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Paixão Infernal – Romance Gay

Paixão Infernal – Romance Gay

Autor:: Sebastian Pereira
Gênero: LGBT+
Petrus Ritter, é um importante advogado afiliado ao G-MECA, uma importante empresa gerida pelo ambicioso Herbert Diehl Stein, renomado CEO que conquistou a Oceania e países do ocidente com estratégias eficazes capaz de lucrar milhões em um único dia. Porém, velho demais e tratando de um Alzheimer avançado, a presidência da Mallmann, cai nas mãos do inexperiente e arrogante Saymon Stein, filho único do empresário. Angelina, mãe de Saymon, então recorre a Petrus, pessoa próxima da família e pede que encontre o mais rápido possível alguém que possa mudar os trâmite da falência e auxiliar o rapaz nos negócios. Petrus, decide usar uma ferramenta até o momento inutilizada, seu próprio sobrinho, Adam Becker, na reconstrução do jovem empresário. Formado em Direito na Universidade de Valenza, o jovem de vinte e cinco anos parte de Thyssen, para o aglomerado de Rose Ruschel, nos confins da cidade de Thirro, o mais importante centro financeiro de Nebrava, onde toda a riqueza é posta sobre à mesa. No início, Adam tenta recriminar certas atitudes tomadas por Saymon, gerando desconfortos e atritos. Porém, logo se aliam e o desejo infernal de conquistar tudo, torna-se pequeno quando o assunto é voltado para o amor. Sensações prazerosas são mais eficazes que o controle e o poder, porém menor comparado a luxúria e devassidão. E quando face e cara são descobertas, Saymon se une ao verdeiro para completar sua vingança. Autor: Sebastian Pereira

Capítulo 1 Prólogo

- Mas o que está me pedindo é um absurdo, tio!

Petrus Ritter sabia muito bem disso, porém não havia alguém mais capacitado e de sua confiança o qual pudesse exercer o cargo.

- Eu sei disso Adam, mas veja pelo lado bom...

- Não tem um lado bom, tio. Não irei deixar meu trabalho para cuidar de marmanjo rebelde. - retrucou. Apanhou a taça com água à qual estava encima da mesa e tomou um gole. - E além do mais, também tenho contrato a cumprir.

Ritter suspirou fundo e olhou entorno.

- Quer passar à vida inteira aqui, sobrinho? - perguntou num tom de deboche indicando para o piso. - Eu paguei seus estudos para ser um advogado de renome, não foi à toa que coloquei você em Valenza.

- Eu o agradeço demais por isso. Prometo recompensá-lo um dia.

Petrus ergueu uma sobrancelha e sinalizou silêncio. Seria sua vez de começar a colocar tudo a limpo.

- Esse é o momento de me recompensar. Não que eu o esteja cobrando, não pense isso de mim, Adam. É que estou ficando velho e gerir os problemas da família Stein, tem me deixado cada dia mais cansado. - fungou alisando as mãos uma na outra. - Saymon é um bom rapaz, pode aprender rápido contigo e logo esse pesadelo todo acaba.

Adam repousou o cotovelo direito sobre à mesa de vidro, enquanto olhava ao redor.

- Ainda não sei se devo aceitar. Ganho um bom salário como assistente do Dr. Scherer.

- Assistente, Adam? Pensei que tivesse um pouco mais de ambição. - Ritter levantou da cadeira giratória no cômodo com pouco mais de vinte metros quadrado e enfatizou. - Sabia que pode ganhar mais do que recebe aqui? Aumento a oferta se quiser. Que tal dois milhões de dólares quinzenais?

Adam engoliu em seco. Era muito dinheiro, principalmente num país onde à inflação estava abaixo dos dois porcento.

- Está falando sério, tio?

Ritter assentiu, presunçoso.

- Angelina é uma boa mulher. É doloroso demais lidar com o marido perdendo aos poucos as boas recordações. Ela se preocupou demais sendo o braço direito dele, que esqueceu completamente de trilhar o filho no caminho certo. - ponderou olhando direto para uma foto encima da mesa de Adam. - Se não me ajudar a ajuda-la, Adam, ela será uma pessoa muito infeliz na vida. E, sim, dois milhões por quinzena.

Adam sabia aonde o tio queria chegar. Seus olhos atento àquela imagem que transmitia muitas idas e vindas do destino, a algidez aliada ao prazer dos verões quentes, remetia. Ritter fora um homem de sorte, mas também azarado na vida.

