para ser uma mulher comum!
Raul a olhou e olhou o relógio:
- Muitas mulheres queriam sua vida!
- Pra quê Raul? Hoje é sexta feira e uma pessoa normal estaria sentada num bar, restaurante, na rua comendo um cachorro quente... Eu tenho que ir correndo para casa, pois uns loucos buscam-me sequestrar há mais de dez anos!
- Correto!
Ela fechou os olhos, totalmente irritada.
- Você não se importa não é? Tem sua vida! É livre!
- Eu fico vinte quatro horas por dia da minha vida atrás de você. Salvo os dias de minha folga!
Ele fez o sinal do indicador.
- Tenho um dia de folga Helen. Acha mesmo que sou livre?
Ele desviou o olhar para fora do carro, à noite começando a cair.
- Mas você tem escolha Raul. Eu não!
- Não tenho escolha.
- Se você quiser, pode conseguir outro emprego e viver sua vida. E eu?
Sua voz era triste e Raul a encarou, seus olhos eram frios e sem expressão.
- Estamos chegando.
Helen viu as luzes da mansão e suspirou. Ele deveria achá-la essas meninas ricas e mimadas que não tinham direito a reclamar de absolutamente nada. Olhou de novo a mansão. Teria a noite de sempre: Na frente de uma tela. Captando sentimento e colocando nela. Durante anos esse era seu hobby principal. A vida estava desfilando na sua frente e o que ela fez de emocionante? O que era sua vida? Além de ir à igreja e voltar correndo para pintar? Nunca teve grandes amizades, os rapazes que conheceu no período da faculdade tinham pânico dos seguranças que viviam em seu encalço. Só conseguiu dar seu primeiro beijo na formatura e mesmo assim, o rapaz havia sido empurrado para longe dela.
Teve que sair às pressas sem mesmo conseguir o contato dele para quem sabe marcarem um encontro.
Uma noite ela conseguiu fugir, tinha dezesseis anos. E aquele dia havia sido o mais triste e violento de toda sua vida. Com a ajuda da sua babá, que na época ainda morava lá, uma espécie de acompanhante e governanta. Ivone planejou uma festa com suas colegas e sem que os seguranças soubessem, ela saiu. Com a promessa que voltaria antes de amanhecer. Como a festa era a fantasia, a chance de ser descoberta era mínima.
Porém naquele dia um dos seus colegas resolveu dar a Helen uma das piores experiências, que nenhuma mulher gostaria passar.
Roberto era seu nome, o garoto mais bonito da escola, simplesmente queria ficar com ela naquela noite e então depois de beber algumas cervejas ela havia ido para um quarto com ele. As coisas foram ficando tensas quando ele percebeu que ela ainda era virgem. Mesmo insistindo que Roberto fosse carinhoso o rapaz simplesmente não conseguiu controlar-se e o que deveria ter sido sua incrível primeira transa, foi uma cena de horror, que ela nem gostava de lembrar. No final, depois que Roberto havia gozado, se levantou da cama e riu de sua pouca experiência. Em seguida entraram mais dois rapazes e abusaram dela, mesmo sob seu protesto. Depois de praticarem o ato, eles foram embora deixando uma envergonhada e triste menina deitada sobre a cama, nua e sem coragem de sair.
Ela lembra que o sol já começava a surgir quando seu pai e Ivone chegaram a casa. Seu pai aos berros perguntando o que havia acontecido e Ivone chorando pedindo desculpas. Isso custou à demissão da amada Ivone! Depois disso, elas nunca mais se viram.
O pai nem mesmo permitiu que se despedisse da velha amiga.
Ivone ficou tão preocupada que ela não retornou no horário combinado que acabou confessando que havia ajudado Helen para ir à festa. Seu pai havia praticamente arrastado ele até aonde acontecia a festa, e quando a encontraram daquela forma lastimável, furioso havia demitido a sua babá.
Meses depois os três rapazes haviam sido presos. Era impossível que o grande magnata do petróleo deixasse que eles saíssem impunes daquilo.
Eles confessaram que haviam feito amor com ela, mas com seu consentimento. Então, eles acabaram sendo libertos. Porém, meses depois Helen ficou sabendo da morte dos três rapazes, o carro que eles estavam perdeu o controle e todos haviam perdido a vida no acidente.
E essa havia sido sua única experiência sexual de sua vida.
Ela tinha hoje vinte e três anos e zero de experiência sexual.
Depois disso entrava em pânico quando via um homem. E somente depois que Raul passou a ser seu segurança, que ela percebeu que havia baixado a guarda.
Não queria admitir, mas sentia uma forte atração pelo empregado de seu pai. Seu segurança particular!
Raul Monteiro era uma figura máscula!
Tinha trinta e um anos e solteiro. Era a única coisa que sabia daquele misterioso homem.
Seu corpo forte bem distribuído nos seus um metro e oitenta e cinco de altura, sua pele sempre bronzeada devido a seus trabalhos ao sol. Ela cansou de vê-lo passar correndo, se exercitando no imenso quintal da mansão.
Ela ficava de sua janela, escondia, vendo o correr. Suas pernas musculosas e um corpo que parecia ter saído de uma revista.
