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Perfeitamente quebrados

Perfeitamente quebrados

Autor:: Karol Bernardo
Gênero: Romance
Jolene não consegue se recuperar da perda de Liam Jr e se aproveita de Paul para engravidar novamente. Tudo corre como quer. Mas Paul, com raiva, descobre e deixa Jolene arcar com as consequências sozinha. Não entendendo a situação, seus pais a expulsam de casa, e Jolene se vê perdida com duas crianças para criar, sem emprego e sem abrigo. Então tenta o máximo possível encontrar ajuda enquanto Paul tem o melhor.

Capítulo 1 Prólogo

Depois daquele dia, eu não fui a mesma. No início eu não queria o bebê, mas depois passei a amá-lo mais que a minha própria vida mesmo antes de ver seu rosto. Mas Elisa e Liam Jr. se foram. Eu passei algum tempo tendo terapias, tentei me distrair no colégio, mas não consegui ultrapassar. Nem Bratt. Ao menos Liam conseguiu graças à Blaire.

Por isso, eu não tinha outra escolha.

Vejo Liam e Blaire se beijando na festa de Scott e me afasto. Eu só quero encontrar Paul. Ele me trouxe aqui para eu me divertir um pouco. Ele é muito especial para mim. Ninguém me trata como ele me trata.

- Jole! - Blaire me chama. - Eu estou indo com Liam. Você vai ficar? - Ela sorri e olha atrás de mim.

- Sim, eu fico. - Digo e olho para trás. Paul vem sorrindo em minha direção.

- Depois a gente se fala. - Blaire vai encontrar Liam e eles vão embora.

Olho para Paul e o abraço quando chega perto de mim. Ele acaricia o meu cabelo e beija a minha testa. Parecemos um casal apaixonado, mas nem estamos namorando. Ainda.

- O que foi? - Ele pergunta.

- Nada. Apenas gosto da sua companhia. - Respondo.

- Eu também. Não entendo porquê fica sempre triste ultimamente. Antes você era uma garota feliz.

- As pessoas mudam em algumas circunstâncias. - Algumas mudanças são duradouras e outras não.

- Eu sei. - Ele pensa um pouco. - Não entendo porquê seu irmão me odeia.

- Ele é estranho. Não liga isso. Finge que não me suporta, mas no fundo só quer me proteger.

- Vou admitir que ele é um pouco assustador. Um pouquinho só. - Ele diz rindo.

- Se ele ouve, quebra sua cara.

- Não se preocupe. Eu sei me defender. - Ele acaricia a minha mão com o seu polegar.

- Porquê a gente não conversa num lugar mais calmo? - Eu pergunto sorrindo.

- Onde você sugere? - Ele olha para mim.

Seguro sua mão e levo ele para o quarto de Scott. Ele fecha a porta e o barulho da música é abafado. Estamos apenas nós e o silêncio.

- Eu já disse que você está muito linda? - Ele senta na cama.

- Umas quatro vezes. - Eu rio.

Silêncio.

- Shane ainda está triste por causa de Blaire. - Ele olha para mim.

Eu me aproximo dele lentamente e tiro o meu vestido. Ele observa quando deixo cair no chão e tiro os meus saltos altos. Não quero conversar. Só quero engravidar.

- Não vamos falar de Blaire, Shane ou outra pessoa. Apenas nós. - Eu sento no seu colo e ajudo a tirar a sua camiseta.

- Se o Bratt entra aqui, será o meu fim. - Ele diz. - Eu gosto tanto de você, Jolene. Gosto muito de você. Eu tenho estado muito tempo com você, que acabei por me apaixonar. Eu não quero ser apenas seu amigo.

- Eu também. Quero ser sua, Paul. - Continuo beijando ele. Ele fecha os olhos.

- Eu não trouxe camisinhas comigo, Jole. - Eu beijo seu pescoço.

- Não se preocupe. Eu sempre tomo a pílula. - Minto. Beijo seus lábios e ele me coloca por baixo dele em um movimento rápido. Estou impressionada com a sua força.

- Ótimo. - Ele diz com um sorriso perverso. Ele é lindo demais para um garoto.