- Se eu por acaso aceitar, como vai ser? Vou instruir um marmanjo a comandar uma empresa gigante? Só isso?

Ritter tinha os olhos pessimista, porém a fala de Adam era como um adiamento do sim.

- Mais ou menos. Saymon é difícil, mas aprende fácil. Terá de fazer a agenda mensal dele, ajuda-lo nos contratos e reuniões, encontrar novos compradores e vesti-lo formalmente. Você será um...

- Babá! Não precisa dizer mais nada, tio Ritter. Pode preparar o contrato, eu assino.

O sorriso de vitória tomou espaço nos lábios ressecado do velho advogado, finalmente fizera a pessoa certa concordar com o trabalho mais fácil do mundo e que lhe geraria alguns milhões na conta bancária todo final de mês. Mas seria tão simples assim? Adam, porém, nem imaginava o lugar no qual estava se metendo.

Capítulo 2 O contrato

O jato particular trazendo Petrus Ritter, beijou à pista de pouso ao meio dia da semana seguinte. Levara a boa notícia para Angelina e esta ficara contente por ser alguém da extrema confiança dele, afinal, durante mais de trinta anos Petrus fora um trabalhador minucioso, exemplar e ajudara demais na ascensão do grupo Mallmann. Só ainda não sabia por qual assunto começar a contar a Saymon, sobre sua decisão meio maluca, no entanto, prudente.

Após uma noite de altos e baixos, Saymon Diehl Stein, ainda encontrava-se dormindo. Angelina estava prestes a interceptar à entrada de acompanhantes luxuosas na sua residencia, pois aquilo manchava demais o nome da Mallmann no mercado, ainda que fosse a coisa mais natural mundo à fora. Seus preceitos cristãos, no entanto, a impedia de concordar com tamanha vergonha.

Pediu a Claire, sua fiel empregada para chamá-lo. Claire Kuhn, era uma mulher na casa dos cinquenta e cinco anos e ajudara na educação de Saymon quando mais novo, porém o rapaz sempre foi rebelde e preferia andar com más companhia, arrasando Angelina e Herbert. Ela bateu duas vezes na madeira e demorou alguns instantes até ela ser aberta, revelando um Saymon explodindo de ressaca.

- Qual foi da vez, Clarie? - ele perguntou esfregando os olhos.

- Sua mãe mandou chamá-lo. Aguarda por ti na sala.

Ele repousou o braço nu na porta e Claire desviou o olhar. Saymon estava praticamente desnudo, usava apenas uma sunga deixando à mostra o corpo perfeito conquistado durante mais de três anos de academia, o vício mais longo de toda à sua vida.

Ele sorriu da atitude de Claire e entrou no quarto sacudindo a cabeça em negação.

- Entre. Procure uma roupa adequada pra mim! - asseverou apanhando uma toalha da gaveta de seu guarda-roupa e enrolando-a na cintura. - Sabe qual o motivo da reunião inesperada?

Claire foi firme na resposta.

- O Dr. Ritter está lá embaixo.

Saymon suspirou fundo e virou-se para encarar Claire no meio do quarto, impassível.

- Mas que homem insuportável, em? Selecione uma dessas roupas de pinguim que minha mãe mandou você comprar e deixe sobre à cama. Vou tomar um banho.

Claire assentiu.

Saymon, então, caminhou para o banheiro. À noite havia sido longa demais e ainda lembrava-se perfeitamente de certos trechos. Principalmente quando Mia fizera-o gemer propositalmente. Sorriu apoiando os braços torneados na parede do box e apertando o botão de água fria para mandar embora àquela sensação de vê-la outra vez. Afinal, a gorota não passava de uma quente costela à qual logo encontraria outro parceiro para aquecê-la.

Esqueceria quando estivesse preso naquela cadeira e lendo diversos contratos, recebendo ligações ou à visita inesperada de algum acionista. Não havia nascido para os negócios, ele sabia disso e falava abertamente. Porém, Angelina, sua mãe, o obrigara a seguir os passos de Herbert, seu marido. Ela desejava que Saymon fosse tão competente quanto o esposo. Mas não era. Ele não passava de um rosto bonito na casa dos vinte e oito anos, o qual perdeu a maior parte da vida fazendo coisas inúteis e gastando fortunas.