Vivia numa mansão com seu pai e dezenas de empregados. Em quase todos os cômodos uma câmera.
Quem entrasse ali nunca conseguiria sair sem ser visto ou abatido por um dos seguranças altamente treinados.
Ela saiu do carro sendo ajudada por Raul. Ele a conduziu até a entrada principal e depois voltou já pronto a sair.
- Raul. – Helen o chamou e ele parou dando meia volta.
- Preciso falar com você!
Ele olhou ao redor e entrou junto com ela na espaçosa sala.
- Raul, por favor, você precisa me ajudar! Eu quero sair! E eu só confio em você pra isso...
Ele estava sério, parecendo não entender o que ela dizia.
- Você quer sair e quer que eu te ajude?
- Eu quero ir num lugar especial! Mas só com você... Sem aquele monte de seguranças atrás da gente! Em alguns dias é meu aniversário Raul, seria um presente...
Ele olhou ao redor parecendo pensar no que ela pedia.
- Isso é muito importante pra você?
- Sim. Muito! Eu quero ver gente, dançar, beber! É pedir muito?
Ele ficou em silêncio, pensando no que ela dizia.
- Vou ver o que posso fazer!
Ela deu um gritinho de alegria.
- Calma, não comemore ainda. Eu disse que verei o que posso fazer!
Ela se aproximou dele e sua cabeça batia em seu tórax.
- Obrigada Raul, obrigada! Eu tenho certeza que você achará um meio.
Ele fez um gesto com a cabeça e saiu.
Helen rodopiou na sala feliz. Se existia uma coisa que Raul tinha de bom era, conseguir tudo que queria. Ele era inteligente e dedicado. E era o único que ainda trabalhava para o pai depois de tantos anos. Rubens Melquias confiava nele e ela também.
Sabia que ele daria sua vida para salvá-la.
Poderia ela confiar em mais alguém que ele para levá-la para sair durante à noite no dia de seu aniversário?
Sem falar que ela queria muito ficar a sós com ele.
Há muito tempo que sentia aquela atração por Raul. Ele era a perfeição em forma de homem, e por várias vezes ela imaginou sendo acariciada por aquelas mãos ou sentindo o calor de seu corpo. Mas ele parecia totalmente alheio a todos os seus olhares. Não era de se esperar que algum homem sentisse atraído por ela. Helen era uma mulher normal. Com seus longos cabelos de fogo! Como sua mãe a descrevia desde criança. Mas isso nunca havia sido motivo dela ser atraente. Ela se achava até mesmo feia.
Seu corpo era curvilíneo, mas sem graça. Ela se achava sem graça!
Não tinha aquela coisa sexy que via em várias mulheres.
Para começar ela não sabia conversar. Ficava perdida nas palavras. Principalmente depois do ocorrido naquela festa há dez anos atrás. Por isso havia optado pelas artes. Lá ela poderia criar, sem precisar dizer ou se mostrar.
Sua timidez era tanta que mesmo antes de sofrer aquele abuso, ela não conseguia uma aproximação com o sexo masculino. Apenas imaginava sua vergonha e humilhação. Fechou os olhos, sentindo o mesmo pânico querendo invadi-la de novo.
Não! Ela não podia continuar assim. Iria aguardar a resposta de Raul.
Isso seria uma comemoração para seu aniversário de vinte e quatro anos! O que passou! Passou!
Era isso!
Ela subiu ao terceiro andar da mansão e foi para sua galeria. Era ali que podia ser ela mesma, sem que ninguém questionasse. Seu pai achava aquela sua obsessão em ser uma pintora um desperdiço. Mas ele não entendia a sua necessidade de dizer alguma coisa e ali naquela tela ela conseguia ser ela. Sem medo.
Estava totalmente entregue a sua nova pintura quando ouviu um barulho na porta. Ela olhou desconfiada e perguntou:
- Quem é?
- Sou eu...
Ela teve um sobressalto reconhecendo aquela voz sensual e rapidamente colocou uma toalha sobre a tela.
- Entre.
Limpando as mãos no avental, viu quando Raul entrou no recinto. Ele havia tirado o paletó e estava penas com a camisa incrivelmente branca e a calca preta. Ele olhou ao redor e ela nunca entendia o que ele tanto procurava. Parecia sempre em alerta.
- Estive pensando no seu pedido.
Sua voz era sempre firme e sem emoção. Ela sentiu de novo seu sangue correr tão rapidamente que se sentia sem fôlego.
- E?
- O que você fará se seu pai descobrir que você saiu?
Ela sentou no sofá e fez sinal que ele a acompanhasse.
- Eu temo por você Raul a última pessoa que me ajudou há alguns anos, perdeu o emprego.
Ele assentiu.
- Conheço a historia!
Helen o olhou espantada e surpresa.
- Sim, seu pai contou sobre isso! Sobre sua babá, e deixou claro que, se isso um dia viesse acontecer de novo o destino da pessoa seria o mesmo.
Ela abaixou a cabeça totalmente desanimada. Quem em seu juízo perfeito iria enfrentar seu pai e perder o emprego?
- Mas, eu irei te ajudar.
Ela olhou para ele, entre surpresa e feliz...
- Sério!
Helen levantou num impulso, mas ele a conteve.