Ele tira a sua calça jeans e todo o resto para transar comigo loucamente. Graças a música lá fora, ninguém ouve nossos gemidos. Tudo corre como o planeado. Em breve teremos o nosso bebê.

Capítulo 2 Um novo começo

- Como se sente? - Doutor Isaac pergunta.

Ele está sentado no seu sofá de couro, no seu consultório com paredes azuis e está com um caderno e uma caneta na mão. Seus cabelos grisalhos estão bem penteados e ele me olha como se me entendesse.

- Eu me sinto bem. Agora que Paul está comigo, tudo está bem. - Digo.

- Mas você estava discretamente obcecada em engravidar novamente. Isso mostra que ainda não superou o que aconteceu. - Ele endireita os óculos.

- Eu percebo que preciso seguir em frente. Eu não posso continuar lamentando. - Olho para as minhas mãos.

- Você sabe que eu sou psicólogo, conheço você e posso dizer que você está mentindo, senhorita Watson!

Suspiro. - Tudo bem. Eu menti. A verdade é que eu enganei Paul. A gente transou. Ainda é difícil aceitar aquilo. - Digo envergonhada.

Ele aponta alguma coisa no seu caderno e olha para mim. - Como se sente por ter feito isso? Engravidar de propósito sem que ele soubesse.

- Eu não sinto nada. Estou perfeitamente bem. - Entrelaço as minhas mãos.

- Você acha que isso é certo? Enganar ele? - Ele me olha atentamente.

- Sim. Eu preciso preencher esse vazio. Outro bebê pode mudar a minha situação. Pode curar o meu sofrimento. Eu fiz isso por um bom motivo.

- Se ele não quiser ser pai tão cedo? Você disse que ambos têm apenas 18 anos. O que acontece se ele recusar a paternidade?

Suspiro. - O mais importante é o que eu sinto. Se ele não quiser, eu posso fazer tudo sozinha, mas eu preciso disso. Ninguém entende!

Ele escreve novamente no caderno. - Você acha que ter outro bebê é a solução para superar a perda de um? - Pergunta cautelosamente.

Olho para o teto. - Sim. É a única solução para mim. É a única que eu consigo encontrar.

- Já tentou um relacionamento com alguém depois do incidente?

- Não. Eu só comecei com Paul. Eu quero que ele seja o pai. - Respondo. Detesto isso, mas Bratt e Liam dizem que tem de ser.

- O que acontece quando está rodeada de pessoas? Seus amigos, família, como se sente?

- Bem. Eu esqueço da dor por alguns instantes, mas quando estou sozinha é outra coisa. E eu quero mudar isso. Eu quero poder sorrir até quando estou só, fazer tudo com alegria. Como antes.

- Entendo. - Ele escreve mais alguma coisa no seu caderno. Eu vejo a hora no relógio no meu pulso. Preciso que isso termine logo.

Saio do consultório do doutor Isaac e vejo Bratt mexendo no celular. Ele olha para mim quando me vê. Espero que não me pergunte o que o doutor disse.

- Como correu?

- O mesmo de sempre. - Digo. - É melhor eu parar de vir aqui. Senão os nossos pais vão descobrir.

- Você precisa, Jole!

- Você também! Muito mais do que eu. Você ficou um mês sem falar com ninguém quando... Ela se foi. - Digo.

- Eu não preciso de um psicólogo.

- Você quis matar Liam!

- Antes. Estava bêbado. Já passou. Nenhum psicólogo vai me ajudar. Nada nem ninguém vai me ajudar. Estou bem e estou acostumado com isso. Me deixe!

- Vê o que está dizendo? Bratt, isso não pode ficar assim. Você nem implica mais comigo. Antes a gente brigava por um biscoito, para comer a última fatia de piza, pelo controle da TV e agora você está nem aí. Eu quero o meu irmão de volta!

- Você não vai ter. Sinto muito. - Ele abre a porta do carro para mim. - Vamos embora.

Eu entro e coloco o cinto de segurança. Bratt faz o mesmo e começa a dirigir. Meu celular vibra, mas não atendo. Não é boa ideia conversar com Liam quando Bratt está aqui ao meu lado.

- Eu sei que é Liam, pode atender. - Ele diz. Mesmo assim não atendo.

- É melhor não.