Se isso era lamento para Saymon Stein? Não, não era. Terminara o ensino médio com as piores notas de todos os mais incompetentes dos seus amigos. Odiava somar, multiplicar, raciocinar. Era um completo vagabundo e essa escolha de Saymon foi o bastante para Herbert suspender todas às vontades do filho, deixando-o a mercer da ajuda de Angelina, a maior culpada pelo ser humano rude e ignorante o qual Saymon tornara-se.

De banho tomado, ele voltou ao quarto e se arrumou. Ficava parecendo maduro naquela peça de vestuário e consequentemente, confundido com um ótimo empresário: determinado, bom de palavras e otimista. Conquanto, Saymon era o contrário disso tudo. Na juventude, pensara em ser modelo, tinha o físico e aparência agradável, mas logo no seu primeiro tropeço foi mandado embora. Entrara para um grupo de teatro, outra vez, falhou. Até era competente, contudo as más influências sempre distorciam o guerreiro que um dia pudesse se tornar.

Amaldiçoado pela vida, Saymon só precisava curtir os anos que ainda restava para ele, assim como gastar o dinheiro de sua mãe e engrandecer apenas num mundo criado por ele. Angelina perdia aos poucos o marido, o filho, bom, este perdera-se ao nascer.

Saymon passou perfume e ajeitou o cabelo. Se olhou no espelho e notou o quão bonito ficava. Branco dos olhos azuis acinzentados e cabelos negros. O nariz reto e anguloso, rosto harmonioso, marcante e lábios avermelhados. Herdara tudo dos mais intensos arianos, pusera à magnificência toda dos alemães para fora. Tratou de colocar à gravata, pegara a maleta com diversos contratos e descera o lance de escadas.

Ao ouvir os passos do filho, Angelina e Petrus se levantaram. Os nervos tomando conta de suas peles, o suor encharcando o colarinho.

- Até que enfim. Mais de meia hora. - Angelina conferiu o relógio de pulso. - Cheirou qual droga durante à madrugada? Uma bem pesada, me parece.

Saymon sorriu ao pé da escada.

- Não, mãezinha, foi algo bem mais... maravilhoso. Uma dose de amor quente e voraz. - sorriu acenando para Petrus e fingindo está contente com a visita do advogado supervisor. - Que traz o mais pacífico dos medianeiros da Mallmann, aqui?

- Negócios. - expressou o advogado já de cabelos grisalhos.

- Como sempre. - disse Saymon deixando a maleta sobre à mesinha e sentando. - Estou ouvindo. Qual o assunto?

Petrus fitou Angelina cordialmente, não sabia qual seria à reação de Saymon. Então tirou o contrato assinado por Adam semana passada e entregou ao rapaz, que analisou cautelosamente.

- Quem é Adam Schulz Becker, Petrus? - ele indagou curioso e desceu com os olhos mais para baixo. - E por que estamos firmando um contrato com ele por quatro milhões de dólares mensais?

Saymon fechou o contrato e estendeu a Petrus, que o guardou na pasta.

- É meu sobrinho.

- Tá ficando entendido agora. Quer colocar sua família toda na minha empresa? - fungou. - A senhora tem um midinho podre, em Dona Angelina. Qual dos dois vai começar a explicar à razão desde contrato?

- Não é nada disso, Saymon.

- Se não é isso, é oque? Algum tipo de lavagem de dinheiro? Porque se não for, alguma coisa aí está muito estranha. - conjecturou.

Petrus voltou a olhar para Angelina, seria a vez dela de começar a explicar a razão do contrato.

- Filho? - ela o chamou complacente. - Eu pedi ao Dr. Ritter para procurar alguém capacitado afim de auxiliar você na empresa. Só quero seu bem e o bem da Mallmann. Por isso do contrato... ele foi atrás do sobrinho dele.

- Ainda não entendi o motivo disso tudo. - afirmou se levantando. - Ainda acha que sou um inútil, mãe?

- Não é isso, meu filho...

- É isso sim. A senhora não confia em mim e pediu ajuda do seu amigo para encontrar alguém mais capacitado afim de me instruir, como se eu não fosse o dono daquela empresa. - botou tudo boca à fora. - Que fique bem claro que não aceito.

Angelina entrou em desespero. Era uma mulher já de idade avançada, na casa dos cinquenta e quatro anos, e suas forças vitais para comandar a empresa esvaira-se.