- Para começar, você deve parecer normal... Nada de mudar seu comportamento, ok?
Ela concordou.
- Por que você vai se arriscar para me ajudar?
Raul não respondeu de imediato e vasculhava seu rosto e como sempre ela nunca sabia o que pensava.
Por fim ele respondeu:
- É seu aniversário!
- Ah, corta essa! – Disse ela rindo.
Ele deu um pequeno sorriso e ela o achou ainda mais encantador.
- Vamos dizer que gosto de uma adrenalina! E sua baba não foi contigo na tal festa. Eu vou, ficarei no seu calcanhar a noite toda.
Ela concordou animadíssima.
- E eu posso escolher o local?
Ele encolheu os ombros:
- É seu aniversário!
Ela já sabia exatamente aonde queria ir. Desde jovem que queria ir a um lugar aonde pudesse dançar a noite toda e quem sabe encher a cara?
Ela riu.
Mas dessa vez ela não estaria sozinha e Raul faria qualquer coisa para protegê-la.
- Eu quero dançar a noite toda Raul e beber, encher a cara!
Ele riu, agora mais à vontade.
- Sério isso?
- Sim... E você não tem medo que meu pai desconfie de alguma coisa?
- Para começar nós não iremos ao dia de seu aniversário... Isso levantaria suspeita.
Ela concordou.
- Antes ou depois?
- Antes...
Ela estava tão animada que queria sair dançando.
- Não demonstre nenhuma emoção, certo?
Ele repetiu.
- Meu Deus! Eu não acredito que farei isso de novo! A última vez que fui... Bem você já sabe.
- Você não deveria sentir-se envergonhada, não teve culpa de nada!
Ela foi até a janela e olhava perdida para fora:
- Sinto-me culpada sim! A pobre da Ivone perdeu o emprego e sei lá mais o que porque eu decidi ir numa festa aonde os rapazes...
Sua voz se perdeu, emocionada.
- Olha, é melhor deixar isso! É uma tolice minha querer repetir essa, nem sei ao certo que nome dá!
Raul se aproximou, ele tinha um cheiro de uma loção que a deixava sem conseguir respirar.
- Já te disse: Eu vou com você! E prometo que nesse dia nada de mal vai lhe acontecer! Prometo!
A voz dele era firme e lhe trouxe novamente paz e segurança.
- Ok, eu confio em você.
Ele a olhou com uma expressão indecifrável.
Helen estremeceu ante aquele homem. Será que algum dia ele a olharia como uma mulher atraente? Como seria se perder naqueles braços?
Ela talvez nunca soubesse a resposta daquela pergunta.
- Helen...
- Sim?
Raul parecia que lhe falaria algo, mas mudou de idéia, apenas comentou interessado:
- O que você está pintando?
Ela olhou para a tela e sentiu seu rosto pegar foto, se ele soubesse...
- Ah, são besteiras e...
Raul se aproximou da tela e ela pediu:
- Por favor! Não...
Ele parou em frente curioso.
- Você deveria querer que as pessoas vissem suas pinturas... Aquela ali, por exemplo. – disse ele mostrando uma das primeiras pinturas suas. Era uma mulher nua em cima de um cavalo. Seus cabelos ao vento misturavam com a crina do animal.
Ela quis falar sobre uma liberdade que ela sonhava, mas que estava presa a algo mais forte que ela.
- É o meu preferido. - Concluiu ele. – Confie em mim: Você tem talento!
Ela foi até ele e ambos olhavam a tela coberta.
Timidamente ela retirou o pano que a cobria.
Os olhos de Raul tornaram se brilhantes e com outro sentimento que ela não soube interpretar.
Diante deles estavam dois corpos nus: O homem segurava a mulher pelos cabelos, e ela olhava para ele cheia de desejo. Seus corpos estavam unidos, numa clara pose de posse. Era a cena de amantes que estavam saciando seus corpos num sexo selvagem.
Engolindo em seco Helen comentou:
- E... E então?
Sem afastar os olhos da tela ele concluiu:
- Definitivamente, agora esse é o meu preferido...
- Jura?
Ele apenas balançou a cabeça concordando.
- Preciso terminar algumas coisas, mas eu também gosto...
- Eu também...
Raul parecia hipnotizado pela pintura e Helen tentava ver o que se passava com aquele homem enigmático. Quase no mesmo instante seu rosto se tornou no homem frio e distante e comentou:
- Amanhã trago para você roupas que vai precisar sair e não ser notada.
Dizendo isso ele se voltou e saiu.
Helen conseguiu respirar de novo, sem perceber havia prendido o ar. Arrumou seus cabelos ruivos num rabo de cavalo tentando aplacar o calor que teimava incendiá-la todas as vezes que estava com seu segurança.
A noite em que sairia escondida com Raul chegou e estava muito nervosa. Ele havia levado para ela uma roupa de um dos seguranças. Todos eles usavam ternos escuros e tinham sempre um Headset, então Helen também ganhou um e uma peruca curta de cor escura. Ele havia dito que a cor de seu cabelo a denunciaria em segundos.
Ela concordou.
Durante anos ela odiou seus cabelos. Eles sempre foram motivos de gozação por onde ela passava.
Na escola as meninas diziam que a única coisa interessante nela eram seus fios vermelhos.