- Está bem. Você vai sair com Paul outra vez?

- Não hoje. Agora você virou irmão super protetor?

- Eu sou protetor quando não quero que você se machuque. Infelizmente, errei na minha vez.

- Vamos esquecer aquele assunto. Eu só quero ir para casa.

Uma vítima!

Era tudo o que eu precisava. E eu encontrei uma. Usei Paul e sinceramente não me arrependo disso. Ele disse que gosta de mim, então não há problema nenhum. Estou fazendo um favor para os dois. Só temos que esperar que o bebê comece a se desenvolver na minha barriga. Não há nada para dar errado.

Saio do meu quarto completamente feliz e vejo Bratt pegando na sua mochila. Minha mãe fala com ele, mas não responde. Eu reviro os olhos. Isso de novo não!

- Bom dia, mamãe! - Eu digo e pego numa maçã para levar no caminho.

- Você vai com a gente, filho? - Minha mãe pergunta.

Bratt apenas acena negativamente e sai de casa. A senhora Christina, minha mãe, ainda está surpresa com o comportamento de Bratt. Tudo o que ela sabe é que Elisa se foi e ponto final.

- O que deu no seu irmão? - Ela pega nas chaves do carro.

- Eu não faço ideia! - Digo.

- Depois eu falo com ele. É melhor a gente ir. - Ela pega na bolsa e eu sigo ela até o carro.

No colégio, eu arrumo os meus livros e me arrependo de não ter comido nada além daquela maçã. Isso não pode acontecer novamente. Possivelmente estou comendo por dois.

Alguém me agarra e beija o meu pescoço e eu sorrio porque já seu quem é. O pai do meu filho, obviamente!

- Como está a minha linda namorada? - Ele me dá um beijo casto.

- Com saudades de você! Passei a noite toda pensando em você! - Minto. Na verdade, passei a noite toda pensando no nosso bebê.

- Eu também. E você não imagina como estou feliz. - Ele passa a mão no meu rosto suavemente.

- Eu também. - Porque em breve um pequenino vai estar entre a gente.

- Vamos para sala de aula? - Ele pergunta e coloca a mão na minha cintura. Ele é um pouco possessivo.

- É melhor.

Nos dirigimos à sala de aulas onde poucos alunos se encontram lendo seus apontamentos. Sophie está no celular, Bratt olhando para o teto como se tivesse uma mensagem lá e Blaire está conversando com Liam animadamente.

- Depois a gente se vê. Eu vou ter saudades! - Paul beija a minha testa e vai sentar perto de Shane.

Sento no meu lugar e olho para Sophie. Ela também olha para mim, mas seu olhar é triste. Tenho a certeza que já sei do que se trata.

- Você e Paul estão finalmente namorando? - Ela pergunta.

- Sim, Sophie. A gente está juntos há uma semana. E ainda há muita coisa que você só vai saber lá para frente.

- Você não pode dizer agora? - Ela pestaneja.

- Não. Apenas confia em mim. - Digo.

- E porquê vocês só assumiram a relação agora? Porquê não me disse nada, Jole? - Sophie pergunta.

- Paul não queria que ninguém soubesse ainda. A gente combinou que ia esperar uma semana. - Olho para ela.

- Entendo. Faria o mesmo se Bratt me pedisse. - Ela endireita os óculos.

O professor Clark entra na sala de aulas com uma boa disposição. Eu tiro os livros e os cadernos da minha mochila e me preparo para fazer os apontamentos. Mas não presto muita atenção na aula.

No refeitório, Paul e eu comemos juntos. Apenas nós os dois. Essa coisa de namoro é maravilhoso. Será ainda melhor se eu descobrir que ele fará qualquer coisa por mim.

- Você não está comendo um hambúrguer porquê? - Ele olha para a minha salada. Eu tenho que ter uma alimentação saudável de agora em diante.

- Meu nutricionista me recomendeu comer coisas saudáveis. - A convivência com Liam e Bratt fez de mim uma ótima mentirosa. E isso pode não ser tão ruim assim.

- Ainda bem que ele fez isso. Você come cada coisa! - Ele ri.

