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Peão Descartável

Peão Descartável

Autor:: Lian Lian Qing Chen
Gênero: Romance
A umidade do ar ainda grudava na minha pele depois do banho quando a voz indiferente de Heitor me gelou o sangue: "E daí? Relaxa, Sofia. Não vai acontecer nada." Mal sabia eu que aquelas palavras eram o presságio de um inferno. Horas depois, a tela do celular dele revelou a verdade brutal: "Consegui. Ela é ingênua, caiu direitinho. Fiz o que a Isabela pediu." Eu era apenas uma peça em um jogo cruel, um peão descartável para reatar um relacionamento alheio. A humilhação me atingiu como um soco no estômago. Eu me sentia suja, usada, mas a pior parte era a ansiedade corroendo por dentro, o medo de estar grávida e presa a um monstro. Ele me humilhou publicamente, me expôs à misoginia tóxica de seus amigos, e quando tentei revidar com uma mentira do bem, a situação escalou para uma farsa ainda mais diabólica. Como eu pude ser tão cega? Como pude permitir isso? Mas a inocente Sofia havia morrido naquela noite. Agora, era hora de jogar o jogo com as minhas próprias regras. Eu não só iria embora, como faria com que cada um deles soubesse o preço de brincar comigo.

Introdução

A umidade do ar ainda grudava na minha pele depois do banho quando a voz indiferente de Heitor me gelou o sangue: "E daí? Relaxa, Sofia. Não vai acontecer nada."

Mal sabia eu que aquelas palavras eram o presságio de um inferno.

Horas depois, a tela do celular dele revelou a verdade brutal: "Consegui. Ela é ingênua, caiu direitinho. Fiz o que a Isabela pediu."

Eu era apenas uma peça em um jogo cruel, um peão descartável para reatar um relacionamento alheio. A humilhação me atingiu como um soco no estômago.

Eu me sentia suja, usada, mas a pior parte era a ansiedade corroendo por dentro, o medo de estar grávida e presa a um monstro.

Ele me humilhou publicamente, me expôs à misoginia tóxica de seus amigos, e quando tentei revidar com uma mentira do bem, a situação escalou para uma farsa ainda mais diabólica.

Como eu pude ser tão cega? Como pude permitir isso?

Mas a inocente Sofia havia morrido naquela noite. Agora, era hora de jogar o jogo com as minhas próprias regras.

Eu não só iria embora, como faria com que cada um deles soubesse o preço de brincar comigo.

Capítulo 1

A umidade do ar quente depois do banho grudava na minha pele, e um calafrio percorreu meu corpo, apesar do calor do quarto. Heitor estava deitado na cama, mexendo no celular com uma expressão relaxada, como se nada fora do comum tivesse acontecido.

Mas para mim, tudo estava diferente.

"Heitor", eu chamei, minha voz um pouco trêmula. "Nós... nós não usamos proteção."

Ele nem tirou os olhos da tela do celular. A luz do aparelho iluminava seu rosto bonito, mas a indiferença em seus traços me causou um aperto no estômago.

"E daí?", ele respondeu, com um tom de quem espanta uma mosca.

"E daí? Heitor, e se acontecer alguma coisa? Eu... eu não posso engravidar agora." O pânico começou a subir pela minha garganta, um gosto amargo na boca. Eu ainda estava na faculdade, meus planos, meu futuro, tudo parecia de repente frágil e em risco.

Ele finalmente baixou o celular e me olhou, mas não havia preocupação em seus olhos, apenas um tédio irritado.

"Relaxa, Sofia. Não vai acontecer nada", ele disse, sua voz cheia de uma confiança que me assustava. "E se acontecer, a gente resolve. Não faz drama por nada."

Ele se virou de costas para mim, encerrando a conversa. O gesto foi tão definitivo, tão cheio de desprezo pela minha preocupação, que eu me senti pequena e estúpida. O ar no quarto ficou pesado, e o silêncio dele era mais alto do que qualquer grito. Eu me encolhi na beirada da cama, sentindo o frio se instalar dentro de mim.

Não consegui dormir. A ansiedade era uma criatura viva se revirando no meu peito. Horas depois, quando a respiração de Heitor ficou profunda e regular, o celular dele vibrou na mesa de cabeceira. A tela acendeu, mostrando uma mensagem de um amigo, Lucas.

Ele não se mexeu. A curiosidade e um mau pressentimento me fizeram esticar o pescoço. A mensagem estava visível na tela de bloqueio.

"E aí, conseguiu o que queria com a santinha? A Isabela tá te esperando pra resolver as coisas."