E os rapazes a chamavam de cabeça de fogo. Então para tentar esconder suas madeixas cor de fogo, ela havia feito uma touca e ajeitado a peruca que Raul lhe trouxera. Olhando no espelho concluiu que ela estava pronta. Ninguém a reconheceria assim.
As vinte e uma horas em ponto ela saiu do seu quarto e atravessou o corredor, passando por Raul que cobria o segurança que ficava ali. Ela sabia que deveria sair e esperar na entrada. Aquele horário era a hora que um dos seguranças que ficavam no corredor jantar e aquela seria sua oportunidade de sair da mansão. Essa noite era a folga de Raul, então a sua ausência na casa não seria notada. Ele fez a ronda calmamente e depois se despediu dos outro saindo sem pressa, como sempre.
O pai de Helen não estava no país, voltaria apenas na noite de seu aniversario ou não!
Há bastante tempo que eles se ausentavam de quase tudo relacionado a sua vida, inclusive em seus aniversários.
Helen não ligava se seu pai com o passar dos anos havia se tornado um estranho para ela, se fosse pensar bem sempre havia sido assim. Um homem milionário, com suas amantes, fazendo sua mãe e ela sofrer com suas infidelidades, um homem odiado e cheio de inimigos.
Helen balançou a cabeça expulsando os pensamentos conflituosos e a magoa que tinha do pai. Naquela noite, ela só queria se divertir com Raul.
Ela esperou que ele retornasse e foram os dois caminhando para o carro.
Helen sabia que estava tremendo, Raul colocou os braços em suas costas a empurrando gentilmente.
Enfim, entraram no carro e saíram da propriedade.
Quando estavam longe ele disse:
- Feliz Aniversário Helen!
Ela sorriu feliz a adrenalina correndo em suas veias.
- Conseguimos! Nem acredito! Tem certeza que ninguém reparou?
- Absoluta! Fica tranquila!
O carro entrou na rodovia e Helen não conseguia conter sua emoção e excitação.
- Ali atrás tem um presente pra você.
- Pra mim?
Ela se inclinou e viu uma sacola, dentro um vestido preto curto, sandálias com salto alto e outra peruca, dessa vez uma loira.
- Loira? Sério isso? – Ela ria, pois seu sonho sempre foi ter um cabelo loiro.
- Eu queria que você ficasse com seus cabelos naturais, mas chamariam a atenção demais.
- Meus cabelos naturais são horríveis!
- Eu não acho!
Ele olhou para seu rosto com aquela expressão impassível e indecifrável.
- Vá lá para trás e se arrume, chegaremos em vinte minutos.
Helen pulou para o banco de trás e timidamente começou a retirar a roupa. Raul continuava ali na frente impassível. Retirou o terno e olhou para o vestido extremamente sexy. Ela nunca havia vestido algo tão provocante.
- Achei que você ia querer uma roupa diferente das que você usa normalmente... Já que queria ser radical...
Ele riu, vendo a expressão dela com o tamanho do vestido.
- Mas... Mas não vou poder usar o sutiã... Quero dizer...
Ela sentiu o olhar dele em seus seios que ficavam quase que expostos no decote. Ela engoliu em seco, nunca havia sido olhada assim por ele.
- Helen... Relaxa!
Sim Helen! Relaxe... Você é uma adulta! E está na companhia do homem mais lindo e incrível que já conheceu! Simplesmente relaxe!
Enchendo-se de coragem ela tirou o sutiã e colocou o vestido, a sandália e a peruca loira.
Viu que também tinha uma bolsa e dentro um kit de maquiagem. Ela sabia muito como usar, mas estava tão empolgada que por instinto feminino fez algo em seu rosto que para a primeira vez ficou formidável. Olhou no espelho sem se reconhecer e aprovando o resultado.
Seus olhares se encontraram no retrovisor. Ele como sempre enigmático, ela sentindo-se a mulher mais linda e desejável do mundo.
Raul parou o carro e retirou o paletó e a camisa. Helen viu seus músculos explodirem bem a sua frente. Sua boca ficou seca de novo e ela não conseguia desviar os olhos daquele peito musculoso.
- Minha vez! – Ele pegou uma camisa branca e limpa e a colocou.
- Só? Isso não vale!
Ele sorriu e aquilo fez com que Helen ficasse nervosa. Não queria parecer uma idiota, não de novo.
- Pronta?
Ela não respondeu. Respirou fundo tentando se acalmar e disse:
- Pronta!
Ele saiu do carro e abriu a porta para ela.
Mesmo de sandálias alta ficava ainda pequena perto dele.
Raul estendeu a mão para ela e Helen sentiu aquele calor de sempre. Ele a olhou aprovando o que via, mas nada disse.
O vestido havia caído perfeitamente no corpo dela. As pernas esguias e os seios que quase explodiam diante do decote. Em outro tempo ela nunca colocaria tal coisa. Mas sentia-se extremamente sexy e isso era muito bom!
Sem tirar os olhos dela disse:
- Faz tudo que eu mandar, certo? Assim não teremos problemas. – Havia um brilho diferente no olhar dele, de desejo e outra coisa que ela não sabia bem o que era.
Ela assentiu e eles entraram.