Se ele soubesse que eu fiz, como ia reagir? Eu não sei, mas eu não fiz por mal. Ele gosta de mim e está disposto a ter um relacionamento sério, então tem tudo para ser um ótimo pai.

- Depois das aulas, você vai sair com Shane? - Pergunto.

- Sim. Mas se você tem outros planos, posso dar um jeito de acertar a minha agenda. Tenho sempre tempo para você. - Ele sorri e beija a minha mão.

- Fico feliz em ouvir isso, meu amor! - Digo sorrindo como uma criança.

Shane vem sentar na nossa mesa, estragando o nosso momento. Ele vai ficar a tarde toda com Paul, o que quer mais?

- Algum problema, amigo? - Paul pergunta.

- Não quero estar no mesmo lugar que Lambert e Blaire. - Ele olha para sua comida sem vontade.

- Você pode fazer companhia no meu irmão. - Digo.

- Jole! - Paul me repreende.

- Eu estava brincando. - Falo imediatamente. Na verdade, não estava.

- Finjam que não estou aqui. - Ele diz.

Olho para Paul e ele está realmente fingindo que Shane não está aqui. Ele me olha com brilho nos olhos de tão apaixonado.

- Depois das aulas podemos sair. Vamos onde você quiser! - Paul propõe.

- Tudo bem. - Como a minha salada.

De repente, me vem à cabeça tudo o que o meu psicólogo, Doutor Isaac, me falou há dois dias. Ele sempre tem razão em algumas coisas, mas eu preciso continuar com isso. Tudo já está feito só falta esperar.

Ainda falta a aula de matemática e o professor está atrasado. Enquanto isso, converso com as minhas amigas sobre o assunto de um milhão de dólares.

- Você e Paul desapareceram da festa. O que aconteceu? - Sophie pergunta.

- A gente precisava conversar num lugar calmo. Apenas isso. Ele falou que gosta muito de mim e que não queria ser apenas meu amigo. - Respondo. Conto metade da história.

- Vocês ficam bem juntos. - Blaire sorri.

Olho para trás para Paul. Ele está conversando com Shane e está sorrindo. Meu lindo loiro está ignorante de tudo sobre a gente. Mas eu estou feliz com ele e não quero estragar isso. Preciso que pareça um acidente. Isso mesmo! Vou fingir que foi um acidente.

O senhor diretor entra na sala com a sua habitual cara de mal humorado e coloca as mãos no bolso. Espero que seja algo que eu realmente queira ouvir.

Todos ficamos em silêncio, sentamos direto e prestamos total atenção ao senhor de meia idade que está vestido um terno. O que será dessa vez?

- Bom dia, alunos! - Nós respondemos em uníssono. - Vocês deveriam ter aulas de matemática nesse momento, mas o professor está atrasado. Ele chega daqui a pouco. - Tosse. - Entretanto, eu aproveito esse momento para que vocês conheçam a vossa nova colega. Stephenie Whitman. - Ele olha para a porta. - Pode entrar, Whitman! - Ele ordena.

Uma garota muito bonita com cabelos loiros brilhantes e olhos azuis turquesa, corpo sensual e um sorriso hipnotizante entra na nossa sala de aulas. Ela é tão bonita que deixa os meninos boquiabertos.

- Olá! - Ela acena para todos.

- Tenham uma boa aula! - O diretor frio sai da sala.

Stephenie caminha como uma modelo e senta perto de Paul. Paul olha para ela por um tempo demasiado longo e isso me deixa com raiva. Ele vai ser pai, não pode olhar para as outras garotas!

Stephenie sorri para Paul, pois ele continua olhando para ela e ele é muito bonito. Eu desvio o olhar. Preciso me acalmar. Paul jamais mudaria de ideias, mas não posso negar que tenho um pouco de medo. Essa garota tem cara de alguém que traz sempre problemas para as outras garotas.

Capítulo 3 Ela é uma ameaça

Eu não consegui prestar atenção na aula quando Stephenie ficava o tempo todo chamando Paul para perguntar alguma coisa. A garota tinha acabado de chegar, mas já estava me irritando.

Quando a aula termina, eu arrumo os meus livros e caminho até o lugar de Paul para que aquela piranha saiba que ele tem namorada. Eu posso ser muito doida se me provocarem.