- A Mallmann é tão minha quanto sua, Saymon. A decisão está tomada, o sobrinho de Petrus chegará amanhã. Já pedi para o Charles contratar uma empresa para fazer a reforma da minha antiga sala. - Saymon a encarou com desprezo no olhar. - Agora vá trabalhar. Ainda quer que eu o ache competente o bastante saindo mais de uma da tarde para assumir um posto o qual começa muito cedo. Venha, Petrus! Vamos conversar melhor no escritório.

Assim que Angelina conduziu Petrus para o outro lado da mansão, Saymon pegou a primeira coisa que viu pela frente e atacou contra à parede. O choque inevitável lhe trouxe de volta à realidade. Claire o fitava amedrontada, a poucos metro.

- Meu Saymon, onde falhei contigo? - ele encontrou a voz chorosa da empregada. - Me responda para que possa consertar!

- Não existe conserto. Mande alguém a limpar essa sujeira.

E saiu pisando firme.

Saymon não era um rapaz mal ou incontrolável, apenas tivera uma educação e amor familiar reduzido, e ausência dos pais o levara a um caminho sem retorno. Não havia atalho ou quaisquer meio, somente círculos que sempre o conduzira a mesma estaca.

Chegara a Rose Ruschel nas últimas. Pensara bastante nas palavras da mãe e no que elas significavam no momento, nunca permitiria qualquer pessoa tomando decisões por ele. Jamais!

Caminhou até à recepção, pegou à chave e dirigiu para o último andar, onde ficava a sala da presidência. Saiu do elevador e fora à sua secretária.

- Boa tarde. Que temos pra hoje senhorita...

- Raven, senhor. - informou a seguir. - Apenas a leitura do orçamento mensal, a contratação do auxiliar administrativo e...

- Cancele tudo e peça para o Aaron vir até a minha sala com urgência.

- Cancelar? Mas a reunião orçamentária é essencial, senhor! - explanou a morena certificando-se mais de uma vez. - Os japoneses marcaram há um mês.

- Tô nem aí. Cancela e remarca pra amanhã.

Raven afirmou, afinal ele era seu patrão e cabia a ela cumprir tais ordens, ainda que fosse enfrentar os não amigáveis japoneses.

Ligara para Aaron e pediu para este ir ao encontro do chefe.

Saymon entrou na sala e encostou à porta. Arrumou vagamente a mesa e certificou-se de que nada o atrasaria. Tinham muitos assuntos a ser tratado e uma leva de funcionários a ser demitidos. Faria isso mais tarde. Mas no momento sua cabeça e seus pensamentos centralizavam na hipótese de ser auxiliado por alguém e isso não estava nos seus planos.

Sentado e a espera de Aaron, Saymon pediu um uísque à secretária e voltou aos conflitos internos. Sete minutos depois, Aaron apareceu na porta.

- Mandou me chamar?

- Sim, entre. - Saymon indicou à poltrona ao rapaz. - Preciso de alguns conselhos e como você é meu primo mais bem sucedido da família, talvez me ajude.

Aaron Sperb, era o diretor financeiro do G-MECA, o Grupo Mallmann Enterprises Construção & Advogacia, há sete meses. Era formando em economia na Universidade de Hoffman, à segunda mais importante do país, atrás somente de Valenza, no estado do Lassen, em Thyssen, capital de Ashton City, Lacerda, e Thirro. Com trinta e dois anos de idade, Aaron era visto pela tia, Angelina, como o futuro sucessor dela quando não estivesse mais condições de comandar à cadeira de vice-presidente. Isso causava certo desconforto em Saymon, ainda que ambos parecessem próximos.

- Quais seriam estes conselhos, Saymon Stein? - o loiro perguntou, curioso.

Saymon mal sabia por onde começar. Fora surpresa acordar e encarar à realidade fútil dos fatos. Sabia que Aaron manteria à postura formal, afinal, era chefe dele. Mas quando saísse pela porta? As palavras sufocava-o. Suspirou.

- Minha mãe se uniu ao Petrus para fazer um conselho paralelo e comandar a Mallmann.

Aaron debruçou o corpo na poltrona e entrelaçou os braços torneados acima dos peitos.

- Um conselho paralelo, Saymon? Da onde tirou isso?