Raul segurava sua mão gelada. De repente toda a sua coragem se esvaiu quando estava lá dentro. O lugar que ela escolheu era um daqueles restaurantes com música ao vivo e a meia noite uma pista de dança era inaugurada no outro pavimento. E como era de se esperar estava lotado. Algumas mulheres não desgrudavam os olhos de Raul. Helen sentia uma ponta de ciúmes, sabia o quanto ele chamava a atenção. Seu rosto e corpo másculo era realmente algo tentador e nunca passaria despercebido. Ela mesma não conseguia tirar os olhos dele.
Raul foi até a recepção e foram acompanhados à mesa que havia sido reservado para eles.
- Senhor e senhora Tavares, sejam bem vindo!
Helen o encarou surpresa e assim que o homem se afastou ela comentou baixinho:
- Somos um casal? Tavares? Gostei...
- Exatamente! Assim não corro o risco de nenhum homem se aproximar de você!
Ela olhou entre as pessoas ali presentes.
- Seria possível ter alguém perigoso aqui? Todo mundo parece se divertir e sequer sabem quem eu sou!
- Esse foi o plano! Quero que se divirta. O que quer beber?
Helen queria beber sim.
Mas o pânico da última noite numa festa a invadiu, Raul pareceu notar.
- Hei... Nada de ruim vai acontecer a você! Estou aqui... Pode beber, nenhum cara vai te fazer mal! É seu aniversario...
Ela sorriu timidamente.
- Escolha você então!
Ele chamou o garçom e fez o pedido. Logo em seguida chegou uma garrafa de champanhe. Helen arregalou os olhos.
- Nossa! Seria minha escolha.
Ele riu. O rosto dele iluminava quando ria. A barba naquele rosto máscula dava-lhe mais ainda aquele ar tão sexy. Ela queria tocar aquele rosto.
- Você deveria sorrir mais Raul.
- Está me cantando mocinha?
De novo ela sentiu que seu rosto queimava.
- Não... Sim, quero dizer! Não!
Raul não desviava o olhar dela, que parecia despi-la.
- Decida-se!
Ela virou o resto da bebida e sentiu que as pessoas a sua volta começavam a ficar longe. Cheia de coragem disse:
- Somos um casal! Então, deixe me agir como você fosse realmente meu...
Ela riu sentindo-se ótima e sexy como nunca havia sentido.
Raul se inclinou mais sobre a mesa, ela sentiu seu hálito quente e seu cheiro indescritível.
- Cuidado Helen com esse jogo...
- Por que?
- Eu posso começar a agir também como se você fosse minha...
Helen se aproximou mais dele também, a bebida começando a fazer o efeito que ela desejava: Coragem!
- Então estamos combinados!
Os olhos dele eram pura lascívia quando desceram em direção ao seu decote. Se a noite acabasse ali, já estava totalmente satisfeita com o efeito que estava surtindo nele.
- Olha só, já que vamos brincar de sermos um par. Deixa eu te falar uma coisa sobre mim.
- Sim... – sua voz saía fraca e emocionada.
- Eu gosto da sensação de perigo, pode imaginar a gente transando no meio dessa multidão e ninguém perceber? Eu te possuindo, sem que ninguém aqui sequer percebesse?
Helen sentia seu corpo respondendo ao ouvir aquelas palavras, sentia uma umidade crescente entre suas pernas.
Se encolhendo, ela respondeu:
- Isso seria possível mesmo?
Ele meneou a cabeça afirmando.
- É meu aniversario Raul... Eu quero tudo!
- Mesmo?
- Sim...
- Amanhã será o seu aniversário e tudo que fizemos aqui será passado, certo?
Ela não queria aquilo, mas concordou.
- Eu gosto de mandar também, adoro ver que a pessoa faz tudo que eu quero.
Aquilo estava deixando Helen tão excitada que tinha medo das pessoas ao redor notar. Olhando reparou que ninguém parecia notar lhes.
- Concordo, eu confio em você!
- Tire sua calcinha...
- O quê?
- Tire sua calcinha... Você disse que concordava com tudo que eu dissesse...
Helen sabia que ele a estava testando, pois então ele teria uma surpresa. Recostando na cadeira ela disse:
- Você acha que não consigo não é?
Dizendo isso se inclinou e com uma mão abaixou e começou a retirar a calcinha. Raul olhava a cena, seus olhos brilhando semicerrados. Ele pegou sua bebida e bebia calmamente vendo Helen fazer a manobra. Quando ela havia conseguido abaixar a peça até seus pés ele disse:
- Pega e me dê!
A voz dele estava rouca e perigosamente baixa.
Ela obedeceu. Abaixou rapidamente e a colocou em suas mãos.
- Ótimo Helen... Diga-me há quanto tempo você não faz amor? De verdade?
Ela abaixou os olhos, sabia o que ele queria dizer, com o: Verdade!
- Ah não vai me dizer que... Diga!
- Nunca fiz amor Raul, o que aconteceu comigo não se pode chamar de fazer amor...
Ele segurou sua mão que estava com a calcinha e tirou a peça dela, colocando-a em seu bolso.
- Se toque... Eu quero que você sinta como está excitada. Quero que conheça seu corpo!