Meu coração parou por um segundo e depois começou a bater descontroladamente no peito, um tambor surdo nos meus ouvidos. Minhas mãos tremiam tanto que eu precisei apertá-las contra o lençol para me controlar. Santinha. Era assim que ele se referia a mim?

O celular de Heitor vibrou de novo. Desta vez, ele resmungou e se virou, pegando o aparelho. Ele pensou que eu estava dormindo. Com os olhos semicerrados, eu o observei responder a mensagem, a luz do celular iluminando o sorriso presunçoso em seus lábios. Ele começou a digitar, e eu pude ler cada palavra.

"Claro que consegui. Ela é ingênua, caiu direitinho. Fiz o que a Isabela pediu. Agora a gente pode voltar sem culpa. A Sofia vai ficar na dela, com medo do que eu posso fazer."

Cada letra era um golpe. Ele não estava comigo porque gostava de mim. Ele estava me usando. Usando meu corpo e meus sentimentos como uma peça em um jogo doentio com a ex-namorada dele, Isabela. A humilhação me atingiu com a força de um soco no estômago, me deixando sem ar.

Eu não era nada para ele. Eu era um objeto, uma ferramenta, uma aposta ganha. A preocupação que eu senti, o pânico sobre uma possível gravidez, tudo aquilo que me tirou o sono era motivo de piada para ele. A dor da traição era tão intensa que parecia física, queimando por dentro.

Eu me levantei da cama em silêncio, meus movimentos rígidos e mecânicos. Peguei minhas roupas no chão, o tecido frio contra a minha pele quente de vergonha e raiva. Eu precisava sair dali.

Enquanto me vestia no escuro, uma clareza gelada tomou conta de mim. Eu não podia deixar isso passar. A primeira coisa era a minha saúde. Eu precisava tomar uma pílula do dia seguinte, e precisava ser rápido.

Vesti meus sapatos, peguei minha bolsa e saí do apartamento dele sem fazer barulho. Na rua fria da madrugada, o ar gelado no meu rosto foi um choque bem-vindo. Andei até a farmácia 24 horas a alguns quarteirões de distância, a cabeça latejando com a conversa que eu tinha lido.

Com a caixa do remédio na mão, a urgência se transformou em uma decisão firme. Eu não podia mais ficar aqui. Eu não podia mais olhar para o rosto de Heitor. Eu precisava de distância, precisava de um novo começo, longe de toda essa sujeira.

Sentei em um banco na rua deserta e peguei meu celular. Disquei o número do meu pai. Ele atendeu no segundo toque, a voz sonolenta, mas imediatamente alerta quando ouviu meu tom.

"Pai?", minha voz falhou. "Eu preciso de ajuda."

"Sofia? O que aconteceu? Você está bem?"

Eu respirei fundo, tentando controlar as lágrimas. "Pai, eu quero ir embora. Lembra daquele intercâmbio de medicina na Europa que o senhor mencionou? Eu quero ir. O mais rápido possível."

Houve um silêncio do outro lado da linha, e eu pude imaginá-lo sentando na cama, a preocupação tomando conta de seu rosto. Ele não fez perguntas sobre o motivo, não me pressionou. Ele apenas me ofereceu o apoio que eu precisava desesperadamente.

"Claro, filha. Claro que sim. Eu vou resolver tudo", ele disse, a voz firme e cheia de segurança. "Vou ligar para a universidade parceira amanhã de manhã. Em uma semana, no máximo duas, você estará em um avião."

"Obrigada, pai. Obrigada de verdade."

"Não precisa agradecer, Sofia. Apenas se cuide. Onde você está? Quer que eu vá te buscar?"

"Não precisa, pai. Eu estou bem. Eu só... precisava ouvir sua voz."

Desliguei o telefone e senti um peso enorme sair dos meus ombros, substituído por uma determinação fria. Heitor achava que eu era um peão no jogo dele. Mas o jogo tinha acabado. E eu ia sair do tabuleiro.

Capítulo 2

Os dias que se seguiram foram um borrão de dor silenciosa. Eu ia para a faculdade, assistia às aulas, sorria para os meus colegas, mas por dentro eu estava em ruínas. Cada rosto amigável parecia uma acusação, cada risada parecia zombar da minha ingenuidade. Eu me sentia suja, usada.

Heitor me mandava mensagens, agindo como se nada tivesse acontecido. "Onde você se meteu?", "Por que sumiu?", "Estou com saudades". Cada notificação era uma facada no meu peito já ferido. Eu ignorava todas, mas o medo de encontrá-lo no campus era constante, uma ansiedade que se manifestava em uma náusea persistente.

Meu corpo também estava reagindo ao estresse e à pílula de emergência. Eu me sentia enjoada o tempo todo, e uma dor incômoda não me deixava em paz. Era um lembrete físico constante daquela noite, da minha humilhação.