- Ela mesmo afirmou. Mandou que o Petrus procurasse um auxiliar administrativo para me acessossorar em tudo. Conferir meus passos e perturbar meus neurônios. - relatou, por fim. - E o miserável contratou um tal sobrinho dele por quatro milhões de dólares mensais.

Aaron engoliu em seco. Ninguém o comunicou sobre nada, já que era o diretor financeiro da empresa.

- Tudo isso? Tá brincando comigo, não é mesmo? Ninguém falou nada sobre um novo contratado. - Aaron defendeu-se. - Mas não é uma má ideia ter alguém capacitado auxiliando você. Ainda está aprendendo a lidar com críticas, reuniões, prêmios e viagens. Acho que será uma boa. E Petrus é super competente.

Saymon revirou os olhos e apertou a caneta esferoagráfica entre as mãos.

- E tudo isso que te falei? Eu não sei quem é o escolhido de Petrus, mas sou contrário a ideia mirabolante da mamãe. Fale com ela, Aaron, sei que irá te ouvir. É doloroso, mas ela prefere tu a mim. - aquilo o feria, era fato, mas também não podia esconder à realidade. - Tente, só isso. Ou todo mundo me verá como inútil.

Aaron secou o suor com um lenço e pensou um instante. Seria muito mais difícil entender os problemas reais da empresa com Saymon no controle, mas havendo alguém acessossarando, talvez as coisas ficassem mais brandas.

- Sua mãe é dona disso tudo. Ela sabe que faz. Tem quarenta e oito porcento das ações, seu pai cinquenta e você, meu primo, apenas dois. - ele juntou os fatos para ser direto e coerente. - Pensa comigo: Tu só está aqui porque o tio Herbert prossegue doente e ela precisa cuidar dele. Ninguém nesta empresa é de acordo com tuas decisões, vou ser sincero, nem eu. Se ela mandou fazer isso, é porque à gravidade do problema a atormenta demais.

Saymon suspirou agudo. Talvez o primo tivesse mesmo razão.

- E se eu por acaso aceitar fazer parte dessa loucura?

- Aí terá duas mentes pensando no bem-estar da Mallmann. Admito, não é o que queríamos, mas é o que temos ao alcance. Não é à solução, porém, é o caminho a trilhar.

Capítulo 3 A reunião

- Caminho?

- Ao meu ver, sim. - Aaron articulou, levantando-se. - Talvez seja à oportunidade perfeita de usar a sabedoria do seu instrutor e mostrar a todos, inclusive aos meus tios, o quão responsável você é.

Aaron tinha razão e suas palavras foram como um impulso. Saymon sorriu ao decorar a cena e enfatizar dramas, derrotas e alegrias. Tudo digno do Oscar. Seria o filme da sua vida. Filme não, à série mais assistida de todos os tempos, onde os mais importantes se tornariam reles depositadores de grana. E ele, o CEO, mais respeitado.

- Agora eu entendi porque é tão ambicioso, Aaron.

- Um homem sem ambição, Saymon, não é homem. E um pouco mais dela não faz mal a ninguém, faz?

Saymon sorriu.

- De jeito algum.

- Mas me fale um pouco sobre o seu tutor. Vem do Japão? China? Estados Unidos? - debochou.

- Thyssen.

- Oh, sim, sobrinho do Petrus. Certo?

- Certo. O nome dele é Adam, me parece.

Aaron ergueu uma sobrancelha, franzindo o cenho e voltando a sentar.

- Adam Schulz Becker? É esse o nome do tutor?

- Parece que sim. - Saymon apertou a cabeça em lembrança. - É, esse tal de Adam Schulz Becker.

- Minha nossa, talvez tenha sido por isso que o salário saiu tão alto.

- Do que está falando? Você conhece meu tutor?

Aaron assentiu. Pegou o celular do bolso da calça e pareceu digitar alguma coisa e esperou dois segundo até a pesquisa surtir efeito.

- Adam Schulz Becker. Vamos ver que tem aqui sobre você - o rapaz rolou a tela e começou: - "Nascido no Distrito de Telenza, no interior de Ashton City, Adam Schulz Becker, é filho de Peter Schneider Becker e Anelise Ritter Schulz. Herdeiro da Advogacia Neumann, à qual recebe o último sobrenome de seu falecido avô, o jovem formado em Direito e Administração em Valenza, a universidade mais promissora de Nebrava, agora começa sua vida jurídica como assistente do renomado advogado Tom Scherer."