- Estou esperando você, meu amor! - Digo para Paul, que vira e olha para mim.

- Claro! - Ele pega sua mochila e levanta. - Nos vemos amanhã, Stephenie! - Ele sorri para ela e me leva para fora do colégio.

Eu olho para ele quando saímos. Ele está sorrindo por algum motivo. Me aproximo e entrelaço as nossas mãos. Ele olha para mim automaticamente.

- Lembra quando disse que teria sempre tempo para mim? - Pergunto.

- Claro. Foi há horas atrás. - Ele abre a porta do seu carro.

- Eu preciso de ajuda, Paul.

- Em que posso ajudar?

- Bem, você é um dos melhores alunos da turma e eu preciso de explicações de algumas matérias. Você pode me ajudar?

- Jole, eu posso sim, mas você vai ter de dividir com Stephenie. Ela também pediu explicações. - Ele diz. O quê?

- E você vai preferir ela ou eu? - Pergunto deixando a porta do carro aberta.

- Calma, Jole! Posso ajudar as duas.

- Porquê você não disse para pedir ajuda na Blaire ou no Shane? Eles são os melhores!

- Shane não está com disposição para essas coisas, você sabe que ele ainda está apaixonado por Blaire.

- E Blaire?

- Entra no carro, Jole, por favor! Eu não quero estragar a nossa tarde.

Olho para ele e entro. Ele fecha a porta e dá a volta para entrar também. Olho para o vidro do carro e vejo Stephenie andando perdida. Vadia!

- Aonde a gente vai, Paul? - Pergunto.

- Aonde você quiser. - Ele suspira. - Não fica com ciúmes de Stephenie. Eu gosto de você!

- Eu não estou com ciúmes! - Digo.

- Então, onde você quer ir? Podemos comer alguma coisa se quiser.

- Claro. - Sorrio e coloco a minha mão na sua perna. Ele também sorri e continua dirigindo.

Fico no meu quarto olhando para as paredes. Tenho exame amanhã, mas não consigo estudar. Estou chovendo de notas ruins e se meus pais descobrem, eles acabam comigo. Mas eu posso tentar. O problema é que não tenho vontade.

Pego no meu celular e ligo para Paul. Ele atende no segundo toque.

- Jole?

- O que você está fazendo? - Pergunto.

- Estudando mais um pouco. Você lembra que temos um exame amanhã?

- Claro que eu sei! - Brinco com o meu cabelo.

- Você não está estudando?

- Eu tenho saudades de você! - Digo. Ele ri.

- Eu também tenho saudades de você, mas agora eu preciso estudar. Você devia fazer o mesmo.

- Aí, meu namorado é tão chato! - Digo. - Tudo bem. Eu vou estudar e amanhã a gente conversa.

- Isso mesmo. Lembra que as notas podem nos levar para as melhores universidades.

- Sei, sei. Adeus.

- Adeus! - Desligo.

Pego nos meus apontamentos e no meu livro e tento estudar a noite inteira. Simplesmente porque não tenho mais nada para fazer.

Mais um dia e pela primeira vez em algum tempo, estou pronta para fazer o exame. Fiquei a noite toda estudando e percebi que não sou tão idiota assim.

Entro na sala de aulas e vejo meu Paul e aquela piranha loira rindo bastante. Ela fica tocando nele o tempo todo, mas ele não se importa e isso me irrita.

Sento no meu lugar para não cometer uma loucura. - Porquê ela não deixa Paul em paz? - Pergunto.

- Porque ela está interessada. - Sophie responde. - Eu faria o mesmo com Bratt, mesmo que ele tivesse namorada.

- Você pode esquecer Bratt por um segundo, Sophie? - Olho para ela.

- Não. Eu não posso, não quero e não consigo. - Ele mexe no celular. - Estou vendo as fotos dele agora. - Suspira. - Se isso é uma doença, não quero a cura.

- Você é louca! - Digo e olho para Paul novamente. Ele continua sorrindo com Stephenie. Ela olha para mim e se aproxima mais de Paul como se estivesse marcando o território.

Eu ignoro e me controlo. Ela só quer me provocar para estragar as coisas com Paul. Eu não posso cair nessa.