Na quarta-feira, o inevitável aconteceu. Eu estava saindo da biblioteca quando senti uma mão forte segurar meu braço. Meu corpo congelou antes mesmo de eu me virar. Era ele.

"Sofia, finalmente te achei", disse Heitor, com um sorriso que não alcançava os olhos. "Por que não está respondendo minhas mensagens?"

Ele me puxou para mais perto, bem ali, no meio do corredor lotado de estudantes. Seu toque me causou repulsa. Tentei me soltar, mas seu aperto era de ferro.

"Me solta, Heitor."

"Por que você está tão estranha? Aconteceu alguma coisa?", ele perguntou, fingindo preocupação. Ele aproximou o rosto do meu, tentando me beijar.

Eu virei o rosto, e uma onda de náusea me atingiu com força. Levei a mão à boca, sentindo um gosto azedo subir pela garganta.

"Eu não estou me sentindo bem."

Heitor franziu a testa, mas não de preocupação. Seus olhos brilharam com uma excitação doentia. Ele se inclinou e sussurrou no meu ouvido, sua voz um veneno suave.

"Não me diga que funcionou de primeira. Seria interessante. Um filho agora..."

O horror me paralisou. Ele não estava brincando. A ideia de me prender a ele daquela forma parecia agradá-lo. O pânico voltou, mais forte do que nunca.

"Você é nojento", eu consegui dizer, minha voz cheia de desprezo.

Antes que ele pudesse responder, a porta de uma sala de aula próxima se abriu com um estrondo. Um professor saiu, seguido por uma onda de alunos. O barulho repentino fez Heitor me soltar por um instante. Alguns olhares curiosos se voltaram para nós. A humilhação de ser vista naquela situação, tão vulnerável e sob o controle dele, queimou meu rosto.

Heitor não pareceu se importar com a atenção. Ele sorriu, um sorriso largo e desafiador para a plateia improvisada.

"Estamos apenas tendo uma conversa de casal", ele disse em voz alta para quem quisesse ouvir.

Eu aproveitei a distração para me afastar, meu coração batendo forte contra as costelas. Eu só queria fugir, desaparecer. Enquanto me afastava a passos rápidos, eu contava os dias mentalmente. Sete dias. Faltavam apenas sete dias para eu ir embora. Eu só precisava sobreviver por mais sete dias.

Naquela noite, ele me ligou. Eu ignorei. Então ele mandou uma mensagem.

"Esteja pronta às oito. Vamos a uma festa na casa do Lucas. E não ouse me ignorar de novo."

A mensagem era uma ordem, não um convite. Parte de mim queria se trancar no quarto e nunca mais sair. Mas outra parte sabia que desafiá-lo diretamente só pioraria as coisas. Eu precisava jogar o jogo dele, só por mais um pouco.

Quando ele chegou para me buscar, eu estava pronta, vestindo uma máscara de indiferença. A festa estava lotada, a música alta pulsando no ar. E no meio da sala, rindo com um grupo de pessoas, estava Isabela. Ela era linda, com um ar de confiança e poder que eu nunca teria. Quando ela me viu com Heitor, um sorriso sutil e vitorioso curvou seus lábios.

Mais tarde, Lucas sugeriu um jogo estúpido de "verdade ou consequência". A garrafa girou e parou em Heitor.

"Verdade ou consequência?", perguntou Lucas, com um sorriso malicioso.

"Verdade", respondeu Heitor, olhando diretamente para mim.

"É verdade que você e a Sofia se divertiram muito na outra noite? Ouvi dizer que foi... intenso."

O quarto ficou em silêncio por um momento. Todos os olhos se voltaram para mim. Senti meu rosto queimar. Heitor riu, um som alto e arrogante.

"Foi mais do que intenso. A Sofia é cheia de surpresas", ele disse, e cada palavra era uma nova camada de humilhação pública.

A garrafa girou novamente. Desta vez, parou em uma garota que eu não conhecia. Ela escolheu "consequência" e Lucas a desafiou a fazer uma pergunta para Isabela.

A garota sorriu. "Isabela, é verdade que você e o Heitor só terminaram porque a sua família não o aprova? E que você está usando a Sofia pra fazer ciúmes nele e conseguir o que quer?"

A atmosfera na sala mudou instantaneamente. O sorriso de Isabela desapareceu. Heitor, que estava relaxado e sorrindo, ficou tenso como uma corda de violino. Seus olhos escureceram, e a diversão deu lugar a uma fúria gelada. A tensão era tão espessa que podia ser cortada com uma faca. O jogo tinha acabado de se tornar perigoso.

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