- Raul, as pessoas...
- Elas não se importam com a gente! Sem falar que a iluminação é ótima pra isso... Se toque, se conheça menina, conheça seu corpo...
Helen entreabriu as pernas e encaminhou sua mão até a sua vagina e como desconfiava ela estava totalmente úmida.
- E então? Você está molhadinha?
- Si-sim...
- E por que Helen, por minha causa?
- Você sabe que sim Raul...
- Diga pra mim, olhando em meus olhos e se tocando.
Ela fez!
Entreabrindo mais as pernas ela se tocava, a Raul segurava sua outra mão fazendo movimentos na palma, até seu pulso.
- Helen, olhe para mim... Não feche os olhos, eu quero ver você perdendo o controle.
Ela reabriu os olhos e tudo que ela queria era aliviar aquela sensação entre as pernas.
- Ra- Raul... –gaguejou... – Não vou conseguir...
- Vem cá...
- O que?
- Me dê sua mão...
Sem entender, ela tirou sua mão do centro de suas pernas e colocou sobre a mesa e para seu espanto ele levou até sua boca beijando cada dedo, parando naquele que ela havia se tocado.
Raul gemeu baixinho, lambeu seu dedo e ondas de arrepio e calor invadiram seu corpo.
- Ah Helen... Por que você aceitou isso? Não tem mais volta!
O garçom chegou perguntando o que eles iriam jantar e de novo Raul fez o pedido.
- Está gostando Helen?
O que ela podia responder? Estava simplesmente maravilhada!
- Estou adorando!
- E a noite está apenas começando.
Eles terminaram o jantar e como esperado a música ao vivo começou. E logo depois anunciaram que em breve a pista de dança ao lado seria também liberada.
Raul levantou e estendeu sua mão:
- Vamos!
Ela levantou, sentindo-se estranha sem a calcinha.
Raul a conduziu até ao bar, algumas pessoas estava por ali de pé, apenas aguardando que a porta que dava acesso à pista fosse aberta. Ele a conduziu até um banco e rapidamente a suspendeu colocando sentada nele. Com estrema rapidez ele se colocou em sua frente, seu corpos se roçando. Seus rostos a centímetros de distancia.
- Minha vez... – Ele murmurou em seu ouvido, lentamente colocou sua mão entre suas pernas e Helen arqueou o corpo, colocando a cabeça em seu ombro.
Quem os visse de longe, apenas veria um casal apaixonado abraçados. Helen sentiu seu dedo tocando sua vagina, ela queria abrir mais a perna, mas com seu corpo Raul impedia. Ele queria exatamente assim. Ela a mercê dele.
- Não, Helen, fica assim parada. As pessoas não vão perceber nada do que está acontecendo aqui... -e continuou acariciando ali, deixando-a louca.
- Eu sabia! Era exatamente assim que eu imaginei que você estivesse...
Helen segurava suas costa, as unha cravadas nele.
- Relaxa baby...
- Eu- eu não consigo!
- Consegue! – Seus dedos tocavam suavemente, fazendo aquela caricia erótica.
E então a porta abriu e ele a desceu do banco. As pernas dela estavam bambas e tudo que queria era saciar aquele tesão todo.
Eles foram para o meio da pista e Raul a puxou de novo para seus braços. Quando ela sentiu seu pau duro em sua coxa ela vibrou. Raul riu aquele riso que tirava todas as suas forças.
- Helen, eu vou te possuir essa noite! Você tem noção disso? Tem noção do que está fazendo comigo?
Ela não sabia, ou melhor, ela não acreditava que pudesse um dia exercer aquilo nele!
- Eu quero tudo Raul...
- Estou vendo...
Ele roçou seu corpo no dela e de novo sentir sua excitação a deixou louca de desejo. Estava perdida naquele olhar cheio de magnetismo e perdição.
- O que quer que eu faça com você?
- Me beija...
Raul segurou seu rosto e sem afastar seu corpo do dela a beijou. Sua língua invadiu sua boca e a devorava com seu beijo. Helen gemia baixinho correspondendo com a mesma intensidade.
- Helen, Helen...
De novo ele se apoderou de sua boca, sugando, lambendo, roçando seu corpo no dela.
- Vem cá, vamos para meu apartamento! Aqui não vou poder fazer tudo que quero com você.
- Seu apartamento?
Ela sabia que parecia uma idiota, repetindo quase tudo que ele dizia, mas estava nervosa e confusa, mas se deixou ser levada por ele.
- Desculpe, sei que você queria se divertir aqui, mas tenho outros planos...
Ela não disse nada!
Como poderia dizer não? Ela também queria o mesmo que ele.
Ele abriu a porta do carro e ela entrou, em seguida deu a volta e sentou do seu lado, mas antes de partir ele de novo a beijou. Dessa vez lentamente, suas mãos passeando em seu corpo.
- Eu sabia que por trás dessa mulher doce e tímida existia essa cheia de fogo por mim!
Gemendo e sem poder conter mais ela o tocou. Sentir seu membro em suas mãos foi arrebatador.
- Ah que delícia! Calma mocinha! Temos tempo ainda!
E deu partida no carro.
- Eu não sabia que você tinha um apartamento aqui...