Saymon sentiu um pouco de ciúme. Mas Aaron nem se importou, e prosseguiu.

- Parece que o cara é uma máquina de inteligência. - analisou o texto profundamente: - "Aos vinte e cinco anos, ele tentará uma carreira como tutor de Saymon Diehl Stein, futuro CEO, do G-MECA, grupo Mallmann Enterprises. Cotado pelo tio, Petrus Ritter, à vida de Adam parece que vai dar um salto nas estrelas. O jeito egocêntrico e à impávida beleza do jovem renomado, talvez seja o único obstáculo por conta da bissexualidade de Saymon Stein, o menos qualificado do Grupo Mallmann. Texto pela Direção de Mídia Todos Pela Fofoca, de Arnold Hoff. Thyssen, vinte e quatro de maio e dois mil e dezoito."

Saymon estarreceu os músculos e suspirou.

- Processe este canal agora.

Aaron riu.

- Que eles falaram demais sobre você?

- Tudo. Expuseram minha bissexualidade de uma forma imoral, aliando opção a interesse e negócios. - declamou se levantando. - E o cara nem deve ser tão bonito assim capaz de causar qualquer tipo de ereção.

Aaron selecionou uma imagem e mostrou o celular em direção ao primo. Saymon apanhou o aparelho e analisou profundamente a foto: Loiro, olhos azuis, branco, sorriso bonito; corpo atlético, vestia-se bem. O que poderia dar errado?

- É... talvez haja problema, mas... nunca que vou chegar próximo desse cara. Ele tem um jeito psicopata, Aaron. Deve ser da mesma laia que o tio.

- Eu o defendo?

- Que? Tá falando sério?

- Sim, Saymon. Adam Becker é leigo, não é como você. O vi diversas vezes em Valenza, conversamos, trocamos ideia, era um bom aluno e excelente rapaz. Se eu não tivesse me transferido para Hoffman, seríamos grandes amigos. - esclareceu Aaron, se erguendo da cadeira. - Vocês irão tratar sobre negócios, apenas isso. Tente ser um bom ouvinte, aí tudo se torna amigável.

- Amigável? - Saymon riu tom um certo tom de sarcasmo. - Não irei amenizar à vida dele nenhum segundo.

Aaron sacudiu a cabeça. Não estava ouvindo aquilo. Era demais até para seus ouvidos.

- Oh, cara, ver se cresce. Você será o patrão dele, e ele o seu empregado, deve haver respeito.

- E se não houver? - Saymon indagou.

- Aí é contigo. Só não apronta mais. Tô cansado de ficar te ouvido e tudo permanecer na mesma. Vou tratar dos meus negócios, e fica tranquilo, oquê a de dar errado?

Ele não sabia explicar, mas alguma coisa haveria de acontecer. Saymon devolveu o celular a Aaron, e este saiu de seu campo visionário. Endireitou-se na confortável cadeira e deu uma volta entorno, pensando. Quiçá, não fosse complicado, saberia lidar com o tutor, como lidava com Wagner, seu cão de estimação, um pitbul negro de olhos vazios e humor impenetrável.

A tarde finalmente terminou. O crepúsculo tomava de conta dos céus, os diversos tons de cores contrastando uma com as outras, trazia ao olhar de Saymon, um prenúncio de que logo sua vida endireitaria. Saiu às pressas da Mallmann, sem contactar ninguém, afinal, seu período de trabalho terminava às seis da tarde, aquele dia levara até um pouco mais das sete.

Chegara em Rose Ruschel, lá pelas nove da noite. Tudo porque resolvera passar num bar antes. Tomou uma dose de uísque e deixou por isso mesmo. Agradeceu por não esbarrar com Angelina àquela hora, fora para o quarto, tomou banho e desceu até à sala, precisava de um momento sozinho antes do jantar ser servido. Escolheu uma série qualquer no canal pago e assistiu dez minutos da programação quando, finalmente, tivera sua paz violada.

Angelina, sua mãe, chegara atrasada da casa de repouso onde o marido estava internado e nas mãos de excelente profissionais. Trancara à porta quando entrou e jogou a bolsa sobre o sofá, encarando o filho à uma curta distância.

- Seu pai mandou lembrança. - ela avisou.

Saymon travou o maxilar e a olhou com canto de olho.

- Sério que ele ainda lembra de mim, mãe?