Ela toca no braço dele e finge que é por distração. Ou Paul não está ligando, ou acha que não há nada errado ou está gostando.

Eu me controlo. Ela não vai conseguir o que quer. Paul gosta de mim, não dela. Eu não preciso me preocupar com isso.

Ela toca no cabelo dele e meu sangue começa a ferver de raiva. Agora chega!

Eu levanto e caminho no lugar deles. Paul deixa de sorrir quando me vê, mas a vadia continua sorrindo. Eu quero arrancar o cabelo dela.

- O que está acontecendo aqui? - Eu olho para eles.

- A gente está apenas conversando. Eu sou nova e Paul é o único que eu conheço aqui. - Stephenie diz. Ela finge inocência. Que vadia!

Reviro os olhos. - Não falei com você!

- Jole, calma! - Paul levanta e me leva para fora da sala de aulas.

Olho para ele enquanto saímos e caminhamos para outro lugar. Ele me leva para o armário de limpezas e fecha a porta. Eu continuo encarando ele com raiva.

- Você gosta dela? - Pergunto.

Ele morde o lábio. - Não. Eu sou seu namorado e gosto de você. Entende? Você não precisa ficar com ciúmes de ninguém. Stephenie pode ser bonita, inteligente e carismática, mas eu só tenho olhos para você.

- Não precisava descrever ela desse jeito. - Olho para o chão.

- Você também é linda, Jole! Você ganhou o ano passado, o título de miss carisma. Você é inteligente também, mas duvida de si mesma.

- Você acha? - Pergunto pronta para ouvir mais elogios, mas ele me beija.

Ficamos contra a parede nos beijando intensamente e eu não tenho vontade de largar ele. Poderia ficar aqui sem fazer o exame.

Cada vez que sua boca me enlouquece, me faz esquecer tudo o que aconteceu. A gente vai ficar bem. Nós três vamos ficar bem. Stephenie não vai nos separar.

- Só quero você, minha flor! - Ele sussurra no meu ouvido.

- Então não deixe ela ficar muito perto de você. Eu não gosto de ver você rindo com ela. - Olho para ele. - Ela estava tocando você como se fosse sua namorada e eu não quero isso. Eu não quero que ela se aproveite. Faça alguma coisa, Paul. - Passo a mão pelo seu peito.

- Eu vou ver o que posso fazer! - Ele me abraça. - Você está bem agora?

- Sim. Agora eu estou.

Ele segura a minha mão e me leva para a sala de aulas. As pessoas ficam olhando, mas eu não quero saber. Podem olhar à vontade. Não vai mudar nada entre mim e Paul.

Sento no meu lugar e fico meditando antes do exame. Paul não conversa com Stephenie, e o professor finalmente chega. Tenho a certeza que não será difícil porque estudei bastante.

Fico parada no carro de Paul esperando. O exame correu bem e eu estou feliz que as coisas estejam dando certo. Eu só tinha que esperar mais algum tempo para descobrir sobre o teste de gravidez.

Bratt se aproxima de mim e se apoia no carro de Paul. - Você tem consulta com o psicólogo hoje, Jole! - Ele diz.

- Não. Eu já disse que não vou fazer isso novamente. Já estou bem.

- Jole! Isso é para o seu bem. Eu sei que parece bem, mas não está. - Ele diz.

- Eu vou sair com Paul agora. Depois a gente se vê.

- Você não pode brincar com a sua saúde desse jeito, Jolene. Oiça o que eu digo pelo menos uma vez! - Ele fica na minha frente. Atrás dele, Paul está vindo com a testa franzida.

- Alguma coisa? - Ele pergunta.

- Não. Está tudo bem. Eu tinha que fazer algumas coisas para Bratt, mas estou saindo com você. A gente vai fazer noutro dia. - Digo.

- O seu namorado ainda não sabe? - Bratt pergunta. Eu vou matar ele!

- Saber o quê? - Paul pergunta para Bratt.

- Pergunta para Jolene. Ela vai explicar melhor.

Bratt se afasta e Paul se coloca na minha frente. Quando Liam perguntou se eu seria capaz de contar toda a verdade para Paul, eu disse que sim, mas agora eu não consigo. Agora eu tenho medo e preciso encontrar uma desculpa para sair dessa situação.