Ele a olho de lado, sem tirar os olhos da estrada:
- Você sabe poucas coisas sobre mim, mas é melhor assim mesmo.
Ele estacionou na frente de um prédio antigo e abriu a porta pra ela. Antes de entrar ele a encostou no carro e a beijou novamente.
- Nessa noite Helen eu irei te ensinar algumas coisas. Quero que essa noite fique em sua mente para sempre.
Ele a levou para dentro do prédio e entraram no elevador. A boca de Raul a devorava enquanto subia para o terceiro andar.
Ele abriu a porta e a conduziu para dentro.
Seu apartamento era confortável e para Helen precisava de um toque feminino, porém limpo e arejado. Perguntava-se quem poderia cuidar dele, já que Raul ficava boa parte na mansão.
- Sente ali Helen, quero ver você se tocando, igual fez lá no restaurante.
Ela sentou ousada no sofá, as pernas entreabertas.
Raul tirou sua calcinha do bolso e a cheirou e em seguida a colocou sob a mesinha. Encostado na parede ele ficou ali de frente para ela esperando, seus olhos quase selvagens grudados nela.
Helen recostou no sofá, sentindo ser a mulher mais desejável e sexy do mundo. Com as pernas entreabertas ela viu quando ele suspirou aguardando.
Então ela recomeçou com aquele movimento em sua vagina, seus próprios dedos iam tocando imaginando Raul ali, mexendo nela e a levando à beira da loucura.
Fechando os olhos ela gemia e levantava o quadril, aumentando os movimentos de seus dedos.
- Abre os olhos Helen... Isso assim!
Ele se aproximou e se ajoelhou em frente a ela levantando seus pés e os colocando sobre o sofá.
A boca de Raul se aproximou, a sua respiração quente e ofegante chegaram primeiro e ela gemia sem conseguir conter-se.
Quando sua boca e língua tocaram sua vagina Helen perdeu o controle de tudo e seus gritos e gemidos chegavam a seus ouvidos sem que ela tivesse vergonha ou pudor. Ele ficou ali saboreando suas partes até que ela pensasse que não iria mais suportar. Então era assim que deveria ser? Era assim que deveria sentir-se nos braços de um homem: Plena!
Rapidamente ele ficou de pé e começou a abrir a calça, mas Helen sentou mais na beirada e tirou sua mão e abriu ela mesma deixando-a cair no chão. Seu membro viril estava ali apenas a cueca separava-os.
Lentamente ela também abaixou sua cueca. Seu instinto a guiava, e colocou sua boca em seu pau, Raul gemeu:
- Ah você aprende rápido menina... Que delicia de boca é essa? Isso me chupa...
Enquanto ela o obedecia, Raul gemia a cabeça jogada para trás e ela maravilhada com aquela cena.
- Vem cá...
Ele a levantou rapidamente entre beijos e pequenas mordidas.
Seus corpos se esfregavam e suas mãos se tocavam em frenesi.
- Vou te comer, calma... Mas quero que você conheça meu corpo bem. Eu quero comer cada parte do seu!
Ele a colocou de quatro, e lambia e massageava com os dedos toda aquela parte de seu corpo, embaixo e acima. Ela não sabia que poderia sentir tanto prazer ali. E quando achava que já tinha experimentado tudo, ele esfregou seu pau na estrada do seu ânus. Helen arregalou os olhos quando percebeu o que ele queria.
- Eu disse que queria tudo Helen... Calma querida! Você vai gostar...
Ela nunca tinha feito sexo anal, nunca poderia imaginar dando aquela parte do seu corpo para um homem, mas Raul parecia saber o que fazia e se esfregava nela, deixando que fosse se acostumando com a sensação e relaxasse. Helen gemia e gritava seu nome, numa súplica que continuasse.
- Ah meu Deus! Que delícia Raul, aí Raul que delícia!
- Você quer que eu te coma aqui?
Ele dava leves tapas em sua bunda e ela involuntariamente empinava deixando mais e mais a mostra e livre para que ele entrasse mais.
Com um grito de posse ele a invadiu por completo e Helen achou que fosse explodir de prazer. Os movimentos dele começaram devagar e aos poucos quando ele sentiu que ela estava pronta, ele aumentou as investidas, ambos gemendo e gritando o nome um do outro. A peruca loira já havia saído de sua cabeça e os fios ruivos eram segurados por Raul, que galopava sobre ela com movimentos firmes e vigorosos.
- Ra-Raul...Eu...Ah Raul!
- É gostoso não é?- Perguntou se inclinando sobre ela, beijando e mordendo seu pescoço.
Ela não tinha palavras para descrever.
Ele sentou no sofá e a trouxe para cima dele, seus rostos estavam ali um de frente para o outro e então se beijaram. Seus gemidos se misturavam. Ele segurava sua nádega e a movimentavam sobre ele, seus corpos suados era um só.
- Safada! Eu sabia que você tinha isso... Que você ia adorar meu pau...
Ela ia gozar ele sabia e aumentou os movimentos, tão alucinado quanto ela.
- Helen, Helen...Olhe aqui! Eu vou gozar também querida!
E ambos aumentaram os movimentos, desesperados para saciar aquele fogo, ela gritava seu nome entre sua boca, ele gemia e a possuía com ardor e posse. E então eles explodiram no gozo final caíram no sofá, exaustos e suados.