A pergunta foi proposital. Lógico que lembrava, claro, com dificuldades, mas recordava-se.

- Não brinque com isso, filho. O estado do seu pai é delicado. - Angelina sentou na poltrona ao lado do sofá avermelhado e cruzou as pernas delicadamente. - Como foi no trabalho? - resolveu mudar de assunto.

- Bem, muito bem. Mas se quer saber sobre sua mirabolante ideia. - Saymon desligou a televisão e levantou. - Parabéns, conseguiu. Amanhã o meu tutor chega aqui em Thirro.

Ele saiu caminhando a passos firmes até à cozinha. Ela o seguiu.

- Que bom que aceitou, meu amor.

- Não aceitei. Fui intimado, afinal de contas, à senhora é a dona da Mallmann Enterprises, agora! - exclamou.

Ele passou pela cozinha e abriu à porta da sala-de-estar. Puxou uma cadeira e sentou cordialmente.

- Você ainda vai me agradecer um dia por isso. Anota.

- Talvez sim. Mas no momento eu tenho receio da senhora.

Angelina era uma mulher ambiciosa, estava querendo ajudar seu filho, mas alimentando à vontade de continuar rica e famosa.

- Sei que tem. Sempre teve. Porém, somos uma família.

Ele balançou a cabeça em negação.

- À sua família, é a senhora. A minha família, sou eu.

Ela sentiu o peso de cada palavra. Foi como se estivesse recebendo diversas punhaladas ao longo do corpo.

- Por que age assim comigo, Saymon? Não sou o monstro que ensaiou na cabeça. Sou sua mãe. - ela atestou.

- Às vezes eu a vejo como uma mulher. Uma mulher fraca que não soube zelar pelo seu papel de mãe. - ele expôs com todas as letras. - Sabe oque pedi à senhora? Não, talvez não se recorde. Era que dormisse uma vez comigo quando mais criança. Agora eu cresci e à culpa de eu não ser um nada, é toda sua.

Angelina baixou a cabeça e sorriu. Sabia que falhou tentando acertar, e Saymon era à prova viva de seu fracasso.

- Minha culpa?

Ele assentiu.

- Seu avô era um alcoólatra e sua avó uma prostituta, e olha pra mim, Saymon? Sou uma mulher independente que conquistou tudo estudando e dando duro. Acordando cedo e passando pelas maiores dificuldades da vida, mas não me reclamo. - foi a vez dela ditar as regras. - Você não passa de um garoto mimado. E sim, talvez eu tenha fracassado como mãe, e me arrependo muito de não ter te dado uma boa surra, quem sabe não tivesse se tornado alguém mais simpático e menos arrogante.

Angelina deixou a cozinha num piscar de olhos. Saymon, óbvio, uma vez mais sem saída e errado. O jantar fora frustante, tivera de comer sozinho, e parecia que a comida não queria descer definitivamente. Resolveu ir para o quarto, escovou os dentes e se jogou sobre à cama, adormecendo.

No dia seguinte, bem cedo, já estava de pé. A curiosidade em conhecer o tutor, mal o deixara dormir durante a madrugada, além, claro, da discussão que tivera com Angelina antes do jantar. Devia desculpas a ela, porém, no momento, preocupava-se somente em mostrar o quão responsável ficaria a partir daquele dia. Jurara para si mesmo, e cumpriria.

Preferiu não perder tanto tempo no café. Comeu duas fatias de bolo e tomou um gole do suco, deixando o estômago vazio para o almoço, quando teria mais tempo sobrando e não faria tudo às pressas. Convocou o motorista na garagem e, alguns minutos depois, Heitor o levou para à empresa.

Raven lutou ao ligar para os celulares de todos os membros do Grupo Mallmann Enterprises Construção & Advogacia. Fizera horas extra no trabalho, mas deu conta de tudo, exatamente como o patrão lhe pediu no dia anterior.

Chegou cedo para ajudar as demais secretárias na arrumação da sala de reuniões. Deixaram tudo em ordem antes das sete da manhã. Aos poucos os membros do conselho foram chegando, entrando e ficando à vontade, aliás a casa também era deles, nada melhor que sentir confortável num ambiente tão pesado.