- Do que Bratt está falando, Jolene? - Ele pergunta com a testa franzida.

- Não liga! Vamos embora!

- Você pode me dizer aqui e agora! - Ele cruza os braços.

- Não quero que seja aqui.

- Jole! - Ele diz.

- Por favor! - Imploro.

- Está bem. - Ele abre a porta do carro para eu entrar e entra em seguida. Ele liga o motor e começa a conduzir.

Entramos num apartamento e Paul fecha a porta. Ainda estou processando o que vou dizer para ele. Se eu disser a verdade como ele vai olhar para mim?

- Não sabia que você tinha um apartamento. - Falo.

- Não tenho. Esse é do meu irmão. Ele está em Londres e pediu que eu cuidasse dele.

- Entendo. - Eu sento no sofá.

- Agora podemos conversar? - Ele pergunta também sentando no sofá.

- Tudo bem. - Suspiro. - Eu faço parte das garotas que Lambert usou. Feliz? - Vou direito ao assunto.

Ele se afasta um pouco. Eu contei meia verdade. Ele me olha de um jeito estranho e eu acho que sei porquê.

- Não olhe assim para mim. - Digo. - Eu fui enganada! Foi tudo um acidente. Fui ingénua e não pensei.

- Espera! Você já transou com Liam? - Ele pergunta horrorizado.

- Você vai terminar comigo se eu disser que sim? - Pergunto.

- Não!

- Paul, se você está bravo comigo por causa disso...

- Não estou. Só não entendo como você pode suportar ele. Agora vocês são amigos. Como você consegue ser amigo de alguém que usou você? - Ele levanta.

- Eu perdoei.

- Jole, você acha que ele ainda não esqueceu você?

- Ele nunca foi apaixonado por mim. E agora ele ama Blaire.

- Como você sabe?

- Eu vejo. E também sei dessas coisas.

Ele fica em silêncio de costas para mim. Minhas lágrimas começam a cair. Ele não sabe nem metade da história e me trata desse jeito, imagina se souber tudo?

Eu levanto. - Eu sabia que você... - Limpo minhas lágrimas. - Eu estou indo embora.

Eu caminho até a porta, mas ele agarra o meu braço. Eu olho para seus olhos azuis e ele limpa as lágrimas no meu rosto carinhosamente com suas mãos.

- Você pensa que eu vou terminar com você ou deixar de gostar de você só porque foi ex de Lambert? Então você não me conhece, flor! - Ele me abraça.

- Eu pensei que sim, por isso não falei nada. - Digo.

- Vamos esquecer isso. Vamos esquecer o passado. Eu só quero ficar com você numa boa. - Sussurra.

- Eu também, Paul. - Beijo ele e minhas mãos vão para os seus cabelos loiros. Não deixa dúvida nenhuma sobre o que sente por mim nesse beijo. E isso me faz feliz.

Acordo nos braços de Paul e abraço seu corpo. Ele está sem roupas, mas eu estou usando uma camiseta dele. Fizemos muita coisa durante a tarde. E uma delas foi ver filmes de ação. Era capaz de me acostumar com isso.

- Acorda, Paul! - Chamo ele.

- O que foi agora? - Ele pergunta e se senta na cama.

- Você está bem com o que eu tinha dito há minutos atrás?

- Claro que sim. - Ele me beija. - Já resolvemos isso. - Seu rosto sonolento me faz sorrir. Ele é tão lindo!

- Ainda bem. - Sorrio.

- Você quer ir já para casa? - Pergunta. - Já são seis horas. - Ele levanta e veste sua cueca boxer.

- É uma pena que eu não posso dormir aqui com você. - Também levanto e coloco meus braços ao redor do seu pescoço.

- Eu também lamento. - Ele me beija.

A campainha toca e Paul franze a testa. - Quem será?

Ele sai do quarto e eu o sigo. Paul abre a porta e eu vejo uma garota bonita de cabelos castanhos com um vestido justo. Ela olha para mim e depois abraça Paul carinhosamente.

Meus ciúmes aparecem automaticamente quando vejo Paul respondendo o abraço. E eu quero muito saber o que se passa aqui.

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