- Vem cá!
Ele deitou direito no sofá e a puxou para cima dele. Seus corpos tremiam.
- Descanse, vou querer mais depois! Você quer?
- Não consigo falar...
Ele deu uma gargalhada gostosa e safada.
- E amanhã não vai conseguir andar! Ficara sentindo meu corpo no seu durante uns dias, acredite!
Ela levantou a cabeça embevecida.
As horas que se seguiram ensinaram a Helen que havia valido a pena sua ousadia em sair às vésperas do seu aniversário.
Ele havia ensinado a ela todas as formas de prazer, que ela jamais poderia imaginar. Com Raul ela não sentia medo e se sentia plena!
Estava apaixonada por ele!
Soube disso desde o primeiro momento em que colocou os olhos nele na mansão. Quando sentiu seus olhos grudados nela, sempre atento.
Agora entendia a emoção que sentia todas as vezes que estavam juntos. Claro, só poderia ser explicado com aquele sentimento que a humanidade dava o nome de amor. E ela achou que só era possível amar sua mãe e sua babá Ivone.
Mas, sim ela amava Raul.
Ela abriu os olhos e a luz do sol entrava pelas frestas da janela. Ela sorriu.
Nem se importava que seu pai ficasse sabendo pelos seus seguranças que ela não estava em seu quarto.
Dane-se!
Ela estava com Raul e isso que importava no momento.
Ainda zonza de sono ela passou as mãos nos cabelos tirando os de seus olhos. Como Raul disse na noite anterior ela sentia o corpo dolorido, aquele dolorido gostoso que ela jamais imaginou ser possível.
Foi quando ela ouviu uma voz feminina, perto da cabeceira da cama:
- Ah a cadela cabelo de fogo acordou!
Helen arregalou os olhos e puxou o lençol sob seu corpo. Assustada ela viu mais duas pessoas dentro do quarto. Eram dois homens que a olhavam com os olhares cruéis e assassinos. Helen queria gritar, mas a voz ficou presa na garganta.
- Anda levanta sua idiota! Olha a cara dela! Eu não acredito que tenha sido tão fácil...
Um dos homens riu e ela sentiu um arrepio de medo percorrer todo seu corpo.
- Vamos, levante! Não temos o dia todo!
A mulher de sua estatura, com cabelos curtos e pretos jogou sobre ela algo que parecia roupas. Ela a olhava com olhar cheio de ódio.
- Levanta daí sua vaca! Se você não se vestir vou arrastá-la assim mesmo, até o carro.
Helen não conseguia sair do lugar.
- Quem... Quem são vocês? O que querem comigo? Onde está Raul?
A mulher riu com deboche e crueldade, se aproximando dela ameaçadoramente.
Seu cérebro tentava entender o que estava acontecendo ali. Onde estava Raul?
Teriam eles matado seu amor?
Lágrimas de frustração e medo começaram a rolar em seu rosto.
Foi quando Raul entrou no quarto. Vestia roupas diferentes da noite anterior e seus olhos se encontraram.
- Ra...Raul oh meu Deus, graças a Deus! O que...
- Podem levá-la pessoal... – Ele disse para a outra mulher e os dois homens no quarto.
Helen arregalou os olhos horrorizada. Custando a entender o que se passava ali.
- O quê... Raul, o que...
- Sua idiota, riquinha inútil... Olhem a cara dela de paspalho! – A outra mulher se aproximou dela a arrastando da cama.
O corpo de Helen foi jogado no chão bem em frente de Raul que olhava a cena impassível.
Com o coração aos saltos ela ergueu seu rosto para ele.
- Raul...
Ele se virou e antes de sair do quarto disse:
- Traga ela rápido! Não temos tempo...
Ela foi arrancada do chão por um dos homens. O segundo que estava perto da cama, pegou o lençol e enrolou nela.
- Dane-se, ela teve tempo de sobra de vestir-se... Vai assim mesmo! – Gritou a mulher para o homem, que deveria ter uns um metro e noventa. Seus olhos eram cruéis e frios. Quando olhou para ela, pareceu também temê-lo, afastando um pouco.
- Você quer sair com ela assim e despertar a curiosidade das pessoas, sua louca?
Falando isso ele se aproximou de Helen e rispidamente a cobriu com lençol. Voltou até a cama e disse baixo e frio para ela:
- Você tem um minuto moça, ou ela vai te arrastar assim pela rua. A escolha é sua.
Ele jogou sobre ela a muda de roupa e teve a decência de virar para a janela.
Suas mãos tremiam de medo e ela o obedeceu. Sem saber como havia conseguido colocar o moletom que haviam lhe oferecido.
Sentia que todo seu corpo estava gelado, apavorada ela colocou a roupa sob o olhar da mulher e do outro homem dentro do cômodo.
- Vamos! – O homenzarrão a pegou pelo braço e a arrastou pelo apartamento e chegaram a sala.
- Espero que tenha aproveitado a sua última noite livre sua imbecil...
Foi a última coisa que ela ouviu depois de ter sua cabeça tapada por algo e sentir uma picada em seu braço. Desmaiou quase que em seguida.