Saymon chegou na empresa às sete da manhã, cumprimentou os diretores entorno e procurou vestígios do primo, Aaron, porém não o localizou. Necessitava da pasta orçamentária urgente, então preceitou que Raven ficasse a par de tudo. No tempo antes da reunião exaustiva, ele deu uma lida no que iria falar, prescrever e conjecturar. Tudo na perfeita sincronia. Odiava aquele cargo, tudo bem, fingira amar.

- Bom dia senhores! Como estão? - saudou a todos ao entrar e se direcionar a cadeira presidencial na cabeceira da mesa. - Estão todos presente, Raven?

A mulher analisou a planilha atentamente, contudo faltavam duas pessoas.

- Estão ausente o Dr. Ritter e o sobrinho dele, o Dr. Schulz Becker. Vai começar sem eles, meu senhor?

Negou com a cabeça. Seria frustante passar uma vergonha daquelas, mas era necessário.

A nervos aflorando, ouviu batuque na porta e a ansiedade se fora. Petrus entrara sozinho, menos mal.

- Estou muito atrasado?

- Não tanto. Seu sobrinho veio junto? - Saymon questionou. O conselho mal sabia o assunto a ser tratado, apenas por terceiros.

Petrus ajeitou o terno acinzentado, puxando uma cadeira e saudou a todos.

- Infelizmente não. Adam tivera um imprevisto, chegará atrasado. Sugiro que inicie a reunião sem ele, Saymon.

Não era o único irresponsável ali. Pensou.

Saymon levantou da cadeira e começou:

- Perdão por haver convocados os senhores e senhoras assim, rapidamente. - lamentou o equívoco. - Mas como todos nós sabemos, meu pai, o introdutor disto tudo, encontrava-se alento e incapaz de comandar o grupo Mallman. A pressão recaiu sobre mim e agora tenho que manter isto em ordem e equilíbrio. Ontem pela manhã, fiquei sabendo de um motim articulado pelo Dr. Petrus e minha mãe, à senhora Stein.

O conselho entreolhou-se sem entender nada.

- Precisa ser mais objetivo, Sr. Saymon Stein. - disse Magnus, vice-presidente da filial em Lacerda. - Pressuponho que o motim seja para derrubá-lo do cargo, mas à qual maneira?

- Senhores, senhores. - Petrus interviu. - Mallmann tivera seus tempos gloriosos. O motim, que o Sr. Stein, chama, eu posso designá-lo como salvação.

- Salvação? - Saymon alterou-se. - Traição, isso sim.

O clima piorava conforme a reunião estendia-se.

- Acho melhor ambos deixarem às desavenças e começarem a nos explicar o motivo da reunião. - interviu Helena. - Ou deixaremos a sala, vocês tomem à decisão, nós cumprimos.

Saymon controlou-se. Petrus desafrouxou o nó da gravata afim de respirar tranquilamente.

- Minha mãe, senhoras e senhores, articulou juntamente com o Dr. Ritter, uma contratação milionária do sobrinho dele, como meu assessor. Ele seria como um segundo presidente do G-MECA. Dois milhões de dólares quinzenais, à um prazo de quatro meses. Que somando tudo, tiraria dos nossos cofre dezesseis milhões de dólares. Um absurdo, não acham? - Saymon lamentou.

O conselho tomou um susto com à quantia proferida.

- Mas quem é esta contratação milionária, Dr. Ritter? - indagou Peter, curioso.

O homem ergueu-se voluntariamente.

- É meu sobrinho, Adam Schulz Becker. Cursou Direito e Administração em Valenza, a universidade mais equipada e promissora do nosso país. Pensei nele porque é inteligente e lida facilmente com negócios, Dra. Helena.

O homem analisou calmamente à proposta.

- Esse rapaz iria assessorar Saymon a tomar decisões menos radicais, certo?

- Sim, senhora. Angelina Stein teme uma queda de investimentos, por isso me procurou e fez à proposta.

- Entendi. É melhor tirar e repor dezesseis milhões, a ter que perder mais que isso diariamente. - afirmou Peter. - Sou de acordo, afinal, o assessor é muito bem estudado, segundo o doutor.

Saymon revirou os olhos. Iria dizer mais alguma coisa, mas foi interrompido por Raven, ao adentrar à porta.

- O Dr. Schulz Becker, chegou! Posso permitir à entrada dele, Sr. Stein?

O conselho o fitou apreensivo. Estava mais metido naquilo que qualquer outro, então que fosse de acordo com o destino.

- Sim, Raven!

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